Escritos Reunidos VOLUME X                                           1888-                                      ÍNDICE

Julho

Prefácio Levantamento Cronológico

Última Esperança Aos Teosofistas e Leitores de "Lúcifer" Culto aos Anjos-Estrelas na Igreja Católica Romana "L'Isis" Ciência Cristã O que é Deus? Notas Diversas Psicologia do Egito Antigo

Agosto

A Sociedade Teosófica: Sua Missão e Seu Futuro Nosso Cristão Século XIX Ética Uma Lição A "Árvore Casta" Notas Diversas

Setembro

Nosso Terceiro Volume Cristianismo ou Ciência Mental Do Caderno de Notas de um Filósofo Impopular Notas Diversas Teosofia e Budismo

Outubro

Lojas de Magia Aviso Editorial Notas de Rodapé a "Uma Olhada na Teosofia de Fora" Uma Explicação Importante para Todos os Teosofistas A Epopeia Nacional da Finlândia — Resenha O Diabo — Quem é Ele? Perguntas Pertinentes A Seção Esotérica da Sociedade Teosófica Notas Diversas ["A Doutrina Secreta" — Nota do Compilador]

Novembro

É a Teosofia uma Religião? Notas de Rodapé a "A Visão de um Príncipe Budista sobre o Universo e a Natureza do Homem" "Budismo Esotérico" e "A Doutrina Secreta" Notas Diversas Lançando Fora

Dezembro

[A Seção Esotérica e William Quan Judge] É a Denúncia um Dever? A Elegia para os Mortos em Vida A Elegia para os Mortos (Fevereiro, 1889) Diálogo Entre os Dois Editores Crianças Permitidas a Treinar-se para o Assassinato O Diabo, Quem é Ele? Anotações Literárias Notas Diversas A Doutrina Secreta Sonhos

Junho, 1893, e Abril,

Vibrações Ocultas Conversas sobre Ocultismo com H. P. B.

Janeiro,

O Ano Está Morto, Viva o Ano! "O Vaso Vazio Produz o Maior Som" Lojas de Magia São Todas as Senhoras Russas Agentes Russas? Notas Diversas

Janeiro, Fevereiro, Março,

Transações da Loja Blavatsky da Sociedade Teosófica APÊNDICE:       Nota sobre a Transliteração do Sânscrito

ILUSTRAÇÕES:      Helena Petrovna Blavatsky      William Quan Judge      H.P. Blavatsky e Cel.

H.S. Olcott em Londres      Annie Besant      Coronel Henry Steel Olcott      Condessa Constance Wachtmeister      William Kingsland

Fac-símiles       Uma página do manuscrito de A DOUTRINA SECRETA       Documento nomeando W.Q. Judge como Representante Único       da seção esotérica na América                         Escritos Reunidos VOLUME X

PREFÁCIO AO DÉCIMO VOLUME

O material do presente Volume está em sequência cronológica direta com os escritos do Volume IX e inclui, além de vários editoriais contundentes de H.P.B. publicados em *Lucifer*, o texto integral das *Transactions of the Blavatsky Lodge*, com sua riqueza de ensinamentos profundos.

O contínuo interesse e a valiosa assistência de nossos colaboradores e amigos são reconhecidos com gratidão.

A lista de seus nomes, conforme apresentada no Prefácio ao Volume VII, aplica-se igualmente ao presente Volume.

BORIS DE ZIRKOFF,
Compilador.

LOS ANGELES, CALIFÓRNIA, E.U.A.
21 de março de 1960.

*Collected Writings* — VOLUME X
Julho,

ESPERANÇA ABANDONADA

[*Lucifer*, Vol. II, Nº II, julho de 1888, pp. 341-346]

*"Porventura o sábio pronunciará vão conhecimento, e encherá o seu ventre do vento oriental?"*
— Elifaz, em Jó, xv, 2.

Nos dias de uma Antiguidade muito, muito remota, a saber, em 1886, uma sugestiva Fábula Teosófica circulou entre nossos círculos e encontrou lugar no número de março de *The Theosophist* daquele ano. Seu tema era uma Sociedade chamada "Harmonia", nascida para investigar a música das Esferas, e estabelecida no Extremo Oriente.

Tinha ela, prosseguia a fábula, um curioso "instrumento", para afiná-lo um grande gênio descia ocasionalmente das regiões superiores e fazia o instrumento repetir a música das esferas.

Possuía também um presidente que, na grande honestidade e inocência de seu coração, fora imprudente o bastante para vangloriar-se de sua posse, e fizera o instrumento cantar para quem quer que estivesse ao alcance de sua visão: tanto assim que, por fim, o instrumento se tornou bastante desvalorizado.

Então a fábula mostrava como os sábios do Ocidente — que não acreditavam nem no gênio, nem nas esferas, nem no instrumento — reuniram suas sábias cabeças e, achando que, mesmo que o instrumento não fosse ficção, contudo, como não fora construído segundo quaisquer regras da moderna ciência da acústica que eles conheciam, não tinha, portanto, direito à existência.

Imediatamente concluíram não permitir que a música das esferas fosse tocada, e muito menos que nela se acreditasse. Assim, continua a fábula, eles "escolheram um rapaz esperto, deram-lhe um centavo e pediram-lhe que atravessasse as grandes águas" e relatasse o que visse na "Sociedade Harmonial".

––––––––––      [Vol.

VII, No. 78, pp. 390-91, "Uma Fábula Teosófica," recentemente identificada como sendo do Dr. Franz Hartmann.

Ver Vol.

VII, p. 53, na presente Série.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

O menino esperto foi e olhou para o instrumento, mas quando chegou lá, ele emitia apenas sons discordantes, porque sua própria alma não estava em harmonia com ele. . . . . . O presidente então pegou seu livro de encantamentos e tentou todo tipo de conjurações para forçar o Gênio das esferas superiores a vir tocar uma melodia para o menino esperto, mas o gênio não veio.

Então o menino esperto pegou sua mala de viagem e voltou para casa novamente e contou a seus pais no aprendizado que não vira o grande Gênio e não ouvira a música das esferas, e os homens eruditos juntaram suas cabeças uma segunda vez.

. . . e o resultado foi que disseram que o menino esperto era sábio e que o presidente da Sociedade Harmonial estava—enganado.

Ou, em palavras menos polidas, mas ainda mais falsas, o presidente, sua sociedade e seu "instrumento" especialmente, eram todos ou tolos, fraudes, ou ambos.

A acusação de "embuste e impostura" contra a Sociedade "Harmonial" foi assim comprovada e tornou-se um fait accompli.

Doravante, essa ideia foi fotografada nos tímpanos rasos que a opinião pública confunde com as cabeças de seus líderes, e tornou-se indelével.

A partir de então, adjetivos como "fraude, decepção e imbecilidade" foram anexados à Sociedade "Harmonial" e a seguiram por toda parte, como uma cauda segue seu cometa.

A teoria criou raízes profundas nos corações e mentes de muitos não-teosofistas e tornou-se por fim parte do próprio ser do público britânico.

Esse corpo proverbialmente "imparcial" ouvira um lado da questão e—sentiu-se satisfeito.

Suas fofoqueiras pioneiras, cheias de caridade cristã e chá das cinco, haviam vasculhado o conteúdo da mala de viagem do "menino esperto".

Tendo se alimentado avidamente do alimento adulterado que era como maná celestial para seus estômagos insaciáveis, elas diferenciaram-se e então o compartilharam com todos os que estavam famintos e sedentos por tal nutrição celestial.

Assim, a tagarelice de Grundy foi mantida em tons altos e autoritários por cerca de três anos, até que gradualmente conseguiu tornar "Teosofia" um sinônimo de todo tipo de iniquidade.

A Teosofia foi posta como alvo de calúnias diárias, verbais e impressas; foi proclamada um ídolo caído cujos pés de barro finalmente haviam cedido, e foi anunciada a cada hora como morta como uma

ESPERANÇA PERDIDA

porta e enterrada para sempre.

Mas, eis que! uma sombra escura caiu de repente sobre a face dessa doce e segura esperança.

. . . .     É bastante comovente ler certas jeremiadas nos jornais diários, aprender os lamentos patéticos expressos a respeito da suspeita instabilidade da opinião pública.

A atitude de certos círculos sociais está visivelmente mudando, e algo terá que ser feito mais uma vez para trazer a Teosofia ao descrédito, se não quisermos vê-la ressuscitar como Lázaro de seu túmulo.

Pois, à medida que o tempo passa, mais de um inimigo começa a expressar sérias dúvidas.

Alguns suspeitam que a Jezabel teosófica possa, afinal, ter sido meramente uma vítima: Jó, visitado com permissão do CARMA––ou, se preferirem, por aquela do Todo-Poderoso entronizado, concedendo a seu Filho-Satanás plena liberdade para testar a resistência de seu “servo justo” da terra de Uz (Jó, ii, 1-8). Outros perceberam que, embora Satanás-Grundy, usando as línguas venenosas das multidões, tivesse coberto “Jó” de chagas dolorosas, o paciente nunca havia entrado em colapso.

A Teosofia não foi derrubada pela poderosa onda de calúnia e difamação, nem mostrou quaisquer sinais de agonia.

Ela estava tão firme em suas pernas como sempre.

Mirabile dictu e ápice da impudência!—gritaram seus inimigos.

Ora, ei-la aqui de novo, e começa a erguer sua voz mais alto do que nunca! O que diz a criatura? Escutem.

. . .     “Sim, honoráveis oponentes e inimigos, bem como desonoráveis.

A vossa Sra.

Grundy encheu-me de rugas como Satanás encheu Jó, mas estas são testemunhas apenas contra ela mesma.

‘Ele me dilacera em sua ira, aquele que me odeia’—mas eu não odeio ninguém e apenas lamento meus cegos difamadores.

‘Ele range os dentes contra mim’—e eu apenas sorrio de volta.

‘Meu inimigo aguça seus olhos sobre mim,’ e eu me ofereço para emprestar-lhe os meus para permitir-lhe ver mais claramente.

‘Eles abriram a boca escancarada contra mim’; e, como Jonas engolido pela baleia, não encontrei aposentos desconfortáveis para meditação filosófica dentro do meu inimigo, e saí de seu estômago voraz tão são como sempre! O que fareis a seguir? Vós me ferireis ‘sobre a 'com o rosto reprovador'? Não vou virar a outra face para você, para não machucar sua mão e fazê-la arder e queimar ainda mais: mas vou lhe contar uma história e mostrar-lhe uma vista panorâmica, para diverti-lo.


. . .” Veja como os inimigos da Sociedade Teosófica e de seus líderes parecem desconcertados! Ouça como, na amargura de seus corações, por doces esperanças frustradas, eles se contorcem e não têm sequer a decência de ocultar seu mau humor diante do que tolamente consideram o triunfo da teosofia.

Verdadeiramente o vento leste encheu seus—cérebros, e o conhecimento vão tem discordado decididamente dos sábios do Ocidente! Pois o que fazem? Ouçam mais uma vez.

Temendo que seu apetite por devorar e assimilar a comida podre arrancada dos bicos dos corvos de Bombaim pelo "menino esperto" pudesse diminuir, os sábios eruditos conceberam, ao que parece, um novo pequeno plano para estrangular a Teosofia.

Se podemos acreditar no Birmingham Post (o diário muito sincero que deixa escapar o segredo), os figurões do muito cristão "Victoria Institute" não esqueceram a fábula do "macaco e o gato". Os "macacos" da ciência haviam selecionado, por algum tempo, as patas de seu gato mais capaz para tirar as castanhas do fogo teosófico, e esperavam com isso extinguir para sempre a odiada luz.

Leia e julgue por si mesmo o pedaço de informação interessante contido no diário acima mencionado, de 15 de junho do presente ano da graça.

Diz o escritor loquaz: Até a própria Ciência, geralmente tão firme em seu progresso, tão lógica em suas conclusões, tão segura em sua busca por um resultado certo, foi levada a tremer em seu alto poleiro pelo choque que lhe causou o discurso de Sir Monier-Williams no Victoria Institute, na última segunda-feira.

Sir Monier-Williams é Professor Boden de Sânscrito na Universidade de Oxford, e considerado o primeiro estudioso de sânscrito do mundo.

O anúncio da escolha feita pelo erudito professor do tema de seu discurso, sendo este "Budismo Místico em Conexão com a Filosofia Yoga dos Hindus", havia criado um imenso grau de interesse entre a parte erudita da sociedade de Londres.

Acreditava-se firmemente que Sir Monier-Williams havia escolhido o tema com o propósito expresso de demolir os erros e superstições de um credo que se insinuou

ESPERANÇA PERDIDA

sobre nós, gradualmente, pelas intrigas de vários impostores que se aproveitaram do amor ao maravilhoso, tão inerente à natureza humana, para se estabelecerem como profetas de uma nova doutrina.

Esta era a opinião de todos os homens eruditos em geral, e eles aguardavam com grande avidez uma refutação vinda da pena de Sir Monier-Williams de todos os "princípios de prestidigitação", como eram chamados os experimentos dos Teosofistas.

Essa refutação por escrito nunca veio, e portanto foi com interesse redobrado que se aguardava o discurso que demoliria as audaciosas pretensões dos filósofos ilusionistas.

Qual foi, então, a surpresa da assembleia de sábios quando Sir Monier-Williams, em vez de negar, quase confirmou a verdade das afirmações feitas pelos Teosofistas, e de fato admitiu que, embora a ciência da Teosofia moderna fosse imperfeita, havia, contudo, fundamentos para crença que, em vez de serem negligenciados como o foram pelos estudantes de filosofia, deveriam ser examinados com o maior cuidado.

Um homem sábio, pela primeira vez em sua geração, este conferencista recém-nomeado cavaleiro! Tanto maior a pena que este "primeiro estudioso de sânscrito do mundo" (Professores Max Müller, Whitney, Weber e os tutti quanti, escondam suas cabeças diminuídas!) saiba tão pouco de budismo a ponto de cometer os mais ridículos erros.

Talvez houvesse uma raison d'être para cometê-los.

Ambas as suas conferências, pelo menos aquelas sobre as quais se fez alarde, e uma das quais foi noticiada no número 8 de LUCIFER — ambas essas conferências foram proferidas diante de plateias muito cristãs em Edimburgo e diante da "Sociedade Filosófica da Grã-Bretanha", cujos membros têm de ser cristãos.

No entanto, não se vê por que uma informação um pouco mais correta sobre a diferença entre Raja-Yoga e Hatha-Yoga não deveria ter sido oferecida àquela plateia? Ou por que, novamente, se deveria dizer que, nos dias de Gautama Buda, o budismo "voltou o rosto contra todo ascetismo solitário" e "não tinha sistema oculto, nem esotérico, de doutrina que ocultasse dos homens comuns" — ambas as afirmações sendo historicamente falsas.

Pior ainda.

Pois, tendo acabado de mencionar na abertura de sua conferência que Gautama havia sido "renascido como Buda,

––––––––––       O escritor, em sua dor, parece ter esquecido suas vírgulas.

O assunto, também, para produzir o efeito desejado, deveria ter sido tratado em inglês mais gramatical.

[H.P.B.] ––––––––––

“o iluminado”, que ele havia alcançado o Parinibbâna ou o grande, supremo Nirvana; que ele havia passado pelos estados mais elevados de Samadhi, cuja prática confere as “seis faculdades transcendentais”, ou seja, clarividência, ou “o poder de ver tudo o que acontece em todas as partes do mundo”, “conhecimento dos pensamentos dos outros, recordação de existências anteriores.

. . . e finalmente os poderes sobrenaturais chamados Iddhi”, o professor afirmou friamente que nunca foi declarado “que Gautama jamais alcançou o mais alto.

. . . Yoga da filosofia indiana—união com o Espírito Supremo”! Tal afirmação pode lisonjear os preconceitos de alguns fanáticos entre uma plateia cristã, mas questionamos se não é inteiramente indigna de um verdadeiro estudioso, cujo primeiro dever é ser imparcial em suas declarações, para não enganar seus ouvintes.

Embora os Teosofistas devessem sentir-se profundamente gratos a Sir Monier-Williams pela excelente publicidade que sua sociedade e filosofia receberam de suas mãos, os Editores de Lucifer falhariam em seu dever se deixassem passar despercebidas várias autocontradições feitas nesta palestra por “o maior estudioso de sânscrito do mundo”. Que tipo de ideia definida pode uma plateia ter sobre o Budismo ao ouvir as duas declarações seguintes, que se contradizem diretamente:— “Ele [Buda] sempre teve o cuidado de estabelecer um preceito de que a aquisição de faculdades humanas transcendentais era restrita aos Santos aperfeiçoados, chamados Arhats.” Isso, depois de acabar de afirmar que Buda nunca havia ele próprio “alcançado o mais alto yoga”, que ele não era espiritualista, nem espiritista, mas “um agnóstico declarado”—ele, o “Buda”, ou o Iluminado!!! O resultado desta extraordinária palestra é que Gautama Buda nunca alcançou sequer os poderes de um simples Yogi moderno. Pois tais poderes transcendentais são permitidos pelo palestrante até mesmo em nossos dias a alguns hindus.

Citamos novamente do Birmingham Post:

––––––––––      Esperemos sinceramente que sim; e que Allan Kardec não seja colocado por Sir Monier-Williams um dia em um nível mais alto do que Buda.

––––––––––

ESPERANÇA PERDIDA

A palavra Yoga, segundo Sir Monier-Williams, significa literalmente união, e o objetivo adequado de todo homem que pratica Yoga é a união mística de seu próprio espírito com a alma ou espírito eterno do universo, e a aquisição de conhecimento divino por esse meio. Este era o Yoga superior.

Mas a prática inferior busca abstrair a alma do corpo e da mente, e isolá-la em sua própria essência.

Assim pode ser adquirido o ouvido interno, ou clariaudiência, pela qual sons e vozes podem ser ouvidos, por mais distantes que estejam; o olho interno, ou clarividência, o poder de ver tudo o que acontece em todas as partes do mundo, e um conhecimento dos pensamentos dos outros.

Essas aquisições desenvolveram-se em demonologia e vários fenômenos espirituais conectados com aquele budismo esotérico que toda estudante está estudando em segredo atualmente.

O estudo longo e perseverante da grande ciência levará à prática de torcer os membros, e de suprimir a respiração, cuja última faculdade leva à prolongação da existência sob a água ou enterrado sob a terra.

Muitos ascetas hindus submeteram-se ao sepultamento sob essa influência.

O Coronel Meadows Taylor certa vez assistiu ao enterro de um homem que professava ser capaz de permanecer nove dias sob a terra sem respirar durante esse tempo.

O Coronel Taylor, determinado a que nenhuma fraude fosse usada, esteve presente durante a cerimônia de sepultamento e, após ver o homem devidamente coberto de terra, semeou sementes sobre a sepultura, as quais, sendo devidamente regadas, brotaram com luxúria muito antes do término dos nove dias de provação.

Mais do que isso, a sepultura foi vigiada dia e noite por dois sentinelas ingleses, de modo que realmente não parece haver razão para supor que qualquer fraude pudesse ser praticada, tanto mais que o próprio Coronel Taylor havia escolhido o local do sepultamento, circunstância que exclui toda ideia de passagens subterrâneas, que haviam sido sugeridas em outros casos de natureza semelhante.

Ao final dos nove dias, a sepultura foi aberta com toda a devida solenidade.

O homem enterrado foi encontrado na mesma posição em que se deitara, e quando abriu os olhos, sua

––––––––––      Isso é inteiramente falso.

Qualquer um que queira adquirir as provas de que esta afirmação é uma calúnia gratuita tem apenas que ler a literatura teosófica, e até mesmo os últimos números de Lucifer.

Os métodos descritos pertencem ao Hatha Yoga e são muito prejudiciais e perigosos; ainda assim, mesmo isso não é demonologia, mas simplesmente uma forma inferior de Yoga.

A Sociedade Teosófica lutou desde o início contra esses métodos.

Seus mestres opuseram-se veementemente a isso, e até mesmo a algumas formas de mediunidade, como as sessões de materialização — a necromancia dos Tântricos de Bengala! Sempre acreditamos que o período fosse de 40 dias, e isso é corroborado pelo plantio da semente.

Certamente, para uma semente brotar e crescer "com luxúria" em nove dias seria quase tão grande uma "maravilha de nove dias" quanto o sepultamento do Iogue? ––––––––––

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS o primeiro pedido foi por sua tigela de arroz, acrescentando que sentia fome e que ficaria feliz em comer.

O Professor Monier-Williams não citou este exemplo — ele se deteve mais longamente na absorção das faculdades mentais do que na das faculdades físicas.

Ele prosseguiu explicando como a autoconcentração interna pode levar à aquisição de dons sobrenaturais, e capacitar um homem a tornar-se invisível à vontade, a aparecer em qualquer lugar, por mais aparentemente distante que seja, a obter poder absoluto sobre si mesmo e sobre os outros, a subjugar os elementos e a suprimir todos os desejos.

Um Iogue, quando assim dotado, pode flutuar no ar, voar pelo espaço, visitar os planetas e as estrelas, criar tempestades e terremotos, compreender a linguagem dos animais, verificar o que ocorre em todas as partes da terra, e até mesmo entrar no corpo de outro homem e torná-lo seu.

O Professor então relatou como um poderoso Iogue certa vez entrou no corpo morto de um rei e governou o país por três semanas inteiras.

Ainda se acredita que certos sábios orientais podem ejetar o corpo etéreo através dos poros da pele e tornar essa forma fantasmagórica visível em lugares distantes.

O efeito produzido pelo discurso do Professor pode ser facilmente imaginado.

Aqui estava a justificativa plena das teorias, até então tão desprezadas e difamadas, do Coronel Olcott, do Sr. Sinnett e de Madame Blavatsky.

Aqui estava quase uma confissão de crença na possibilidade da verdade, se não na própria verdade, da realização daquele reconhecimento dos poderes das trevas dos quais todas as almas cristãs são ensinadas a recuar com horror e consternação.

O Professor parecia tão ciente da impressão produzida por seu discurso que, como se se sentisse compelido a acrescentar algumas palavras a título de desculpa pelos extremos aos quais fora levado, acrescentou, como conclusão, que era induzido a duvidar se as práticas consideradas possíveis aos Teosofistas resistiriam à luz da ciência europeia.

“Mas, no entanto, o assunto não deve ser descartado como indigno de consideração.

Ele fornece,” disse Sir Monier-Williams em conclusão, “um tópico de investigação altamente interessante, especialmente em sua relação com o chamado Espiritualismo, neo-Budismo e Teosofia dos dias atuais.

As práticas de magnetismo, mesmerismo, clarividência, etc., têm seus correspondentes no sistema de Yoga dos hindus, predominante na Índia há mais de dois mil anos.” Ao final da palestra, um voto de agradecimento foi proposto pelo Bispo de Dunedin, que assumiu, por assim dizer, a apologia da doutrina exposta (dificilmente para a satisfação de todos os presentes), e que considerou seu dever apontar a distinção entre o Cristianismo e o Budismo — o primeiro dependente da misericórdia de Deus, o último dos esforços do homem para realizar sua autolibertação do mal.

Detive-me tão longamente no assunto do discurso do grande professor porque o mundo do pensamento — da pesquisa científica — tendo finalmente encontrado um ponto de apoio na sociedade londrina, essas coisas são discutidas e examinadas com reflexão, e sem prejuízo do fluxo de conversas frívolas que outrora ocupava toda a atenção do mundo da moda.

Escritos Reunidos VOLUME X                                                  Julho,

AOS TEOSOFISTAS E LEITORES DE LUCIFER

Assim termina a lamentação do Jeremias de Birmingham.

Ela fala por si mesma, e agradecemos ao escritor por ter, tão ingenuamente, deixado escapar o segredo.

O verdadeiro “gato”, no entanto, aquele em que o “macaco” do “Instituto Victoria” e de outros estabelecimentos científicos depositara esperanças tão otimistas, traiu seus colegas.

Ele virou o rabo no último momento e evidentemente recusou o empréstimo de sua pata para tirar do fogo as castanhas quentes demais em benefício dos “pesquisadores” científicos da atualidade.

Como Balaão, a quem o Rei de Midiã teria de bom grado subornado para amaldiçoar os israelitas, Sir Monier Monier-Williams, K.C.I.E., D.C.L., LL.D., Professor Boden de Sânscrito na Universidade de Oxford (onde, “por razões de saúde debilitada”, ele não pode mais lecionar, mas leciona em nosso benefício em outros lugares) — não amaldiçoou os teosofistas e seus ensinamentos — mas os abençoou.

Ai de mim! Ai de mim!                                “Obrigado a louvar!” Não pode ser                                   Por profeta ou sacerdote;                                Balaão está morto?. . . . mas não vemos                                   E ouvimos, porventura—sua besta?. . . . .

[A “Fábula Teosófica” mencionada acima por H.P.B. foi escrita pelo Dr. Franz Hartmann, conforme aparece em As Cartas de H. P. Blavatsky a A. P. Sinnett, p. 158, onde H.P.B. diz a Sinnett: “Você lerá a ‘Fábula Teosófica’ de Hartmann e nossa resposta a ela, enviada a você com mais algumas explicações.” O manuscrito da “nossa resposta” de H.P.B. publicado abaixo foi recentemente descoberto nos Arquivos de Adyar, e é um fragmento de seu próprio punho.

É ao mesmo tempo um comentário sobre a descrição alegórica de Hartmann da situação na S.T. em 1885-86, e uma continuação e conclusão da Fábula, incorporando algumas declarações importantes sobre a S.T. Na página 2 do manuscrito, H.P.B. anexou esta nota: “Não tive tempo de copiar.

Enviem esta resposta, mas melhor para H. Sua querida irmã escreve uma carta tão amorosa e boa, jurando que ‘sintonizará sua alma com a música das Esferas.’ Se eu fosse você: publicaria a fábula dele no Theosophist.” A data aproximada deste manuscrito é janeiro de 1886.]  . . . . . “o guardião do instrumento sentou-se e chorou amargamente . . .” Assim faria o “Instrumento” se não estivesse tão quebrado a ponto de ser impróprio para emitir até mesmo um som . . . . .       A fábula é profundamente significativa e muito profunda.

É exatamente ao ponto, e o autor dela foi inspirado—os restos mutilados do “Instrumento” respondem por isso,

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

embora seus endossos agora sejam de pouca, se alguma, utilidade.

A “Fábula Teosófica” deveria ser publicada no Theosophist; e se não for, isso apenas falará mais contra a obstinação do ex-“guardião” do “instrumento,” e sua relutância em confessar publicamente seu grande pecado—por acreditar na justiça humana, na benevolência humana, na imparcialidade e nos sentimentos cavalheirescos de “uma Sociedade de homens eruditos, mas não musicais.” E a “fábula” deveria ser lida por todo Teosofista, todo membro da nunca “Sociedade Harmônica” e meditada.

Pois, além do Karma individual de cada membro e do Karma coletivo da “Sociedade Harmônica,” cuja prática divergia tão amplamente de suas regras e propósitos—há o grande pecado de seus membros líderes e chefes.

Eles profanaram o nome (e os nomes) do "Gênio das Esferas", e os Gênios não descem mais.

A presente perturbação surgiu em consequência de tal profanação.

O Maha-Chohan dos Gênios o predisse há quatro anos.

O presidente principal foi advertido repetidamente no início pela voz de seu "instrumento"; ele protestou em vão, e finalmente foi ele próprio arrastado pela corrente de entusiasmo, e acrescentou sua própria voz para proclamar coisas santas em público, e lançar pérolas aos porcos, e atirar o que era sagrado aos cães: os porcos agora pisam as pérolas e os cães dilaceram os doadores.

A luz que brilhou nas Trevas que não a compreenderam—agora está apagada: as Trevas colocaram sobre ela seu pesado extintor. Isto nunca teria acontecido se a luz tivesse sido sagradamente preservada em seu próprio local de nascimento e esfera—a Índia.

Mas a veneração de seus filhos por essa luz foi ridicularizada com escárnio; foi chamada de "culto ao herói", zombada e finalmente representada como um biombo para ocultar práticas profanas.

Os nomes dos Gênios são agora arrastados para a publicidade e figuram por completo no Relatório.

Nenhum dos presidentes quis ouvir o sábio conselho de manter em segredo seu conhecimento dos Gênios; e os santos nomes foram prostituídos publicamente por todo zombador.

KARMA.

Resta agora apenas uma coisa a fazer, se a Sociedade "Harmônica" quiser ser mantida viva.

AOS TEOSOFISTAS E LEITORES DE LUCIFER

Que seu presidente faça como o ex-Secretário Correspondente fez: deponha-se a si mesmo antes de ser deposto por outros,—e a Sociedade morrerá uma semana depois.

Mas que a Sociedade—agora desonrada porque nunca houve nela harmonia real, mas sim egoísmo pessoal e individual—finalmente se una e espere pacientemente e se prepare através do trabalho ativo para o advento de um Paracleto que ainda possa ser atraído para ela, e enviado a ela antes do fim do ciclo em (1897). O presente "instrumento" jamais poderia ter sido destruído por qualquer Sociedade "erudita".

São os não instruídos nas coisas ocultas e espirituais, entre os membros da Sociedade Harmônica, que agora a estão despedaçando eles mesmos; aqueles para quem o velho instrumento tocou até a morte, e que foi o primeiro a atrair sua atenção e abrir seus ouvidos para a "música das esferas", por mais pobremente que tenha ele próprio executado a melodia celestial.

E agora ele jaz partido em fragmentos, despedaçado cada vez mais a cada dia pelos pontapés daqueles para quem ele cantou e trabalhou.

. . . Mas o “Gênio das Esferas” significa pegar os pedaços mutilados do instrumento mais uma vez e colá-los como só Ele pode.

Nenhum violino é melhor tocado, nenhum emite sons mais musicais do que aquele que foi quebrado e remendado.

O Paganini do Stradivarius quebrado ainda está vivo e Ele tocará novamente, mas apenas para aqueles poucos que “sintonizarem suas almas, de fato, com a música das Esferas.” O instrumento pertencerá a esses e não terá “Guardião.” Quantos desses poucos restarão? O tempo logo dirá.

––––––––––

AOS TEOSOFISTAS E LEITORES DE LUCIFER                              [Lucifer, Vol.

II, No. 11, julho de 1888, p. 347]

Os Editores de Lucifer consideram apropriado que este número, o primeiro publicado nos novos escritórios e pelos proprietários efetivos da revista, contenha alguma declaração sobre as razões que levaram a essa mudança.

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

A primeira razão foi o desejo de formar um novo centro de trabalho teosófico, um ponto de encontro para estudantes e um mecanismo para a publicação e distribuição da literatura do misticismo, que fosse inteiramente livre de quaisquer considerações de ganho ou lucro pessoal.

Que este tem sido o espírito que animou os fundadores e proprietários de Lucifer durante todo o tempo é provado pelo fato de que, embora quase todas as cópias da revista impressas tenham sido vendidas, a experiência do primeiro ano mostrou que é impossível manter a revista ao preço atual sem incorrer em perda considerável.

Portanto, ao estabelecer esses novos escritórios, os editores e proprietários também foram influenciados pela esperança de efetuar alguma redução nas despesas ao assumirem a publicação em suas próprias mãos, e esperam que seus leitores e assinantes continuem a dar-lhes seu apoio sincero, apesar da necessidade que surgiu de elevar o preço dos números avulsos da revista para dezoito pence e a assinatura anual para quinze xelins, começando com o número de setembro.

Nossos apoiadores podem ter certeza de que sua ajuda será usada para promover a causa da Teosofia e não servirá a fins pessoais; pois os proprietários se comprometeram a dedicar quaisquer lucros eventuais que possam surgir à promoção da causa em cujo interesse Lucifer foi fundada.

Os novos escritórios, no nº 7, DUKE STREET, ADELPHI, estarão abertos aos membros da S.T. e da S.T.P. e seus amigos, bem como a todos os interessados e pessoas que desejem informações sobre a Sociedade ou os assuntos que ela foi fundada para estudar, nas noites de TERÇA-FEIRA e DOMINGO, das 8:30 às 10:30 da noite, e nas tardes de SEXTA-FEIRA, das 3:30 às 6. Esses dias foram escolhidos propositalmente, de modo a não conflitarem com as noites de quarta-feira — os dias de reunião da Loja de Londres da Sociedade Teosófica, no 15, York Street, Covent Garden.

Espera-se que muitos aproveitem essas oportunidades para encontrar outros estudantes e para instrução mútua e discussão.

Escritos Reunidos VOLUME X                                                 Julho,

CULTO AOS ANJOS-ESTRELAS

CULTO AOS ANJOS-ESTRELAS NA                              IGREJA CATÓLICA ROMANA                                  [Lucifer, Vol.

II, No. 11, Julho, 1888, pp. 355-365]

[A maior parte deste material foi originalmente incorporada por H.P.B. no primeiro rascunho de A Doutrina Secreta, Vol.

I, que ela enviou a Adyar em 1886, a fim de assegurar a ajuda editorial e erudita de T. Subba Row.

Por alguma razão, em vez de usar este material no rascunho final de sua obra monumental, ela o publicou em Lucifer apenas alguns meses antes do aparecimento de A Doutrina Secreta.

Uma longa nota introdutória, entre colchetes, foi acrescentada ao ensaio original.

Grande parte do material usado por H.P.B. pode ser encontrada na obra de Eudes de Mirville intitulada Pneumatologie.

Des Esprits et de leurs manifestations diverses, principalmente no Vol.

II, pp. 351-360,      embora parte dele seja reformulada por ela e entremeada com vários comentários e explicações ocultas.—Compilador.]

[O assunto do presente artigo não foi escolhido por qualquer desejo de "achar defeitos" na religião cristã, do qual Lucifer é frequentemente acusado.

Nenhuma animosidade especial é sentida em relação ao papado, mais do que contra qualquer outra fé dogmática e ritualística existente.

Apenas sustentamos que "não há religião mais elevada do que a verdade." Portanto, atacados incessantemente pelos cristãos — entre os quais nenhum é tão amargo e desdenhoso quanto os romanistas — que nos chamam de "idólatras" e "pagãos", e de outras formas nos denunciam, é necessário que às vezes algo seja dito em nossa defesa, e a verdade seja restabelecida.

Os teosofistas são acusados de acreditar em Astrologia, e nos Devas (Dhyan Chohans) dos hindus e budistas do norte.

Um missionário por demais impulsivo nas Províncias Centrais da Índia chegou a nos chamar de "astrolatras", "sabianos" e "adoradores do diabo". Isso, como de costume, é uma calúnia infundada e uma deturpação.

Nenhum teosofista, nenhum ocultista no verdadeiro sentido da palavra jamais adorou Devas, Nats, Anjos ou mesmo espíritos planetários.

O reconhecimento da existência real de tais Seres—que, por mais exaltados que sejam, são ainda criaturas gradualmente evoluídas e finitas—e mesmo a reverência por alguns deles não é adoração.

Esta última é uma palavra elástica, que foi desgastada pela pobreza da língua inglesa.

Tratamos um magistrado por "Sua Senhoria", mas dificilmente se pode dizer que lhe prestamos honras divinas.

Uma mãe frequentemente adora seus filhos, um marido sua esposa, e vice-versa, mas nenhum deles reza ao objeto de sua adoração.

Mas em nenhum dos casos isso se aplica aos ocultistas.

A reverência de um ocultista por certos Espíritos elevados pode ser muito grande em alguns casos; sim, talvez até tão grande quanto a reverência sentida por alguns cristãos por seus Arcanjos Miguel e Gabriel e por seu (São) Jorge da Capadócia—o erudito provedor dos exércitos de Constantino.

Mas isso para por aí.

Para os teosofistas, esses "anjos" planetários não ocupam lugar mais elevado do que aquele que Virgílio lhes atribui:

"Eles se vangloriam de vigor etéreo e são formados                                 De sementes de nascimento celestial."

como também o faz todo mortal.

Cada um e todos são potências ocultas que têm domínio sobre certos atributos da natureza.

E, se uma vez atraídos por um mortal, eles o ajudam em certas coisas.

Contudo, no geral, quanto menos se tem a ver com eles, melhor.

Não é assim com os católicos romanos, nossos piedosos detratores.

Os papistas os adoram e lhes têm prestado homenagem divina desde o início do cristianismo até hoje, e na plena acepção das palavras em itálico, como este artigo provará.

Mesmo para os protestantes, os Anjos em geral, se não os Sete Anjos das Estrelas em particular—são "Arautos do Altíssimo" e "Espíritos Ministradores" a cuja proteção eles apelam, e que têm seu lugar distinto no Livro de Oração Comum.

O fato de que os Anjos das Estrelas e Planetários são adorados pelos papistas não é geralmente conhecido.

O culto

––––––––––       [Estes versos são da Eneida, Livro VI, 730-31, embora seja difícil dizer qual tradução poética específica é usada por H.P.B. Na Série Clássica Loeb, H. Rashton Fairclough traduz o texto original como: "ardente é seu vigor e divina a fonte dessas sementes de vida.

. ."—Compilador.] ––––––––––

ADORAÇÃO AOS ANJOS ESTELARES

teve muitas vicissitudes.

Foi várias vezes abolida, e depois novamente permitida.

É a breve história de seu crescimento, seu último restabelecimento e os esforços recorrentes para proclamar abertamente este culto, da qual aqui se tenta um esboço sucinto.

Este culto pode ser considerado, nos últimos anos, como obsoleto, porém até hoje nunca foi abolido.

Portanto, será agora meu prazer provar que, se alguém merece o nome de "idólatra", não são os Teosofistas, Ocultistas, Cabalistas e Astrólogos, mas, de fato, a maioria dos cristãos; aqueles católicos romanos que, além dos anjos estelares, adoram um Kyriel de santos mais ou menos problemáticos e a Virgem Maria, de quem sua Igreja fez uma deusa regular.

Os breves trechos de história que se seguem são extraídos de várias fontes confiáveis, tais que os católicos romanos acharão bastante difícil contestar ou repudiar.

Pois nossas autoridades são: (a) vários documentos nos arquivos do Vaticano; (b) diversas obras de escritores católicos romanos piedosos e bem conhecidos, ultramontanos até a medula—autores leigos e eclesiásticos; e finalmente (c), uma Bula Papal, do que não se poderia encontrar melhor evidência.]

––––––––––

Em meados do século VIII da era cristã, o muito notório Arcebispo Adalberto de Magdeburgo, famoso como poucos nos anais da magia, compareceu diante de seus juízes.

Ele foi acusado de, e finalmente condenado—pelo segundo Concílio de Roma presidido pelo Papa Zacarias—usar durante suas performances de magia cerimonial os nomes dos "sete Espíritos"—então no auge de seu poder na Igreja—entre outros, o de URIEL, com cuja ajuda ele havia conseguido produzir seus maiores fenômenos.

Como pode

––––––––––      [Zacarias (Zacharias), Santo, data de nascimento incerta; m. março de 752; veio de uma família grega que vivia na Calábria, e sucedeu a Gregório III na cadeira papal, em 29 de novembro de 741.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

ser facilmente demonstrado, a igreja não é contra a magia em si, mas apenas contra aqueles magos que falham em se conformar aos seus métodos e regras de evocação.

No entanto, como as maravilhas operadas pelo Reverendo Feiticeiro não eram de uma natureza que permitisse sua classificação entre "milagres pela graça e para a glória de Deus", foram declaradas profanas.

Além disso, o Arcanjo URIEL (lux et ignis) tendo sido comprometido por tais exibições, seu nome teve de ser desacreditado.

Mas, como tal desgraça sobre um dos "Tronos" e "Mensageiros do Altíssimo" teria reduzido o número desses Saptarshis judeus a apenas seis, e assim lançado em confusão toda a hierarquia celestial, recorreu-se a um subterfúgio muito astuto e engenhoso. Não era, contudo, novo, nem se mostrou muito convincente ou eficaz.

Foi declarado que o Uriel do Bispo Adalberto, o "fogo de Deus", não era o Arcanjo mencionado no segundo Livro de Esdras; nem era o glorioso personagem tão frequentemente nomeado nos livros mágicos de Moisés—especialmente no 6º e 7º. A esfera ou planeta desse Uriel original foi dito, por Miguel Glycas, o Bizantino, ser o Sol.

Como então poderia esse ser exaltado—o amigo e companheiro de Adão e Eva antes de sua queda e, mais tarde, o camarada de Sete e Enoque, como todos os cristãos piedosos sabem—como poderia ele ter dado uma mãozinha à feitiçaria? Nunca, nunca! a simples ideia era absurda.

Portanto, o Uriel tão reverenciado pelos Padres da Igreja permaneceu tão inatacável e tão imaculado como sempre.

Foi um demônio de mesmo nome—um demônio obscuro, deve-se pensar, já que não é mencionado em lugar algum—que teve de pagar o preço das pequenas transações do Bispo Adalberto em magia negra.

Esse Uriel "mau" está, como certo advogado tonsurado tentou insinuar com afinco, conectado a uma certa palavra significativa de natureza oculta, usada e conhecida apenas por Maçons de grau muito elevado.

Ignorante da "palavra" em si, contudo, o defensor falhou gloriosamente em provar sua versão.

Tal branqueamento do caráter do arcanjo era, naturalmente, necessário em vista do culto especial prestado a

CULTO AO ANJO-ESTRELA

ele.

Santo Ambrósio havia escolhido Uriel como patrono e lhe prestava reverência quase divina.

Novamente, o famoso Padre Gastaldi, o monge dominicano, escritor e inquisidor, havia provado em sua curiosa obra "Sobre os Anjos" (De Angelis) que o culto dos "Sete Espíritos" pela Igreja fora e era legal em todas as épocas; e que era necessário para o apoio moral e a fé dos filhos da Igreja (Romana).

Em suma, que aquele que negligenciasse esses deuses era tão culpado quanto qualquer "pagão" que o fizesse.

Embora condenado e suspenso, o Bispo Adalberto tinha um partido formidável na Alemanha, que não apenas defendia e apoiava o próprio feiticeiro, mas também o Arcanjo desgraçado.

Assim, o nome de Uriel foi mantido nos missais após o julgamento, permanecendo o "Trono" meramente "sob suspeita". De acordo com sua admirável política, a Igreja, tendo declarado que o "bem-aventurado Uriel" nada tinha a ver com o "Uriel amaldiçoado" dos Cabalistas, o assunto encerrou-se aí.

Para mostrar a grande latitude oferecida a tais subterfúgios, basta recordar os ensinamentos ocultos sobre as Hostes Celestiais.

O mundo do Ser começa com o Fogo Espiritual (ou Sol) e suas sete "Chamas" ou Raios.

Esses "Filhos da Luz", chamados de "múltiplos" porque, alegoricamente falando, pertencem e levam uma existência simultânea no céu e na terra, facilmente forneceram uma alça para a Igreja pendurar seu Uriel dual.

Além disso, Devas, Dhyan-Chohans, Deuses e Arcanjos são todos idênticos e são feitos para mudar suas formas proteicas, nomes e posições, ad libitum.

Assim como os deuses sidéreos dos Sabianos se tornaram os anjos cabalísticos e talmúdicos dos judeus, com seus nomes esotéricos inalterados, assim eles passaram, com bagagem e tudo, para a Igreja Cristã como arcanjos, exaltados apenas em seu ofício.

––––––––––       De Fide, etc., lib.

II, cap.

iii,  20, nota de rodapé.

 [Conhecido também como Thomas Castaldus.

Ver o Índice Bio-Bibliográfico.

—Compilador.] –––––––––– Esses nomes são seus títulos de "mistério".


Tão misteriosos são eles, de fato, que os próprios católicos romanos não têm certeza deles, agora que a Igreja, em sua ansiedade para esconder sua origem humilde, os mudou e alterou cerca de uma dúzia de vezes.

Isto é o que o piedoso de Mirville confessa:      "Falar com precisão e certeza", como poderíamos desejar, sobre tudo o que se relaciona com seus [dos anjos] nomes e atributos não é tarefa fácil.

Pois quando se disse que esses Espíritos são os sete assistentes que cercam o trono do Cordeiro e formam seus sete chifres; que o famoso candelabro de sete braços do Templo era seu tipo e símbolo.

...quando os tivermos mostrado figurados no Apocalipse pelas sete estrelas na mão do Salvador, ou pelos anjos soltando as sete pragas—teremos apenas enunciado mais uma vez uma daquelas verdades incompletas que os comentaristas, ao desenvolverem essas ideias, abordam ordinariamente com extrema cautela.

Aqui o autor profere uma grande verdade.

Teria proferido uma ainda maior, contudo, se tivesse acrescentado que nenhuma verdade, sobre qualquer assunto que seja, foi jamais completada pela Igreja.

De outro modo, onde estaria o mistério tão absolutamente necessário à autoridade dos dogmas sempre incompreensíveis da Santa "Noiva"?      Esses "Espíritos" são chamados primarios principes.

Mas o que esses primeiros Princípios são em realidade não é explicado.

Nos primeiros séculos do Cristianismo a Igreja não o faria; e neste ela não sabe deles mais do que seus fiéis filhos leigos. Ela perdeu o segredo.

A questão concernente à adoção definitiva de nomes para esses anjos, diz-nos de Mirville—"deu origem a controvérsias que duraram séculos.

Até hoje esses sete nomes são um mistério."      Contudo, eles são encontrados em certos missais e nos documentos secretos do Vaticano, juntamente com os nomes astrológicos conhecidos de muitos.

Mas como os cabalistas, e entre outros o Bispo Adalberto, usaram alguns deles, a Igreja não aceitará esses títulos, embora adore

––––––––––      De Mirville, Des Esprits, etc., Vol.

II, pp. 351-52, capítulo sobre "Os Espíritos antes de sua Queda." ––––––––––

ADORAÇÃO DOS ANJOS-ESTRELAS

as criaturas.

Os nomes usualmente aceitos são MIKAEL, o "quis ut Deus," o "semelhante a Deus"; GABRIEL, a força (ou poder) de Deus"; RAFAEL, ou "virtude divina"; URIEL, "a luz e o fogo de Deus"; SAALTIEL, a "fala de Deus"; JEHUDIEL, o "louvor de Deus" e BARACHIEL, a "bênção de Deus." Esses "sete" são absolutamente canônicos, mas não são os verdadeiros nomes de mistério—as POTÊNCIAS mágicas.

E mesmo entre os "substitutos," como acaba de ser mostrado, Uriel foi grandemente comprometido e os três últimos enumerados são pronunciados "suspeitos." Não obstante, embora sem nome, eles ainda são adorados.

Nem é verdade dizer que nenhum traço desses três nomes—tão "suspeitos"—é encontrado em qualquer lugar na Bíblia, pois eles são mencionados em certos antigos rolos hebraicos.

Um deles é nomeado no capítulo XVI do Gênesis — o anjo que aparece a Hagar; e todos os três aparecem como "o Senhor" (os Elohim) a Abraão nas planícies de Manre, como os "três homens" que anunciaram a Sarai o nascimento de Isaque (Gênesis, XVIII). "Jehudiel", além disso, é distintamente nomeado no capítulo XXIII do Êxodo, como o anjo em quem estava "o nome" (louvor no original) de Deus (Vide versículo 21). É através de seus "atributos divinos", que levaram à formação dos nomes, que esses arcanjos podem ser identificados por um fácil método esotérico de transmutação com os grandes deuses caldeus e até mesmo com os Sete Manus e os Sete Rishis da Índia. Eles são os Sete Deuses Sabianos, e os Sete Assentos (Tronos) e Virtudes dos Cabalistas; e agora se tornaram, com os Católicos, seus "Sete Olhos do Senhor" e os "Sete Tronos", em vez de "Assentos". Tanto os Cabalistas quanto os "Pagãos" devem se sentir bastante lisonjeados ao ver assim seus Devas e Rishis se tornarem os "Ministros

––––––––––       Quem sabe algo sobre os Puranas e suas alegorias sabe que os Rishis neles, assim como os Manus, são Filhos de Deus, de Brahmâ, e eles próprios deuses; que se tornam homens e então, como Saptarishi, transformam-se em estrelas e constelações.

Finalmente, que são primeiro 7, depois 10, depois 14 e, finalmente, 21. O significado oculto é evidente.

––––––––––

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Plenipotenciários" do Deus cristão.

E agora a narrativa pode ser continuada sem interrupção.

Até aproximadamente o século XV, após o infortúnio do Bispo Adalberto, apenas os nomes dos três primeiros Arcanjos entre os sete permaneciam na Igreja em pleno odor de santidade.

Os outros quatro permaneceram ostracizados — como nomes.

Quem já esteve em Roma deve ter visitado o templo privilegiado dos Sete Espíritos, especialmente construído para eles por Michelangelo: a famosa igreja conhecida como "Santa Maria dos Anjos". Sua história é curiosa, mas muito pouco conhecida pelo público que a frequenta. É digna, no entanto, de ser registrada.

Em 1460, apareceu em Roma um grande "Santo", chamado Amadeu.

Ele era um nobre da Lusitânia, que já em Portugal se tornara famoso por suas profecias e visões beatíficas. Durante uma delas, teve uma revelação.

Os sete Arcanjos apareceram ao homem santo, tão amado pelo Papa que Sisto IV de fato lhe permitira construir no local de São Pedro em Montorio um mosteiro franciscano.

E, tendo aparecido, revelaram-lhe seus genuínos e autênticos nomes misteriosos.

Os nomes usados pela Igreja eram substitutos, disseram eles.

Assim eram, e os "anjos" falaram verdadeiramente.

Seu negócio com Amadeu era um pedido modesto.

Exigiram ser legalmente reconhecidos sob seus legítimos patronímicos, receber culto público e ter um templo próprio.

Ora, a Igreja, em sua grande sabedoria, recusara esses nomes desde o início, por serem de deuses caldeus, e substituíra-os por pseudônimos astrológicos.

Isso então não podia ser feito, pois "eram nomes de demônios", explica Barônio.

Mas também o eram os "substitutos" na Caldeia, antes de serem alterados com um propósito na Angelologia Hebraica.

E se são nomes de demônios, pergunta pertinentemente de Mirville, "por que ainda são dados a cristãos e católicos romanos no batismo?" A verdade é que, se os últimos quatro

––––––––––       Morreu em Roma em 1482. ––––––––––

CULTO AOS ANJOS-ESTRELAS

enumerados são nomes de demônios, também o devem ser os de Miguel, Gabriel e Rafael.

Mas os "santos" visitantes estavam à altura da Igreja em obstinação.

Na mesma hora em que Amadeu teve sua visão em Roma, na Sicília, em Palermo, outro prodígio ocorria.

Uma imagem miraculosamente pintada dos Sete Espíritos foi tão miraculosamente exumada de sob as ruínas de uma antiga capela.

Na pintura, os mesmos sete nomes misteriosos que estavam sendo revelados naquela hora a Amadeu também foram encontrados inscritos "sob o retrato de cada anjo", diz o cronista.

Fosse o que fosse em nossa era de descrença os sentimentos dos grandes e eruditos líderes de várias sociedades psíquicas e telepáticas sobre este assunto, o Papa Sisto IV ficou profundamente impressionado com a coincidência.

Ele acreditava em Amadeu tão implicitamente quanto o Sr. Brudenel acreditava no profeta abissínio, "Herr Paulus". Mas esta não era de modo algum a única "coincidência" da época.

A Santa Igreja Romana e Apostólica foi construída sobre tais milagres, e continua a se apoiar neles agora como sobre a rocha da Verdade; pois Deus sempre lhe enviou milagres oportunos.

––––––––––       De Mirville, op. cit., p. 355.       [Sisto IV (Francesco della Rovere), n. perto de Abisola, 21 de julho de 1414; m. 12 de agosto de 1484. Eleito Papa em 9 de agosto de 1471, sucedendo a Paulo II.—Compilador.]       "Herr Paulus"—a não menos miraculosa produção da fantasia bastante confusa e muito unilateral do Sr. Walter Besant.

De passagem—pode-se fazer uma observação e propor uma questão: Os "milagres" realizados no seio da Igreja Mãe—desde os apostólicos até os milagres eclesiásticos em Lourdes—se não são mais notáveis do que os atribuídos ao "Senhor Paulo," são, em todo caso, de alcance muito mais vasto, portanto mais perniciosos em seu resultado sobre a mente humana.

Ou ambos os tipos são possíveis, ou ambos se devem à fraude e a perigosas faculdades hipnóticas e magnéticas possuídas por alguns homens.

Ora, o Sr. W. Besant evidentemente tenta impressionar seus leitores de que seu romance foi escrito em defesa daquela parcela da sociedade que é tão facilmente enganada pela outra.

E, se assim é, por que então não ter rastreado todos esses fenômenos até sua fonte original e primeva?

Isto é, a crença na possibilidade de ocorrências sobrenaturais devido à crença inculcada nos MILAGRES da Bíblia, e sua continuação pela Igreja? Nenhum abissínio –––––––––– Portanto, quando também, nesse mesmo dia, uma antiga profecia escrita em latim muito arcaico, e referindo-se tanto ao achado quanto à revelação, foi descoberta em Pisa—isso produziu grande comoção entre os fiéis.


A profecia previa, veja bem, o renascimento do culto ao "Anjo Planetário" para aquele período.

Também que durante o reinado do Papa Clemente VII, o convento de São Francisco

–––––––––– profeta, como nenhum "filósofo oculto," jamais fez tão grandes reivindicações de "milagre" e ajuda divina—e nenhum óbolo de São Pedro é esperado, tampouco—como a "Noiva de Cristo"—ela, de Roma.

Por que então nosso autor, já que estava tão extremamente ansioso para salvar os milhões da Inglaterra do engano, e tão ávido para expor os meios perniciosos usados—por que não tentou primeiro desmascarar a maior impostura, antes de tocar nos truques menores—se é que existem? Que ele primeiro explique ao público britânico a transformação de água em vinho e a ressurreição de Lázaro sob a hipótese de ser metade hipnose, metade prestidigitação e fraude.

Pois, se um conjunto de maravilhas pode ser explicado pela crença cega e pelo mesmerismo, por que não o outro? Ou será que os milagres bíblicos, em que acreditam todos os protestantes e católicos (com os milagres divinos de Lourdes incluídos no pacote por estes últimos), não podem ser tratados com a mesma facilidade por um autor que deseja permanecer popular, como os do "filósofo oculto" e do médium espiritual? De fato, não é preciso coragem, nem desafio intrépido das consequências, para denunciar o médium profissional indefeso e agora bastante amedrontado.

Mas todas essas qualificações, e um amor ardente pela verdade de quebra, são absolutamente necessárias se alguém quiser enfrentar a Sra. Grundy em seu covil.

Pois para isso os detratores dos "Budistas Esotéricos" são prudentes e astutos demais.

Eles buscam apenas popularidade barata com o zombador e o materialista.

Bem certos estão de que nenhum médium profissional ousará chamá-los de difamadores em massa cara a cara, ou buscar reparação deles, enquanto a lei contra a quiromancia estiver a encará-lo de frente.

Quanto ao "Budista Esotérico" ou "Filósofo Oculto", ainda há menos perigo dessa direção.

O desprezo deste por todos os pretensos detratores é absoluto, e são necessárias mais do que as denúncias desajeitadas de um romancista para perturbá-los.

E por que haveriam eles de se aborrecer? Como não são profetas profissionais, nem se beneficiam do dinheiro de São Pedro, a mais maliciosa calúnia só pode fazê-los rir.

O Sr. Walter Besant, no entanto, disse uma grande verdade em seu romance, uma verdadeira pérola de presciência, caída sobre um monte de lama: o "filósofo oculto" não propõe "esconder sua luz sob o alqueire." [Clemente VII (Giulio de' Medici), n. 1478; m. 25 de setembro de 1534. Tornou-se Papa em 18 de novembro de 1523, sucedendo a Adriano VI.—Compilador.]

ADORAÇÃO DOS ANJOS ESTELARES

de Paule seria erguida no local da pequena capela em ruínas.

"O evento ocorreu como predito," vangloria-se de Mirville, esquecendo que a Igreja tornara a profecia verdadeira por si mesma, ao seguir o comando nela implícito. No entanto, isso é chamado de "profecia" até hoje.

Mas foi somente no século XVI que a Igreja consentiu, por fim, em cumprir em todos os pontos o pedido de seus "bem-nascidos" peticionários celestiais.

Naquela época, embora dificilmente houvesse uma igreja ou capela na Itália sem uma cópia da imagem milagrosa em pintura ou mosaico, e que, de fato, em 1516, um esplêndido "templo aos sete espíritos" tivesse sido erguido e concluído perto da capela em ruínas de Palermo — ainda assim, os "anjos" não ficavam satisfeitos.

Nas palavras de seu cronista — "os bem-aventurados espíritos não se contentavam apenas com a Sicília, e com orações secretas.

Eles queriam um culto mundial e que todo o mundo católico os reconhecesse publicamente." Habitantes celestiais eles próprios, ao que parece, não estão inteiramente livres da ambição e das vaidades do nosso plano material! Isto é o que os ambiciosos "Reitores" idealizaram para obter o que queriam.

Antonio Duca, outro vidente (nos anais da Igreja de Roma), acabara de ser nomeado reitor do "templo dos sete espíritos" de Palermo. Por volta desse período, ele começou a ter as mesmas visões beatíficas que Amadaeus tivera.

Os Arcanjos agora instavam os Papas, por meio dele, a reconhecê-los e a estabelecer um culto regular e universal em seus próprios nomes, tal como fora antes do escândalo do Bispo Adalberto.

Eles insistiam em ter um templo especial construído somente para eles, e o queriam no antigo local das famosas Termas de Diocleciano.

Para a ereção dessas Termas, de acordo com a tradição, 40.000 cristãos e 10.000 mártires haviam sido condenados, e ajudaram nessa tarefa por famosos "Santos" como Marcelo e Trason.

Desde então, contudo,

––––––––––       [Vide Índice Bio-Bibliográfico.—Compilador.] –––––––––– como declarado na Bula LV do Papa Pio IV, "este antro permanecera reservado para os usos mais profanos e ritos demoníacos [mágicos?]". Mas, conforme aparece em vários documentos, nem tudo correu tão suavemente quanto os "bem-aventurados espíritos" teriam desejado, e o pobre Duca passou por maus bocados. Não obstante a forte proteção das famílias Colonna, que usaram toda a sua influência junto ao Papa Paulo III, e o pedido pessoal de Margarida da Áustria, filha de Carlos V, "os sete espíritos" não puderam ser satisfeitos, pelas mesmas razões misteriosas (e para nós muito claras), embora propiciados e de outra forma honrados de todas as maneiras.


A difícil missão de Duca, de fato, só foi coroada de êxito trinta e quatro anos mais tarde.

Dez anos antes, porém, ou seja, em 1551, a purificação preparatória das Termas fora ordenada pelo Papa Júlio III, e uma primeira igreja fora construída sob o nome de "Santa Maria dos Anjos". Mas os "Tronos Abençoados", sentindo-se descontentes com o seu nome, provocaram uma guerra durante a qual este templo foi saqueado e destruído, como se, em vez de Arcanjos glorificados, fossem Espíritos cabalísticos maléficos.

Depois disso, continuaram a aparecer a videntes e santos, com maior frequência do que antes, e clamavam ainda

––––––––––      [Pio IV (Giovanni Angelo Medici), n. em Milão, 31 de março de 1499; m. em Roma, 9 de

dezembro de 1565. Eleito Papa em 26 de

dezembro de 1559, sucedendo a Paulo IV. Foi primeiramente sepultado em São Pedro, mas em 4 de junho de 1583, seus restos mortais foram transferidos para a igreja de S. Maria degli Angeli, de Michelangelo, uma das mais magníficas estruturas que ele erguera.—Compilador.]      [Paulo III (Alessandro Farnese), n. em Roma ou Canino, 29 de

fevereiro de 1468; m. em Roma, 10 de

novembro de 1549. Eleito Papa em 12 de

outubro de 1534, sucedendo a Clemente VII.

Seus instintos e ambições eram os de um príncipe secular da Renascença, mas as circunstâncias o forçaram a tornar-se o patrono da reforma.

Introduziu a Inquisição na Itália, em 1542; estabeleceu a censura e o Índice, em 1543, e deu sua aprovação à Companhia de Jesus, em 1540.—Compilador.]      [Júlio III (Giovanni Maria del Monte), n. em 10 de

setembro de 1487; m. em 23 de março de 1555. Eleito Papa em 7 de

fevereiro de 1550, sucedendo a Paulo III.—Compilador.] ––––––––––                        Escritos Reunidos VOLUME X                                              Julho,

CULTO AOS ANJOS-ESTRELAS

mais alto por um local especial de adoração.

Exigiram a reconstrução no mesmo local (as Termas) de um templo que deveria ser chamado de "Igreja dos Sete Anjos".      Mas havia a mesma dificuldade de antes.

Os Papas haviam pronunciado os títulos originais como nomes de demônios, ou seja, os dos deuses pagãos, e introduzi-los no serviço religioso teria sido fatal.

Os "nomes misteriosos" dos sete anjos não podiam ser dados.

É verdade que, quando a antiga imagem "milagrosa" com os sete nomes sobre ela foi encontrada, esses nomes foram livremente usados nos serviços religiosos.

Mas, no período da Renascença, o Papa Clemente XI  ordenara que fosse feito um relatório especial sobre eles, tal como estavam na imagem.

Foi um famoso astrônomo da época, um jesuíta, chamado Joseph Bianchini, quem foi incumbido dessa delicada missão.

O resultado a que o inquérito conduziu foi tão inesperado quanto fatal para os adoradores dos sete deuses sabianos; o Papa, ao ordenar que a pintura fosse preservada, mandou que os sete nomes angélicos fossem cuidadosamente apagados.

E "embora esses nomes sejam tradicionais", e "embora não tenham nada a ver com", e sejam "muito diferentes dos nomes usados por Adalberto" (o bispo-mago de Magdeburgo), como o cronista acrescenta astuciosamente, ainda assim sua mera menção foi proibida nas santas igrejas de Roma.

Assim as coisas prosseguiram de 1527 até 1561; o Reitor tentando satisfazer as ordens de seus sete "guias", — a igreja temendo adotar até mesmo os substitutos caldeus para os "nomes-mistério", pois haviam sido tão "profanados por práticas mágicas". Não nos é dito, contudo, por que os nomes-mistério, muito menos conhecidos do que seus substitutos jamais foram, não deveriam ter sido revelados se os benditos "Tronos" gozassem da menor confiança.

Mas deve ter sido "pequena" de fato, pois encontra-se

––––––––––      [Clemente XI (Giovanni Francesco Albani), n. em Urbino, 23 de julho de 1649; m. em Roma, 19 de março de 1721. Eleito Papa em 23 de novembro de 1700, sucedendo a Inocêncio XII.—Compilador.] –––––––––– os "Sete Arcanjos" exigindo sua restituição por 34 anos, e recusando-se positivamente a serem chamados por qualquer outro nome, e a igreja ainda surda aos seus desejos.


Os Ocultistas não ocultam a razão pela qual cessaram de usá-los: eles são perigosamente mágicos.

Mas por que a igreja deveria temê-los? Não foram os Apóstolos, e Pedro preeminentemente, informados de que "tudo o que ligardes na terra será ligado no céu" [Mateus, xviii, 18], e não lhes foi dado poder sobre todo demônio conhecido e desconhecido? No entanto, alguns dos nomes-mistério ainda podem ser encontrados juntamente com seus substitutos em antigos missais romanos impressos em 1563. Há um na biblioteca Barberini com todo o serviço da missa nele, e os proibidos nomes verdadeiramente sabianos dos sete "grandes deuses" brilhando ominosamente aqui e acolá. Os "deuses" perderam a paciência mais uma vez.

Agindo com um espírito verdadeiramente jeovístico com seus adoradores de "cerviz dura", enviaram uma praga.

Uma terrível epidemia de obsessão e possessão irrompeu em 1553, "quando quase toda Roma se viu possuída pelo diabo", diz de Mirville (sem explicar se o clero estava incluído). Somente então o desejo de Duca foi realizado.

Seus sete Inspiradores foram invocados em seus próprios nomes, e "a epidemia cessou como por encanto, os benditos", acrescenta o cronista, "provando pelos poderes divinos que possuíam, mais uma vez, que nada tinham em comum com os demônios de mesmo nome", — isto é, os deuses caldeus.

––––––––––       [Faz-se aqui referência ao Missale Romanum, com o selo de: Venetiis apud Iunctas, MDLXIII.

Encontra-se atualmente depositado na Biblioteca do Vaticano, e está catalogado sob Stamp.

Barb.

B. IX. 34. Os nomes dos Arcanjos, conforme aparecem na página 320 deste ricamente iluminado documento latino, são: Saalthiel, orador; Eudiel, remunerador; Raphael, médico; Michael, vitorioso; Gabriel, núncio; Barachiel, auxiliador; Uriel, forte.

O texto deste documento contém missas em honra dos vários Arcanjos.

—Compilador.]       Mas eles haviam provado seu poder anteriormente ao enviar a guerra, a destruição da igreja e, finalmente, a epidemia; e isso não parece muito angelical — para um Ocultista.

––––––––––

CULTO AO ANJO ESTELAR

"Então Michelangelo foi convocado às pressas por Paulo IV ao Vaticano." Seu magnífico plano foi aceito e a construção da antiga igreja começou.

Sua construção durou mais de três anos.

Nos arquivos deste agora célebre edifício, pode-se ler que: "a narrativa dos milagres ocorridos durante aquele período não poderia ser empreendida, pois foi um milagre incessante de três anos de duração." Na presença de todos os seus cardeais, o Papa Paulo IV ordenou que os sete nomes, como originalmente escritos na pintura, fossem restaurados e inscritos ao redor da grande cópia dela que até hoje coroa o altar-mor.

O admirável templo foi consagrado aos Sete Anjos em 1561. O objetivo dos Espíritos foi alcançado; três anos depois, quase simultaneamente, Michelangelo e Antonio Duca morreram.

Não eram mais necessários.

Duca foi a primeira pessoa sepultada na igreja pela qual ele havia lutado a melhor parte de sua vida e, finalmente, obtido para seus patronos celestiais.

Em seu túmulo, o resumo das revelações por ele obtidas, bem como o catálogo das orações e invocações, das penitências e jejuns usados como meios de obter as "benditas" revelações e visitas mais frequentes dos "Sete" — estão gravados.

Na sacristia, pode-se obter, por uma pequena taxa, a visão dos documentos que atestam e enumeram alguns dos fenômenos do "milagre incessante de três anos de duração".

O registro dos “milagres” traz o imprimatur de um Papa e de vários Cardeais, mas ainda carece do da Sociedade de Pesquisas Psíquicas.

Os “Sete Anjos” devem estar precisando muito deste último, pois sem ele seu triunfo jamais será completo.

Esperemos que os eruditos Pesquisadores Espirituais enviem seu “menino prodígio” a Roma em breve, e que os “bem-aventurados” encontrem em Cambridge — um Duca.

––––––––––     [Paulo IV (Giovanni Pietro Caraffa), n. perto de Benevento, 28 de junho de 1476; m. 18 de agosto de 1559. Eleito Papa em 23 de maio de 1555, sucedendo a Marcelo II.—Compilador.] –––––––––– Mas o que aconteceu com os “nomes misteriosos” tão cautelosamente usados, e o que dizer dos novos? Em primeiro lugar, veio a substituição do nome de Eudiel por um dos nomes cabalísticos.


Exatamente cem anos depois, todos os sete nomes desapareceram subitamente, por ordem do Cardeal Albizzi.

Na antiga e venerável Igreja de Santa Maria della Pietà, na Piazza Colonna, ainda se pode ver a pintura “milagrosa” dos Sete Arcanjos, mas os nomes foram raspados e os lugares repintados.

Sic transit gloria mundi.

Pouco tempo depois, a missa e as vésperas dos “Sete” foram mais uma vez eliminadas dos missais usados, não obstante serem “bastante distintas” das dos “Espíritos planetários” que costumavam ajudar o Bispo Adalberto.

Mas, como “o hábito não faz realmente o monge”, a mudança de nomes não pode impedir que os indivíduos que os possuíam sejam os mesmos de antes.

Eles ainda são adorados, e é tudo o que meu artigo visa provar.

Será isto negado? Nesse caso, tenho de lembrar aos leitores que, tão tarde quanto em 1825, um grande de Espanha, apoiado pelo Arcebispo de Palermo, fez uma tentativa perante Leão XII para o restabelecimento simultâneo do serviço e dos nomes.

O Papa concedeu o serviço religioso, mas recusou a permissão para usar os nomes antigos.      “Este serviço, aperfeiçoado e ampliado por ordem de Paulo IV, cujas atas existem até hoje no Vaticano e na Minerva, permaneceu em vigor durante todo o pontificado de Leão X.” Os Jesuítas foram aqueles

––––––––––       [Leão XII (Annibale Francesco Clemente Melchiore Girolamo Nicola della Genga), n. no Castello della Genga, no território de Spoleto, 22 de agosto de 1760; m. em Roma, fevereiro de 1829.—Compilador.] ––––––––––

10, 1829. Eleito Papa em 28 de setembro de 1823, sucedendo a Pio VII.—Compilador.] Isto é citado dos volumes do Marquês de Mirville, *Des Esprits*, etc., Vol. II, p. 358. Como nunca existiu um papista e ultramontano mais raivoso, seu testemunho dificilmente pode ser suspeito.

Ele parece gloriar-se dessa idolatria e é veemente em exigir sua restauração pública e universal.

[Leão X (Giovanni de’ Medici), nascido em Florença, em dez. II, 1475; falecido em Roma, em dez. 1, 1521. Eleito Papa em 11 de março de 1513, sucedendo a Júlio II.—Compilador.] ––––––––––

CULTO AO ANJO-ESTRELA

que mais se regozijaram com a ressurreição do antigo culto, em vista da ajuda prodigiosa que dele receberam, pois assegurava o sucesso de seus esforços proselitistas nas Ilhas Filipinas.

O Papa Pio V concedeu o mesmo "serviço divino" à Espanha, dizendo em sua Bula que "nunca se poderia exaltar demasiadamente estes sete Reitores do mundo, figurados pelos SETE PLANETAS", e que... "parecia consolador e augurava bem para este século que, pela graça de Deus, o culto destas sete luzes ardentes e destas sete estrelas recuperasse todo o seu esplendor na república cristã". O mesmo "santo Papa permitiu, além disso, às freiras de Matritensis estabelecer a festa de JEHUDIEL, o padroeiro de seu convento". Se algum outro nome menos pagão foi agora substituído por ele, não nos é informado — nem isso importa em nada.

Em 1832, a mesma demanda, numa petição para difundir o culto dos "Sete Espíritos de Deus", foi reiterada, endossada desta vez por oitenta e sete bispos e milhares de oficiais com nomes sonoros na Igreja de Roma.

Novamente, em 1858, o Cardeal Patrizi e o Rei Fernando II, em nome de todo o povo da Itália, reiteraram sua petição; e novamente, finalmente, em 1862. Assim, os serviços eclesiásticos em honra dos sete "Espíritos-Estrelas" nunca foram ab-rogados desde 1825. Até hoje estão em pleno vigor em Palermo, na Espanha, e até em Roma, em "Santa Maria dos Anjos" e no "Gesù" — embora inteiramente suprimidos em todos os outros lugares; tudo isso "por causa da heresia de Adalberto", como de Mirville e os outros apoiadores do culto ao Anjo-Estrela se comprazem em dizer.

Na realidade, não há outra razão senão a já revelada. Até mesmo os sete substitutos, especialmente os quatro últimos, foram demasiado abertamente ligados à magia negra e à astrologia.

–––––––––– [Pio V (Michele Ghisleri), nascido em Bosco, perto de Alexandria, na Lombardia, em jan.

17, 1504; falecido em 1º de maio de 1572. Eleito Papa em 7 de janeiro de 1566, sucedendo a Pio IV. Foi canonizado por Clemente XI, em 1712.— Compilador.] De Mirville, op. cit., pp. 357-58. –––––––––– Os escritores do tipo de Mirville estão em desespero.


Não ousando culpar a Igreja, descarregam sua ira sobre os velhos Alquimistas e Rosacruzes.

Clamam, não obstante, pela restituição de um culto público; e a imponente associação formada desde 1862 na Itália, Baviera, Espanha e alhures para o restabelecimento do culto dos Sete Espíritos em toda a sua plenitude e em toda a Europa católica, dá esperança de que, em poucos anos mais, os Sete Rishis da Índia, agora felizmente domiciliados na constelação da Ursa Maior, se tornarão, pela graça e vontade de algum infalível Pontífice de Roma, os legais e honrados divinos patronos da Cristandade.

E por que não, já que (São) Jorge é até hoje "o santo padroeiro não apenas da Santa Rússia, da Alemanha protestante, da Veneza de contos de fadas, mas também da alegre Inglaterra, cujos soldados", — diz W. M. Braithwaite, — "defenderiam seu prestígio com o sangue de seus corações." E certamente nossos "sete deuses" não podem ser piores do que foi o patife do Jorge da Capadócia durante sua vida! Portanto, com a coragem dos verdadeiros crentes, os defensores cristãos dos Sete Anjos-Estrela nada negam; em todo caso, permanecem em silêncio sempre que acusados de prestar honras divinas aos deuses caldeus e outros.

Eles até admitem a identidade e orgulhosamente confessam a acusação de adoração às estrelas.

A acusação foi lançada muitas vezes pelos acadêmicos franceses à face de seu falecido líder, o Marquês de Mirville, e é isto o que ele escreve em resposta:

Somos acusados de confundir estrelas com anjos.

A acusação está adquirindo tamanha notoriedade que somos forçados a respondê-la muito seriamente.

É impossível que tentemos dissimulá-la sem falhar em franqueza e coragem, uma vez que esse suposto erro é repetido incessantemente nas Escrituras como em nossa teologia.

Examinaremos.

. . . esta opinião até aqui tão acreditada, hoje desacreditada, e que atribui corretamente aos nossos SETE ESPÍRITOS PRINCIPAIS o governo, não dos sete planetas conhecidos, dos quais somos repreendidos,

–––––––––– "São Jorge pela Alegre Inglaterra", de W. M. Braithwaite.

Masonic Monthly, nº 2. ––––––––––

ADORAÇÃO AOS ANJOS-ESTRELA

mas dos sete planetas PRINCIPAIS — o que é uma coisa bem diferente. E o autor se apressa a citar a autoridade de Babinet, o astrônomo, que procurou provar em um artigo competente da Revue des Deux Mondes (maio de 1855), que na realidade, além da Terra, só tínhamos SETE grandes planetas.

Os "sete planetas principais" é outra confissão da aceitação de um tenet puramente ocultista.

Todo planeta, segundo a doutrina esotérica, é em sua composição um Setenário como o homem, em seus princípios.

Isto é, o planeta visível é o corpo físico do ser sideral, cujo Atma ou Espírito é o Anjo, ou Rishi, ou Dhyan-Chohan, ou Deva, ou como quer que o chamemos. Esta crença, como verão os ocultistas (leiam em Esoteric Buddhism sobre a constituição dos planetas), é completamente oculta.

É um tenet da Doutrina Secreta — menos seu elemento idólatra — puro e simples.

Como é ensinada na Igreja e em seus rituais, contudo, e especialmente, como é praticada, é ASTROLATRIA tão pura e tão simples quanto possível.

Não há necessidade de mostrar aqui a diferença entre ensino, ou teoria, e prática na santa Igreja Católica Romana.

As palavras "jesuíta" e "jesuitismo" cobrem todo o terreno.

O Espírito da Verdade partiu há eras — se é que alguma vez esteve perto dela — da Igreja de Roma.

A isto, a Igreja Protestante, tão cheia de espírito fraternal e amor por sua irmã Igreja, dirá: Amém.

O Dissidente, cujo coração está tão cheio de amor por Jesus quanto de ódio ao Ritualismo e sua mãe, o Papismo, dará risadinhas.

No editorial do Times de 7 de novembro de 1866, encontra-se "Uma Terrível Acusação" contra os protestantes, que diz: Sob a influência do Banco Episcopal, todos os estudos relacionados à teologia murcharam, até que os críticos bíblicos ingleses são o

––––––––––       Estes "planetas principais" são os planetas misteriosos dos Iniciados pagãos, mas travestidos pelo dogma e pela astúcia sacerdotal.

 De Mirville, op. cit., Vol.

II, pp. 359-60. –––––––––– escárnio dos eruditos estrangeiros.


Sempre que pegamos o trabalho de um teólogo que provavelmente será um Deão ou um Bispo, encontramos, não um investigador sincero apresentando os resultados de uma pesquisa honesta, mas meramente um advogado, que, podemos perceber, começou seu trabalho com a determinação fixa de provar que preto é branco em favor de seu próprio sistema tradicional.

Se os protestantes não reconhecem os “Sete Anjos”, nem, ao recusarem-lhes o culto divino, sentem vergonha e medo de seus nomes, como fazem os católicos romanos, por outro lado são culpados de um “jesuitismo” de outra espécie, igualmente mau.

Pois, ao mesmo tempo em que professam crer nas Escrituras como uma Revelação direta de Deus, da qual nenhuma sentença deveria ser alterada sob pena de danação eterna, eles tremem e se acovardam diante das descobertas da ciência, e tentam condescender com seu grande inimigo.

A Geologia, a Antropologia, a Etnologia e a Astronomia são para eles o que Uriel, Saaltiel, Jehudiel e Barachiel são para a Igreja Católica Romana.

É seis de um e meia dúzia de outro.

E uma vez que nem uma nem outra das duas religiões se absterá de anatematizar, caluniar e perseguir a Magia, o Ocultismo e até mesmo a Teosofia, é justo e apropriado que, por sua vez, os Estudantes da Sagrada Ciência de outrora finalmente revidem, e continuem a dizer a verdade destemidamente na cara de ambas.

MAGNA EST VERITAS ET PREVALEBIT.

H. P. B.

––––––––––

[O assunto dos Sete Nomes Misteriosos e suas correlações foi discutido com considerável extensão por Jakob Bonggren, um dos estudantes mais sérios dos primeiros dias do Movimento. Seu ensaio pode ser encontrado em Lucifer, Vol. IV, julho de 1889, pp. 404-407, onde é seguido por um artigo abrangente da pena de “Sepharial” (Walter R. Old), nas pp. 407-415.—Compilador.]

HELENA PETROVNA BLAVATSKY
Fotografia tirada por Enrico Resta em Londres, 8 de janeiro de 1889. Originalmente impressa em The Path, Nova York, Vol. IV, fevereiro de 1890. Reproduzida aqui a partir da chapa de vidro original nos Arquivos da Sociedade Teosófica na Inglaterra.

Escritos Reunidos VOLUME X
Julho,

“L’Isis”

“L’ISIS”

BRANCHE FRANÇAISE, DE LA SOCIÉTÉ THÉOSOPHIQUE

[Lucifer, Vol. II, No. 11, julho de 1888, p. 365]

Aos Editores de Lucifer.

Permitam-me trazer ao conhecimento daqueles de seus leitores que possam ter recebido o pretenso Bulletin de l’Isis os seguintes fatos:— Dos três signatários deste boletim, um foi expulso da Loja Isis; os outros dois nem sequer são membros da Sociedade Teosófica. Assim, nem M. Goyard, nem M. Encausse, nem M. Lejay têm, doravante, qualquer conexão com a Isis.

Além disso, é absolutamente falso que, na reunião realizada por esses senhores em 23 de junho, tenha sido votada e aceita por unanimidade uma resolução no sentido de que um pedido de desculpas fosse oferecido a M. Saint-Yves, chamado Marquês

–––––––––– No boletim emitido pelos referidos senhores, questiona-se se o Presidente-Fundador tem o direito de nomear oficiais interinos

para lugares vagos.

Nas Regras da S.T. pode-se encontrar o nº 7, que declara: “O Presidente-Fundador tem autoridade para designar qualquer Membro . . . . para desempenhar interinamente

as funções de qualquer cargo vago por morte ou renúncia.” Nas Regras de 1888, Art.

(d) declara que “em caso de vacâncias ocorridas durante o ano, será competente ao Presidente, &c., &c. . . nomear e designar pessoas para preencher tais vacâncias.” M. Louis Dramard, o falecido Presidente e Fundador da “Isis”, tendo morrido, e tendo surgido confusão e disputas em consequência disso, foi conveniente pôr esta regra em ação e nomear, interinamente, em nome do Presidente-Fundador, M. Gaboriau (cofundador do ramo), como Presidente “de l’Isis”, sujeito à aprovação do Presidente em Conselho.

Tal nomeação, mesmo interina, foi forçada pelas ações despóticas e ilegais de três pessoas, duas das quais nem sequer eram membros, e que, no entanto, apoderando-se do poder em suas mãos, proclamaram-se únicos proprietários e diretores dos destinos da l’Isis.

––––––––––

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS d’Alveydre. Alguns membros opuseram-se formalmente à resolução.

Mas, ainda que assim fosse, a Loja Isis não teria nada a ver com isso, não tendo esses três senhores o direito de falar em nome da Loja.

A reunião nos aposentos privados de M. Lejay nada tem em comum com a reunião da Loja Isis, que ocorreu à mesma hora na Salle Richefeu.

Fraternalmente,               F. K. Gaboriau,                                    A. Froment.

Presidente (interino) da Loja Isis.

(Secretário-Tesoureiro Honorário.) ––––––––––      Quem é M. Saint-Yves, Marquês d’Alveydre? Ele não é, nem nunca foi, membro da Sociedade Teosófica.

–––––––––––                        Coletânea de Escritos VOLUME X                                              Julho,

CIÊNCIA CRISTÃ.                                [Lucifer, Vol.

II, Nº 11, julho de 1888, pp. 410-414]

O objetivo desta obra, publicada sob a forma de doze panfletos, cada um com cerca de vinte páginas em média, é preparar o leitor para tornar-se estudante da Ciência da Cura por meio do Espírito, pois este título (embora um tanto extenso) descreve com mais precisão a chamada Ciência do que o cognome "Cristã". "Preparar o leitor" é também dito deliberadamente; pois os primeiros dez destes panfletos ocupam-se principalmente da tese de que, sendo errôneas as crenças do homem com relação à existência da matéria, ele está por isso sujeito a certas ilusões a respeito dela, sendo as principais delas a má saúde e a doença.

Isto é filosofia puramente berkeleyana, se não o próprio platonismo; os teosofistas, de fato, podem reivindicar para ela uma origem muito mais antiga, pois não ensinam as antigas filosofias brâmanes e budistas que todas as aparências externas, todos os fenômenos, são ilusão—Maya? Seja como for, a aplicação do princípio ao tratamento da doença, se não é realmente nova, é aqui apresentada a nós sob uma forma nova, e com vistas a tornar sua prática popular.

É a filosofia reduzida à sua expressão mais simples.

É a mais alta arte do médico tornada propriedade comum.

É outra reivindicação de um "segredo desvelado", o segredo do ser do homem.

E se, como afirma a escritora, o tratamento atual da doença é o resultado da crença do homem na realidade da matéria, é sem dúvida necessário começar por uma cadeia de raciocínio um tanto longa a fim de convencê-lo de seu erro, pois o homem não pode compreender o que realmente é enquanto se pronunciar sobre si mesmo apenas como vê.

"Não até que ele traga à ação seus poderes superiores, seu discernimento e percepção, começará ele a perceber a verdade sobre si mesmo, que se opõe à sua própria crença sobre si mesmo.

E nunca até que ele assim perceba e compreenda reverterá ele sua decisão sobre si mesmo.

E nunca até que a reverta, crescerá ele na consciência do que realmente é." Ele permanecerá, como a autora o coloca, no estado de Adão, sujeito à lei da matéria, fazendo para si "imagens de escultura", e prostrando-se e adorando-as.

E assim como “Adão é o modelo do homem tal como o vemos e conhecemos hoje, Jesus é o modelo do que ele deve se tornar—conscientemente, como ele é em realidade—através de sua própria obra de regeneração e redenção.” . . . . “Foi essa consciência, que era realização perfeita, que lhe deu (a Jesus) o poder que ele manifestou sobre o pecado, a doença e a morte, pelo qual curou o coxo, o enfermo e o cego; pelo qual expulsou demônios e ressuscitou os mortos.” Essa consciência é o ponto principal enfatizado nesta etapa do trabalho, pois até que ela seja realizada, não há possibilidade de exercício do poder do curador, exceto talvez de maneira fraca ou parcial.

Não é, portanto, senão quando chegamos à Seção X que o tratamento da doença é efetivamente abordado.

Nesta seção, somos informados de que “o que o homem em

––––––––––       Seção III, p. 18.       Seção VIII, p. 6. –––––––––– sua ignorância chama de saúde é tanto uma crença quanto o que ele chama de doença,” e que “colocar remédio num estômago jamais mudou a concepção que um homem tem de si mesmo; mas ele mudou uma concepção ou crença por outra em consequência de sua crença no poder do remédio.” Condições de má saúde são ditas nada mais “do que imagens mentais que o homem cria para si mesmo e nas quais acredita religiosamente.” Devemos, portanto, aprender a dominar todas aquelas condições às quais acreditamos que nossos corpos estão sujeitos.


A negação do falso, a afirmação do verdadeiro, constantemente no pensamento, se não na palavra, deve ser o primeiro processo para provocar uma mudança primeiro no próprio corpo do homem, e subsequentemente no dos outros.

Se negarmos a doença e o sofrimento e todos os tipos de mal como não-coisas, inexistentes, não procedentes da Mente Infinita, tanto no que diz respeito a nós mesmos quanto a tudo o que nos rodeia, pois todos somos partes de um Todo Universal (que é outro princípio puramente vedanto-budista), nós, por essa transformação do interior, gradualmente agiremos sobre o exterior e provocaremos uma transformação dele, e superaremos todas as condições discordantes, sejam elas chamadas de pecado, sofrimento ou doença.

E como o homem é o criador de toda forma de pecado e sofrimento, assim também é ele o transmissor destes através da "Transmissão de Pensamento"; as doenças são comunicadas por este meio "em vez de através de germes físicos". O curador por meio da "Ciência Cristã" deve atacar a raiz de toda doença, a crença do homem sobre si mesmo e sobre os outros; deve tratar o sofredor por suas faltas e pelo pecado, dos quais suas doenças são apenas a expressão extrema, sendo uma doença igual a outra para um curador científico.

Ao tratar crianças pequenas, são principalmente os pais que precisam ser abordados, suas crenças sobre a criança, seu medo e sua ansiedade.

A última seção encerra com algumas instruções quanto à atitude e ao comportamento do curador em relação ao seu paciente, mas todo o tratamento deve ser espiritual, acima e além do plano do ser material.

––––––––––       Seção XI, p. 12. ––––––––––

CIÊNCIA CRISTÃ

Tal é um resumo imperfeito do ensino contido nos doze panfletos da Sra. Gestefeld.

Um candidato à "Ciência Cristã" teria de estudá-los em todos os seus detalhes; pois é somente meditando e refletindo sobre os princípios neles expostos que se pode chegar ao estado de espírito necessário para realizar os resultados a serem alcançados.

A Ciência do Ser pode ser resumida em poucas palavras, mas não pode ser tão facilmente transmitida, e muitas dificuldades ocorrem naturalmente ao estudante, que precisam ser respondidas separadamente.

Algumas destas devem ser expostas desde o início.

Para começar, por que pressupor, dando a uma Ciência uma qualificação que não lhe pertence? Por que começar com um nome impróprio? Por que chamá-la de "Cristã" em vez de "Sufi", "Budista" ou, melhor que tudo, a "Ciência do Yoga", cujo objetivo é eminentemente alcançar a união com o Espírito Universal? Somos informados pela autora, como também por vários outros professores desta nova escola, que foi através desta Ciência que Jesus curou, e que foi esta Ciência que ele ensinou.

Objetamos a essa afirmação.

Não há nada no Novo Testamento que leve a tal ideia ou mesmo suspeita; e não há outros documentos conhecidos mais autoritativos para os cristãos do que os Evangelhos.

O Sermão da Montanha, que é a própria personificação dos ensinamentos de Cristo — o Cristianismo em uma casca de noz, por assim dizer — é um código de regras de vida eminentemente práticas e também impraticáveis, de observâncias diárias, mas todas no plano da vida terrena concreta.

Quando vos é dito para oferecer a face esquerda àquele que vos fere na face direita, não vos é ordenado negar o golpe, mas, ao contrário, afirmá-lo suportando mansamente a ofensa; e, para não resistir ao mal, oferecer (seja metaforicamente ou não) a outra face — isto é, convidar o ofensor a repetir a ação.

Novamente, quando vosso “Filho”, ou irmão, ou próximo, vos pede pão, não sois convidados a negar a fome daquele que pede, mas a dar-lhe alimento; caso contrário, dar-lhe-íeis de fato, em vez de peixe, “uma serpente”. Finalmente, os pecados, as maldades, as doenças, etc., não são negados por Jesus, nem os seus opostos, a virtude, a bondade e a saúde, são em qualquer lugar afirmados.


De outro modo, onde estaria a *raison d'être* de sua suposta vinda para salvar o mundo do pecado original? Sabemos que os “Cientistas Cristãos” negam todo dogma teológico, desde o Éden para baixo, tanto quanto nós. Contudo, eles afirmam aquilo que Jesus sempre praticamente negou; e afirmando (será por causa, e em vista, da maioria cristã em suas audiências?), eles não estão em união com o Espírito Universal, que é — a VERDADE.

Novamente, é seguro confiar esse poder oculto (pois tal ele certamente é) às mãos da multidão? Não disse o próprio Jesus, a quem expressamente nos é dito tomar como modelo: — “A vós (que sois discípulos, iniciados) é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus; mas aos outros, em parábolas”? Não há perigo de que aquele que adquire esse poder de controlar a vontade e os pensamentos de outros, e as condições que os cercam, caia dessa elevada posição e use sua influência para fins malignos — em outras palavras, que a magia branca se torne negra? O próprio fato de a Sra.

Gestefeld advertir o curador a nunca dar um tratamento para qualquer propósito senão para manifestar a Verdade do Ser, “nunca para qualquer ganho pessoal”, aponta para essa possibilidade; ela também adverte, ou posso dizer ameaça, que se isso for tentado, o pretenso curador “descerá imediatamente ao plano da mente mortal”. Talvez isso implique que o poder se afastará dele, mas que essa consequência salutar ocorrerá dificilmente é tornado claro ao leitor.

Ela diz, de fato: “Não sereis um Cientista Cristão, mas um mesmerista.” Mas para certas pessoas isso não seria objeção alguma.

Onde está então a garantia, o selo distintivo, do verdadeiro Cientista Cristão, pelo qual ele possa ser reconhecido pelos incautos? Se isto, como outras coisas espirituais, só pode ser "discernido espiritualmente", o paciente deve estar à altura do curador, e não terá necessidade dele.

Novamente, é verdade que todas as nossas doenças são o resultado de crenças errôneas? A criança, que não tem crença, conhecimento ou concepção, verdadeira ou falsa, sobre o assunto da doença, contrai escarlatina através da transmissão de germes, não através da do pensamento.

É-se tentado a perguntar,

CIÊNCIA CRISTÃ

como os antigos, pecou a criança ou seus pais? A resposta do Grande Curador se aplicará ao caso, ou seja, "Nem esta criança pecou, nem seus pais, mas para que a glória de Deus se manifestasse"? A "glória da nova Ciência Cristã", então? — o vinho "novo" em odres muito, muito velhos? E não há entre os renomados mestres da nova ciência, que são eles próprios afligidos por doenças, muitas vezes incuráveis, por dor e sofrimento? Explicará a Sra.

Gestefeld, ou alguém mais próximo de casa? Então, além disso, no caso de epidemias generalizadas, como a cólera, sabemos que até certo ponto estas são consequência do pecado do homem, de sua negligência das leis higiênicas, da limpeza e da boa drenagem, e, na proporção em que essas leis são obedecidas, até certo ponto evitáveis.

Mas há também condições climáticas, como na última visitação da cólera em 1884, quando a epidemia parecia confinada a certas áreas, seguindo alguma lei das correntes atmosféricas, ou outra causa física não detectada, mas não indescobrível.

Podem estas ser superadas pela Ciência Cristã? Como é que não cedem às fervorosas orações de uma nação inteira? — pois a oração, quando sincera, é certamente, ao menos quando acompanhada de vida virtuosa, um modo de Ciência Cristã, de intensa VONTADE? E não vemos os mais santos e os melhores, e também aqueles que não vivem na ignorância ou em desafio à lei, espiritual, moral, mental ou higiênica, caírem vítimas da doença, e só conseguirem preservar a vida com o máximo, quase anormal, cuidado e precaução? Mas a "Ciência Cristã" vai além disso.

Em uma palestra, em Londres, foi afirmado distintamente que toda doença física surge de, e é o efeito direto de, uma doença ou vício mental: por exemplo, "a doença de Bright dos rins é sempre produzida em pessoas que são mentirosas e que praticam o engano." Pergunta-se: não estaria, nesse caso, toda a fraternidade negra de Loyola, todo diplomata, advogado e jurista, assim como a maioria dos comerciantes e mercadores, incurável e afligida por esse terrível mal? Seremos os próximos a ouvir que o câncer na língua ou na garganta é produzido por aqueles que difamam e caluniam seus semelhantes? Seria bem merecido o Karma, se assim fosse. Infelizmente, alguns casos recentes dessa terrível doença, que ceifaram dois dos melhores, mais nobres de coração e verazes homens vivos, dariam uma negação flagrante a tal afirmação.


Os Cientistas "Cristãos" (ou mentais) afirmam, além disso, que o curador pode trabalhar em um paciente (mesmo em alguém que nunca viu) tão facilmente a milhares de quilômetros de distância, quanto a poucos metros.

Se assim fosse, e a prática se tornasse universal, dificilmente seria agradável saber que, onde quer que se estivesse, correntes ocultas são dirigidas a alguém por desconhecidos benfeitores à distância, quer se as queira ou não.

Se, por um lado, é bastante agradável, e até útil, nesta era de calúnia, ter outras pessoas negando seus defeitos e vícios, e assim poupando-o de contar mentiras você mesmo; por outro lado, isso cortaria de sob os pés de alguém toda possibilidade de emendar a própria natureza através do esforço pessoal, e privaria a pessoa, ao mesmo tempo, de todo mérito pessoal no assunto.

O Karma dificilmente se satisfaria com um arranjo tão fácil.

Este mundo testemunharia cenas estranhas e o próximo (um reencarnacionista diria "o próximo renascimento") terríveis decepções.

Quer seja visto do ponto de vista dos teístas, cristãos, ou dos seguidores da filosofia oriental, tal arranjo satisfaria muito poucas mentes.

A doença, as características mentais e as deficiências são sempre efeitos produzidos por causas: o efeito natural do Karma, a Lei infalível de Retribuição, como diríamos; e a pessoa entra em uma confusão curiosa ao tentar trabalhar ao longo de certas linhas dadas dessa teoria da "Ciência Cristã".

Seus professores nos darão declarações mais definidas sobre o funcionamento geral de suas teorias? Em conclusão, fossem essas teorias verdadeiras, sua prática seria apenas o nosso velho amigo magnetismo, ou antes hipnotismo, com todos os seus inegáveis perigos, apenas em escala gigantesca e universal; portanto, mil vezes mais perigosa para a família humana em geral do que o primeiro.

Pois nenhum magnetizador pode agir sobre uma pessoa que nunca viu ou com quem nunca teve contato — e isso é uma bênção, de qualquer forma.

E não é esse o caso

CIÊNCIA CRISTÃ com a ciência mental ou "cristã", pois nos é dito claramente que podemos agir sobre perfeitos estranhos, aqueles que nunca encontramos e que estão a milhares de quilômetros de nós. Em tal caso, e como primeiro benefício, nossos centros civilizados fariam bem em fazer seu clero e comunidades cristãs aprenderem a "Ciência". Isso pouparia milhões de libras esterlinas atualmente raspadas dos ossos das multidões famintas e afundadas nos insaciáveis órgãos digestivos dos fundos missionários.

Missionários, de fato, tornar-se-iam inúteis — e isso se tornaria a bênção número dois.

Pois doravante eles teriam apenas de se reunir em pequenos grupos e enviar correntes de Vontade para além das "águas negras" para obter tudo o que almejam.

Que neguem que os pagãos não são cristãos, e afirmem que são batizados, mesmo sem contato.

Assim, o mundo inteiro seria salvo, e o capital privado igualmente.

É claro que pode acontecer que nossos irmãos "pagãos", que tiveram a agora chamada ciência "cristã" na ponta dos dedos desde os dias de Kapila e Patañjali, resolvam inverter a corrente e colocá-la em movimento na direção oposta.

Eles podem negar, por sua vez, que seus perseguidores cristãos tenham um único iota de cristianismo neles.

Eles podem afirmar que toda a cristandade está apodrecida até a medula com doenças resultantes dos sete pecados capitais; que milhões bebem até a morte e outros milhões (governos incluídos) os forçam a fazê-lo construindo duas casas públicas para cada igreja — fato que nem mesmo um Cientista Cristão poderia eliminar se o negasse até o próximo pralaya.

Assim, o pagão teria uma vantagem sobre o Cientista Cristão em suas negações e afirmações, na medida em que estaria apenas dizendo a verdade; enquanto, ao negar a doença e o mal, seu colega ocidental está simplesmente indo de encontro aos fatos e encorajando o místico incauto a ignorar em vez de matar sua natureza pecaminosa.

A presente crítica pode ser equivocada, e podemos ter entendido mal a “Ciência” em análise, na qual, no entanto, reconhecemos uma velha conhecida, a saber, Dhyâna, “meditação abstrata”. Mas tanto maior é a necessidade de uma explicação definitiva.


Pois estas são questões que gostaríamos de ver respondidas, precisamente no interesse daquela velha Ciência renascida sob uma nova máscara, e porque deve ser o desejo de todo verdadeiro seguidor da Teosofia Oriental ver a doutrina do auto-esquecimento e do altruísmo, contra o egoísmo e a personalidade, mais amplamente compreendida e praticada do que atualmente.

––––––––––                           Escritos Reunidos VOLUME X                                                    Julho,

O QUE É DEUS?                                    [Lucifer, Vol.

II, No. 11, Julho, 1888, pp. 417-420]

[Todas as notas de rodapé neste artigo, assinadas “Ed.”, são de H.P.B.]

Desejo agradecer-lhe pela resposta à minha comunicação anterior.

Descubro que concordo até certo ponto com seu pensamento, mas não inteiramente.

Com sua permissão, exporei um pouco mais meu pensamento sobre este grande assunto, se for útil.

Não tenho concepção do Infinito e do Ilimitado como existência positiva.

O Vazio Eterno ou Absoluto pode ser dito Infinito e Ilimitado, mas este Vazio é nada, e do qual nada pode ser predicado; de modo que Infinito ou Ilimitado e Absoluto, a este respeito, são inexistentes. Você parece identificar a Divindade com o Nada Original, a negação absoluta.

Mas tal Divindade não tem nada a ver com o que chamamos de Algo ou o Real, e a existência é bastante independente dela. Se a Divindade ou Deus é o mesmo que o Nada Absoluto, e todas as coisas vieram Dele ou Disso, então algo veio do nada,

––––––––––     Para algumas mentes, muito provavelmente.

Na opinião de um Vedantin ou de um Ocultista Oriental, este "Sem-limites" é a única divindade e a única realidade neste universo de Maya, e é o único princípio eterno e incriado — tudo o mais sendo ilusório, porque finito, condicionado e transitório.—ED.     Não pode ser independente, já que "existência" é precisamente essa Divindade que chamamos de "Existência Absoluta", da qual nada pode ser "independente". ––––––––––

O QUE É DEUS?

que, declara a filosofia, não pode ser. O real, em oposição ao irreal, só pode produzir aquilo que é real, seja qual for o tipo de realidade, divina, espiritual ou natural.

Em palavras simples, nada não pode produzir nada.

Algo somente pode produzir a si mesmo em diferenciações variadas. Nada é o Infinito.

O Algo (realidade universal ou o todo) é o Finito; mas (se preferir) Infinito neste sentido: sendo tudo-abrangente, não é limitado por nada além de si. Se a Divindade originou forma, tamanho, número e movimento como atributos do concreto — espiritual ou natural — como poderia Ele (permita-me usar este pronome) tê-lo feito, a menos que estes estejam de alguma forma n'Ele mesmo?

Como Ele originou todas as condições, certamente possui em Si mesmo o original dessas condições; e embora não seja condicionado por nada além ou maior do que Si mesmo, ainda assim Ele é a soma total das condições.

Isto é, Ele é o todo das condições. Como eu o entendo, a Divindade é o Todo do Universo em sua primeira, original ou originante forma, e o que chamamos de universo evoluído é a Divindade em sua última ou final forma.

É como se a Divindade expirasse a Si mesma para a vastidão, e então inspirasse a Si mesma de volta para a minúcia.|| Ele

––––––––––     Qual filosofia? Não a filosofia e metafísica oriental — a mais antiga de todas.

Nada não pode vir de outro nada — se a última palavra for aceita em nosso sentido finito.

Tudo vem do Nada, ou NÃO-COISA, En-Soph, o Sem-limites (para nós) nada! mas no plano do Espírito, o númeno do TODO.—ED.      Nosso correspondente está muito pouco familiarizado, vemos, com as ideias ocultas orientais e a verdadeira metafísica.

A divindade que ele chama de "Nada" e nós de "Não-coisa" não pode produzir nada, pela simples razão de que ELA é em si mesma o TODO, o Infinito, Sem-limites e Absoluto, e que mesmo ELA jamais poderia produzir qualquer coisa fora de si mesma, pois o que quer que se manifeste é ELA MESMA.—ED.      O relâmpago é produzido pela eletricidade, e é um aspecto da Causa oculta.

E porque essa Causa origina o fenômeno, chamá-lo-emos de “relâmpago” e de “Ele”?—ED. E por que não “Ela”, o TODO? Tão natural um quanto o outro e, em nossa opinião, bastante incongruente.—ED. || Diga, de uma vez, “si mesmo”, em vez de “Ele mesmo”, e não faça disso uma ação consciente pessoal (em nosso plano), e você estará mais próximo do alvo de nossos ensinamentos ocultos.

–––––––––– é, portanto, o todo da substância quanto ao Ser, e o todo da Forma e dos movimentos quanto à Verdade.


É uma alternância de estados: um é o estado de concentração, o outro o estado de difusão ou expansão.

O Alfa e o Ômega, tornando verdadeiro o dito “os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros”. O Microcosmo torna-se o Macrocosmo [?!] e este novamente se resolve de volta à forma e ao estado microcósmico.

A saída da Divindade do eu para o não-eu e o retorno ao eu constitui, nos movimentos, a Era das eras ou Eternidade, e é o todo da Verdade, o todo da história cósmica e universal. Naturalmente, a forma universal evoluída, sendo um resultado, quanto ao estado, não é a Divindade absoluta ou pessoal, mas apenas sua imagem ou reflexo, a sombra do real, por assim dizer, uma administração do Ser Original.

Posso aqui estar expressando o mesmo que você quer dizer quando chama os fenômenos de Maya ou ilusão, por não serem absolutamente permanentes.

Sim, contudo os fenômenos são reais como aparências.

O Mundo Mayávico é real enquanto é mayávico, assim como um floco de neve o é até derreter.

Eu disse que o Todo, como o pequeno Universo, evolui-se a si mesmo para a forma e o estado do vasto universo; mas no processo ele exaure suas potências, e nesse estágio a evolução começa a cessar, e a involução começa; e a Divindade, o pequeno, é recuperada reabsorvendo as substâncias e formas do Universo Mayávico, que assim, no processo das eras, deixa de ser, retornando ao estado nirvânico da Divindade concentrada.

Agora — diria um vedantista — Brahma dorme sobre o lótus e despertará de novo para criar outro Universo Mayávico.

–––––––––– Isto é cabalístico e, no geral, correto, mas demasiado indefinido para a filosofia esotérica.

Nosso crítico quer dizer que é o microcosmo que se torna o Macrocosmo, em vez do inverso? (Ver Notas dos Editores ao final).—ED. Sim, Brahmâ "dorme" sobre o lótus durante as "noites", e entre os "dias" de Brahma (neutro). Mas Brahmâ, o Criador, morre e desaparece quando sua era chega ao fim, e a hora do MAHA PRALAYA soa.

Então o NADA reina supremo e solitário na Infinitude sem Limites, e esse Nada é o espaço não-diferenciado que é não-espaço, e o ABSOLUTO. "O mais excelente macho é adorado pelos homens, mas a alma da sabedoria, AQUILO em que não há atributos de nome ou forma, é adorada pelos Sábios (Yogins)" (Vishnu-Purana). Este, então, é o ponto de divergência com vosso correspondente.

––––––––––

O QUE É DEUS?

As tentativas imperfeitas de afirmação são apenas gerais e não excluem tudo o que pode ser concebido e conhecido dos múltiplos planos e fileiras de seres inteligentes que existem no multifário universo.

Pareceis pensar que sou muito materialista em pensamento.

Mas o pensamento místico que nega forma ao Espírito e, portanto, à Divindade, não é prova de superioridade ou espiritualidade de inteligência. Percebereis o ponto para o qual minha linha de pensamento se inclina.

Os seres nos mais elevados planos do Universo são muito mais gloriosos em forma do que aqueles nos planos inferiores.

Aqueles nos globos terrestres, como nós mesmos, são os mais sombrios, quanto às nossas formas exteriores.

Aquele que centraliza as miríades de hostes de Seus filhos deve ser o mais e todo-glorioso. Mas certamente isso é porque Ele deve ser o mais concentrado em substância e o mais complexo em Sua forma, inconcebivelmente assim. As formas humanas dos Elohim são como sombras flutuantes comparadas a Ele.

Sua forma, quanto à organização e contorno, é a Humana, o humano dual.

[!] As células infinitesimais em Seu corpo são os pontos germinais de Sistemas Solares, a serem realizados durante as eras nas expansões mayávicas. Cada plano de existência é orgânico, e o mais refinado é o mais denso e vital e potencial.

Todos os Espíritos são formas humanas, todos os Elohim (se preferirdes)—macho e fêmea—ou dois em um—são formas humanas.

De fato, existência é forma, Vida é forma, Inteligência, Amor e as afeições humanas estão baseadas e contidas no continente da organização humana, e todas as formações menores ou fragmentárias de mundo mineral, vegetal, animal ou esférico são sua produção.

É a única Verdade, o eterno, o incriado e

––––––––––     Nenhum, absolutamente.

Isso apenas denota um melhor conhecimento da metafísica.

Aquilo que possui forma não pode ser absoluto.

Aquilo que é condicionado ou limitado pelo espaço, pelo tempo, ou por qualquer limitação da concepção e do crescimento humanos — não pode ser INFINITO, muito menos ETERNO. — ED.     Inegavelmente, "Aquele que centraliza as hostes miríades" não é a DIVINDADE ABSOLUTA, nem mesmo o seu LOGOS, Aja (o não-nascido), mas, na melhor das hipóteses, Adão-Cadmon, o Tetragrama dos Gregos, e o Brahma-Vishnu sobre o Lótus do Espaço, o ELE que desaparece com a "Era de Brahma". — ED.     Exatamente, e este é Adão-Cadmon, o homem celestial, o "macho-fêmea" ou o símbolo do Universo material manifestado, cujos 10 membros (ou 10 Sefirot, os números) correspondem às zonas do universo, os 3 em 1 dos planos superiores e os 7 dos inferiores. — ED. –––––––––– inimaginado, o continente das particularidades universais, o Todo Pai-Mãe em quem nós e todas as coisas vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. — Respeitosamente,              30 de abril de 1888.                                            J. HUNTER


NOTA DOS EDITORES. — O escritor parece um pouco confuso em suas ideias.

Ele se lança em um ponto ao panteísmo verbal e depois usa uma linguagem que incorpora as mais curiosas concepções antropomórficas.

A Divindade, por exemplo, é considerada como "exalando a Si mesma na vastidão", e como o "todo da substância quanto ao Ser, e o todo da Forma e dos movimentos, quanto à Verdade". Mais adiante, "ele" é descrito como um organismo aparentemente gigantesco: "Sua forma... . . . é a Humana, o humano dual". O "todo das Formas" e condições, meramente um enorme hermafrodita? Por que não um macaco ou um elefante, ou, melhor ainda, um mosaico montado a partir de todos os diferentes tipos orgânicos? É antifilosófico considerar tal coisa como o "Todo das formas", se ela apenas reproduz a organização humana, embora possa ser estritamente teológico.

Em outro lugar, o escritor fala dessa criatura anômala — o "Todo Pai-Mãe" — como "inimaginável". Após alusões à função de suas células orgânicas, sua organização humana, sua substância e relação com o Universo, etc., esse epíteto parece suficientemente desconcertante.

Também nos é assegurado que "o que chamamos de universo evoluído é a Divindade em sua última ou derradeira forma". Terá a Divindade, então, várias formas ou estados? Obviamente sim, se nosso crítico a está identificando com plano após plano dessa maneira resumida.

Tal interpretação resultaria, no entanto, na destituição do grande Hermafrodita, a única forma que a Divindade patrocina, segundo seu atual biógrafo.

Todo argumento baseado na ideia de atribuir à Divindade qualidades como “forma, tamanho, número e movimento” é necessariamente inútil.

Ignora por completo a distinção entre Substância e Atributo.

Observe também objeções tão óbvias como as seguintes:—(1) Se a Divindade é uma forma, não pode ser Infinita, pois forma implica uma linha divisória em algum lugar.

(2) Se a Divindade pode ser numerada, o politeísmo é uma verdade.

(3) Se possui tamanho, não é mais

NOTAS DIVERSAS

Absoluta, sendo o tamanho uma noção relativa derivada dos fenômenos.

(4) O movimento, novamente, envolve limitação, na medida em que significa apenas a passagem de um objeto pelo espaço.

A Divindade, se infinita, não pode ter nada a percorrer, e assim por diante, com contradições semelhantes.

Nosso crítico objeta ser classificado entre os pensadores materialistas; infelizmente para ele, são seus próprios escritos que o denunciam como tal.

Pois uma Divindade com forma, obviamente, possui todas as qualidades que constituem a matéria, a saber: extensão no espaço, forma, tamanho, etc.

Deve até possuir a cor, para ser distinguível de outros objetos de percepção, segundo ele! Onde então devemos parar?      As concepções do Sr. Hunter são, de fato, tão extremamente não espirituais que superam em muito, em “materialismo”, as declarações dos agnósticos mais “avançados”, que, ao menos, compreendem um fato, a saber:—que o reino da matéria e o reino da mente não podem ser misturados ao acaso.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                                  Julho,

NOTAS DIVERSAS                                   [Lucifer, Vol.

II, No. 11, Julho, 1888, pp. 393, 415]    Abhiñña—as seis faculdades transcendentes obtidas pelos Iogues ou Arhats, após as quais vêm os Iddhi, os poderes sobrenaturais.

––––––––––    [em referência à afirmação de um escritor de que o estado devachânico “. . . . é puramente um estado de bem-aventurança, no qual o homem recebe compensação pela miséria imerecida de sua vida passada.”]

Muito correto; mas não são a injustiça ou os erros do Karma que são as causas de tal “miséria imerecida”, mas outras causas, independentes do Karma passado tanto do produtor quanto da vítima inocente de seus efeitos, novas ações geradas pela maldade dos homens e das circunstâncias; e que despertam a lei kármica para nova atividade, ou seja, a punição daqueles que causaram esses novos Nidânas (ou conexões causais), e a recompensa daquele que sofreu com eles imerecidamente.

Escritos Reunidos VOLUME X Julho, PSICOLOGIA DO EGITO ANTIGO


(Notas importantes)

[Le Lotus, Paris, Vol. III, No. 16, julho de 1888, pp. 202-206]

No No. 14 do Lotus [maio, 1888, p. 105] encontra-se um artigo de Franz Lambert traduzido do Sphinx, contendo a passagem seguinte, transcrição de uma tabuleta que representa a chegada do defunto:

Vê-se ali o defunto lavrando os Campos Elísios, semeando-os e colhendo. O trigo tem ali 7 côvados de altura, as espigas têm 3 e a palha 4. Sobre a colheita ele retira uma oferenda para Hapi, o deus da abundância, etc.

Sublinhei os erros, e eis por quê: no Livro dos Mortos, cap. CIX, versículos 4 e 5, o defunto se expressa assim:

Conheço este campo de Aanrou com recinto de ferro, cujo trigo tem sete côvados de altura: sua espiga tem três côvados, sua haste tem quatro, etc.

Hapi não é o deus da abundância. Quando o encontramos numa cerimônia em que a múmia desempenha o papel principal, ele é um dos Gênios funerários. Hapi personifica a água terrestre ou o Nilo em seu papel primordial, assim como Noun personifica a água celeste. Ele é um dos “Sete Luminosos” que acompanham Osíris-Sol.

No capítulo XVII [versículos e 39] do Livro dos Mortos está dito: “Os Sete Luminosos são Amset, Hapi, Tiaumautef, Kebhsennouf, Maa-tef-f, Ker-bek-f, Har-khent-an-mer-ti; Anúbis os colocou como protetores do sarcófago de Osíris [o Sol durante o eclipse e a noite]”. Hapi, como Amset que o precede, é um gênio psicopompo (Mercúrio), que recebe sete dons de Osíris-Sol, talvez porque Mercúrio recebe sete vezes mais luz do Sol do que a Terra.

–––––––––– Os Sete Espíritos Planetários. ––––––––––

PSICOLOGIA DO EGITO ANTIGO — Na hierarquia celeste dos Arcanjos da presença, ou "os Sete Olhos do Senhor", Hapi e Amset correspondem a Gabriel, o Mensageiro, e a Miguel, o patrono de todos os golfos e promontórios, que ambos personificam a água terrestre, assim como Hapi.

Alguns de nossos piedosos amigos exclamarão aqui.

Dirão: Gabriel e Miguel não são deuses psicopompos; este último é o Arquistratego, o general em chefe do exército do Senhor, o Vencedor do Dragão-Satanás, o Victor diaboli, enquanto Gabriel é o "Fortitudo Dei" e seu Mensageiro.

Perfeitamente.

Acrescentarei até que Miguel é o Quis ut Deus, se isso lhes agrada.

Isso não impede que ambos sejam, por sua vez, o nosso Hapi e o nosso Amset egípcios.

Pois este Hapi, este "olho do sol", sua chama, é o chefe "dos divinos chefes", que com outros seis acompanha Osíris-Sol "para queimar as almas de seus inimigos" e que mata o grande Inimigo, a sombra de Tifão-Set, ou seja, o Dragão.

A Igreja Católica chama esse septenário de NL8"6J0l, guardião vigilante, porque é precisamente esse o seu nome no Livro dos Mortos, sendo os "Sete Luminosos" os guardiões do sarcófago de Osíris.

Vejam antes o marquês de Mirvillè, que se vangloria disso em sua Memória à Academia.

Mas não se trata precisamente aqui de Amset ou de Hapi, e podemos deixar por um instante Gabriel e Miguel em seus respectivos planetas.

O que está em questão são as notas interessantes de Ch. Barlet.

Ele chama a atenção do leitor para "as inúmeras concordâncias" que o referido artigo apresenta com as doutrinas dos teosofistas.

Ele dá alguns exemplos, mas deixa passar um dos mais notáveis.

Refiro-me aos versículos citados do Livro dos Mortos, concernentes ao defunto no campo de Aanrou.

Este capítulo é a mais brilhante corroboração dos sete princípios do homem que se pode encontrar na religião esotérica do antigo Egito.

O leitor é prevenido para não buscar essas analogias ou concordâncias entre os dois sistemas esotérico e

––––––––––       Livro dos Mortos, cap.

XVII, versículo 37, –––––––––– exotérico nas traduções de nossos orientalistas.


Pois esses senhores têm o hábito de colocar mais fantasia do que verdade em suas interpretações.

Dirijamo-nos antes à Cabala.

Lá, o sistema septenário nos oferece a seguinte tabela:

Os Sete mundos ou planos do kosmos visível — O restante é inútil.

Dou apenas os três primeiros mundos com seus Anjos e seus Planetas correspondentes às sete letras divinas.

Os nomes dos Anjos, exceto os dois primeiros, são substitutos; aliás, eles se intercambiam entre si e com os planetas.

Só Gabriel permaneceu fiel ao seu Mercúrio, embora, por razões bem conhecidas, a Igreja atribua hoje a Gabriel o planeta Júpiter.

Miguel oscila entre o Sol e a Lua.

Mas como esses dois planetas eram, no esoterismo egípcio, os olhos do Senhor — o Sol sendo o olho de Osíris durante o dia, e a Lua, o olho de Osíris durante a noite — eles são intercambiáveis.

Partindo daí, será fácil compreender o resto.

O campo de Aanrou é o Devachan.

O trigo semeado e colhido pelo defunto e que tem sete côvados de altura representa o karma semeado e colhido pelos sete princípios

–––––––––– O pequeno escândalo produzido no século VIII pelo feiticeiro-bispo Adalberto da Baviera, que comprometeu o pobre Uriel.

––––––––––

PSICOLOGIA DO EGITO ANTIGO

do morto durante sua vida.

A espiga que tem três côvados é o trinário superior (Atma, Buddhi e o aroma de Manas), ou o triângulo superior.

Os quatro côvados (a haste ou a palha) são os quatro princípios inferiores (kama rupa, o corpo astral, o princípio vital, o vital), representados pelo quadrado.

Ora, o homem sempre foi figurado nos símbolos geométricos, assim:

–––––––––– Os leitores que acompanharam atentamente o ensino dado por O Lótus compreenderão facilmente todas essas coisas e as que se seguem; quanto aos outros, só podemos dar-lhes o conselho de ler O Lótus desde o começo (N. da Direção). ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

No Egito era o tau simbólico, a cruz ansada:

Esta é a representação do homem.

O círculo ou a ansa que sobrepõe o tau é uma cabeça humana.

É o homem crucificado no espaço de Platão, ou o Wittoba dos hindus (Ver Moor's Hindoo Pantheon). Em hebraico, a palavra homem se traduz por Anosh, e, como diz Seyffarth, esse signo

"representa, creio, o crânio com o cérebro, sede da alma, e os nervos que se estendem até a espinha dorsal, as costas, os olhos ou os ouvidos.

Com efeito, a pedra de Tanis o traduz constantemente por anthropos (homem), e essa palavra, escrita alfabeticamente em egípcio, é ank."

Em copta, é também *ank*, *vita*, ou melhor *anima*, o que corresponde ao *anosh*, :&1!, dos hebreus, significando precisamente *anima*.

:&1! é o primitivo +&1! para "1! (o pronome pessoal "eu"). *Anki*, em egípcio, traduz-se: "minha alma". É interessante que Seyffarth traduz numericamente *Anosh*, esse equivalente hebreu para o homem, por 365—1, o que poderia significar 365+1=366, ou bem 365—1=364, ou as fases dos tempos do ano solar, mostrando assim suas relações astronômicas.

–––––––––– Lembremos aos leitores que na cabala se deve ter em conta o valor numérico das letras: : ou *sh* vale 3; & ou *o* vale 6, etc.

Pedimos perdão aos cabalistas por esta nota um pouco ingênua, mas fazemos o possível para ser claros diante dos leitores que são novatos nessas coisas (Nota da Direção). J. Ralston Skinner, *Source of Measures*, p. 53. ––––––––––

PSICOLOGIA DO EGITO ANTIGO

Vemos, portanto, que o ano solar, ou melhor, o número de seus dias, corresponde ao homem setenário, ou duas vezes setenário, pois temos o homem psíquico com sete princípios ou planos etéreos e o homem físico cuja divisão é a mesma, o que faz 14 e corresponde aos três algarismos 3, 6, 5, = 14. Vejamos se o olho noturno de Osíris, a lua ou o símbolo do Javé hebreu, corresponde a isso.

É dito em um manuscrito não publicado e muito cabalístico:

Os antigos sempre fizeram um uso misterioso dos números 3 e 4, componentes do número 7. Uma das principais propriedades desse algarismo assim dividido é que, se multiplicarmos 20612 por 4/3, o produto nos dará uma base para a determinação da revolução média da lua, e se multiplicarmos ainda esse produto por 4/3, teremos uma base para encontrar o período exato do ano solar médio.

Agora, examine bem a cruz ansada esotérica dos egípcios.

A cruz é o cubo desdobrado, cujas seis faces nos dão o setenário, pois temos 4 em linha vertical e 3 em linha horizontal, o que faz 7, sendo a célula do meio comum às duas linhas.

O 4 e o 3 são os números mais esotéricos, pois 7 é o número da vida, o número da própria natureza, como é fácil provar reportando-se aos reinos vegetal e mineral.

é o espírito; 4 é a matéria.

Mas no símbolo em questão, que é puramente fálico, pois representa o homem vivo e setenário, é o que corresponde à linha masculina; é, de fato, o Tetragrammaton, a Tétraktys no plano inferior, o “Homem celestial” ou Adam Kadmon, o macho-fêmea (isto é, Jah-vah ou

––––––––––       Este número é o numerador de 20612/6561, do qual se extrai o número 7r, relação do diâmetro à circunferência (Nota da Direção).       [De um manuscrito até então inédito de J. Ralston Skinner nos Arquivos de Adyar, informações abrangentes sobre o qual podem ser encontradas no Vol.

VIII, pp. 219-20 (Nota 6) na presente Série.

—Compilador.] –––––––––– 54                            BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Jeová); ou ainda Chochma e Binah (a Sabedoria e a Inteligência, o divino Hermafrodita), em nosso plano cósmico e terrestre.

A linha horizontal das três superfícies do cubo é o princípio feminino.

É Jeová-Eva da raça pré-adâmica, que, como Brahmâ-Vâch, se separa em dois sexos.

Essa Eva, que foi a Sophia ou o Espírito Santo dos Gnósticos, deu nascimento a Caim-Abel, o macho e a fêmea na terra, na raça de Adão (Ver em A Doutrina Secreta, minhas Notas sobre Caim e Abel).     Uma vez no outro mundo, os princípios constitutivos do defunto se separam da seguinte maneira: 1, o princípio vital deixa o corpo; 2, o corpo se dissolve; o espírito astral se evapora com o último átomo físico.

Resta do quaternário inferior o Kama rupa, isto é, o perispírito do homem animal.

Quanto ao ternário superior, ele deixa o quaternário inferior; e o Espírito com seu veículo, a Alma divina, acompanhados do aroma espiritual do manas, reunidos na Unidade do Ego imortal, encontram-se no estado feliz de Devachan.

O perispírito (alma animal) não conserva da parte inferior do manas (alma humana) senão apenas o suficiente de instinto para procurar médiuns para vampirizar.

Seu destino é evaporar-se um dia.

Enquanto isso, ele só vive da vida e da inteligência dos vivos (médiuns e crentes), que são fracos o bastante para se deixarem possuir: é, portanto, uma miserável vida de empréstimo.

E eis o que significam os 3 côvados das espigas e os 4 côvados da haste do trigo que cresce nos Campos de Aanrou.

H. P. BLAVATSKY.

––––––––––      Veja «o Evangelho apócrifo (?) dos Hebreus», onde o autor faz Jesus dizer: «Minha Mãe, o Espírito Santo, tomou-me por um cabelo da cabeça e transportou-me ao monte Tabor». Traduzo o original.

[Esta passagem é citada por Orígenes em seu Comentário ao Evangelho de João, Tomo II, p. 64, assim: “Agora me tomou minha Mãe, o Espírito Santo, por um dos meus cabelos, e me levou ao grande monte Tabor.” — Compilador.] ––––––––––                         Obras Completas, VOLUME X                                                Julho,

PSICOLOGIA DO ANTIGO EGITO

PSICOLOGIA DO ANTIGO EGITO

(Notas Importantes)

[Le Lotus, Paris, Vol. III, No. 16, julho de 1888, pp. 202-206]

[Tradução do texto original francês acima.]

No No. 14 de Le Lotus [maio de 1888, p. 105] encontrará um artigo de Franz Lambert, traduzido do Sphinx, contendo a seguinte passagem, uma transcrição de uma tabuinha que representa a chegada do falecido:     “Aqui vemos o falecido trabalhando nos Campos Elísios, semeando e colhendo.

A cevada ali tem 7 côvados de altura, as espigas 3, e a palha 4. Da colheita ele separa uma oferenda para Hapi, o deus da abundância, etc.”      Sublinhei os erros, e por esta razão: no Livro dos Mortos, Cap. CIX, versículos 4 e 5, o falecido expressa-se da seguinte forma:     “Conheço este campo de Aanru com um recinto de ferro; sua cevada tem sete côvados de altura: sua espiga tem três côvados, seu talo quatro, etc.”      Hapi não é o deus da abundância.

Quando é encontrado numa cerimônia em que a múmia desempenha o papel principal, ele é um dos Gênios funerários.

Hapi personifica o

––––––––––       [Esta passagem é citada da segunda parte de um ensaio de Franz Lambert sobre a “Psicologia do Antigo Egito”, que originalmente apareceu em alemão nas páginas do Sphinx, uma revista publicada em Leipzig, Alemanha, pelo Dr. William Hübbe-Schleiden.

Seu título original era “Die altägyptische Seelenlehre”, e uma tradução francesa do mesmo apareceu em Le Lotus, o Jornal mensal do Ramo “Isis” da S.T. em Paris, e pode ser encontrada no Vol. III, abril, maio e junho de 1888. Contém, entre outros assuntos de grande interesse, uma comparação das divisões egípcia e cabalística da constituição do homem.—Compilador.]       [Parece haver alguma incerteza sobre os versículos do Capítulo CIX aos quais H.P.B. se refere ao fazer sua citação.]

Na tradução inglesa de Sir E. A. Wallis Budge da Recensão Tebana do Livro dos Mortos (2ª ed., rev. e ampl., 3ª impressão, Londres, Kegan Paul, Trench, Trübner & Co., e Nova York, E.P. Dutton & Co., 1928), este assunto é tratado nos versículos 7 e 8 do Capítulo CIX (página 318 da obra). Citamos o texto de Budge, para benefício dos estudantes: –––––––––– Ele é um dos “Sete Luminosos” que acompanham Osíris-Sol. No Cap. XVII, versículos 38 e 39, do Livro dos Mortos, diz: “Os Sete Luminosos são Amset, Hapi, Tiaumautef, Kebhsennouf, Maa-tef-f, Ker-bek-f, Harkhent-an-mer-ti; Anúbis os colocou como protetores do sarcófago de Osíris [o Sol durante o eclipse e à noite].” Hapi, como Amset que o precede, é um gênio psicopompo (Mercúrio), que recebe sete dons de Osíris-Sol, talvez realmente porque Mercúrio recebe sete vezes mais luz do Sol do que a Terra. Na hierarquia celestial dos Arcanjos da presença, ou “os Sete Olhos do Senhor”, Hapi e Amset correspondem a Gabriel, o Mensageiro, e a Miguel, o patrono de todos os golfos e promontórios, que ambos, como Hapi, personificam a água terrestre.


Alguns de nossos piedosos amigos protestarão contra isso. Eles dirão: Gabriel e Miguel não são deuses psicopompos; este último é o Arquistratega, o comandante-em-chefe do exército do Senhor, o Conquistador do Dragão-Satã, o Victor diaboli, enquanto Gabriel é a “Fortitudo Dei” e seu Mensageiro. Precisamente. Acrescentarei até que Miguel é o Quis ut Deus, se isso os deixa felizes. Isso não impede que ambos sejam, por sua vez, nossos egípcios Hapi e Amset. Porque este Hapi, este “Olho do Sol”, sua chama, é o chefe “dos chefes divinos” que, com seis outros, acompanha Osíris-Sol “para queimar as almas de seus inimigos” e que mata o grande Inimigo,

–––––––––– “. . . . Eu, mesmo eu, conheço o Sekhet-Aarru de (7) Rá, cujas muralhas são de ferro. A altura do trigo ali é de cinco côvados, das espigas, dois côvados, e dos talos, três côvados. (8) A cevada ali é [em altura] de sete côvados, as espigas são de três côvados, e os talos são de quatro côvados. . . . .” Não há menção a Hapi nesta Recensão.

É portanto possível que outra Recensão, como a Saíta, possa ter sido a intencionada.—Compilador.] Os Sete Espíritos Planetários.

O Livro dos Mortos, Cap.

XVII, versículo 37. ––––––––––

PSICOLOGIA DO ANTIGO EGITO

a sombra de Typhon-Set; em outras palavras, o Dragão.

A Igreja Católica chama a este septenário NL8"6J0l, guardião vigilante, porque esse é precisamente o seu nome no Livro dos Mortos, sendo os "Sete Luminosos" os guardiões do Sarcófago de Osíris.

Vejam vocês mesmos no Mémoire à l'Académie do Marquês de Mirville, onde ele se vangloria disso. Mas a questão em pauta não é exatamente Amset ou Hapi, e podemos deixar Gabriel e Miguel em seus respectivos planetas por um momento.

A questão real recai sobre algumas notas interessantes de Charles Barlet.

Ele chama a atenção do leitor para "as inúmeras concordâncias" que o referido artigo apresenta com as doutrinas dos Teosofistas.

Ele dá alguns exemplos, mas omite um dos mais notáveis.

Refiro-me aos versículos citados do Livro dos Mortos, concernentes ao falecido no campo de Aanru.

Este capítulo é a mais brilhante corroboração dos sete princípios do homem que se pode encontrar na religião esotérica do antigo Egito.

O leitor é advertido a não procurar essas analogias ou concordâncias entre os dois sistemas, esotérico e exotérico, nas traduções de nossos orientalistas.

Pois esses senhores estão acostumados a colocar mais fantasia do que verdade em suas interpretações.

Recorramos antes à Cabala.

O sistema septenário nela nos oferece a seguinte tabela:

Os Sete mundos ou planos do cosmos visível O resto é inútil.


Dou apenas os três primeiros mundos com seus Anjos e seus Planetas correspondentes às sete letras divinas.

Os nomes dos Anjos, além dos dois primeiros, são substitutos; são, além disso, intercambiáveis entre si e com os planetas.

Gabriel sozinho permaneceu fiel ao seu Mercúrio, embora, por razões muito bem conhecidas, a Igreja hoje atribua Júpiter a Gabriel como seu planeta.

Miguel oscila entre o Sol e a Lua.

Mas como esses dois planetas eram, no esoterismo egípcio, os Olhos do Senhor—o Sol sendo o olho de Osíris de dia, e a Lua o olho de Osíris de noite—eles são intercambiáveis.

Partindo disso, o resto será fácil de entender.

O campo de Aanru é Devachan.

O trigo semeado e colhido pelo falecido, e que tem sete côvados de altura, representa o karma semeado e colhido pelos sete princípios do morto durante sua vida.

A espiga de três côvados é a tríade superior (Âtman, Buddhi e o aroma de Manas) ou o triângulo superior:

––––––––––     O pequeno escândalo produzido no século VIII pelo Feiticeiro-Bispo Adalberto da Baviera, que comprometeu o pobre Uriel.

Os leitores que acompanharam atentamente o ensinamento dado em Le Lotus compreenderão facilmente todas essas coisas e as que se seguem; quanto aos demais, podemos aconselhá-los a ler Le Lotus desde o início (Editor, Le Lotus). ––––––––––

PSICOLOGIA DO ANTIGO EGITO

Os quatro côvados (a haste ou palha) são os quatro princípios inferiores (kâma-rûpa, o corpo astral, o princípio vital, o homem vital), representados pelo quadrado.

Pois o homem sempre foi assim representado em símbolos geométricos:

No Egito, era o tau simbólico, a cruz ansada:

Esta é a representação do homem.

O círculo ou alça que coroa o tau é uma cabeça humana.

É o homem crucificado no espaço de Platão, ou o Wittoba dos hindus (Ver 60                             BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Hindoo Pantheon, de Edward Moor). Em hebraico, a palavra homem é traduzida por Anosh, e, como diz Seyffarth:

“Representa, como agora creio, o crânio com os cérebros, a sede da alma, e com os nervos que se estendem à espinha, às costas e aos olhos ou ouvidos.

Pois a pedra de Tanis o traduz repetidamente por anthropos (homem), e essa mesma palavra é escrita alfabeticamente (egípcio) ank.

Daí temos o copta ank, vita, propriamente anima, que corresponde ao hebraico :$1!, anosh, significando propriamente anima.

Este :&1! é o primitivo +&1! para "1! (o pronome pessoal Eu). O egípcio Anki significa minha alma.”     É curioso que esse equivalente hebraico, Anosh, para “homem”, segundo o Sr. Seyffarth, leia numericamente 365—1, o que poderia significar 365 + 1=366, ou 365—1=364, ou as fases temporais do ano solar, assim sugerindo a conexão astronômica.

Vemos, então, que o ano solar, ou antes o número de seus dias, encontra-se em correspondência com o homem setenário, ou duas vezes setenário, pois temos o homem psíquico de sete princípios ou planos etéricos, e o homem físico cuja divisão é a mesma.

Isso perfaz 14 e corresponde aos três dígitos 3, 6, 5=14. Vejamos se o olho noturno de Osíris, a Lua ou o símbolo do Jeová hebraico, corresponde a isso.

Diz-se em um manuscrito inédito e muito cabalístico:

“Os Antigos sempre fizeram uso misterioso dos números 3 e 4, compondo o número 7. Uma das principais propriedades desse número assim dividido é que, se multiplicarmos 20612 por 4/3, o produto nos dará uma base para a determinação da revolução média da Lua, e se multiplicarmos esse produto novamente

––––––––––       [A prancha na obra de Edward Moor a que se refere é reproduzida no Volume VII, p. 296, da presente Série.—Compilador.]       Lembramos aos nossos leitores que na Cabala devemos observar o valor numérico das letras: : ou sh equivale a 3, & ou o equivale a 6, etc.

Pedimos perdão aos cabalistas por esta nota um tanto ingênua, mas estamos fazendo o nosso melhor para torná-la clara para leitores que são novatos em tais assuntos (Editor, Le Lotus).       [J. R. Skinner, Source of Measures, p. 53.]       Este número é o numerador de 20612/6561 que dá B, a relação do diâmetro com a circunferência (Editor, Le Lotus). ––––––––––

PSICOLOGIA DO ANTIGO EGITO

por J teremos uma base para encontrar o período exato do ano solar médio.”

Agora, examine bem a cruz ansata esotérica dos egípcios.

A cruz é o cubo desdobrado cujas seis faces nos dão o setenário, pois temos 4 em uma linha vertical e 3 em uma linha horizontal, o que perfaz 7, sendo o espaço central comum a ambas as linhas.

O 4 e o 3 são os números mais esotéricos, porque 7 é o número da vida, o número da própria natureza, como é fácil provar em relação aos reinos vegetal e animal.

é espírito; é matéria.

Mas no símbolo em questão, que é puramente fálico, pois representa o homem vivo e setenário, é o 4 que corresponde à linha masculina; é, de fato, o Tetragrama, a Tetraktys no plano inferior, “o Homem celestial” ou Adam-Kadmon, o macho-fêmea (isto é, Javé ou Jeová); ou ainda Chochma e Binah (sabedoria e inteligência, o Hermafrodita divino), em nosso plano cósmico e terrestre.

A linha horizontal das três faces do cubo é o princípio feminino.

É Jeová-Eva da raça pré-adâmica, que, como Brahmâ-Vâch, é separada em dois sexos.

Esta Eva, que era a Sophia ou o Espírito Santo dos gnósticos, deu à luz Caim-Abel, o macho e a fêmea na terra da raça de Adão.

(Ver minhas notas sobre Caim e Abel em A Doutrina Secreta.)

––––––––––       [De um MS até então inédito de J. Ralston Skinner nos Arquivos de Adyar, informações abrangentes sobre o qual podem ser encontradas no Vol.

VIII, pp. 219-20 (Nota 6) da presente Série.

—Compilador.]       Ver “O Evangelho (?) Apócrifo dos Hebreus,” onde o autor faz Jesus dizer: “Minha Mãe, o Espírito Santo, tomou-me por um cabelo de minha cabeça e transportou-me ao Monte Tabor.” Traduzo do original.

[Vide nota de rodapé do Compilador na p. 54.]  [É algo incerto quais passagens particulares em sua obra magna H.P.B. tinha em mente ao fazer esta declaração.

Deve-se ter em mente que quando este artigo foi escrito, A Doutrina Secreta ainda não havia sido publicada, e é bem possível que outras mudanças tenham sido feitas nos MSS desta obra após julho de 1888. No entanto, a parte final da página 127, no Volume II de A Doutrina Secreta, guarda estreita analogia com o assunto em discussão.

Consulte o Índice desta obra para as muitas outras referências a Caim e Abel.—Compilador.] –––––––––– –––––––––– Uma vez no outro mundo, os princípios que constituem o defunto separam-se assim: 1, o princípio vital deixa o corpo; 2, o corpo se dissolve; o espírito astral evapora-se com o último átomo físico.


Do quaternário inferior, resta o Kâma-rûpa, i.e., o perispírito do animal humano.

Quanto à tríade superior, ela deixa o quaternário inferior; e o Espírito com seu veículo, a alma divina, acompanhado pelo aroma espiritual de manas, reunidos na Unidade do Ego imortal, encontram-se no feliz estado de Devachan.

Da parte inferior de manas (alma humana), o perispírito (alma animal) preserva apenas instinto suficiente para buscar e vampirizar médiuns.

Seu destino é evaporar-se mais tarde. Até então, existe meramente da vida e inteligência dos vivos (médiuns e crentes) que são fracos o bastante para permitirem ser possuídos; é assim apenas uma vida miserável e emprestada.

E é isto o que se quer dizer com os 3 côvados da orelha e os 4 côvados do talo do trigo que cresce nos Campos de Aanru.

H. P. BLAVATSKY.

[Informações valiosíssimas, não facilmente acessíveis de outro modo, sobre as ciências ocultas no antigo Egito, podem ser encontradas em dois outros ensaios da pena de Franz Lambert: “Hypnotismus und Electrizität im alten Ägypten” (Sphinx, Vol.

V, janeiro de 1888; trad.

para o inglês em The Theosophist,    Vol.

XIV, dezembro, 1892, pp. 161-171, com desenhos interessantes), e "Weisheit der Ägypter" (ibid., Vol. VII, jan., fev., abril e junho, 1889). O artigo de Georgia Louise Leonard, no Open Court (setembro e outubro, 1887), sobre "As Ciências Ocultas nos Templos do Antigo Egito", também é repleto de dados interessantes.—Compilador.] Escritos Reunidos VOLUME X Agosto,

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

A SOCIEDADE TEOSÓFICA: SUA MISSÃO E SEU FUTURO

CONFORME EXPLICADO POR M. ÉMILE BURNOUF, O ORIENTALISTA FRANCÊS

[Lucifer, Vol. II, No. 12, agosto, 1888, pp. 421-433]

É culpa de outrem se ele é ingrato; mas é minha se eu não der.

Para encontrar um homem grato, obrigarei muitos que não o são.

SÊNECA.

. . . . . . . . . O véu está rasgado Que me cegava! Sou como todos estes homens Que clamam aos seus deuses e não são ouvidos, Ou não são atendidos—mas deve haver auxílio! Para eles e para mim e para todos deve haver socorro! Talvez os deuses precisem eles próprios de ajuda, Sendo tão fracos que quando lábios tristes clamam Não podem salvar! Eu não deixaria ninguém clamar A quem eu pudesse salvar! . . . ." A Luz da Ásia, fim do Livro III.

Raramente foi a boa fortuna da Sociedade Teosófica encontrar tratamento tão cortês e até mesmo simpático quanto o que recebeu das mãos de Émile Burnouf, o renomado sânscritista, em um artigo na Revue des Deux Mondes (Vol. 88, 15 de julho de 1888)—"Le Bouddhisme en Occident."

–––––––––– [Curiosamente, os comentários de Émile Burnouf sobre a Sociedade Teosófica e seu trabalho no mundo foram traduzidos para o inglês e publicados pelo Cel. H. S. Olcott como artigo principal no número de outubro de The Theosophist, quase ao mesmo tempo em que H.P.B. inseria seu próprio ensaio nas páginas de Lucifer. Ao revisar o número de agosto de 1888 de Lucifer, o Coronel disse: "Por uma curiosa coincidência, o número em revisão começa, como faz a nossa própria Revista deste mês, com uma tradução de parte do cortês e simpático artigo de É. Burnouf sobre a Sociedade Teosófica."

Não tivesse a parte anterior de nossa edição sido composta antes da chegada de Lucifer, teríamos acrescentado alguns dos comentários de Madame Blavatsky na forma de notas de rodapé para o benefício de nossos leitores; mas sendo isso agora impossível, anexamos algumas das observações mais importantes em –––––––––– 64                             BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Tal artigo prova que a Sociedade finalmente assumiu seu lugar legítimo na vida do pensamento do século XIX.

Ele marca o amanhecer de uma nova era em sua história e, como tal, merece a mais cuidadosa consideração de todos aqueles que dedicam suas energias ao seu trabalho.

A posição de Émile Burnouf no mundo dos estudos orientais dá direito a que suas opiniões sejam respeitadas; enquanto seu nome, o de um dos primeiros e mais justamente honrados sânscritistas (o falecido Eugène Burnouf), torna mais que provável que um homem com tal nome não fará declarações precipitadas nem tirará conclusões prematuras, mas que suas deduções serão baseadas em estudo cuidadoso e preciso.

Seu artigo é dedicado a um tríplice assunto: as origens de três religiões ou associações, cujas doutrinas fundamentais É. Burnouf considera idênticas, cujo objetivo é o mesmo, e que derivam de uma fonte comum.

São elas o Budismo, o Cristianismo e—a Sociedade Teosófica.

Como ele escreve, página 341:—

. . . . Esta fonte, que é oriental, foi até agora contestada; hoje foi plenamente trazida à luz pela pesquisa científica, notavelmente pelos cientistas ingleses e pela publicação de textos originais.

Entre esses perspicazes examinadores, basta nomear Sayce, Poole, Beal, Rhys-David, Spence Hardy, Bunsen.

. . . . . Faz muito tempo, de fato, desde que foram impressionados por semelhanças, digamos antes, elementos idênticos, oferecidos pela religião cristã e a de Buda.

. . . Durante o último século, essas analogias foram explicadas por uma pretensa influência nestoriana; mas desde então a cronologia oriental foi estabelecida, e foi mostrado que Buda era anterior por vários séculos a Nestório, e até mesmo a Jesus Cristo.

. . . O problema permaneceu em aberto até o dia recente em que os caminhos seguidos pelo Budismo foram reconhecidos, e as etapas traçadas em seu percurso, finalmente para chegar a Jerusalém.

. . . . E agora vemos

–––––––––– este lugar” (The Theosophist, Vol. X, outubro de 1888, p. 66). Em uma nota de rodapé anexada à tradução, Cel.

Olcott diz também: “. . . . o aparecimento de tal artigo, por tal homem e em tal revista, mostra indubitavelmente que a Sociedade Teosófica já alcançou uma posição no mundo do pensamento ocidental que seus mais ardentes partidários dificilmente poderiam ainda esperar, considerando as tremendas forças contra as quais ela tem de lutar.”—Compilador.] ––––––––––

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

nascida sob nossos olhos, uma nova associação, criada para a propagação no mundo dos dogmas budistas.

É deste tríplice assunto que trataremos.

É sobre esta, em certo grau errônea, concepção dos objetivos e fins da Sociedade Teosófica que se baseiam o artigo de É. Burnouf, e as observações e opiniões que dele decorrem.

Ele dá uma nota falsa desde o início, e prossegue nessa linha.

A S.T. não foi criada para propagar qualquer dogma de qualquer igreja exotérica e ritualística, seja budista, bramanista ou cristã.

Essa ideia é um erro generalizado e comum; e a do eminente sânscritista se deve a uma fonte evidente que o induziu ao erro.

É. Burnouf leu em *Le Lotus*, o jornal da Sociedade Teosófica de Paris, uma correspondência polêmica entre um dos Editores de *Lucifer* e o Abade Roca.

Este último persistindo—muito imprudentemente—em conectar a teosofia com o papismo e a Igreja Católica Romana—que, de todas as religiões dogmáticas do mundo, é a que seu correspondente mais abomina—a filosofia e a ética de Gautama Buda, não sua igreja posterior, seja do norte ou do sul, foram ali proeminentemente apresentadas.

O referido Editor é inegavelmente um budista—isto é, um seguidor da escola esotérica da grande “Luz da Ásia”, e assim também é o Presidente da Sociedade Teosófica, o Coronel H.S. Olcott.

Mas isso não prende o corpo teosófico como um todo ao budismo eclesiástico.

A Sociedade foi fundada para se tornar a Fraternidade da Humanidade—um centro, filosófico e religioso, comum a todos—não como uma mera propaganda do budismo.

Seus primeiros passos foram direcionados para o mesmo grande objetivo que É. Burnouf atribui a Buda ®akyamuni, que “abriu sua igreja a todos os homens, sem distinção de origem, casta, nação, cor ou sexo” (Vide Art. I nas Regras da S.T.), acrescentando, “Minha lei é uma lei de Graça para todos.” Da mesma forma, a Sociedade Teosófica está aberta a todos, sem distinção de “origem, casta, nação, cor ou sexo”, e o que é mais—de credo.

Os parágrafos introdutórios deste artigo mostram quão verdadeiramente o autor apreendeu, com esta exceção, dentro do âmbito de poucas linhas, a ideia de que todas as religiões têm uma base comum e brotam de uma única raiz.


Após dedicar algumas páginas ao Budismo, à religião e à associação de homens fundada pelo Príncipe de Kapilavastu; ao Maniqueísmo, mal denominado "heresia", em sua relação tanto com o Budismo quanto com o Cristianismo, ele conclui seu artigo com—a Sociedade Teosófica.

Ele conduz a esta última traçando (a) a vida de Buda, demasiado conhecida do público de língua inglesa através do magnífico poema de Sir Edwin Arnold para necessitar de recapitulação; (b) mostrando em poucas palavras breves que o Nirvana não é aniquilação; e (c) que os gregos, romanos e até mesmo os brâmanes consideravam o sacerdote como o intermediário entre os homens e Deus, uma ideia que envolve a concepção de um Deus pessoal, distribuindo seus favores segundo seu próprio bom prazer—um soberano do universo, em suma.

As poucas linhas sobre o Nirvana devem encontrar lugar aqui antes que a última proposição seja discutida.

Diz o autor:

Não é minha tarefa aqui discutir a natureza do nirvana.

Direi apenas que a ideia de aniquilação é absolutamente estranha à Índia, que o objetivo de Buda era libertar a humanidade das misérias da vida terrena e de suas reencarnações sucessivas; que, finalmente, ele passou sua longa existência batalhando contra Mâra e seus anjos, a quem ele próprio chamou de Morte e o exército da morte.

A palavra nirvana significa, é verdade, extinção, por exemplo, a de uma lâmpada apagada, mas significa também a ausência de vento.

Penso, portanto, que o nirvana nada mais é senão aquela requies aeterna, aquela lux perpetua que os cristãos também desejam para seus mortos.

. . [p. 343.]

No que diz respeito à concepção do ofício sacerdotal, o autor mostra que ela está inteiramente ausente do Budismo.

Buda não é um Deus, mas um homem que alcançou o supremo grau de sabedoria e virtude.

"Portanto, a metafísica budista concebe o Princípio absoluto de todas as coisas que outras

–––––––––– O fato de que Nirvana não significa aniquilação foi repetidamente afirmado em Ísis sem Véu, onde sua autora discutiu seu significado etimológico conforme dado por Max Müller e outros, e mostrou que o "apagar de uma lâmpada" não implica sequer a ideia de que o Nirvana seja a "extinção da consciência". (Ver Vol. I, p. 290, e Vol. II, pp. 116-117, 286, 320, 566, etc.) ––––––––––

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

religiões chamam Deus, de uma maneira totalmente diferente e não fazem dele um ser separado do universo.” [p. 345.]     O escritor então aponta que a igualdade de todos os homens entre si é uma das concepções fundamentais do Budismo.

Ele acrescenta, além disso, e demonstra que foi do Budismo que os judeus derivaram sua doutrina de um Messias.

Os Essênios, os Terapeutas e os Gnósticos são identificados como resultado dessa fusão do pensamento indiano e semítico, e mostra-se que, ao comparar as vidas de Jesus e Buda, ambas as biografias se dividem em duas partes: a lenda ideal e os fatos reais.

Dessas, a parte lendária é idêntica em ambas; como de fato deve ser do ponto de vista teosófico, uma vez que ambas se baseiam no ciclo iniciático.

Finalmente, essa parte “lendária” é contrastada com a característica correspondente em outras religiões, notavelmente com a história védica de Viśvakarman. Segundo sua visão, foi somente no concílio de Niceia que o Cristianismo rompeu oficialmente com o Budismo eclesiástico, embora ele considere o Credo Niceno simplesmente como o desenvolvimento da fórmula: “o Buda, a Lei, a Igreja” (Buddha, Dharma, Sangha).     Os Maniqueus eram originalmente Samanas ou Śramaṇas, ascetas budistas cuja presença em Roma no terceiro século é registrada por Santo Hipólito.

É. Burnouf explica seu dualismo como referindo-se à dupla natureza do homem—bem e mal—sendo o princípio do mal o Mâra da lenda budista.

Ele mostra que os Maniqueus derivaram suas doutrinas mais imediatamente do Budismo do que o Cristianismo e, consequentemente, uma luta de vida e morte

––––––––––      Essa identidade entre os Logoi de várias religiões e, em particular, a identidade entre as lendas de Buda e Jesus Cristo, foi novamente comprovada anos atrás em Ísis sem Véu, e a lenda de Viśvakarman mais recentemente em Le Lotus e outras publicações teosóficas.

Toda a história é analisada extensamente em A Doutrina Secreta, em alguns capítulos que foram escritos há mais de dois anos.

[A passagem mais provável referida ocorre no Vol.

II, p. 559, embora nenhuma análise extensa deste assunto possa ser rastreada em qualquer lugar.—Compilador.] –––––––––– surgiu entre os dois, quando a Igreja Cristã se tornou um corpo que alegava ser o único e exclusivo possuidor da Verdade.


Esta ideia está em contradição direta com as concepções mais fundamentais do budismo e, portanto, seus adeptos não poderiam deixar de se opor amargamente aos maniqueus.

Foi assim o espírito judaico de exclusividade que armou contra os maniqueus o braço secular dos estados cristãos.

Tendo assim traçado a evolução do pensamento budista da Índia para a Palestina e a Europa, É. Burnouf assinala que os albigenses, por um lado, e a escola paulina (cuja influência é rastreável no protestantismo), por outro, são as duas mais recentes sobrevivências dessa influência.

Ele então continua:—

A análise nos mostra na sociedade contemporânea dois elementos essenciais: a ideia de um Deus pessoal entre os crentes e, entre os filósofos, o desaparecimento quase completo da caridade.

O elemento judaico reassumiu a supremacia, e o elemento budista no cristianismo foi obscurecido.

Assim, um dos fenômenos mais interessantes, senão o mais inesperado, de nossos dias é a tentativa que ora se faz de reviver e criar no mundo uma nova sociedade, assentada sobre os mesmos fundamentos do budismo.

Embora apenas em seus primórdios, seu crescimento é tão rápido que nossos leitores ficarão gratos por ter sua atenção chamada para este assunto.

Esta sociedade ainda está, em certa medida, na condição de uma missão, e sua propagação se realiza silenciosamente e sem violência.

Ela nem sequer tem um nome definitivo, agrupando-se seus membros sob nomes orientais, colocados como títulos de suas publicações: Ísis, Lótus, Esfinge, Lúcifer.

O nome comum a todos que predomina entre eles por ora é o de Sociedade Teosófica.

[p. 366.]

Após dar um relato muito preciso da formação e história da Sociedade — até mesmo do número de seus ramos ativos na Índia, a saber, 135 — ele então continua:—

A sociedade é muito jovem, no entanto já tem sua história . . . Ela não tem dinheiro nem patronos; atua somente com seus próprios recursos eventuais.

Não contém elemento mundano.

. . . Ela não lisonjeia interesse privado ou público.

Ela se propôs um ideal moral de grande elevação, combate o vício e o egoísmo.

Ela tende à unificação das religiões, que considera idênticas em sua origem filosófica; mas reconhece a supremacia da verdade.

. . .

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

Com esses princípios, e no tempo em que vivemos, a sociedade dificilmente poderia impor a si mesma condições de existência mais árduas.

Ainda assim, cresceu com rapidez surpreendente.

. . . [p. 367.]

Tendo resumido a história do desenvolvimento da S.T. e o crescimento de sua organização, o escritor pergunta: "Qual é o espírito que a anima?" A isso ele responde citando os três objetivos da Sociedade, observando com referência ao segundo e ao terceiro deles (o estudo das literaturas, religiões e ciências das nações arianas e a investigação das faculdades psíquicas latentes, etc.), que, embora estes pudessem parecer conferir à Sociedade uma espécie de colorido acadêmico, distante dos assuntos da vida real, na realidade não é esse o caso; e ele cita a seguinte passagem do final do Editorial em *Lucifer*, Vol. I, novembro de 1887, p. 169:—

"Aquele que não pratica o altruísmo; aquele que não está preparado para compartilhar seu último bocado com alguém mais fraco ou mais pobre do que ele; aquele que negligencia ajudar seu irmão homem, de qualquer raça, nação ou credo, sempre e onde quer que encontre sofrimento, e que dá ouvidos surdos ao clamor da miséria humana; aquele que ouve uma pessoa inocente ser caluniada, seja um irmão teosofista ou não, e não empreende sua defesa como empreenderia a sua própria—não é um Teosofista."

. . . . Esta declaração [continua É. Burnouf] não é cristã porque não leva em conta a crença, porque não faz proselitismo para nenhuma comunhão, e porque, de fato, os cristãos geralmente fizeram uso da calúnia contra seus adversários, por exemplo, os maniqueus, protestantes e judeus. É ainda menos muçulmana ou bramânica.

É puramente budista: as publicações práticas da Sociedade são ou traduções de livros budistas, ou obras originais inspiradas nos ensinamentos de Buda.

Portanto, a Sociedade tem um caráter budista.

Contra isso ela protesta um pouco, temendo assumir um caráter exclusivo e sectário.

Ela está enganada: o verdadeiro e original budismo

–––––––––– E—o autor esquece de acrescentar—"os Teosofistas." Nenhuma Sociedade jamais foi mais ferozmente caluniada e perseguida pelo *odium theologicum* desde que as Igrejas Cristãs foram reduzidas a usar suas línguas como sua única arma—do que a Associação Teosófica e seus Fundadores.—Editor, *Lucifer*.

–––––––––– não é uma seita, dificilmente é uma religião.


É antes uma reforma moral e intelectual, que não exclui nenhuma crença, mas não adota nenhuma.

Isto é o que é feito pela Sociedade Teosófica.

. . . [p. 369.]

Apresentamos nossas razões para o protesto.

Não estamos presos a nenhuma fé.

Ao afirmar que a S.T. é “budista”, É. Burnouf tem toda razão, contudo, sob um certo ponto de vista.

Ela possui uma coloração budista simplesmente porque essa religião, ou melhor, filosofia, aproxima-se mais da VERDADE (a sabedoria secreta) do que qualquer outra forma exotérica de crença.

Daí a estreita conexão entre as duas.

Mas, por outro lado, a S.T. está perfeitamente certa ao protestar contra ser confundida com uma mera propaganda budista, pelas razões que apresentamos no início do presente artigo, e pelo próprio crítico.

Pois, embora em total concordância com ele quanto à verdadeira natureza e caráter do budismo primitivo, o budismo de hoje não deixa de ser uma religião bastante dogmática, dividida em muitas e heterogêneas seitas.

Seguimos apenas o Buda.

Portanto, uma vez que se torna necessário ir além da forma atualmente existente — e quem negará essa necessidade em relação ao budismo? —, uma vez feito isso, não é infinitamente melhor retornar à fonte pura e inalterada do próprio budismo, em vez de nos determos em um estágio intermediário? Tal reforma pela metade foi tentada quando o protestantismo se separou da Igreja mais antiga, e são satisfatórios os resultados? Tal é, então, a razão simples e muito natural pela qual a S.T. não ergue o estandarte do budismo exotérico e não se proclama seguidora da Igreja do Senhor Buda.

Ela deseja sinceramente demais permanecer dentro dessa “luz” inalterada para permitir-se ser absorvida por sua sombra distorcida.

Isso é bem compreendido por É. Burnouf, uma vez que ele expressa exatamente isso na passagem seguinte: —

. . . Do ponto de vista doutrinário do credo, o budismo não tem mistérios; Buda pregou em parábolas; mas uma parábola é uma símile desenvolvida e não tem nada de simbólico. Os teosofistas viram com muita clareza que, nas religiões, sempre houve dois ensinamentos; um muito simples na aparência e cheio de imagens ou fábulas que são

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

apresentadas como realidades; este é o ensinamento público, chamado exotérico; o outro, esotérico ou interno, reservado aos adeptos mais instruídos e discretos, os iniciados do segundo grau.

Há, finalmente, uma espécie de ciência, que pode ter sido outrora cultivada no segredo dos santuários, uma ciência chamada hermetismo, que dá a explicação final dos símbolos.

Quando essa ciência é aplicada às diversas religiões, vemos que seus simbolismos, embora aparentemente diferentes, repousam sobre o mesmo fundo de ideias e são rastreáveis a uma única maneira de interpretar a natureza.

O traço característico do Budismo é precisamente a ausência desse hermetismo, a exiguidade de seu simbolismo, e o fato de apresentar aos homens, em sua linguagem ordinária, a verdade sem véu.

. . . É isto que a Sociedade Teosófica está repetindo . . . . [pp. 369-70.] E nenhum modelo melhor poderia a Sociedade seguir: mas isto não é tudo.

É verdade que não existem mistérios ou esoterismo nas duas principais igrejas budistas, a do Sul e a do Norte.

Os budistas podem muito bem contentar-se com a letra morta dos ensinamentos de Siddhârtha Buddha, pois felizmente não existem outros mais elevados ou mais nobres em seus efeitos sobre a ética das massas, até os dias de hoje.

Mas aqui reside o grande erro de todos os orientalistas.

Existe uma doutrina esotérica, uma filosofia que enobrece a alma, por trás do corpo exterior do Budismo eclesiástico.

Este último, puro, casto e imaculado como a neve virgem sobre os cumes gelados das cordilheiras do Himalaia, é, no entanto, tão frio e desolado quanto eles no que diz respeito à condição póstuma do homem.

Este sistema secreto foi ensinado somente aos Arhats, geralmente na caverna de Saptaparna (Sattapani do Mahavamsa), conhecida por Fa-hien como a caverna Cheta, perto do Monte Baibhâr (em páli, Webhâra), em Rajagriha, a antiga capital de Magadha, pelo próprio Senhor Buddha, entre as horas de Dhyana (ou contemplação mística). É desta caverna — chamada nos dias de ®akyamuni de Saraswati ou "Caverna do Bambu" — que os Arhats iniciados na Sabedoria Secreta levaram seu aprendizado e conhecimento para além da cordilheira do Himalaia, onde a Doutrina Secreta é ensinada até hoje.

Não tivessem os invasores do sul da Índia no Ceilão "amontoado em pilhas tão altas quanto o topo das palmeiras de coco" as ollas dos budistas, e queimado-as, como os conquistadores cristãos queimaram todos os registros secretos dos gnósticos

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

e dos Iniciados, os orientalistas teriam a prova disso, e não haveria necessidade de afirmar agora este fato bem conhecido.

Tendo caído no erro comum, É. Burnouf continua:

Muitos dirão: É uma empresa quimérica; não tem mais futuro diante de si do que a Nova Jerusalém da Rue Thouin, e não mais razão de ser do que o Exército de Salvação.

Isto pode ser assim; deve-se observar, no entanto, que esses dois grupos de pessoas são Sociedades Bíblicas, retendo todo o aparato das religiões em extinção.

A Sociedade Teosófica é o oposto direto; ela elimina as figuras, negligencia-as ou as relega ao segundo plano, colocando em primeiro plano a Ciência, como a entendemos hoje, e a reforma moral, da qual o nosso velho mundo tanto necessita.

Quais são, então, hoje, os elementos sociais que podem estar a favor ou contra ela? Vou declará-los com toda franqueza.

[p. 370.]

Em suma, É. Burnouf vê na indiferença pública o primeiro obstáculo no caminho da Sociedade.

"A indiferença nasce do cansaço; cansaço da incapacidade das religiões de melhorar a vida social, e do espetáculo incessante de ritos e cerimônias que os leigos não compreendem e que o sacerdote nunca explica." Os homens exigem hoje "fórmulas científicas que enunciem leis da natureza, sejam físicas ou morais.

. . ." E é essa indiferença que a Sociedade deve enfrentar; "seu nome, também, somando-se às suas dificuldades: pois a palavra teosofia não tem significado para o povo.

. . . e, na melhor das hipóteses, um significado muito vago para os eruditos." "Parece implicar um deus pessoal," pensa É. Burnouf, acrescentando: "Quem diz deus pessoal, diz criação e milagre," e conclui que "a Sociedade faria melhor em tornar-se francamente budista ou em deixar de existir." [pp. 370-71.]     Com esse conselho de nosso crítico amigável é bastante difícil concordar.

Ele evidentemente apreendeu o elevado ideal do budismo primitivo e vê corretamente que esse ideal é idêntico ao da S.T. Mas ele ainda não aprendeu a lição de sua história, nem percebeu que enxertar um broto jovem e saudável em um ramo que perdeu—menos do que qualquer outro, mas ainda assim muito de—sua vitalidade interna, não poderia deixar de ser fatal para o novo crescimento.

A própria essência da posição assumida pela S.T. é que ela afirma e

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mantém a verdade comum a todas as religiões; a verdade que é verdadeira e não contaminada pelas concreções de eras de paixões e necessidades humanas.

Mas embora Teosofia signifique Sabedoria Divina, ela não implica nada semelhante à crença em um deus pessoal.

Não é "a sabedoria de Deus," mas sabedoria divina.

Os teosofistas da escola neoplatônica alexandrina acreditavam em "deuses" e "demônios" e em uma única DEIDADE ABSOLUTA impessoal.

Para continuar: — Nossos hábitos de vida contemporâneos [diz É. Burnouf] não são severos; tendem ano após ano a se tornar mais gentis, mas também mais sem espinha dorsal.

A fibra moral dos homens de hoje é muito frágil; as ideias de bem e mal não estão, talvez, obscurecidas, mas a vontade de agir corretamente carece de energia.

O que os homens buscam acima de tudo é o prazer e aquele estado sonolento de existência chamado conforto.

Tente pregar o sacrifício dos próprios bens e de si mesmo a homens que entraram nesse caminho do egoísmo! Você não converterá muitos.

Não vemos a doutrina da "luta pela vida" aplicada a toda função da vida humana? Essa fórmula tornou-se para nossos contemporâneos uma espécie de revelação, cujos pontífices eles seguem cegamente e glorificam.

Pode-se dizer a eles, mas em vão, que é preciso compartilhar o último pedaço de pão com os famintos; eles sorrirão e responderão com a fórmula: "a luta pela vida". Irão mais longe: dirão que, ao avançar uma teoria contrária, você está você mesmo lutando por sua existência e não é desinteressado.

Como escapar desse sofisma, do qual todos os homens estão cheios hoje? . . . . Essa doutrina é certamente o pior adversário da Teosofia . . . . pois é a fórmula mais perfeita do egoísmo.

Parece basear-se na observação científica e resume as tendências morais de nossos dias . . . . Aqueles que a aceitam e invocam a justiça estão em contradição consigo mesmos; aqueles que a praticam e colocam Deus ao seu lado são blasfemos.

Mas aqueles que a desconsideram e pregam a caridade são considerados carentes de inteligência, sua bondade de coração levando-os à loucura.

Se a Sociedade Teosófica conseguir refutar essa pretensa lei da luta pela vida e extirpá-la das mentes dos homens, terá realizado em nossos dias um milagre maior do que os de ®akyamuni e de Jesus.

[pp. 371-72.]

E esse milagre a Sociedade Teosófica realizará.

Fará isso, não refutando a existência relativa da lei em questão, mas atribuindo-lhe seu devido lugar na ordem harmoniosa do universo; desvelando seu verdadeiro significado e natureza e mostrando que essa pseudolei é uma lei "pretensa" de fato, no que diz respeito à família humana, e uma ficção do tipo mais perigoso.


“Autopreservação,” nessas linhas, é, de fato e em verdade, um suicídio certo, se lento, pois é uma política de homicídio mútuo, porque os homens, ao descerem à sua aplicação prática entre si, fundem-se cada vez mais, por uma re-involução retrógrada, no reino animal.

É isso o que a “luta pela vida” é na realidade, mesmo nas linhas puramente materialistas da economia política.

Uma vez que essa verdade axiomática seja provada a todos os homens; o mesmo instinto de autopreservação, apenas direcionado ao seu verdadeiro canal, os fará voltar-se ao altruísmo—como sua política mais segura de salvação.

É justamente porque os verdadeiros fundadores da Sociedade sempre reconheceram a sabedoria da verdade incorporada em um dos parágrafos conclusivos do excelente artigo do Sr. Burnouf, que eles se precaveram contra essa terrível emergência em seus ensinamentos fundamentais.

A “luta pela existência” aplica-se apenas ao plano físico, nunca ao plano moral do ser.

Portanto, quando o autor nos adverte com as palavras terrivelmente verdadeiras:

A caridade universal parecerá fora de moda, os ricos manterão suas riquezas e continuarão acumulando mais; os pobres serão empobrecidos proporcionalmente, até o dia em que, impelidos pela fome, exigirão pão, não da teosofia, mas da revolução.

A Teosofia será varrida pelo furacão.

. . . [p. 371.]

A Sociedade Teosófica responde: “Certamente o será, se seguíssemos seu conselho bem-intencionado, mas que concerne apenas ao plano inferior.” Não é a política de autopreservação, nem o bem-estar de uma ou outra personalidade em sua forma finita e física que irá ou poderá jamais assegurar o objeto desejado e resguardar a Sociedade dos efeitos do “furacão” social vindouro; mas somente o enfraquecimento do sentimento de separatividade nas unidades que compõem seu elemento principal.

E tal enfraquecimento só pode ser alcançado por um processo de iluminação interior.

Não é a violência que poderá jamais garantir pão e conforto para todos; nem o reino de paz e amor, de ajuda mútua e caridade e “comida para todos” pode ser conquistado por uma política fria, racional e diplomática.

É somente pela estreita união fraternal dos eus interiores dos homens, pela solidariedade da alma, pelo crescimento e desenvolvimento daquele sentimento

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que faz alguém sofrer quando pensa no sofrimento dos outros, que o reinado de Justiça e igualdade para todos pode ser inaugurado.

Este é o primeiro dos três objetivos fundamentais para os quais a Sociedade Teosófica foi estabelecida, denominado a "Fraternidade Universal da Humanidade", sem distinção de raça, cor ou credo.

Quando os homens começarem a perceber que é precisamente esse egoísmo pessoal feroz, o principal motor da "luta pela existência", que está na própria raiz e é a única causa da fome humana; que é esse outro — o egoísmo e a vaidade nacionais, que incitam os Estados e os indivíduos ricos a enterrar capitais enormes na ereção improdutiva de igrejas e templos suntuosos e na manutenção de um enxame de zangões sociais chamados Cardeais e Bispos, os verdadeiros parasitas dos corpos de seus subordinados e de seus rebanhos — então eles tentarão remediar esse mal universal por uma mudança salutar de política.

E essa revolução salutar só pode ser realizada pacificamente pela Sociedade Teosófica e seus ensinamentos.

Isso é pouco compreendido pelo Sr. Burnouf, ao que parece, pois ao tocar a verdadeira nota-chave da situação em outro lugar, ele termina dizendo:

A Sociedade encontrará aliados, se souber ocupar seu lugar no mundo civilizado de hoje.

Uma vez que terá contra si todos os cultos positivos, com exceção talvez de alguns dissidentes e padres ousados, o único outro caminho que lhe resta é colocar-se em acordo com os homens de ciência.

Se o seu dogma da caridade é uma doutrina complementar que ela fornece à ciência, a sociedade será obrigada a estabelecê-lo sobre dados científicos, sob pena de permanecer nas regiões do sentimentalismo.

A fórmula tantas vezes repetida da luta pela existência é verdadeira, mas não universal; é verdadeira para as plantas; é menos verdadeira para os animais na proporção em que subimos os degraus da escada, pois a lei do sacrifício se vê aparecer e crescer em importância; no homem, essas duas leis se contrabalançam, e a lei do sacrifício, que é a da caridade, tende a assumir a supremacia, pelo império da razão.

É a razão que, em nossas sociedades, é a fonte do direito, da justiça e da caridade; através dela escapamos da inevitabilidade da luta pela existência, da escravidão moral, do egoísmo e da barbárie, numa palavra, escapamos daquilo que Śākyamuni poeticamente chamou de o poder e o exército de Mâra.

[p. 372.] 76                             BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

E, no entanto, nosso crítico não parece satisfeito com esse estado de coisas, mas nos aconselha acrescentando o seguinte:—

Se a Sociedade Teosófica adentrar nesta ordem de ideias e souber fazer delas o seu fulcro, ela sairá do limbo do pensamento incipiente e encontrará seu lugar no mundo moderno; permanecendo, não obstante, fiel à sua origem indiana e aos seus princípios.

Ela poderá encontrar aliados; pois, se os homens estão cansados dos cultos simbólicos, ininteligíveis para os seus próprios mestres, os homens de coração (e são muitos) estão também cansados e aterrorizados diante do egoísmo e da corrupção, que tendem a engolfar a nossa civilização e a substituí-la por uma barbárie erudita.

O Budismo puro possui toda a amplitude que se pode reivindicar para uma doutrina ao mesmo tempo religiosa e científica.

A sua tolerância é a causa de não poder excitar o ciúme de ninguém.

No fundo, não é senão a proclamação da supremacia da razão e do seu império sobre os instintos animais, dos quais é o regulador e o freio.

Finalmente, ele próprio resumiu o seu caráter em duas palavras que formulam admiravelmente a lei da humanidade: ciência e virtude.

[p. 372.]

E esta fórmula a Sociedade expandiu adotando o axioma ainda mais admirável: “Não há religião superior à verdade”. Nesta conjuntura, despedir-nos-emos do nosso erudito, e talvez demasiado bondoso, crítico, para dirigir algumas palavras aos Teosofistas em geral.

––––––––––

Tem a nossa Sociedade, como um todo, merecido as lisonjeiras palavras e a atenção que lhe foram dispensadas pelo Sr. Burnouf? Quantos dos seus membros individuais, quantos dos seus ramos, têm cumprido os preceitos contidos nas nobres palavras de um Mestre de Sabedoria, tal como citadas pelo nosso autor do nº 3 de *Lucifer*? “Aquele que não pratica” isto e aquilo “não é Teosofista”, diz a citação.

No entanto, aqueles que nunca partilharam sequer o seu supérfluo — quanto mais o seu último bocado — com os pobres; aqueles que continuam a fazer diferença em seus corações entre um irmão de cor e um irmão branco; assim como todos aqueles para quem as observações maliciosas contra os seus vizinhos, as fofocas pouco caridosas e até a calúnia sob a mais leve provocação são como orvalho celestial em seus lábios ressequidos — chamam-se e consideram-se Teosofistas!

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

Certamente não é culpa da minoria de verdadeiros Teosofistas, que realmente tentam seguir o caminho e que fazem esforços desesperados para alcançá-lo, se a maioria dos seus companheiros de sociedade não o faz.

Não é, portanto, a eles que isto se dirige, mas àqueles que, em seu feroz amor ao Eu e em sua vaidade, em vez de tentarem executar o programa original com o melhor de sua capacidade, semeiam por toda parte entre os membros as sementes da discórdia; àqueles cuja vaidade pessoal, descontentamento e amor ao poder, muitas vezes terminando em ostentação, desmentem o programa original e o lema da Sociedade.

De fato, esses objetivos originais da PRIMEIRA SEÇÃO da Sociedade Teosófica, sob cujo conselho e orientação a segunda e a terceira se fundiram em uma só quando foram primeiramente fundadas, nunca podem ser demasiado frequentemente recordados às mentes de nossos membros. O Espírito desses objetivos está claramente incorporado em uma carta de um dos Mestres, citada no Mundo Oculto, nas páginas 71 e 73. Aqueles Teosofistas, então, que no curso do tempo e dos acontecimentos se afastaram, ou se afastariam, desses objetivos originais, e em vez de cumpri-los sugeriram novas políticas de administração das profundezas de sua consciência interior, não são fiéis aos seus compromissos.

"Mas nós sempre trabalhamos nas linhas originalmente traçadas para nós" — alguns deles afirmam orgulhosamente.

"Não trabalharam" — vem a resposta daqueles que conhecem mais sobre os verdadeiros Fundadores da S.T. nos bastidores do que eles conhecem — ou jamais conhecerão, se continuarem trabalhando nesse estado de auto-ilusão e autossuficiência.

Quais são as linhas traçadas pelos "Mestres"? Ouçam as palavras autênticas escritas por um deles em 1880 ao autor do Mundo Oculto:

. . . Para nossas mentes, então, esses motivos, sinceros e dignos de toda séria consideração do ponto de vista mundano, parecem egoístas . . . . São egoístas, porque deveis estar cientes de que o principal objetivo da Sociedade Teosófica não é tanto gratificar aspirações individuais, mas sim servir a nossos semelhantes . . . em nossa visão, as mais elevadas aspirações pelo

–––––––––– Vide Regras no 1º Vol.

de O Teosofista, pp. 179-180. –––––––––– bem-estar da humanidade tornam-se maculadas de egoísmo, se, na mente do filantropo, espreita a sombra de um desejo de benefício próprio, ou uma tendência a cometer injustiça, mesmo quando estas existem inconscientemente para ele próprio.


Contudo, vós sempre discutistes, mas para suprimir, a ideia de uma Fraternidade Universal, questionastes sua utilidade, e aconselhastes a remodelar a Sociedade Teosófica sobre o princípio de uma faculdade para o estudo especial do ocultismo.

. . .

Mas outra carta foi escrita, também em 1880, que não é apenas uma repreensão direta aos Teosofistas que negligenciam a ideia principal da Fraternidade, mas também uma resposta antecipada ao principal argumento do Senhor Émile Burnouf.

Aqui estão alguns extratos dela. Foi dirigida novamente àqueles

––––––––––       A.P. Sinnett, The Occult World, p. 72 [p. 104, edição americana].      [Esta passagem pode ser encontrada nas pp. 6-7 em The Mahatma Letters to A.P. Sinnett, transcrita da carta original do Mestre K.H., agora no Museu Britânico.

Como há pequenas diferenças, especialmente no uso de itálicos e pontuação, transcrevemos abaixo o texto, diretamente do microfilme da carta original:          "Para nossas mentes, então, esses motivos, sinceros e dignos de toda consideração séria do ponto de vista mundano, parecem—egoístas.

(Você deve me perdoar pelo que possa considerar como aspereza de linguagem, se seu desejo é realmente aquilo que você professa—aprender a verdade e receber instrução de nós—que pertencemos a um mundo bastante diferente daquele em que você se move.) Eles são egoístas porque você deve estar ciente de que o principal objetivo da S.T. não é tanto gratificar aspirações individuais, mas sim servir aos nossos semelhantes: e o valor real deste termo 'egoísta', que pode soar mal aos seus ouvidos, tem um significado peculiar para nós que não pode ter para vocês; portanto, para começar, você não deve aceitá-lo de outra forma senão no sentido anterior.

Talvez você aprecie melhor nosso significado quando lhe dissermos que, em nossa visão, as mais elevadas aspirações pelo bem-estar da humanidade tornam-se manchadas de egoísmo se, na mente do filantropo, espreita a sombra do desejo de benefício próprio ou uma tendência a cometer injustiça, mesmo quando estas existem inconscientemente para ele mesmo.

No entanto, vocês sempre discutiram apenas para rejeitar a ideia de uma Fraternidade universal, questionaram sua utilidade e aconselharam a remodelar a S.T. com base no princípio de uma faculdade para o estudo especial do ocultismo.

Isso, meu respeitado e estimado amigo e Irmão—nunca será feito!"                                                                                                       —Compilador.]      [A carta da qual H.P.B. cita uma série de passagens é talvez a mais importante já recebida dos Irmãos Adeptos.

Como apontado pelo Mestre K.H. em uma nota introdutória ––––––––––

A SOCIEDADE TEOSÓFICA

que procuravam eliminar o “título sentimental” e fazer da Sociedade apenas uma arena para “cultivo de copas e toque de sinos astrais”:—

“. . . . Em vista do triunfo sempre crescente e, ao mesmo tempo, do mau uso do livre-pensamento e da liberdade, como pode o instinto natural combativo do homem ser refreado de infligir crueldades, enormidades, tirania e injustiças inauditas até então, senão através do suavizante

–––––––––– de algumas linhas que ele anexa a isso, esta carta é “uma versão abreviada da visão do Chohan sobre a S.T. a partir de suas próprias palavras, conforme proferidas na noite passada.” Assim, parece que esta comunicação não é exatamente uma carta escrita pelo próprio Mahâ Chohan, mas sim um relato de uma conversa entre ele e K.H. sobre o assunto do qual trata.

Tanto A.P. Sinnett quanto Allan O. Hume ficaram extremamente fascinados com o aspecto fenomênico do ocultismo e nunca compreenderam plenamente a necessidade básica da ideia de Fraternidade Universal e de sua aplicação no trabalho teosófico genuíno.

Essa atitude impressiona qualquer estudante sério que leia as Cartas dirigidas pelos Mestres M. e K.H. a Hume e Sinnett.

É muito provável que as palavras do Mahâ Chohan incorporadas na comunicação em análise tenham sido solicitadas por K.H. em um momento em que a situação se tornara um tanto crítica nesses aspectos.

É muito curioso que a Carta original a Sinnett, registrando as observações do Mahâ Chohan, não seja encontrada em lugar algum.

Ela não está incluída entre os originais da coleção das Cartas dos Mahatmas, que atualmente se encontram no Museu Britânico.

Cópias foram feitas na época, ou de toda a comunicação, ou de partes dela (fato difícil de verificar), para serem enviadas a certas pessoas selecionadas, sendo uma dessas cópias encontrada entre os papéis de C.W. Leadbeater, enquanto outra está entre os papéis da Srta. Francesca Arundale.

É a partir dessas cópias que o texto desta comunicação foi publicado por C. Jinarâjadâsa em suas Cartas dos Mestres da Sabedoria, Primeira Série (1ª ed., Adyar, 1919; 4ª ed., 1948; Carta nº I, com Notas Explicativas). C. Jinarâjadâsa, ao comentar esta Carta, observa que H.P.B. fala dela como tendo sido escrita em 1880, enquanto o Mahâ Chohan fala de “1881 anos atrás”, o que indicaria que esta comunicação foi recebida em algum momento de 1881. É provável que isso esteja bastante correto no que diz respeito às cópias que C. Jinarâjadâsa tinha diante de si.

No entanto, no texto citado por H.P.B., com ligeiras modificações, no presente artigo, o Mahâ Chohan é apresentado falando de "1880 anos atrás". Assim, permanecemos ainda incertos quanto à data exata desta importante comunicação recebida por intermédio do Mestre K.H.—Compilador.] –––––––––– influência de uma Fraternidade, e da aplicação prática das doutrinas esotéricas de Buda? . . . O Budismo é o caminho mais seguro para conduzir os homens à única verdade esotérica.


Como encontramos o mundo agora, seja cristão, maometano ou pagão, a justiça é desconsiderada e a honra e a misericórdia são ambas lançadas aos ventos.

Em uma palavra, como, vendo que os principais objetivos da Sociedade Teosófica são mal interpretados por aqueles que estão mais dispostos a nos servir pessoalmente, devemos lidar com o resto da humanidade, com aquela maldição conhecida como 'a luta pela vida', que é o verdadeiro e mais prolífico progenitor da maioria dos males e tristezas, e de todos os crimes? Por que essa luta se tornou o esquema quase universal do universo? Respondemos: porque nenhuma religião, com exceção do Budismo, ensinou até agora um desprezo prático por esta vida terrena, enquanto cada uma delas, sempre com essa única exceção solitária, inculcou através de seus infernos e danações o maior temor da morte.

Portanto, encontramos essa 'luta pela vida' grassando mais ferozmente nos países cristãos, sendo mais prevalente na Europa e na América.

Ela enfraquece nas terras pagãs, e é quase desconhecida entre as populações budistas.

. . . Ensinai ao povo a ver que a vida nesta terra, mesmo a mais feliz, é apenas um fardo e uma ilusão, que é apenas o nosso próprio Karma, a causa produzindo o efeito, que é o nosso próprio juiz, nosso salvador em vidas futuras—e a grande luta pela vida logo perderá sua intensidade.

. . . O mundo em geral e a Cristandade especialmente, deixados por dois mil anos ao regime de um Deus pessoal, bem como seus sistemas políticos e sociais baseados nessa ideia, provaram agora ser um fracasso.

Se os Teosofistas disserem: 'Não temos nada a ver com tudo isso, as classes inferiores e as raças inferiores (as da Índia, por exemplo, na concepção dos britânicos) não podem nos concernir e devem se arranjar como puderem', o que acontece com nossas belas profissões de benevolência, reforma, etc.? São essas profissões uma zombaria? E, se são uma zombaria, pode o nosso ser o verdadeiro caminho? . . . . Devemos nos dedicar a ensinar a alguns europeus, alimentados pela gordura da terra, muitos deles carregados com os dons da fortuna cega, a razão de ser do toque de sinos, do cultivo de copos, do telefone espiritual, etc., etc., e deixar as incontáveis multidões dos ignorantes, dos pobres e dos desprezados, dos humildes e dos oprimidos, a cuidarem de si mesmas e do seu além, o melhor que souberem? Nunca! Antes pereça a Sociedade Teosófica.

. . . do que permitir que ela se torne nada mais que uma academia de magia e um salão de Ocultismo.

Que nós, os devotados seguidores do espírito encarnado do absoluto autossacrifício, da filantropia e da divina bondade, como de todas as mais altas virtudes alcançáveis nesta terra de dor, o homem dos homens, Gautama Buda, jamais permitamos que a Sociedade Teosófica represente a personificação do egoísmo, que se torne o refúgio de poucos sem nenhum pensamento para com muitos, é uma ideia estranha.

. . . E somos nós, os humildes discípulos dos perfeitos Lamas, que se espera que permitamos que a Sociedade Teosófica abandone seu mais nobre título, o de Irmandade da Humanidade, para se tornar uma simples escola de Psicologia.

Não! Não! nossos irmãos, haveis laborado sob o erro por tempo

A NOSSA ÉTICA CRISTÃ DO SÉCULO XIX

demasiado longo já.

Entendamo-nos uns aos outros.

Aquele que não se sente competente o bastante para apreender a nobre ideia suficientemente para trabalhar por ela, não precisa empreender uma tarefa pesada demais para si.

. . . . "Para ser verdadeira, a religião e a filosofia devem oferecer a solução de todo problema.

Que o mundo esteja em tão má condição moral é uma evidência conclusiva de que nenhuma de suas religiões e filosofias — as das raças civilizadas menos que qualquer outra — jamais possuíram a VERDADE.

As explicações corretas e lógicas sobre o assunto dos problemas dos grandes princípios duais, certo e errado, bem e mal, liberdade e despotismo, dor e prazer, egoísmo e altruísmo, são tão impossíveis para elas agora quanto o eram há 1880 anos.

Elas estão tão longe da solução quanto sempre estiveram, mas.

. . . “Para estes deve haver em algum lugar uma solução consistente, e se nossas doutrinas mostrarem sua competência para oferecê-la, então o mundo será o primeiro a confessar que a nossa deve ser a verdadeira filosofia, a verdadeira religião, a verdadeira luz, que dá a verdade e nada mais que a VERDADE.

. . .

E esta VERDADE não é o Budismo, mas o BUDISMO esotérico.

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

. . . . ”                      Escritos Reunidos VOLUME X                                        Agosto,

NOSSAS ÉTICAS DO SÉCULO XIX CRISTÃO                           [Lucifer, Vol.

II, No. 12, Agosto, 1888, pp. 482-484]

À medida que a civilização progride, a escuridão moral permeia a suposta luz do Cristianismo.

O símbolo escolhido de nossa vangloriada civilização deveria ser uma enorme jiboia.

Como essa monstruosa ofídia, com suas manchas negras aveludadas e douradas brilhantes, e seus movimentos graciosos, a civilização avança insidiosamente, mas com a mesma certeza, para esmagar em suas espirais mortais toda aspiração elevada, todo sentimento nobre, sim, até o próprio discernimento entre o certo e o errado.

A consciência, “o vicegerente de Deus na alma”, não fala mais no homem; pois os sussurros da voz mansa e delicada interior são sufocados pelo clamor e rugido sempre crescentes do Egoísmo.


Mas — “nossas lojas, as pernas de nossos cavalos, nossas botas. . . todos se beneficiaram com a introdução” do “macadame da civilização”, diz Dickens.

Sim; mas não se transformaram também os nossos corações, por outro lado, em pedra? Não foram eles macadamizados em sua petrificação constante com essa rápida propagação da civilização? Salteadores de estrada podem ter, ou não, desaparecido com estradas mais perfeitas, mas é certo que reapareceram desde então em todas as classes de vida e comércio, e que o roubo nas estradas ocorre agora sob princípios ainda mais mortais, se melhorados e legalizados.

“Mendigos rastejantes e estalagens sujas” não ofendem mais nossos sentimentos estéticos; mas mendigos famintos tiveram seu número aumentado dez vezes e se multiplicam a uma taxa proporcional às cobranças extorsivas de estalagens caiadas, agora transformadas em hotéis-palácio.

E se — ainda segundo Dickens — “muito do ribbonismo, da perseguição a proprietários por trás de sebes, e da fome de Skibbereen na Irlanda pode ser atribuído às estradas funestas de tempos passados”, a que atribuiremos os mesmos males, apenas em escala mais gigantesca, na Ilha Esmeralda de hoje?



Ela mereceu de alguma forma o insulto que lhe foi infligido por esses dois homens, no escândalo europeu que agora desonrou o Rei, seu marido, e o país a cuja honra e proteção ela se confiou? Mais uma vez, e mil vezes, não. Todos aqueles que conheceram a vida de Milan Obrenovitch, seu baixo padrão moral, suas relações familiares nos últimos anos, e especialmente seu pequeno valor intrínseco como Rei, patriota e homem, negarão enfaticamente qualquer acusação contra a Rainha Nathalie.

Por outro lado, muitos são aqueles que a conheceram pessoalmente desde seu nascimento e ao longo de sua juventude.


Uma boa filha não pode ser uma má mãe.

Uma mulher pura e de nobre espírito dificilmente pode ser uma esposa culpada.

Por que então ela deveria ser tão cruelmente tratada? Por que ela deveria ter sido forçada a esgotar até a última gota o conteúdo do amargo cálice do insulto e da agonia moral por crimes que não eram seus? É uma medida de necessidade política, nos dizem.

O clero cristão do país é forçado a sancioná-la, e a lei cristã é assim feita para agir em desafio a toda lei moral e divina! Mais injustamente e brutalmente insultada em todos os seus direitos mais sagrados, a mulher honesta, a esposa fiel de um homem e marido infiel, está agora condenada a ser sacrificada ao Moloch da política! Ela deve permanecer separada de seu único filho, e testemunhar, passiva, indefesa e impotente, ano após ano, o vírus da depravação moral sendo inoculado na natureza de seu menino por tal pai! Ela, a esposa legítima e Rainha, tem que se submeter a ser tratada como uma cortesã dispensada e sofrer que outra mulher e mulheres, plenamente merecedoras desse epíteto, tomem seu lugar no palácio, talvez assumindo autoridade sobre seu filho inocente.

A "política" condena um futuro rei a testemunhar desde sua infância cenas diárias que parecem copiadas daquelas que devem ter ocorrido nos palácios de Messalina e nos dos Papas Bórgia!

––––––––––

Portanto, todo homem e mulher honestos têm o direito de dizer que nenhum ato mais brutal, impiedoso e inqualificável foi jamais perpetrado nos dramas políticos deste século da maior civilização.

Tal ato cometido por um Milan da Sérvia, o bravo assalariado da Áustria, dificilmente poderia surpreender alguém.

Mas que o feito fosse sancionado por alguém que acabara de proclamar, perante toda a Europa, que "temia somente a Deus", é incompreensível.

Parece que estamos longe da Idade Média bárbara, quando o cavaleiro germânico lutava e morria para proteger uma mulher.

Estamos na era da civilização e da política.

Pobre e infeliz Nathalie Keshko! Quem, entre

A NOSSA ÉTICA CRISTÃ DO SÉCULO XIX

aqueles que a conheceram há pouco mais de uma dúzia de anos, a bela, feliz e inocente donzela, ornamento dos altos círculos sociais de Odessa, teria jamais sonhado com tal destino para ela? Deixada órfã cedo, foi criada por seu tutor como uma filha amada.

Amor, riqueza e felicidade sorriram-lhe desde o berço, até aquele seu infeliz casamento — uma verdadeira mésalliance — com o indigno sobrinho do Hospodar-mártir, Miguel Obrenovitch.

O descendente dos porqueiros da Sérvia tornou-se desde então um rei de ópera-cômica, que agora desonra a nação que o escolheu para seu governante.

Não foi a sua beleza que o atraiu; mas os seus milhões.

A nobre retidão de seu caráter e suas verdadeiras qualidades morais femininas devem tê-lo feito temê-la desde o primeiro momento; e enquanto estas repeliam o marido devasso, os milhões de Nathalie Keshko o consolavam, permitindo-lhe ampliar o seu harém e fazer as suas amantes partilharem o mesmo palácio com a virtuosa esposa legítima.

E agora, tendo enchido de fel a vida da infeliz jovem rainha, ele lhe desfere o último golpe mortal, privando-a do seu único filho, fazendo dela uma Raquel que chora e recusa ser consolada.

––––––––––      Por quê? Por que crime e com que direito? A última palavra do mistério está sob a guarda segura do Príncipe Bismarck e do Rei Milan.

O orgulhoso Chanceler Imperial poderia ter frustrado os desígnios daquele rei fantoche com uma única palavra; mas preferiu ajudá-lo.

Diante do Príncipe, toda a Europa masculina se curva.

Mas nenhuma mulher pode deixar de se erguer em justa indignação contra a política do "Chanceler de Ferro" e proclamá-la em sua face.

A censura veemente de milhões de mulheres, e de toda mãe na cristandade, são outras tantas maldições implícitas que devem, uma vez por todas, cair sobre a cabeça do homem a quem são dirigidas. E que mãe deixará de simpatizar com esta outra mãe enlutada e injustiçada? Há, contudo, uma lei da Retribuição, e é esta que nos dá a Liberdade de perguntar: O quê, ou quem, vos dá o direito e a audácia de insultar assim toda lei, divina e humana? É em nome do Cristianismo que perpetrais um ato que desonraria qualquer potentado e Estado "pagão"? Vós, juízes injustos, que não temeis a lei moral, nem vos envergonhais diante da censura aberta das incontáveis multidões que abertamente vos culpam; é a posteridade que vos dará a justa recompensa, e assim vingará a memória desta Rainha e mãe martirizada.


Esse dia deve chegar, quando, passando para a história, vossa ação política será lida com desgosto e horror até mesmo pelos descendentes daqueles que agora se calam, em vez de erguerem suas vozes em defesa daquela mulher inocente.

Mas enquanto nações inteiras de indivíduos privados nada podem fazer senão protestar, sincera e inutilmente; todos aqueles que poderiam fazê-lo efetivamente não moverão um dedo em favor da Rainha Nathalie.

O público está disposto, mas impotente; os Soberanos e potentados são todo-poderosos, mas evidentemente indispostos.

Mas, ó vós, mulheres coroadas, mães e esposas da Europa! A menos que unais vossas vozes em um único e poderoso grito de indignação e protesto contra tão infame ato de despotismo e crueldade imerecida, tendes pouquíssimo direito de vos chamardes cristãs ou de representardes a religião do vosso Cristo diante das massas.

Embora a força seja realmente o direito em nossa era de dissimulação e de Egoísmo sem precedentes, pode haver algo pior reservado para aqueles que falham em fazer o que é certo por uma irmã oprimida.

O que agora está sendo feito à legítima Rainha de um insignificante pequeno reino, pode ser feito a qualquer uma de vós—quando a hora da justa retribuição soar.

Levantai-vos então e protestai em nome dos direitos humanos enquanto ainda estais no poder.

Pois quem sabe por quanto tempo esse poder ainda durará? Em verdade, diante da rápida difusão da civilização e do despotismo de tais políticas, o dia em que essa hora soará é apenas uma questão de tempo e de conveniência.

. . . .                                                                                      ADVERSA.

NOSSOS CÓDIGOS DE ÉTICA CRISTÃ DO SÉCULO XIX     [Algumas notas explicativas podem ser de ajuda em relação ao acima exposto.

Milan Obrenovich IV, Rei da Sérvia, nasceu em Jassy, Romênia, em 22 de agosto de 1854, filho de Miloš Obrenovich (1829-61) e Maria Katardži, uma moldava.

Tendo ficado órfão cedo na vida, Milan foi adotado por seu primo Michael, educado em Bucareste e Paris, e colocado no trono sob uma regência, em 1868, após o assassinato de Michael.

Ele se proclamou Rei em 1882. Sua política austrófila era muito impopular, e sua vida privada era bastante desagradável.

Em 1875, ele se casou com Natalie, filha de 16 anos de um rico proprietário de terras da Bessarábia, de origem moldava, chamado Keshko, que era coronel do exército russo.

Sua mãe pertencia à família Sturza e também era de origem moldava.

Natalie nasceu em 14 de maio de 1859, em Florença, Itália, onde foi educada.

As relações entre Milan e Natalie tornaram-se tensas logo após o nascimento de seu filho Alexandre em 1876. Natalie apoiava os partidos políticos que se opunham ao marido e tinha tendência a interferir nos assuntos de Estado.

Em 1885, Milan embarcou em uma campanha mal avaliada contra a Bulgária e foi salvo do desastre pela Áustria.

A infidelidade conjugal de Milan veio à tona nessa época, embora Natalie tivesse escondido os fatos por um período considerável de tempo.

Milan firmou um acordo formal com ela, com base no qual seu filho seria educado na Alemanha e na França, sob a supervisão da mãe, que tinha permissão de visitar a Sérvia apenas durante os meses de verão.

Natalie foi com o filho para Wiesbaden, na Alemanha, mas nenhum dos dois aderiu estritamente ao acordo assinado.

A rainha continuou várias atividades políticas e encontrou apoio na Sérvia, sendo bastante popular entre o povo.

Milan ofereceu um novo acordo, mas Natalie recusou-o orgulhosamente. Em 1888, Milan enviou o General Protich a Wiesbaden, onde, com a assistência da polícia alemã, ele sequestrou Alexandre, com base nos direitos paternos, e retornou à Sérvia com ele.

Ao mesmo tempo, Milan espalhou histórias escandalosas sobre sua esposa e finalmente extorquiu um divórcio, que era ilegal segundo a Igreja Greco-Ortodoxa, forçando o Metropolita Teodósio a declarar, por iniciativa própria, o casamento dissolvido.

Isso ocorreu em outubro de 1888. Em 6 de março de 1889, após uma breve tentativa de recuperar prestígio por meio de uma constituição liberal, Milan abdicou em favor de seu filho Alexandre e retirou-se para Paris.

Ele chegou ao ponto de renunciar à sua nacionalidade sérvia em 1892. A abdicação de Milan estimulou as esperanças de Natalie, e ela tentou recuperar seus direitos como Rainha-Mãe.

Ela retornou à Sérvia em 1889, mas descobriu que a Regência estava colocando obstáculos em seu contato com o filho.

Ela delineou a história de seu casamento em um documento apresentado às autoridades, com o resultado de que o Sínodo anulou o ato de Theodosius e negou a ambos os pais o direito de entrar na Sérvia até que Alexandre atingisse a maioridade.


Natalie recusou-se a obedecer a essa ordem e foi enviada ao exterior à força, circunstância que deu origem a violentos surtos nas ruas da capital.

Em 1893, Alexandre restaurou seus direitos a Natalie.

Em janeiro de 1894, Milan reapareceu em Belgrado e tornou-se nominalmente reconciliado com Natalie, que retornou em 1895. Nomeado comandante-em-chefe do exército sérvio, Milan inaugurou uma cruel perseguição aos russófilos e radicais.

Isso foi abruptamente encerrado pelo casamento de Alexandre, em julho de 1900. Milan renunciou ao seu posto e retornou a Viena, onde morreu de forma bastante inesperada, em 11 de fevereiro de 1901. Após a morte de Milan, Natalie tornou-se católica romana e viveu reclusa em Paris e Biarritz.

Ela morreu em 1941. Em conexão com a conduta errática de Milan, e especialmente sua súbita abdicação, certas circunstâncias peculiares vieram à luz.

Parece, por boa autoridade, que Milan, sob o hipnotismo de Madame Artemisia Christich, renunciou à sua coroa.

Essa mulher, cuja influência sobre o Rei há muito era inexplicável para seus amigos, vinha realizando há algum tempo experimentos hipnóticos e mesméricos, usando o Rei como seu sujeito.

Seu comportamento no dia de sua abdicação foi descrito por várias testemunhas oculares na imprensa contemporânea, como o London Standard, por exemplo.

A impressão dessas pessoas era de que o Rei se comportava como alguém hipnotizado, e em um estado de consciência diferente do seu habitual.

Natalie escreveu uma obra intitulada *Mother* (trad. russa, São Petersburgo, 1891), na qual delineia suas dolorosas experiências, mas distorce um pouco os fatos da história.

Ela também publicou um livro de *Memórias* (Paris, 1891). Uma descrição brilhante de seu caráter pode ser encontrada em uma carta a ela endereçada por Ristich, e parcialmente traduzida no *Russkiya Vyedomosti*, nº 27, 1891.—Compilador.]                         Escritos Coligidos VOLUME X                                             Agosto,

UMA LIÇÃO

UMA LIÇÃO                                 [Lucifer, Vol.

II, nº 12, Agosto, 1888, pp. 497-98]

Em relação à primeira regra do Ocultismo Prático no número de abril de vosso periódico, pode não ser do conhecimento de muitos de vossos leitores que na maioria de nossos (hindus) ritos e cerimônias, temos de usar os "cinco pós coloridos". Estes são preparados de uma maneira particular e então espalhados, um após o outro, sobre um determinado Yantsa.

As disposições dessas cores são, no entanto, diferentes nos ritos Tântricos e Védicos.

O Pundit Kalibar Vedantabagish, o renomado Vedantista de Bengala, prometeu-me fornecer um relato detalhado dessas cores, mas duvido que ele me permita publicá-lo.     Vossa nota sobre Filosofia Última (as últimas linhas da página 141 do número de abril) não está inteiramente correta.

De acordo com nossos Shastras, "a tartaruga NÃO abana a cauda no vazio absoluto"; o todo é sustentado por Ananta Naga, que significa aquele que é infinito e imóvel.

Os Elefantes (não um) são os Elefantes do Espaço (Dig Gaza), e a tartaruga é uma manifestação particular de Vishnu.

Não é justo condenar Sir Monier-Williams por ele tomar a "carne de javali" em sentido literal, e então ridicularizar as alegorias Purânicas.

H. P. MUKERJI.

Berhampur (Bengala), 12 de maio de 1888.      NOTA DOS EDITORES—Seria de fato muito "injusto", caso o editor alguma vez tivesse a intenção de "ridicularizar" as alegorias Purânicas.

Estamos dolorosamente cientes do fato—se nosso crítico, que, como a maioria dos hindus, raramente percebe uma piada, não está—de que, se tivéssemos ridicularizado um pouco mais e exaltado um pouco menos a filosofia das Escrituras Purânicas e outras não cristãs, poderíamos ter evitado ser tão odiados e apedrejados com lama impressa como temos sido nos últimos doze anos.

A "nota" em questão certamente nunca teve a intenção de transmitir o significado exato, mas simplesmente a imagem absurda percebida por alguns padres imaginativos.

Lamentamos ver que mesmo aqueles cuja religião e filosofia temos constantemente defendido contra todo ataque injusto nos compreendem menos do que a maioria de nossos inimigos.

Saiba nosso severo crítico de Bengala que, embora nunca tenhamos buscado nem esperado gratidão alguma, fomos suficientemente otimistas para esperar alguma demonstração de justiça—dos hindus, ao menos.

Nossa próxima obra, A Doutrina Secreta, mostrará se "ridicularizamos" os Puranas.

Escritos Reunidos VOLUME X                                             Agosto, A "ÁRVORE CASTA"                                  [Lucifer, Vol.


II, No. 12, Agosto, 1888, p. 498]

Você poderia me dizer o nome botânico da planta “Agnus Castus” e também qual autoridade há para supor que Cristo foi coroado com Acanthus e, se assim for, alguma dessa família é nativa da Síria? Paliurus australis (Espinho de Cristo) é citado por Loudon como a planta provável, da ordem Rhamni.

Ele acrescenta que Hasselquist pensava que era uma espécie de Rhamnus (Espinho-de-cervo), chamada por Lineu de “Spina Christi”. Esta última recebi da Síria, onde é comum, e produz uma pequena baga amarela.

W. N. GALE.

NOTA DO EDITOR.—Loudon descreve o Agnus Castus como “uma espécie de Vitex—a árvore casta”, de –(@l, uma árvore semelhante ao salgueiro.

Sendo este termo grego semelhante à palavra (`l, “casto”, foi apelidada de “árvore casta”. Não conhecemos nenhuma “autoridade” além da probabilidade de que tenha sido o Acanthus o usado para a “coroa de espinhos”, pois é um gênero de planta espinhosa herbácea, com espinhos que se projetam dela, muito comum na Palestina e na Ásia Menor, embora igualmente comum na Índia.

Era usada ali, e também na Síria e em outros lugares, como parte do aparato de iniciação durante os MISTÉRIOS.

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NOTAS DIVERSAS                              [Lucifer, Vol.

II, No. 12, Agosto de 1888, pp. 472, 497]

[. . a luz do Pensamento Criativo daQUELE, reservatório de todo pensamento] Na filosofia indiana, essa Divindade absoluta é sempre referida como “AQUELE” (TAD) e “ISSO”. É “o reservatório de todo pensamento” porque é pensamento absoluto; que, não tendo relação com o finito e o condicionado, não pode ser pressuposto como algo individual ou separado da mente universal e das mentes.

É a causa sem causa de toda intelecção manifestante, a Fonte eterna de TUDO.

NOTAS DIVERSAS

[O Logos pensa] Porque o Logos é manifestado; mas a Divindade sempre oculta não pensa, pois é PENSAMENTO ABSOLUTO e não pode ser descrita como falaríamos de um Pensador pessoal individual.

Mas então o Logos no Oriente é a síntese, o agregado coletivo de todos os Deuses ou Poderes no Universo manifestado.

[este pensamento, em sua forma mais grosseira chamada Éter] E em seu nível mais elevado é AKA®A.

––––––––––

[Rev.

T. G. Headley escreve sobre a doutrina da Expiação, a falsa concepção subjacente à    Missa, e a corrupção dos sacerdotes.

Ele sente que o nome de Jesus deveria ser reabilitado.

H.P.B. acrescenta a seguinte Nota Editorial:]

Amém! É bem verdade que não são poucos os tais indivíduos ilógicos que procuram destronar o romanismo e o protestantismo destruindo a causa inocente destes — Jesus.

Mas nenhum teosofista está entre essa classe.

Os teosofistas, mesmo aqueles que já não são, como aqueles que nunca foram, cristãos, consideram, não obstante, Jesus, ou Jehoshua, como um Iniciado.

Não é, portanto, contra o “portador” desse nome — em quem veem um dos Mestres da Sabedoria — que protestam, mas contra esse nome tal como foi deturpado pela fantasia pseudo-cristã e vestido com as vestes pagãs emprestadas dos deuses gentios, que eles se empenham em combater.

São esses “sacerdotes” que nosso reverendo correspondente denuncia como “assassinos” e “demônios” — correndo o risco de se ver confundido com eles na ímpia multidão a que ele próprio pertence — contra os quais todo verdadeiro teosofista deveria estar sempre pronto a se levantar.

Poucos deles se recusam a ver em Jesus um Filho de Deus, bem como Chrstos que, pelo sofrimento, alcançou a condição de Christos.

Tudo o que rejeitam é a moderna deturpação do dogma muito, muito antigo do Filho que se torna um com o Pai; ou que esse “pai” jamais tenha tido algo a ver com o andrógino hebreu chamado Jeová.

Não é o “pai” de Jesus, que “quer misericórdia, e não sacrifício”, em cujas narinas o sangue de até mesmo um animal morto como holocausto jamais poderia ter exalado aroma doce.

Como então poderia o sacrifício humano oferecido pelo Cristo alegórico, e descrito na Epístola aos Efésios [v, 2] como tendo “cheiro suave”, ser considerado senão com horror? Os teosofistas podem discernir — para dizer o mínimo — tanto quanto o reverendo senhor que se assina T.G. Headley.


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NOSSO TERCEIRO VOLUME                            [Lucifer, Vol.

II, No. 13, Setembro, 1888, pp. 1-3]

Com o presente número, nossa revista entra no segundo ano de sua carreira, e a tocha de nosso Portador da Chama está iluminando o segundo marco de nosso progresso.

O caminho tem sido tortuoso e difícil — por vezes, margeando o abismo dos precipícios, como também percorrendo planícies suaves; contudo, sempre na direção de seu ponto objetivo declarado.

Seria o cúmulo da tolice dizer que todos os leitores têm estado igualmente satisfeitos: o editor que tenta atender a todos os gostos acaba por não satisfazer a ninguém, e menos ainda a si mesmo.

Recebemos protestos quase tão liberalmente quanto elogios.

Às vezes pensamos que seria um experimento divertido enviar as primeiras cartas às terceiras partes dissidentes, para que cada uma visse como os artigos que elogiam excitam a ira dos colegas leitores, e aqueles que condenam são considerados por outros como dos mais interessantes e meritórios.

É uma das situações consagradas do dramaturgo assim fazer com que cartas caiam em mãos erradas.

Mas ainda não ouvimos falar dessa brincadeira sendo feita por um editor, embora a tentação de fazê-lo deva ser por vezes grande.

Pensamos que pode ser legitimamente reivindicado que Lúcifer se mostrou consistente com sua política originalmente declarada.

Tem sido o oposto de desprovido de espinha dorsal.

Na medida de sua capacidade, golpeou com justiça e sem rodeios os obstáculos no caminho.

O objetivo que se propôs foi lançar luz sobre questões de profunda importância que afetam o homem e a constituição da

NOSSO TERCEIRO VOLUME

Sociedade, que se tornaram completamente obscurecidas.

Sem fazer pretensão de fazer flutuar uma única ideia nova em filosofia, religião ou ciência, mas apenas de reviver e popularizar o conhecimento dos antigos sobre esses maiores problemas humanos, desempenhou o papel do intérprete, não o do iconoclasta.

Absolutamente tolerante com respeito às diversas fés da Humanidade, seu esforço igual tem sido o de descobrir o fundamento universal da religião, coberto de ruínas, sobre o qual todas igualmente repousam.

Em relação à Ciência, seu sentimento tem sido e sempre será reverente, na medida do direito desta última à homenagem.

Ao mesmo tempo, o ódio e a antagonismo dos Fundadores de nossa revista têm sido incondicionais contra o dogmatismo e a intolerância científicos e sectários.

Lúcifer começou por agitar sua tocha diante das janelas do Palácio de Lambeth, não por qualquer sentimento pessoal contra Sua Graça de Cantuária, como indivíduo, mas contra o oficialismo que ele representa, que é ao mesmo tempo egoísta e anticristão ao último grau.

E assim, se Lúcifer às vezes acendeu com sua chama celestial os fogos de laboratório por trás das costas dos obscurantistas científicos, foi sob a inspiração de uma fervorosa lealdade àquela verdadeira pesquisa científica cujo axioma de imparcialidade e corajosa busca através da natureza foi formulado axiomaticamente por Arago em seu famoso apotegma de que fora da matemática pura a palavra "impossível" nunca deve ser pronunciada.

Não temos a vaidade de supor que tenhamos realizado nem uma fração do que era possível dentro do campo editorial de nosso trabalho escolhido.

Sem dúvida, em muitos casos, falhamos em expor nossos assuntos de forma clara e exaustiva; talvez também nossos pecados de comissão possam ter sido tão graves quanto os de omissão.

Mas, pedindo indulgência para todas as deficiências, apelamos para aquele amor inato ao jogo limpo, que é o orgulho de nossos tempos, para que nos seja dado crédito pela boa intenção e pela defesa destemida de nossos ideais.

A tendência mais perniciosa da sociedade é confundir princípios gerais com mérito individual, e desculpar-se pela deslealdade a esses ideais com base nas deficiências de representantes individuais dessas aspirações.


Em nenhum movimento dos tempos modernos isso foi mais viciosamente evidente do que naquele que Lúcifer e suas revistas-irmãs representam.

Frequentemente, os objetivos e propósitos do movimento teosófico foram completamente ignorados quando se tratava do mérito ou demérito de seus condutores.

Naturalmente, seria perda de tempo apontar a inconsistência daqueles que o esticariam neste leito de Procusto, enquanto prontos a protestar indignamente contra o mesmo teste aplicado a movimentos religiosos e ao avanço científico.

A imoralidade ou virtude de um líder teosófico não afeta mais a verdade das ideias teosóficas do que a mendacidade e desonestidade de Francis, Lord Bacon, afetam o valor intelectual do conteúdo de seu opus magnum.

Os teosofistas estão todos cientes do fato de que o nascimento e o desenvolvimento de nossa Sociedade remontam a supostas fontes ocultas de influência e vigilância.

Contudo, a vitalidade de tal fonte nem acrescenta nem deprecia, no menor grau, o valor das ideias, princípios e fatos que foram difundidos pelo mundo nos últimos quinze anos através de vários canais literários, dos quais Lúcifer é um.

Que nossa revista não tem sido parcial é demonstrado pelo fato de que, conforme a ocasião exigia, criticamos nossos próprios colegas e co-membros.

Na verdade, um de nossos editores não hesitou em censurar a política dos condutores interinos de sua própria revista, The Theosophist de Madras.

Se ela não aproximou a tocha de certos membros americanos, franceses, ingleses e hindus da Sociedade, é porque o doce espírito da caridade teosófica exige que se dê tempo a esses bem-intencionados, porém fracos de ação, para descobrirem sua ignorância e se purificarem do egoísmo feroz, da estreiteza de vistas e da presunção que tornaram sua encenação da "vida superior" uma quase cômica paródia.

Com o tempo e a experiência, a maior parte do farisaísmo de nossos dignos colegas, os autoproclamados censores dos costumes contemporâneos, desaparecerá, e eles adquirirão padrões mais seguros pelos quais julgar os de fora e, especialmente, seus próprios colegas.

NOSSO TERCEIRO VOLUME

Se há uma coisa que Lúcifer se propõe a pregar e impor ao longo do próximo ano, mais do que qualquer outro assunto, é—CARIDADE; caridade implacável para com as falhas do próximo, caridade incansável para com as necessidades daquele mais pobre do que nós.

A caridade é o escopo de todos os ensinamentos teosóficos, a síntese de toda e qualquer virtude.

Uma pessoa que exerce a caridade sob esse duplo aspecto não pode ser um mau homem ou uma má mulher, faça o que fizer.

Pensamos com certo filósofo que "é próprio que a caridade flua de uma pequena bolsa, tanto quanto de um grande saco", e com outro escritor, que não se deve adiar as próprias caridades até a morte.

Pois "Aquele que assim o faz é antes liberal com a substância de outro homem do que com a sua própria", diz Bacon.

E quão verdadeiras e grandiosas são estas palavras do eminente poeta americano, Joaquin Miller:

"TUDO O QUE PODEIS SEGURAR EM VOSSA FRIA MÃO MORTA,                É O QUE TENDE DOADO.

. . . ."

À parte isso—as futuras linhas de Lúcifer serão apenas uma prolongação das do Passado.

Não desejamos persuadir um único assinante adicional a se registrar sob qualquer promessa de ensinamento oculto que seja vedada pelas regras do treinamento místico.

Não proferiremos a última ou mesmo a penúltima palavra do mistério, nem daremos qualquer Vade Mécum de bolso que sirva como um Bradshaw superterrestre para excursionistas na Luz Astral.

Quem quer que deseje                                             ". . . . . traçar                                     Os segredos dessa raça estelar"

—deve viajar primeiro pelas linhas da verdadeira Teosofia; e somente então poderá esperar romper a região do Mistério e do Conhecimento Supremo.

Estamos na encruzilhada dos caminhos, onde um deles desce a ladeira para o vale escuro da ignorância, e o outro sobe em direção ao puro nível celestial do ser.

Para nós, cabe emitir o grito de advertência e a palavra de encorajamento; aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça—E SEJA SÁBIO.

Escritos Reunidos VOLUME X                                            Setembro, CIÊNCIA CRISTÃ OU MENTAL                                  [Lucifer, Vol.


III, No. 13, Setembro, 1888, p. 72]

[Reginald Birney explica os preceitos básicos da Ciência Mental e sua distinção da Ciência Cristã.

Ele se refere à resenha de Statement of Christian Science, de Ursula N. Gestefeld, que      apareceu em Lucifer, Vol.

II, No. 11, Julho, 1888. Ele diz: "Perguntais onde está a garantia—a      marca de autenticidade pela qual o verdadeiro Cientista Mental (ou assim chamado Cristão) pode ser conhecido.

'Pelos seus frutos os conhecereis.'" A isso, H.P.B. acrescenta a seguinte nota de rodapé:]

Exatamente. E é precisamente porque encontramos esses frutos abortivos, em razão das tentativas sempre falhas—até onde temos visto e ouvido—de curar uma doença realmente grave por tais meios, que nos permitimos duvidar da eficácia da Ciência Mental (ou Cristã), em sua roupagem e prática modernas.

Não é a própria Ciência Mental—com milhares de anos de existência—que duvidamos, mas os Cientistas, sejam Mentais ou Cristãos.

Duvidamos tão pouco da existência de tal Ciência nos dias antigos, e da possibilidade de seu renascimento em nossa era, quanto duvidamos da Teosofia e da Religião da Sabedoria, da qual tanto a Teosofia quanto a Cura pela Mente são parte integrante.

Mas o que dizemos é que "muitos são os chamados e (muito) poucos os escolhidos." Nem o Cientista Mental, nem o Teosofista, são tais pelo dito "pelos seus frutos os conhecereis." Dois terços dos Cientistas Mentais (ou Cristãos) e Teosofistas são, tememos, apenas vinho ruim engarrafado em boas garrafas.

[Ele fala da segurança de confiar tais poderes à multidão, e da possível intervenção de Poderes      superiores protegendo a humanidade do mau uso de várias forças.

A isso, H.P.B. diz:]

É essa doutrina perniciosa de sempre confiar em ajuda externa que leva ao colapso—físico, mental, moral e espiritual—de mentes bem-intencionadas, mas fracas e desequilibradas.

Ela mata o paciente do mesmerista e do curador mental, o neófito do feiticeiro, e o diletante da Reforma.

Nem sucesso nem segurança são encontrados fora do autodesenvolvimento.

WILLIAM QUAN JUDGE Originalmente publicado em Theosophy, Nova York, Vol. XI, junho, Collected Writings VOLUME X setembro,

UM FILÓSOFO IMPOPULAR

DO CADERNO DE NOTAS DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR

PENSAMENTOS NO ANIVERSÁRIO DE LUCIFER

[Lucifer, Vol. III, No. 13, setembro, 1888, pp. 84-88]

Sempre Avante.

Em seu voo incessante e, também, demasiado rápido ao longo do caminho da Eternidade, o Tempo deu mais um passo gigantesco: um passo de doze meses de duração em direção ao último dia de nossa era presente; também das vidas de muitos de nós dentro, e de todos nós além — a fronteira última de nosso século senil.

Em mais doze anos a cortina terá caído, ocultando as luzes da ribalta dos atores e todos estes da vista do público . . . . . Somente então muitas cenas encenadas no triste drama da vida, e muitas atitudes até então incompreendidas de alguns dos principais atores naquele Mistério da Era chamado Teosofia e suas Sociedades, aparecerão sob sua verdadeira luz.

––––––––––

O Veredito da Posteridade.

Naqueles dias da era vindoura, Salomão se assentará em julgamento sobre Davi.

O século que há de nascer passará sua sentença sobre o século que agora morre rapidamente.

E os netos dos teosofistas modernos terão de encontrar um veredito a favor ou contra seus pais.

O que será? Talvez haja aqueles que sabem, mas quem dentre eles o dirá! Aqueles que podem ver no ventre da futuraidade e poderiam profetizar mantêm-se afastados dos escárnios dos filisteus.

Em nossos dias de Iconoclastia e realismo prosaico, não é filósofo — nem mesmo um "impopular" — quem se envolve com coisas invisíveis.

Abstenhamo-nos, uma vez que aos teosofistas são negados os privilégios concedidos a certos astrólogos — rendamos antes a César o que pertence a César; a homenagem plena devida às eminentes virtudes que caracterizam nossa era.


Quão flagrantemente sua imagem brilhante cai sobre a tela escura do Passado! Que contraste entre sua pureza cristã, fortaleza, caridade, castidade e altruísmo, e os vícios e dissipação de — digamos — seu antecessor há muito partido, a era da Roma Imperial e Pagã! Isso é afirmado em dezenas de obras, pregado de milhares de púlpitos.

Qual será a opinião imparcial do Século XX sobre seu predecessor é fácil de ver.

Nossos historiadores são filhos e descendentes daqueles biógrafos patrísticos que fizeram do Imperador Juliano um apóstata, e de Constantino um Santo.

Não temas, pois, o veredito de tua posteridade imediata, ó Século XIX.

Bendito será o fruto do teu ventre, em qualquer caso.

Pois, quer esse fruto seja verde ou passado, piedoso ou diabólico, enquanto a tua civilização apodrecida continuar a produzir historiadores, enquanto a tua política de pilhagem e derramamento de sangue for chamada de virtudes cívicas e militares, e a farsa, a mentira e a hipocrisia se proclamarem como ética esparto-cristã.

––––––––––

Nossa "Estrela da Manhã".

Lúcifer completa um ano neste mês.

A criança está crescendo e fortalecendo-se em Espírito — se não totalmente em sabedoria, tanto quanto se poderia desejar. Seu temperamento é frequentemente alvo de queixas, e ela fez inimigos.

Mas seus amigos são muitos, e em certas partes do mundo ela é acariciada e até mesmo mimada — apesar do temperamento.

Nosso bebê está nascendo os dentes, na verdade, e portanto sujeito a ataques de pessimismo e mordidas.

Mas seu humor se suavizará com a idade; e como o material para seu alimento está gradualmente se acumulando para o segundo ano, poderá ainda provar-se, até mesmo para seus inimigos, uma criança precoce e bem-informada, ainda que indesejada.

UM FILÓSOFO IMPOPULAR

Uma Acusação Maliciosa.

Enquanto isso, alguns assinantes acharam por bem lançar uma sombra sobre seu segundo aniversário.

Lúcifer, dizem eles, não cumpre suas promessas; isto é, não traz suficientemente "à luz as coisas ocultas das trevas" concernentes ao Livro de Deus e aos "amigos de Deus", os Patriarcas Judeus.

Payne Knight e Inman o fizeram de forma muito mais completa e eficiente, etc., etc.

Respeitados Assinantes! Lúcifer é Vênus apenas em astronomia; nem seus editores jamais se comprometeram a igualar, muito menos superar, na exposição dos mistérios fálicos, Inman e Payne Knight, ou mesmo sua edição "bijou" em miniatura, Hargrave Jennings.

Os métodos usados por esses senhores são, sem dúvida, muito científicos; mas são demasiado realistas, demasiado crus e demasiado unilaterais para que os sigamos.

Se as pessoas quiserem a verdade, então, é claro, as "coisas ocultas das trevas" na Simbologia Sinaítica terão de ser desveladas.

Desvelemos então o Apocalipse por todos os meios.

Mas por que deveríamos nos dar ao trabalho de usar a Bíblia como um armazém colonial de especiarias com as quais temperar nossos pratos ocidentais, ou transformar Lúcifer em um detetive da Scotland Yard para delinquentes patriarcais? Os debates amorosos dos personagens do esoterismo pentateucal são muito apropriados em obras arqueológicas de pesquisa, mas totalmente fora de lugar em uma revista teosófica.

Lúcifer destina-se a revisar e pregar a ética moderna, não a antiga, e a filosofia metafísica em oposição à materialista.

Os deslizes de Ló e Davi, "os amigos de Deus", pertencem, juntamente com os glifos poéticos de "peixe", "calcanhar" e "coxa", à simbologia escriturística.

Foi uma tentativa arcaica de limpeza felina, e fala mais a favor do que em detrimento dos autores do livro revelado.

Aqueles que preferem a sinceridade nua da linguagem são convidados a recorrer aos Profetas.


A Era de Ovídio ou Oseias?

A palavra do "Senhor" a Oseias, filho de Beeri, foi certamente dirigida à nossa era de civilização.

Esta é verdadeiramente a reencarnação do profeta dócil, que, agindo segundo o conselho de seu Deus, ama "uma mulher amada por seus amigos, mas adúltera", volta-se para muitos deuses e ama "taças de vinho". O que temos a invejar no povo de "cerviz dura" de Israel? Desde a sua Sodoma e Gomorra, a sua adoração do Bezerro de Ouro, os passatempos inocentes do Rei Salomão, até a prática e a política daqueles a quem o Salvador cristão chamou de "raça de víboras", somos os dignos seguidores do "povo escolhido". Fizemos dos "dez mil superiores" os nossos altos lugares onde adoramos, e a simbologia da sociedade moderna é de natureza tão ocultadora quanto a dos escritores bíblicos.

A simbologia deles empalidece diante da nossa.

A varinha mágica do nosso século transforma, em sua astúcia, tudo sob o sol em outra coisa, na vida social, política e cotidiana.

As marcas hediondas da lepra moral são feitas para parecerem cicatrizes gloriosas de feridas recebidas no campo de batalha da honra; madeixas negras são transformadas em cabelos amarelos, e o tecido adiposo da carniça metamorfoseado em manteiga do pobre.

Vivemos em dias de uma féerie moral (ou antes, imoral), em que cada Sr. Hyde coloca a máscara do Dr. Jekyll.

É este último quem é o simbolismo da nossa era, e o primeiro a sua tendência cada vez mais irreprimível.

Assim, o manto do esoterismo, que a sociedade moderna, representante e chave da população média em cada nação, lança sobre seus pecados de comissão e omissão, é tão espesso quanto o simbolismo bíblico.

Apenas os dois trocaram e inverteram seus papéis; é o manto externo do simbolismo antigo que se tornou a vida interior e as verdadeiras aspirações da moderna Sra. Grundy.

UM FILÓSOFO IMPOPULAR — Então e Agora.

Para o adepto versado no simbolismo da sociedade moderna, as alegorias antigas tornam-se como um artifício transparente de uma criança inocente quando confrontadas e postas face a face com a astúcia e a sagacidade maquiavélica do que conhecemos como Modos-da-Sociedade.

Os dois símbolos da cultura moderna, respectivamente referidos como HIPOCRISIA RELIGIOSA e DECORO de sala de estar, alcançaram uma perfeição prática sob sua máscara, jamais sonhada pelas Rebecas e Jezabéis, pelos Jacós e até mesmo pelos Salomões de outrora.

Tornaram-se as duas plantas exóticas e gigantescas da cultura moderna.

Por isso é que Lúcifer se recusa a seguir os passos de nossos modernos Simbolistas.

Ele acredita que a água lamacenta dos "Rios da Vida (moderna)" deveria receber mais atenção do que os "Rios da Vida (antiga)". O revelador moderno das arcaicas "coisas das trevas" está demasiadamente tingido pela tendência geral da época para ser mais do que unilateral, e portanto dificilmente pode estar correto na interpretação de seu simbolismo.

Ele vê nas águas escuras e lisas desses "Rios" o reflexo de seu próprio século, quando não se espelha pessoalmente neles.

Daí, ele percebe em toda parte o culto fálico; e o simbolismo primitivo não pode representar para sua imaginação distorcida nada além do que ele encontraria nele. Por que dar preferência a eventos imaginados sobre os reais? Os Acabes e Jezabéis que matam os profetas são tão numerosos em nossos dias quanto nos dias de outrora.

A moderna Sra. Potifar, não encontrando um José que a ofenda, gasta suas energias caluniosas em detrimento de suas melhores "amigas". Doces são seus sussurros no ouvido ávido da Grundy de dupla face, que, balançando sua venerável cabeça, os escuta bebendo a calúnia como orvalho celestial.

O moderno Ló não precisa ser embriagado com vinho para dar uma mãe a Moabe; as Epopeias do século XIX repetem em escala mais grandiosa as aventuras de Helena e Sita.

Somente Homero e Valmiki agora abriram espaço para Zola, e a literatura moderna da escola realista na França faz corar, pela sinceridade de sua linguagem, todos os diálogos privados do “Senhor” com seu profeta Oséias.


O que temos a invejar nos antigos?

––––––––––

Para onde vamos?

Ahimé! Vivemos em tempos estranhos e bizarros.

Os nossos são os dias do prateado de Sheffield no plano moral.

A prata verdadeira quase caiu em desuso e caiu, como as rupias indianas, muito abaixo do par.

Este não é um tempo para regras de ouro, pois as pessoas preferem o pinchbeck moral.

A Natureza, bem como o homem, parece rachar em todas as suas sete costuras, e os parafusos universais certamente se soltaram em algum lugar, se não em toda parte, de seus gonzos, à moda desta terra.

O paradoxo floresce e os axiomas estão degenerando.

A Natureza e o homem competem entre si em falsidades.

O Senhor Deus de nossas religiões de Estado é proclamado um deus de misericórdia, de paz e amor, e ao mesmo tempo é um “homem de guerra”; “o Senhor nosso Deus” que “luta por Israel”. “Não matarás”, diz o mandamento; e com base nesse princípio, melhorias em máquinas assassinas e mortíferas estão sendo inventadas pelos “humildes” servos do dito Poder—mediante pagamento.

O Rev. F. Bosworth, um homem de Deus e de paz, acaba de ser recompensado pelo Governo paternal com um prêmio de 2.000, pelo “avanço da ciência da artilharia”. Explicado esotericamente, esse “avanço” significa, suponho, em simbolismo político, um canhão possuindo um poder e uma rapidez dez vezes maiores para matar os corpos dos inimigos de alguém, do que a fulminação dos cânones da Igreja para matar as almas de seus inimigos.

Daí, a recompensa aos engenhosos párocos.

Toda nação cristã está agora ocupada em preparar canhões e rifles superiores aos possuídos por seus vizinhos.

Duelos travados entre duas nações parecem ser julgados por um código de honra diferente daqueles entre dois indivíduos.

Batalhas vencidas por artimanha são atribuídas ao “gênio militar” e consideradas como “o lado poético e imaginativo da guerra”. (Fortnightly Review, Lord Wolseley.) A trapaça no comércio

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ou nos negócios privados é punida com trabalhos forçados.

No primeiro caso, o emprego astuto e inesperado de armas de poder assassino superior e crueldade diabólica é louvado, e seu uso bem-sucedido é feito para conferir as mais altas honras militares; ao passo que o antagonista particular que usa uma arma desigual ou tira vantagem injusta de qualquer maneira é considerado assassino e criminoso.

Assim, estadistas que "mentem pelo bem de seu país" e obtêm benefícios para ele por meio de engano vil têm promoção e honras; enquanto seu imitador menos culpável, que joga com cartas marcadas e dados viciados, ou "manipula" uma corrida, é expulso da boa companhia.

Tão crônica e congênita é nossa obtusidade, que nunca fomos capazes de distinguir uma baixeza moral da outra.

Mas para um filósofo reflexivo, a diferença entre um estadista ou general moderno e um trapaceiro e covarde moderno é imperceptível.

Ainda mais desconcertante!

E quanto aos inventivos e Reverendos "Bosworths"? Tornaram-se tão familiarizados com o lema do Exército da Salvação de "sangue e fogo" a ponto de serem levados a passar, por uma transição fácil, ao seu efetivo derramamento e uso no plano físico? Eles oram, arrependem-se e glorificam seu Senhor e, portanto, nada temem para si mesmos.

Eles são os modernos Acabes, a respeito dos quais a palavra do Senhor veio a Elias, o tisbita, dizendo: — "Viste como Acabe se humilha diante de mim? Porque ele se humilha diante de mim, não trarei o mal em seus dias; mas nos dias de seu [inocente] filho trarei o mal sobre sua casa" (I Reis, xxi, 29). Portanto, os Reverendos "Bosworths" estalam os dedos para o Carma e dizem: — "Après moi le déluge." Por que, então, alguém deveria objetar a ajudar na glória de seu país por meio de carnificina humana e rios de sangue? Que mal pode sobrevir a alguém por isso, contanto que ele apenas se humilhe diante do "Senhor" como Acabe? E não oram ambos os exércitos beligerantes?


Acaso alguma carnificina humana em um campo de batalha começa sem que esse Senhor seja quase simultaneamente invocado e implorado por ajuda por ambos os lados? Pergunta: — Será que o bondoso e misericordioso Pai Celestial — uno com Aquele, somos ensinados, que disse que "todos os que tomarem a espada perecerão pela espada" — ouve a ambos os lados, ou a apenas um? E pode mesmo Ele, a quem tudo é possível, realizar o milagre de enviar a vitória a ambos os seus humildes suplicantes? A qual dos dois o bom Deus ouve? É ao mais fraco dos dois, ou ao mais forte? Ó, Problemas da Era! Quem pode resolvê-los senão sua graça, o Arcebispo de Canterbury? Mas ele dificilmente dará atenção a um "filósofo impopular" que nem sequer é um membro conservador do Parlamento.

Que grande general foi o que disse que a Providência estava sempre do lado dos batalhões mais pesados?

––––––––––

Por seus frutos os conhecereis.

Qual é a diferença entre um cristão devoto e um Ateu? O problema foi filosoficamente resolvido por uma menininha nos Estados Unidos.

A anedota é contada por alguém que a ouviu pessoalmente — "nosso amigo mútuo" — o muito popular americano Edmund Russell.

No dia anterior ao funeral de Peter Cooper — o falecido milionário e filantropo — em Nova York, o Sr. Russell foi a uma "padaria". Três menininhas atendiam atrás do balcão.

Era feriado na cidade, pois todos se preparavam para honrar a memória de um dos benfeitores do povo acompanhando a procissão.

"Só de pensar!" — disse uma das meninas, pensativamente.

"Ele" (referindo-se a Peter Cooper) "possuía um banco inteiro na igreja e nunca entrou em uma."

"Bem," — respondeu outra — "talvez ele fosse Unitário?"

"Não, não era," — interveio a terceira menina.

"Ele era um filantropo."

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"Oh, Deus me livre," — gemeu a primeira que havia falado.

"Ele era um Ateu."

Ao que a mais nova das três pediu que lhe explicassem o significado desse termo.

"Bem, e o que é um Ateu, afinal?" — perguntou ela.

"Um Ateu," — explicou gravemente a mais velha — "significa um homem que acredita em fazer todo o bem que puder neste mundo e arriscar sua sorte no próximo."

––––––––––

Sinais Sobrenaturais.

A perspectiva para as Ilhas Britânicas é desesperadoramente deprimente.

La boule à cancans ("Bola de fofocas"), como Anatole France chama nossa mãe Terra, está perdendo sua rotação, e o dínamo Cósmico está se esvaziando.

O pior de tudo é que não sabemos a quem responsabilizar.

O que aflige os divinos COSMOCRATORES? A Índia está exportando suas supérfluas "nuvens de monção" para a Europa via Port Said, e o deus da chuva parece ter estabelecido permanentemente sua máquina de aspergir sobre a Grã-Bretanha.

A Sibéria envia suas geadas hiperbóreas para o sul, e ela própria flerta com os trópicos.

Cangurus apareceram em Surrey; e papagaios podem em breve ser ouvidos a gorjear seu staccato de serra, e aves do paraíso expõem suas plumas joalhadas em palmeiras em Arcangel.

Evidentemente, tudo está de cabeça para baixo, os tempos estão desarticulados, e os parafusos do "Carpinteiro" Cósmico estão se soltando.

Em vão nossos homens de Ciência desperdiçam seu grego e latim diante do problema.

O que é, o que pode ser? O que causa todo esse "tohu-bohu" sideral e terrestre à la mode, do Caos? O Globo está encolhendo, ouvimos; e o firmamento engrossando com matéria estranha de todos os tipos.

A fuligem e a fumaça incessantes de milhões de chaminés, fornalhas, locomotivas e outros fogos podem porventura ter irritado os Poderes superiores.

Naturalmente, pois eles devem objetar a serem defumados para fora de seus Svargas e Valhallas e outros agradáveis Elísios isolados, pelos produtos da combustão incompleta de combustível.

Quanto à nossa pobre mãe Terra, com suas minas, canais e túneis cada vez mais extensos, aquedutos, drenos, esgotos e passagens subterrâneas, sua venerável pele está se tornando tão crivada de favos que se assemelha à pele de um morfinômano viciado em injeções subcutâneas.


Por quanto tempo ela suportará que seus robustos flancos sejam assim escarificados, quem pode dizer? O astrólogo da equipe do Pall Mall Gazette acaba de profetizar que outubro nos trará terríveis desastres, inundações, desabamentos de casas e terremotos.

Ai de Londres se este último acontecer, pois ao primeiro forte choque toda mansão alta dentro da área sísmica desmoronará em seu próprio porão e adega; ao segundo, todas as ruas afundarão nos túneis subterrâneos; e ao terceiro, os quatro milhões e meio de pessoas desabrigadas se verão içadas ao espaço cerúleo, a caminho da terra estrelada do Silêncio, pela explosão de todo o gás, vapor, dinamite e outros produtos expansivos da engenhosidade moderna.

Duvidamos que haja um número suficiente de asas prontas e harpas de ouro em estoque para o dies irae.

Mas é ao menos consolador sentir que haverá fogo e enxofre abundantes para todos aqueles que são "predestinados" por Deus a migrar para regiões tropicais.

–––––––––– Quanto a mim, confesso minha total incapacidade de saber onde exatamente essa linha será traçada.

Talvez algum Daniel entre nossos assinantes possa "vir a julgamento". Será que apenas os presbiterianos podem ser salvos? O enigma é suficiente para confundir qualquer filósofo quando ele lê algo como o seguinte, que copiamos, verbatim, do folheto original enviado por um amigo americano.

A cena é em Baraboo, Wisconsin:

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FESTA NO JARDIM

Na Residência da Sra.

R. H. Strong, Para o benefício do

FUNDO DE CONSTRUÇÃO EPISCOPAL, Sob os Auspícios de 4––QUATRO JOVENS CAVALHEIROS–– Da Congregação.

Na Quarta-feira à Noite, 18 de Julho. REDES, SORVETE,

JOVENS SENHORITAS ATRAENTES,

E UMA RECEPÇÃO MUITO CALOROSA!

Os portões abrem às 8 horas.

A Igreja Episcopal é a seção americana da Igreja da Inglaterra; seus bispos estão justamente agora pregando aqui, em nossas catedrais, e reunidos em conclave no Palácio de Lambeth.

O que dirá sua graça de Cantuária sobre a nova forma de arrecadar fundos para a construção de igrejas? É imoral para os taberneiros contratar "garçonetes bonitas" para servir "algo quente" atrás do balcão, mas moral para os episcopais empregar "jovens senhoritas atraentes" e "redes" para dar uma "recepção muito calorosa" aos visitantes "sob os auspícios de quatro jovens cavalheiros da congregação"? Lúcifer cobre o rosto com seu manto para esconder o rubor que sua ignorância provoca.

Ele recorda as memórias de encarnações anteriores quando, como Vênus, viu os sagrados mistérios degradados nos ritos lascivos de Vênus-Astarte, nos quais as mais altas damas se entregavam para aumentar as receitas do Templo, e os Kadeshuth dos judeus (Ver 2 Reis, xxiii, 7) desempenhavam os ignóbeis deveres dos depravados Vallabacharyas da Índia!


Enquanto isso, junte-se a nós em desejar muitos felizes retornos de seu aniversário a Lúcifer, "Filho da Manhã". Que ele cresça para igualar em profundidade seu irmão mais velho, O Teosofista de Madras; em suavidade e graciosidade sua irmã mais velha, O Caminho, de Nova York; e em zelo combativo e ousadia, o Le Lotus que floresce nas margens do Sena.

Lúcifer chega bem a tempo de saudar o recém-nascido da literatura teosófica, o *Hestia*, que nosso irmão, Sr. Sturdy, acaba de fundar na Nova Zelândia como órgão local da Teosofia.

Para que nada faltasse para tornar o aniversário agradável, nosso incansável velho Presidente-Fundador, barba patriarcal e tudo mais, surge em uma missão especial de paz e organização que lhe foi confiada pelo Conselho Executivo em Adyar.

Um homem menos calmo e paciente poderia muito bem desesperar de derramar óleo sobre as águas turbulentas da teosofia europeia, através das quais nosso navio tem navegado durante os últimos doze meses.

Floreat Adyar.

––––––––––                        Collected Writings VOLUME X                                         Setembro,

NOTAS DIVERSAS                           [Lucifer, Vol.

III, No. 13, Setembro, 1888, pp. 69, 81-82]

[Thomas May apresenta alguns dados bíblicos em resposta às perplexidades do Rev.

T. G. Headley sobre o assunto de Deus e o Diabo.

Ele escreve: "Ele é chamado Satanás ou Shethen—oposição—e também um Acusador—não, porém, um acusador falso—pois, no livro atribuído a Jó, ele é representado como um dos Filhos de Deus, que se apresenta com os outros, e como tal é investido de sabedoria superior, dirigindo até mesmo a providência de Deus." A isso, H.P.B. acrescenta a seguinte nota de rodapé:]

Isso é inegável; pois encontramos declarado no Zohar que o "Ancião de todos os Anciões" (Ain-soph, dizem os cabalistas, o Logos ou At-tee-kah, também Hokhmah, ou Sabedoria, sustentam os ocultistas) tendo evoluído ou "criado" Thorah (a lei, ou Dharma), até então oculta,

NOTAS DIVERSAS

Thorah imediatamente dirigiu-se a IT (o Ancião de todos os Anciões) com estas palavras: "IT, que deseja arranjar em ordem outras coisas, deveria primeiro arranjar a Si mesmo em Suas (a Ele pertencentes) Formas." E o "Para sempre oculto" seguiu o conselho de Thorah e assim arranjou suas formas a ponto de se manifestar como o Universo.

E se Thorah, por que não Satanás?                           Collected Writings VOLUME X                                             Setembro, THEOSOPHIE ET BOUDDHISME                            [Le Lotus, Paris, Vol.


III, No. 18, Setembro, 1888, pp. 321-33]

Este ensaio francês, da pena de H. P. B., tem tamanha semelhança com seu editorial na *Lucifer*, intitulado “A Sociedade Teosófica: Sua Missão e Seu Futuro”, publicado em agosto de 1888, que poderia facilmente ser confundido com uma tradução francesa, especialmente por ter aparecido apenas um mês depois.

Muitos de seus parágrafos são idênticos, palavra por palavra, aos do ensaio anterior, enquanto outros são um tanto diferentes.

Parte do material está ligeiramente reorganizado, e as passagens citadas de Émile Burnouf são em menor número do que no editorial da *Lucifer*.

Para evitar repetição desnecessária, traduzimos para o inglês apenas alguns breves trechos que contêm pensamentos adicionais, ou uma apresentação diferente de ideias semelhantes expressas no ensaio anterior.

Dessa forma, nenhum pensamento de importância se perde para o leitor que não esteja familiarizado com a língua francesa. — Compilador.]

M. Émile Burnouf, o bem conhecido sanscritista, acaba de publicar na *Revue des Deux-Mondes* (Vol. 88, 15 de julho de 1888), um artigo intitulado “O Budismo no Ocidente”, no qual expõe suas opiniões sobre a missão e o futuro da Sociedade Teosófica.

Esta tem raramente a boa fortuna de receber um tratamento tão cortês e conselhos tão simpáticos, e assinados por um nome tão caro a todos aqueles que amam o Oriente, que não acreditamos agradar a nossos leitores ao lhes expor essas críticas de um pensador sério e esses encorajamentos de um homem de coração. Este artigo prova que a Sociedade Teosófica finalmente tomou, no pensamento do século XIX, o lugar que lhe é devido e que vai entrar em uma nova era.

Ele merece, portanto, o respeito e a atenção de todos aqueles que compreenderam nossa obra ou que a ela se dedicaram.

Burnouf estuda sucessivamente o Budismo, o Cristianismo e a Sociedade Teosófica,

“ . . . . três religiões ou associações de homens tendo doutrinas idênticas, um mesmo objetivo, e se ligando a uma fonte comum.

Essa fonte, que é oriental, era outrora contestada; hoje, ela é plenamente posta em luz pelas pesquisas dos sábios,

TEOSOFIA E BUDISMO

notadamente dos sábios ingleses, e pela publicação de textos originais.

Entre esses escrutadores sagazes, bastará citar os nomes de Sayce, de Poole, de Beal, de Rhys-David, de Spence Hardy, de Bunsen; seria difícil esgotar a lista». [p. 341.] A primeira parte do artigo é consagrada à biografia do príncipe de Kapilavastu, a uma breve exposição e a um resumo histórico do Budismo até a era cristã.

A vida de Çâkyamouni é demasiado conhecida para que a reproduzamos; mas devemos assinalar algumas palavras que provam que Nïrvâna não quer dizer aniquilação.

Não tenho de discutir aqui sobre a natureza do nirvana.

Direi somente que a ideia do nada é absolutamente estranha à Índia, que o objetivo do Buda foi subtrair a humanidade às misérias da vida terrestre e aos seus retornos alternados; que, enfim, ele passou sua longa existência a lutar contra Mâra e seus anjos, que ele mesmo chamava a Morte e o exército da morte.

A palavra nirvana quer bem dizer extinção, por exemplo, de uma lâmpada sobre a qual se sopra; mas quer dizer também ausência de vento. Penso, portanto, que o nirvana não é outra coisa senão esse requies aeterna, essa lux perpetua que os cristãos também pedem para seus mortos.

É nesse sentido que é entendido no texto birmanês publicado há alguns anos em Rangum, em inglês, pelo reverendo Bigandet.

[p. 343.]

Poucas concepções foram mais mal compreendidas do que a do Nirvana, se não for talvez a da divindade.

Entre os judeus e outros semitas, entre os antigos gregos e os romanos, e mesmo entre os brâmanes, o sacerdote é o mediador entre o homem e Deus.

. . . Ele transmite a Deus a oferenda e a adoração do fiel; Deus dá em retorno suas graças e seus socorros na vida; no dia da morte, Deus recebe o fiel entre seus eleitos.

Para que esse intercâmbio seja possível, é necessário que Deus seja concebido como um ser individual, como uma pessoa, de certo modo como o rei do universo, distribuindo seus favores segundo sua vontade, sem dúvida também

–––––––––– O fato de que Nirvana não quer dizer aniquilação foi afirmado e repetido em Isis Unveiled, cuja autora discutiu o sentido etimológico dado por Max Müller ou outros, e mostrou que "a extinção de uma lâmpada" não implica nem mesmo a ideia de que Nirvana seja "a extinção da consciência". (Vejam Vol.

I, p. 290, e Vol.

II pp. 116-17, 286, 320, 566, etc.

. .) –––––––––– segundo a justiça.


. . .Nada de parecido no Budismo.

Como não há deus pessoal, não há santo sacrifício, não há intermediário.

. . . [p. 344.] . . . . Esse Buda não é um deus a quem se implora; foi um homem que alcançou o grau supremo da sabedoria e da virtude.

. . . Quanto à natureza do princípio absoluto das coisas, que as outras religiões chamam de Deus, a metafísica búdica o concebe de uma maneira totalmente diferente e não o faz um ser separado do universo.

. . . Em segundo lugar, o Buda abriu sua igreja a todos os homens, sem distinção de origem, casta, pátria, cor ou sexo: "Minha lei", dizia ele, "é uma lei de graça para todos". Era a primeira vez que aparecia no mundo uma religião universal.

Até então, cada país tivera a sua, da qual os estrangeiros eram excluídos.

Pode-se sustentar que, nos primeiros anos de sua pregação, o reformador não teve em vista a destruição das castas, pois admitia como um direito legítimo o poder real e não lutava contra ele.

Mas a igualdade natural dos homens foi uma das bases de sua doutrina; os livros búdicos estão repletos de dissertações, narrativas e parábolas cujo objetivo é demonstrá-la.

. . . A liberdade era a consequência disso.

Nenhum membro da igreja podia impor a outro que permanecesse nela contra a própria vontade.

. . . . [pp. 345-46.] . . . Não se nascia budista; tornava-se budista por uma escolha voluntária e após uma espécie de estágio que todo pretendente devia cumprir.

Uma vez membro da Assembleia, não se distinguia mais dos outros irmãos; a única superioridade que se podia adquirir era a da ciência e da virtude.

. . . . . Esse amor mútuo, essa fraternidade, estendia-se às mulheres e fazia da Assembleia uma espécie de família . . . . [p. 346.]

Depois de narrar os progressos do Budismo no Sul e no Norte da Índia, entre os mazdeístas e os judeus, o Sr. Burnouf observa que estes últimos tomaram emprestado do Budismo sua ideia do Messias.

A influência oriental foi claramente discernida na história judaica desde o cativeiro; a doutrina da reencarnação também vem das Índias.

Consideram-se os essênios como formando o elo e o ponto de encontro entre os rabinos, os gnósticos judeus, os platônicos ou pitagóricos, por um lado, e o parsismo e o budismo, por outro . . . . Eles condenavam os sacrifícios sangrentos, como o Buda e a Sinagoga, e os substituíam pela meditação e pelo sacrifício das paixões.

...abstinham-se de carne e vinho.

...praticavam a comunhão de bens, a esmola, o amor à verdade, a pureza nas ações, nas palavras e nos pensamentos... proclamavam a igualdade dos homens, proscriviam a escravidão e

TEOSOFIA E BUDISMO

substituíam a discórdia pela caridade.

...os primeiros cristãos eram essênios.

... [pp. 352-53.]

Comparando a vida de Jesus com a de Buda, vê-se que suas biografias se dividem em duas partes: a lenda ideal e os fatos reais.

Ora, a parte lendária é idêntica em ambas.

Do ponto de vista teosófico, isso é fácil de explicar, pois essas lendas se baseiam no ciclo da iniciação.

Por fim, o autor compara essa parte lendária com os traços correspondentes de outras religiões, entre outras, com a história védica de Viśvakarman.

Segundo ele, foi somente no Concílio de Niceia que o Cristianismo rompeu oficialmente com o Budismo eclesiástico; no entanto, ele considera o Credo adotado pelo concílio como o desenvolvimento da fórmula: "O Buda, a lei, a igreja" (Buddha, Dharma, Sangha). Algumas páginas são dedicadas às ramificações da seita dos Essênios, que não haviam sido completamente absorvidas pela religião de Cristo.

Tais são as seitas dos Mandeus, dos Sabeus ou Maniqueus; por fim, os Albigenses, de um lado, e, de outro, os Paulicianos, cuja influência sobre o protestantismo é discernível, representam os últimos vestígios da influência budista no Ocidente.

Os Maniqueus eram, na origem, Samanas ou Çramanas, ascetas budistas cuja presença em Roma em meados do século III é mencionada por Santo Hipólito.

M. Burnouf explica seu dualismo em relação à dupla natureza do homem, o bem e o mal, sendo o mal o Mâra da lenda budista.

Ele mostra que os Maniqueus derivavam suas doutrinas do Budismo mais diretamente que os cristãos; consequentemente, uma luta mortal surgiu entre os dois, quando a Igreja cristã tomou corpo e pretendeu possuir sozinha e exclusivamente a verdade.

Essa ideia está em contradição direta com as concepções fundamentais do Budismo, e aqueles que a professavam deveriam ser naturalmente adversários acirrados dos Maniqueus.

Foi assim o espírito judeu de exclusão que armou contra os Maniqueus o braço secular dos Estados cristãos.

A perseguição foi terrível; «eles foram tão esmagados, que a sua multidão, então imensa, se dissipou como fumaça». Os teosofistas podem, portanto, considerar as perseguições eclesiásticas como uma das mais nobres porções de sua herança.

Nenhuma sociedade foi mais ferozmente caluniada e perseguida pelo *odium theologicum* do que a associação teosófica e seus fundadores, desde que as igrejas cristãs se viram reduzidas a não empregar outras armas senão a língua.

Tendo seguido essa alta linha desde a Índia, através da Palestina até a Europa, cremos dever citar integralmente alguns parágrafos que o Sr. Burnouf consagra à Sociedade Teosófica:

A análise nos mostra em nossa sociedade contemporânea duas coisas essenciais: a ideia de um Deus pessoal nos crentes, e, nos filósofos, o desaparecimento quase completo da caridade.

O elemento judaico retomou a supremacia, e o elemento búdico do cristianismo se velou.

É, portanto, um dos fenômenos mais interessantes, senão dos mais inesperados de nossos dias, a tentativa feita neste momento de suscitar e constituir no mundo uma sociedade nova, apoiada sobre os mesmos fundamentos que o budismo.

Embora ela esteja apenas em seus começos, seu crescimento é tão rápido que nossos leitores ficarão muito satisfeitos em ver sua atenção chamada para este assunto.

Ela ainda está, de certo modo, em estado de missão, e sua propagação se realiza sem ruído e sem violência.

Ela não tem sequer um nome definitivo; seus membros se agrupam sob nomes orientais, postos à frente de suas publicações: Ísis, Lótus, Esfinge, Lúcifer.

O nome comum que prevalece entre eles por enquanto é o de Sociedade Teosófica.

Esta sociedade é bem jovem; já tem, contudo, uma história.

Foi fundada em 1875, em Nova York, por um grupo muito pequeno de pessoas, inquietas com a rápida decadência das ideias morais na era presente.

Esse grupo se intitulou: «Sociedade Teosófica Ariana de Nova York». O epíteto de ariana indicava suficientemente que a Sociedade se separava do mundo semítico, notadamente dos dogmas judaicos; a parte judaica do cristianismo deveria ser reformada, seja por uma simples amputação, seja, como de fato aconteceu, por via de interpretação.

Todavia, um dos princípios da sociedade era a neutralidade em matéria de seita, e a liberdade do esforço pessoal rumo à ciência e à virtude.

. . . . . A sociedade não tem nem dinheiro nem patrões; ela age com seus únicos recursos eventuais.

Ela não tem nada de mundano.

Ela não tem nenhum espírito de seita.

Ela não lisonjeia nenhum interesse.

Ela se impôs um ideal moral muito elevado, combate o vício e o egoísmo.

Ela tende à unificação das religiões, que considera idênticas em sua origem filosófica; mas reconhece a supremacia da verdade.

O

TEOSOFIA E BUDISMO

Lotus, revista mensal que ela publica em Paris, tomou como epígrafe o lema sânscrito dos marajás de Benares: «Satyân nâsti paro dharmah, não há religião mais elevada do que a verdade». Com esses princípios e no tempo em que estamos, a sociedade dificilmente poderia impor-se piores condições de existência.

No entanto, ela progrediu com uma rapidez surpreendente.

. . . [pp. 366-67.]. . . Na América, a sociedade teve grande expansão nestes últimos tempos; suas filiais se multiplicaram e, em seguida, de certo modo se federalizaram em torno de uma delas, a filial de Cincinnati.

. . . . Como o segundo objetivo que a associação se propõe é o estudo das literaturas, das religiões, das ciências arianas e orientais, e como uma parte de seus membros busca a interpretação dos antigos dogmas místicos e das leis inexplicadas da natureza, poder-se-ia ver nela uma espécie de academia hermética, bastante estranha às coisas da vida.

Somos rapidamente trazidos de volta à realidade pela natureza das publicações que ela faz ou que recomenda, e pela declaração contida no Lucifer, publicado em Londres, e reproduzida no Lotus do mês de janeiro passado: «Não é teósofo aquele que não pratica o altruísmo (o contrário do egoísmo); que não está preparado a partilhar seu último pedaço de pão com o mais fraco ou mais pobre do que ele; que negligencia ajudar o homem, seu irmão, seja qual for sua raça, nação ou crença, em qualquer tempo e lugar em que o veja sofrendo, e faz ouvidos moucos ao grito da miséria humana; que, enfim, ouve caluniar um inocente, teósofo ou não, sem tomar sua defesa, como o faria por si mesmo». Essa declaração não é cristã, pois não leva em conta as crenças, não faz proselitismo por nenhuma comunhão, e, de fato, os cristãos ordinariamente empregaram a calúnia contra seus adversários, por exemplo contra os maniqueus, os protestantes e os judeus.

Ela é muito menos ainda muçulmana ou bramanista.

É puramente búdica; as publicações práticas da Sociedade são ou livros búdicos traduzidos, ou obras originais inspiradas pelos ensinamentos do Buda.

A Sociedade tem, portanto, um caráter búdico.

Ela se defende um pouco disso, com medo de assumir uma cor sectária e exclusiva.

Ela está errada: o budismo verdadeiro e original não é uma seita, é apenas uma religião.

É antes uma reforma moral e intelectual, que não exclui nenhuma crença, mas não adota nenhuma.

É o que faz a Sociedade Teosófica . . . . [pp. 368-69.]

Ao falar do Budismo, M. Burnouf tem constantemente em vista o Budismo primitivo, essa magnífica floração de virtude, de pureza e de amor cujas sementes o cisne de Kapilavastu lançou sobre o solo da Índia.

Nesse ponto, estamos de acordo com ele.

O código de moral estabelecido por Buda é o maior tesouro que já foi dado à humanidade: essa religião, ou antes essa filosofia, aproxima-se da verdade ou ciência secreta muito mais do que qualquer outra forma ou crença exotérica.


Não podemos propor um ideal moral mais elevado do que esses nobres princípios de fraternidade, de tolerância e de desapego, e a moral budista representa quase exatamente a moral teosófica.

Em uma palavra, não se poderia nos honrar mais do que nos chamando de budistas, se não tivéssemos a honra de ser teosofistas.

Mas a Sociedade Teosófica se defende muito seriamente, e não apenas por formalidade, de ter sido criada "para propagar os dogmas do Buda". Nossa missão não é propagar dogmas, nem budistas, nem védicos, nem cristãos; somos independentes de toda fórmula, de todo ritual, de todo exoterismo.

Pudemos, às tentativas de invasão feitas por cristãos zelosos, mas cristãos, opor os nobres princípios da ética budista.

Os presidentes da Sociedade puderam se declarar pessoalmente budistas, e isso lhes foi bastante censurado; um deles dedicou sua vida à regeneração dessa religião em sua terra de origem.

Que aqueles lhe atirem a pedra, que não compreendem as necessidades da Índia atual e não desejam o reerguimento dessa antiga pátria das virtudes.

Mas isso não compromete o corpo teosófico, como tal, perante o budismo eclesiástico, assim como o cristianismo de alguns de seus membros não o compromete perante nenhuma igreja cristã.

Precisamente porque o Budismo atual precisa ser regenerado, despojado de todas as superstições e de todas as restrições que o invadiram como plantas parasitas, seria um grande erro tentarmos enxertar um broto jovem e sadio em um ramo que perdeu sua vitalidade, embora talvez seja menos ressecado que os demais galhos.

É infinitamente mais sábio ir diretamente às raízes, às fontes puras e inalteráveis de onde o próprio Budismo extraiu sua seiva poderosa.

Podemos nos iluminar diretamente na pura "Luz da

TEOSOFIA E BUDISMO

Ásia"; por que haveríamos de nos demorar em sua sombra deformada? Apesar do caráter sintético e teosófico do Budismo primitivo, o Budismo atual tornou-se uma religião dogmática e fragmentou-se em numerosas e heterogêneas seitas.

A história dessa religião e das outras está aí para nos advertir contra as meias-medidas.

Vede a reforma parcial chamada Protestantismo: serão os resultados suficientemente satisfatórios para nos levar a remendos? A própria Arya Samaj não passa, afinal, de um esforço nacional, enquanto a posição essencial da Sociedade Teosófica é afirmar e manter a verdade comum a todas as religiões, a verdade verdadeira, que as invenções, as paixões e as necessidades das épocas não puderam macular, e convocar a ela todos os homens, sem distinção de sexo, cor ou posição — e, o que é mais, de crença.

O Sr. Burnouf nos adverte contra a indiferença.

De onde vem esta? Da indolência, em primeiro lugar, esse flagelo da humanidade, e depois do desânimo.

E se o homem está cansado de símbolos e cerimônias cuja explicação o sacerdote nunca dá, mas das quais extrai belos benefícios, não é substituindo nossas capelas por templos budistas que sacudiremos essa torpor.

Chegou o momento em que todos os sinos têm um só som: eles tocam o tédio.

Pretender reinstalar a religião de Buda sobre as ruínas da de Jesus seria dar à árvore morta o apoio de um bastão ressecado.

Nosso próprio crítico nos adverte que a humanidade está cansada até das palavras Deus, religião.

Observemos, a esse respeito, que o termo teosofia, que significa sabedoria divina, não implica necessariamente a crença em um deus pessoal.

Cremos que a doutrina dos teosofistas está suficientemente exposta para não precisarmos insistir nesse assunto.

Amônio Sacas, Plotino, Jâmblico, Porfírio, Proclo eram teosofistas; e, ainda que fosse apenas por respeito a esses homens, podemos muito bem conservar esse título.

Não, o Sangha dos Budistas não pode ser restabelecido em nossa civilização.

Quanto ao próprio Buda, nós o veneramos como o maior sábio e o maior benfeitor da humanidade, e não perderemos nenhuma ocasião de reivindicar seus direitos à admiração universal.


Mas, diante dessa lei terrível que sempre faz degenerar a admiração em adoração e esta em superstição, diante dessa cristalização desesperadora que se opera nos cérebros dispostos à idolatria e dela exclui tudo o que não é o ídolo, seria sábio reclamar para o irmão mais velho de Jesus o lugar estreito onde este último sofre um culto sacrílego? Infelizmente, é possível que haja homens suficientemente egoístas para só poderem amar um ser, suficientemente servis para só quererem servir a um mestre por vez!     Resta, portanto, o Dharma: dissemos em que alta estima temos a moral budista.

Mas a Teosofia se ocupa de outra coisa além de regras de conduta: ela realiza esse milagre de poder reunir uma moral pré-budista a uma metafísica pré-védica e a uma ciência pré-hermética.

O desenvolvimento teosófico apela a todos os princípios do homem, às suas faculdades intelectuais assim como às suas faculdades espirituais, e os dois últimos objetivos do nosso programa têm mais importância do que o Sr. Burnouf parece lhes conceder.

Podemos assegurar-lhe que, se nossa Sociedade receber a adesão de muitos homens de seu valor, ela será o canal de uma torrente de ideias novas emprestadas de fontes antigas: uma torrente de inovações artísticas, econômicas, literárias e científicas tanto quanto filosóficas, e de outro modo fecunda para o futuro do que a primeira Renascença.

Haverá aí mais do que uma coloração acadêmica: a própria academia aprenderá o alfabeto que permite ler claramente, nas entrelinhas, o sentido tão obscuro e frequentemente tão insignificante em aparência das escrituras antigas.

Essa chave está ao alcance daqueles que têm a coragem de erguer a mão para tomá-la.

E essa chave, Buda a possuía, pois era um adepto de alto grau.

É verdade que não existem mistérios ou esoterismo nas duas principais igrejas budistas, a do Sul e a do Norte.

Os budistas podem muito bem contentar-se com a letra morta das doutrinas de Siddhârtha Buda, pois até este

TEOSOFIA E BUDISMO

dia, não há nenhuma mais nobre, felizmente; não há nenhuma que possa produzir efeito mais importante sobre a ética das massas.

Mas é aqui o grande erro de todos os orientalistas.

Há uma doutrina esotérica, uma filosofia que enobrece a alma, por trás do corpo exterior do Budismo eclesiástico.

Este, puro, casto e imaculado como a neve virgem dos cumes do Himalaia, é, no entanto, tão frio e tão desolado no que concerne à condição do homem post mortem.

O sistema secreto era ensinado somente aos Arhats, geralmente no subterrâneo de Saptaparna (Sattapani de Mahavam a), conhecido por Fa-hian sob o nome de gruta Cheta, perto do monte Baibhâr (em páli Webhâra), em Rajagriha, antiga capital de Magadha; era ensinado pelo senhor Buda ele mesmo, entre as horas de Dhyana (contemplação mística). É dessa gruta, chamada no tempo de ®akyamuni, Saraswati ou gruta dos bambus, que os Arhats iniciados na sabedoria secreta levaram sua instrução e sua ciência para além do Himalaia, onde a doutrina secreta é ensinada até este dia.

Se os indianos do Sul, os invasores de Ceilão, não tivessem "empilhado em pilhas tão altas quanto o topo dos coqueiros" as ollas dos budistas, e não as tivessem queimado, assim como os cristãos queimaram todos os arquivos secretos dos gnósticos e dos iniciados, os orientalistas teriam a prova disso, e não precisaríamos afirmar agora esse fato bem conhecido.

Os três objetivos do programa teosófico podem ser resumidos pelas três palavras Amor, Ciência, Virtude, e cada um é inseparável dos outros dois.

Revestida dessa tripla armadura, a Sociedade Teosófica realizará o milagre que o Sr. Burnouf lhe pede e derrotará o dragão da "luta pela existência". Ela o fará não negando a existência da lei em questão, mas atribuindo-lhe seu justo lugar na ordem harmoniosa do universo; desvelando sua natureza e sua significação; mostrando que essa pseudo-lei de vida é, na realidade, uma lei de morte, uma ficção das mais perigosas no que concerne à família humana.

A «autoconservação», sobre tais dados, é na verdade um suicídio lento e seguro, uma política de homicídio mútuo.


Por sua aplicação prática, os homens se afundam e recuam cada vez mais para o grau animal da evolução.

A luta pela existência, mesmo sobre os dados da economia política, que não se eleva acima do plano material, aplica-se apenas ao ser físico e de modo algum ao ser moral.

Ora, é bastante verossímil, à primeira vista, para quem aprofundou um pouco a constituição do nosso universo ilusório em pares de contrários, que se o egoísmo é a lei da extremidade animal, o altruísmo deve ser a lei do outro extremo; a fórmula da luta pela vida é cada vez menos verdadeira à medida que se sobem os degraus da escala, isto é, à medida que nos aproximamos da natureza espiritual: mas para aqueles que não desenvolveram as faculdades dessa parte de sua natureza, as leis que a regem devem permanecer no estado de convicção sentimental.

A teosofia nos indica o caminho a seguir para que essa intuição se transforme em certeza, e o progresso individual que ela exige de seus discípulos é também a única salvaguarda contra o perigo social com que nos ameaça nossa crítica; para reformar a sociedade, é preciso começar por reformar a si mesmo.

Não é a política de autoconservação, nem os interesses de uma personalidade ou de outra, sob sua forma finita e física, que podem nos conduzir ao objetivo desejado e abrigar a Sociedade Teosófica contra os efeitos do furacão social, ainda que essa personalidade representasse o ideal do homem, ainda que esse escudo fosse o próprio Buda.

A salvação está no enfraquecimento do senso de separação entre as unidades que compõem o todo social: ora, esse resultado só pode ser realizado por um processo de iluminação interior.

A violência jamais assegurará o pão e o conforto para todos; e não é tampouco por uma fria política de raciocínio diplomático que será conquistado o reino de paz e amor, de ajuda mútua e caridade universal, a terra prometida onde haverá «pão para todos». Quando se começar a compreender que é precisamente o egoísmo pessoal e feroz, grande mola da luta pela existência, que está no fundo a única causa da miséria humana; que é

Ainda o egoísmo nacional, desta vez, e a vaidade de Estado, que provocam os governos e os indivíduos ricos a enterrar enormes capitais e a torná-los improdutivos, erguendo igrejas suntuosas e mantendo um bando de bispos preguiçosos, verdadeiros parasitas de seus rebanhos; só então a humanidade tentará remediar o mal universal por uma mudança radical de política.

Essa mudança, só as doutrinas teosóficas podem realizá-la pacificamente.

É pela união estreita e fraterna dos Eus superiores dos homens, pelo crescimento da solidariedade de alma, pelo desenvolvimento desse sentimento que nos faz sofrer ao pensar nos sofrimentos alheios, que poderá ser inaugurado o reino da igualdade e da justiça para todos, e que se estabelecerá o culto do Amor, da Ciência e da Virtude, definido neste admirável axioma: "Não há religião mais elevada que a verdade." H. P. BLAVATSKY.

Collected Writings VOLUME X Setembro,

TRADUÇÃO DE ALGUNS TRECHOS DO ACIMA.

. . . . Mas a Sociedade Teosófica rejeita a ideia, e não apenas por amor ao argumento, de ter sido formada para "espalhar os dogmas do Buda". Nossa missão não consiste em espalhar quaisquer dogmas, sejam budistas, védicos ou cristãos; somos independentes de qualquer fórmula, qualquer ritual, qualquer exoterismo.

Temos conseguido neutralizar, por meio dos nobres princípios da ética budista, as tentativas de invasão feitas por cristãos excessivamente zelosos.

Os Oficiais Chefes da Sociedade declararam-se pessoalmente budistas, e isso lhes foi imputado com bastante veemência.

Um deles dedicou sua vida à regeneração dessa religião em seu solo nativo.

Que aqueles que não compreendem as necessidades da Índia atual, e não anseiam pela elevação desta antiga pátria das virtudes, atirem pedras contra ele.

Isso, no entanto, não compromete todo o corpo de teosofistas, como tal, ao budismo eclesiástico, assim como o cristianismo de alguns de seus membros não o compromete com qualquer das igrejas cristãs.


Só porque o budismo atual precisa ser regenerado e desembaraçado de todas as superstições e restrições que o invadiram como parasitas, seria um grande erro tentarmos enxertar um broto jovem e saudável em um galho que perdeu sua vitalidade, ainda que esteja menos murcho do que alguns outros galhos.

É muito mais sábio ir diretamente à raiz, à fonte inalterável e pura de onde o próprio budismo extraiu sua seiva poderosa.

Podemos nos iluminar diretamente com a pura "Luz da Ásia"; por que, então, deveríamos nos demorar entre suas sombras deformadas? Apesar do caráter sintético e teosófico do budismo primitivo, o budismo atual tornou-se uma religião dogmática e fragmentou-se em inúmeras e heterogêneas seitas.

A história desta e de outras religiões está diante de nós como um aviso contra medidas pela metade.

Olhemos para a reforma parcial chamada Protestantismo: serão seus resultados suficientemente satisfatórios para nos encorajar a tentar remendar as coisas? O próprio Ârya Samâj é, afinal, apenas um esforço nacional, enquanto a atitude essencial da Sociedade Teosófica é declarar e manter a Verdade comum a todas as religiões, a Verdade real, não maculada pelas invenções, pelas paixões e pelas exigências dos tempos, e convidar todos os homens a dela participar, sem distinção de sexo, cor ou posição, e, o que é muito mais, de crenças.

É. Burnouf nos adverte contra a indiferença.

De onde ela se origina? Primeiro da indolência, esse flagelo da humanidade; depois do desânimo. E se o homem está cansado de símbolos e cerimônias que o sacerdote nunca explica, enquanto deles obtém vantagens consideráveis, não é substituindo capelas de bonzos pelas nossas que sacudiremos essa torpor.

Chegou o tempo em que todos os sinos têm o mesmo som: o som do tédio.

Pretender restabelecer a religião de Buda sobre as ruínas da de Jesus seria como dar a uma árvore morta o apoio de um galho seco.

Nosso próprio crítico nos diz que a humanidade está cansada até mesmo das palavras Deus e Religião.

. . . .

TEOSOFIA E BUDISMO

Não, a Sangha dos budistas não pode ser restabelecida em nossa civilização.

Quanto ao próprio Buda, nós o reverenciamos como o maior sábio e benfeitor da humanidade, e não perderemos nenhuma oportunidade de reivindicar para ele o direito à admiração universal.

Enfrentando, porém, aquela lei terrível segundo a qual a admiração sempre degenera em adoração, e esta em superstição, e com aquela cristalização desesperadora que ocorre em cérebros inclinados à idolatria, seria sábio reivindicar para o irmão mais velho de Jesus os estreitos limites nos quais este é submetido a um culto sacrílego? Ai de nós, é possível que existam homens suficientemente egoístas para amar apenas um ser, e suficientemente servis para desejar servir a um só senhor? Quanto ao Dharma: já declaramos quão alto estimamos a ética budista.

A Teosofia, no entanto, tem a ver com algo mais do que meras regras de conduta.

Ela realiza o milagre de unir a ética pré-budista com a metafísica pré-védica, e a ciência pré-hermética.

O desenvolvimento teosófico convoca todos os princípios do homem, tanto suas faculdades intelectuais quanto espirituais, e os dois últimos objetos de nosso programa têm mais importância do que É. Burnouf parece lhes conceder.

Podemos assegurar-lhe que, se nossa Sociedade recebesse o apoio de um grande número de pessoas de seu próprio valor, ela se tornaria o canal de uma torrente de novas ideias extraídas de fontes antigas; uma torrente de inovações artísticas, econômicas, literárias, científicas e filosóficas, mais fecundas para o futuro do que foi o Renascimento.

Seria muito mais do que apenas uma tendência acadêmica; a própria Academia aprenderia o alfabeto que permite ler claramente, e nas entrelinhas, o significado obscuro e frequentemente aparentemente insignificante das antigas Escrituras.

Essa chave está ao alcance daqueles que têm a coragem de erguer a mão para agarrá-la; Buda possuía essa chave, pois era um adepto de altíssimo grau.

. . . .                     Collected Writings VOLUME X                                       Outubro, LOJAS DE MAGIA                           [Lucifer, Vol.


III, No. 14, Outubro, 1888, pp. 89-93]                                     "Quando a ficção se eleva agradável aos olhos,                                     Os homens crerão, porque amam a mentira;                                     Mas a própria Verdade, se toldada por um franzir de sobrancelhas,                                     Deve ter algumas provas solenes para passar adiante."

C. CHURCHILL.

Um dos mais estimados de nossos amigos na pesquisa oculta propõe a questão da formação de "Lojas" de trabalho da Sociedade Teosófica, para o desenvolvimento do adeptado.

Se a impossibilidade prática de forçar esse processo foi demonstrada uma vez no curso do movimento teosófico, foi-o dezenas de vezes.

É difícil conter a impaciência natural de rasgar o véu do Templo.

Alcançar o conhecimento divino, como o prêmio em um tripos clássico, por um sistema de treinamento e decoreba, é o ideal do principiante médio no estudo oculto.

A recusa dos fundadores da Sociedade Teosófica em encorajar tais falsas esperanças levou à formação de falsas Irmandades de Luxor (e da Prisão de Armley?) como especulações sobre a credulidade humana.

Quão tentadora é a isca para trouxas no seguinte prospecto de amostra, que há alguns anos capturou alguns de nossos mais sinceros amigos e teosofistas.

"Estudantes da Ciência Oculta, buscadores da verdade e teosofistas que possam ter ficado desapontados em suas expectativas de que a Sabedoria Sublime fosse livremente dispensada pelos MAHATMAS HINDU, são cordialmente convidados a enviar seus nomes a . . ., quando, se considerados adequados, poderão ser admitidos, após um curto período probatório, como Membros de uma Irmandade Oculta, que não se vangloria de seu conhecimento ou realizações, mas ensina livremente [a 1 a 5 por carta?] e sem reservas [as porções mais repugnantes do Eulis de P. B. Randolph], tudo o que considerarem digno de receber" (leia-se: ensinamentos em base comercial; o dinheiro indo para os professores, e os extratos de

LOJAS DE MAGIA

Randolph e outros vendedores de "filtros de amor" para os alunos!) Se o boato for verdadeiro, alguns dos distritos rurais ingleses, especialmente Yorkshire, estão infestados de astrólogos e adivinhos fraudulentos, que fingem ser teosofistas, para melhor enganar uma classe mais elevada de clientes crédulos do que sua presa legítima, a criada e o jovem inexperiente.

Se as "lojas de magia", sugeridas na seguinte carta aos Editores desta Revista, fossem fundadas sem que se tomassem as maiores precauções para admitir apenas os melhores candidatos como membros, veríamos essas vis explorações de nomes e coisas sagradas aumentarem cem vezes.

E a esse respeito, e antes de dar lugar à carta de nossa amiga, a editora sênior de Lucifer informa a seus amigos que nunca teve a mais remota conexão com a chamada "I (rmandade) H (ermética) de L (uxor)", e que todas as representações em contrário são falsas e desonestas.

Existe um corpo secreto — cujo diploma, ou Certificado de Membro, é detido pelo Coronel Olcott, entre os homens modernos de sangue branco, ao qual esse nome foi dado pela autora de *Ísis sem Véu* por conveniência de designação, mas que é conhecido entre os Iniciados por um nome bastante

–––––––––– Documentos à vista no Escritório de *Lucifer*, a saber: MSS. Secretos.

escritos na caligrafia de ——— (nome suprimido por considerações passadas), "Grão-Mestre Provincial da Seção Setentrional". Um desses documentos traz o título: "Uma Breve Chave para os Mistérios Eulianos", i.e., magia negra tântrica sobre base fálica.

Não; os membros desta Fraternidade Oculta "não se vangloriam de seu conhecimento". Muito sensato da parte deles: quanto menos se diz, mais cedo se remenda.

Em *Ísis sem Véu*, Vol. II, p. 308. Pode-se acrescentar que a "Fraternidade de Luxor" mencionada por Kenneth MacKenzie (vide sua *Royal Masonic Cyclopedia*) como tendo sua sede na América, não tinha, afinal, nada a ver com a Fraternidade mencionada por nós e a nós conhecida, como foi verificado após a publicação de "Ísis" a partir de uma carta escrita por esse falecido autor maçônico a um amigo em Nova York.

A Fraternidade que MacKenzie conhecia era simplesmente uma Sociedade Maçônica em bases bastante mais secretas e, como ele declarou na carta, ouvira falar de nossa Fraternidade, mas nada sabia dela, a qual, tendo tido uma filial em Luxor (Egito), foi assim propositalmente referida por nós ————— um, assim como a personagem conhecida do público sob o pseudônimo de "Koot Hoomi" é chamada por um nome totalmente diferente entre seus conhecidos.


Qual seja o verdadeiro nome dessa sociedade, isso deixaria perplexos os falicistas "eulianos" da "H.B. of L." para dizer.

Os verdadeiros nomes dos Mestres Adeptos e das Escolas Ocultas nunca são, sob quaisquer circunstâncias, revelados aos profanos; e os nomes das personagens que têm sido mencionadas em conexão com a Teosofia moderna estão na posse apenas dos dois principais fundadores da Sociedade Teosófica.

E agora, tendo dito tanto a título de prefácio, passemos à carta de nosso correspondente.

Ele escreve:

Um amigo meu, um místico natural, tencionava formar, com outros, uma Filial da S.T. em sua cidade.

Surpreso com sua demora, escrevi-lhe para perguntar o motivo.

Sua resposta foi que ouvira dizer que a S.T. apenas se reunia e conversava, e não fazia nada de prático.

Sempre pensei que a S.T. deveria ter Lojas nas quais algo prático fosse realizado.

Cagliostro compreendia bem essa ânsia dos humanos por algo diante de seus olhos, quando instituiu o Rito Egípcio e o colocou em prática em várias lojas maçônicas.

Há muitos leitores de Lucifer em —shire.

Talvez nela houvesse uma sugestão para estudantes formarem tais lojas por si mesmos e tentarem, por suas vontades unidas, desenvolver certos poderes em um dos membros, e então através de todos eles em sucessão.

Tenho certeza de que muitos entrariam em tais lojas e criariam um grande interesse pela Teosofia.

A

Na nota acima de nosso venerável e erudito amigo está o eco das vozes de noventa e nove centésimos dos membros da Sociedade Teosófica: apenas um centésimo tem a ideia correta da função e do escopo de nossos Ramos.

O erro flagrante geralmente cometido está na concepção do adeptismo e do caminho para ele.

De todos os empreendimentos imagináveis, tentar o adeptismo é o mais difícil.

Em vez de ser alcançável dentro de

–––––––––– sob este nome apenas.

Isso levou alguns intrigantes a inferir que havia uma Loja regular de Adeptos com esse nome, e a assegurar a alguns amigos crédulos e Teosofistas que a "H.B. of L." era idêntica ou um ramo da mesma, supostamente perto de Lahore!!—o que era a mais flagrante inverdade.

––––––––––

LOJAS DE MAGIA

poucos anos de uma vida, exige as lutas incessantes de uma série de vidas, exceto em casos tão raros que dificilmente merecem ser considerados exceções à regra geral.

Os registros certamente mostram que vários dos mais reverenciados adeptos indianos tornaram-se assim apesar de seus nascimentos nas castas mais baixas e aparentemente mais improváveis.

No entanto, é bem compreendido que eles vinham progredindo na direção ascendente ao longo de muitas encarnações anteriores, e quando nasceram pela última vez, restava apenas o mínimo detalhe de evolução espiritual a ser realizado, antes de se tornarem grandes adeptos vivos.

É claro, ninguém pode dizer que um ou todos os possíveis membros da loja cagliostriana ideal do nosso amigo A. também não possam estar prontos para o adeptismo, mas a chance não é boa o suficiente para se especular: a civilização ocidental parece desenvolver lutadores em vez de filósofos, açougueiros militares em vez de Budas.

O plano que "A." propõe teria muito mais probabilidade de terminar em mediunidade do que em adeptismo.

Dois contra um que não haveria um membro da loja que fosse casto desde a infância e totalmente imaculado pelo uso de intoxicantes.

Isto é para não mencionar a liberdade dos candidatos dos efeitos poluentes das influências malignas do ambiente social comum.

Entre os pré-requisitos indispensáveis para o desenvolvimento psíquico, assinalados nos Manuais místicos de todos os sistemas religiosos orientais, estão um lugar puro, dieta pura, companhia pura e uma mente pura.

Poderia "A." garantir isso? É certamente desejável que haja alguma escola de instrução para membros de nossa Sociedade; e tivesse o trabalho e os deveres puramente exotéricos dos Fundadores sido menos absorventes, provavelmente uma tal escola teria sido estabelecida há muito tempo.

Contudo, não para instrução prática, nos moldes de Cagliostro, que, aliás, trouxe sofrimento terrível sobre sua cabeça, e não deixou vestígios marcantes para encorajar uma repetição em nossos dias.

"Quando o pupilo está pronto, o professor será encontrado à espera", diz uma máxima oriental.

Os Mestres não precisam procurar recrutas em lojas de——shire, nem treiná-los através de suboficiais místicos: tempo e espaço não são barreiras entre eles e o aspirante; onde o pensamento pode passar, eles podem vir.


Por que um velho e erudito Cabalista como "A." esqueceu este fato? E que ele também se lembre de que o adepto em potencial pode existir nos Whitechapels e Five Points da Europa e da América, bem como nos bairros mais limpos e mais "cultos"; que algum pobre maltrapilho, mendigando uma crosta, pode ser "de alma mais branca" e mais atraente para o adepto do que o bispo comum em sua vestimenta, ou um cidadão culto em sua roupa cara.

Para a extensão do movimento teosófico, um canal útil para a irrigação dos campos secos do pensamento contemporâneo com a água da vida, são necessárias Filiais em toda parte; não meros grupos de simpatizantes passivos, como o exército adormecido de frequentadores de igrejas, cujos olhos estão fechados enquanto o "diabo" varre o campo; não, não tais.

São necessárias Filiais ativas, bem despertas, sinceras, altruístas, cujos membros não estejam constantemente desmascarando seu egoísmo ao perguntar "O que nos lucrará juntar-nos à Sociedade Teosófica, e quanto nos prejudicará?" mas colocando a si mesmos a pergunta "Não podemos fazer um bem substancial à humanidade trabalhando nesta boa causa com todo o nosso coração, toda a nossa mente e toda a nossa força?" Se "A." apenas trouxesse seus amigos de——shire, que fingem ter inclinações ocultistas, a ver a questão deste lado, estaria lhes fazendo uma gentileza real.

A Sociedade pode seguir sem eles, mas eles não podem se dar ao luxo de deixá-la fazê-lo. Além disso, é proveitoso discutir a questão de uma Loja receber instrução mesmo teórica, até que possamos ter certeza de que todos os membros aceitarão os ensinamentos como provenientes da suposta fonte? A verdade oculta não pode ser absorvida por uma mente repleta de preconceito, prevenção ou suspeita.

É algo a ser percebido pela intuição, mais do que pela razão; sendo por natureza espiritual, não material.

Alguns são constituídos de tal forma que se mostram incapazes de adquirir conhecimento pelo exercício da faculdade espiritual; por exemplo, a grande maioria dos físicos.

Tais pessoas são lentas, quando não totalmente incapazes, de apreender as verdades últimas por trás dos fenômenos da existência.

Há muitos assim na Sociedade; e o corpo dos descontentes é recrutado de suas fileiras.

Tais

LOJAS DE MAGIA

pessoas prontamente se persuadem de que ensinamentos posteriores, recebidos exatamente da mesma fonte que os anteriores, são falsos ou foram adulterados por chelas, ou mesmo por terceiros.

Suspeita e desarmonia são o resultado natural; a atmosfera psíquica, por assim dizer, é lançada em confusão, e a reação, mesmo sobre os estudantes mais firmes, é muito prejudicial.

Às vezes, a vaidade cega o que era a princípio uma forte intuição; a mente fica efetivamente fechada à admissão de nova verdade, e o estudante aspirante é lançado de volta ao ponto onde começou.

Tendo saltado para alguma conclusão particular sua, sem estudo completo do assunto e antes que o ensinamento tivesse sido plenamente exposto, sua tendência, quando provado errado, é ouvir apenas a voz de sua autoadulação e apegar-se às suas opiniões, certas ou erradas.

O Senhor Buda advertiu particularmente seus ouvintes contra a formação de crenças baseadas na tradição ou na autoridade, e antes de terem investigado minuciosamente o assunto.

Um exemplo.

Fomos perguntados por um correspondente por que ele não deveria "estar livre para suspeitar que algumas das chamadas cartas 'precipitadas' são falsificações", dando como razão para isso o fato de que, enquanto algumas delas trazem o selo de (para ele) inegável autenticidade, outras parecem, por seu conteúdo e estilo, ser imitações.

Isso equivale a dizer que ele possui um discernimento espiritual tão infalível a ponto de poder detectar o falso do verdadeiro, embora nunca tenha encontrado um Mestre, nem lhe tenha sido dada qualquer chave para testar suas supostas comunicações.

A consequência inevitável de aplicar seu julgamento não treinado em tais casos seria torná-lo tão propenso a declarar falso o que era genuíno quanto genuíno o que era falso.

Assim, que critério tem alguém para decidir entre uma carta “precipitada” e outra? Quem, exceto seus autores, ou aqueles que eles empregam como seus amanuenses (os chelas e discípulos), pode dizer? Pois dificilmente uma em cada cem cartas “ocultas” é escrita pela mão do Mestre, em cujo nome e em cuja causa são enviadas, já que os Mestres não têm necessidade nem lazer para escrevê-las; e quando um Mestre diz: “Eu escrevi essa carta”, isso significa apenas que cada palavra nela foi ditada por ele e impressa sob sua supervisão direta.


Geralmente eles fazem seu chela, esteja próximo ou distante, escrevê-las (ou precipitá-las), imprimindo em sua mente as ideias que desejam expressar e, se necessário, auxiliando-o no processo de precipitação por impressão de imagens.

Depende inteiramente do estado de desenvolvimento do chela quão precisamente as ideias podem ser transmitidas e o modelo de escrita imitado.

Assim, o destinatário não-adepto fica no dilema da incerteza se, se uma carta é falsa, todas podem não ser; pois, quanto à evidência intrínseca, todas vêm da mesma fonte, e todas são trazidas pelos mesmos meios misteriosos.

Mas há outra condição, e muito pior, implicada.

Pois tudo o que o destinatário de cartas “ocultas” pode possivelmente saber e, com base em simples fundamentos de probabilidade e honestidade comum, o correspondente invisível que toleraria uma única linha fraudulenta em seu nome fecharia os olhos para uma repetição ilimitada do engano.

E isso leva diretamente ao seguinte.

Todas as chamadas cartas ocultas, sendo sustentadas por provas idênticas, têm todas que permanecer de pé ou cair juntas.

Se uma é para ser duvidada, então todas o são, e a série de cartas em O Mundo Oculto, Budismo Esotérico, etc., etc., pode ser, e não há razão para que não sejam em tal caso – fraudes, “imposturas inteligentes” e “falsificações”, como o ingênuo embora estúpido agente da “S.P.R.” as fez parecer, a fim de elevar na estima pública o acume “científico” e o padrão de seus “Principais”. Portanto, nenhum passo adiante seria dado por um grupo de estudantes entregue a um estado de espírito tão impermeável, e sem qualquer guia do lado oculto para abrir seus olhos para as armadilhas esotéricas.

E onde estão tais guias, até agora, em nossa Sociedade? "São cegos guiando cegos", caindo ambos no fosso da vaidade e da autossuficiência.

Toda a dificuldade provém da tendência comum de tirar conclusões de premissas insuficientes e de representar o oráculo antes de se livrar do mais entorpecedor de todos os anestésicos psíquicos — a IGNORÂNCIA.

Escritos Reunidos VOLUME X                                      Outubro,

NOTA EDITORIAL

NOTA EDITORIAL                           [Lucifer, Vol.

III, No. 14, Outubro, 1888, p. 136]

H. P. BLAVATSKY pede licença para anunciar que, devido à grave doença contínua de sua Coeditora, MABEL COLLINS, ela (H.P.B.) aceita, até novo aviso, a responsabilidade editorial exclusiva pela Revista.

––––––––––                            Escritos Reunidos VOLUME X                                                 Outubro,

NOTAS DE RODAPÉ A "UM OLHAR SOBRE A TEOSOFIA                                DE FORA"                                  [Lucifer, Vol.

III, No. 14, Outubro, 1888, pp. 137-142]

[James A. Campbell, um espiritualista de mente aberta, contribui com um artigo amigável no qual faz uma       avaliação geral do trabalho da Sociedade Teosófica, do caráter de H.P. Blavatsky e das       ideias básicas da Teosofia.

Várias notas de rodapé são acrescentadas a diversas passagens de seu artigo, conforme mostrado       entre colchetes no que se segue.]

[. . .em Filosofia e Religião, não menos do que no pugilismo, é importante ter um bom       apoio da multidão.]

E a transformação de água em vinho: não era isso um "milagre" mais digno, também para "apoio da multidão"? Para pessoas simples e honestas, fenômenos elementares; para os Gamaléis, filosofia.

[ . . . . por mais repreensível que possa ser tornar-se . . um fazedor de milagres.

. . . . .em prol de uma       ideia filosófica.

. . .]

Nenhum verdadeiro teosofista — muito menos a parte acusada — acredita em milagres, embora todo verdadeiro teosofista deva acreditar na existência de poderes anormais no homem; "anormais" porque, até agora, ou são mal compreendidos ou negados.

Todos esses fenômenos físicos objetivos, no entanto, são simplesmente "glamour" psicológico, isto é, se não feitiçaria, pelo menos "um encanto sobre os olhos e sentidos". Isso, as pessoas

Podem chamar brutalmente de "truque", mas, como são psíquicos, não podem ser físicos: portanto, não há prestidigitação ou "jogo de mãos". Poderiam igualmente chamar de "trapaceiros" as célebres celebridades médicas que hipnotizam seus pacientes para verem coisas que não têm realidade alguma! Os "fenômenos teosóficos" diferem destes nisto: enquanto as alucinações hipnóticas são sugeridas pela fantasia ociosa do operador, as manifestações ocultas são produzidas pela vontade do Ocultista, para que um ou cem homens vejam realidades, geralmente ocultas dos profanos, por exemplo, certas coisas e pessoas a milhares de quilômetros de distância, cujas imagens astrais são trazidas à vista da plateia.

Assim, uma xícara pode nunca ter sido quebrada na realidade, e, no entanto, as pessoas são levadas a vê-la despedaçada em átomos e depois refeita.

Isso é truque de malabarista? Os fenômenos ocultos são, então, simplesmente um hipnotismo intensificado cem vezes, e entre as alucinações hipnóticas da Salpêtrière e a magia do Oriente há principalmente uma questão de grau.

[Apenso a uma enumeração de diversas atividades culturais da Sociedade]

Por que omitir esse ramo de nosso trabalho, que muitos consideram o mais nobre, a fundação de uma Biblioteca Oriental que pode se tornar a mais valiosa da Índia, se as aparências atuais não são enganosas; a abertura de muitas escolas de sânscrito; a publicação dos Vedas na língua original? E por que não mencionar nossos diversos dispensários beneficentes, onde de 10.000 a 15.000 pacientes pobres são anualmente tratados gratuitamente?

[No que diz respeito à infalibilidade metafísica.

. . . com a evolução, etc., etc.

. . . . para começar, uma interligação sutil e diligente feita por um hindu educado, ou um escocês especulativo, produziria algo muito semelhante em um ano.]

Então por que nenhum deles o fez antes de nós? Além disso, até onde sabemos, ninguém jamais reivindicou infalibilidade metafísica — nem mesmo os Mestres, que não exigem dos europeus sequer o que lhes é devido — um simples reconhecimento de sua sabedoria.

UM OLHAR SOBRE A TEOSOFIA DE FORA

[A Teosofia nos adverte contra a absorção na vida comum, tão fervorosamente quanto o budismo ou o cristianismo monástico.]

Assim também nos adverte contra o retiro ascético, exceto naqueles casos muito raros e excepcionais em que o indivíduo trouxe de seu último nascimento precedente uma atração irreprimível pela vida do Espírito e repugnância pela vida da carne.

O homem normal está em relação simpática normal com seus semelhantes em cada estágio sucessivo do desenvolvimento humano.

Mas, sob a lei da diferenciação psíquica, há em cada época seres à frente da média da raça naquele tempo.

De seu número surgem os mestres, videntes e salvadores da humanidade.

Com respeito a todo o teor do acima exposto, só temos a agradecer ao nosso estimado colaborador pelas dúvidas expressas em seu artigo.

Nestes dias de difamação em massa:—

“. . . . esse pior dos venenos (que) sempre encontra             Uma fácil entrada em mentes ignóbeis,”

—como diz Juvenal, até mesmo uma dúvida honesta e cautelosa deve ser recebida com gratidão.

Além disso, há uma linha de demarcação além da qual se deve antes sentir orgulho de ser difamado, do que o contrário.

Pois a observação de Swift: “as pessoas mais dignas são as mais prejudicadas pela difamação, como geralmente descobrimos ser o melhor fruto aquele que as aves têm bicado”—pode servir de consolação.

––––––––––      [Sátiras, XIV, 173-176; embora não idêntica à versão poética usada por H.P.B. a partir de alguma tradução desconhecida, esta referência parece ser a mais provavelmente indicada.—Compilador.] ––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME X                                             Outubro, UMA EXPLICAÇÃO IMPORTANTE                                  PARA TODOS OS TEOSOFISTAS      [A seguinte declaração importante foi emitida por H. P. Blavatsky como um pequeno panfleto de 12 páginas trazendo em sua página de título o selo: Londres, Allen Scott & Co., 30, Bouverie Street, E.C., 1888. O mês de sua publicação é muito provavelmente outubro, pois encontramos o mesmo material publicado em Lucifer, Vol.


III, No. 14, outubro de 1888, pp. 145-48. Há ligeiras alterações no texto de Lucifer, em comparação com o panfleto, e o texto deste último é um tanto mais completo.

Aderimos ao texto do panfleto.

Para o benefício do estudante sério, deve-se afirmar que a situação no Movimento Teosófico naquela época era muito precária.

Muitos erros haviam sido cometidos, e os Irmãos Adeptos haviam se retirado um tanto para o segundo plano, no que dizia respeito aos assuntos externos da Sociedade, permanecendo, no entanto, em estreito contato com alguns poucos indivíduos.

A melhor e mais autêntica fonte de informação sobre certos fatores na situação geral da época é um documento manuscrito de H.P.B., escrito a lápis em papel fino de notas, que parece ser um memorando das observações do Mestre K.H. sobre a situação na S.T. em 1888. O original está nos Arquivos de Adyar.

Foi publicado como Carta 47 em Cartas dos Mestres da Sabedoria, Primeira Série (transcritas e compiladas por C. Jinarâjadâsa), e merece estudo cuidadoso por todos os interessados nos trabalhos internos do nosso Movimento espiritual e nos muitos escolhos encontrados pelos estudantes.

Em novembro de 1888, H.P.B., agindo por sugestão direta anterior de William Quan Judge, organizou no plano externo a Seção Esotérica ou a Escola Oriental de Teosofia, para fortalecer o vínculo entre a sociedade externa e os Irmãos que eram seus verdadeiros Fundadores e Inspiradores.

A S.T. estava gradualmente se desvitalizando, e a ideia de Fraternidade havia sido relegada a segundo plano, em comparação com as buscas do Segundo Objetivo da Sociedade.

As páginas de O Teosofista refletem muito definitivamente a situação da época.

Por observação cuidadosa, parece que o Cel. Olcott durante esse período temia pelo bem-estar da Sociedade se ela fosse publicamente

–––––––––– Uma sugestão incorporada por ele em uma carta dirigida a H.P.B. e datada de 18 de maio de 1887. Foi originalmente publicada na Circular E.S.T. do Sr. Judge, "Por Ordem do Mestre", datada de novembro de 1894; também foi impressa em Ocultismo Prático (Pasadena: Theos. Univ. Press, 1951), pp. 85-86. ––––––––––

UMA EXPLICAÇÃO A TODOS OS TEOSOFISTAS

ligada à ideia dos Mestres, e evitava quaisquer referências a eles e sua conexão com a Sociedade na revista.

Sem dúvida, isso se devia em parte ao choque do ataque Coulomb-Missionário de 1884-85, e ao relatório final adverso da Sociedade de Pesquisas Psíquicas.

Em Londres, a partir de cerca de 1886, um grupo de trabalhadores mais jovens se reunira; entre eles estavam Bertram Keightley e Dr. Archibald Keightley, Claude Falls Wright, G.R.S. Mead, Laura Cooper, E.T. Sturdy, W.G. Old, e outros.

Eles definitivamente desejavam trilhar o caminho que leva aos Mestres, e se constituíram como discípulos pessoais de H.P.B.

A situação, no entanto, era um tanto complicada pelo medo por parte do Cel.

Olcott de que H.P.B. estava organizando um contrapeso à sua influência na Sociedade como Presidente, e talvez tentasse criar um *imperium in imperio* na Europa.

Se isso era medo do próprio Cel.

Olcott, ou se era um pensamento semeado em sua mente por outros indivíduos sob cuja influência ele estava na época, é algo um tanto obscuro.

Pode ter sido ambos.

Os novos colaboradores reunidos em torno de H.P.B., quando ela foi persuadida a se mudar permanentemente para Londres, tinham muito pouco conhecimento do magnífico histórico de sacrifícios do Cel.

Olcott pela Sociedade Teosófica; às vezes pensavam nele como "o velho" em Adyar, que tentava obstruir os planos de H.P.B. para a Causa.

Isso resultou no sentimento bastante irritado que o Cel.

Olcott teve, ao deixar a Índia em sua viagem à Europa, com o objetivo de esclarecer os mal-entendidos existentes e restaurar um melhor sentimento entre todos os envolvidos.

Foi então que o Mestre K.H. entrou definitivamente em cena com uma carta endereçada ao Cel.

Olcott, que foi precipitada em seu camarote a bordo do SS. Shannon, em 22 de agosto de 1888, no dia anterior à chegada a Brindisi.      Curiosamente, em suas *Old Diary Leaves*, III, p. 91, o Cel.

Olcott fala desta carta como se tivesse sido recebida em 1884. Ele cita trechos dela e a relaciona com as dificuldades de 1884 na Loja de Londres, sobre as quais outras instruções lhe haviam sido dadas (Ver Carta 18 em *Letters, etc.*, Primeira Série). O Coronel estava definitivamente enganado nisso, pois ele mesmo menciona o recebimento desta carta a bordo do SS. Shannon, um vapor da P. & O. Mail Line no qual ele navegou de Bombaim, em 7 de agosto de 1888, conforme relatado em seu Diário nessa data (e em *The Theosophist*, Suplemento, setembro de 1888, p. ciii). Além disso, no corpo dessa

––––––––––       De acordo com os registros mantidos na Lloyd's de Londres, o SS. Shannon chegou a Brindisi em 23 de agosto, às 7h30, e partiu uma hora depois para Londres, onde chegou em 2 de setembro. O Cel.

Olcott, no entanto, prosseguiu para Londres por terra, chegando lá em 26 de agosto. –––––––––– [Nota do Compilador: Esta carta foi escrita pelo próprio Mestre em 1885, e menciona C.W. Leadbeater, que não veio para a Índia antes de dezembro de 1884. Como resultado desta importante carta do Mestre K.H., o Coronel Olcott modificou sua atitude e conseguiu resolver as questões na administração da Sociedade, de modo que a Seção Esotérica pudesse realizar seu trabalho sob a direção exclusiva de H.P.B., e sem qualquer interferência da autoridade exotérica.—Compilador.]


Tendo sido afirmado por alguns membros franceses da Sociedade Teosófica (no Bulletin d’Isis), bem como por alguns na Inglaterra, que a abaixo-assinada havia excedido seus poderes constitucionais como Secretária Correspondente e Co-fundadora da Sociedade Teosófica, ao emitir uma ordem emergencial dissolvendo o BUREAU da Filial “Isis” da Sociedade Teosófica em Paris, e seus Estatutos, e autorizando o Sr. F. K. Gaboriau a reconstituí-lo ad interim, até que a decisão do Presidente em Conselho pudesse ser conhecida, os seguintes extratos da “Decisão” oficial (publicada oficialmente) do Coronel Olcott, atuando como árbitro em Paris, em 17 de setembro passado, serão lidos com interesse e proveito.

“Mme. Blavatsky, tendo sabido que o Sr. Froment não aceitaria a Presidência (à qual tinha direito como Vice-Presidente para suceder à morte do Presidente, o Sr. Louis Dramard, de acordo com os estatutos da ‘Isis’), e vendo a filial prestes a cair na anarquia, emitiu ad interim (e apesar das protestações do Sr. Gaboriau, que preferia permanecer como Secretário), uma ordem pela qual o Bureau (Conselho) da ‘Isis’ foi dissolvido, seus estatutos cancelados; ao mesmo tempo, nomeou como Presidente da Filial o Sr. Gaboriau, um de seus Fundadores, que havia dado muitas provas de sua devoção à causa teosófica.

Além disso, o Sr. Gaboriau foi incumbido de compilar novos estatutos.

A filial continuou a existir, e os direitos de seus membros foram mantidos até a adoção dos novos estatutos.

Objetou-se que Madame Blavatsky não tinha o direito de agir dessa maneira; que sua interferência era ilegal de acordo com as Regras da Sociedade Teosófica, porque ela não é membro da Filial Isis, mas

UMA EXPLICAÇÃO A TODOS OS TEOSOFISTAS

membro da ‘Blavatsky Lodge’, de Londres, e que nenhuma filial tem direito de jurisdição fora dos limites prescritos em sua carta constitutiva.

Mas, de fato, Madame Blavatsky não é membro de nenhuma Filial.

Ela está comigo como cofundadora da Sociedade e, ex officio, Secretária Correspondente e membro do Conselho Geral, do Conselho Executivo e da Convenção Anual, uma espécie de Parlamento realizado em Adyar por Delegados de todos os países (ver Art. 17b das Regras da Sociedade Teosófica). "Ela estava, portanto, perfeitamente autorizada a emitir a ordem em questão como medida temporária, ordem que deve ser finalmente submetida à aprovação do Presidente em Conselho.

O Conselho Executivo, em sua Sessão de 14 de julho, ratificou formalmente a medida tomada pela Sra. Blavatsky, medida que era urgente e que declaro ter sido legal." Isso resolve a questão do direito da Secretária Correspondente — uma das Fundadoras — de intervir em tais casos excepcionais, e quando o bem-estar e a reputação da Sociedade Teosófica estão em jogo.

Em nenhum outro caso, exceto em um como este, a abaixo-assinada teria consentido em assumir o direito de intervir.

Além disso, a extensão e os limites de tal interferência estão definidos de forma muito sucinta e clara na carta de um MESTRE citada abaixo.

E para eliminar equívocos adicionais, é conveniente — é claro, apenas para informação dos membros da Sociedade — acrescentar que, ainda no mar a bordo do "Shannon", a caminho de Bombaim para Brindisi, e no dia anterior à chegada ao porto, o Presidente recebeu em seu camarote uma longa e importante carta do referido Mestre, geralmente chamado "K.H." Além de instruções gerais sobre a política que o Presidente deveria seguir na crise atual, havia os seguintes parágrafos especiais relacionados à sua colega, a abaixo-assinada.

O senso de justiça do Coronel Olcott é tão forte que, embora algumas das passagens da carta tenham um tom de reprovação por ele ter se permitido pensar com demasiada dureza sobre sua antiga e provada amiga e colaboradora, ele deu sem reservas 138 BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

permissão para copiar as passagens na íntegra, na esperança de que o aviso transmitido possa ser proveitoso para outros que se encontrem em um estado de espírito hostil em relação à abaixo-assinada.

Essas passagens são as seguintes:— "Coloque toda a contenção necessária sobre seus sentimentos, para que você possa fazer a coisa certa neste imbróglio ocidental.

Vigie suas primeiras impressões.

Os erros que você comete surgem da falha em fazer isso.

Não deixe que suas predileções pessoais, afeições, suspeitas ou antipatias afetem sua ação.

Mal-entendidos cresceram entre os Membros, tanto em Londres quanto em Paris, que põem em perigo os interesses do movimento.

Dirão a você que a principal originadora da maioria, senão de todas essas perturbações, é H.P.B. Não é assim; embora sua presença na Inglaterra tenha, naturalmente, uma parcela nelas.

Mas a maior parcela cabe a outros, cuja serena inconsciência de seus próprios defeitos é muito marcante, e muito censurável.

Um dos efeitos mais valiosos da missão de Upasika é que ela impele os homens ao autoexame e destrói neles a servilidade cega a pessoas.

Observe seu próprio caso, por exemplo.

Mas sua revolta, bom amigo, contra a "infalibilidade" dela — como você outrora a considerou — foi longe demais, e você foi injusto com ela, pelo que lamento dizer que terá de sofrer futuramente, juntamente com outros.

Agora mesmo, no convés, seus pensamentos sobre ela eram sombrios e pecaminosos, e por isso considero o momento oportuno para colocá-lo em guarda.

. . .     "Procure remover tais equívocos como você encontrará, por meio de gentil persuasão e um apelo aos sentimentos de lealdade

––––––––––       [O início desta carta assim reza:      "Novamente, ao se aproximar de Londres, tenho uma ou duas palavras a lhe dizer.

Sua impressionabilidade é tão mutável que não devo depender inteiramente dela neste momento crítico.

Naturalmente você sabe que as coisas foram assim levadas a um ponto de convergência a ponto de tornar necessária a presente viagem, e que a inspiração para realizá-la veio a você, e para permiti-la aos Conselheiros, de fora.

Coloque tudo o que for necessário.

. ."      Daqui em diante, como citado acima por H.P.B.—Compilador.]       [Estes pontos não parecem indicar qualquer supressão, conforme referência ao texto original mostra.—Compilador.] ––––––––––

UMA EXPLICAÇÃO A TODOS OS TEOSOFISTAS

à causa da verdade, se não a nós. Faça todos esses homens sentirem que não temos favoritos, nem afeições por pessoas, mas apenas por suas boas ações e pela humanidade como um todo.

Mas empregamos agentes — os melhores disponíveis.

Desses, nos últimos trinta anos, o principal tem sido a personalidade conhecida como H.P.B. para o mundo (mas de outro modo para nós). Imperfeita e muito "problemática", sem dúvida, ela se mostra a alguns; no entanto, não há probabilidade de encontrarmos uma melhor por anos vindouros, e seus Teosofistas devem ser levados a compreender isso      ". . . . . Desde 1885 não escrevi, nem fiz escrever, salvo por meio de sua agência, direta ou remota, uma carta ou uma linha a qualquer pessoa na Europa ou na América, nem me comuniquei oralmente com ou através de qualquer terceiro."

Os teosofistas devem aprendê-lo. Compreenderão mais tarde o significado desta declaração, portanto, mantenham-na em mente.

. . . . Sua fidelidade ao nosso trabalho sendo constante, e tendo seus sofrimentos sobrevindo-lhe por causa dele, nem eu nem qualquer de meus Irmãos Associados a abandonaremos ou a suplantaremos.

Como já observei uma vez antes, a ingratidão não está entre nossos vícios.

. . . . Para ajudá-los em sua presente perplexidade, H.P.B. quase não tem preocupação com detalhes administrativos, e deve ser mantida afastada deles, na medida em que sua natureza forte possa ser controlada.

Mas isto deveis dizer a todos: com assuntos ocultos ela tem tudo a ver. . . . . Não a abandonamos; ela não está 'entregue aos chelas.' Ela é nossa agente direta.

Adviro-vos contra permitir que vossas suspeitas e ressentimento contra 'suas muitas tolices' influenciem vossa lealdade intuitiva a ela.

No

––––––––––      [Estes pontos não parecem indicar qualquer supressão, como mostra a referência ao texto original.—Compilador.]      [O seguinte parágrafo completo ocorre aqui no texto original:     "Convosco nossas relações são diretas, e têm sido, com as raras exceções que conheceis, como a presente, no plano psíquico, e assim continuarão por força das circunstâncias.

Que sejam tão raras—é culpa vossa, como vos disse em minha última."                                                                                                   —Compilador.] –––––––––– ajuste deste assunto europeu, tereis duas coisas a considerar—o externo e administrativo, e o interno e psíquico.


Mantende o primeiro sob vosso controle e o de vossos associados mais prudentes, conjuntamente; deixai o aspecto interno para ela.

Ficais encarregado de conceber os detalhes práticos com vossa engenhosidade habitual.

Somente tende cuidado, digo, em discernir quando alguma interferência emergente dela em assuntos práticos for referida a vós em apelação, entre aquilo que é meramente exotérico em origem e efeitos, e aquilo que, começando no prático, tende a gerar consequências no plano espiritual.

Quanto ao primeiro, sois o melhor juiz; quanto ao último, ela.

. . .      "Também notei vossos pensamentos sobre a 'Doutrina Secreta.' Ficai certo de que o que ela não anotou de obras científicas e outras, nós lhe demos ou sugerimos.

Cada erro ou noção equivocada corrigida e explicada por ela a partir das obras de outros teosofistas, foi corrigida por mim, ou sob minha instrução."

É uma obra mais valiosa que sua predecessora — um epítome de verdades ocultas que a tornará uma fonte de informação e instrução para o estudante sincero por muitos anos vindouros.

. . . . 

––––––––––        [Estes pontos não parecem indicar qualquer supressão, conforme referência ao texto original.—Compilador.]        [Neste ponto, os dois parágrafos completos seguintes ocorrem no original:       "P. Sreenivasrow está em grande angústia mental mais uma vez por causa do meu longo silêncio, não tendo uma intuição clara desenvolvida (como poderia ele, após a vida que levou?). Ele teme ter sido abandonado, quando na verdade não foi perdido de vista por um único momento.

Dia após dia ele está fazendo seu próprio registro no 'Ashrum', noite após noite recebendo instruções adequadas às suas capacidades espirituais.

Ele cometeu erros ocasionais, e.g., uma vez recentemente, ao ajudar a expulsar da casa da Sede alguém que merecia um tratamento mais caridoso, cuja falta era resultado de ignorância e fraqueza psíquica mais do que de pecado, e que era vítima de um homem forte.

Relate a ele, quando retornar, a lição que lhe foi ensinada por       em Bombaim, e diga ao meu devotado, embora equivocado, 'filho' que foi muito teosófico dar-lhe proteção, muito anti-teosófico e egoísta expulsá-la.

––––––––––

UMA EXPLICAÇÃO A TODOS OS TEOSOFISTAS

". . . [Esta carta] . . . .é-lhe dada apenas como um aviso e um guia; a outros, apenas como um aviso; pois você pode usá-la com discrição, se necessário. . . .Prepare-se, contudo, para que a autenticidade da presente seja negada em certos círculos.                                                                                    (Assinado) K. H."                                 [Extratos copiados corretamente.—H. S. OLCOTT.]

––––––––––      "Desejo que você assegure a outros T.T., R.A.M., N.N.S., N.D.C., G.N.C., U.U.B., T.V.C., P.V.S., N.B.C., C.S., C.W.L., D.N.G., D.H., S.N.C., etc., entre os demais, sem esquecer os outros verdadeiros trabalhadores na Ásia, que a corrente do Carma está sempre fluindo e nós, assim como eles, devemos conquistar nosso caminho rumo à Libertação.

Houve provações dolorosas no passado, outras o aguardam no futuro.

Que a fé e a coragem que vos sustentaram até agora perdurem até o fim.” O triângulo com ponto no centro refere-se ao Mestre M. A lição insinuada tem a ver com o Sr. D.M. Bennett, um dos principais líderes do Livre-Pensamento na época, e declarado opositor da intolerância do chamado Cristianismo nos EUA. Ele era o Editor de *The Truthseeker*.

Coronel

Olcott narra a história de suas atividades e das perseguições que teve de suportar (*Old Diary Leaves*, II, cap.

xxii). Ele detalha a situação que surgiu quando o Sr. Bennett solicitou ingressar na S.T. Veja também a esse respeito: *As Cartas dos Mahatmas a A.P. Sinnett*, Carta XXXVII, recebida em Allâhâbâd, janeiro de 1882, e Carta XLIII, recebida na mesma cidade, fevereiro de 1882. Algumas das iniciais na carta são as de Tookaram Tatya, Norendro Nath Sen, Gyanendra Nath Chakravarti, T. Vijayaraghava Charlu, P. Venkata Subbiah, (Pandit) Chandra Sekhara, C.W. Leadbeater, Dina Nath Ganguli e S. Nilakantkumar Chatterjee.

—Compilador.] [Este último parágrafo segue em sua totalidade: “É melhor não mencionar esta carta a ninguém por enquanto — nem mesmo a H.P.B., a menos que ela mesma fale sobre isso. Haverá tempo suficiente quando você vir que a ocasião surgiu. Ela lhe é dada apenas como um aviso e um guia; para outros, apenas como um aviso, pois você pode usá-la com discrição, se necessário. K.H. “Prepare-se, no entanto, para que a autenticidade da presente seja negada em certos círculos.” —Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS Não adianta repetir incessantemente que nem este “Mestre” nem qualquer outro, que o Coronel Olcott e eu conhecemos, são “Espíritos”. Eles são homens vivos e mortais, cuja grande sabedoria e conhecimento oculto conquistaram a profunda reverência de todos aqueles que os conhecem. Aqueles que não os conhecem são livres para tecer qualquer teoria que desejarem sobre os “Adeptos” — até mesmo negar categoricamente sua existência. Enquanto isso, as incessantes acusações e denúncias, as fofocas ociosas e as construções pouco caridosas às quais o Presidente-Fundador e eu temos sido submetidos nos últimos três anos, forçam-nos agora a fazer a declaração que se segue.

H. P. BLAVATSKY.

UMA NOTA CONJUNTA

Para dissipar um equívoco que foi engendrado por criadores de confusão, nós, os abaixo-assinados, Fundadores da Sociedade Teosófica, declaramos que não há inimizade, rivalidade, discórdia, ou mesmo frieza, entre nós, nem nunca houve; nem qualquer enfraquecimento de nossa devoção conjunta aos Mestres ou ao nosso trabalho, com cuja execução eles nos honraram. Amplamente diferentes em temperamento e características mentais, e diferindo às vezes em opiniões quanto aos métodos de propaganda, somos, no entanto, absolutamente unânimes quanto a esse trabalho.

Assim como fomos desde o início, assim somos agora, unidos em propósito e zelo, e prontos a sacrificar tudo, até a vida, pela promoção do conhecimento teosófico, pelo socorro da humanidade das misérias que nascem da ignorância.

H. S. Olcott,                                                                H. P. Blavatsky.

Escritos Reunidos, Volume X                                           Outubro,

O ÉPICO NACIONAL DA FINLÂNDIA

O ÉPICO NACIONAL DA FINLÂNDIA                                                   (RESENHA)

[Lucifer, Vol.

III, No. 14, outubro de 1888, pp. 149-152]

A última prova da universalidade no tempo e no espaço desse grande sistema de filosofia, chamado por seus discípulos de Religião da Sabedoria Arcaica, ou Doutrina Secreta—chega-nos de um povo pouco conhecido, que habita uma terra árida, selvagem e raramente visitada.

No Kalevala, o épico nacional da Finlândia, encontramos muitos vestígios da filosofia arcaica, alguns claros e luminosos, outros mais velados e ocultos.

Este épico não pode ter menos de 3.000 anos; provavelmente é muito mais antigo.

Embora só recentemente tenha sido reduzido à escrita, foi preservado oralmente por eras, e data da época em que as tribos finlandesas viviam muito ao sul de sua pátria atual, provavelmente no Mar Negro ou no Cáspio.

Os finlandeses, cuja origem é muito misteriosa, mas que são evidentemente aparentados aos povos agora estabelecidos nos planaltos do Tibete e da Ásia Central, estão para as nações eslavônicas—especialmente a Rússia—na mesma relação mística que os magos e feiticeiros da Tessália estavam para o resto dos helenos.

O folclore da Rússia pagã e também cristã está cheio do Koldoon do Norte (encantadores, provavelmente da palavra caldeu), de seus feitos e poderes mágicos.

Um dos melhores poemas épicos de Alexander Pushkin, "Ruslan e Ludmila", baseia-se na luta mágica e nas façanhas de dois encantadores do Norte, o velho e benéfico "sábio finlandês", e uma feiticeira malvada da mesma nacionalidade — Naina; o primeiro trabalhando a favor e a segunda contra o casal apaixonado.

Estes são a personificação do Bem e do Mal.

O próprio termo "finlandês" é quase um sinônimo, em russo

––––––––––     O Kalevala, o Poema Épico da Finlândia.

Traduzido para versos ingleses por John Martin Crawford.

Nova York: J. B. Alden, 1888. 2 vols.

8vo. –––––––––– folclore, de mago.


Tudo isso vem do extremo Norte, na ideia popular; pois muitos dos deuses da Rússia pagã eram nativos da Finlândia e da Escandinávia, por emigração precoce e intercâmbio das tribos que povoavam as margens do Báltico e dos mares do Norte.

Os finlandeses, como refletidos em sua poesia, são um povo maravilhosamente simples, ainda intocados pelo verniz da civilização.

Vivem próximos à Natureza, em perfeito contato e harmonia com todas as suas forças e poderes vivos.

Nas palavras do Proêmio às Runas:—                        Há muitas outras lendas,                        Encantamentos que me foram ensinados,                        Que encontrei à beira do caminho,                        Recolhidos nos bosques fragrantes,                        Soprados para mim dos ramos da floresta,                        Colhidos entre as plumas dos pinheiros,                        Perfumados das vinhas e flores,                        Sussurrados a mim enquanto seguia                        Rebanhos na terra dos prados melífluos,                        Sobre colinas verdes e douradas,                         ............................                        Muitas runas o frio me contou,                        Muitas canções a chuva me trouxe,                        Outros cantos os ventos me cantaram;                        Muitos pássaros de muitas florestas,                        Muitas vezes me cantaram cantos em concórdia;                        Ondas do mar, e vagas do oceano,                        Música das muitas águas,                        Música de toda a criação,                        Muitas vezes foram meu guia e mestre.

Poderia haver um “Hino às Influências da Natureza” mais encantador? Um olhar sobre a mitologia desse povo pouco conhecido mostrará o resultado de sua deliberação reflexiva sobre essas ondas de influência da grande mãe cujas carícias eles sentiam envolvê-los.

Para eles, “todos os seres eram pessoas.

O Sol, a Lua, as Estrelas, a Terra, o Ar e o Mar eram, para os antigos finlandeses, seres vivos e autoconscientes . . . todos os objetos na

O ÉPICO NACIONAL DA FINLÂNDIA

natureza são governados por divindades invisíveis, denominadas haltiat, regentes ou gênios.

Esses haltiat, como membros da família humana, possuem corpos e espíritos distintos; mas os menores são um tanto imateriais e informes, e suas existências são inteiramente independentes dos objetos pelos quais se interessam particularmente.

Todos são imortais, mas classificam-se de acordo com a importância relativa de suas respectivas funções.

As classes inferiores dos deuses finlandeses são às vezes subservientes às divindades de maiores poderes.

. .” [Prefácio, x-xi.] Acima de tudo havia um Soberano Supremo.

“As filhas [Regentes] do Sol, da Lua, da Ursa Maior, da Estrela Polar e das outras dignidades celestes são representadas como donzelas sempre jovens e belas, ora sentadas nos ramos curvos das árvores da floresta, ora nas bordas carmesim das nuvens, ora no arco-íris, ora na cúpula do céu.” [Prefácio, xiv-xv.] Quão de perto tudo isso concorda com o que a Doutrina Secreta ensina sobre as hierarquias dos Dhyan Chohans e as classes inferiores dos seres etéreos—as hostes dos elementais—uma comparação minuciosa o mostra suficientemente.

É verdade que os finlandeses revestiram suas ideias com uma guirlanda de poesia, mas através dela a identidade radical brilha claramente.

Entre os antigos finlandeses, como na Índia dos dias atuais, temos a cerimônia do Shraddha e a invocação dos ancestrais.

Como habilmente apontado no Prefácio [p. xli] dos volumes diante de nós, o “significado mais profundo e esotérico do Kalevala, no entanto, aponta para um conflito entre Luz e Trevas, Bem e Mal; representando os finlandeses a Luz e o Bem, e os lapões, as Trevas e o Mal.” Compare-se com isso as guerras de Ormuzd e Ahriman; dos Aryas e os Rakshasas; dos Pandus e Kurus.

Os ecos mais valiosos da Doutrina Secreta no Kalevala são encontrados na Runa do nascimento de Wainamoinen; uma série de citações desta Runa pode ser vantajosamente apresentada.

Em tempos primordiais, uma donzela,                       Formosa Filha do Éter, Passou por eras sua existência                      Na grande extensão do céu,                      ...........................                      Nas infinitas expansões                      Do ar acima da espuma do mar,                      Nos espaços que se estendem ao longe,                      Numa solidão de éter,


Sendo o Éter ou Akâ a a primeira Ideia do Universo ainda não criado; do qual deve emanar o futuro Kosmos, em seus graus descendentes de materialidade.

O Éter é o “Vasto abismo” sobre o qual o Espírito, “como uma pomba, pousou a chocar”; é também “a face das águas” sobre a qual “o espírito repousou.” A Epopeia continua:                      Ela desceu ao oceano,                      Ondas seu leito, e ondas seu travesseiro.

Por setecentos anos ela vagou sobre o oceano                      Rumo ao leste, e também ao sul,                      Rumo ao oeste, e também ao norte;

Dos abraços do oceano, ela concebeu seu primogênito, e esteve em trabalho de parto por setecentos anos, correspondendo à divisão séptupla dos Manvantaras, ou períodos Criativos.

O mundo é formado, mas apenas mediatamente através da influência da filha do Éter.

Ela lamentou sua solidão, e

Quando cessou suas súplicas,                      Escassamente um momento se passa,                      Eis que um belo pato descendo,                      Apressa-se rumo à mãe-água,                      Vem voando para cá, para lá,                      Busca para si um lugar para aninhar.

Este “belo pato” corresponde exatamente, tanto na ideia quanto na imagem, ao Kâlahamsa, ou “Cisne do Tempo,” do Panteão Hindu e da Doutrina Secreta.

A ave buscou em vão um lugar para aninhar:—

A EPOPEIA NACIONAL DA FINLÂNDIA

Então a filha do Éter,                      Agora a infeliz mãe-água,                      Ergueu seus ombros para fora da água,                      Ergueu seus joelhos acima do oceano,                      Para que o pato pudesse construir sua morada,                      Construir seu ninho em segurança.

.............................                      Aqui ela constrói sua humilde morada,                      Põe seus ovos dentro, à vontade,                      Seis, os ovos dourados ela põe ali,                      Então um sétimo, um ovo de ferro.

Compare-se com isso o relato caldeu de Tiamat, o grande Mar e o nascimento nele dos Sete Espíritos; os ensinamentos cabalísticos em que a Sephirah feminina é chamada de "Grande Mar", e as sete Sephiroth inferiores nascem no "Grande Mar", pois este era um dos nomes de Binah (ou Jeová), o Oceano Astral; e os relatos purânicos da Criação.

A donzela move seus ombros, e o ninho e os ovos caem no oceano,

Despedaçam-se no fundo                      Das profundas e ilimitadas águas.

Na areia não perecem,                      Nem os pedaços no oceano;                      Mas transformados, em beleza maravilhosa                      Todos os fragmentos se reúnem                      Formando peças em número de duas,                      Uma a superior, outra a inferior,                      Iguais uma à outra.

De uma metade do ovo, a inferior,                      Cresce a abóbada inferior da Terra;                      Da metade superior restante,                      Cresce a abóbada superior do Céu;

Isso ecoa exatamente o pensamento indiano, no ovo de Hiranyagarbha, que se divide em dois, e das duas partes são produzidos o universo, acima e abaixo; e o céu duplo, na Cabala, o superior e o inferior, ou Céu e Terra, diz-se que foram formados da "Cabeça Branca", sendo o crânio o Éter luminífero.


Lamentamos que a falta de espaço nos impeça de citar a sugestiva Runa da sementeira sétupla de Wainamoinen, onde cada colheita brota após uma conflagração e espalhamento de cinzas — as dissoluções e reconstruções periódicas do universo sempre completadas em sete.

As Runas da "Origem do Ferro", do "Encontro da Palavra Perdida", da "Origem da Serpente" e da "Restauração do Sol e da Lua" também são cheias de Ocultismo; mas para estas devemos remeter os leitores à admirável tradução do Sr. Crawford.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                               Outubro,

O DIABO — QUEM É ELE?                                 [Lucifer, Vol.

III, No. 14, Outubro, 1888, pp. 170-71]

SENHOR,      O Sr. Thomas May (sob o título acima) informa aos seus leitores no número de setembro de LUCIFER que, com o acúmulo dos séculos, um nó muito górdio de confusão teológica, contradições e contrariedades foi formado, o que causou uma mistura não edificante dos atributos do "Supremo", e que ele, o Sr. Thomas May, pode cortar esse nó num instante, simplesmente dizendo aos seus leitores que o Diabo e Jesus, ou o Diabo e Deus, são um e o mesmo ser ou pessoa Suprema, apenas vistos sob diferentes aspectos em diferentes períodos de tempo.

(1)      E com essa simples declaração de que duas ideias contraditórias têm apenas um e o mesmo ser ou pessoa suprema como sua origem, o Sr. May parece imaginar que removeu imediatamente toda a confusão teológica, contradições e contrariedades que, por séculos, se acumularam e perplexaram a humanidade a respeito de Jesus e do Diabo, Deus e Satã, o bem e o mal.

Mas quando se concede ao Sr. May que há apenas um ser ou pessoa Suprema: ainda resta determinar, revelar ou compreender o que é "o Supremo" e se "o Supremo" é bom ou mau.

O Sr. May, em sua carta, parece dar a entender que "o Supremo" é tanto mau quanto bom, da mesma maneira que um período de 24 horas, que chamamos de dia, é em parte claro e em parte escuro.

(2)

O DIABO — QUEM É ELE?

Mas então esse período escuro do dia, que chamamos de noite, não é mau, mas, ao contrário, é um período de repouso benéfico para recrutar e renovar as forças de nossos corpos no sono.

E é possível que o Sr. May também pudesse dizer que o que é comumente chamado de mal também não é mal, mas é apenas um curso de treinamento educacional que é altamente benéfico para o nosso crescimento e força espiritual.

Mas quando o bem e o mal são assim misturados como sendo um e o mesmo, o perigo surge imediatamente de se criar confusão teológica, contradições e contrariedades.

E não aprendo com a carta do Sr. May que ele evitou essa dificuldade religiosa (3), mas que ele próprio a criou, ao falar do bem e do mal como sendo um e o mesmo.

Pois embora Isaías nos diga que Deus sozinho é o Criador Supremo tanto do bem quanto do mal, é somente num sentido corretivo, como um Pai corrigiria seu Filho, que Isaías pretende falar de Deus como criando o mal; porque todo o peso dos escritos de Isaías é repreender aqueles que chamavam o bem de mal, o mal de bem, e a prática do mal de prática do bem.

E é porque essa mistura de Deus e do Diabo, e do bem e do mal, como sendo uma e a mesma coisa, tornou essa questão tão complicada, que por isso as Escrituras foram escritas para tornar manifesto o que é bom e o que é mau.

(4) E nas Escrituras está registrado que tão grande se tornara o poder daqueles que anulavam a Palavra de Deus por suas tradições malignas, que conspiraram para trair "o Filho do Homem", que reconciliaria os caminhos de Deus como sendo bons e não maus, para ser crucificado como um demônio.

E esta é a verdadeira lição que deve ser aprendida (quando a liberdade na Igreja puder ser obtida para ensiná-la) da Crucificação do "Filho do Homem", a qual somente pode remover a dificuldade religiosa que perturba tanto o mundo Cristão quanto o Judaico: porque não é verdade, como o Sr. May afirma, que o bem e o mal, ou Jesus e o Diabo, sejam uma e a mesma coisa.

(5)                                                                            REV.

T. G. HEADLEY.

Manor House, Petersham, S.W.

NOTAS DOS EDITORES

(1) Esta ideia não é original do Sr. May.

Lactâncio, um dos Pais da Igreja, expressou-a em linguagem nada equívoca, pois declara que o "Verbo" (ou Logos) é o irmão primogênito de Satanás" (Vide Divinarum Institutionum Libri Septem, Livro II, cap. ix); pois Satanás é "um Filho de Deus" (Vide Jó, ii, 1).     (2) O "Supremo", se IT é infinito e onipresente, não pode ser senão isso.


IT deve ser "bom e mau", "luz e trevas", etc., pois se é onipresente, tem de estar presente tanto num vaso de desonra quanto num de honra, tanto num átomo de sujeira quanto no átomo da mais pura essência.

Todo o problema é que a teologia e o clero (mesmo o militante) não são consistentes em suas afirmações: forçariam as pessoas a crer num deus infinito e absoluto, e ao mesmo tempo rebaixariam essa divindade, tornando-a um ser pessoal com atributos, uma dupla afirmação mutuamente destrutiva, e tão absurda filosoficamente quanto grotesca e mortífera para a alma.

(3) O fato, então, de que mostrar o bem e o mal misturados na divindade cria "dificuldade religiosa", i.e., "confusão teológica", é culpa do clero e da teologia, e de modo algum do Sr. May.

Que eles abandonem sua ideia de um deus pessoal com atributos humanos, e a dificuldade desaparecerá.

(4) As Escrituras foram escritas para ocultar as alegorias subjacentes dos mistérios cosmogônicos e antropológicos, e de modo algum "para tornar manifesto o que é bom e o que é mau". Se nosso respeitado e reverendo Correspondente aceita o Éden e a maçã a sério, então por que não aceitaria também a "Crucificação", como ensinada por sua igreja? "Ser crucificado como um demônio" é uma frase estranha.

Ouvimos falar de vários "Filhos de Deus" crucificados, mas nunca de um único demônio.

Por outro lado, se os cristãos aceitassem, tão seriamente quanto aceitam a "maçã e a costela", as simples e impressionantes palavras de seu Cristo no Monte, que diz: "Bem-aventurados sois vós, quando os homens vos injuriarem, e perseguirem, e disserem todo o mal contra vós, falsamente, por minha causa" — então eles se absteriam de injuriar, perseguir e dizer todo o mal contra o pobre Diabo; que, se deve ser considerado uma personalidade,

––––––––––        [Apenas implícito, não declarado definitivamente.—Compilador.] ––––––––––                                        PERGUNTAS PERTINENTES

certamente será "bem-aventurado", pois ninguém desde o início do cristianismo foi mais injuriado e falsamente perseguido do que esse bode expiatório pelos pecados do homem! Finalmente:     (5) Se alguém toma "o bem e o mal, ou Jesus e o Diabo", como personalidades, então, como nenhuma personalidade desde o início do mundo foi livre do mal, a proposição do Sr. May deve se mostrar correta e o Reverendo Sr. Headley ser mostrado num círculo vicioso de sua própria criação.

Demon est Deus inversus é dito de uma divindade manifestada, diferenciada, ou do Universo da Matéria.

Aquilo que é Absoluto não pode sequer ser homogêneo, é Ain — nada, ou Não-coisa; e se homens de intelectos finitos insistirem em especular sobre o infinito, e portanto, para eles, inalcançável e incompreensível, de outra forma que não como um postulado filosófico necessário, então devem esperar ser vencidos por essa mesma filosofia.

––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME X                                             Outubro,

PERGUNTAS PERTINENTES                                [Lucifer, Vol.

III, No. 14, Outubro, 1888, pp. 172-74]

Você convida perguntas sobre todos os pontos de dificuldade em assuntos relacionados à Ciência Oculta.

Não consigo reconciliar algumas coisas relativas aos Apóstolos da Teosofia Moderna.

No “Prefácio à Edição Original” (página xxiii, da 5ª Edição) de *Budismo Esotérico*, do Sr. A. P. Sinnett, encontram-se estas palavras: “Há dois anos, nem eu nem qualquer outro europeu vivo conhecíamos o alfabeto da ciência aqui pela primeira vez apresentada em forma científica.” Esta é uma expressão enfática; pareceria implicar que o mundo pensante é exclusivamente devedor a este livro e ao seu autor por aquele conhecimento das verdades da Ciência Esotérica, que agora se abre caminho entre os Teosofistas europeus e americanos.

Mas dificilmente pode ser esse o significado do Sr. Sinnett.

Pois, podem a afirmação e a sua implicação ser consistentes com o fato de que Madame Blavatsky, ela própria uma europeia, havia, alguns anos antes,

–––––––––– Em vista de um número de tais cartas recebidas, uma resposta completa será dada em *A Doutrina Secreta*, agora quase pronta.—Ed. –––––––––– escrito *Ísis sem Véu*, que, embora não apresente o mesmo ensinamento construtivo sobre os mistérios do Universo como o faz *Budismo Esotérico*, implica, contudo, um conhecimento por parte de sua autora de muito mais do que “o alfabeto da ciência”? Mas não é verdade, como indicado em *O Mundo Oculto*, que o Sr. Sinnett devia a Madame Blavatsky o seu próprio primeiro conhecimento da Ciência Esotérica, e também a sua introdução ao professor adepto, o Mestre de quem derivou a maior parte de suas informações? Madame Blavatsky, fomos levados a compreender, ensinou essas verdades da Ciência Oculta anos antes ao Coronel Olcott, e ao fazê-lo converteu-o de espiritualista a teosofista.


É ainda provável que Madame Blavatsky tenha ensinado a outros as mesmas verdades. Perguntaria também se não há estudantes secretos da Ciência, nos seus aspectos mais amplos, que conheceram estas coisas antes da sua recente publicação? Seria uma satisfação para mim e para outros se pudesse ser declarado como os recentes ensinamentos da Ciência Oculta realmente se originaram, e qual é a verdadeira posição do *Budismo Esotérico* como expoente autorizado da verdade oculta.

Agora que os ensinamentos teosóficos estão se apoderando das mentes dos homens, é muito desejável que a gênese do movimento moderno seja conhecida com veracidade.

Reconheço-me grandemente devedor ao *Budismo Esotérico*, mas estou muito ansioso por compreender os fatos a que aludi, e por vê-los reconciliados.

Atenciosamente,                                                                                            CHARLES B. INGHAM.

––––––––––      Ela o fez, inegavelmente.

Mas como seus vários alunos (europeus) eram discípulos comprometidos, o que o Sr. Sinnett nunca foi, eles não podiam divulgar ao mundo o que haviam aprendido.

[H.P.B.] ––––––––––

––––––––––

RESPOSTA DO EDITOR

O caso em questão é uma boa ilustração dos equívocos que frequentemente surgem da falta de precisão na expressão de um escritor.

Certamente, o Sr. Sinnett não poderia ter qualquer desejo de transmitir a ideia de que ele era o primeiro e único canal para a transmissão da doutrina esotérica.

De fato, ele repudia especificamente essa afirmação, como nosso correspondente descobrirá se consultar a p. xxi, do Prefácio da própria edição que ele cita.

“Deixe-me acrescentar”, diz o Sr. Sinnett, "que não me considero o único expositor

PERGUNTAS PERTINENTES

para o mundo exterior, nesta crise, da verdade esotérica.” Se ele omitiu mencionar a escritora e seus alunos e colegas americanos de 1874-8, o Coronel Olcott e o Sr. Judge, foi sem dúvida porque ele considerava “Madame Blavatsky”, devido à sua nacionalidade russa, como mais asiática do que europeia—uma ilusão inofensiva sob a qual muitos ingleses patriotas laboram—e os referidos cavalheiros, como americanos.

Também lhe escapara por um momento, sem dúvida, que entre o grupo de Iniciados ao qual seu próprio correspondente místico está aliado, há dois de raça europeia, e que um que é superior a esse Mestre também é dessa origem, sendo meio eslavo em sua “encarnação atual”, como ele mesmo escreveu ao Coronel Olcott em Nova York.

O Budismo Esotérico prestou um serviço precioso, ao popularizar em forma exotérica as verdades esotéricas, sendo a interferência com a metafísica pura repudiada por seu autor (Vide p. 46), e na propagação das ideias teosóficas por todo o mundo; e provou sua popularidade ao já ter passado por seis edições, estando neste exato momento prestes a aparecer uma sétima.

No entanto, não está suficientemente livre de erros menores para que seja considerado uma Escritura infalível, nem seu modesto autor como um Revelador Divino—como alguns entusiastas tolos, em busca de novos ídolos, imaginam para si mesmos.

A pergunta do correspondente sobre “como os ensinamentos recentes da Ciência Oculta realmente se originaram” é facilmente respondida.

Uma crise havia chegado em que era absolutamente necessário trazer ao alcance de nossa geração a Doutrina Esotérica dos ciclos eternos.

Religião, tanto no Ocidente quanto no Oriente, há muito vinha sendo sufocada sob os montes de poeira do Sectarismo e da Ciência emancipada.

Por falta de qualquer conceito religioso científico, a Ciência estava dando à Religião o golpe de misericórdia com a barra de ferro do Materialismo.

Para coroar o caos, o mundo-fantasma do Hades, ou Kama-loka, havia irrompido em uma torrente lamacenta em dez mil salas de sessões espíritas, criando noções das mais enganosas sobre o estado pós-morte do homem.

Nada além de alguns poucos princípios fundamentais da filosofia esotérica, esboçados em largas pinceladas por um escritor tão claro e brilhante quanto o Sr. Sinnett — como se sabe que ele é —, poderia arrancar a humanidade do afogamento no mar da ignorância.

Assim, mais uma vez os Portões do Palácio da Verdade foram abertos, e o Sr. Sinnett e muitos outros trabalhadores dispostos captaram cada um um raio.

Mas, assim como toda a luz só pode ser obtida pela reunião de todos os diferentes raios do espectro, a filosofia arcaica em sua totalidade só pode ser apreendida combinando todos os vislumbres de luz que passaram através dos muitos prismas intelectuais de nossa geração e das precedentes.

––––––––––                        Escritos Reunidos VOLUME X                                            Outubro,

A SEÇÃO ESOTÉRICA DA                               SOCIEDADE TEOSÓFICA                                [Lucifer, Vol.

III, No. 14, outubro de 1888, p. 176] 

Devido ao fato de que um grande número de Membros da Sociedade sentiu a necessidade da formação de um corpo de estudantes esotéricos, a ser organizado nas LINHAS ORIGINAIS concebidas pelos verdadeiros fundadores da S. T., a seguinte ordem foi emitida pelo Presidente-Fundador:—

I. Para promover os interesses esotéricos da Sociedade Teosófica através do estudo mais profundo da filosofia esotérica, fica por meio desta organizado um corpo, a ser conhecido como "Seção Esotérica da Sociedade Teosófica."

II. A constituição e a direção exclusiva da mesma estão investidas na Sra. H. P. Blavatsky, como sua Chefe; ela é unicamente responsável perante os Membros pelos resultados; e a seção não tem conexão oficial ou corporativa com a Sociedade Exotérica, exceto na pessoa do Presidente-Fundador.

––––––––––       [O mesmo Aviso Oficial foi publicado no mês seguinte, ou seja, novembro de 1888, na página 256 do Lucifer.

Ao final do mesmo, abaixo das assinaturas, apareciam estas palavras: "Om ah guru munjee Goshaya barsid dhi . . . Höm."—Compilador.] ––––––––––

NOTAS DIVERSAS

III.

As pessoas que desejarem ingressar na Seção e estiverem dispostas a cumprir suas regras deverão comunicar-se diretamente com:—Mme.

H. P. Blavatsky, 17 Lansdowne Road, Holland Park, London, W.                                                                     (Assinado) H. S. OLCOTT,                                                                           Presidente em Conselho.

Atesto:—H. P. BLAVATSKY.

––––––––––                          Obras Completas VOLUME X                                              Outubro,

NOTAS DIVERSAS                           [Lucifer, Vol.

III, No. 14, Outubro, 1888, pp. 131-32, 164, 167}

[A seguinte importante Nota Editorial é acrescentada por H.P.B. a um artigo que trata do futuro ser humano andrógino e dos contos tradicionais, tanto da antiguidade clássica quanto de épocas posteriores, concernentes a seres não físicos que se unem a seres físicos.]

Pedindo perdão ao nosso estimado correspondente, acreditamos ser perigoso deixar o que ele diz sem uma explicação.

Há uma diferença enorme entre a Sophia do Teosofista Gichtel, um Iniciado e Rosacruz (1638-1710), e as modernas Lillies, John Kings e "Sympneumatas". As "Noivas" dos adeptos medievais são uma alegoria, enquanto aquelas dos médiuns modernos são realidades astrais de magia negra.

A "Sophia" de Gichtel era a "Noiva Eterna" (Sabedoria e Ciência Oculta personificadas); as "Lillies" e outras são espectros astrais, "influências" semissubstanciais, semicriações dos cérebros superexcitados de infelizes histéricos e "sensitives". Nenhum homem mais puro jamais viveu neste mundo do que Gichtel.

Que qualquer um leia a Correspondência de de Saint-Martin (pp. 168 a 198), e verá a diferença.

De Marcus, o Gnóstico, até o último estudante místico da Cabala e do Ocultismo, aquilo que chamavam de sua "Noiva" era a "Verdade Oculta", personificada como uma donzela nua, também chamada de Sophia ou Sabedoria.

Essa "esposa" revelou a Gichtel todos os mistérios da natureza exterior e interior, e o forçou a abster-se de todo gozo e desejo terrenos, e o fez sacrificar-se pela Humanidade.


E enquanto permaneceu naquele corpo que o representava na terra, teve de trabalhar pela libertação da ignorância daqueles que ainda não haviam obtido sua herança e beatitude interior.

“Desde aquela época [quando ele se casou com sua ‘Noiva’], ele se entregou como sacrifício, para ser amaldiçoado por seus irmãos [homens] mesmo sem conhecê-los,” diz São Martin.

Tem este caso alguma analogia com os casos dos Lírios e Rosas da Terra do Verão? Sofia desce como uma “noiva para os Adeptos, das regiões superiores do espírito, as astrais Ninons de l’Enclos, de Kamaloka, para epilépticos histéricos.

Quanto menos se tiver a ver com esta última classe—melhor.

Deixem os “sensíveis” falarem tão poeticamente quanto quiserem, a verdade nua é que tais uniões sexuais não naturais, entre o homem vivo e os seres belos do mundo Elemental, surgem da superexcitação anormal do sistema nervoso e das paixões animais, através da imaginação impura do “sensível”. No mundo cabalístico, estas “celestiais” noivas e noivos sempre foram chamados pelos nomes duros de Súcubos e Íncubos; e a diferença entre essas criaturas e os “Sympneumatas” mostrados na Religião Científica de Laurence Oliphant é apenas uma suposta, e não existe para ninguém exceto o autor.

Existem algumas dessas uniões entre médiuns e seus “controles”—conhecemos várias pessoalmente—e algumas submetidas involuntariamente, sob obsessão.

O vínculo é psicofisiológico, e pode ser rompido por um exercício de força de vontade, seja pela vítima ou por um mesmerizador amigável.

O Coronel Olcott curou dois desses casos—um na América, o outro no Ceilão.

Histéricos amáveis e certos extáticos religiosos podem dar rédea solta à sua fantasia doentia, e construir Sofias, Lírios, e outros “Sympneumatas” a partir da aura opalescente de seus cérebros; mas, mesmo assim, eles são apenas feiticeiros inconscientes: eles desfrutam de sentimentos animais lascivos ao praticar magia negra sobre si mesmos.

Se eles admitem que

NOTAS DIVERSAS

essas uniões não naturais, ou antes alucinações histéricas de tais, são doença, então eles estão no nível de ninfomaníacas insanas; se eles negam, então, aceitando a responsabilidade, eles se colocam em um nível muito mais baixo.

––––––––––

[. . . . uma declaração fundamental da “Ciência Cristã” é a união imutável e indestrutível do homem com o próprio espírito] Os fatos estão contra essa suposição.

Fosse a “União” universal, não poderia haver mal, nem doença ou sofrimento neste mundo.

––––––––––

Ajudar alguém com um câncer no nariz a imaginar que não tem câncer, só pode ser feito através do mesmerismo, ou hipnotismo, embora o operador possa chamá-lo como escolher.

––––––––––                           Escritos Reunidos VOLUME X                                               Outubro,

A DOUTRINA SECRETA

[Foi em outubro de 1888 que o Primeiro Volume da obra-prima de H.P.B. fez sua aparição pública.

Inserimos a presente Nota explicativa neste ponto específico de nossa série cronológica para indicar onde A Doutrina Secreta se situa, no que diz respeito à sua correta sequência temporal.

O Primeiro Volume saiu da Imprensa em 20 de outubro de 1888. Isso é evidenciado por um conjunto da edição original agora nos Arquivos do abaixo-assinado.

Na folha de rosto do Primeiro Volume, em lápis azul bastante desbotado, aparecem as seguintes palavras na caligrafia de Richard Harte:

“Este é o primeiro exemplar já emitido.

Eu o recebi do Impressor por Mensageiro especial na manhã de 20 de outubro de '88, ao deixar a casa 17 Lansdowne Road, com o Cel. Olcott para a Índia (o Cel. foi pessoalmente via Nápoles). O Segundo Vol. seguiu-me para a Índia.

R.H.”      Ambos os volumes têm uma encadernação acinzentada que traz no lugar habitual o selo: Theosophical Publishing Co., Ltd., que ficava naturalmente em Londres.


Ambos os volumes trazem as inscrições: Impresso por Allen Scott and Co., 30, Bouverie Street, E.C.—em frente à página de título; e em frente à dedicatória: Registrado no Stationer’s Hall.

Todos os Direitos Reservados.

Parece que as folhas do Primeiro Volume, muito provavelmente dobradas, foram enviadas a W.Q. Judge em Nova York.

A princípio, ele planejou ter o volume encadernado pronto para distribuição nos EUA até 27 de outubro, mas todos os tipos de dificuldades surgiram.

Uma delas dizia respeito ao Avaliador da Alfândega.

Depois que Judge retirou 3 caixas, foi-lhe dito que o livro estava subavaliado.

Ao calcular, parecia que os 1000 exemplares custavam cerca de 30 centavos cada.

Isso, naturalmente, era baixo demais, e Judge enfrentou a possibilidade de uma multa e taxa dupla, exigindo a lei na época que fosse paga uma taxa de 25% do preço de mercado das mercadorias; neste caso, a taxa deveria ser determinada pelo custo do papel e da impressão.

Após muita persuasão, o Avaliador consentiu em deixar o livro passar, com a advertência de que na próxima fatura o valor verdadeiro teria de ser declarado.

As caixas vieram da Alfândega em 23 de outubro e foram enviadas ao encadernador, onde o livro teve de ser recolacionado, pois os encadernadores americanos não aceitariam o risco da colação feita no exterior.

Isso resultou em novos atrasos. O Volume I foi enviado aos assinantes na América em 3 de novembro, e o Volume II foi prometido para aproximadamente a mesma época da edição de dezembro da revista The Path. A edição americana foi publicada em capa marrom-escura e azul-escura, e traz a inscrição: "Registrado de acordo com o Ato do Congresso no ano de 1888, por H.P. Blavatsky, no Gabinete do Bibliotecário do Congresso em Washington, D.C."— em frente à dedicatória.

A partir de uma declaração em The Theosophist, parece que a edição inglesa era de apenas 500 cópias, e foi esgotada antes do dia da publicação efetiva, devido aos assinantes antecipados.

Isso exigiu uma segunda impressão imediata, que mais tarde foi erroneamente chamada de "segunda edição". Foi apenas uma segunda tiragem das mesmas matrizes.

The Theosophist menciona também um "Índice copioso e um Glossário" em conexão com A Doutrina Secreta.

O Índice, no entanto, era muito pobre nesta primeira edição, e nenhum Glossário apareceu de todo.

Nenhuma informação definitiva parece disponível sobre –––––––––– Cartas de W.Q. Judge a Bertram Keightley, datadas de 5 e 26 de outubro de 1888, em Practical Occultism (Pasadena, Calif.: Theos. Univ. Press, 1951), pp. 127, 133. The Path, Vol. III, p. Vol. X, Supl. a dezembro de 1888, p. xxxa. ––––––––––

Fac-símile de uma página do manuscrito de A Doutrina Secreta, contendo uma versão inicial do texto.

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO?

por que nenhum Glossário foi incluído, mas Judge, escrevendo a C. H. Whitaker, em 11 de janeiro de 1889, sugere que provavelmente foi considerado caro demais para fazê-lo. É bem concebível que o material para tal Glossário tenha sido posteriormente usado tanto em A Chave para a Teosofia quanto no Glossário Teosófico.

É provável que o Volume II de A Doutrina Secreta tenha aparecido em algum momento de dezembro de 1888; a revista The Path, revisando sua promessa anterior, afirmou que chegaria aos seus assinantes antes da edição de janeiro de 1889 do periódico.—Compilador.]

–––––––––– Practical Occultism, p. 139. –––––––––– –––––––––– Escritos Reunidos VOLUME X Novembro,

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO? [Lucifer, Vol. III, No. 15, novembro de 1888, pp. 177-187]

“A religião é a melhor armadura que o homem pode ter, mas é o pior disfarce” — BUNYAN.

Não é exagero dizer que nunca houve — pelo menos durante o presente século — um movimento, social ou religioso, tão terrivelmente, ou melhor, tão absurdamente mal compreendido, ou mais deturpado do que a TEOSOFIA — seja considerada teoricamente como um código de ética, ou praticamente, em sua expressão objetiva, isto é, a Sociedade conhecida por esse nome.

Ano após ano, e dia após dia, nossos oficiais e membros tiveram que interromper pessoas que falavam do movimento teosófico, apresentando protestos mais ou menos enfáticos contra a teosofia ser referida como uma “religião”, e a Sociedade Teosófica como uma espécie de igreja ou corpo religioso.

Ainda pior, ela é frequentemente mencionada como uma “nova seita”! Será um preconceito obstinado, um erro, ou ambos? O

–––––––––– [Não se sabe por que este ditado é aqui atribuído a Bunyan.

A afirmação: “A religião é a melhor Armadura do Mundo, mas o pior Disfarce” pode ser encontrada na Gnomologia de Thomas Fuller: Adágios e Provérbios; Sentenças Sábias e Ditos Espirituosos, Antigos e Modernos, Estrangeiros e Britânicos, Londres, 1732. Não é, contudo, atribuída a Bunyan nessa obra.—Compilador.] –––––––––– último, muito provavelmente.


As pessoas mais tacanhas e até notoriamente injustas ainda precisam de um pretexto plausível, de um cabide no qual pendurar suas pequenas observações pouco caridosas e calúnias inocentemente proferidas.

E que cabide é mais sólido para esse propósito, mais conveniente do que um “ismo” ou uma “seita”. A grande maioria lamentaria muito ser desiludida e finalmente forçada a aceitar o fato de que a teosofia não é nem uma coisa nem outra.

O nome lhes agrada, e eles fingem não estar cientes de sua falsidade.

Mas há outros, também, muitas pessoas mais ou menos amigáveis, que sinceramente labutam sob a mesma ilusão.

A estes, dizemos: Certamente o mundo já foi suficientemente amaldiçoado com os extintores intelectuais conhecidos como credos dogmáticos, sem que se infligisse a ele uma nova forma de fé! Muitos já usam sua fé, verdadeiramente, como Shakespeare o diz, “mas como a moda de seu chapéu”, mudando sempre “com o próximo bloco”. Além disso, a própria razão de ser da Sociedade Teosófica foi, desde seu início, emitir um protesto veemente e travar uma guerra aberta contra o dogma ou qualquer crença baseada na fé cega.

Pode parecer estranho e paradoxal, mas é verdadeiro dizer que, até agora, os trabalhadores mais aptos na teosofia prática, seus membros mais devotados, foram aqueles recrutados das fileiras dos agnósticos e até mesmo dos materialistas.

Nenhum verdadeiro, nenhum sincero buscador da verdade pode jamais ser encontrado entre os crentes cegos na “Palavra Divina”, seja ela reivindicada como vinda de Alá, Brahmâ ou Jeová, ou de seus respectivos Corão, Purâna e Bíblia.

Pois:

“A fé não é o trabalho da razão, mas o repouso.”

Aquele que crê em sua própria religião por fé considerará a de qualquer outro homem como uma mentira e a odiará com base nessa mesma fé.

Além disso, a menos que ela acorrente a razão e cegue inteiramente nossas percepções de qualquer coisa fora de nossa fé particular, esta não é fé alguma, mas uma crença temporária, a ilusão sob a qual labutamos em algum momento particular da vida.

Ademais, “fé sem princípios é apenas uma frase lisonjeira para positividade obstinada ou sensações corporais fanáticas”, na inteligente definição de Coleridge.

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO?

O que é, então, a Teosofia, e como pode ela ser definida em sua mais recente apresentação nesta parte final do século XIX? A Teosofia, dizemos, não é uma Religião.

No entanto, há, como todos sabem, certas crenças, filosóficas, religiosas e científicas, que se tornaram tão intimamente associadas nos últimos anos à palavra “Teosofia” que passaram a ser tomadas pelo público em geral como a própria Teosofia.

Além disso, ser-nos-á dito que essas crenças foram apresentadas, explicadas e defendidas por esses mesmos Fundadores que declararam que a Teosofia não é uma Religião.

Qual é, então, a explicação dessa aparente contradição? Como pode um certo corpo de crenças e ensinamentos, uma doutrina elaborada, de fato, ser rotulado de “Teosofia” e ser tacitamente aceito como “Teosófico” por nove décimos dos membros da S.T., se a Teosofia não é uma Religião? — somos perguntados.

Explicar isso é o propósito do presente protesto.

Talvez seja necessário, antes de tudo, dizer que a afirmação de que “a Teosofia não é uma Religião” de modo algum exclui o fato de que “a Teosofia é a Religião” em si mesma.

Uma Religião no sentido verdadeiro e único correto é um vínculo que une os homens entre si — não um conjunto particular de dogmas e crenças.

Agora, a Religião, per se, em seu significado mais amplo, é aquilo que une não apenas todos os HOMENS, mas também todos os SERES e todas as coisas em todo o Universo em um grande todo.

Esta é a nossa definição teosófica de religião; mas a mesma definição muda novamente com cada credo e país, e nem mesmo dois cristãos a consideram da mesma forma.

Encontramos isso em mais de um autor eminente.

Assim, Carlyle definiu a Religião Protestante em seu dia, com um notável olhar profético para esse sentimento sempre crescente em nossos dias atuais, como:

Na maioria das vezes, um sentimento sábio e prudente, baseado em mero cálculo; uma questão, como todas as outras agora, de conveniência e utilidade; mediante a qual alguma quantidade menor de gozo terreno pode ser trocada por uma quantidade muito maior de gozo celestial.

Assim, a religião também é lucro, um trabalho por salário; não reverência, mas vulgar esperança ou medo.


Por sua vez, a Sra.

Stowe, conscientemente ou não, parecia ter em mente o Catolicismo Romano em vez do Protestantismo, ao dizer de sua heroína que:

Ela encarava a religião sob a luz de um bilhete (com o número correto de indulgências compradas e pagas), que, uma vez adquirido e guardado com segurança em uma carteira, deve ser apresentado no portão celestial, e assim garantir a admissão ao céu.

. . .

Mas para os Teosofistas (os genuínos Teosofistas são aqui referidos) que não aceitam mediação por procuração, nenhuma salvação através de sangue inocente derramado, nem pensariam em "trabalhar por salário" na Religião Universal Una, a única definição à qual poderiam subscrever e aceitar plenamente é uma dada por Miller.

Quão verdadeira e teosoficamente ele a descreve, ao mostrar que

“. . . a verdadeira Religião
É sempre mansa, propícia e humilde;
Não faz a tirana, não planta fé em sangue,
Nem carrega destruição nas rodas de seu carro;
Mas se inclina a polir, socorrer e reparar,
E constrói sua grandeza no bem público.”

A acima é uma definição correta do que a verdadeira teosofia é, ou deveria ser. (Entre os credos, somente o Budismo é uma tal filosofia verdadeira de união de corações e união de homens, porque não é uma religião dogmática.) Nesse aspecto, como é dever e tarefa de todo genuíno teosofista aceitar e cumprir esses princípios, a Teosofia é RELIGIÃO, e a Sociedade sua única Igreja Universal; o templo da sabedoria de Salomão, em cuja construção "não

––––––––––       Cujas 700 esposas e 300 concubinas, aliás, são meramente as personificações dos atributos, sentimentos, paixões e diversos poderes ocultos do homem: os números cabalísticos 7 e 3 o mostram claramente.

Além disso, o próprio Salomão, sendo simplesmente o emblema do SOL — o “Iniciado Solar” ou o Cristo-Sol, é uma variante do “Vikarttana” indiano (o Sol) despojado de seus raios por Vi vakarman, seu Hierofante-Iniciador, que assim tosquia o candidato-Chrestos à iniciação de sua radiância dourada e o coroa com uma escura, ––––––––––

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO? não se ouviu nem martelo, nem machado, nem qualquer ferramenta de ferro na casa, enquanto esta era construída” (I Reis, vi, 7); pois este “templo” não é feito por mão humana, nem construído em qualquer localidade da terra — mas, em verdade, é erguido apenas no santuário interior do coração do homem, onde reina sozinha a alma desperta.

Assim, a Teosofia não é uma Religião, dizemos, mas a própria RELIGIÃO, o único vínculo de unidade, que é tão universal e abrangente que nenhum homem, como nenhuma partícula — dos deuses e mortais até os animais, a folha de grama e o átomo — pode estar fora de sua luz.

Portanto, qualquer organização ou corpo com esse nome deve necessariamente ser uma FRATERNIDADE UNIVERSAL.

Fosse de outro modo, a Teosofia seria apenas uma palavra somada a centenas de outras palavras tão altissonantes quanto pretensiosas e vazias.

Vista como filosofia, a Teosofia em seu trabalho prático é o alambique do alquimista medieval.

Ela transmuta o aparente metal vil de todo credo ritualístico e dogmático (incluído o Cristianismo) no ouro do fato e da verdade, e assim produz verdadeiramente uma panaceia universal para os males da humanidade.

É por isso que, ao solicitar admissão na Sociedade Teosófica, ninguém é perguntado a que religião pertence, nem quais sejam suas visões deísticas. Essas visões são propriedade pessoal sua e nada têm a ver com a Sociedade.

Porque a Teosofia pode ser praticada por Cristão ou Pagão, Judeu ou Gentio, por Agnóstico ou Materialista, ou mesmo um Ateu, desde que nenhum deles seja um fanático intolerante, que se recuse a reconhecer como seu irmão qualquer homem ou mulher fora de seu próprio credo ou crença especial.

O Conde Leão N. Tolstói não acredita na Bíblia, na Igreja, ou na divindade de Cristo; e, no entanto, nenhum cristão o supera na prática efetiva dos princípios que se alega terem sido pregados no

–––––––––– auréola enegrecida—a “coroa de espinhos.” (Veja A Doutrina Secreta para explicação completa.) Salomão nunca foi um homem vivo.

Como descrito em Reis, sua vida e obras são uma alegoria sobre as provações e a glória da Iniciação.

–––––––––– Monte.


E esses princípios são os da Teosofia; não porque foram proferidos pelo Cristo cristão, mas porque são ética universal, e foram pregados por Buda e Confúcio, Krishna e todos os grandes Sábios, milhares de anos antes de o Sermão da Montanha ser escrito.

Portanto, uma vez que vivamos de acordo com tal teosofia, ela se torna de fato uma panaceia universal, pois cura as feridas infligidas pelas asperezas grosseiras dos “ismos” eclesiásticos na alma sensível de todo homem naturalmente religioso.

Quantos desses, forçadamente expulsos pelo impulso reativo da decepção da área estreita da crença cega para as fileiras da descrença árida, foram trazidos de volta à aspiração esperançosa simplesmente por se juntarem à nossa Irmandade—sim, imperfeita como é. Se, como compensação por isso, nos lembram que vários membros proeminentes deixaram a Sociedade decepcionados com a teosofia como haviam ficado com outras associações, isso não pode nos desanimar em absoluto.

Pois, com muito, muito poucas exceções, no estágio inicial das atividades da S.T., quando alguns saíram porque não encontraram misticismo praticado no Corpo Geral como o entendiam, ou porque “os líderes careciam de Espiritualidade”, eram “antiteosóficos, portanto, infiéis às regras”, veja, a maioria saiu porque a maioria deles era ou indecisa ou demasiado obstinada—uma igreja e um dogma infalível em si mesmos.

Alguns se separaram, novamente, sob pretextos muito superficiais, de fato, como, por exemplo, “porque o cristianismo [para dizer igrejice, ou cristianismo falso, seria mais justo] era tratado com demasiada aspereza em nossas revistas”—como se outras religiões fanáticas fossem alguma vez tratadas melhor ou defendidas! Assim, todos aqueles que saíram fizeram bem em sair, e nunca foram lamentados.

Além disso, há também isto a acrescentar: o número dos que saíram dificilmente pode ser comparado com o número dos que encontraram tudo o que esperavam na Teosofia.

Suas doutrinas, se seriamente estudadas, evocam, ao estimular as faculdades de raciocínio e despertar o interior no homem animal, todo poder até então adormecido para o bem em nós, e também a percepção do verdadeiro e do real, em oposição ao falso e ao irreal.

Arrancando

A TEOSOFIA É UMA RELIGIÃO?

Com mão firme, a Teosofia científica, versada na astuta simbologia das eras, remove o espesso véu da letra morta que encobria toda antiga escritura religiosa, revelando ao zombador da sabedoria antiga a origem das fés e ciências do mundo.

Ela abre novas perspectivas para além dos velhos horizontes das fés cristalizadas, imóveis e despóticas; e, transformando a crença cega em conhecimento racional fundamentado em leis matemáticas — a única ciência exata —, demonstra-lhe, sob aspectos mais profundos e filosóficos, a existência daquilo que, repelido pela grosseria de sua forma de letra morta, ele há muito abandonara como conto de fadas.

Ela dá um objetivo claro e bem definido, um ideal pelo qual viver, a todo homem ou mulher sinceros, pertencentes a qualquer posição social e de qualquer cultura e grau de intelecto.

A Teosofia prática não é uma ciência, mas abrange toda ciência da vida, moral e física.

Pode, em suma, ser justamente considerada o "treinador" universal, um tutor de conhecimento e experiência mundiais, e de uma erudição que não apenas assiste e guia seus pupilos rumo a um exame bem-sucedido em todo serviço científico ou moral na vida terrena, mas os prepara para as vidas vindouras, se tão somente esses pupilos estudarem o universo e seus mistérios dentro de si mesmos, em vez de estudá-los através dos óculos da ciência e das religiões ortodoxas.

E que nenhum leitor interprete mal estas afirmações.

É a Teosofia em si, não qualquer membro individual da Sociedade ou mesmo teósofo, em nome de quem se reivindica tal onisciência universal.

Os dois — a Teosofia e a Sociedade Teosófica — como um vaso e a olla podrida que ele contém, não devem ser confundidos.

Uma é, como ideal, sabedoria divina, a própria perfeição; a outra é uma coisa pobre e imperfeita, tentando abrigar-se sob, senão dentro, de sua sombra na Terra.

Nenhum homem é perfeito; por que, então, deveria qualquer membro da S.T. ser esperado como um modelo de toda virtude humana? E por que toda a organização deveria ser criticada e culpada pelas faltas, reais ou imaginárias, de alguns de seus "Companheiros", ou mesmo de seus Líderes? Nunca a Sociedade, como corpo concreto, esteve livre de culpa ou pecado — errare humanum est — nem qualquer de seus membros.


Portanto, são antes esses membros — a maioria dos quais não se deixa conduzir pela teosofia — que deveriam ser culpados.

A Teosofia é a alma de sua Sociedade; esta, o corpo grosseiro e imperfeito daquela.

Portanto, esses Salomões modernos que se sentarão no Tribunal do Julgamento e falarão daquilo que nada conhecem são convidados, antes de caluniarem a Teosofia ou qualquer teosofista, a primeiro se familiarizarem com ambos, em vez de chamarem ignorantemente uma de "farragem de crenças insanas" e o outro de "seita de impostores e lunáticos". Independentemente disso, a Teosofia é falada por amigos e inimigos como uma religião, quando não uma seita.

Vejamos como as crenças especiais que se associaram à palavra chegaram a ocupar essa posição, e como é que elas têm tão bom direito a ela que nenhum dos líderes da Sociedade jamais pensou em repudiar suas doutrinas.

Dissemos que acreditamos na unidade absoluta da natureza.

Unidade implica a possibilidade de uma unidade em um plano entrar em contato com outra unidade em ou de outro plano.

Acreditamos nisso. A recém-publicada Doutrina Secreta mostrará quais eram as ideias de toda a antiguidade a respeito dos instrutores primordiais do homem primitivo e de suas três raças anteriores.

A gênese dessa RELIGIÃO-SABEDORIA, na qual todos os teosofistas acreditam, data desse período.

O assim chamado "Ocultismo", ou melhor, a Ciência Esotérica, tem de ter sua origem rastreada até aqueles Seres que, conduzidos pelo Karma, encarnaram em nossa humanidade e assim deram a nota-chave daquela Ciência Secreta que inúmeras gerações de adeptos subsequentes expandiram desde então em cada era, enquanto verificavam suas doutrinas por observação e experiência pessoais.

A maior parte desse conhecimento — que nenhum homem é capaz de possuir em sua plenitude — constitui o que agora chamamos de Teosofia ou "conhecimento divino". Seres de outros mundos, mais elevados, podem possuí-la por inteiro; nós só podemos tê-la aproximadamente.

Assim, a unidade de tudo no universo implica e justifica nossa crença na existência de um conhecimento ao mesmo tempo científico, filosófico e religioso, mostrando a necessidade

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO?

e a realidade da conexão do homem e de todas as coisas no universo entre si; conhecimento que, portanto, torna-se essencialmente RELIGIÃO, e deve ser chamado, em sua integridade e universalidade, pelo nome distintivo de RELIGIÃO-SABEDORIA.

É dessa RELIGIÃO-SABEDORIA que todas as várias "Religiões" individuais (erroneamente assim chamadas) surgiram, formando, por sua vez, rebentos e ramos, e também todos os credos menores, baseados e sempre originados através de alguma experiência pessoal em psicologia.

Toda religião, ou ramo religioso, seja considerado ortodoxo ou herético, sábio ou tolo, originou-se originalmente como uma corrente clara e pura da Fonte-Mãe.

O fato de que cada uma se tornou, com o tempo, poluída por especulações puramente humanas e até invenções, devido a motivos interesseiros, não impede que qualquer uma tenha sido pura em seus primórdios.

Há credos — não os chamaremos de religiões — que agora foram recobertos pelo elemento humano a ponto de se tornarem irreconhecíveis; outros apenas mostrando sinais de decadência precoce; nenhum escapou da ação do tempo.

Mas cada um e todos são de origem divina, porque natural e verdadeira; sim — o Mazdeísmo, o Bramanismo, o Budismo tanto quanto o Cristianismo.

Foram os dogmas e o elemento humano neste último que levaram diretamente ao Espiritualismo moderno.

Naturalmente, haverá um clamor de ambos os lados, se dissermos que o Espiritualismo moderno per se, purificado das especulações insalubres baseadas nos ditames de duas garotinhas e seus "Espíritos" muito pouco confiáveis — é, no entanto, muito mais verdadeiro e filosófico do que qualquer dogma eclesiástico.

O Espiritualismo carnalizado está agora colhendo seu Karma.

Seus inovadores primitivos, as referidas "duas garotinhas" de Rochester, a Meca do Espiritualismo moderno, cresceram e se tornaram velhas senhoras desde que as primeiras batidas produzidas por elas escancararam os portões entre este e o outro mundo.

Foi com base em seu testemunho "inocente" que o elaborado esquema de uma Terra do Verão sideral, com sua ativa população astral de "Espíritos", sempre em voo entre sua "Terra Silenciosa" e nossa terra muito barulhenta e fofoqueira — foi iniciado e desenvolvido.


E agora as duas Maomés do Espiritualismo Moderno tornaram-se apóstatas de si mesmas e traem a "filosofia" que criaram, e passaram para o lado do inimigo.

Elas expõem e denunciam o Espiritualismo prático como o embuste dos séculos.

Os espiritualistas — (salvo um punhado de exceções justas) — regozijaram-se e aliaram-se aos nossos inimigos e difamadores, quando estes, que nunca foram Teosofistas, nos traíram e mostraram a pata fendida, denunciando os Fundadores da Sociedade Teosófica como fraudes e impostores.

Rirão agora os teosofistas, por sua vez, já que os originais "reveladores" do Espiritualismo tornaram-se seus "detratores"? Nunca! pois os fenômenos do Espiritualismo são fatos, e a traição das "garotas Fox" apenas nos faz sentir nova piedade por todos os médiuns, e confirma, perante o mundo inteiro, nossa constante declaração de que nenhum médium é digno de confiança.

Nenhum verdadeiro teosofista jamais rirá, ou muito menos se regozijará, com o desconcerto até mesmo de um oponente.

A razão é simples: — Porque sabemos que seres de outros mundos, mais elevados, confabulam com alguns mortais eleitos agora como sempre; embora agora muito mais raramente do que nos dias antigos, pois a humanidade torna-se, a cada geração civilizada, pior em todos os aspectos.

A Teosofia — devido, na verdade, ao levante em armas de todos os Espiritualistas da Europa e da América às primeiras palavras proferidas contra a ideia de que toda inteligência comunicante é necessariamente o Espírito de algum ex-mortal desta terra — não disse sua última palavra sobre o Espiritualismo e os "Espíritos". Poderá dizê-la um dia.

Enquanto isso, uma humilde serva da teosofia, a Editora, declara mais uma vez sua crença em Seres, mais grandiosos, mais sábios, mais nobres do que qualquer Deus pessoal, que estão além de quaisquer "Espíritos dos mortos", Santos ou Anjos alados, que, no entanto, condescendem em todas e cada época a, ocasionalmente, cobrir com sua sombra sensitivos raros — frequentemente totalmente desconectados da Igreja, do Espiritualismo ou mesmo da Teosofia.

E crendo em Seres Espirituais elevados e santos, ela deve também crer na existência de seus opostos — "espíritos" inferiores, bons, maus e indiferentes.

Portanto, ela crê no espiritualismo e em seus fenômenos, alguns dos quais lhe são tão repugnantes.

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO?

Isto como uma observação casual e uma digressão, apenas para mostrar que a Teosofia inclui o Espiritualismo — como deveria ser, não como é — entre suas ciências, baseadas no conhecimento e na experiência de inúmeras eras.

Não há uma religião digna desse nome que tenha sido iniciada de outra forma senão em consequência de tais visitas de Seres nos planos superiores.

Assim nasceram todas as religiões pré-históricas, bem como todas as religiões históricas, o Masdeísmo e o Bramanismo, o Budismo e o Cristianismo, o Judaísmo, o Gnosticismo e o Maometismo; em suma, todo "ismo" mais ou menos bem-sucedido. Todas são verdadeiras no fundo, e todas são falsas em sua superfície.

O Revelador, o artista que imprimiu uma porção da Verdade no cérebro do Vidente, foi, em todos os casos, um verdadeiro artista, que transmitiu verdades genuínas; mas o instrumento também se revelou, em todos os casos, apenas um homem.

Convide Rubinstein e peça-lhe que toque uma sonata de Beethoven num piano deixado à própria afinação, com metade das teclas em paralisia crônica, enquanto as cordas pendem soltas; então veja se, apesar do gênio do artista, você conseguirá reconhecer a sonata.

A moral da fábula é que um homem — seja ele o maior dos médiuns ou dos Videntes naturais — é apenas um homem; e o homem, deixado aos seus próprios recursos e especulações, deve estar desafinado com a verdade absoluta, mesmo quando recolhe algumas de suas migalhas.

Pois o Homem é apenas um anjo decaído, um deus interior, mas com um cérebro animal na cabeça, mais sujeito a resfriados e vapores do vinho, em companhia de outros homens na Terra, do que à recepção impecável de revelações divinas.

Daí os dogmas multicores das igrejas.

Daí também as mil e uma "filosofias" assim chamadas (algumas contraditórias, incluindo teorias teosóficas); e as variegadas "Ciências" e esquemas, Espirituais, Mentais, Cristãos e Seculares; o sectarismo e o fanatismo, e especialmente a vaidade pessoal e a obstinação de quase todo "Inovador" desde as eras medievais.

Tudo isso obscureceu e ocultou a própria existência da VERDADE — a raiz comum de todas.

Imaginarão nossos críticos que excluímos os ensinamentos teosóficos

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS desta nomenclatura? De modo algum.

E embora as doutrinas esotéricas que nossa Sociedade tem exposto e expõe não sejam impressões mentais ou espirituais de algum "desconhecido, vindo de cima", mas o fruto de ensinamentos dados a nós por homens vivos, ainda assim, exceto aquilo que foi ditado e escrito pelos próprios Mestres de Sabedoria, essas doutrinas podem, em muitos casos, ser tão incompletas e falhas quanto qualquer um de nossos adversários desejaria. A Doutrina Secreta — uma obra que divulga tudo o que pode ser divulgado durante este século — é uma tentativa de desnudar em parte o fundamento e a herança comuns de todos — grandes e pequenos esquemas religiosos e filosóficos.

Considerou-se indispensável rasgar toda essa massa de concepções cristalizadas e preconceitos que hoje oculta o tronco parental de (a) todas as grandes religiões mundiais; (b) das seitas menores; e (c) da Teosofia tal como está agora — por mais velada que esteja a grande Verdade, por nós mesmos e nosso conhecimento limitado.

A crosta do erro é espessa, sobreposta por qualquer mão; e porque nós, pessoalmente, tentamos remover parte dela, o esforço tornou-se a permanente censura contra todos os escritores teosóficos e até mesmo contra a Sociedade.

Poucos entre nossos amigos e leitores deixaram de caracterizar nossa tentativa de expor o erro em *The Theosophist* e *Lucifer* como "ataques muito pouco caridosos ao Cristianismo", "investidas não teosóficas", etc., etc.

No entanto, essas são necessárias, senão indispensáveis, se desejamos arar pelo menos verdades aproximadas.

Temos de desnudar as coisas e estamos prontos para sofrer por isso — como de costume.

É vão prometer dar a verdade e depois deixá-la misturada com o erro por mera covardia.

Que o resultado de tal política só poderia turvar a corrente dos fatos é claramente demonstrado.

Após doze anos de incessante labor e luta contra inimigos dos quatro cantos do globo, não obstante nossos quatro periódicos mensais teosóficos — *The Theosophist*, *The Path*, *Lucifer* e o francês *Le Lotus* —, nossos protestos insípidos e mansos neles, nossas tímidas declarações, nossa "política magistral de inatividade" e o brincar de esconde-esconde à sombra de uma metafísica sombria, tudo isso apenas levou a Teosofia a ser seriamente considerada uma SEITA religiosa.

Pela centésima

A TEOSOFIA É UMA RELIGIÃO?

vez nos dizem: "Que bem está fazendo a Teosofia?" e "Vede que bem estão fazendo as Igrejas"! No entanto, é um fato comprovado que a humanidade não está nem um pouco melhor em moralidade e, em alguns aspectos, dez vezes pior agora do que jamais esteve nos dias do Paganismo. Além disso, durante o último meio século, desde o período em que o Livre-pensamento e a Ciência levaram a melhor sobre as Igrejas — o Cristianismo perde anualmente muito mais adeptos entre as classes cultas do que ganha prosélitos nas camadas inferiores, a escória do Paganismo.

Por outro lado, a Teosofia trouxe de volta do Materialismo e do desespero absoluto à crença (baseada na lógica e na evidência) no Eu divino do homem e na imortalidade deste, mais de um daqueles que a Igreja perdeu por meio do dogma, da exigência de fé e da tirania.

E, se está provado que a Teosofia salva apenas um homem em mil daqueles que a Igreja perdeu, não é ela um fator de bem muito superior a todos os missionários juntos? A Teosofia, como repetidamente declarado por escrito e viva voce por seus membros e oficiais, procede por linhas diametralmente opostas àquelas trilhadas pela Igreja; e a Teosofia rejeita os métodos da Ciência, uma vez que seus métodos indutivos só podem levar ao materialismo crasso.

No entanto, de fato, a Teosofia afirma ser tanto "RELIGIÃO" quanto "CIÊNCIA", pois a teosofia é a essência de ambas.

É pelo bem e pelo amor das duas abstrações divinas — isto é, a religião e a ciência teosóficas — que a sua Sociedade se tornou a varredora voluntária tanto da religião ortodoxa quanto da ciência moderna; como também a Nemesis implacável daqueles que degradaram as duas nobres verdades para seus próprios fins e propósitos, e então as divorciaram violentamente uma da outra, embora as duas sejam e devam ser uma só.

Provar isso é também um de nossos objetivos no presente artigo.

O Materialista moderno insiste em um abismo intransponível entre as duas, apontando que o "Conflito entre Religião e Ciência" terminou no triunfo desta última e na derrota da primeira.

O Teosofista moderno recusa-se a ver, ao contrário, qualquer abismo desse tipo.

Se é reivindicado tanto pela Igreja quanto pela Ciência que cada uma delas persegue a verdade e nada além da verdade, então ou uma delas está enganada, e aceita a falsidade como verdade, ou ambas.


Qualquer outro impedimento à sua reconciliação deve ser considerado puramente fictício.

A verdade é una, mesmo que buscada ou perseguida em duas extremidades diferentes.

Portanto, a Teosofia reivindica reconciliar os dois inimigos.

Ela parte do princípio de que a verdadeira religião cristã espiritual e primitiva é, tanto quanto as outras grandes e ainda mais antigas filosofias que a precederam — a luz da Verdade — "a vida e a luz dos homens". Mas assim também é a verdadeira luz da Ciência.

Portanto, obscurecida como a primeira está agora por dogmas examinados através de lentes esfumaçadas pelas superstições artificialmente produzidas pelas Igrejas, essa luz dificilmente pode penetrar e encontrar seu raio irmão em uma ciência, igualmente tecida de teias de aranha por paradoxos e pelas sofistarias materialistas da época.

Os ensinamentos dos dois são incompatíveis e não podem concordar enquanto tanto a Filosofia religiosa quanto a Ciência da natureza física e externa (na filosofia, falsa) insistirem na infalibilidade de seus respectivos "fogos-fátuos". As duas luzes, tendo seus feixes de igual comprimento em matéria de deduções falsas, só podem extinguir uma à outra e produzir uma escuridão ainda pior.

No entanto, elas podem ser reconciliadas sob a condição de que ambas limpem suas casas, uma da escória humana das eras, a outra da hedionda excrescência do materialismo moderno e do ateísmo.

E como ambas recusam, a coisa mais meritória e melhor a fazer é precisamente o que a Teosofia sozinha pode e fará: i.e., apontar aos inocentes apanhados pela cola dos dois emboscadores — verdadeiramente dois dragões de outrora, um devorando os intelectos, o outro as almas dos homens — que seu suposto abismo é apenas uma ilusão de ótica; que, longe de ser um, é apenas um imenso monte de lixo erguido respectivamente pelos dois inimigos, como fortificação contra ataques mútuos.

Assim, se a teosofia não fizer mais do que apontar e seriamente chamar a atenção do mundo para o fato de que o suposto desacordo entre religião e ciência é condicionado, por um lado, pelos materialistas inteligentes que corretamente se opõem aos absurdos dogmas humanos,

É A TEOSOFIA UMA RELIGIÃO?

e, por outro, por fanáticos cegos e clérigos interesseiros que, em vez de defenderem as almas da humanidade, lutam simplesmente com unhas e dentes por seu pão e manteiga pessoais e por sua autoridade — por que, mesmo então, a teosofia se provará a salvadora da humanidade.

E agora mostramos, espera-se, o que é a Teosofia real e quem são seus adeptos.

Uma é a Ciência divina e um Código de Ética tão sublime que nenhum teosofista é capaz de fazer-lhe justiça; os outros são homens fracos, porém sinceros.

Por que, então, a Teosofia deveria ser julgada pelas deficiências pessoais de qualquer líder ou membro de nossos ramos? Pode-se trabalhar por ela com o melhor de sua capacidade, e ainda assim nunca se elevar à altura de sua vocação e aspiração.

Isso é infortúnio dele ou dela, nunca culpa da Teosofia, ou mesmo do corpo como um todo.

Seus Fundadores não reivindicam outro mérito senão o de terem posto a primeira roda teosófica em movimento.

Se julgados de alguma forma, devem ser julgados pelo trabalho que realizaram, não pelo que amigos possam pensar ou inimigos dizer deles.

Não há lugar para personalidades em um trabalho como o nosso; e todos devem estar prontos, como os Fundadores estão, se necessário, para que o carro de Jagannâth os esmague individualmente para o bem de todos.

Somente nos dias do obscuro Futuro, quando a morte tiver posto sua mão fria sobre os infelizes Fundadores e assim cessar sua atividade, é que seus respectivos méritos e deméritos, seus atos e feitos bons e maus, e seu trabalho teosófico terão de ser pesados na Balança da Posteridade.

Somente então, depois que os dois pratos com suas cargas contrastantes forem levados a um equilíbrio, e o caráter do resultado líquido restante se tornar evidente a todos em seu pleno e intrínseco valor, somente então a natureza do veredito proferido será determinada com algo que se aproxime da justiça.

Atualmente, exceto na Índia, esses resultados estão demasiado espalhados pela face da terra, demasiado limitados a um punhado de indivíduos para serem facilmente julgados.

Agora, esses resultados dificilmente podem ser percebidos, muito menos ouvidos em meio ao estrondo e clamor feitos por nossos numerosos inimigos, e seus prontos imitadores — os indiferentes.

Contudo, por menores que sejam, se uma vez provados bons, mesmo agora todo homem que tem no coração o progresso moral da humanidade deve sua gratidão à Teosofia por esses resultados.


E como a Teosofia foi revivida e trazida ao mundo, por meio de seus servos indignos, os “Fundadores”, se seu trabalho foi útil, ele sozinho deve ser seu vindicador, independentemente do estado atual de seu saldo nas contas de caixa pequena do Carma, onde as “respeitabilidades” sociais são lançadas. ––––––––––      [Extensos excertos deste poderoso Editorial foram publicados em The Theosophist, Vol. X, janeiro de 1889, com alguns comentários editoriais de ligação, provavelmente do Cel. Olcott.—Compilador.] ––––––––––

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                              Novembro,

NOTAS DE RODAPÉ A “A VISÃO DE UM PRÍNCIPE BUDISTA SOBRE O UNIVERSO E A NATUREZA DO HOMEM”

[Lucifer, Vol. III, No. 15, novembro de 1888, pp. 205-211]

[Este ensaio foi contribuído por Sua Alteza Real, o Príncipe Chandrdhat Chudhathar do Sião, e foi publicado simultaneamente em The Theosophist (Vol. X, novembro de 1888, pp. 83-87). Várias notas de rodapé foram acrescentadas por H.P.B. a certas passagens que aparecem entre colchetes.]

[Este Akasa (ou Universo), embora seja autoexistente, absoluto, infinito, está ainda assim sujeito à lei imutável da mudança.]

Uma contradição.

Uma coisa não pode ser absoluta e ainda estar sujeita à mudança.

O que S.A.R. quer dizer, supomos, é que o espaço ou o universo abstrato (Akasa) é infinito . . . . . . e imutável; mas que este universo está sujeito a mudanças em suas manifestações periódicas.

[se este sistema solar.

. . . fosse destruído . . . . . . a matéria que constitui seus corpos será.

. . . transformada em elementos ....outros sistemas de corpos celestes.

. . . naturalmente.

. . . formarão a partir das moléculas de matéria e forças latentes um novo sistema para preencher o vácuo.]

NOTAS DE RODAPÉ

Isto certamente não é budismo exotérico ortodoxo.

Mas aproxima-se muito de nossa filosofia esotérica ou "Budhismo" (religião da Sabedoria) ensinada por nosso Senhor secretamente a seus Arhats eleitos.

[em virtude das espécies vivas, novos seres são compostos pelas atrações de suas afinidades a partir dos restos daqueles que morreram muito antes.]

Este é precisamente o ensinamento (Ver A Doutrina Secreta, Vol. II) com relação ao mundo animal, do qual todos os corpos dos mamíferos foram formados a partir dos átomos descartados de várias humanidades que precederam a nossa.

Os animais foram "criados" depois de Adão e trazidos a ele para serem nomeados (Ver, Cap. ii, Gênesis). Nos Purânas, são os vários Rishis que são os supostos pais de diversos animais e até mesmo de pássaros e monstros anfíbios.

[O que chamo de alma nada mais é do que a força ativa ou atração no homem que, quando ele morre, deve morrer com ele.] Isto é materialista demais — tememos.

A "Alma" certamente não é imortal, mas o EGO KÁRMICO ETERNO, aquilo que reencarna, é. Isto é filosofia esotérica, claro, não budismo ortodoxo.

[se existe um Nirvana objetivo] Nenhum "Nirvana objetivo" pode existir na Natureza.

Nirvana é um estado, não um modo de objetividade visível, nem uma localidade.

Nirvana, como Nagasena disse ao rei, É — mas não existe.

[Não consigo acreditar que uma alma imortal exista] Sua Alteza Real está evidentemente pouco familiarizado com a filosofia esotérica.

Esta última não acredita nem em um Deus que fabrica almas do nada, nem que exista tal coisa como um lugar "fora" do Universo, já que o Universo é infinito e ilimitado.

Mas também devemos discordar da ideia de que o ESPAÇO possa alguma vez ser “esgotado”, seja durante o Manvantara (ou ciclo de vida) ou durante o pralaya, o período de Repouso absoluto, quando o ESPAÇO permanece o mesmo, isto é, eterno, imutável, como sempre foi e como sempre será, uma vez que o ESPAÇO abstrato é apenas outro nome para o TODO absoluto.


[esforcemo-nos por cultivar um amor universal, que sem dúvida tenderá a boas ações, as únicas ferramentas com as quais podemos pintar nossas perfeitas semelhanças na morte.]

KARMA, TANHA e SKANDHAS são a trindade onipotente em um, e a causa de nosso renascimento.

A ilustração de pintarmos nossa própria semelhança presente na morte, e essa semelhança tornar-se a personalidade futura, é muito poética e gráfica, mas nós a reivindicamos como um ensinamento oculto.

O que S.A.R. quer inferir, conforme o entendemos, é isto.

No solene momento da morte, nenhum homem pode deixar de ver a si mesmo sob suas verdadeiras cores, e nenhum autoengano lhe é mais útil.

Daí ocorre o seguinte.

Assim como no instante do afogamento o homem vê desfilar diante do olho de sua mente toda a sua vida, com todos os seus eventos, efeitos e causas, até os mínimos detalhes, assim, no momento da morte, ele se vê em toda a sua nudez moral, sem adornos de lisonja humana ou autoadulação, e como ele é; portanto, como ele, ou melhor, como seu duplo astral combinado com seu princípio Kama—será. Pois os vícios, defeitos e especialmente as paixões da vida precedente tornam-se, através de certas leis de afinidade e transferência, os germes das potencialidades futuras na alma animal (Kama rupa), portanto, de sua dependente, o duplo astral (linga arira)—num nascimento subsequente.

É somente a personalidade que muda; o princípio reencarnante real, o EGO, permanece sempre o mesmo; e é o seu KARMA que guia as idiossincrasias e traços morais proeminentes da antiga “personalidade” que foi (e que o EGO não soube controlar), a reaparecer no novo homem que será. Esses traços e paixões perseguem e se fixam nos ainda plásticos terceiro e quarto princípios da criança e—a menos que o EGO lute e conquiste—desenvolver-se-ão com intensidade décupla e levarão o homem adulto à sua destruição.

Pois são eles as ferramentas e armas da LEI KÁRMICA DE RETRIBUIÇÃO.

Assim, o Príncipe diz muito verdadeiramente que nossas boas e más                    H.P. BLAVATSKY E CORONEL

H.S. OLCOTT EM LONDRES — Última fotografia tirada deles juntos.

O cesto de tabaco de H.P.B. está agora na posse de Geoffrey Watkins, Londres.

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA

as ações “são as únicas ferramentas com as quais pintamos nossas semelhanças na morte”, pois o novo homem é invariavelmente o filho e a progênie do velho homem que era.

–––––––––– Escritos Coletados VOLUME X Novembro,

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA [Lucifer, Vol. III, No. 15, Novembro de 1888, pp. 247-254]

Em referência a várias observações sobre o Budismo Esotérico que aparecem no decorrer de sua nova obra, A Doutrina Secreta, peço que chame sua atenção para algumas passagens sobre o mesmo assunto que apareceram em ocasiões anteriores em O Teosofista, numa época em que essa revista era editada por você mesmo.

Em A Doutrina Secreta você fala do Budismo Esotérico como uma obra com “um título muito infeliz”, e em referência a uma passagem em meu prefácio, enfatizando a novidade para os leitores europeus dos ensinamentos então divulgados, você diz que o erro deve ter se introduzido por inadvertência.

No último número de Lucifer você discute o mesmo ponto em uma nota anexada à carta de um correspondente.

Permita-me lembrá-lo de uma nota editorial, evidentemente de sua própria pena, no Teosofista de fevereiro de 1884. Esta é uma resposta a uma objeção levantada pelo Sr. W. Q. Judge de que quase todas as ideias principais da doutrina incorporada no Budismo Esotérico podem ser encontradas no Bhagavad-Gita.

Você escreveu:— “Não acreditamos que nosso irmão americano esteja justificado em suas observações. O conhecimento divulgado no Budismo Esotérico é, decididamente, ‘divulgado pela primeira vez’, na medida em que as alegorias que estão espalhadas na literatura sagrada hindu são agora pela primeira vez claramente explicadas ao mundo dos profanos. Desde o nascimento da Sociedade Teosófica e a publicação de Ísis, repete-se diariamente que toda a Sabedoria Esotérica dos tempos está oculta nos Vedas, nos Upanishads e no Bhagavad-Gita. No entanto, até o dia da primeira aparição do Budismo Esotérico, e por longos séculos atrás, essas doutrinas permaneceram uma carta selada para todos, exceto para alguns brâmanes iniciados que sempre guardaram o espírito dela para si mesmos.”

––––––––––        [As notas de rodapé assinadas “Ed.” são de H. P. B.—Compilador.]     A autora de A Doutrina Secreta pede para sugerir que ela nunca negou às doutrinas expostas pelo Sr. Sinnett o privilégio de terem sido claramente “EXPLICADAS,” –––––––––– Assim, se errei em minha declaração sobre a doutrina ter sido desconhecida anteriormente para os europeus, errei em muito boa companhia—a sua própria.


Sua nota prossegue dizendo que certamente os ensinamentos do Budismo Esotérico estão ocultos no Bhagavad-Gita, “mas”, você diz:      “. . . e daí? De que adianta a W. Q. Judge ou a qualquer outro o diamante que jaz oculto nas profundezas da terra? Naturalmente, todos sabem que não há gema agora cintilante em uma joalheria que não tenha pré-existido e permanecido oculta, desde sua formação, por eras nas entranhas da terra.

No entanto, certamente, aquele que a obteve primeiro de seu descobridor e a lapidou e poliu pode ser permitido dizer que este diamante específico é ‘dado a conhecer pela primeira vez’ ao mundo.

. .”

–––––––––– pela primeira vez, impresso, no Esot.

Budismo.

Tudo o que ela afirma é que não é a primeira vez que foram dados a conhecer a um europeu, e por este a outros europeus.

Entre “publicar” e “dar a conhecer” há uma diferença decidida; um excelente cabide, de qualquer forma, para nossos inimigos comuns pendurarem suas objeções capciosas.

Não é a escritora de A Doutrina Secreta, ademais, quem foi a primeira a colocar uma interpretação tão natural sobre a frase usada por nosso estimado amigo e correspondente, mas, verdadeiramente, vários críticos de fora, como também dentro da Sociedade Teosófica.

Não é uma questão pessoal entre o Sr. Sinnett e H. P. Blavatsky, mas entre esses dois indivíduos, por um lado, e seus críticos, por outro; estando os primeiros ambos no dever—como teosofistas e crentes no ensinamento esotérico—de defender a Doutrina Sagrada de ataques laterais—via seus expositores.—Ed.]     Isso prova, primeiramente, que o desejo de defender, por escrito, um amigo e colaborador quand même, mesmo quando ele não está inteiramente certo, é sempre imprudente; e, em segundo lugar, que a experiência vem com a idade.

“O bom advogado não apenas ouve, mas examina seu caso, e aperta a causa onde teme que ela esteja naufragada”—ensina Fuller.

Não provamos ser “bom advogado”, e agora carregamos nosso Karma por isso; de “advogado” tornamo-nos “réu”.—[Ed.]

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA

Em relação ao meu "título infeliz", que foi (como você sabe, creio) aprovado quando primeiramente proposto, sem que surgisse qualquer questão quanto aos dois "d's" — você diz em *A Doutrina Secreta*: "Isso permitiu que nossos inimigos encontrassem uma arma eficaz contra a teosofia; porque, como um eminente estudioso de páli muito apropriadamente expressou, não havia no volume nomeado 'nem esoterismo nem budismo'." Acontece que você discutiu a mesma crítica em um artigo em *The Theosophist* de novembro de 1883. Seu texto naquela ocasião era um artigo do *St. James' Gazette*, que você atribuiu ao Dr. Rhys-Davids, e você escreveu: "Mas antes que os orientalistas sejam capazes de provar que as doutrinas como ensinadas na exposição do Sr. Sinnett 'não são budismo, esotérico ou exotérico', eles terão que dar conta dos milhares de escritos bramânicos Adwaitee e outros Vedantinos — as obras de Sankaracharya em particular —, a partir dos quais se pode provar que precisamente as mesmas doutrinas são ensinadas nessas obras, esotericamente." Você falou, no decorrer do artigo, da própria observação que agora considera "muito apropriada", como "uma crítica tão rancorosa e inútil" para atribuí-la à pena do grande estudioso de páli.

–––––––––– [Vol. I, p. xvii.] [Collected Writings, Vol. V, p. 344.] Assim dizemos agora.

Nem uma palavra do que escrevemos então repudiamos aqui; e *A Doutrina Secreta* o prova. Mas isso não conflita de modo algum com o fato de que, uma vez tornada pública, nenhuma doutrina pode mais ser referida como "esotérica". Os ensinamentos esotéricos revelados — tanto em *Budismo Esotérico* quanto em *A Doutrina Secreta* — tornaram-se agora exotéricos.

Tampouco uma observação deixa de ser "rancorosa" por ser "muito apropriada", por exemplo, a maioria das observações de Carlyle.

Há alguns anos, numa época em que nossas doutrinas mal eram delineadas e os orientalistas nada sabiam delas, qualquer discussão e crítica prematuras eram "inúteis". Mas agora, quando essas doutrinas se espalharam por todo o mundo, a menos que chamemos as coisas pelos seus verdadeiros nomes e admitamos nossos erros (pois foi um erro escrever "Budhismo" como "Budismo" — um erro, além disso, distintamente atribuído a nós mesmos, "teosofistas da Índia", vide página xviii, Vol. I de *A Doutrina Secreta*, e de modo algum ao Sr. Sinnett), nossos críticos terão um direito inegável de nos acusar de navegar sob falsas cores.

–––––––––– A propriedade do título dado ao meu livro foi discutida em um artigo em *The Theosophist* de junho de 1884, quando uma nota editorial foi anexada, na qual o escritor disse: "O nome dado ao livro do Sr. Sinnett não será enganoso ou censurável quando a estreita identidade entre as doutrinas nele expostas e aquelas dos antigos Rishis da Índia for claramente percebida." Estes excertos parecem mostrar que a visão desfavorável do *Budismo Esotérico* agora apresentada aos leitores de *A Doutrina Secreta* só pode ter se desenvolvido em sua mente dentro de um período relativamente recente.


Satisfeito com a garantia que me foi transmitida — como explicado no prefácio da sexta edição — pelo reverendo mestre de quem sua substância foi derivada — de que o livro era uma apresentação sólida e confiável de seus ensinamentos como um todo,

–––––––––– Nada mais fatal para nossa causa poderia jamais acontecer.

Se quisermos ser considerados teosofistas, temos de proteger a TEOSOFIA; temos de defender nossas cores antes de pensarmos em defender nossa própria e insignificante personalidade e amor-próprio, e devemos estar sempre prontos a nos sacrificar.

E é isso que temos tentado fazer na Introdução a *A Doutrina Secreta*.

Pobre é aquele porta-estandarte que protege seu corpo das balas do inimigo com o sagrado estandarte que lhe foi confiado!—[ED.] Os Rishis não tendo nada a ver com o "Budismo", a religião de Gautama Buda, esta questão mostra claramente que o erro envolvido no "d" duplo ainda não havia impressionado o escritor tão fortemente como o fez mais tarde.—[ED.] [A passagem citada é de uma nota editorial assinada T. S., que foi anexada a um artigo intitulado "Esoteric Buddhism and Hinduism", assinado por "A Brahman Theosophist" (*The Theosophist*, Vol. V, junho de 1884, pp. 223-25). As iniciais T. S. foram evidentemente usadas por T. Subba Row, e a nota editorial referida está incluída na coleção conhecida como *Esoteric Writings of T. Subba Row* (2ª ed., 1931).—Compilador.] Isto é um erro.

O que dizemos agora em *A Doutrina Secreta* é o que sabíamos, mas sobre o que permanecemos em silêncio desde o primeiro ano da publicação do *Budismo Esotérico*; embora confessemos que não percebemos a importância do erro tão plenamente desde o início como percebemos agora.

É ––––––––––

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA que nunca teria de ser remodelado ou alvo de desculpas, tenho estado contente, até agora, em deixar sem atenção todas as outras críticas que ele suscitou.

Eu soube o tempo todo que continha erros que os iniciados detectariam, mas, quando qualquer estudante pudesse estar em posição de apreciá-los, ele já seria independente

–––––––––– o número de críticas recebidas em cartas privadas e para publicação em Lucifer, tanto de amigos quanto de adversários, que nos forçou a ver a questão sob sua verdadeira luz.

Se elas (as críticas) tivessem sido dirigidas apenas contra nós pessoalmente (Sr. Sinnett e H. P. Blavatsky), teriam sido deixadas inteiramente sem atenção.

Mas, como todas tinham relação direta com as doutrinas ensinadas — alguns insistindo em chamá-las de budismo, puro e simples, e outros acusando-as de serem uma doutrina nova, inventada por nós mesmos e atribuída ao budismo — o perigo tornou-se iminente, e uma explicação pública era absolutamente necessária.

Além disso, a impressão de que era um ensinamento muito materialista — o Budismo Esotérico sendo acusado de sustentar a hipótese darwiniana — espalhou-se dos indianos e vedantinos para quase todos os teosofistas europeus.

Isso precisava ser refutado, e — o fazemos em A Doutrina Secreta.—[ED.]      Ninguém jamais sonhou em negar que o Budismo Esotérico fosse uma "apresentação fidedigna" dos ensinamentos do Mestre como um todo.

O que se afirma é simplesmente que algumas especulações pessoais de seu autor eram falhas e levaram a conclusões errôneas, (a) devido à sua incompletude, e (b) por causa da evidente ansiedade em reconciliá-las com a ciência física moderna, em vez da filosofia metafísica.

Muito provavelmente, erros emanados de um desejo diametralmente oposto serão encontrados em A Doutrina Secreta.

Por que qualquer um de nós — sim, até mesmo o mais erudito no conhecimento oculto entre os teosofistas — deveria se apresentar como infalível? Admitamos humildemente com Sócrates que "tudo o que sabemos é que nada sabemos"; de qualquer forma, nada em comparação com o que ainda temos a aprender.—[ED.] –––––––––– de sua orientação, e até então ele não poderia ser embaraçado por eles.


Agora, porém, lamento constatar que *A Doutrina Secreta* não se limita a expandir e desenvolver o ensinamento anterior — tarefa que eu seria o primeiro a reconhecer que ninguém poderia realizar com mais eficiência do que vós —, mas prepara o caminho para suas exposições com observações sobre o *Budismo Esotérico* que não têm a natureza de novas revelações a respeito do que são, sem dúvida, suas muitas deficiências, mas têm a natureza de menosprezos que vós, em ocasiões anteriores, repreendestes outros por apresentarem.

Dizeis — ao objetar ao meu título — "as verdades esotéricas, apresentadas na obra do Sr. Sinnett, deixaram de ser esotéricas no momento em que foram tornadas públicas." Não é essa uma objeção estranha para aparecer na primeira página de um livro chamado *A Doutrina Secreta*? Terá a doutrina deixado de merecer essa designação a partir da data em que o vosso próprio livro apareceu?

–––––––––– Não "embaraçado", mas desencaminhado — e é precisamente isso o que aconteceu.—[ED.]        Objetamos à expressão.

Nenhum "menosprezo" é de modo algum pretendido, mas simplesmente se faz uma tentativa de tornar mais claros certos princípios ensinados em nossas respectivas obras.

Sem tais explicações, as afirmações feitas por ambos os autores seriam inevitavelmente denunciadas como contraditórias.

O público em geral raramente se dá ao trabalho de esmiuçar tão difíceis questões metafísicas até o fundo, mas julga pelas aparências.

Temos primeiro de familiarizar o leitor com todos os lados e aspectos de um ensinamento antes de permitir-lhe aceitar ou mesmo ver em um deles um dogma.—[ED.]       Sem dúvida alguma, se a lógica merece seu nome.

Nosso correspondente dificilmente teria feito esta pergunta, pretendida como uma provocação e uma sátira, se tivesse prestado atenção ao que é dito nas páginas xvii-xviii (a primeira e a segunda) da Introdução a *A Doutrina Secreta*, a saber — "'*Budismo Esotérico*' foi uma obra excelente com um título muito infeliz, embora não significasse mais do que significa o título desta obra, a 'Doutrina Secreta'"; o que significa, se é que significa algo, que não mais do que o "*Budismo Esotérico*" são aquelas porções da "Doutrina Secreta" ––––––––––

*BUDISMO ESOTÉRICO* E *A DOUTRINA SECRETA*

Essas questões, contudo, são todas de importância menor, embora me intriga entender por que vossa visão delas tenha sido tão diametralmente invertida em relação ao que era há alguns anos.

Eu dificilmente teria escrito esta carta, se não fosse por uma passagem em *A Doutrina Secreta* referente ao *Budismo Esotérico* que ocorre na página 169. Lá você sugere que minha própria tentativa de explicar a evolução planetária falha por falta de ser suficientemente metafísica, e você cita uma frase minha—"sobre metafísica pura dessa espécie não estamos agora ocupados"—em conexão com uma passagem de uma das cartas de instrução que recebi quando o livro estava em preparação.

"E nesse caso," você diz, "como o Mestre observa em uma carta a ele, 'Por que esta pregação de nossas doutrinas, todo este trabalho árduo e nadar em *adversum flumen*?'" Qualquer leitor imaginará que a passagem citada da carta tinha referência à passagem citada do livro. Nada pode estar mais longe do fato.

Minha observação sobre não estar "então" preocupado com "metafísica pura" tinha uma aplicação limitada e específica, e na página seguinte vejo que tratei daquele período antes das mais antigas manifestações da Natureza no plano dos sentidos, quando o trabalho de evolução em andamento estava preocupado "com as forças elementais que subjazem aos fenômenos da Natureza como visíveis agora e perceptíveis aos sentidos do Homem." De tempos em tempos, entre críticas ao *Budismo Esotérico* que me pareceram mal direcionadas, ouvi esta acusação—de que não apreciei a grande doutrina metafisicamente, que eu

–––––––––– agora explicado em nossos volumes não mais "secreto"––já que são divulgados.

Apelamos aos lógicos e críticos literários para uma decisão.—[ED.] Vide notas acima: as razões agora são explicadas.

—[ED.] [Esta frase ocorre nas *Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett*, p. 193. Alguns, notadamente os Irmãos Hare, em sua obra hostil intitulada *Quem Escreveu as Cartas dos Mahatmas?* (por H. E. e W. L. Hare, Londres: Williams and Norgate, 1936), afirmaram que a expressão latina nesta frase não era melhor do que "latim de cozinha". Esta crítica é totalmente injustificada.

*In adversum flumen* significa contra a corrente ou fluxo que flui contra alguém, enquanto *in adverso flumine*—como foi sugerido para a expressão correta—significa na corrente ou fluxo oposto.

Ambas são bom latim e ocorrem em várias passagens dos Clássicos.—Compilador] Esta observação do Mestre foi feita de forma geral, não em qualquer aplicação específica.

Mas o que isso importa?—[ED.] [*Budismo Esotérico*, edição americana, p. 87.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

materializou suas concepções.

Não creio que jamais tenha posto no papel algo para combater essa ideia, embora ela sempre me tenha parecido curiosamente errônea; mas quando uma linguagem vinda de você parece fortalecer a impressão a que me refiro, é mais que tempo de eu explicar, ao menos, minha própria atitude de espírito. A acusação de materializar a doutrina parece-me surgir inteiramente do fato de eu ter parcialmente conseguido tornar inteligíveis algumas de suas partes.

A disposição de considerar a vagueza de exposição como equivalente à espiritualidade de pensamento é muito difundida; e multidões de pessoas não estão acostumadas a respeitar qualquer fraseologia que se vejam capazes de entender.

Desacostumadas a realizar um pensamento com precisão de visão imaginativa, imaginam que, se ele é apresentado vividamente à mente, deve ter perdido seu status nos reinos do idealismo.

Estão acostumadas a considerar um tijolo como algo com forma e propósito definidos, e uma ideia como uma sombra proteica.

Dê à ideia um plano específico na Natureza, e ela parecerá

–––––––––– Uma vez mais pedimos para assegurar a nosso amigo e colega, Sr. Sinnett, que, ao dizer o que foi dito em A Doutrina Secreta, não contemplamos por um momento as observações como expressão de nossas objeções pessoais — visto que conhecemos as ideias de nosso correspondente bem demais para ter quaisquer objeções.

Elas foram dirigidas e voltadas contra nossos benevolentes críticos: especialmente aqueles que, com uma imparcialidade mais admirável, embora digna de melhor sorte, tentam atingir-nos a ambos e, através de nós, derrubar a Doutrina Esotérica.

Não foi esta proclamada por vários benfeitores como uma invenção de H. P. Blavatsky? Não chegou mesmo um homem admiravelmente inteligente e erudito — o falecido C. W. King — a afirmar, em sua obra Os Gnósticos e seus Restos [Prefácio, p. ix], ter “. . . razão para suspeitar que a Sibila do Budismo Esotérico [isto é, vossa humilde serva] extraiu as primeiras noções de sua nova religião da análise do Homem Interior [a saber, nossos sete princípios], conforme exposto em minha [sua] primeira edição”! Isso — porque as obras gnósticas mais filosóficas, especialmente as doutrinas de Valentino e Marcos, estão repletas de nossas arcaicas ideias esotéricas.

Em verdade, é mais que tempo de a ré, também, “erguer-se e explicar” sua atitude em A Doutrina Secreta, sem considerar a personalidade de quem quer que seja (mesmo a sua própria)! — [ED.] ––––––––––

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA

Para eles materializado, mesmo se relacionado a condições de vida tão remotas da materialidade quanto a emoção devachânica.

A sucessão de Causa e Efeito parece ela mesma materializada—na atmosfera mental que estou discutindo—se for representada, em seu aspecto mais interessante, como forçando seu caminho de um plano da natureza a outro.

Para leitores desse temperamento, o Budismo Esotérico pode ser materialista; mas como me atrevo a acreditar que tem sido uma ponte que conduziu muitos, e pode carregar muitos mais, através do abismo que divide os interesses e o materialismo desta vida, dos reinos de aspiração espiritual além, ainda não vi razão para lamentar o molde em que foi fundido, mesmo que alguns daqueles que o usaram em seu tempo agora desprezem sua construção materialista.

Sobrecarregaria seu jornal demasiadamente se eu citasse passagens para mostrar como constantemente eu realmente enfatizei os aspectos não-materiais de seu ensinamento; mas talvez me seja permitido uma das frases finais do capítulo sobre "o universo", na qual digo:—"Ela"—a doutrina da Sabedoria Esotérica—"se curva ao materialismo, por assim dizer, para ligar seus métodos à lógica desse sistema, e ascende aos mais altos reinos do idealismo para abraçar e expor as mais exaltadas aspirações do espírito."

A verdade de todo o assunto é admiravelmente expressa em uma frase abrangente no final de um longo artigo sobre "A Base Metafísica do Budismo Esotérico", que apareceu no The Theosophist de maio de 1884, com a sugestiva assinatura, Damodar K. Mavalankar.

Assim diz:— "O leitor agora perceberá que o Budismo Esotérico não é um sistema de materialismo. É, como o Sr. Sinnett o chama, 'Materialismo transcendental', que é não-materialismo assim como a consciência absoluta é não-consciência. . ."

–––––––––– Ninguém que conhecemos "despreza", mas muitos, por outro lado, regozijam-se, e muito, por poderem referir-se a ele como "materialista". Era hora de desenganá-los e contradizê-los; e esta carta de nosso correspondente, expondo seus verdadeiros pontos de vista e atitude pela primeira vez, é um dos primeiros bons frutos produzidos por nossas observações em A Doutrina Secreta. É um excelente freio para nossos inimigos mútuos.––[ED.] [página 262, na 6ª ed.] Estas são as expressões verbais de seu amigo e humilde servo, o Editor. Damodar apenas repetiu nossas opiniões. Mas os "Damodars" são poucos, e lá ––––––––––

Qualquer justificação de si mesmo deve ser uma tarefa repulsiva.

Por muitas razões, eu preferiria ter deixado todas essas questões de lado, mas ignorar comentários desfavoráveis quando estes procedem de sua própria pena seria tratá-los com menos respeito do que está incorporado em minhas presentes observações.

Em conclusão, uma vez que A Doutrina Secreta discute com tanta frequência o que o Budismo Esotérico pretendia dizer a respeito da evolução darwiniana, deixe-me esforçar-me para elucidar esse ponto.

O ensinamento que recebi sobre o assunto da evolução das raças era muito elementar.

Não era exatamente “fragmentário” (como às vezes foi dito), mas era uma declaração esquelética, no que diz respeito a todos os problemas da “Cosmogênese”; consequentemente, tratava apenas daquele progresso cósmico da investigação espiritual através dos vários reinos da Natureza que, começando (no plano material) com o mineral, culmina no Homem.

Segue-se dessa declaração elementar que em algum estágio do grande processo evolutivo há uma ascensão do reino animal para o reino humano, não importa onde a transição seja efetuada.

–––––––––– eram, como nosso correspondente bem sabe, outros brâmanes na Inglaterra, que foram os primeiros a proclamar o Budismo Esotérico como materialista até o âmago, e que sempre mantiveram essa ideia em outros.—[ED.]      No estágio da primeira Ronda, e parcialmente na segunda, nunca durante qualquer estágio da Quarta Ronda.

Existe uma razão puramente matemática ou antes algébrica para isso:—A presente (nossa) Ronda, sendo a Ronda do meio (entre a 1ª, 2ª e 3ª, e a 5ª, 6ª e 7ª), é uma de ajuste e equilíbrio final entre Espírito e matéria.

É esse ponto, em suma, onde o reinado da matéria verdadeira, seu estado mais grosseiro (que é tão desconhecido para a Ciência quanto seu polo oposto—matéria homogênea ou substância) para e chega ao fim.

A partir desse ponto, o homem físico começa a lançar fora “casaco após casaco”, suas moléculas materiais para o benefício e subsequente formação ou vestimenta do reino animal, que por sua vez o está passando para o vegetal, e este para os reinos minerais.

Tendo o homem evoluído na primeira Ronda a partir do animal através dos dois outros reinos, é lógico que na presente Ronda ele deva aparecer antes do mundo animal deste período manvantárico.

Mas veja A Doutrina Secreta para detalhes.—[ED.]

BUDISMO ESOTÉRICO E A DOUTRINA SECRETA

Lá, o ensinamento corroborava o espírito da ideia darwiniana, embora a iluminação adicional agora lançada sobre o assunto por sua presente obra mostre que muitas conjecturas específicas do darwinismo são errôneas, e sua aplicação à evolução humana deste período mundial é totalmente enganosa.

Escusado será dizer que não me foram fornecidos os ensinamentos posteriores sobre este assunto quando o *Budismo Esotérico* foi escrito; portanto, naturalmente, minha impressão na época era de que a doutrina apoiava a hipótese darwiniana, como ideia geral.

Nunca ouvi uma palavra na Índia, ao escrever o *Budismo Esotérico*, em sentido contrário. Nem valia a pena levantar a questão então.

Meus leitores precisavam ser familiarizados com os princípios primários do Karma, da reencarnação e do progresso cósmico em direção a condições superiores de existência.

Toda a cosmogênese essencial para a compreensão desses princípios foi fornecida no ensinamento tal como foi dado.

Muito ficou para desenvolvimento posterior, para oportunidades futuras.

O primeiro livro de Euclides não pode conter também o segundo, o terceiro e o quarto.

Em *A Doutrina Secreta*, não tenho dúvida de que nos são fornecidos ensinamentos esotéricos, que são o análogo da geometria mais avançada.

Provavelmente, será menos apreciado por aqueles que leem suas páginas iniciais como um aviso para se afastarem do assunto dos triângulos.

Respeitosamente,                                                                                               A. P. SINNETT.

––––––––––      O que Darwin, ou o que os darwinianos sabem de nosso ensinamento esotérico sobre os “Rounds”! O “Espírito” da ideia darwiniana é um disparate, neste caso, pois esse “Espírito” é o materialismo da mais grosseira espécie.—[Ed.]      A razão para isso também é declarada em *A Doutrina Secreta*.

––––––––––

––––––––––                                     NOSSA OBSERVAÇÃO FINAL

Agradecemos ao Sr. Sinnett, de todo o coração, por esta carta.

Antes tarde do que nunca.

Na página 186 do Vol. I de nossa *Doutrina Secreta*, agora recém-publicada, citamos uma carta de um membro da S.T., que escreveu: “Suponho que você perceba que três quartos dos teosofistas e até mesmo os de fora imaginam que, no que diz respeito à evolução do homem, o darwinismo e a teosofia se beijam” no *Budismo Esotérico*.

Repudiamos a ideia veementemente na mesma página, mas nossa negação não iria muito longe sem a do Sr. Sinnett.


A carta contendo a frase acima citada foi escrita há mais de dois anos e meio; e nossa negação, não obstante a mesma acusação de darwinismo e materialismo em *Esoteric Buddhism*, foi mantida pelo mesmo escritor e apoiada por muitos outros.

Assim, era indispensável para o bem da Causa que o Sr. Sinnett a negasse com sua própria assinatura.

Nosso objetivo está cumprido, pois o autor de *Esoteric Buddhism* repudiou solenemente a acusação, e esperamos não receber mais tais investidas contra nossas crenças filosóficas.

Concluímos agradecendo mais uma vez ao nosso estimado correspondente pelo espírito indulgente com que ele trata nossas observações, mas que, para nosso pesar, ele atribui muito erroneamente a um sentimento pessoal devido a alguma mudança injustificável em nossa atitude para com ele.

Repudiamos tal acusação e esperamos que nossas explicações dissipem os últimos vestígios de qualquer suspeita desse tipo.—[ED.]

––––––––––                     Collected Writings VOLUME X                                     Novembro,

NOTAS DIVERSAS                           [Lucifer, Vol.

III, No. 15, Novembro, 1888, p. 255]

[Sobre Tookaram Tatya, chefe do Fundo de Publicações Teosóficas de Bombaim] O mais ativo e incansável de todos os nossos teosofistas de Bombaim na divulgação da literatura sânscrita e teosófica.

O bem que ele faz aos pobres e aflitos, em seus Dispensários Homeopáticos Gratuitos — só eles, os sofredores, o sabem.

Que ele seja recompensado como merece.

Collected Writings VOLUME X                                             Novembro,

DESPOJAMENTO

DESPOJAMENTO                               [Lucifer, Vol.

III, No. 15, Novembro, 1888, pp. 256-57]

Se o Rei Henrique VIII, o rei da Inglaterra de muitos casamentos, tivesse parado em alguns de seus processos de divórcio, ou ao menos tivesse sido detido pelas autoridades eclesiásticas em seus primeiros atos, e por elas advertido de que seu divórcio de Catarina de Aragão era contrário às leis de Deus, e dificilmente poderia ser ajustado, por qualquer espécie de *modus vivendi*, às leis dos homens, o Rei Milan da Sérvia certamente enviou uma quantidade ainda maior de bilhetes para lhe garantir uma “distribuição de dádivas” final. Desejo que alguma autoridade da cadeira editorial de *Lucifer* me diga se a recente ação do Rei Milan da Sérvia não lhe acarretará um Karma, uma penalidade sem fim de remorso, vergonha e tristeza futura, pelo ato cruel e injustificável que cometeu ao divorciar-se de sua Rainha Natália.

Gostaria de saber se a Igreja Cristã Russa, bem como o Ocidente, considera o casamento como algo que não pode ser descartado pela decisão de um tribunal civil.

O vosso próprio credo da Igreja Russa parece ao meu intelecto desassistido ser enfático, pronunciado e imutável.

Cito do credo da Igreja Russa:—

“¦N’ ÓD@ .T-l "ÛJä ,l 6V2" 64L@, ¥ ¦"NTJ"         Ò ª"l Î –88@ àFJ,D@ ¥ $,$"4f,J"4”

“*Ad finem usque vitae, quocunque rerum discrimine, constanter servaturus, nec alter alterum deserturus sit*.” (“The Orthodox Confession of the Eastern Church, A. D. 1643,” in P. Schaff, *A History of the Creeds of Christendom*, 3 vols., 8vo. London, 1877; Vol. II, p. 393.) Posso também afirmar que não há um único padre latino que ousasse contravenir as ordens de sua igreja pronunciando um divórcio *a vinculo matrimonii* em um caso como o do Rei Milan.

Eles são muito cuidadosos com as palavras “O que Deus uniu, não o separe o homem.” Certamente a Igreja Russa possui a mesma tradição pura.

Se os antigos Patriarcas de Constantinopla pudessem falar, suas vozes seriam enfáticas ao declarar que os laços sacramentais do casamento são eternos e indissolúveis, e que sua autoridade foi decretada pelo fiat oracular e imutável da veracidade eterna.

Alguns dos jornais judeus inferiores de Londres publicaram recentemente cartas sobre o assunto “O Casamento é um Fracasso?” Mas eles, a esse respeito, frequentemente confundiram os laços civis e religiosos.

No casamento do Rei Milan temos ambos.

Ele pode ser civilmente autorizado a emular o Rei Salomão, mas religiosamente ele tem apenas uma esposa, da qual agora está divorciado.


Consideremos agora a questão.

O mundo, no final do presente século, aproximando-se de seu ciclo descendente, gradualmente torna-se cada vez pior à medida que a civilização artificial progride e o aperfeiçoamento moral diminui.

Vemos isso na tendência de facilitar o divórcio, seja na Sérvia ou na Inglaterra, na menor atenção dada às aspirações individuais pela santidade, e na probabilidade de que a próxima geração será muito pior do que a atual.

Vivemos em uma época em que as palavras de Horácio,

Aetas parentium, peior avis, tulit                                 Nos nequiores, mox daturos                                 Progeniem vitiosiorum,

são profundamente aplicáveis a nós, e àqueles que de nós nascerem, e então a ação de homens como o Rei Milan é apenas uma previsão do futuro, quando a raça vindoura "Sem Deus, sem fé, sem lei" pregará "os princípios de 1789", "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Liberdade, cada um para escolher seu próprio castigo; Igualdade, diante do trono de algum poder infernal auto-invocado; Fraternidade, tal como foi a de Caim para com Abel.

Ainda assim, para aqueles que não contemplam a decadência em larga escala, é difícil perceber instâncias individuais de blasfêmia e imoralidade, e mais difícil ainda que elas tenham a sanção de qualquer corpo religioso.

O antigo sentimento de cavalheirismo no Ocidente me inclina a quebrar uma lança pela rainha divorciada da Sérvia, e, ao defendê-la, lutar

"Pela causa que carece de auxílio,                                 Contra o erro que necessita resistência,                                 Rumo ao futuro na distância,                                 E ao bem que podemos fazer."                                                                                             C. CARTER BLAKE.

––––––––––

NOTA DO EDITOR

Não há "autoridade" sobre lei eclesiástica na "cadeira editorial de Lucifer". O presente editor não reconhece tais leis, rejeita-as e pouco se importa com

––––––––––       [Horácio, Odes, Livro III, vi, 45-48; sendo o primeiro verso: damnosa quid non imminuit dies? Em português: "O que os estragos do tempo não prejudicam? A era de nossos pais, pior que a de nossos avós, gerou-nos menos dignos e destinados em breve a produzir uma prole ainda mais perversa."—Compilador.] ––––––––––

DESCARTANDO-AS

elas.

Mas existem leis de honra, e a honra—"comparece perante um tribunal diferente do das leis," sejam elas sociais ou eclesiásticas.

E há uma mulher na referida cadeira editorial, cujo ser inteiro se revolta contra tão infame ato de despotismo e injustiça como o perpetrado por Milan da Sérvia, ele que alega reinar "pela graça de Deus" e se agarra ao trono apenas pela covardia abjeta de seus súditos.

De déspotas coroados, bêbados e até mesmo esnobes, houve muitos, mas até então mesmo eles haviam tentado preservar uma aparência, ao menos, de honra.

Em nossos dias modernos, contudo, torna-se matéria de séria consideração se a honra jamais se encontra, com certeza absoluta, em casa — em qualquer lugar, exceto talvez entre ladrões! Vivemos em um mundo estranho de incongruência e paradoxo.

Quando se sabe que, ao descobrirem um trapaceiro em seu meio, até mesmo os membros do clube mais pobre não deixariam de expulsá-lo, só se pode ficar a contemplar todos os soberanos modernos, grandes ou pequenos, permanecendo imperturbáveis e bastante indiferentes diante da perpetração do mais brutal ato de libertinagem e abuso de poder por um de sua própria irmandade.

Que Milan, descendente direto de porqueiros, não seja um cavalheiro — embora seu falecido tio Miguel Obrenovitch fosse decididamente um — não é de admirar.

Mas que outros Reis e Imperadores, alguns dos quais se vangloriam de uma longa linhagem de ancestrais cavaleirescos e "reis gentiluomini" — permitam tamanho ultraje sem precedentes contra uma mulher, uma Rainha, inocente e pura como poucas, fique impune — é o mais maravilhoso — mesmo nesta era de depravação, e Coroas vendidas em leilão.

"Ó, que propriedades, graus e ofícios,       Não fossem derivados corruptamente! e que a cara honra       Fosse comprada pelo mérito de quem a ostenta!"

Mas, desde os dias de Sólon, para parafraseá-lo: "As honrarias criadas excedem em muito aquelas que são alcançadas." À segunda pergunta de nosso correspondente, respondemos — "decididamente, a Igreja Grega não sancionaria nem permitiria tal violação de suas leis.

Tampouco o Metropolita de São Petersburgo ou seu Sínodo jamais reconhecerão o ato do sérvio Teodósio; que é oficialmente rotulado por esse Sínodo, e portanto pela imprensa, como o "pseudo-Metropolita." A Igreja Grega ortodoxa é maior do que Milan, "Rei" de um reino de ópera cômica.


Mas o que importa isso? A Rússia não reconhece Fernando de Coburgo; contudo, o usurpador austríaco governa até hoje a Bulgária, a terra de Bandidos e Generais Bum-bum.

O Sínodo da Rússia não é o que era há apenas trinta anos, quando nenhum divórcio podia ser obtido por qualquer consideração, e os planos de divórcio eram despedaçados contra a rocha sinodal, mesmo quando apoiados pela vontade e proteção imperiais.

Agora as coisas mudaram.

Pode-se obter um divórcio na Rússia tão facilmente quanto nos Estados Unidos.

A Rússia está se civilizando, veja bem.

O governo pode proteger e defender a Rainha Nathalie, mas a Rússia não irá à guerra para punir um—Milan.

Contudo, o sentimento religioso é forte tanto na Rússia quanto na Sérvia.

. . .     Resta ver o que os sérvios farão. Ah, agora é um tempo bom e tolerante para os Milans e—"Jack, o Estripador".    FACSÍMILE DO DOCUMENTO QUE NOMEIA WILLIAM QUAN JUDGE REPRESENTANTE ÚNICO DA SEÇÃO ESOTÉRICA NA AMÉRICA                       Collected Writings VOLUME X                                          Dezembro,

A SEÇÃO ESOTÉRICA E WILLIAM QUAN JUDGE

[A SEÇÃO ESOTÉRICA E WILLIAM                                QUAN JUDGE]        [O documento reproduzido em fac-símile na página oposta está nos Arquivos da antiga Sociedade Teosófica de Point Loma, e foi publicado em The Theosophical Forum, Vol.

XXV, No. 12,    Dezembro de 1947. Seu texto, sem fac-símile, foi originalmente publicado em uma Circular E. S. T. sem data, emitida quase imediatamente após 27 de maio de 1891, data em que uma reunião plena do Conselho E. S., nomeado por H. P. B., foi realizada na Sede da Sociedade Teosófica na Europa, 19,    Avenue Road, Londres, Inglaterra, após o falecimento de H.P.B.—Compilador.]

CONHECER                                                             OUSAR                                     [SELO]       QUERER                                                          SILÊNCIO

Seção Esotérica [TS]

Como Chefe da Seção Esotérica da Sociedade Teosófica, declaro por meio deste que William Q. Judge, de Nova York, E.U.A., em virtude de seu caráter de chela de treze anos de permanência e da confiança e crédito nele depositados, é meu único representante para a referida Seção na América, e ele é o único canal através do qual serão enviadas e recebidas todas as comunicações entre os membros da referida Seção e eu, e a ele plena fé, confiança e crédito nesse sentido devem ser dados.

  Feito em Londres, neste décimo quarto dia de dezembro de 1888, e no décimo quarto ano da Sociedade Teosófica.

H. P. BLAVATSKY...       [Selo]                     Escritos Reunidos VOLUME X Dezembro, É A DENUNCIAÇÃO UM DEVER?                         [Lucifer, Vol.


III, No. 16, Dezembro de 1888, pp. 265-273]

"Não condeneis a ninguém em sua ausência; e quando fordes forçado a reprovar, fazei-o face a face, mas com suavidade, e em palavras plenas de caridade e compaixão.

Pois o coração humano é como a planta Kusûli: abre seu cálice ao doce orvalho da manhã, e o fecha diante de um aguaceiro pesado."                                                                                —PRECEITO BUDISTA.

"Não julgueis, para que não sejais julgados."                                                                     —AFORISMO CRISTÃO.

Não poucos de nossos mais sinceros Teosofistas sentem-se, lamentamos ouvir, entre os chifres de um dilema.

Pequenas causas às vezes produzem grandes resultados.

Há aqueles que zombariam sob a mais cruel operação, e permaneceriam calmos enquanto tivessem uma perna amputada, que ainda assim levantariam uma tempestade e renunciariam ao seu legítimo lugar no reino dos Céus se, para preservá-lo, tivessem que permanecer em silêncio quando alguém pisa em seus calos.

No 13º número de Lucifer (Vol.

III, Setembro, página 63), foi publicado um artigo sobre "O Significado de um Compromisso".

Dos sete artigos (apenas seis foram divulgados) que constituem o Compromisso inteiro, o 1º, o 4º, o 5º, e especialmente o 6º, exigem grande força moral de caráter, uma vontade de ferro somada a muito desapego, prontidão rápida para a renúncia e até mesmo o autossacrifício, para cumprir tal pacto.

Contudo, dezenas de Teosofistas assinaram alegremente este solene "Compromisso" de trabalhar para o bem da Humanidade, esquecendo-se do Eu, sem uma palavra de protesto — exceto em um ponto.

Estranho dizer, é a regra terceira que em quase todos os casos faz o candidato hesitar e mostrar a bandeira branca.

Ante tubam trepidat: o melhor e mais bondoso deles sente-se alarmado; e fica tão intimidado diante do sopro da trombeta dessa terceira cláusula, como se temesse para si o destino das muralhas de Jericó!

É A DENUNCIAÇÃO UM DEVER?

Qual é, então, esse terrível compromisso, cujo cumprimento parece estar acima das forças do mortal comum? Simplesmente isto: — “COMPROMETO-ME A NUNCA OUVIR SEM PROTESTO QUALQUER COISA MALDOSA DITA SOBRE UM IRMÃO TEOSOFISTA, E A ABSTER-ME DE CONDENAR OS OUTROS.”

Praticar esta regra áurea parece bastante fácil.

Ouvir sem protestar o mal dito sobre alguém é uma ação desprezada desde os tempos mais remotos do Paganismo.

“Ouvir uma calúnia aberta é uma maldição,                                Mas não encontrar uma resposta é pior,” . . .

diz Ovídio.

Por um lado, talvez, como observou incisivamente Juvenal, porque:

“A calúnia, esse pior dos venenos, sempre encontra                                Uma fácil entrada nas mentes ignóbeis . . .” 

— e porque na antiguidade, poucos gostavam de passar por tais — mentes.

Mas agora! . . . .     Na verdade, o dever de defender um semelhante ferido por uma língua venenosa durante sua ausência, e de abster-se, em geral, “de condenar os outros” é a própria vida e alma da teosofia prática, pois tal ação é a serva que conduz alguém ao estreito Caminho da “vida superior”, aquela vida que leva à meta que todos almejamos alcançar.

Misericórdia, Caridade e Esperança são as três deusas que presidem essa “vida”. “Abster-se” de condenar nossos semelhantes é a afirmação tácita da presença em nós das três divinas

––––––––––      [Não identificado nas obras de Ovídio.––Comp.]      [Esta passagem é provavelmente uma versão das Sátiras de Juvenal, XIV, 173-76: “inde fere scelerum causae, nec plura venena miscuit aut ferro grassatur saepius ullum humanae mentis vitium quam saeva cupido inmodici census.”—Compilador.] –––––––––– Irmãs; condenar com base em “ouvir dizer” mostra sua ausência.


“Não ouças o delator ou caluniador,” diz Sócrates.

“Pois, assim como ele descobre os segredos dos outros, também descobrirá os teus por sua vez.” Nem é difícil evitar os difamadores.

Onde não há demanda, a oferta logo cessará.

“Quando as pessoas se abstêm de ouvir o mal, então os maldizentes se absterão de falar mal,” diz um provérbio.

Condenar é glorificar-se sobre o homem que se condena.

Fariseus de todas as nações têm feito isso constantemente desde a evolução das religiões intolerantes.

Faremos nós como eles?     Talvez nos digam que nós mesmos somos os primeiros a quebrar a lei ética que estamos defendendo.

Que os nossos periódicos teosóficos estejam repletos de "denúncias", e que Lúcifer baixe a sua tocha para lançar luz sobre todo o mal, na medida do seu poder.

Respondemos — isto é coisa bem diferente.

Denunciamos com indignação sistemas e organizações, males sociais e religiosos — sobretudo o fingimento: abstemo-nos de denunciar pessoas.

Estas são filhas do seu século, vítimas do seu ambiente e do Espírito da Época.

Condenar e desonrar um homem em vez de o compadecer e tentar ajudá-lo, porque, tendo nascido numa comunidade de leprosos, ele próprio é leproso, é como amaldiçoar um quarto por estar escuro, em vez de acender calmamente uma vela para dissipar a escuridão.

"As más ações são duplicadas por uma palavra maligna"; nem pode um mal geral ser evitado ou removido praticando-se o mal a si mesmo e escolhendo um bode expiatório para a expiação dos pecados de toda uma comunidade.

Portanto, denunciamos essas comunidades, não os seus membros; apontamos a podridão da nossa civilização vangloriada, indicamos os sistemas perniciosos de educação que a ela conduzem, e mostramos os efeitos fatais destes sobre as massas.

Nem somos mais parciais para connosco mesmos.

Prontos a dar a nossa vida a qualquer momento pela TEOSOFIA — essa grande causa da Fraternidade Universal pela qual vivemos e respiramos — e dispostos a proteger, se necessário, todo o verdadeiro teosofista com o nosso próprio corpo, denunciamos contudo tão abertamente e com tanto vigor a distorção das linhas originais sobre as quais a Sociedade Teosófica foi primeiramente construída, e o gradual

É A DENÚNCIA UM DEVER?

afrouxamento e minamento do sistema original pela sofismaria de muitos dos seus mais altos funcionários.

Carregamos o nosso Karma pela nossa falta de humildade durante os primeiros dias da Sociedade Teosófica; pois o nosso aforismo favorito: "Vede como estes cristãos se amam uns aos outros" tem agora de ser parafraseado diariamente, e quase a cada hora, em: "Eis como os nossos Teosofistas se amam uns aos outros." E trememos ao pensar que, a menos que muitos dos nossos modos e costumes, na Sociedade Teosófica em geral, sejam corrigidos ou abolidos, Lúcifer terá um dia de expor muitas manchas no nosso próprio brasão — por exemplo, a adoração do Eu, a falta de caridade, e o sacrificar à vaidade pessoal de alguém o bem-estar de outros Teosofistas — mais "ferozmente" do que jamais denunciou as várias farsas e abusos de poder nas Igrejas estatais e na Sociedade Moderna.

Não obstante, há teosofistas que, esquecendo-se da trave em seu próprio olho, seriamente creem ser seu dever denunciar todo argueiro que percebem no olho de seu próximo.

Assim, um de nossos mais estimáveis, laboriosos e nobres membros escreve, com relação à referida 3ª cláusula:—

O "Compromisso" obriga o signatário a nunca falar mal de ninguém. Mas creio que há ocasiões em que a severa denúncia é um dever para com a verdade.

Há casos de traição, falsidade e canalhice na vida privada que deveriam ser denunciados por aqueles que deles têm certeza; e há casos na vida pública de venalidade e aviltamento que os bons cidadãos são obrigados a flagelar sem piedade.

A cultura teosófica não seria uma bênção para o mundo se impusesse fraqueza pouco viril, flacidez de textura moral.

. . . .

Lamentamos sinceramente encontrar um irmão tão digno sustentando opiniões tão equivocadas.

Em primeiro lugar, pobre é aquela cultura teosófica que falha em transformar simplesmente um "bom cidadão" de seu próprio país natal em um "bom cidadão" do mundo.

Um verdadeiro teosofista deve ser um cosmopolita em seu coração.

Ele deve abraçar a humanidade, toda a humanidade, em seus sentimentos filantrópicos.

É mais elevado e muito mais nobre ser um daqueles que amam seus semelhantes, sem distinção de raça, credo, casta ou cor, do que ser meramente um bom patriota, ou ainda menos, um partidário.


Aplicar a mesma medida para todos é mais santo e mais divino do que ajudar o próprio país em sua ambição privada de engrandecimento, contenda ou guerras sangrentas em nome da CUPIDEZ e do EGOÍSMO.

"Severa denúncia é um dever para com a verdade." É; contudo, sob a condição de que se deva denunciar e combater a raiz do mal, e não gastar a própria fúria derrubando as flores irresponsáveis de sua planta.

O sábio horticultor arranca pela raiz as ervas parasitas e dificilmente perderá tempo usando sua tesoura de jardim para cortar as cabeças das ervas daninhas venenosas.

Se um teosofista por acaso for um funcionário público, um juiz ou magistrado, um advogado ou mesmo um pregador, então é, naturalmente, seu dever para com seu país, sua consciência e aqueles que nele depositam confiança, "denunciar severamente" todo caso de "traição, falsidade e canalhice", mesmo na vida privada; mas — nota bene — somente se for solicitado e chamado a exercer sua autoridade legal, não de outra forma.

Isto não é “falar mal” nem “condenar”, mas verdadeiramente trabalhar pela humanidade; buscar preservar a sociedade, que é uma porção dela, de ser enganada, e proteger a propriedade dos cidadãos confiados aos seus cuidados como funcionários públicos, de ser temerariamente tomada.

Mas mesmo então o teosofista pode afirmar-se no magistrado e mostrar sua misericórdia repetindo após o severo juiz de Shakespeare: “Mostro-a mais quando mostro justiça.” Mas o que tem um membro “ativo” da Sociedade Teosófica, independente de qualquer função ou cargo público, e que não é juiz, promotor público nem pregador, a ver com os delitos de seus vizinhos? Se um membro da S.T. for considerado culpado de um dos crimes acima enumerados ou de algum ainda pior, e se outro membro obtiver evidências irrefutáveis disso, pode tornar-se seu doloroso dever levar o fato ao conhecimento do Conselho de sua Filial.

Nossa Sociedade tem de ser protegida, assim como seus numerosos membros.

Isso, novamente, seria apenas simples justiça.

Uma declaração natural e verdadeira dos fatos não pode ser considerada “falar mal” ou uma condenação do próprio irmão.

É A DENÚNCIA UM DEVER?

Entre isso, no entanto, e a maledicência deliberada há um vasto abismo.

A Cláusula 3 diz respeito apenas àqueles que, não sendo de modo algum responsáveis pelas ações ou pelo modo de vida de seu próximo, ainda assim os julgam e condenam em toda oportunidade.

E nesse caso torna-se — “calúnia” e “falar mal”. É assim que entendemos a cláusula em questão; nem acreditamos que, ao aplicá-la, a “cultura teosófica” imponha “falta de virilidade, fraqueza ou frouxidão de textura moral”, mas o contrário.

A verdadeira coragem nada tem a ver, cremos, com a denúncia; e há pouca virilidade em criticar e condenar os próprios semelhantes pelas costas, seja por erros feitos a outros ou por danos a nós mesmos.

Devemos considerar as virtudes ímpares inculcadas por Gautama, o Buda, ou pelo Jesus dos Evangelhos como “falta de virilidade”? Então a ética pregada por aquele, esse código moral que o Professor Max Muller, Burnouf e até Barthélemy Saint-Hilaire unanimemente declararam o mais perfeito que o mundo já conheceu, deve ser nada mais que palavras sem sentido, e o Sermão da Montanha melhor nunca teria sido escrito.

Nosso correspondente considera o ensino da não resistência ao mal, a bondade para com todas as criaturas e o sacrifício de si mesmo pelo bem dos outros como fraqueza ou falta de virilidade? Os mandamentos: "Não julgueis, para não serdes julgados" e "Torna a pôr a tua espada no lugar... porque todos os que lançarem mão da espada, à espada perecerão" devem ser vistos como "frouxidão de textura moral" ou como a voz do Karma? Mas nosso correspondente não está sozinho em sua maneira de pensar.

Muitos são os homens e mulheres, bons, caridosos, abnegados e dignos de confiança em todos os outros aspectos, que aceitam sem hesitação todas as outras cláusulas do "Compromisso", mas que se sentem inquietos e quase tremem diante deste artigo especial.

Mas por quê? A resposta é fácil: simplesmente porque temem um PERJÚRIO inconsciente (para eles), quase inevitável.

A moral da fábula e sua conclusão são sugestivas.

É um golpe direto no rosto da educação cristã e da nossa sociedade moderna civilizada, em todos os seus círculos e em toda terra cristã.

Tão profundo é este câncer moral — o hábito de falar sem caridade do nosso próximo e irmão a cada oportunidade — que corroeu o coração de todas as classes da Sociedade, da mais baixa à mais elevada, a ponto de levar os seus melhores membros a desconfiarem de suas próprias línguas! Eles não ousam confiar em si mesmos para se absterem de condenar os outros — por mera força do hábito.

Este é um "sinal dos tempos" bastante ameaçador. De fato, a maioria de nós, de qualquer nacionalidade, nasce e é criada em uma atmosfera densa de fofocas, críticas sem caridade e condenação em massa.

Nossa educação nesse sentido começa no berçário, onde a ama-chefe odeia a governanta, esta odeia a senhora, e os criados, independentemente da presença do "bebê" e das crianças, resmungam incessantemente contra os patrões, criticam uns aos outros e fazem comentários insolentes sobre cada visitante.

O mesmo treinamento nos acompanha na sala de aula, seja em casa ou em uma escola pública.

Ele atinge seu ápice de desenvolvimento ético durante os anos de nossa educação e instrução religiosa prática.

Estamos saturados de ponta a ponta com a convicção de que, embora nós mesmos tenhamos "nascido em pecado e total depravação", a nossa religião é a única que pode nos salvar da danação eterna, enquanto o resto da humanidade está predestinado, desde as profundezas da eternidade, aos inextinguíveis fogos do inferno.

Somos ensinados que difamar os Deuses e a religião de todos os outros povos é sinal de reverência aos nossos próprios ídolos, e é uma ação meritória.

O próprio "Senhor Deus", o "Absoluto pessoal", é impresso em nossas jovens mentes plásticas como alguém que eternamente calunia e condena aqueles que criou, que amaldiçoa o judeu de dura cerviz e tenta o Gentio.

Durante anos, as mentes dos jovens protestantes são periodicamente enriquecidas com as mais escolhidas maldições do serviço de cominação em seus livros de oração, ou com a "denúncia da ira e dos juízos de Deus contra os pecadores", além da condenação eterna para a maioria das criaturas; e desde o nascimento, o jovem católico romano ouve constantemente ameaças

É A DENÚNCIA UM DEVER?

de maldição e excomunhão por parte de sua Igreja.

É na Bíblia e nos livros de oração da Igreja da Inglaterra que meninos e meninas de todas as classes aprendem sobre a existência de vícios, cuja menção, nas obras de Zola, cai sob a proibição da lei como imoral e depravante, mas à enumeração e à maldição dos quais nas Igrejas, jovens e velhos são levados a dizer "Amém", após o ministro do manso e humilde Jesus.

Este último diz: não jureis, não amaldiçoeis, não condeneis, mas "amai vossos inimigos, bendizei os que vos amaldiçoam, fazei o bem aos que vos odeiam e perseguem". Mas o cânon da igreja e o clérigo lhes dizem: De modo algum.

Há crimes e vícios "pelos quais afirmais com vossas próprias bocas que a maldição de Deus é devida". (Vide "Serviço de Cominação".) Que maravilha que, mais tarde na vida, os cristãos piamente tentem imitar "Deus" e o sacerdote, uma vez que seus ouvidos ainda ressoam com: "Maldito seja aquele que remove o marco do seu próximo", e "Maldito seja aquele" que faz isto, aquilo ou aquilo outro, até mesmo "aquele que põe a sua confiança no homem" (!), e com os juízos e condenações de "Deus".

Eles julgam e condenam a torto e a direito, entregando-se a difamações em massa e "cominando" por conta própria.

Esquecem-se de que na última maldição — o anátema contra adúlteros e bêbados, idólatras e extorsionários — "os SEM MISERICÓRDIA e DIFAMADORES" estão incluídos? E que, ao terem se unido ao solene "amém" após este último trovão cristão, afirmaram "com suas próprias bocas que a maldição de Deus é devida" sobre suas próprias cabeças pecaminosas? Mas isso parece incomodar muito pouco os difamadores de nossa sociedade.

Pois, mal saem dos bancos escolares as crianças religiosamente educadas de pessoas que frequentam a igreja, elas são logo tomadas pelas mãos daqueles que as precederam.

Preparados para seu exame final naquela escola do escândalo, chamada mundo, por línguas mais velhas e mais experientes, para se tornarem mestres em artes na ciência do fingimento e da cominação, um membro respeitável da sociedade tem apenas que se juntar a uma congregação religiosa: tornar-se sacristão ou senhora patrona.


Quem ousará negar que em nossa era, a sociedade moderna em seu aspecto geral tornou-se uma vasta arena para tais assassinatos morais, perpetrados entre duas xícaras de chá das cinco e em meio a gracejos alegres e risadas? A sociedade é agora mais do que nunca uma espécie de matadouro internacional onde, sob as bandeiras ondulantes do cristianismo de salão e de igreja e da tagarelice culta do mundo, cada um se torna, por sua vez, assim que lhe viram as costas, a vítima sacrificial, a oferta pelo pecado para expiação, cuja carne chamuscada exala odor agradável às narinas da Sra.

Grundy.

Oremos, irmãos, e rendamos graças ao Deus de Abraão e de Isaque por não vivermos mais nos dias do cruel Nero.

E, oh! sintamo-nos gratos por não vivermos mais em perigo de sermos conduzidos à arena do Coliseu, para ali morrermos uma morte relativamente rápida sob as garras das feras famintas! É o orgulho do cristianismo que nossos costumes e hábitos tenham sido maravilhosamente suavizados sob a sombra benéfica da Cruz.

Contudo, basta entrarmos em uma sala de estar moderna para encontrarmos uma representação simbólica, fiel à vida, das mesmas feras selvagens banqueteando-se e deleitando-se com as carcaças mutiladas de seus melhores amigos.

Olhem para aqueles graciosos e igualmente ferozes grandes felinos, que com sorrisos doces e olhar inocente afiam suas garras cor-de-rosa, preparando-se para brincar de gato e rato.

Ai do pobre rato apanhado por esses orgulhosos felídeos da Sociedade! O rato será feito sangrar por anos antes de lhe ser permitido sangrar até a morte.

As vítimas terão de suportar um martírio moral inaudito, aprender através de jornais e amigos que foram culpadas, em um ou outro momento da vida, de todos e cada um dos vícios e crimes enumerados na Oração de Cominação, até que, para evitar perseguição adicional, os ditos ratos se transformem eles próprios em ferozes gatos da sociedade, e façam outros ratos tremerem por sua vez.

Qual das duas arenas é preferível, meus irmãos—a da antiga pagã ou a das terras cristãs? Addison não tinha palavras de desprezo suficientemente fortes para repreender essa fofoca social dos Cains mundanos de ambos os sexos.

É A DENÚNCIA UM DEVER?

Como frequentemente [exclama ele] a honestidade e a integridade de um homem são descartadas por um sorriso ou um encolher de ombros? Quantas ações boas e generosas foram lançadas ao esquecimento por um olhar desconfiado, ou marcadas com a imputação de provirem de maus motivos, por um sussurro misterioso e oportuno.

Vejam.

. . . quão grande porção de castidade é expulsa do mundo por insinuações distantes—sacudida com um aceno, e cruelmente piscada em suspeita pela inveja daqueles que já estão além de toda tentação disso eles mesmos.

Quantas vezes a reputação de uma criatura indefesa sangra por um boato—que a parte que se dá ao trabalho de propagá-lo contempla com muita pena e solidariedade—que ela está sinceramente pesarosa por isso—espera em Deus que não seja verdade!

De Addison passamos ao tratamento do mesmo assunto por Sterne.

Ele parece continuar este quadro ao dizer:

Tão fecunda é a calúnia em variedade de expedientes para saciar-se bem como para disfarçar-se, que se essas armas mais suaves cortam tão profundamente, o que diremos do escândalo aberto e sem vergonha, não sujeito a cautela alguma, não atado a nenhuma restrição? Se uma, como flecha disparada nas trevas, causa, no entanto, tanto mal secreto, esta, como a peste, que grassa ao meio-dia, varre tudo diante de si, nivelando sem distinção o bom e o mau; mil caem ao seu lado, e dez mil à sua direita; caem, tão rasgados e dilacerados nessa parte tão tenra deles, tão impiedosamente abatidos, que às vezes nunca se recuperam nem das feridas nem da angústia do coração que elas ocasionaram.

Tais são os resultados da calúnia, e do ponto de vista do Carma, muitos desses casos equivalem a mais do que assassinato em sangue frio.

Portanto, aqueles que querem levar a “vida superior” entre os “membros trabalhadores” da Sociedade Teosófica devem vincular-se por este solene compromisso, ou permanecer como membros zumbidores. Não é a estes últimos que estas páginas se dirigem, nem eles se interessariam por essa questão, nem é um conselho oferecido aos M.S.T. em geral.

Pois o “Compromisso” em discussão é assumido apenas por aqueles membros que começam a ser referidos em nossos círculos de “Lojas” como os membros “trabalhadores” da S.T. Todos os outros, isto é, aqueles membros que preferem permanecer ornamentais, e pertencer aos grupos de “admiração mútua”; ou aqueles que, tendo se filiado por mera curiosidade, sem romper sua conexão com a Sociedade, silenciosamente se afastaram; ou aqueles, novamente, que preservaram apenas um interesse superficial (se é que algum), uma simpatia morna pelo movimento — e tais constituem a maioria na Inglaterra — não precisam se onerar com tal compromisso.


Tendo sido por anos o "Coro Grego" no drama movimentado agora conhecido como Sociedade Teosófica, preferem permanecer como estão.

O "coro", considerando seus números, apenas, como no passado, tem de observar o que ocorre na ação dos dramatis personae, e só lhe é exigido ocasionalmente expressar seus sentimentos repetindo as joias finais dos monólogos dos atores, ou permanecer em silêncio — à sua escolha.

"Filósofos de um dia", como Carlyle os chama, eles não desejam, nem são desejados, "a aplicar-se". Portanto, mesmo que estas linhas lhes cheguem aos olhos, respeitosamente roga-se que lembrem que o que é dito não se refere a nenhuma das classes de Membros acima enumeradas.

A maioria deles se filiou à Sociedade como teriam comprado um livro de uma guiné.

Atraídos pela novidade da encadernação, abriram-no; e, após folhear o conteúdo e o título, o lema e a dedicatória, colocaram-no em uma prateleira dos fundos, e não pensaram mais nele.

Eles têm direito ao volume, em virtude de sua compra, mas não o consultariam mais do que consultariam uma peça antiquada de mobília relegada ao depósito de trastes, porque o assento não é confortável o suficiente, ou está desproporcional ao seu tamanho moral e intelectual.

Cem contra um que esses membros nem sequer verão Lucifer, pois agora se tornou uma questão de estatística teosófica que mais de dois terços de seus assinantes são não-teosofistas.

Nem os irmãos mais velhos de Lucifer — o Theosophist de Madras, o Path de Nova York, o Le Lotus francês, nem mesmo o maravilhosamente barato e internacional "T. P. S." (de 7, Duke Street, Adelphi) — são mais afortunados do que nós.

Como todos os profetas, eles não são sem honra, exceto em seus próprios países, e suas vozes nos campos da Teosofia são verdadeiramente "a voz de um que clama no deserto". Isso não é exagero.

Entre os

É A DENÚNCIA UM DEVER?

Respectivos assinantes desses vários periódicos teosóficos, os membros da S.T., dos quais são órgãos, e para cujo único benefício foram fundados (seus editores, gerentes e toda a equipe de colaboradores constantes trabalhando gratuitamente, e pagando ainda mais do próprio bolso, geralmente magro, impressores, editores e colaboradores ocasionais), são em média 15 por cento.

Isso também é um sinal dos tempos e mostra a diferença entre os teosofistas "ativos" e os "inativos".

Não devemos encerrar sem nos dirigirmos mais uma vez aos primeiros.

Qual deles se atreverá a sustentar que a cláusula 3 não é um princípio fundamental do código de ética que deveria guiar todo teosofista que aspira a tornar-se um na realidade? Pois, para um corpo tão grande de homens e mulheres, composto das nacionalidades, caracteres, credos e modos de pensar mais heterogêneos, fornecendo por essa mesma razão pretextos tão fáceis para disputas e conflitos, não deveria essa cláusula tornar-se parte integrante da obrigação de cada membro—ativo ou ornamental—que se junta ao movimento teosófico? Assim o cremos, e deixamos à consideração futura dos representantes do Conselho Geral, que se reúnem no próximo aniversário em Adyar.

Numa Sociedade com pretensões a um sistema elevado de ética—a essência de todos os códigos éticos anteriores—que confessa abertamente suas aspirações de emular e envergonhar, por seu exemplo prático e modos de vida, os seguidores de toda religião, tal compromisso constitui a condição *sine qua non* do sucesso dessa Sociedade.

Numa reunião onde "perto da urtiga nociva floresce a rosa", e onde espinhos ferozes são mais abundantes que doces flores, um compromisso de tal natureza é a única salvação.

Nenhuma Ética como ciência dos deveres mútuos—sejam sociais, religiosos ou filosóficos—de homem para homem, pode ser chamada completa ou consistente a menos que tal regra seja aplicada.

Não apenas isso, mas se não quisermos que nossa Sociedade se torne *de facto* e *de jure* uma farsa gigantesca desfilando sob seu estandarte de "Fraternidade Universal"—devemos seguir, toda vez que essa lei das leis for quebrada, com a expulsão do

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

difamador.

Nenhum homem honesto, muito menos um teosofista, pode desconsiderar estes versos de Horácio:

"Aquele que injuriar seus amigos ausentes,       Ou ouvi-los difamados, e não os defender,       Conta histórias, e traz seu amigo ao descrédito;       Esse homem é um VILÃO—certamente, cuidado com ele."

COLETÂNEA DE ESCRITOS VOLUME X Dezembro,

A LAMENTAÇÃO PELOS MORTOS EM VIDA [Lucifer, Vol.

III, No. 16, Dezembro, 1888, pp. 301-303]

Os fragmentos que publicamos abaixo constituem um dos mais notáveis exemplos da chamada escrita automática, quando o médium, sem qualquer conhecimento prévio do assunto, é impelido a registrar no papel aquilo que não está no cérebro.

O médium aqui é uma jovem senhora que nada sabe sobre esta lamentação, mas sabemos que ela é uma parte do canto que era entoado sobre o corpo em êxtase do neófito que estava prestes a se tornar um iniciado.

O original foi encontrado no Egito, entre as faixas de uma múmia, pelo avô de um cavalheiro, maçom, de quem o obtivemos. Embora os egiptólogos possam ter visto o fragmento, estamos certos de que a jovem senhora que escreveu os versos nunca ouvira falar dele antes e ficou bastante intrigada com os versos, senão com a assinatura de "Sepher" que lhe foi dada.

Os espiritualistas podem dizer que é algo vindo dos "espíritos", mas sustentamos a opinião de que é uma reminiscência de encarnações passadas daquele que escreveu.

Essas recordações não são tão raras quanto se supõe, e embora frequentemente não sejam reconhecidas como tais, elas, no entanto, explicam muitas coisas estranhas ouvidas em sessões com médiuns e psicógrafos, como nos foi dito que foi somente nos dias de Ptolomeu que esta lamentação começou a ser entoada sobre os realmente mortos ou a múmia.—Ed.

–––––––––– [Sátiras, I, iv, 81-85, sendo o texto latino o seguinte: ". . . . absentem qui rodit amicum, qui non defendet alio culpante, solutos qui captat risus hominum famamque dicacis, fingere qui non visa potest, commissa facere qui nequit: hic niger est, hunc tu, Romane, caveto." —Compilador.] ––––––––––

A LAMENTAÇÃO PELOS MORTOS EM VIDA

KHIOS XXI

Ata tua cabeça e entorpece teus membros, pois daí vêm notícias maravilhosas para aquele que tem o ouvido aberto no sepulcro.

Absorve as palavras melífluas e mistura-as com precisão para mesclar o amargo com o doce.

Desvia teu coração de todo conhecimento exterior e mantém-te aberto para o conhecimento das esferas.

Agora retira rapidamente as estacas das tendas e deixa-as cair, pois o poderoso simum está próximo.

Estás pronto, pálido mortal? Está tua cabeça enfaixada e teu sangue inerte, e te despediste de teu sangue? Estás deitado para o leste, e teu ouvido interno escuta a música da voz das esferas? Escuta, pálido mortal.

A voz começa a emitir som, e a virada da maré está rapidamente baixando.

Pálido mortal, deitado tão semelhante a uma imagem de Fineu, por que te perturbas? O brilho das carruagens não alcançará esses olhos aturdidos.

O som do machado de batalha não penetrará teu crânio.

Agora escuta a voz; tu partiste daqui, pálido mortal, e a terra não te conhece mais.

Tua cabeça enfaixada jaz na maca de morte e teu corpo exangue está repleto de mirra odorífera.

––––––––––       [Conforme aparece na explicação de H.P.B. no artigo "A Lamentação pelos Mortos", que segue imediatamente o presente, as duas últimas linhas desta Nota Editorial estão defeituosas, devido a um erro de imprensa.

A segunda nota de rodapé do próximo artigo explica qual era o verdadeiro significado que se pretendia transmitir.––Compilador.]       Fineu, o Rei da Trácia, que ficou cego por tentar ver o futuro sem ser devidamente iniciado, e que foi morto por Hércules.

Uma alusão aos olhos fechados do vidente em transe, ou à múmia.—Ed. –––––––––– Tu és uma sombra, alma abençoada! Tu és um vapor sombrio, rosto pálido! Tu és uma ave do paraíso, alma livre! Escuta! ouves a liberdade do vento? Não estás mais em tua terra.


Esses gemidos, rosto pálido, procedem da terra que abandonaste.

Esse calor ardente, pobre andarilho, é o deserto pelo qual passaste.

Agora prossegue rapidamente.

Não mais tempo, pobre pomba, podes demorar-te, o anel ardente é teu passo de descanso.

Vês o círculo, ele arde com a luz chamuscada de um deus do fogo cativo! Avança rapidamente, rosto pálido, e coloca-te no anel de fogo.

KHIOS XXII     Agora no anel, não se destaca o passado como uma fúria amortalhada? Contemplas a lista do mal cometido? Escuta! esses ecos são os gritos de batalha, e essas vozes estridentes e ásperas são as tuas próprias erguidas contra ti.

Contorce-te agora, pobre alma; ai de ti! deves sofrer.

Vê agora que o tempo passou, e foste erguido de teu anel de sofrimento.

De onde vem essa mudança? Tua sombra ganhou intensidade, e tua forma, pessoa.

Agora toma esta chave, pomba aterrorizada, e destranca esse vasto baú.

Por que tremer? Esses corpos são apenas as vítimas que sacrificaste às tuas luxúrias malignas.

Essas caveiras horrendas e brancas, de olhar fixo, tu as mataste com tua própria mão.

Oh! esses corações terrivelmente feridos são apenas aqueles sobre os quais pisaste.

Não empalideças, esses corpos mutilados são obra tua.

Oh! rosto pálido, segura-te com coragem.

Tu te gloriaste desses feitos — por que estremecer agora? Vida tirada é vida deixada.

A ENDECHAS PARA OS MORTOS EM VIDA

Almas abatidas aguardam no Paraíso.

(No campo de Aarzoo no original.)     Corações há muito perdidos ardem no óleo da lâmpada do rei.

Os mutilados sem esperança descansam no seio da rainha das águas.

Lembra-te de não esquecer, mas esquece-te de lembrar.

Agora, pobre cansado, mais uma provação, mais um julgamento em busca de chamas.

Salta rapidamente para a água, nota seu frescor, seu delicado ondear; por que recuas? Não estás quente e exausto? Isso te revigorará.

Agora o tempo passou.

Deves saltar.

Os dias passam, os momentos voam; salta, crê, salta.

Aí, sobe agora, e descansa nesta grama verde.

Foi muito terrível? A água queimou tua própria vida?     Ah! assim queimaste tu a vida de outros.

Passa, passa, passa!

––––––––––

KHIOS XXIII

És livre, vê como são belos teus membros.

Sente agora como é perfeita tua saúde.

Vem ao rei do fogo, teus sofrimentos passaram.

Foste atormentado por mil e um anos.

Apressa-te, não mais andarilho pesaroso, mas pássaro do Paraíso.

Não lutes mais, conquistaste a Elísia.

Chora! Ah! não podes, não tens fonte de lágrimas.

Acalma-te agora, acalma-te!     Vê, eu te conduzo adiante.

Não vês que estás glorificado!     Vê longe, muito longe, atrás do tempo, teu pobre corpo.

Vê a cabeça enfaixada e o corpo exangue, vê a carcaça recheada.

Oh, ri, ri, ri.

Aquilo foi outrora tua morada.

Agora vem depressa, pois passamos à absorção; não esperes, não te detenhas, não demores.

Oh! belo anjo de rosto lunar!     Oh! alma brilhante e feliz!


Ouve o tilintar desses sinos de prata, são os pensamentos do rei do fogo.

Escuta as convulsões dos átomos; os demônios tremem.

Escuta as belas canções; são os Gunlas.

Oh, alma feliz, em breve devemos nos separar, pois devo retornar à balsa, pois devo transportar almas através.

Não posso entrar onde tu podes entrar, belo Pássaro do Paraíso; dize ao Rei do Fogo, quando o vires em sua beleza, que anseio por juntar-me a ele.

Agora, adeus, Pássaro Brilhante, voa para o alto, és livre como o ar.

És como um floco de neve carregado nas róseas asas da manhã.

És como o vento amável que refresca a terra ardente.

Adeus, pomba livre, adeus; entra nessa glória dourada e passa para sempre para o Rei do Fogo.

Gunla, Gunla, Gunla.

. . . .                                                                                       SEPHER.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                             Dezembro,

A ENDECHA PELOS MORTOS                              [Lucifer, Vol.

III, No. 18, Fevereiro, 1889, pp. 526-528] 

O interessante e altamente sugestivo espécime de escrita automática que apareceu no número de dezembro de Lucifer é não pouco notável em si mesmo, mas, perdoe-me que o diga, a teoria apresentada por vós em explicação está muito longe de ser satisfatória para a mente indagadora. Quanto à endecha, duvido que seja conhecida dos egiptólogos; não forma parte alguma do Livro dos Mortos; não

––––––––––      [Este artigo é publicado aqui, fora de sua sequência cronológica real, por causa de sua relação direta com o que o precede. As notas de rodapé são de H. P. B.—Compilador.]     Sem dúvida não é satisfatória para os espiritualistas, assim como a doutrina do Purgatório ou qualquer outro dogma católico romano não é satisfatória para o protestante predestinacionista.—[ED.] ––––––––––

A ENDECHA PELOS MORTOS

há cópia entre os papiros do Museu Britânico; e sua aparição na múmia do período ptolomaico é provavelmente excepcional. Mas meu interesse no assunto centra-se em vossa explicação de que a comunicação em questão é uma reminiscência de encarnações passadas, presumivelmente do Ego superior do escritor.

Esta teoria da teosofista opõe-se à hipótese do espiritualista, que sustenta que tais comunicações são o que professam ser, isto é, revelações por uma inteligência independente, supermundana, dadas através do medium de outra organização.

Do ponto de vista que ocupais, e do conhecimento superior que possuís, vossa explicação pode, por tudo o que sei em contrário, ser a verdadeira, mas permiti-me dizer que não conseguistes tornar

––––––––––      O Editor antecipou-se dizendo na nota introdutória (que, aliás, foi mutilada a ponto de ficar irreconhecível por algum erro de imprensa, que omitiu duas linhas inteiras) que alguns egiptólogos podem tê-la visto, mas nunca disseram que o fizeram.

Naturalmente, não está no Livro dos Mortos.

Ainda assim, o Editor o viu e copiou sua tradução em francês e em inglês; e, além disso, o canto fúnebre (nome dado ao escrito pelo editor) é absolutamente idêntico em espírito e forma a outros cantos fúnebres semelhantes.

Estes foram entoados, há eras, primeiramente durante os Mistérios, sobre os corpos aparentemente sem vida e em êxtase dos mystae que se tornavam Epoptai—isto é, passando pela prova de sua última iniciação, quando se tornavam os "Mortos em vida"—e, mais tarde, sobre os realmente mortos—as múmias.

É essa explicação, dada nas duas linhas que foram omitidas, ou suprimidas na impressão, que assim desfigurou todo o sentido da frase; e, colocando uma vírgula após "escritores psicográficos", seguida apenas pela cauda da explicação acima, a saber—"como nos foi dito que foi somente nos dias de Ptolomeu que este canto fúnebre começou a ser entoado sobre os realmente mortos ou a múmia"—fez da última frase final do prefácio editorial um completo absurdo.

Assim, não foi encontrado em uma "múmia do período ptolomaico", mas em uma da IV ou V dinastia, se bem nos lembramos.—[ED.] –––––––––– torná-lo sequer plausível para o leitor comum.


Ao contrário, a impressão deixada em minha mente após ler a nota editorial foi que a teoria teosófica foi apresentada em apoio a uma doutrina preconcebida, em vez de ser dada como uma conclusão científica deduzida dos fatos.

À primeira vista, a teoria teosófica falha tanto em cobrir o terreno quanto em explicar os fatos.

Minha dificuldade em aceitar sua teoria de reminiscências passadas de existências anteriores não é diminuída pelo mistério que envolve a doutrina da reencarnação.

Conforme colhida dos lábios de teosofistas e da literatura teosófica, a doutrina me parece ser amplamente tingida pela escola de pensamento budista através da qual ela descende.

Ela cheira à companhia que manteve por tanto tempo, o que pode explicar as teorias aparentemente contraditórias que vigoram sobre o assunto da reencarnação. A lei do Karma, e o necessário e inevitável retorno periódico do ego ou mônada astral à existência material, e neste planeta como o destino universal de todo filho e filha de Adão, entendo ser a visão da reencarnação sustentada pelos teosofistas.

Mas em Ísis sem Véu, página 351, o seguinte ensinamento é dado:

––––––––––      Muito provavelmente.

Mas a observação vale para ambos os lados, pois a explicação Espiritualista tampouco jamais nos satisfez, nem pareceu "plausível" ao Teosofista médio.

Não apenas a teoria dos "Espíritos" que retornam, como são chamados, milita contra todo o ensinamento das Ciências Ocultas tal como ensinado no Oriente (a ampla teoria da reencarnação das filosofias esotéricas budista e hindu sendo, certamente, a dos Teosofistas), mas também vai contra a experiência pessoal do escritor, de cerca de 45 anos de duração.—[ED.]      As duas teorias (a dos Espiritualistas e a dos Teosofistas) são uma questão de preferência pessoal.

Nenhum de nós precisa impor suas opiniões ao outro, ou àqueles que possam divergir dele.

Somente o tempo pode mostrar qual lado está certo e qual está errado.

Enquanto isso, aqueles que estudam seriamente a doutrina da reencarnação, e aquelas Inteligências supernas que podem, e de fato se comunicam com pessoas ainda na carne, não encontrarão teorias contraditórias entre nós. Ninguém pode julgar um assunto tão difícil e abstruso por simples ouvir dizer.—[ED.] ––––––––––

A MARCHA FÚNEBRE PELOS MORTOS

"Reencarnação, i.e., a aparição do mesmo indivíduo, ou melhor, de sua mônada astral, duas vezes no mesmo planeta, não é uma regra na natureza; é uma exceção, como o fenômeno teratológico de uma criança de duas cabeças.

É precedida por uma violação das leis de harmonia da natureza, e acontece apenas quando esta, buscando restaurar seu equilíbrio perturbado, violentamente lança de volta à vida terrestre a mônada astral que fora expelida do círculo de necessidade por crime ou acidente.

. . . Se a razão foi tão desenvolvida a ponto de se tornar ativa e discriminativa, não há [imediato]

––––––––––      Desde 1882, quando o erro foi primeiramente descoberto em Ísis sem Véu, foi repetidamente declarado em O Teosofista, e no ano passado em The Path, que a palavra "planeta" era um erro e que "ciclo" era o que se queria dizer, i.e., o "ciclo de descanso devachânico". Este erro, devido a um dos editores literários — o escritor conhecendo o inglês mais que imperfeitamente há doze anos, e os editores sendo ainda mais ignorantes do Budismo e Hinduísmo — levou a grande confusão e inúmeras acusações de contradições entre as declarações em Ísis e o ensinamento teosófico posterior.

O parágrafo citado pretendia derrubar a teoria dos Reencarnacionistas Franceses, que sustentam que a mesma personalidade é reencarnada, frequentemente poucos dias após a morte, de modo que um avô pode renascer como sua própria neta.

Portanto, a ideia foi combatida, e foi dito que nem Buda nem qualquer um dos filósofos hindus jamais ensinaram a reencarnação no mesmo ciclo, ou da mesma personalidade, mas do "homem tríplice" (ver nota que se segue) que, quando devidamente unido, era "capaz de percorrer a corrida" rumo à perfeição.

O mesmo erro, e um pior, ocorre nas páginas 346 e 347 (Vol. I). Pois na primeira afirma-se que os hindus temem a reencarnação "apenas em outros planetas inferiores", em vez do que realmente ocorre: os hindus temem a reencarnação em outros corpos inferiores, de brutos e animais, ou a transmigração, enquanto na página 347 o dito erro de colocar "planeta" em vez de "ciclo" e "personalidade" mostra o autor (um budista declarado) falando como se Buda nunca tivesse ensinado a doutrina da reencarnação!! A frase deveria reencarnação nesta terra, pois as três partes do homem tríplice foram unidas, e ele é capaz de percorrer a corrida." Aqui, temos proposta uma teoria de reencarnação que deve, creio eu, apresentar-se a toda mente como ao mesmo tempo provável, científica e racional; uma provisão razoável do Todo-Sábio para atender ao caso de exceções a uma regra de vida.


Mas como pode essa teoria de reencarnação ser conciliada com o ensinamento teosófico da mesma doutrina? Se a reencarnação de Ísis for a verdade, então a explicação de comunicações automáticas, como a da "Elegia para os Mortos na Vida", ou os ensinamentos espíritas de M. A. Oxon,

–––––––––– ler que a "vida anterior em que os budistas acreditam não é uma vida no mesmo ciclo e personalidade", pois ninguém aprecia mais do que eles "a grande doutrina dos ciclos". Como está agora, no entanto, ou seja, que "essa vida anterior em que os budistas acreditam não é uma vida neste planeta", e essa frase na página 347 logo precedida por aquela outra (parágrafo 2 da página 346), "Assim, como as revoluções de uma roda, há uma sucessão regular de morte e nascimento", etc.—tudo isso soa como o delírio de um lunático e um amontoado de afirmações contraditórias.

Se perguntado por que o erro foi permitido permanecer e atravessar dez edições, responde-se que (a) a atenção do autor foi chamada para ele apenas em 1882; e (b) que o abaixo-assinado não estava em posição de alterá-lo a partir de chapas estereotipadas que pertenciam ao editor americano e não a ela.

A obra foi escrita sob circunstâncias excepcionais, e sem dúvida mais de um grande erro pode ser descoberto em Ísis sem Véu.—[ED.]      “As três partes” são Atma, Buddhi-Manas, que esta condição de união perfeita tem direito a um descanso em Devachan que não pode ser inferior a 1.000 anos de duração, às vezes 2.000, pois o “ciclo de descanso” é proporcional aos méritos e deméritos do Devachanee.—[ED.]      Assim é, menos a qualificação errônea “apenas este planeta”, e a omissão de “imediata” antes de “reencarnação”. Se a correção e a substituição da palavra planeta por ciclo forem feitas, não haverá contradição.—[ED.] ––––––––––

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

pelas “reminiscências de existências passadas”, será considerado totalmente insustentável.

A teoria da reencarnação como explicação terá de ser reconsiderada, e a inteligência que mantém firmemente que é o que diz ser deve ser ouvida em sua própria defesa.

J. H. MITALMIER, F. R. A. S.

NOTA DO ED.—A reencarnação em Ísis foi tornada defeituosa pelos erros como explicado, e nenhuma edição foi ainda corrigida.

O autor propõe, assim que o tempo permitir, reeditá-la inteiramente, corrigir e resumir Ísis sem Véu a um volume.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                            dezembro,

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

SOBRE CORPOS ASTRAIS, OU DOPPELGNGERS

[Lucifer, Vol. III, No. 16, dezembro de 1888, pp. 328-333]

[Em dois meses consecutivos, a saber, dezembro de 1888 e janeiro de 1889, foram publicadas nas páginas de Lucifer duas partes de um Diálogo entre os dois Editores.

A primeira é publicada aqui, pois seu texto não parece ser idêntico a nenhum outro escrito da pena de H. P. B., embora a mesma tendência de ideias tenha sido expressa por ela em outros lugares.

A situação em relação à segunda parte é bastante diferente, no entanto.

Ela trata da constituição do homem interior e sua divisão, e seu texto é de todas as formas idêntico às pp. 117-21 e 156-71 de A Chave para a Teosofia, com exceção de algumas frases breves que conectam vários parágrafos.

Como é bem conhecido dos estudantes, A Chave para a Teosofia foi publicada em 1889, muito provavelmente na parte final do ano.

Deve-se também ter em mente que a maior parte do material usado por H. P. B. nesta segunda parte de seu "Diálogo" apareceu originalmente em russo como parte integrante de sua história em folhetim, *Iz peshcher i debrey Indostana* (Das Cavernas e Selvas do Indostão), publicada no *Russkiy Vestnik* (Mensageiro Russo), a saber, no Vol. CLXXXI, fevereiro de 1886, pp. 802-813. Na época, foi redigido sob a forma de uma conversa entre Mhâkur, um Instrutor, e várias outras pessoas.

Ao escrever sua *Chave*, H. P. B. aparentemente recorreu consideravelmente a esta sua história inicial, ou usou esta segunda parte de seu "Diálogo", que, com toda probabilidade, é sua própria tradução inglesa de seu texto original russo no *Russkiy Vestnik*.


Por alguma estranha razão, outra tradução do mesmo texto russo foi publicada em *Lucifer*, Vol. XI, outubro de 1892, ou seja, um tempo considerável após o falecimento de H. P. B.

Para evitar qualquer duplicação com o texto da *Chave*, publicamos aqui apenas a primeira parte do "Diálogo". — Compilador.]

M.C. Grande confusão existe nas mentes das pessoas acerca dos vários tipos de aparições, espectros, fantasmas ou espíritos.

Não deveríamos explicar de uma vez por todas o significado desses termos? Dizeis que há vários tipos de "duplos" — o que são eles?

H.P.B. Nossa filosofia oculta nos ensina que há três tipos de "duplos", para usar a palavra em seu sentido mais amplo.

(1) O homem tem seu "duplo" ou sombra, propriamente dito, em torno do qual o corpo físico do feto — o futuro homem — é construído.

A imaginação da mãe, ou um acidente que afete a criança, afetará também o corpo astral.

O astral e o físico ambos existem antes que a mente se desenvolva em atividade, e antes que o Atma desperte.

Isso ocorre quando a criança tem sete anos, e com isso vem a responsabilidade que acompanha um ser consciente e senciente.

Este "duplo" nasce com o homem, morre com ele e nunca pode separar-se muito do corpo durante a vida, e embora lhe sobreviva, desintegra-se, *pari passu*, com o cadáver.

É isto que às vezes é visto sobre os túmulos como uma figura luminosa do homem que foi, durante certas condições atmosféricas.

Do seu aspecto físico, é, durante a vida, o duplo vital do homem e, após a morte, apenas os gases emanados do corpo em decomposição.

Mas, quanto à sua origem e essência, é algo mais.

Este “duplo” é o que concordamos em chamar de linga-sharira, mas que eu proporia chamar, por maior conveniência, de “Corpo Proteano” ou “Corpo Plástico”. M.C. Por que Proteano ou Plástico? H.P.B. Proteano, porque pode assumir todas as formas; por exemplo, os “magos pastores” que o rumor popular acusa, talvez não sem alguma razão, de serem “lobisomens”, e os “médiuns em gabinetes”, cujos próprios “Corpos Plásticos” representam o papel de avós materializadas e de “John Kings”. Caso contrário, por que a

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

costume invariável dos “queridos anjos partidos” de aparecerem apenas a um pouco mais de um braço de distância do médium, esteja ele em transe ou não? Note, eu não nego de modo algum influências estrangeiras nesse tipo de fenômeno.

Mas afirmo que a interferência estrangeira é rara, e que a forma materializada é sempre a do corpo “Astral” ou Proteano do médium.

M.C. Mas como é criado esse corpo astral? H.P.B. Ele não é criado; ele cresce, como lhe disse, com o homem e existe em condição rudimentar mesmo antes de a criança nascer.

M.C. E quanto ao segundo? H.P.B. O segundo é o corpo do “Pensamento”, ou antes, o corpo do Sonho; conhecido entre os ocultistas como Mayavi-rupa, ou “Corpo de Ilusão”. Durante a vida, essa imagem é o veículo tanto do pensamento quanto das paixões e desejos animais, extraindo ao mesmo tempo do manas (mente) terrestre mais inferior e de Kama, o elemento do desejo.

Ele é dual em sua potencialidade e, após a morte, forma o que no Oriente se chama Bhoot, ou Kama-rupa, mas que é mais conhecido pelos teosofistas como o “Espectro”. M.C. E o terceiro? H.P.B. O terceiro é o verdadeiro Ego, chamado no Oriente por um nome que significa “corpo causal”, mas que nas escolas trans-himalaicas é sempre chamado de “corpo kármico”, que é o mesmo.

Pois Karma ou ação é a causa que produz renascimentos incessantes ou “reencarnações”. Não é a Mônada, nem é Manas propriamente; mas está, de certa forma, indissoluvelmente ligado a, e é um composto da Mônada e de Manas em Devachan.

M.C. Então há três duplos? H.P.B. Se você pode chamar as Trindades cristã e outras de “três Deuses”, então há três duplos.

Mas em verdade há apenas um sob três aspectos ou fases: a porção mais material desaparece com o corpo; a intermediária sobrevive a ambos como uma entidade independente, porém temporária, na terra das sombras; a terceira, imortal, durante todo o manvantara, a menos que o Nirvana ponha fim a ela antes.


M.C. — Mas não nos perguntarão qual é a diferença entre o Mayavi e o Kama rupa, ou, como propõe chamá-los, o “corpo de sonho” e o “espectro”?

H.P.B. — Muito provavelmente, e responderemos, além do que já foi dito, que o “poder do pensamento” ou aspecto do Mayavi, ou “corpo de ilusão”, funde-se após a morte inteiramente no corpo causal ou no EGO pensante consciente.

Os elementos animais, ou o poder do desejo do “corpo de sonho”, absorvendo após a morte aquilo que coletou (através de seu insaciável desejo de viver) durante a vida; isto é, toda a vitalidade astral, bem como todas as impressões de seus atos e pensamentos materiais enquanto viveu na posse do corpo, forma o “espectro” ou Kama rupa.

Nossos teosofistas sabem muito bem que após a morte o Manas superior se une à Mônada e passa para o Devachan, enquanto os resíduos do Manas inferior, ou mente animal, vão formar esse espectro.

Isso tem vida em si, mas dificilmente alguma consciência, exceto, por assim dizer, por procuração; quando é atraído para a corrente de um médium.

M.C. — É tudo o que se pode dizer sobre o assunto?

H.P.B. — Por enquanto, isso já é metafísica suficiente, suponho.

Aterremo-nos ao “Duplo” em sua fase terrena.

O que gostaria de saber?

M.C. — Todos os países do mundo acreditam mais ou menos no “duplo” ou doppelganger.

A forma mais simples disso é o aparecimento do fantasma de um homem, no momento após sua morte, ou no instante da morte, ao seu amigo mais querido.

Esse aparecimento é o mayavi rupa?

H.P.B. — É; porque produzido pelo pensamento do moribundo.

M.C. — É inconsciente?

H.P.B. — É inconsciente na medida em que o moribundo geralmente não o faz conscientemente; nem está ciente de que assim aparece.

O que acontece é isto.

Se ele pensa muito intensamente no momento da morte na pessoa que está ansioso para ver, ou que mais ama, pode aparecer a essa pessoa.

O pensamento torna-se objetivo; o duplo, ou sombra de um homem, não sendo nada além da reprodução fiel dele, como um reflexo num espelho, aquilo que o homem faz, mesmo em pensamento, o duplo

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

repete.

É por isso que os fantasmas são frequentemente vistos em tais casos com as roupas que usam no momento particular, e a imagem reproduz até a expressão no rosto do moribundo.

Se o duplo de um homem se banhando fosse visto, pareceria estar imerso em água; assim, quando um homem que se afogou aparece a seu amigo, a imagem será vista gotejando água.

A causa da aparição pode também ser invertida; i.e., o moribundo pode ou não estar pensando de modo algum na pessoa particular a quem sua imagem aparece, mas é aquela pessoa que é sensitiva.

Ou talvez sua simpatia ou seu ódio pelo indivíduo cujo espectro é assim evocado seja muito intenso física ou psiquicamente; e nesse caso a aparição é criada por, e depende da, intensidade do pensamento.

O que acontece então é o seguinte.

Chamemos o moribundo de A, e aquele que vê o duplo de B. Este último, devido ao amor, ódio ou medo, tem a imagem de A tão profundamente impressa em sua memória psíquica, que uma atração e repulsão magnéticas reais são estabelecidas entre os dois, quer um saiba disso e o sinta, ou não.

Quando A morre, o sexto sentido ou inteligência espiritual psíquica do homem interior em B torna-se ciente da mudança em A, e imediatamente informa os sentidos físicos do homem, projetando diante de seu olho a forma de A, tal como está no instante da grande mudança.

O mesmo quando o moribundo anseia ver alguém; seu pensamento telegrafa a seu amigo, consciente ou inconscientemente, ao longo do fio da simpatia, e torna-se objetivo.

Isto é o que a Sociedade de Pesquisa "Espúria" chamaria pomposamente, mas nem por isso menos confusamente, de impacto telepático.

M.C. Isto se aplica à forma mais simples do aparecimento do duplo.

E quanto aos casos em que o duplo faz aquilo que é contrário ao sentimento e desejo do homem?      H.P.B. Isto é impossível.

O "Duplo" não pode agir, a menos que a nota-chave dessa ação tenha sido tocada no cérebro do homem a quem o "Duplo" pertence, esteja esse homem recém-morto, ou vivo, com boa ou má saúde.

Se ele pausou no pensamento por um segundo, tempo suficiente para dar -lhe forma, antes de passar a outras imagens mentais, esse único segundo é tão suficiente para a objetivação de sua personalidade nas ondas astrais, quanto para seu rosto se imprimir na placa sensibilizada de um aparelho fotográfico.


Nada impede então que sua forma seja capturada pelas Forças circundantes—como uma folha seca caída de uma árvore é apanhada e levada pelo vento—[para] ser feita de caricatura ou distorção de seu pensamento.

M.C. Supondo que o duplo expresse em palavras reais um pensamento incompatível com o homem, e o expresse — digamos — a um amigo distante, talvez em outro continente? Já conheci casos em que isso ocorreu.

H.P.B. Porque, nesse caso, acontece que a imagem criada é captada e utilizada por uma "Casca". Assim como nas salas de sessão, quando "imagens" dos mortos — que podem talvez pairar inconscientemente na memória ou mesmo nas auras dos presentes — são apoderadas pelos Elementais ou Sombras Elementais e tornadas objetivas para a plateia, e até mesmo levadas a agir sob o comando da mais forte das muitas vontades diferentes na sala.

No seu caso, além disso, deve existir um elo de ligação — um fio telegráfico — entre as duas pessoas, um ponto de simpatia psíquica, e sobre ele o pensamento viaja instantaneamente.

É claro que deve haver, em cada caso, alguma razão forte para que aquele pensamento particular tome aquela direção; ele deve estar conectado de alguma forma com a outra pessoa.

De outra forma, tais aparições seriam de ocorrência comum e diária.

M.C. Isso parece muito simples; por que então só ocorre com pessoas excepcionais?

H.P.B. Porque o poder plástico da imaginação é muito mais forte em algumas pessoas do que em outras.

A mente é dual em sua potencialidade: é física e metafísica.

A parte superior da mente está conectada com a alma espiritual, ou Buddhi; a inferior, com a alma animal, o princípio Kama.

Há pessoas que nunca pensam com as faculdades superiores de sua mente; aquelas que o fazem são a minoria e estão, de certa forma, além — se não acima — da média da humanidade.

Essas pensarão até mesmo sobre assuntos comuns nesse plano superior.

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

A idiossincrasia da pessoa determina em qual "princípio" da mente o pensamento é realizado, assim como as faculdades de uma vida precedente e, às vezes, a hereditariedade do físico.

É por isso que é tão difícil para um materialista — cuja porção metafísica do cérebro está quase atrofiada — elevar-se, ou para alguém naturalmente inclinado ao espiritual, descer ao nível do pensamento vulgar e prosaico.

O otimismo e o pessimismo dependem disso também em grande medida.

M.C. Mas o hábito de pensar na mente superior pode ser desenvolvido — caso contrário, não haveria esperança para pessoas que desejam mudar suas vidas e se elevar? E que isso é possível deve ser verdade, ou não haveria esperança para o mundo.

H.P.B. Certamente pode ser desenvolvida, mas somente com grande dificuldade, firme determinação e através de muito autossacrifício.

Mas é comparativamente fácil para aqueles que nascem com o dom.

Por que uma pessoa vê poesia num repolho ou numa porca com seus filhotes, enquanto outra perceberá nas coisas mais elevadas apenas seu aspecto mais baixo e material, rirá da "música das esferas" e ridicularizará as mais sublimes concepções e filosofias? Essa diferença depende simplesmente do poder inato da mente de pensar no plano superior ou no inferior, com o cérebro astral (no sentido dado à palavra por de Saint-Martin), ou com o cérebro físico.

Grandes capacidades intelectuais muitas vezes não são prova de, mas sim impedimentos para concepções espirituais e corretas; testemunhem a maioria dos grandes homens da ciência.

Devemos antes compadecer-nos deles do que culpá-los.

M.C. Mas como é que a pessoa que pensa no plano superior produz, por seu pensamento, imagens e formas objetivas mais perfeitas e mais potentes?

H.P.B. Não necessariamente essa "pessoa" apenas, mas todos aqueles que são geralmente sensitivos.

A pessoa dotada dessa faculdade de pensar até sobre as coisas mais triviais a partir do plano superior do pensamento possui, em virtude desse dom que tem, um poder plástico de formação, por assim dizer, em sua própria imaginação.

O que quer que tal pessoa pense, seu pensamento será tão mais intenso do que o pensamento de uma pessoa comum, que por essa própria intensidade obtém o poder de criação.


A ciência estabeleceu o fato de que o pensamento é uma energia.

Essa energia, em sua ação, perturba os átomos da atmosfera astral ao nosso redor. Já lhe disse; os raios do pensamento têm a mesma potencialidade para produzir formas na atmosfera astral que os raios solares têm em relação a uma lente.

Todo pensamento assim evoluído com energia a partir do cérebro cria, nolens volens, uma forma.

M.C. Essa forma é absolutamente inconsciente?

H.P.B. Perfeitamente inconsciente, a menos que seja a criação de um adepto, que tenha um objetivo pré-concebido ao dar-lhe consciência, ou antes ao enviar junto com ela suficiente de sua vontade e inteligência para fazê-la parecer consciente.

Isso deveria nos tornar mais cautelosos quanto aos nossos pensamentos.

Mas a ampla distinção que se verifica entre o adepto nessa matéria e o homem comum deve ser lembrada.

O adepto pode, à sua vontade, usar seu Mayavi-rupa, mas o homem comum não o faz, exceto em casos muito raros.

É chamado Mayavi-rupa porque é uma forma de ilusão criada para uso na instância particular, e tem em si mente suficiente do adepto para cumprir seu propósito.

O homem comum meramente cria uma imagem-pensamento, cujas propriedades e poderes lhe são, no momento, totalmente desconhecidos.

M.C. Então, pode-se dizer que a forma de um adepto aparecendo à distância de seu corpo, como por exemplo Ram Lal no Sr. Isaacs, é simplesmente uma imagem? H.P.B. Exatamente.

É um pensamento ambulante.

M.C. Nesse caso, um adepto pode aparecer em vários lugares quase simultaneamente.

H.P.B. Ele pode.

Assim como Apolônio de Tiana, que foi visto em dois lugares ao mesmo tempo, enquanto seu corpo estava em Roma.

Mas deve-se entender que nem mesmo todo o adepto astral está presente em cada aparição.

M.C. Então, é muito necessário que uma pessoa com qualquer quantidade de imaginação e poderes psíquicos atente para seus pensamentos? H.P.B. Certamente, pois cada pensamento tem uma forma que toma emprestada a aparência do homem envolvido na ação

DIÁLOGO ENTRE OS DOIS EDITORES

da qual ele pensou.

De outro modo, como podem os clarividentes ver em vossa aura vosso passado e presente? O que eles veem é um panorama passageiro de vós mesmo, representado em ações sucessivas por vossos pensamentos.

Perguntastes-me se somos punidos por nossos pensamentos.

Não por todos, pois alguns são natimortos; mas pelos outros, aqueles que chamamos de pensamentos "silenciosos", porém potenciais—sim.

Tomai um caso extremo, como o de uma pessoa tão perversa a ponto de desejar a morte de outra.

A menos que o malfeitor seja um Dugpa, um alto adepto da magia negra, caso em que o Karma é adiado, tal desejo apenas retorna para pousar.

M.C. Mas supondo que o malfeitor tenha uma vontade muito forte, sem ser um dugpa, poderia a morte do outro ser realizada? H.P.B. Somente se a pessoa maliciosa tiver o mau-olhado, o que simplesmente significa possuir enorme poder plástico de imaginação operando involuntariamente, e assim voltado inconscientemente para maus usos.

Pois o que é o poder do "mau-olhado"? Simplesmente um grande poder plástico de pensamento, tão grande a ponto de produzir uma corrente impregnada com a potencialidade de todo tipo de infortúnio e acidente, que inocula, ou se apega a qualquer pessoa que entre em seu alcance. Um jettatore (alguém com o mau-olhado) não precisa sequer ser imaginativo, ou ter intenções ou desejos malignos.

Ele pode ser simplesmente uma pessoa que naturalmente gosta de testemunhar ou ler sobre cenas sensacionais, como assassinatos, execuções, acidentes, etc., etc.

Ele pode nem estar pensando em nada disso no momento em que seu olhar encontra sua futura vítima.

Mas as correntes foram produzidas e existem em seu raio visual, prontas para irromper em atividade no instante em que encontrarem solo adequado, como uma semente caída à beira do caminho e pronta para germinar à primeira oportunidade.

M.C. Mas e quanto aos pensamentos que vocês chamam de "silenciosos"? Será que tais desejos ou pensamentos voltam para o ninho?     H.P.B. Voltam; assim como uma bola que falha em penetrar um objeto ricocheteia de volta no lançador.

Isso acontece até mesmo com alguns dugpas ou feiticeiros que não são fortes o suficiente, ou não cumprem as regras — pois até eles têm regras às quais devem obedecer — mas não com aqueles que são magos negros regulares e plenamente desenvolvidos; pois tais têm o poder de realizar o que desejam.


M.C. Quando você fala de regras, isso me faz querer encerrar esta conversa perguntando o que todos que se interessam por ocultismo querem saber.

Qual é uma orientação principal ou importante para aqueles que possuem esses poderes e desejam controlá-los corretamente — na verdade, para entrar no ocultismo?     H.P.B. O primeiro e mais importante passo no ocultismo é aprender a adaptar seus pensamentos e ideias à sua potência plástica.

M.C. Por que isso é tão importante?     H.P.B. Porque, caso contrário, você está criando coisas pelas quais pode estar fazendo mau Karma.

Ninguém deveria entrar no ocultismo ou mesmo tocá-lo antes de estar perfeitamente familiarizado com seus próprios poderes, e saber como comensurá-los com suas ações.

E isso ele só pode fazer estudando profundamente a filosofia do Ocultismo antes de iniciar o treinamento prático.

Caso contrário, tão certo quanto o destino — ELE CAIRÁ NA MAGIA NEGRA.

Collected Writings VOLUME X                                            Dezembro,

CRIANÇAS PERMITIDAS A TREINAREM-SE PARA O ASSASSINATO                              [Lucifer, Vol.

III, No. 16, Dezembro, 1888, pp. 341-342]     "ARIADNA" escreve:—

O povo inglês gosta de sustentar a superioridade de sua moral nacional em contraste com a de nossos vizinhos continentais além-mar.

No entanto, se um destes últimos tivesse passeado por uma rua de um dos nossos grandes balneários há poucos dias, talvez fosse levado a duvidar disso. Numa grande loja, uma bandeja sedutora de canivetes de meninos estava exposta, etiquetada com "Canivetes de Jack Ripper"! Numa rua adjacente, um bando alegre de crianças, com idades entre seis e onze anos, brincava de "Estripador", saltando umas sobre as outras e derrubando-as — um verdadeiro ensaio do ato criminoso.

Naturalmente, a pergunta que surgiria seria: "Por que os pais não as impediram e proibiram a brincadeira macabra?" . . . .

CRIANÇAS AUTORIZADAS A TREINAR PARA O ASSASSINATO

Mas não o fizeram, é evidente; e os pais amorosos, eles próprios filhos da era atual, devem ter rido alegremente e se divertido com a "ideia original". Bons cristãos! Eles nem sequer pensam em erradicar o mal apresentando uma queixa contra os especuladores infames que têm permissão de lançar tal brinquedo! Os tradutores e editores da "imoralidade" exótica de Zola, que mostra o vício em toda a sua nudez hedionda e feiura, são condenados a multas pesadas.

Os canivetes de "Jack Ripper" são permitidos para serem vendidos livremente às crianças: pois o que pode ser mais inocente do que um canivete de papelão ou madeira, pintado de forma vistosa, para meninos e meninas brincarem, à primeira vista! Algum dos espectadores, ao testemunhar aquelas crianças, coisas brilhantes "recém-saídas das mãos de Deus", os pequenos brincalhões alegres, fez a si mesmo a pergunta:

"O que serás tu daqui para frente?"

No entanto, quantos desses meninos e meninas, agora brincando abertamente com facas e jogando "Jack Ripper", se tornarão, diretamente em consequência de tal "brincadeira", candidatos à forca e balançarão nesse "daqui para frente". Sim, a LEI, em toda a sua majestade, pode reivindicar, através de seus juízes justos, daqui a dez ou vinte anos, qualquer um desses "pequeninos" despreocupados como sua presa legítima.

"Que Deus tenha misericórdia de sua alma" será o veredito pomposo, mas terrível, de um Juiz de barrete preto, como resultado lógico de tal brincadeira para um desses "Jack Rippers", agora inocentes, então culpados. Perguntamo-nos: algum dos futuros juízes ou jurados se lembrará, durante tal julgamento possível, de que, quando menino, talvez tenha desejado assumir o papel, ou até mesmo, na verdade, tenha participado da diversão durante uma temporada num daqueles balneários elegantes? A criança é o pai do homem.

São as primeiras impressões, visuais ou mentais, que os sentidos jovens absorvem mais rapidamente, para armazená-las indelevelmente na memória virgem.

São as imagens e cenas que nos acontecem durante a infância, e o espírito com que são vistas pelos nossos mais velhos e recebidas por nós, que determinam a maneira como aceitamos tais cenas ou encaramos o bem e o mal nos anos subsequentes.

Pois, é com a maior parte desse capital intelectual inicial, assim acumulado dia a dia durante nossa meninice e adolescência, que negociamos e especulamos ao longo da vida posterior.

A capacidade das crianças para armazenar impressões precoces é realmente grande.

E, se uma criança inocente brincando de "Jack, o Estripador" observa que seu esporte produz alegria e divertimento em vez de horror nos espectadores, por que se esperaria que a criança conectasse o mesmo ato com pecado e crime mais tarde?

É montando cavalos de madeira na infância que um menino perde todo o medo de um cavalo vivo nos anos subsequentes.

Portanto, o moleque que agora finge assassinar verá o assassinato e matará de fato, com tanta indiferença quando se tornar homem quanto agora.

Há muito sofisma na observação da Sra. Stowe de que "as crianças crescerão substancialmente o que são por natureza", pois isso só pode se aplicar àquelas crianças excepcionais que são deixadas a cuidar de si mesmas; e estas não compram brinquedos em lojas elegantes.

Uma criança criada pelos pais, e tendo um lar em vez de uma sarjeta para viver e dormir, se deixada à autoeducação, tirará de suas próprias observações conclusões tanto para o mal quanto para o bem, e essas conclusões certamente colorirão toda a sua vida posterior.

Brincando de "Jack, o Estripador", pensará inconscientemente em Jack, o Estripador, e no que possa ter ouvido sobre esse agora elegante Sr. Hyde de Whitechapel.

E—

". . . . aquele que apenas concebe um crime em pensamento       Contrai o perigo de uma falta real."

Escritos Reunidos VOLUME X                                            Dezembro,

O DIABO, QUEM É ELE?

O DIABO, QUEM É ELE?                              [Lucifer, Vol. III, No. 16, Dezembro, 1888, pp. 343-345]

SENHOR,      Como considero a crítica à minha carta em sua edição de outubro totalmente injustificada, confio que me permitirá espaço para algumas linhas em resposta a ela.

Há uma coisa absolutamente necessária a observar na discussão para que ela seja de algum proveito, seja para as próprias partes, seja para qualquer outro que venha a ouvi-la ou lê-la. E a coisa necessária na discussão é que as partes envolvidas devam primeiro compreender e aceitar as premissas sobre as quais se pretende construir o argumento, ou das quais se pretende extrair a conclusão.

Pois se, numa discussão escrita, o crítico presume que o escritor tomou certos dogmas ou premissas como base de seu argumento, das quais ele jamais sonhou em partir, e com base nessa suposição errônea o crítico então passa a ridicularizar o argumento do escritor como se o argumento deste tivesse sido fundado na concepção equivocada que o crítico faz de suas premissas, tal discussão e crítica não aproveitam a ninguém, e não divertem ninguém senão o leitor superficial, incapaz de perceber a ilusão.

E para que, ao menos, não haja no futuro desculpa para que se compreendam mal as minhas opiniões, posso dizer que não conheço, e não acredito em, pessoa alguma como o Diabo, no sentido comumente reputado ortodoxo.

Mas certamente aqueles que falam mal de Deus ou de seus próximos seriam justamente intitulados a esse nome.

E, com respeito a Jesus, nada sei de Jesus, exceto que, como Homem (seja histórico ou alegórico), ele é o mais cristão que posso conceber, e portanto para mim ele é o Cristo, e igualmente portanto "o Filho de Deus segundo o espírito de santidade", a quem conhecer e amar é conhecer e amar a Deus, e a quem, portanto, difamar e rejeitar é rejeitar e odiar a Deus.

E como entendi que os Teosofistas (no número de dezembro de Lucifer) aceitavam essa visão de Jesus como o Cristo, e sua religião prática, por isso me surpreendo que coisas me sejam atiradas ao rosto como aceitas por mim, as quais em nenhum lugar, de nenhuma maneira, professei aceitar.

E eu consideraria tão tolo ofender-me com o que há de bom nas Escrituras por haver nelas algo difícil de aceitar, quanto seria ofender-me com a noz e o leite do coco apenas porque a casca e a fibra também não podem ser comidas.

E se os Teosofistas são obrigados a admitir que postulados filosóficos são absolutamente necessários de serem aceitos como base de argumentação, eu apenas peço o mesmo; mas não vejo a necessidade de se ofenderem por eu ter falado do Filho do Homem ter sido crucificado como um demônio.

Certamente, se ele foi condenado a ser um enganador, um blasfemador e um demônio, e a ser por isso morto, não pode ser incorreto dizer que ele foi crucificado como blasfemador, ou demônio, assim como falamos dos mártires que foram queimados como hereges.

Tenho sido amigo de Lúcifer, tanto em palavras quanto em ações, mas com críticas tão hostis como as que há no número de outubro, alguém suporia que eu caíra no meio de inimigos.

REV.

T. G. HEADLEY.

Petersham, S.W.

A RESPOSTA DO EDITOR

Lamentamos ter ofendido involuntariamente nosso reverendo amigo e colaborador; mas teríamos lamentado ainda mais publicar em nossa revista um ataque injusto às ideias de outro colaborador e deixar fatos negados — sem registrar um protesto.

Nossa revista é essencialmente polêmica e foi fundada com o propósito de lançar luz sobre "as coisas ocultas das trevas" — da superstição religiosa, preeminentemente.

E que superstição pode ser comparada àquela que aceita um Deus "pessoal" ou um diabo "pessoal"? Quem se opõe a ter suas visões contestadas e criticadas não deve escrever para Lúcifer.

Nem as observações do Sr. May nem as do editor foram pessoais, e diziam respeito às visões peculiares sobre Deus e o Diabo apresentadas pelo Sr. Headley, e de modo algum ao próprio reverendo senhor.

Além disso, demos boas provas de nossa imparcialidade.

Publicamos artigos e cartas que criticavam não apenas nossas visões pessoais teosóficas e filosóficas, mas que discutiam assuntos diretamente relacionados à nossa honra e reputação pessoais; reavivando as infames calúnias nas quais não simples dúvidas, mas acusações claramente formuladas de desonestidade eram lançadas em nossos dentes e nosso caráter privado era feito em pedaços (Vide "Um Olhar sobre a Teosofia de Fora," Lúcifer de outubro de 1888). E se a editora jamais recuará diante do que considera seu dever para com seus leitores, e que está preparada para lançar toda a luz possível sobre questões controversas a fim de que a verdade brilhe radiante

O DIABO, QUEM É ELE?

e mentiras hediondas e superstições sejam mostradas sob suas verdadeiras cores — por que nossos colaboradores deveriam mostrar-se tão suscetíveis? Magna est veritas et prevalebit.

Toda verdade até agora oculta, seja escondida da vista pelo secretismo da Natureza ou pela astúcia humana, deve e há de ser desvelada um dia ou outro.

Enquanto isso, fazemos o nosso melhor para ajudar a pobre, trêmula e nua Verdade em sua árdua progressão, abrindo caminhos para ela através da inextricável selva de falsidades e mentiras teológicas e sociais.

O melhor meio de fazê-lo é abrir as páginas de nossa revista à livre controvérsia e discussão, sem considerar personalidades ou preconceitos—embora alguns de nossos amigos possam objetar a tais modos de desenterrar verdades profundamente ocultas.

Eles estão enganados, evidentemente.

É somente por esse meio que aquele que sustenta opiniões corretas tem a chance de prová-las, e portanto de vê-las aceitas e firmemente estabelecidas; e aquele que está equivocado, de ser beneficiado por ter seus melhores sentidos despertados e direcionados para o outro lado da questão que ele vê apenas em um de seus aspectos.

A Lógica, diz-nos Milton, ensina-nos "que os contrários, postos juntos, aparecem mais evidentemente; segue-se, então, que sendo permitida toda controvérsia, a falsidade parecerá mais falsa, e a verdade mais verdadeira; o que deve necessariamente conduzir muito à confirmação geral de uma verdade implícita." Novamente, "se é proveitoso para um homem ler, por que não deveria ser ao menos tolerável e livre para seu adversário escrever?" Por que então deveria o Sr. Headley dirigir-se ao seu oponente, dizendo: "não é verdade, como afirma o Sr. May, que o bem e o mal, ou Jesus e o Diabo, são um e o mesmo," em vez de repreender por isso Lactâncio, o Pai da Igreja, que foi o primeiro a dizê-lo há mais de um milênio, ao afirmar que o Logos ou Cristo era "o irmão primogênito de Satã"? Ou por que, novamente, nosso reverendo amigo não deveria nos explicar o verdadeiro significado daquele versículo no Apocalipse (xxii, 16) que faz Jesus dizer: "Eu, Jesus... sou... a brilhante Estrela da manhã," i.e., Phosphoros e Lúcifer, respectivamente, nos textos grego e latino—e assim desmentir o editor do Apocalipse, em vez de dar o desmentido ao Sr. May? Nem diz este cavalheiro em lugar algum, como o Sr. Headley o acusa de dizer, que ele considera Deus "o Ser Supremo ou Pessoa"—como uma pessoa.


Finalmente, para nossa humilde mente, há mais verdade e filosofia na frase final do Sr. May, a saber: "o divino ESSE ou Deus é apenas Um Supremo e Tudo, assim como as sete cores dos raios do Sol aparecem como uma só"—do que em toda a teologia eclesiástica reunida, incluídas as reformas modernas.

Para concluir: negamos que nossa crítica à carta do Sr. Headley tenha sido de qualquer forma “hostil”, e só podemos lamentar que o reverendo senhor padeça da impressão muito errônea de que “caiu em meio a inimigos”. Repetimos novamente: Lúcifer tem uma política própria, definida e claramente delineada, e aqueles que escrevem para ela devem aceitá-la, ou—dar as costas à nossa revista.

Nenhum epíteto descortês ou abuso vulgar de personalidades será jamais permitido em nosso Mensário.

Lamentaríamos muito seguir o costumeiro trilho dos diários ingleses, que—mesmo aqueles que se dizem órgãos líderes da imprensa, de altos princípios e alto tom—sempre se entregam a ataques pessoais, não apenas contra seus oponentes políticos, mas, condescendendo com o público, até contra personagens impopulares.

Nenhum indivíduo—amigo ou inimigo—corre o risco de ser chamado em nosso jornal de “aventureiro”, “lunático alucinado”, “impostor e amante livre”, “charlatão” ou “tolo crédulo”, como os principais teosofistas da Inglaterra e da América são repetidamente referidos pelos editores altamente cultos e eruditos de não apenas jornais políticos, mas até de “sociedade” de salão, em ambos os lados do Atlântico—salvo algumas honrosas exceções.

Mas, por outro lado, ninguém—de qualquer posição ou influência—nem nada, por mais “consagrado pelo tempo”, será jamais bajulado ou apaziguado em nossa revista.

Nunca qualquer erro, farsa ou superstição será caiado com a tinta da conveniência, ou ignorado em silêncio prudente.

Como nosso jornal não foi estabelecido como empreendimento lucrativo, mas verdadeiramente como defensor de cada

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS fato e verdade, por mais tabu e impopular que seja—não precisa pactuar com mentira ou superstição absurda.

Por essa política, a Theosophical Publishing Co. já está várias centenas de libras no prejuízo.

O editor convida à crítica livre sobre tudo o que é dito em Lúcifer; e, enquanto protege cada colaborador de ataques pessoais diretos, está bastante disposto a aceitar qualquer quantidade deles contra si mesma, e promete responder a cada um e a todos o melhor de sua capacidade.

Fas est et ab hoste doceri.

“FAIS QUE DOIS, ADVIENNE QUE POURRA.”

H.P.B.

–––––––––– Collected Writings VOLUME X Dezembro,

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS [Lúcifer, Vol. III, No. 16, dezembro de 1888, pp. 346-349]

ECOS DA TEOSOFIA

O parágrafo seguinte, de um semanário de Boston, *Wade's Fibre and Fabric*, 27 de outubro de 1888, nº 191, fala por si mesmo:

Assim como o agricultor joeira o trigo quando debulhado, para separar o grão da palha, assim também devemos examinar todas as coisas e reter aquilo que é bom.

Somente dessa maneira pode o indivíduo elevar sua condição mental e melhorar sua condição física, e talvez reter, ou assegurar e manter posições que, de outra forma, seria incapaz de ocupar.

A tendência da maioria das pessoas é menosprezar ou evitar aquilo que menos compreendemos.

O editor da *Fibre and Fabric*, há algum tempo, em "Fatos Reduzidos a Pó", em um item muito breve, mencionou a teosofia de uma maneira que ele sempre se envergonhará de ver ao voltar àquela página específica; e isso mostra a necessidade de todos usarem o máximo cuidado no que dizemos, bem como no que fazemos. Pois um ato cruel ou uma palavra injusta, uma vez proferidos, jamais podem ser desfeitos.

Há algum tempo, temos investigado a teosofia, e descobrimos que não há nada de mau ou incompreensível nela. A seguinte é uma explicação justa do que ela é: "A palavra teosofia é derivada de duas palavras gregas, *Theos*, que significa Deus, e *Sophia*, que significa sabedoria.

*Theosophia*, ou teosofia, é a sabedoria de Deus, ou sabedoria divina.

A teosofia é ao mesmo tempo uma ciência e uma religião." A ciência da verdade e a religião da justiça.

Autoconfiança, autocontrole, auto-respeito, disposição para extrair conhecimento de todas as fontes, e um firme e sincero desejo de ser justo, bondoso e tolerante para com os outros são considerados pelos teosofistas como essenciais para qualquer progresso na teosofia.


Aqueles que apoiam a livre investigação e a livre discussão são seus aliados naturais.

Aqueles que estão de posse de autoridade adquirida injustamente, ou empregada indignamente, são seus inimigos naturais.

"Nenhuma opinião religiosa é solicitada de ninguém ao ingressar, nem é permitida interferência nelas; mas todos são obrigados, antes da admissão, a prometer mostrar para com seus companheiros a mesma tolerância nesse aspecto que reivindicam para si mesmos." A ideia é formar um núcleo de uma fraternidade universal da humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo ou cor.

A teosofia é, de fato, a religião da raça humana, e existe desde a criação do sistema planetário, aguardando o advento do homem para compreendê-la e abraçá-la.

Se apenas um em cada dois editores dos jornais e revistas que durante anos continuaram firmemente a difamar a teosofia e a caluniar os teosofistas se mostrasse metade tão cavalheiro e justo quanto o Sr. J. M. Wade, a Teosofia e sua sociedade muito em breve ocupariam seu lugar de direito no mundo.

Como disse Pope: "Um homem nunca deveria se envergonhar de admitir que esteve errado." Mas, ah! por editores imparciais e justos neste século de feroz egoísmo, competição e notícias sensacionalistas, ainda que caluniosas! Onde estão eles, tais paradigmas de virtude, prontos a dar até ao diabo o que é do diabo, arriscando-se a pisar nos calos de seus assinantes? Toda honra, longa vida e 10.000 assinaturas a mais para esta rara avis de Boston entre editores.

––––––––––

O London Star, do qual vários outros jornais copiaram verbatim o comentário, escreveu há algum tempo: A primeira edição da Doutrina Secreta de Madame Blavatsky já foi totalmente esgotada, e uma segunda edição está sendo impressa o mais rápido possível para atender à demanda contínua.

Isto é curioso, considerando que o livro é de caráter mais oculto e difícil do que qualquer outro que o precedeu. Embora "curioso", de fato, o fato tem, no entanto, uma explicação fácil.

Os vinte milhões de ingleses tão rudemente rotulados por Carlyle como "principalmente tolos" tornaram-se um pouquinho mais sábios.

Há tempo suficiente em vinte e tantos anos para mostrar um aumento — até mesmo de cérebros.

NOTAS LITERÁRIAS

Como um correspondente observa com relação aos ensinamentos arcaicos dados no Volume I da Doutrina Secreta, cada um deles infunde "uma raison d'être e inteligibilidade em um universo cuja deriva tem sido totalmente impercebida pelo Pensamento Ocidental", e ele acrescenta de forma muito sugestiva:

A essência da grandeza do pensamento ocidental parece-me residir no esplêndido domínio de detalhes e método ao lidar com os aspectos físicos da Natureza.

O Ocultismo Oriental, ao contrário, fornece-nos "generalidades" e pouco se preocupa com particularidades — por exemplo, seria, creio eu, absurdo procurar quaisquer ciências físicas detalhadas na Índia ou em qualquer outro lugar, com suas classificações precisas e pesquisas meticulosas.

Mesmo no reino da psicologia, os volumes de Spencer, Bain, Dewey e outros parecem ser tão completos em detalhes que tornam grande parte do ensinamento oriental extremamente superficial à primeira vista.

Mas, depois de tudo o que se disse e fez, é preciso enfrentar o fato de que a psicologia favorecida na Europa lida simplesmente com estados de consciência correlacionados ao cérebro, ou seja, com o reflexo de um raio do Manas (mente) condicionado pelo organismo.

Ela erra até mesmo nesse pequeno domínio, no que diz respeito à sua teoria geral das relações entre mente e corpo, mas seus dados são soberbos.

A psicologia oriental é mais esquemática, mas suas generalizações são certas e abrangem uma área em comparação com a qual a de Mills & Cia. se reduz à insignificância.

Parece abranger a noção de Goethe de que o valor real das Ciências pode ser condensado em uma folha de papel de notas.

Ela ama os resultados mais do que o detalhe minucioso que sustenta as variadas induções do Ocidente.

––––––––––

Assim, a Europa está lentamente retornando à apreciação da sabedoria antiga e, à medida que se despoja gradualmente da letra morta que mata, da Bíblia judaica e do igrejismo, ela volta, por uma reversão natural da evolução do cérebro humano—ao espírito pelo qual tudo vive das antigas filosofias.

Assim, o mesmo jornal diz:— A Luz no Caminho, da Srta. Mabel Collins, foi traduzida para o sânscrito e será colocada pelos Pandits hindus como um dos clássicos sânscritos.

A tradução para o sânscrito é algo que não se fazia há pelo menos 100 anos; mas o livro é suficientemente budista e oculto para satisfazer até mesmo os hindus eruditos.

Este pequeno livro—uma verdadeira joia—pertence e emana da mesma escola de pensamento e erudição indo-ariana e budista que os ensinamentos de A Doutrina Secreta.


Quão profundamente, de fato, a teosofia real se imprimiu até mesmo em nosso jornalismo pragmático é evidenciado neste outro trecho de referência apreciativa a ela no Lady's Pictorial, no qual, em 13 de outubro passado, é tão incisivamente observado:—

LUCIFER.

(Office, 7, Duke Street, Adelphi.) Deixe-me recomendar àqueles que tiram suas ideias de LUCIFER de 'Milton' que leiam o artigo do número de setembro, chamado 'O Significado de um Compromisso.' Que eles substituam o nome de sua própria seita particular pelo nome 'Teosofia'; que assumam um compromisso e o cumpram, e todas as 'seitas' logo se fundirão em uma fraternidade universal de amor e serviço.

“LÚCIFER,” o “filho do Céu, primogênito, e do eterno raio coeterno,” luz divina, confundido e obstinadamente sustentado pela maioria dos chamados cristãos cultos como representando SATÃ, o diabo! Oh, Milton, pobre, grande homem.

Que mal fizeste tu aos fracos cérebros humanos! . . . “A CULTURA, que torna o homem menos semelhante ao macaco, também lambeu o diabo até dar-lhe forma,” parecem ser palavras proféticas no Fausto de Göthe.

––––––––––

Heladiw Ruwana ou “a Gema do Ceilão” é um novo periódico lançado pela Sociedade de Publicações Budistas do Ceilão; e, como declara em seu subtítulo, o jornal é estabelecido no ano de nosso Senhor Buda, 2432. Este é também um dos ramos diretos que cresceram da árvore da Teosofia.

No Departamento de “correspondência” (art.

“A Ascensão e o Progresso do Budismo no Ceilão”) há algumas passagens curiosas muito interessantes para os Teosofistas da Europa e da América, para cujo benefício colhemos algumas de suas flores retóricas:— Desde que os estudiosos europeus começaram a estudar o Budismo, muito se tem falado dele, e de sua doutrina secreta, como prevalecente entre os Lamas do Tibete.

Há, ao que parece, duas escolas de Filosofia Budista ali: uma dedicada à doutrina esotérica, e a outra à fase exotérica da Filosofia de Gautama Buda.

Entre a primeira seita, diz-se que existem Mahatmas de maravilhosos poderes psíquicos, semelhantes aos possuídos pelos Dhyanis e

NOTAS LITERÁRIAS Arahats de outrora.

No Ceilão, esses adeptos contavam-se aos milhares no reinado de Dutthagamani.

Eles gradualmente cessaram de existir, pois as chaves desses mistérios foram perdidas pela degenerescência dos monges budistas dos tempos subsequentes, que buscavam mais a renome e a glória mundanas do que os mais elevados desenvolvimentos espirituais.

Qualquer um que leia cuidadosamente . . . o Mahavansa, não deixará, confio, de observar que referência distinta e particular é feita aos Arahats dos diferentes períodos.

E eu posso, a título de atestação da verdade dos fatos declarados no Mahavansa, chamar a gentil atenção de nossos leitores para as viagens de “Fa-Hien,” o peregrino chinês.

. . . Desde a descoberta da Verdadeira Lei pelo mais iluminado Gautama, os homens tornaram-se selvagens e miseráveis pelas terríveis luxúrias da carne, e consequentemente perderam os segredos dessa Lei.

Mas aquelas gemas imortais e divinas da verdade não estavam destinadas a desaparecer por completo da habitação do homem, pois foi decretado pelos Arahats que partiam que fossem guardadas com segurança e sacralidade pelos Adeptos das profundezas trans-himalaianas, até que a condição do homem se adaptasse para recebê-las. Esse tempo agora se aproxima; e os custodiantes da doutrina secreta julgaram conveniente enviar Missionários entre a humanidade para divulgá-la a eles.

Uma dessas é Madame Blavatsky, que viajou para a América e converteu o Coronel Olcott, que então buscava sinceramente a verdade e investigava os fenômenos do Espiritualismo. . . . Para estabelecer uma comparação feliz entre essa conversão . . . . e o plantio de um ramo da sagrada árvore Bo por Sanghamitta, que veio ao Ceilão no reinado de Dewanam Piya Tissa, tomo a liberdade de dizer que Madame Blavatsky, como a princesa Sanghamitta, levou a doutrina secreta para a América, e ali a implantou na mente do Cel.

Olcott, que a recebeu com tanta prontidão quanto o solo virgem de Anuradhapura recebeu o broto da árvore Bo.

Assim como a sagrada árvore Bo foi o incentivo para as visitas anuais dos peregrinos budistas dos recantos mais remotos do Ceilão, assim também a verdadeira Lei, quando revelada ao Cel.

Olcott por Madame Blavatsky, foi o estímulo para ele deixar para trás brilhantes perspectivas e amigos na América, e lançar-se em uma missão ao redor do mundo para promulgar a verdadeira Lei a toda a humanidade.

No ano de 1880, Madame Blavatsky e o Cel.

Olcott fizeram sua primeira visita ao Ceilão, e honesta e publicamente declararam-se budistas, e, em prol do querido desejo de seus corações, estabeleceram filiais da Sociedade Teosófica em várias partes da Ilha.

Por seus esforços unidos, devo admitir que um novo impulso foi dado ao budismo; tanto que os muitos milhares de nativos da Ilha, que até então permaneceram ignorantes do budismo em sua forma pura, e aqueles que se envergonhavam de se declarar budistas em público, todos começaram a aprender, ensinar e professar o budismo da maneira mais aberta e vigorosa.

A maneira mais entusiástica e pródiga com que os budistas do Ceilão celebraram os dias de Wesak dos últimos dois anos, não pode deixar de testemunhar sua crença honesta no budismo, e o trabalho substancial realizado por Madame Blavatsky e o Cel.


Olcott na causa do budismo.

. . . .

Tudo isso é correto, e as duas personagens acima nomeadas sentem-se orgulhosas ao ver seus serviços modestos tão bem apreciados e lembrados.

Mas certamente sentir-se-iam ainda mais felizes se o estado atual do padrão moral no Ceilão—outrora a pérola do Oceano Índico—fosse tal que não tivesse tornado necessária a carta publicada no mesmo jornal por um "Chela". Isso mostra o reverso da medalha e atenua um tanto o deleite daqueles que dedicaram sua vida à nobre obra de difundir a filosofia do grande "Luz da Ásia". Pois não é o budismo-templo moderno, com todas as excrescências que nele se infiltraram, mas verdadeiramente o Budismo esotérico, do Senhor Gautama, o BUDDHA, que os Fundadores tinham em vista ao trabalhar pela REVIVIFICAÇÃO DO BUDISMO.

––––––––––        Vide Introdução ao 1º Volume de A Doutrina Secreta (pp. 1 e 2). ––––––––––                                                      ––––––––––

Tal parece ser também o pensamento íntimo do "Chela", que, ao saudar o aparecimento de Heladiw Ruwana e informar o editor de que muitos budistas o aguardavam, "como um estandarte de luz destinado a lançar muita claridade sobre os significados ocultos e verdadeiros das Escrituras Budistas e dos cerimoniais observados nos templos budistas do Ceilão", acrescenta as seguintes palavras ominosas:      Desde a introdução do budismo por Mahinda Thero no reinado do bendito Monarca Dewanam Piatissa, os erros que se infiltraram nas doutrinas puras e admiráveis de Buddha têm levado a muitos equívocos por parte daqueles que estudam o budismo em prol do desenvolvimento espiritual ou por curiosidade.

Muito poucos, de fato, entre aqueles que professam o budismo têm sido capazes de compreender, e muito menos de explicar, os nobres preceitos e verdades espirituais que Buddha descobriu e ensinou a seus discípulos.

O tempo, o

NOTAS LITERÁRIAS

mais irreconciliável inimigo das coisas da antiguidade, tem, como é seu costume, lançado poderosos impérios e cidades em ruínas, e os maiores e mais nobres pensamentos e doutrinas em confusão desesperadora.

O budismo, cuja forma pura é agora mero provérbio, não tem podido evitar a mão devastadora do Tempo, mais do que os admiráveis ensinamentos de muitas mentes nobres da antiguidade.

Assim como o ouro é encontrado misturado com muita escória e ferrugem, assim também as superstições e as fraudes do sacerdócio ignorante e interesseiro têm envolvido e corrompido os ensinamentos puros e genuínos do iluminado Gautama.

Será, portanto, atualmente, uma tarefa de Augias peneirar Suas notáveis doutrinas das superstições dos hindus e de outras nações, que de tempos em tempos tentaram espezinhá-las e estabelecer as suas próprias em seu lugar.

Essa influência tem sido tal que saturou nosso sacerdócio com essas superstições rasteiras e fez esquecer e renunciar às chaves secretas do estado feliz e misterioso de Sowan, Sakridagamin, Anagamin e Arahat.

Os métodos e a disciplina a serem observados pelos chelas nesses elevados desenvolvimentos espirituais têm sido o estudo de toda a vida, e as verdades fundamentais que nosso Abençoado Senhor Buda descobriu nos misteriosos volumes da natureza.

Essas descobertas são, para falar analogicamente com coisas de valor e dificuldade comparativamente menores, como o Teorema Binomial e a lei da gravitação, descobertos por Sir Isaac Newton, leis eternas e invioláveis da natureza.

Podemos, portanto, justa e pertinentemente dizer que nosso Senhor Buda, ao contrário do suposto criador incriado e sem forma do universo... descobrindo as leis da existência animal e a causa de tal existência, ensinou o caminho certo e único para escapar da maldição dos renascimentos dolorosos e infelizes.

Este caminho é o único para alcançar esse estado inexplicável e feliz, o Nirvana.

Tendo resumido brevemente o significado e o alcance do Budismo próprio e puro, expresso minhas mais sinceras congratulações aos promotores da Sociedade de Publicação Budista; e prometendo-lhes toda a ajuda e esforço que estiverem ao meu alcance na causa da verdade.

Esperando que pela influência benigna de vossa sociedade, os budistas em erro e os cristãos que difamam encontrem todos os seus erros corrigidos, e seu ódio ao Budismo transformado em admiração e adoração ao Senhor Buda, o único verdadeiro Mestre da Lei,

Sou, sinceramente,                                                                                                    CHELA.

––––––––––      [A natureza deste termo é algo incerta.

Há uma palavra páli SowaŠŠa, que significa "dourado". Quanto ao primeiro estágio nessa série, seu termo é geralmente Srotâpatti em sânscrito, e Sotâpatti em páli, significando "entrada no rio que conduz ao NirvâŠa. —Compilador.] –––––––––– AMÉM, dizemos, se o Budismo tornar os cristãos mais tolerantes e caridosos, menos caluniosos, ou "injuriosos", como "Chela" os caracteriza—e tão cheios de amor e compaixão pelo animal e pela espécie humana, em vez de abater ambos por esporte e guerra.


Mas—quase tememos perguntar se essa esperança corajosamente expressa por "Chela" não teria tido alguns resultados funestos em Colombo? Não foi aquele homem verdadeiramente bom e batista de águas profundas, o editor do Ceylon Observer, encontrado afogado em um mar de seu próprio fel caseiro? Confiemos que nenhuma calamidade dessas tenha atingido a pérola do Oceano! O Ceilão não pode se dar ao luxo de perder seu Fergusson, assim como o Reino de Deus não pode perder sua sombra e pilar—o DIABO.

––––––––––

UMA ESCULTORA TEOSÓFICA

Nosso amigo, Sr. Gerald Massey, o poeta e egiptólogo, envia-nos de Nova York a fotografia de um medalhão, feito pela Sra.

Josepha North (F.T.S., Ramo Ariano de Nova York).—A cabeça de mulher nele, chamada "Futurity", é muito bela e sugestiva em seu simbolismo e ideia.

A nosso ver, a lua crescente que circunda o pescoço da cabeça, e a estrela de seis pontas diante de sua fronte, apontam para a futura sexta Raça que, como a Doutrina Secreta nos ensina, se originará na América.

(Vide Volume II de A Doutrina Secreta, as páginas finais da Parte I.) O Sr. G. Massey refere-se à Sra.

J. North como uma "principiante". Se assim for, ela poderá se revelar a mais notável escultora de seu país, pois, até onde se pode julgar pela fotografia do trabalho dessa "principiante", é muito promissor.

Também ouvimos que a Sra.

North está trabalhando em um busto de Gautama Buda, mostrando-o como o jovem Príncipe Siddhartha.

Este, quando terminado, será colocado na Sede da S.T. Ariana em Nova York, e constituirá uma adição interessante aos muitos objetos e quadros orientais já ali existentes.

Damos as boas-vindas à Sra.

North, nossa irmã em Teosofia, e desejamos-lhe todo o sucesso na vida, tanto quanto em sua arte.

Como belamente

NOTAS DIVERSAS

expresso por algum escritor, o mármore cinzelado pode se tornar tão eloquente em sua beleza quanto a poesia falada.

O gênio do artista pode forçá-lo a se tornar tão facilmente o profeta infalível de "Futurity" quanto o eco fiel do Passado.

Mas, naturalmente, aqueles que veem no bloco esculpido apenas as formas da beleza material são incapazes de seguir o caminho da instrução da alma, trilhado somente por aqueles que estão verdadeiramente despertos para a vida teosófica.

ADVERSÁRIO.

––––––––––                           Escritos Reunidos VOLUME X                                              Dezembro,

NOTAS DIVERSAS                            [Lucifer, Vol.

III, No. 16, Dezembro, 1888, pp. 288-90, 339-41]

[azul] A cor simbólica do magnetismo e sua Força.

[uma lâmpada . . . em forma . . . como uma molheira rasa] A Argua em forma de Yoni, a lâmpada dos credos fálicos e exotéricos, ou de letra morta.

Isto é típico.

[pão partido] Os fragmentos partidos da ÚNICA VERDADE, que subjaz a cada uma e a todas as religiões.

[em todos os quatro setes] As quatro septenárias da lua, o significado oculto da divisão do mês lunar, divisão esta que contém o mistério da geração e do nascimento.

Este "sonho" mostra que o "Chela" entrou na fase de instrução prática dada tão frequentemente em sonhos simbólicos.

––––––––––

[Um escritor comenta sobre a palavra disputada Theos em I Timóteo, iii, 16, em conexão com os diversos

Códices existentes.

Ele termina fazendo a pergunta: "Qual é o significado oculto do         ; e em que       sentido usou São Paulo e seus copistas, alguns séculos depois, o símbolo como equivalente ao       Deus Inefável?" A isto, H. P. B. responde:]

No significado oculto, é a Ideação primordial, o plano para o logos de duplo sexo, a primeira diferenciação do PRINCÍPIO sempre incognoscível ou Natureza abstrata, assexuada e infinita.


O ponto representa a primeira formação da raiz de todas as coisas crescendo a partir da RAIZ sem raízes, ou o que os Vedantins chamam de "Parabrahm." É a manifestação primordial periódica e sempre recorrente após cada "Noite de Brahmâ," ou do espaço potencial dentro do espaço abstrato: não Jeová, certamente não; mas o "Deus Desconhecido" dos atenienses, o ISSO que São Paulo, o mestre maçom e o INICIADO, declarou a eles.

É o LOGOS não manifestado.

––––––––––

[Confesso que gostaria de ver fenômenos] Não é na Sociedade Teosófica que nosso correspondente pode jamais esperar evocar espíritos ou ver quaisquer fenômenos físicos.

[Não é a "Seção Esotérica" da S. T. provável de ir de encontro às opiniões de seu Editorial sobre    "Lojas de Magia"? Quem garante que os Membros Esotéricos não apenas estejam dispostos a, mas    "obedecerão às suas regras"?]

A pergunta de nosso correspondente é natural—vinda de um europeu.

Não, não vai de encontro, porque não é uma loja de magia, mas de treinamento.

Pois, por mais que a verdadeira natureza do treinamento oculto tenha sido declarada e explicada, poucos estudantes ocidentais parecem perceber quão rigorosas e inexoráveis são as provas que um candidato deve superar antes que o poder seja confiado às suas mãos.

A filosofia esotérica, a higiene oculta da mente e do corpo, o desaprendizado de falsas crenças e a aquisição de hábitos verdadeiros de pensamento são mais do que suficientes para um estudante durante seu período de provação, e aqueles que imprudentemente se comprometem na expectativa de adquirir de imediato "poderes mágicos" encontrarão apenas decepção e fracasso certo.

Collected Writings VOLUME X                                       Dezembro,

A DOUTRINA SECRETA

A DOUTRINA SECRETA                      [Light, Londres, Vol.

VIII, No. 416, 22 de dezembro de 1888, pp. 634]

Ao Editor de Light.

Senhor,—Permita-me, pela primeira vez após muitos anos de silêncio, e provavelmente pela última vez, dizer algumas palavras em resposta ao ataque direto contra mim (em sua edição de 15 de outubro) por "Leo". Ele começa falando da minha "violência e animosidade pessoal contra o cristianismo". Eu começo respondendo que sua afirmação é absolutamente o oposto da verdade, e que somente alguém que lê meus escritos de forma muito superficial poderia ter uma ideia tão equivocada.

Não tenho animosidade.

Pelo contrário, tenho a maior admiração pelo cristianismo de Cristo, identificado com Jesus de Nazaré e corporificado no Sermão da Montanha.

Por outro lado, em perfeito acordo com "Leo", tenho o maior desprezo pelo cristianismo "eclesiástico", ou "igrejismo", como o chama o Sr. Laurence Oliphant—aquele que "Leo" descreve tão apropriadamente em sua crítica como uma "combinação de ignorância fraca e fanatismo". Contra esse cristianismo, como meu crítico confessa, "não é de admirar que os dardos do inimigo [leia-se teosofistas, ou, talvez, 'Madame Blavatsky'] sejam lançados". E se assim é, por que minha "violência e animosidade pessoal"—se é que existem—deveria ser repreendida por alguém que está de acordo comigo nisso? Ele acrescenta, é verdade, "Muito diferente é o grandioso e magnífico cristianismo que está por vir", e prossegue como se fosse esse cristianismo futuro contra o qual eu estivesse pecando em A Doutrina Secreta, assim como na vida privada.

Agora, não obstante a suspeita de "Leo" de que eu "evidentemente" me considero "superior a Éliphas Lévi", mesmo minha vaidade ultrajante nesse sentido dificilmente teria me sugerido qualquer "violência ou animosidade pessoal" contra o grandioso e magnífico cristianismo que está por vir.

Pois como poderia eu odiar aquilo que não existe em lugar algum até agora — fora do ventre da futuridade? Tanto quanto as “virgens tolas” podem, mesmo “Leo”, “saber o dia nem a hora em que o noivo [desse futuro cristianismo] vem”. Pois por qual cristianismo, então, sou eu levada a prestar contas? É pelo “cristianismo como atualmente existe”, ou pelo que agora está em gestação no cérebro de “Leo”? Evidentemente, meu crítico, que me acusa de ter negligenciado “a gestão das correntes”, ensinada por Éliphas Lévi, negligenciou-a tanto quanto, se não mais.


Ele procurou dirigir contra mim uma corrente de sarcasmo, e viu-se preso na mais fina corrente de ilogicidade paradoxal, tal que mesmo o grande Abade Louis Constant poderia muito bem invejá-lo.

Tampouco é mais feliz sua seleção de “perversão teosófica das ideias religiosas”.

Ele cita uma pergunta em A Doutrina Secreta: “. . . . . o que têm as outras nações a ver com aquela divindade nacional específica?”, i.e., Yahveh ou Jeová, e mostra-me tornando este último idêntico ao caos “O Sol e a Lua, o bem e o mal, Deus e demônio”. Mas, como em outra parte observo numa combinação de simbolismo inteiramente diferente, que “o Sol é o doador de vida a todo o sistema planetário; a Lua é a doadora de vida ao nosso globo”, “Leo” prontamente procede a fazer dessas duas observações (separadas, aliás, por quase 200 páginas, e relativas a assuntos inteiramente diferentes) uma proposição maior e uma menor, e daí extrai a seguinte conclusão silogística: “Portanto, o Deus dos judeus e dos cristãos é tanto Sol quanto Lua e Doador de Vida.” Ergo, Madame Blavatsky é culpada de uma grosseira contradição.

Ora, o “portanto” é uma conclusão que um francês chamaria de tirée par les cheveux.

Por que deveria ser Jeová dos judeus e dos cristãos, “portanto”, mais do que Aúra-Mazda dos parses, Osíris dos egípcios, ou Bel dos caldeus? E por que deveria Jeová ser chamado “o Deus dos cristãos”, uma vez que ele não é nomeado uma única vez no Novo Testamento, e uma vez que nenhum teosofista poderia falar com mais desprezo implícito

––––––––––     [A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 576.]     [A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 386.] ––––––––––

A DOUTRINA SECRETA

daquele deus tribal e de seus mandamentos do que o próprio Jesus? Leia “Leo” Mateus v, e veja se quase cada versículo dele não demole os Dez Mandamentos dados por aquela divindade sinaítica irada e ciumenta através de Moisés.

“Portanto”, eu aconselharia fortemente “Leo” antes de encontrar defeitos nos outros e expor suas supostas “contradições” — “com mente imparcial e tomando notas disso” — a estudar a Bíblia ele mesmo, e acima de tudo, a aprender a lê-la com entendimento.

Sinto-me muito grato, no entanto, por seu gentil conselho ao público para ler minha obra.

Isso é muito altruísta; tanto mais que, ao segui-lo, comparando-o com sua crítica, e “tomando notas”, nenhum homem com uma colher de chá de cérebro imparcial na cabeça pode deixar de ver que há mais contradições ilógicas na meia coluna ocupada pela carta denunciadora de “Leo” do que nas 1.500 páginas de A Doutrina Secreta.

Mas então as pessoas gostam de se ver impressas, e de dar cutucadas nos outros pelas costas, atrás da tela segura de um pseudônimo!                                                                             H. P. BLAVATSKY.

Escritos Reunidos VOLUME X                                            Dezembro, SONHOS


Reuniões realizadas em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 20 e 27 de dezembro de 1888; Sr. T.B. HARBOTTLE na Presidência.

(O seguinte é um Resumo dos ensinamentos durante várias reuniões que precederam as Transações da “Loja Blavatsky da S.T.”, quando as explicações das Estâncias de A Doutrina Secreta foram incorporadas em uma série regular de instruções.)

P. Quais são os “princípios” que estão ativos durante os sonhos?     R. Os “princípios” ativos durante os sonhos comuns — que devem ser distinguidos dos sonhos reais, e chamados de visões ociosas — são Kama, a sede do Ego pessoal e do desejo, despertado em atividade caótica pelas reminiscências adormecidas do Manas inferior.

P. O que é o “Manas inferior”?     R. É geralmente chamado de alma animal (o Nephesh dos cabalistas hebraicos). É o raio que emana do Manas superior ou EGO permanente, e é aquele “princípio” que forma a mente humana — nos animais, o instinto, pois os animais também sonham. A ação combinada de Kama e da “alma animal”, no entanto, é puramente mecânica.

É instinto, não razão, que está ativo neles.

Durante o sono do corpo, eles recebem e enviam mecanicamente choques elétricos de e para vários centros nervosos.

O cérebro é dificilmente impressionado por eles, e a memória os armazena, é claro, sem ordem ou sequência.

Ao despertar, essas impressões gradualmente se desvanecem, como toda sombra fugaz que não possui realidade básica ou substancial subjacente. A faculdade retentiva

––––––––––      [Publicado aqui na sequência cronológica correta, embora originalmente aparecendo como um “Apêndice” às Transactions of the Blavatsky Lodge, Parte I, pp. 49-64.—Compilador.]      A palavra sonho significa realmente “dormitar”—sendo esta última função chamada em russo de “dremat’”—ED. ––––––––––

SONHOS

do cérebro, no entanto, pode registrá-las e preservá-las se forem impressas com força suficiente.

Mas, como regra, nossa memória registra apenas as impressões fugidias e distorcidas que o cérebro recebe no momento do despertar.

Este aspecto dos “sonhos”, contudo, já foi suficientemente observado e é descrito com bastante precisão nas obras fisiológicas e biológicas modernas, pois tais sonhos humanos não diferem muito dos dos animais.

O que é inteiramente terra incógnita para a Ciência são os sonhos e experiências reais do EGO superior, que também são chamados de sonhos, mas não deveriam ser assim denominados, ou então o termo para as outras “visões” do sono deveria ser mudado.

P. Como estes diferem?     R. A natureza e as funções dos sonhos reais não podem ser compreendidas a menos que admitamos a existência de um Ego imortal no homem mortal, independente do corpo físico, pois o assunto se torna completamente ininteligível a menos que acreditemos—o que é um fato—que durante o sono permanece apenas uma forma animada de barro, cujos poderes de pensamento independente estão inteiramente paralisados.

Mas se admitirmos a existência de um Ego superior ou permanente em nós—Ego este que não deve ser confundido com o que chamamos de “Eu Superior”—podemos compreender que o que muitas vezes consideramos sonhos, geralmente aceitos como fantasias ociosas, são, na verdade, páginas soltas arrancadas da vida e das experiências do homem interior, e cuja vaga lembrança, no momento do despertar, torna-se mais ou menos distorcida por nossa memória física.

Esta última capta mecanicamente algumas impressões dos pensamentos, fatos testemunhados e ações realizadas pelo homem interior durante suas horas de completa liberdade.

Pois nosso Ego vive sua própria vida separada dentro de sua prisão de barro sempre que se liberta dos entraves da matéria, ou seja, durante o sono do homem físico.

É este Ego que é o ator, o homem real, o verdadeiro eu humano.

Mas o homem físico não pode sentir ou estar consciente durante os sonhos; pois a personalidade, o homem exterior, com seu cérebro e aparato pensante, está paralisada de forma mais ou menos completa.

Poderíamos muito bem comparar o Ego real a um prisioneiro, e a personalidade física ao carcereiro de sua prisão.

Se o carcereiro adormece, o prisioneiro escapa, ou, pelo menos, passa para fora dos muros de sua prisão.


O carcereiro está meio adormecido e olha, balançando a cabeça o tempo todo, por uma janela, através da qual só pode captar vislumbres ocasionais de seu prisioneiro, como se fosse uma espécie de sombra se movendo diante dela. Mas o que pode ele perceber, e o que pode saber das ações reais, e especialmente dos pensamentos, de seu encarregado?     P. Não se imprimem os pensamentos de um sobre o outro?     R. Não durante o sono, de modo algum; pois o Ego real não pensa como o faz sua personalidade evanescente e temporária.

Durante as horas de vigília, os pensamentos e a Voz do Ego Superior alcançam ou não seu carcereiro — o homem físico, pois são a Voz de sua Consciência, mas durante seu sono são absolutamente a "Voz no deserto". Nos pensamentos do homem real, ou da "Individualidade" imortal, as imagens e visões do Passado e do Futuro são como o Presente; nem são seus pensamentos como os nossos, imagens subjetivas em nossa cerebração, mas atos e feitos vivos, atualidades presentes.

São realidades, mesmo como eram quando a fala expressa em sons não existia; quando os pensamentos eram coisas, e os homens não precisavam expressá-los em discursos, pois instantaneamente se realizavam em ação pelo poder de Kriya-śakti, esse poder misterioso que transforma instantaneamente ideias em formas visíveis, e estas eram tão objetivas para o "homem" da terceira Raça primitiva quanto os objetos da visão são agora para nós.     P. Como, então, a Filosofia Esotérica explica a transmissão de mesmo alguns fragmentos desses pensamentos do Ego à nossa memória física, que ela às vezes retém?     R. Todos esses são refletidos no cérebro do adormecido como sombras externas nas paredes de lona de uma tenda, que o ocupante vê ao despertar.

Então o homem pensa que sonhou tudo aquilo, e sente como se tivesse vivido algo, enquanto na realidade são as ações-pensamento do verdadeiro Ego que ele percebeu vagamente.

À medida que desperta completamente, suas recordações tornam-se a cada minuto mais distorcidas, e se misturam com as imagens

SONHOS

projetadas do cérebro físico, sob a ação do estímulo que faz o dorminhoco despertar.

Essas recordações, pelo poder da associação, colocam em movimento várias correntes de ideias.

P. É difícil ver como o Ego pode estar agindo durante a noite sobre coisas que aconteceram há muito tempo.

Não foi dito que os sonhos não são subjetivos?     R. Como podem ser subjetivos quando o próprio estado de sonho é, para nós e em nosso plano, de qualquer forma, um estado subjetivo? Para o sonhador (o Ego), em seu próprio plano, as coisas nesse plano são tão objetivas para ele quanto nossos atos o são para nós.     P. Quais são os sentidos que atuam nos sonhos?     R. Os sentidos do dorminhoco recebem choques ocasionais e são despertados para uma ação mecânica; o que ele ouve e vê são, como foi dito, um reflexo distorcido dos pensamentos do Ego.

Este último é altamente espiritual e está ligado muito de perto aos princípios superiores, Buddhi e Atma.

Esses princípios superiores são inteiramente inativos em nosso plano, e o Ego superior (Manas) em si mesmo está mais ou menos adormecido durante o estado de vigília do homem físico.

Este é especialmente o caso de pessoas de mente muito materialista.

Tão adormecidas estão as faculdades espirituais, porque o Ego está tão acorrentado pela matéria, que mal pode dar toda a sua atenção às ações do homem, mesmo que este cometa pecados pelos quais esse Ego — quando reunido com seu Manas inferior — terá que sofrer conjuntamente no futuro.

É, como eu disse, as impressões projetadas no homem físico por esse Ego que constituem o que chamamos de "consciência"; e na proporção em que a Personalidade, a Alma inferior (ou Manas), se une à sua consciência superior, ou EGO, a ação deste último sobre a vida do homem mortal torna-se mais marcante.

P. Então, esse Ego é o "Ego Superior"?     R. Sim; é o Manas superior iluminado por Buddhi; o princípio da autoconsciência, o "eu-sou-eu", em suma.

É o Karana Sharira, o homem imortal, que passa de uma encarnação para outra.

P. O "registro" ou "tábua da memória" para o verdadeiro estado de sonho é diferente do da vida de vigília?


R. Uma vez que os sonhos são, na realidade, as ações do Ego durante o sono físico, eles são, naturalmente, registrados em seu próprio plano e produzem seus efeitos apropriados neste.

Mas deve-se sempre lembrar que os sonhos em geral, e como os conhecemos, são simplesmente nossas recordações vagas e confusas desses fatos.

Acontece com frequência, de fato, que não temos lembrança alguma de ter sonhado, mas mais tarde, durante o dia, a lembrança do sonho subitamente nos vem à mente. Há muitas causas para isso.

É análogo ao que às vezes acontece a cada um de nós. Frequentemente, uma sensação, um cheiro, até um ruído casual ou um som, traz instantaneamente à nossa mente eventos, cenas e pessoas há muito esquecidos.

Algo do que foi visto, feito ou pensado pelo "ator noturno", o Ego, imprimiu-se naquele momento no cérebro físico, mas não foi trazido à memória consciente e desperta, devido a alguma condição ou obstáculo físico.

Essa impressão é registrada no cérebro em sua célula ou centro nervoso apropriado, mas, devido a alguma circunstância acidental, ela "fica em suspenso", por assim dizer, até que algo lhe dê o impulso necessário.

Então o cérebro a libera imediatamente na memória consciente do homem desperto; pois, assim que as condições exigidas são fornecidas, aquele centro particular entra de imediato em atividade e realiza o trabalho que tinha a fazer, mas que foi impedido de completar na ocasião.

P. Como ocorre esse processo?     R. Há uma espécie de comunicação telegráfica consciente ocorrendo incessantemente, dia e noite, entre o cérebro físico e o homem interior.

O cérebro é algo tão complexo, tanto física quanto metafisicamente, que é como uma árvore cuja casca você pode remover camada por camada, cada camada sendo diferente de todas as outras e cada uma tendo seu próprio trabalho, função e propriedades específicas.

P. O que distingue a memória e a imaginação "oníricas" daquelas da consciência desperta?     R. Durante o sono, a memória e a imaginação físicas estão, é claro, passivas, porque o sonhador está dormindo:

SONHOS

seu cérebro está dormindo, sua memória está dormindo, todas as suas funções estão dormentes e em repouso.

É somente quando são estimuladas, como lhe disse, que são despertadas.

Assim, a consciência do dorminhoco não é ativa, mas passiva.

O homem interior, no entanto, o verdadeiro Ego, age independentemente durante o sono do corpo; mas é duvidoso que qualquer um de nós — a menos que esteja completamente familiarizado com a fisiologia do ocultismo — pudesse compreender a natureza de sua ação.

P. Que relação têm a Luz Astral e o Akâsa com a memória?      R. A primeira é a "tábua da memória" do homem animal; o último, a do Ego espiritual.

Os “sonhos” do Ego, tanto quanto os atos do homem físico, são todos registrados, pois ambos são ações baseadas em causas e produzindo resultados.

Nossos “sonhos”, sendo simplesmente o estado de vigília e as ações do verdadeiro Eu, devem, naturalmente, ser registrados em algum lugar.

Leia “Visões Kármicas” em *Lucifer*, e observe a descrição do Ego real, sentado como espectador da vida do herói, e talvez algo lhe chame a atenção.

P. O que é, na realidade, a Luz Astral?  
R. Como a Filosofia Esotérica nos ensina, a Luz Astral é simplesmente o resíduo de Akâsha, ou da Ideação Universal em seu sentido metafísico.

Embora invisível, é, por assim dizer, a radiação fosforescente desta última, e é o meio entre ela e as faculdades de pensamento do homem.

São estas que poluem a Luz Astral e a tornam o que ela é — o depósito de todas as iniquidades humanas e, especialmente, psíquicas.

Em sua gênese primordial, a luz astral, como radiação, é bastante pura, embora, quanto mais desce aproximando-se de nossa esfera terrestre, mais se diferencia e, como resultado, torna-se impura em sua própria constituição.

Mas o homem contribui consideravelmente para essa poluição e devolve-lhe sua essência muito pior do que quando a recebeu.

––––––––––      [Vol. II, No. 10, junho de 1888, pp. 311-22. Incorporado ao Vol. IX da presente Série, em sua sequência cronológica correta.—Compilador.] –––––––––– P. Pode explicar-nos como ela se relaciona com o homem e sua ação na vida onírica?

R. A diferenciação no mundo físico é infinita.

A Ideação Universal — ou Mahat, se preferir — envia sua radiação homogênea ao mundo heterogêneo, e esta alcança as mentes humanas ou pessoais através da Luz Astral.

P. Mas não recebem nossas mentes suas iluminações diretamente do Manas superior através do inferior? E não é o primeiro a emanação pura da Ideação divina — os “Manasa-Putras”, que encarnaram nos homens?  
R. São.

Os Manasa-Putras individuais, ou os Kumaras, são as radiações diretas da Ideação divina — “individuais” no sentido de diferenciação posterior devido a inúmeras encarnações.

Em suma, são a agregação coletiva dessa Ideação, tornando-se em nosso plano, ou do nosso ponto de vista, Mahat, assim como os Dhyan Chohans são, em seu agregado, o VERBO ou “Logos” na formação do Mundo.

Se as Personalidades (Manas inferior ou as mentes físicas) fossem inspiradas e iluminadas unicamente por seus Egos superiores, haveria pouco pecado neste mundo.

Mas não são; e, enredando-se nas malhas da Luz Astral, separam-se cada vez mais de seus Egos progenitores.

Leia e estude o que Éliphas Lévi diz da Luz Astral, que ele chama de Satanás e a Grande Serpente.

A Luz Astral foi levada literalmente demais, como se fosse uma espécie de segundo céu azul.

Esse espaço imaginário, no entanto, sobre o qual estão impressas as inúmeras imagens de tudo o que já foi, é e será, é apenas uma realidade demasiado triste.

Torna-se, no homem e para o homem—se é que ele é psíquico, e quem não é?—um Demônio tentador, seu "anjo mau", e o inspirador de todas as nossas piores ações.

Ela age sobre a vontade até do homem adormecido, através de visões impressas em seu cérebro sonolento (visões que não devem ser confundidas com os "sonhos"), e esses germes dão fruto quando ele desperta.

P. Qual é o papel desempenhado pela Vontade nos sonhos?     R. A vontade do homem exterior, nossa volição, está naturalmente adormecida e inativa durante os sonhos; mas uma certa inclinação pode ser dada à vontade adormecida durante sua inatividade, e certos resultados posteriores podem ser desenvolvidos pela interação mútua—produzida quase mecanicamente—através da união entre dois ou mais "princípios" em um só, de modo que eles agirão em perfeita harmonia, sem qualquer atrito ou uma única nota falsa, quando despertos.

Mas isso é um dos truques da "magia negra", e, quando usado para bons propósitos, pertence ao treinamento de um Ocultista.

É preciso estar bem avançado no "caminho" para ter uma vontade que possa agir conscientemente durante o sono físico, ou agir sobre a vontade de outra pessoa durante o sono desta, por exemplo, para controlar seus sonhos e, assim, controlar suas ações quando desperto.

P. Somos ensinados que um homem pode unir todos os seus "princípios" em um só—o que isso significa?     R. Quando um adepto consegue fazer isso, ele é um Jivanmukta: ele não é mais virtualmente deste mundo e se torna um Nirvanee, que pode entrar em Samadhi à vontade.

Os adeptos são geralmente classificados pelo número de "princípios" que têm sob seu controle perfeito, pois aquilo que chamamos de vontade tem sua sede no EGO superior, e este, quando está livre de sua personalidade carregada de pecado, é divino e puro.

P. Qual é o papel do Karma nos sonhos? Na Índia, dizem que todo homem recebe a recompensa ou punição de todos os seus atos, tanto no estado de vigília quanto no de sonho.

A. Se assim dizem, é porque preservaram em toda a sua pureza e recordaram as tradições de seus antepassados.

Eles sabem que o Self é o Ego real, e que ele vive e age, embora em um plano diferente.

A vida externa é um "sonho" para esse Ego, enquanto a vida interna, ou a vida no que chamamos de plano dos sonhos, é a vida real para ele. E assim os hindus (os profanos, é claro) dizem que o Karma é generoso e recompensa o homem real nos sonhos, assim como recompensa a falsa personalidade na vida física.

P. Qual é a diferença, "karmicamente", entre os dois?
R. O homem animal físico é tão pouco responsável quanto um cão ou um camundongo.

Pois para a forma corpórea tudo termina com a morte do corpo.

Mas o verdadeiro SELF, aquele que 254 BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

emanou sua própria sombra, ou a personalidade pensante inferior, que representou e puxou os cordéis durante a vida do autômato físico, terá que sofrer conjuntamente com seu factótum e alter ego em sua próxima encarnação.

P. Mas os dois, o Manas superior e o inferior, são um, não são?
R. São, e contudo não são — e esse é o grande mistério.

O Manas Superior ou EGO é essencialmente divino e, portanto, puro; nenhuma mancha pode poluí-lo, assim como nenhum castigo pode alcançá-lo, per se, tanto mais porque é inocente e não participa das transações deliberadas de seu Ego Inferior.

Contudo, pelo próprio fato de que, embora dual e durante a vida o Superior seja distinto do Inferior, "o Pai e o Filho" são um, e porque, ao reunir-se com o Ego parental, a Alma Inferior fixa e imprime sobre ele todas as suas ações, tanto más quanto boas — ambos têm que sofrer; o Ego Superior, embora inocente e sem mácula, tem que suportar o castigo dos delitos cometidos pelo Self inferior juntamente com ele em sua futura encarnação.

Toda a doutrina da expiação é construída sobre este antigo tenet esotérico; pois o Ego Superior é o antítipo daquilo que nesta terra é o tipo, a saber, a personalidade.

É, para aqueles que o compreendem, a antiga história védica de Visvakarman novamente, demonstrada na prática.

Visvakarman, o Pai-Deus que tudo vê, que está além da compreensão dos mortais, termina, como filho de Bhuvana, o Espírito Santo, sacrificando-se a si mesmo, para salvar os mundos.

O nome místico do "Ego Superior" é, na filosofia indiana, Kshetrajña, ou "Espírito encarnado", aquele que conhece ou informa Kshetra, "o corpo". Etimologize o nome e encontrará nele o termo aja, "primogênito", e também o "cordeiro". Tudo isso é muito sugestivo, e volumes poderiam ser escritos sobre o desenvolvimento pré-genético e pós-genético do tipo e do antítipo—de

–––––––––– [Considerando a natureza altamente metafísica do ensinamento envolvido, esta palavra poderia ser usada aqui no sentido de "protótipo", e então seria grafada "antetipo". Deixamo-la inalterada, pois o significado é algo incerto.—Compilador.] ––––––––––

SONHOS

Cristo-Kshetrajña, o "Deus-Homem", o Primogênito, simbolizado como o "cordeiro". A Doutrina Secreta mostra que os Manasa-Putras, ou EGOS encarnantes, assumiram sobre si mesmos, voluntária e conscientemente, o fardo de todos os pecados futuros de suas futuras personalidades.

Daí é fácil ver que não é o Sr. A. nem o Sr. B., nem qualquer das personalidades que periodicamente revestem o EGO Auto-Sacrificante, que são os verdadeiros Sofredores, mas verdadeiramente o inocente Christos dentro de nós. Por isso os hindus místicos dizem que o Eu Eterno, ou o Ego (o um em três e três em um), é o "Cocheiro" ou condutor; as personalidades são os passageiros temporários e evanescentes; enquanto os cavalos são as paixões animais do homem.

É, então, verdadeiro dizer que quando permanecemos surdos à Voz de nossa Consciência, crucificamos o Christos dentro de nós. Mas voltemos aos sonhos.

P. Os chamados sonhos proféticos são um sinal de que o sonhador possui fortes faculdades clarividentes? R. Pode-se dizer, no caso de pessoas que têm sonhos verdadeiramente proféticos, que é porque seus cérebros físicos e memória estão em relação mais próxima e em sintonia com seu "Ego Superior" do que na generalidade dos homens.

O Ego-Self tem mais facilidades para imprimir sobre o invólucro físico e a memória aquilo que é de importância para tais pessoas do que tem no caso de outras pessoas menos dotadas.

Lembre-se de que o único deus com quem o homem entra em contato é seu próprio deus, chamado Espírito, Alma e Mente, ou Consciência, e esses três são um.

Mas são ervas daninhas que devem ser destruídas para que uma planta possa crescer.

Devemos morrer, disse São Paulo, para que possamos viver novamente.

É através da destruição que podemos melhorar, e os três poderes, o preservador, o criador e o destruidor, são apenas outros tantos aspectos da centelha divina dentro do homem.

P. Os Adeptos sonham? R. Nenhum Adepto avançado sonha.

Um adepto é aquele que obteve domínio sobre seus quatro princípios inferiores, incluindo seu corpo, e portanto não permite que a carne siga seu próprio caminho.

Ele simplesmente paralisa seu Eu inferior durante o Sono e torna-se perfeitamente livre.

Um sonho, como nós o entendemos, é uma ilusão.


Sonharia então um adepto, quando já se livrou de toda outra ilusão? Em seu sono, ele simplesmente vive em outro plano, e mais real.

P. Há pessoas que nunca sonharam? R. Não existe tal homem no mundo, que eu saiba.

Todos sonham mais ou menos; apenas, na maioria, os sonhos desaparecem subitamente ao despertar.

Isso depende da condição mais ou menos receptiva dos gânglios cerebrais.

Homens não espirituais, e aqueles que não exercitam suas faculdades imaginativas, ou aqueles que o trabalho manual exauriu, de modo que os gânglios não atuam nem mesmo mecanicamente durante o repouso, raramente sonham, se é que sonham, com alguma coerência.

P. Qual é a diferença entre os sonhos dos homens e os das bestas? R. O estado de sonho é comum não apenas a todos os homens, mas também a todos os animais, naturalmente, desde os mamíferos mais elevados até as menores aves, e mesmo insetos.

Todo ser dotado de um cérebro físico, ou de órgãos que se aproximem disso, deve sonhar.

Todo animal, grande ou pequeno, tem, mais ou menos, sentidos físicos; e embora esses sentidos estejam amortecidos durante o sono, a memória ainda atuará, por assim dizer, mecanicamente, reproduzindo sensações passadas.

Que cães, cavalos e gado sonham, todos sabemos, e o mesmo ocorre com os canários, mas tais sonhos são, creio eu, meramente fisiológicos.

Como as últimas brasas de um fogo moribundo, com seu clarão espasmódico e chamas ocasionais, assim age o cérebro ao adormecer.

Os sonhos não são, como diz Dryden, "interlúdios que a fantasia cria", pois isso só pode se referir a sonhos fisiológicos provocados por indigestão, ou por alguma ideia ou evento que se imprimiu no cérebro ativo durante as horas de vigília.

P. Qual é, então, o processo de adormecer? R. Isso é parcialmente explicado pela Fisiologia.

Diz-se pelo Ocultismo que é a exaustão periódica e regulada dos centros nervosos, e especialmente dos gânglios sensoriais do cérebro, que se recusam a atuar por mais tempo neste plano e, se não quisessem tornar-se inaptos para o trabalho, são compelidos a recuperar suas forças em outro plano ou Upadhi.

Primeiro vem o Svapna, ou

SONHOS

estado de sonho, e isso conduz ao de Sushupti.

Agora deve-se lembrar que nossos sentidos são todos duais e agem de acordo com o plano de consciência no qual a entidade pensante energiza.

O sono físico oferece a maior facilidade para sua ação nos vários planos; ao mesmo tempo, é uma necessidade, para que os sentidos possam se recuperar e obter uma nova concessão de vida para o estado Jagrata, ou de vigília, a partir do Svapna e do Sushupti.

Segundo o Raj Yoga, Turya é o estado mais elevado.

Assim como um homem exausto por um estado do fluido vital busca outro; como, por exemplo, quando exausto pelo ar quente, ele se refresca com água fria; assim o sono é o recanto sombreado no vale ensolarado da vida.

O sono é um sinal de que a vida desperta se tornou forte demais para o organismo físico, e que a força da corrente vital deve ser quebrada pela troca do estado de vigília pelo estado de sono.

Peça a um bom clarividente que descreva a aura de uma pessoa recém-revigorada pelo sono, e a de outra imediatamente antes de adormecer.

A primeira será vista banhada em vibrações rítmicas das correntes vitais—douradas, azuis e rosadas; estas são as ondas elétricas da Vida.

A última está, por assim dizer, em uma névoa de intensa tonalidade dourado-alaranjada, composta de átomos girando com uma rapidez espasmódica quase incrível, mostrando que a pessoa começa a estar saturada demais de Vida; a essência vital é forte demais para seus órgãos físicos, e ela deve buscar alívio no lado sombrio dessa essência, lado esse que é o elemento onírico, ou o sono físico, um dos estados de consciência.

P. Mas o que é um sonho?      R. Isso depende do significado do termo.

Você pode "sonhar", ou, como dizemos, ter visões de sono, acordado ou adormecido.

Se a Luz Astral for coletada em um copo ou vaso de metal pela força de vontade, e os olhos fixados em algum ponto dela com uma forte vontade de ver, uma visão em vigília ou "sonho" é o resultado, se a pessoa for ao menos um pouco sensitiva.

Os reflexos na Luz Astral são vistos melhor com os olhos fechados e, no sono, ainda mais distintamente.

De um estado lúcido, a visão torna-se translúcida; da consciência orgânica normal, ela se eleva a um estado transcendental de consciência.


P. A que causas os sonhos se devem principalmente?       R. Há muitos tipos de sonhos, como todos sabemos.

Deixando de lado o "sonho de digestão", há sonhos cerebrais e sonhos de memória, visões mecânicas e conscientes.

Sonhos de advertência e premonição requerem a cooperação ativa do Ego interior.

Eles também são frequentemente devidos à cooperação consciente ou inconsciente dos cérebros de duas pessoas vivas, ou de seus dois Egos.

P. O que é que sonha, então?     R. Geralmente o cérebro físico do Ego pessoal, a sede da memória, irradiando e lançando faíscas como as brasas moribundas de um fogo.

A memória do dorminhoco é como uma harpa eólica de sete cordas; e seu estado de mente pode ser comparado ao vento que varre as cordas.

A corda correspondente da harpa responderá àquele dos sete estados de atividade mental em que o dorminhoco estava antes de adormecer.

Se é uma brisa suave, a harpa será afetada pouco; se um furacão, as vibrações serão proporcionalmente poderosas.

Se o Ego pessoal está em contato com seus princípios superiores e os véus dos planos superiores são afastados, tudo está bem; se, ao contrário, é de natureza materialista e animal, provavelmente não haverá sonhos; ou se a memória, por acaso, captar o sopro de um "vento" de um plano superior, visto que será impressionada através dos gânglios sensoriais do cerebelo, e não pela agência direta do Ego espiritual, receberá imagens e sons tão distorcidos e inarmônicos que mesmo uma visão devachânica pareceria um pesadelo ou uma caricatura grotesca.

Portanto, não há uma resposta simples para a pergunta "O que é que sonha", pois depende inteiramente de cada indivíduo qual princípio será o motor principal nos sonhos, e se eles serão lembrados ou esquecidos.

P. A aparente objetividade em um sonho é realmente objetiva ou subjetiva?     R. Se é admitido que é aparente, então, é claro, é subjetiva.

A pergunta deveria ser antes: para quem ou para que as imagens ou representações nos sonhos são objetivas ou subjetivas? Para o homem físico, o sonhador,

ANNIE BESANT                               Fotografia tirada em Londres em                                                   SONHOS

tudo o que ele vê com os olhos fechados, e em ou através de sua mente, é, naturalmente, subjetivo.

Mas para o Vidente dentro do sonhador físico, esse próprio Vidente sendo subjetivo para nossos sentidos materiais, tudo o que ele vê é tão objetivo quanto ele é para si mesmo e para outros como ele.

Os materialistas provavelmente rirão e dirão que fazemos de um homem uma família inteira de entidades, mas não é assim. O Ocultismo ensina que o homem físico é um, mas o homem pensante é setenário, pensando, agindo, sentindo e vivendo em sete diferentes estados de ser ou planos de consciência, e que para todos esses estados e planos o Ego permanente (não a falsa personalidade) possui um conjunto distinto de sentidos.

P. Podem esses diferentes sentidos ser distinguidos?
R. Não, a menos que você seja um Adepto ou um Chela altamente treinado, completamente familiarizado com esses diferentes estados.

Ciências como biologia, fisiologia e até mesmo psicologia (das escolas de Maudsley, Bain e Herbert Spencer) não tocam nesse assunto.

A ciência nos ensina sobre os fenômenos da volição, sensação, intelecto e instinto, e diz que todos eles se manifestam através dos centros nervosos, o mais importante dos quais é o nosso cérebro.

Ela falará do agente ou substância peculiar através do qual esses fenômenos ocorrem como os tecidos vasculares e fibrosos, e explicará sua relação entre si, dividindo os centros ganglionares em motores, sensoriais e simpáticos, mas nunca pronunciará uma palavra sobre o misterioso agente do próprio intelecto, ou sobre a mente e suas funções.

Agora, acontece frequentemente que estamos conscientes e sabemos que estamos sonhando; isso é uma prova muito boa de que o homem é um ser múltiplo no plano do pensamento; de modo que não apenas o Ego, ou homem pensante, é Proteu, uma entidade multiforme, em constante mudança, mas ele também é, por assim dizer, capaz de se separar no plano da mente ou do sonho em duas ou mais entidades; e no plano da ilusão que nos segue até o limiar do Nirvâna, ele é como Ain-Soph falando com Ain-Soph, mantendo um diálogo consigo mesmo e falando através de si mesmo, sobre si mesmo e para si mesmo.

E este é o mistério da Deidade insondável no Zohar, como nas filosofias hindus; é o mesmo na Cabala, nos Puranas, na metafísica Vedanta, ou mesmo no chamado mistério cristão da Divindade e da Trindade.


O homem é o microcosmo do macrocosmo; o deus na terra é construído segundo o padrão do deus na natureza.

Mas a consciência universal do Ego real transcende um milhão de vezes a autoconsciência do Ego pessoal ou falso.

P. Aquilo que se chama "cerebração inconsciente" durante o sono é um processo mecânico do cérebro físico, ou é uma operação consciente do Ego, cujo resultado apenas é impresso na consciência ordinária? R. É o último; pois é possível lembrar, em nosso estado consciente, o que se passou enquanto nosso cérebro trabalhava inconscientemente? Isso é aparentemente uma contradição em termos.

P. Como acontece que pessoas que nunca viram montanhas na natureza frequentemente as veem distintamente durante o sono e conseguem notar suas feições? R. Muito provavelmente porque viram gravuras de montanhas; caso contrário, é alguém ou algo em nós que as viu anteriormente.

P. Qual é a causa daquela experiência nos sonhos em que o sonhador parece estar sempre se esforçando por algo, mas nunca o alcança? R. É porque o eu físico e sua memória estão excluídos da possibilidade de saber o que o verdadeiro Ego faz.

O sonhador apenas capta débeis vislumbres dos feitos do Ego, cujas ações produzem o chamado sonho no homem físico, mas não consegue segui-lo consecutivamente.

Um paciente delirante, ao se recuperar, mantém a mesma relação com a enfermeira que o observou e cuidou em sua doença que o homem físico mantém com seu verdadeiro Ego.

O Ego age tão conscientemente dentro e fora dele quanto a enfermeira age ao cuidar e velar pelo doente.

Mas nem o paciente, depois de deixar o leito de enfermo, nem o sonhador, ao despertar, poderão lembrar de nada exceto em fragmentos e vislumbres.

P. Como o sono difere da morte? R. Há uma analogia certamente, mas uma diferença muito grande entre os dois.

No sono há uma conexão, embora fraca, entre a mente inferior

SONHOS

e a mente superior do homem, e esta última é mais ou menos refletida na primeira, por mais que seus raios possam ser distorcidos.

Mas uma vez que o corpo está morto, o corpo de ilusão, Mayavi Rupa, torna-se Kama Rupa, ou a alma animal, e é deixado à sua própria sorte.

Portanto, há tanta diferença entre o espectro e o homem quanto há entre um mortal grosseiro, material, animal, mas sóbrio, e um homem incapazmente embriagado e incapaz de distinguir os arredores mais proeminentes; entre uma pessoa encerrada em um quarto perfeitamente escuro e uma em um quarto iluminado, ainda que imperfeitamente, por alguma luz ou outra.

Os princípios inferiores são como feras selvagens, e o Manas superior é o homem racional que os doma ou subjuga com mais ou menos sucesso.

Mas, uma vez que o animal se liberta do mestre que o mantinha em sujeição; assim que cessa de ouvir sua voz e vê-lo, parte novamente para a selva e sua antiga toca.

Leva, no entanto, algum tempo para um animal retornar ao seu estado original e natural, mas esses princípios inferiores ou “espectro” retornam instantaneamente, e assim que a Tríade superior entra no estado devachânico, a Tríade inferior torna-se novamente o que era desde o início, um princípio dotado de instinto puramente animal, tornado ainda mais feliz pela grande mudança.

P. Qual é a condição do Linga Sharira, ou corpo plástico, durante os sonhos?
R. A condição da forma plástica é dormir com seu corpo, a menos que seja projetada por algum desejo poderoso gerado no Manas superior.

Nos sonhos, ela não desempenha papel ativo, mas, ao contrário, é inteiramente passiva, sendo a testemunha involuntária e semissonolenta das experiências pelas quais os princípios superiores estão passando.

P. Sob que circunstâncias essa aparição é vista?
R. Às vezes, em casos de doença ou paixão muito forte por parte da pessoa vista ou da pessoa que vê; a possibilidade é mútua.

Uma pessoa doente, especialmente pouco antes da morte, tem grande probabilidade de ver em sonho, ou visão, aqueles que ama e em quem pensa continuamente, e o mesmo ocorre com uma pessoa desperta, mas que pensa intensamente em uma pessoa que está dormindo naquele momento.


P. Pode um mago evocar tal entidade sonhadora e ter intercâmbio com ela?
R. Na magia negra, não é raro evocar o “espírito” de uma pessoa adormecida; o feiticeiro pode então aprender com a aparição qualquer segredo que escolher, e o dorminhoco permanece totalmente ignorante do que está ocorrendo.

Sob tais circunstâncias, o que aparece é o Mayavi rupa; mas há sempre o perigo de que a memória do homem vivo preserve as recordações da evocação e a lembre como um sonho vívido.

Se não estiver, porém, a grande distância, o Duplo ou Linga Sharira pode ser evocado, mas este não pode falar nem dar informações, e há sempre a possibilidade de o dorminhoco ser morto por essa separação forçada.

Muitas mortes súbitas durante o sono ocorreram assim, e o mundo não ficou mais sábio.

P. Pode haver alguma conexão entre um sonhador e uma entidade no "Kama Loka"?  
R. O sonhador de uma entidade no Kama Loka provavelmente traria sobre si um pesadelo, ou correria o risco de se tornar "possuído" pelo "fantasma" assim atraído, se por acaso fosse um médium, ou alguém que se tivesse tornado tão passivo durante suas horas de vigília que até mesmo seu Eu Superior já não é capaz de protegê-lo.

É por isso que o estado mediúnico de passividade é tão perigoso e, com o tempo, torna o Eu Superior inteiramente impotente para auxiliar ou mesmo advertir a pessoa adormecida ou em transe.

A passividade paralisa a conexão entre os princípios inferior e superior.

É muito raro encontrar casos de médiuns que, permanecendo passivos à vontade, com o propósito de se comunicar com alguma inteligência superior, algum espírito extraterreno (não desencarnado), ainda assim preservem suficientemente sua vontade pessoal para não romper toda a conexão com o Eu Superior.

P. Pode um sonhador estar "em rapport" com uma entidade no Devachan?  
R. O único meio possível de se comunicar com os devachaneses é durante o sono, por um sonho ou visão, ou em estado de transe.

Nenhum devachanês pode descer ao nosso plano; cabe a nós — ou melhor, ao nosso Eu interior — ascender ao dele.

SONHOS

P. Qual é o estado de espírito de um bêbado durante o sono?  
R. Não é um sono real, mas um estupor pesado; nenhum descanso físico, mas pior que a insônia, e mata o bêbado tão rapidamente.

Durante tal estupor, assim como também durante o estado de embriaguez em vigília, tudo gira e rodopia no cérebro, produzindo na imaginação e na fantasia formas horríveis e grotescas em contínuo movimento e convulsões.

P. Qual é a causa do pesadelo, e como se explica que os sonhos de pessoas que sofrem de tísica avançada sejam frequentemente agradáveis?  
R. A causa do primeiro é simplesmente fisiológica.

Um pesadelo surge da opressão e da dificuldade em respirar; e a dificuldade em respirar sempre criará tal sensação de opressão e produzirá uma sensação de calamidade iminente.

No segundo caso, os sonhos tornam-se agradáveis porque o tísico se separa cada vez mais, diariamente, de seu corpo material, e se torna mais clarividente na mesma proporção.

À medida que a morte se aproxima, o corpo definha e deixa de ser um impedimento ou barreira entre o cérebro do homem físico e seu Eu Superior.

P. É uma boa coisa cultivar o sonho?  
R. É cultivando o poder do que se chama "sonhar" que a clarividência se desenvolve.

P. Existe algum meio de interpretar sonhos—por exemplo, as interpretações dadas nos livros de sonhos?

R. Nenhum, exceto a faculdade clarividente e a intuição espiritual do "intérprete". Cada Ego sonhador difere de qualquer outro, assim como nossos corpos físicos diferem. Se tudo no universo tem sete chaves para seu simbolismo no plano físico, quantas chaves pode não ter nos planos superiores?

P. Existe alguma maneira de classificar os sonhos?

R. Podemos, grosseiramente, dividir os sonhos também em sete classes, e subdividi-las por sua vez.

Assim, nós os dividiríamos em:—

1. Sonhos proféticos.

Estes são impressos em nossa memória pelo Eu Superior, e são geralmente claros e nítidos: ou uma voz ouvida ou o evento vindouro previsto.


2. Sonhos alegóricos, ou vislumbres vagos de realidades captados pelo cérebro e distorcidos por nossa imaginação.

Estes são geralmente apenas meio verdadeiros.

3. Sonhos enviados por adeptos, bons ou maus, por mesmerizadores, ou pelos pensamentos de mentes muito poderosas determinadas a nos fazer cumprir sua vontade.

4. Retrospectivos; sonhos de eventos pertencentes a encarnações passadas.

5. Sonhos de advertência para outros que não conseguem ser impressionados por si mesmos.

6. Sonhos confusos, cujas causas foram discutidas acima.

7. Sonhos que são meras fantasias e imagens caóticas, devidos à digestão, a algum problema mental, ou a causa externa semelhante.

––––––––––                      Obras Completas VOLUME X                                Junho de 1893, e Abril,

VIBRAÇÕES OCULTAS

UM FRAGMENTO DE CONVERSA COM H.P.B. EM 1888.

[The Path, Nova York, Vol.

VIII, Junho de 1893, pp. 79-81]

O seguinte foi escrito por mim sob o ditado de H.P.B. em 1888, com o propósito de imprimi-lo naquela época.

Mas não foi usado então, e como o trouxe comigo, agora é de interesse.—W. Q. J.

––––––––––

Pergunta.—Ocorreu-me, ao pensar sobre a diferença entre pessoas comuns e um adepto ou mesmo um estudante parcialmente desenvolvido, que a taxa de vibração das moléculas do cérebro, bem como a coordenação destas com as vibrações do cérebro superior, pode estar na base da diferença e também poderia explicar muitos outros problemas.

––––––––––     [Esta Nota introdutória é de William Quan Judge.—Compilador.] ––––––––––

VIBRAÇÕES OCULTAS

H.P.B.—Assim é. Elas fazem diferenças e também causam muitos fenômenos curiosos; e as diferenças entre todas as pessoas são em grande parte devidas a vibrações de todos os tipos.

P.—Ao ler o artigo em The Path de abril de 1886, essa ideia foi novamente sugerida.

Abro na p. 6, Vol. I. “A Ressonância Divina é apenas a exalação do primeiro som do Aum inteiro. . . . Ela se manifesta não apenas como o poder que agita e anima as partículas do Universo, mas também na evolução e dissolução do homem, dos reinos animal e mineral, e dos sistemas solares. Entre os arianos, era representada no sistema planetário por Mercúrio, que sempre foi dito governar as faculdades intelectuais e ser o estimulador universal.” O que dizer disso?

H.P.B.—Mercúrio sempre foi conhecido como o deus da sabedoria secreta.

Ele é Hermes, assim como Budha, o filho de Soma.

Falando de assuntos no plano inferior, eu chamaria a “Ressonância Divina” que você leu em The Path de “vibrações” e o originador, ou aquilo que dá o impulso a todo tipo de fenômeno no plano astral.

P.—A diferença encontrada nos cérebros e naturezas humanas deve, então, ter sua raiz nas diferenças de vibração?

H.P.B.—Certamente sim.

P.—Falando da humanidade como um todo, é verdade que todos têm uma única chave ou taxa de vibração à qual respondem?

H.P.B.—Os seres humanos em geral são como tantas teclas de um piano, cada uma tendo seu próprio som, e a combinação das quais produz outros sons em variedade infinita.

Como a natureza inanimada, eles têm uma nota fundamental da qual todas as variedades de caráter e constituição procedem por mudança infinita.

Lembre-se do que foi dito em Ísis sem Véu, na p. xvi, Vol. I, “O universo é a combinação de mil elementos, e ainda assim a expressão de um único espírito—um caos para os sentidos [físicos], um cosmos para a razão” (manas).

P.—Até agora isso se aplica geralmente à natureza.

Isso explica a diferença entre o adepto e as pessoas comuns?

H.P.B.—Sim.

Essa diferença é que um adepto pode ser comparado àquela única tecla que contém todas as teclas na grande harmonia da natureza.

Ele tem a síntese de todas as teclas em seus pensamentos, enquanto o homem comum tem a mesma tecla como base, mas apenas age e pensa em uma ou poucas variações dessa grande tecla, produzindo com seu cérebro apenas alguns acordes de toda a grande harmonia possível.

P.—Tem isso a ver com o fato de um discípulo poder ouvir a voz de seu mestre através dos espaços astrais, enquanto outro homem não pode ouvir ou se comunicar com os adeptos?      H.P.B.—Isso se deve ao fato de que o cérebro de um chela é afinado pelo treinamento ao cérebro do Mestre.

Suas vibrações sincronizam-se com as do Adepto, e o cérebro não treinado não é assim afinado.

Portanto, o cérebro do chela é anormal, do ponto de vista da vida comum, enquanto o do homem comum é normal para fins mundanos.

Esta última pessoa pode ser comparada àqueles que são daltônicos.

P.—Como devo entender isso?      H.P.B.—O que é considerado normal sob o ponto de vista do médico é considerado anormal sob o ponto de vista do ocultismo, e vice-versa.

A diferença entre um sinaleiro daltônico que confunde as lâmpadas e o adepto que vê é que um toma uma cor pela outra, enquanto o adepto vê todas as cores em cada cor e, no entanto, não as confunde.

P.—Terá então o adepto elevado suas vibrações de modo a tê-las iguais às da natureza como um todo?      H.P.B.—Sim; os mais elevados adeptos.

Mas há outros adeptos que, embora vastamente adiantados em relação a todos os homens, ainda são incapazes de vibrar em tal grau.

P.—Pode o adepto produzir à sua vontade uma vibração que mude uma cor para outra?      H.P.B.—Ele pode produzir um som que alterará uma cor.

É o som que produz a cor, e não o contrário ou o oposto.

Correlacionando as vibrações de um som de maneira adequada, uma nova cor é criada.

P.—É verdade que no plano astral todo som produz sempre uma cor?

VIBRAÇÕES OCULTAS

H.P.B.—Sim; mas estas são invisíveis porque ainda não foram correlacionadas pelo cérebro humano de modo a se tornarem visíveis no plano terrestre.

Leia Galton, que apresenta experimentos com cores e sons vistos por psíquicos e sensitivos, mostrando que muitas pessoas sensitivas sempre veem uma cor para cada som.

O homem daltônico recebe as mesmas vibrações que mostrarão o vermelho, mas, não sendo capaz de senti-las, ele altera a quantidade, por assim dizer, e então vê uma cor correspondente às vibrações que pode perceber do total.

Seus sentidos astrais podem ver a cor verdadeira, mas o olho físico tem suas próprias vibrações, e estas, estando no plano externo, sobrepujam as outras por um tempo, e o homem astral é compelido a reportar ao cérebro que viu corretamente.

Pois em cada caso o estímulo externo é enviado ao homem interior, que então é forçado, por assim dizer, a aceitar a mensagem e a confirmá-la por enquanto, na medida do possível.

Mas há casos em que o homem interior é capaz de, mesmo assim, superar o defeito externo e fazer o cérebro ver a diferença.

Em muitos casos de loucura, a confusão entre as vibrações de todos os tipos é tão enorme que não há correlação entre o homem interior e o exterior, e temos então um caso de aberração.

Mas mesmo em alguns desses casos infelizes, a pessoa interior está o tempo todo ciente de que não é insana, mas não consegue se fazer entender.

Assim, muitas vezes pessoas são levadas à verdadeira insanidade por tratamento errado.

P.—Por que tipo de vibrações os elementais produzem cores e luzes variadas?      H.P.B.—Essa é uma pergunta que não posso responder, embora me seja bem conhecida. Não lhe disse eu que segredos poderiam ser revelados cedo demais?                          Collected Writings VOLUME X                                    Junho de 1893 e abril, CONVERSAS SOBRE OCULTISMO COM H.P.B.                               [The Path, Nova York, Vol.


IX, abril de 1894, pp. 17-21]

[A Nota Introdutória e vários comentários ao longo deste artigo, que não estão entre aspas, são da pena de William Quan Judge.]

Em 1875, 76, 77 e 78, minha intimidade com H.P.B. me deu muitas oportunidades de conversar com ela sobre o que então chamávamos de "Magia". Essas ocasiões úteis e, para mim, muito maravilhosas, aconteciam tarde da noite e às vezes durante o dia.

Eu então tinha o hábito de visitá-la durante o dia sempre que podia me afastar do escritório.

Muitas vezes fiquei em seu apartamento com o propósito de ouvir e ver o máximo que pudesse.

Mais tarde, em 1884, passei muitas semanas com ela na Rue Notre-Dame-des-Champs, em Paris, sentado ao seu lado dia após dia e noite após noite; ainda mais tarde, em 1888, estando com ela em Londres, em Holland Park, tive mais algumas oportunidades. Parte do que ela disse publico aqui para o bem daqueles que podem se beneficiar de suas palavras.

Certamente nenhum ocultista prático maior é conhecido neste século: desse ponto de vista, o que ela disse terá certo peso útil para alguns.

SOBRE DEVACHAN

Este termo não estava em uso naquela época.

A conversa era sobre passos no Caminho e retornar aqui novamente.

Em resposta a uma pergunta:     "Sim, você já esteve aqui e nisto antes."

Você nasceu com essa tendência e, em outras vidas, encontrou essas pessoas [supostas influências dos Adeptos], e elas estão aqui para vê-lo por essa razão.”

––––––––––      [Wm. Q. Judge chegou a Paris em 25 de março de 1884, a caminho da Índia, e partiu para Bombaim no final de junho.

Vide suas cartas publicadas em The Word, Vol.

XV, abril de 1912, pp. 17-18.—Compilador.] ––––––––––

CONVERSAS SOBRE OCULTISMO COM H.P.B.

Mais tarde, quando termos definidos já estavam em uso, a questão levantada era se todos permaneciam 1500 anos no Devachan.

“Bem, Judge, você deve saber muito bem que, sob a filosofia, nem todos permanecemos lá por tanto tempo.

Isso varia com o caráter de cada um.

Um pensador completamente materialista emergirá mais cedo do que aquele que é um filósofo espiritual e bom.

Além disso, lembre-se de que todos os trabalhadores da Loja, não importa o grau, são ajudados a sair do Devachan se eles próprios o permitirem. Sua própria ideia, que você expressou, de que 1500 anos não haviam decorrido desde que você entrou no Devachan, está correta, e o que lhe digo é o que o próprio Mestre me diz. Então aí está.”

PRECIPITAÇÕES PELOS MESTRES

Em resposta a uma pergunta sobre isso, ela disse:     “Se você pensa que o Mestre vai estar sempre precipitando coisas, você se engana.

Sim, Ele pode fazê-lo. Mas a maioria das precipitações é feita por chelas que, para você, pareceriam quase Mestres.

Eu vejo Suas ordens, e os pensamentos e palavras que Ele deseja que sejam usados, e eu os precipito nessa forma; assim também faz    e mais um ou dois.”     “Bem, e quanto às Suas caligrafias?”     “Qualquer coisa que você escreve é sua caligrafia, mas não é sua caligrafia pessoal, geralmente usada e aprendida primeiro, se você assumir ou adotar alguma forma.

Agora você sabe que as caligrafias dos Mestres, peculiares e pessoais a Eles Mesmos, são estrangeiras tanto no som quanto na forma—tipos indianos, na verdade.

Então Eles adotaram uma forma em inglês, e nessa forma eu precipito Suas mensagens sob Sua direção.

Por que B—— quase me pegou um dia e quase estragou tudo ao me chocar. A mensagem tem que ser vista na luz astral em fac-símile, e através dessa matriz astral eu precipito tudo. É diferente, porém, se o Mestre me envia o papel e a mensagem já pronta.

É por isso que chamo essas coisas de ‘truques psicológicos’. O sinal de uma maravilha objetiva parecia ser exigido, embora um momento de reflexão mostre que não é prova de nada além de habilidade oculta.


Muitos médiuns tiveram precipitações antes que minha miserável pessoa fosse conhecida. Mas bendito é aquele que não quer sinal algum.

Vocês já viram muitas dessas coisas.

Por que querem me perguntar? Não podem usar o cérebro e a intuição? Eu já experimentei quase toda a gama possível de maravilhas para vocês.

Que eles usem o cérebro e a intuição com os fatos conhecidos e as teorias dadas."

SE OS MAGOS BRANCOS AGEM, ENTÃO O QUÊ?

"Olhe aqui; aqui está um homem que quer saber por que os Mestres não intercedem imediatamente e salvam o negócio dele.

Eles não parecem lembrar o que significa para um Mestre usar a força oculta.

Se você explode pólvora para partir uma rocha, pode derrubar uma casa.

Há uma lei de que, se um Mago Branco usa seu poder oculto, uma quantidade igual de poder pode ser usada pelo Mago Negro.

Químicos inventam pós explosivos e homens perversos podem usá-los.

Você se força à presença do Mestre e sofre as consequências das imensas forças ao redor dele atuando sobre você.

Se você for fraco em qualquer ponto do caráter, os Negros usarão a perturbação dirigindo as forças geradas para esse ponto e poderão causar sua ruína.

É sempre assim.

Atravesse o limite que cerca o reino oculto, e forças rápidas, novas, terríveis, devem ser enfrentadas.

Então, se você não for forte, pode se tornar um destroço nessa vida.

Esse é o perigo.

Essa é uma razão pela qual os Mestres não aparecem e não agem diretamente com frequência, mas quase sempre por graus intermediários.

O que você diz — 'as forças duais na natureza'? Precisamente, é exatamente isso; e os teosofistas deveriam lembrar disso."

OS MESTRES PUNEM?

"Agora não vou lhes contar tudo sobre isso.

Eles são justos; Eles encarnam a Lei e a Compaixão.

Não imagine por um instante que os Mestres vão descer sobre você por seus fracassos e erros, se houver.

O Karma cuida disso.

A ética dos Mestres é a mais elevada.

CONVERSAS SOBRE OCULTISMO COM H.P.B.

Do ponto de vista da sua pergunta, Eles não punem.

Não lhes disse que, por mais que os detratores tenham lançado lama sobre Eles, os Mestres nunca imporão punição?

Não vejo por que tal pergunta surge. O Karma fará toda a punição necessária."

SOBRE OS ELEMENTAIS

"Já faz muito tempo que lhes disse que esta parte não seria explicada.

Mas posso lhes contar algumas coisas.

Este que você e Olcott costumavam chamar de — não pode vê-lo a menos que eu o permita.

Agora vou impressioná-lo sobre isso ou sobre ele, de modo que, como uma fotografia, ele se lembrará até certo ponto."

Mas você não pode fazê-lo obedecer até saber como direcionar a força.

Vou enviá-lo a você e deixá-lo fazer um sino.” [Poucos dias depois disso, o sinal proposto foi dado a uma distância dela, e um pequeno sino soou no ar quando eu conversava com uma pessoa não interessada em Teosofia, e quando eu estava a três milhas de distância de H.P.B. Ao vê-la novamente, ela perguntou se ___ tinha ido até lá e tocado o sino, mencionando o dia e a hora exatos.] “Este não tem forma particular, mas é mais como uma massa de ar em revolução.

Mas é, mesmo assim, bastante definido, como você sabe pelo que ele fez.

Há algumas classes com formas próprias.

A divisão geral em ígneos, aéreos, terrenos e aquáticos é bastante correta, mas não cobrirá todas as classes.

Não há uma única coisa acontecendo ao nosso redor, não importa o quê, em que os elementais não estejam envolvidos, porque eles constituem uma parte necessária da natureza, tão importante quanto as correntes nervosas em seu corpo.

Ora, em tempestades você deveria vê-los, como eles se movem.

Você não se lembra do que me contou sobre aquela senhora ___ que os viu mudar e se mover naquela ópera? Isso se devia às suas tendências e à ideia geral subjacente à ópera.” [Era a ópera Tristão e Isolda, de Wagner.—J.] “Nesse caso, como Isolda é irlandesa, toda a ideia subjacente despertou uma classe de elementais peculiar àquela ilha e às suas tradições.


Aquele é um lugar estranho, Judge, aquela Irlanda.

Está repleta de uma classe singular de elementais; e, por Jove! vejo que eles até emigraram em números bastante grandes.

Às vezes, alguém, bem por acaso, desperta algum sistema antigo, digamos do Egito; essa é a explicação daquele ruído astral singular que você disse que o lembrava de um sistro sendo agitado; era realmente objetivo.

Mas, meu caro amigo, você acha que eu lhe darei um extrator de elementais patenteados? — ainda não.

Bulwer-Lytton escreveu muito sabiamente, para ele, sobre este assunto.” [Cavalgando pelo Central Park, Nova York.] “É muito interessante aqui.

Vejo um grande número de índios, e também seus elementais, tão reais quanto você parece ser. Eles não nos veem; são todos espectros.

Mas olhe aqui, Judge, não confunda o magnetismo que escapa através de sua pele com as suaves batidas de supostos elementais que querem um cigarro.” [Na Rua W. 34, Nova York.]

A primeira vez que ela me falou de elementais particularmente, tendo eu lhe perguntado sobre o Espiritualismo.—J.]     “É quase tudo feito por elementais.

Agora posso fazê-los bater em qualquer lugar que você queira nesta sala.

Escolha qualquer lugar que desejar.” [Apontei para um espaço de parede de gesso duro, livre de objetos.] “Agora pergunte o que quiser que possa ser respondido por batidas.”     P. Qual é a minha idade? Batidas: o número correto.

P. Quantas pessoas há na minha casa? Batidas: certo.

P. Há quantos meses estou na cidade? Batidas: correto.

P. Quantos minutos passaram da hora, pelo meu relógio? Batidas: certo.

P. Quantas chaves há no meu anel? Batidas: correto.

H.P.B. “Oh, bobagem! Deixe isso parar.

Você não conseguirá mais, pois eu cortei isso.

Tente o seu melhor.

Eles não têm senso; tiraram tudo da sua própria cabeça, até as chaves, pois você sabe internamente quantas chaves estão no anel, embora não se lembre; mas de qualquer forma eu podia ver dentro do seu bolso e contar o número, e então aquele que batia daria a resposta certa.

Há algo melhor do que toda essa bobagem de magia.”

CONVERSAS SOBRE OCULTISMO COM H.P.B.

ELA PRECIPITA EM LONDRES

Em 1888, eu estava em Londres e queria um papel, com cerca de quatro frases escritas nele em tinta roxa, que eu havia deixado na América.

Desci ao seu quarto, onde B. Keightley estava, e, sem dizer nada, sentei-me em frente a H.P.B. Pensei: “Se ao menos ela pudesse me trazer de alguma forma uma cópia daquele papel.” Ela sorriu para mim, levantou-se, entrou em seu quarto, saiu imediatamente e, em um momento, entregou-me um pedaço de papel, passando-o bem diante de Keightley.

Para meu espanto, era uma duplicata do meu papel, um fac-símile.

Então perguntei como ela o obteve, e ela respondeu: “Eu o vi na sua cabeça e o resto foi fácil.

Você pensou muito claramente.

Você sabe que isso pode ser feito; e era necessário.” Tudo isso foi feito em cerca do tempo que leva para ler estas frases descritivas.

Escritos Reunidos VOLUME X                                        Janeiro,

O ANO ESTÁ MORTO, VIVA O ANO!

O ANO ESTÁ MORTO, VIVA O ANO!

DEZEMBRO, 1888, E JANEIRO,

[Lucifer, Vol.

III, Nº 17, Janeiro, 1889, pp. 353-359]

LÚCIFER envia os melhores cumprimentos da estação aos seus amigos e assinantes, e deseja-lhes um Feliz Ano Novo e muitas repetições do mesmo.

Na edição de janeiro de 1888, Lúcifer disse: “. . . . que ninguém imagine que é mera fantasia, o atribuir importância ao nascimento do ano.

A Terra passa por suas fases definidas e o homem com ela; e assim como um dia pode ser colorido, também um ano pode ser.”

A vida astral da terra é jovem e forte entre o Natal e a Páscoa.

Aqueles que formam seus desejos agora terão força adicional para realizá-los de forma consistente.” Ele agora repete o que foi dito e acrescenta: Que ninguém se engane quanto à importância e potência dos números—como símbolos.

Tudo no Universo foi estruturado segundo as proporções e combinações eternas dos números.

“Deus geometriza,” e os números e numerais são a base fundamental de todos os sistemas de misticismo, filosofia e religião.

As respectivas festividades do ano e suas datas foram todas fixadas de acordo com o Sol—o “pai de todos os calendários” e do Zodíaco, ou o deus-Sol e os doze grandes, mas ainda menores deuses; e tornaram-se subsequentemente sagradas no ciclo das religiões nacionais e tribais.

Há um ano, foi declarado pelos editores que 1888 era uma combinação sombria de números: e assim se provou desde então.

Terremotos e erupções vulcânicas terríveis, maremotos e deslizamentos de terra, ciclones e incêndios, desastres ferroviários e marítimos sucederam-se em rápida sequência.

Mesmo em termos de clima, todo o ano passado foi um ano insano, um ano doentio e sinistro, que deslocou suas estações, zombou do calendário e riu dos sabichões que presidem as estações meteorológicas do globo.

Quase toda nação foi visitada por alguma calamidade terrível.

Destaque

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

entre outros países estava a Alemanha.

Foi em 1888 que o Império atingiu, virtualmente, o 18º ano de sua unificação.

Foi durante a combinação fatal dos quatro números 8 que perdeu dois de seus Imperadores e plantou as sementes de muitos resultados cármicos terríveis.

O que o ano de 1889 reserva para as nações, os homens e a teosofia, e o que para Lúcifer? Mas talvez seja mais sábio abster-se de perscrutar o Futuro; ainda melhor rezar às agora reinantes Hostes dos Números nas alturas, pedindo-lhes que sejam lenientes conosco, pobres cifras terrenas.

Qual escolheremos? Com os judeus e os cabalistas cristãos, o número de sua divindade—o Deus de Abraão e Jacó—é 10, o número da perfeição, o UM no espaço, ou o Sol, astronomicamente, e os dez Sephiroth, cabalisticamente.

Mas os deuses são muitos; e todo dezembro, segundo os japoneses, é o mês da chegada, ou descida dos deuses; portanto, deve haver um número considerável de divindades à espreita ao redor de nós, mortais, no espaço astral.

O dia 3 de janeiro, um dia que, antes da época de Clóvis, era consagrado ao culto de Ísis—a deusa-patrona de Paris que agora mudou de nome e se tornou Santa Genoveva, "aquela que gera a vida"—também foi separado como o dia em que as divindades do Olimpo visitavam seus adoradores.

O terceiro dia de cada mês era sagrado a Palas Atena, a deusa da Sabedoria; e o 4 de janeiro é o dia de Mercúrio (Hermes, Budha), a quem se atribui o acréscimo de cérebro às cabeças daqueles que são corteses com ele.

Dezembro e janeiro são os dois meses mais ligados a deuses e números.

Qual escolheremos?—perguntamos novamente.

"Eis a questão."     Estamos no Solstício de Inverno, o período em que o Sol, entrando no signo de Capricórnio, já cessou, desde 21 de dezembro, de avançar no Hemisfério Sul e, canceriano ou caranguejo, começa a recuar.

É neste momento particular que, todos os anos, ele nasce, e 25 de dezembro era o dia do nascimento do Sol para aqueles que habitavam o Hemisfério Norte.

É também em 25 de dezembro, Natal, o dia para os cristãos em que o "Salvador do Mundo" nasceu

O ANO MORREU, VIVA O ANO!

que nasceram, eras antes dele, o persa Mitra, o egípcio Osíris, o grego Baco, o fenício Adônis, o frígio Átis.

E, enquanto em Mênfis o povo via a imagem do deus Dia, retirada de seu berço, os romanos marcavam 25 de dezembro em seu calendário como o dia *natalis solis invicti*.

Triste ironia do destino humano.

Tantos Salvadores do mundo nascidos para ele, tantas vezes propiciados, e ainda assim o mundo é tão miserável—não, muito mais desgraçado agora do que nunca—como se nenhum deles jamais tivesse nascido!     Janeiro—o *Januarius* dedicado a Jano, o Deus do Tempo, o ciclo sempre revolvente, o Deus de dupla face—tem um rosto voltado para o Oriente, o outro para o Ocidente; o Passado e o Futuro! Devemos propiciá-lo e orar a ele? Por que não? Sua estátua tinha 12 altares a seus pés, simbolizando os doze signos do Zodíaco, os doze grandes deuses, os doze meses do ano solar e—os doze Apóstolos do Sol-Cristo.

*Dominus* era o título dado ao Sol pelos antigos; donde *dies domini*, *dies solis*, os "dias do Sol". *Puer nobis nascitur dominus dominorum*, cantam os católicos romanos no dia de Natal.

A estátua de Jano-Janeiro trazia gravado em sua mão direita o número 300, e na esquerda, 65, o número dos dias do ano solar; em uma mão um cetro, na outra uma chave, de onde seu nome Janitor, o porteiro dos Céus, que abria os portões do ano em seu início.

Antigas moedas romanas representam Jano bifronte de um lado, e um navio do outro.

Não temos nós o direito de ver nele o protótipo de Pedro, o pescador da nau celestial, o Janitor do Paraíso, às portas do qual ele sozinho detém as chaves? Jano presidia as quatro estações.

Pedro preside os quatro Evangelistas.

No Ocultismo, a potência e o significado dos Números e Numerais residem em sua correta aplicação e permutação.

Se temos de propiciar algum número misterioso, temos, decididamente, de nos dirigir a Jano-Pedro, em sua relação com o UNO—o Sol.

Agora, qual seria a melhor coisa para Lúcifer e sua equipe pedir a este último para 1889? Nossos desejos conjuntos são muitos, pois nosso curso, como o do verdadeiro amor, não corre inteiramente suave.


Assim, dirigindo-nos ao brilhante luminar em perpétuo abscondito para além das eternas névoas da grande cidade, poderíamos pedir-lhe um pouco mais de luz e calor no ano vindouro do que ele nos deu no ano de 1888. Poderíamos suplicar-lhe ao mesmo tempo que derramasse um pouco de luz nas cabeças não menos enevoadas daqueles que insistem em boicotar Lúcifer sob a extraordinária noção de que ele e Satanás são um só.

Brilha mais sobre nós, ó, Hélio, Filho de Hipérion! Aqueles sobre quem tu projetas tua maior radiância devem ser, como na lenda de Apolo, homens bons e bondosos.

Ai de nós. A Ilha Britânica jamais será transformada, neste nosso ciclo, na ilha de Ea, o habitat de Hélio, como dos filhos desse Deus e da Oceânide Perseis.

É esta a razão oculta pela qual nossos corações se tornam, a cada ano, mais frios e indiferentes às aflições da humanidade, e as próprias almas das multidões parecem transformar-se em pingentes de gelo? Pedimos-te que derrames tua radiância sobre essas pobres almas trêmulas.

Tal é o desejo fervorosamente expresso de Lúcifer, nosso Portador da Luz.

Qual pode ser o da Sociedade Teosófica em geral, e de seus membros ativos em particular? Sugeriríamos uma súplica.

Peçamos, Irmãos, ao Senhor no Alto, o Uno e o SOL (ou Sol), que ele nos salve da impudente distorção de nossos ensinamentos teosóficos.

Que ele nos livre em 1889 de seus pretensos sacerdotes, os "Adeptos Solares" como se autodenominam, e de seus seguidores atingidos pelo sol, assim como nos livrou uma vez antes; pois, em verdade, "o homem nasce para a tribulação", e nossa paciência está quase esgotada! Mas "a ira mata o tolo"; e como sabemos que "a inveja mata o insensato", por anos nenhuma atenção foi dada aos nossos cada vez mais numerosos parodistas.

Eles plagiaram nossos livros, montaram falsas escolas de magia, emboscaram buscadores da verdade enganando-os com nomes sagrados, abusaram e profanaram a ciência sagrada usando-a para obter dinheiro por vários meios, como vender como "espelhos mágicos" por 15, artigos feitos por marceneiros comuns por 1 no máximo.

Com eles, como com todos

O ANO ESTÁ MORTO, LONGA VIDA AO ANO!

charlatães, videntes e autointitulados "Adeptos", a ciência sagrada da Theosophia tornara-se, quando lida cabalisticamente—Dólar-Sophia.

Para coroar tudo, acabaram oferecendo, de maneira mais generosa, fornecer a todos aqueles "despertos" que estavam "desapontados com os Mahatmas Teosóficos" o artigo genuíno em matéria de adeptado.

Infelizmente, o referido artigo foi rastreado, por sua vez, até um pobre e irresponsável médium, e algo pior; e assim, esse ramo da ninhada finalmente desapareceu.

Ele se evaporou numa bela manhã, deixando seus discípulos inconsoláveis totalmente "despertos" desta vez, e plenamente cientes do triste fato de que, se haviam adquirido menos que nenhuma sabedoria oculta, seus bolsos, por outro lado, haviam sido consideravelmente aliviados de seu peso em libras e xelins.

Após seu Êxodo, veio uma breve calmaria.

Mas agora o mesmo se repete em outro lugar.

Os longos artigos metafísicos emprestados de Ísis sem Véu e de O Teosofista cessaram subitamente de aparecer em certos jornais escoceses.

Mas se desapareceram da Europa, reapareceram na América.

Em agosto de 1887, o *New York Path* lançou sua mão pesada sobre *The Hidden Way Across the Threshold*, impresso em Boston, e tratou de rapidamente esmagá-lo, como "mercadoria roubada". Como esse Jornal se expressa acerca desse volume pretensioso, copiado, não escrito por seus autores—"tudo o que nele é novo não é verdadeiro, e tudo o que é verdadeiro não é novo; espalhados por suas seiscentas páginas, há roubos em grande escala dos Vedas, de Paracelso, de *Ísis sem Véu*, de *The Path*, etc., etc." Essa apropriação sem cerimônia de longos parágrafos e páginas inteiras "ou verbatim ou com alterações sem importância"—de vários autores, em sua maioria teosóficos—uma lista dos quais é dada em *The Path* (ver agosto de 1887, pp. 159-160), poderia ser deixada ao seu destino, não fosse o truque habitual de nossos miseráveis imitadores.

Nas palavras do mesmo editor de *The Path*:

––––––––––      [O nome do autor é J. C. Street, A. B. N.; o livro foi publicado por Lee & Shepard, Boston, 1887. Os itálicos na última citação de *The Path* são de H. P. B.—Comp.] –––––––––– . . . . Alega-se que ele [o livro] é inspirado por grandes adeptos, vivos e mortos, que se dignaram a se apiedar e a divulgar essas seiscentas páginas, com certas restrições que os impedem de entrar em qualquer detalhe ou explicação além daqueles dados pelos infelizes ou não-progredidos autores [teosóficos] de cujos escritos eles [os adeptos] ou permitiram ou ordenaram a seu humilde discípulo, Sr. Street, que roubasse.


Antes do aparecimento da literatura teosófica moderna, eram os "Espíritos" e os "Controles" que estavam sempre na boca dessa gente; agora, os "adeptos" vivos são servidos com todos os molhos.

É sempre e invariavelmente Adeptos aqui, Hierofantes acolá.

E isso somente desde o renascimento da Teosofia e sua propagação na América em 1884, notem bem; depois que a grande conspiração da bolha de sabão entre Madras e Cambridge contra a Sociedade Teosófica deu um novo impulso ao movimento.

Até aquele ano, os espiritualistas, e especialmente os médiuns profissionais, com seus "controles" e "guias", mal podiam encontrar palavras de vitupério suficientemente fortes para estigmatizar os "adeptos" e ridicularizar seus "supostos poderes". Mas desde a "matança dos Inocentes" herodiana, quando a S.P.R. se voltou dos fenômenos teosóficos para os espiritualistas, a maioria dos "queridos falecidos" pôs-se em fuga.

Os anjos da "Terra do Verão" estão saindo de moda justamente agora, pois os espiritualistas começam a saber mais e a discernir.

Mas, porque a ideia do “adepto”, ou antes, a sua filosofia, começa a ganhar terreno, não é razão para que pretendentes de toda espécie façam uma paródia, em suas produções agramaticais, dos ensinamentos, da fraseologia e dos termos sânscritos extraídos dos livros teosóficos; nem para que, novamente, eles se voltem e façam as pessoas acreditarem que esses lhes foram dados por outros “Hierofantes”, que, em sua opinião, são muito mais elevados, nobres e grandiosos do que os nossos mestres.

O grande mal de tudo isso não é que as verdades da Teosofia sejam adotadas por esses mestres cegos, pois acolheríamos de bom grado qualquer divulgação, por quaisquer meios, de ideais tão poderosos para afastar o mundo do seu terrível materialismo — mas sim que elas estejam tão entrelaçadas com afirmações errôneas e absurdos que o trigo não pode ser separado do joio, e o ridículo, senão algo pior, é

O ANO ESTÁ MORTO, VIVA O ANO!

lançado sobre um movimento que começa a exercer uma influência, incalculável em sua promessa de bem, sobre a tendência do pensamento moderno.

Como discernirão os homens o bem do mal, quando o encontrarem em seu íntimo abraço? As próprias palavras “Arhat”, “Karma”, “Maya”, “Nirvana” devem afastar os buscadores de nossa porta, quando lhes ensinaram a associá-las a tamanha massa de ignorância e presunção.

Há poucos anos, todos esses termos sânscritos lhes eram desconhecidos, e ainda agora eles os repetem foneticamente, como papagaios, e sem qualquer compreensão.

E, no entanto, eles os enfiarão em seus tolos livros e panfletos, e os encherão de denúncias contra grandes homens, cujas plantas dos pés eles são indignos de contemplar! Embora a moeda falsa seja a melhor prova da existência do ouro genuíno, ainda assim, a falsa engana os incautos.

Fossem as “pretensões” da S.T. nessa direção fundadas em mera hipótese e efusão sentimental, como a identificação de muitos espíritos materializados, os “Mahatmas” teosóficos e sua sociedade ter-se-iam dissolvido há muito como fumaça no espaço, sob os ataques desesperados da santa aliança de Missionários e pseudo-Cientistas, ajudados pelo público indeciso e mal informado.

Que a Sociedade não apenas tenha sobrevivido, mas se tornado três vezes mais forte em número e poder, é uma boa prova, novamente, de seu próprio mérito intrínseco.

Além disso, ela também ganhou em sabedoria; aquela sabedoria prática e objetiva que ensina, pela boca do grande “Mahatma” cristão, a não lançar pérolas aos porcos, nem a tentar pôr vinho novo em odres velhos.

Portanto, permita-nos, por nossa vez, recitar uma conjuração sentida (o nome antigo para oração) e invocar a ajuda dos poderes que existem, para nos livrar da dolorosa necessidade de expor novamente aqueles lamentáveis "fingimentos" em Lucifer.

Toquemos o Angelus teosófico três vezes para a convocação de nossos amigos e leitores teosóficos.

Se quisermos atrair sobre nós a atenção do Sol no Alto, devemos repetir o que os antigos faziam e que foi a origem do Angelus R.C.

O primeiro toque do sino anunciava a chegada do Dia; o aparecimento de Gabriel, o mensageiro da manhã, com os primeiros cristãos, de Lucifer, a estrela da manhã, com seus predecessores.


O segundo sino, ao meio-dia, saudava a glória e a posição exaltada do Sol, Rei dos Céus; e o terceiro sino anunciava a aproximação da Noite, a Mãe do Dia, a Virgem, Ísis-Maria, ou a Lua.

Tendo cumprido o dever prescrito, derramamos nossa queixa e dizemos: — Volta teu olhar flamejante, ó SOL, tu, Deus de cabelos dourados, sobre certos médiuns transatlânticos, que brincam de ser teus Hierofantes! Eis que aqueles cujo cérebro não é apto a beber da taça da sabedoria, mas que, subindo à plataforma do charlatão, e oferecendo à venda sabedoria engarrafada, e os homúnculos de Paracelso, asseguram aos de bocas escancaradas que é o verdadeiro Elixir de Amrita, a água da vida imortal! Oh, brilhante Senhor, não está teu olho sobre aqueles ladrões descarados e iconoclastas dos sistemas da terra de onde te elevas? Ouve seu orgulhoso vangloriar-se: "Ensinamos aos homens a ciência de fazer o homem"(!). O lucrativo comércio de vendedores de amuletos japoneses e cartas de Tarô, com indecentes fundos falsos, tendo sido cortado em plena floração na Europa, a Sabedoria Oriental dos Séculos está agora abandonada.

Segundo suas declarações, a China, o Japão, a velha Índia e até mesmo a "terra da Palavra Perdida" de Swedenborg tornaram-se subitamente estéreis; não produzem mais sua colheita de verdadeiros adeptos; é a América, dizem eles, a terra do Deus Dólar, que subitamente abriu seu ventre e deu à luz Hierofantes plenamente formados, que agora acenam para os "Despertos". Mirabile dictu! Mas, se assim é, por que vossos autointitulados sacerdotes, ó grande SOL, ainda oferecem como isca um misterioso Dwija, um "nascido duas vezes", que só pode ser produto da terra de Manu? E por que esses vossos pretensiosos e presunçosos servos, ó Sûrya-Vikarttana, cuja rica colheita de adeptos nacionais, se "feita em casa", deve alegrar-se como regra natural com nomes puramente anglo-saxões e celtogermânicos, ainda trocam seus patronímicos irlandeses por aqueles de um país que, dizem, é decrépito e estéril, e cujas nações estão "morrendo"? Foi descoberto outro nome e nomes hindus no Grande

"O VASO VAZIO FAZ O MAIOR SOM"

Centro, como um pino e pinos onde pendurar as modestas pretensões dos Magos Solares? Sim, eles desmentem a verdade, ó Senhor, e dobram suas línguas como penas de escrever para mentiras.

Mas—"os falsos profetas se tornarão vento, pois a palavra não está neles." OUSAR, QUERER, REALIZAR E CALAR é o lema do verdadeiro Ocultista, desde o primeiro adepto de nossa quinta Raça até o último Rosacruz.

O verdadeiro Ocultismo, isto é, os genuínos poderes de Raj-Yoga, não são ostentados pomposamente e anunciados em "Diários" e mensários, como as pílulas de Beecham ou o sabonete Pears.

"Ai daqueles que são sábios a seus próprios olhos; pois o sábio teme e se cala, mas o tolo expõe sua tolice." Concluamos expressando a esperança de que nossos irmãos e irmãs teosofistas na América façam uma pausa e pensem antes de se arriscarem a um fogo "Solar".

Acima de tudo, que tenham em mente que o verdadeiro conhecimento oculto nunca pode ser comprado.

Aquele que tem algo a ensinar, a menos que, como Pedro a Simão, diga àquele que lhe oferece dinheiro por seu conhecimento—"Pereça o teu dinheiro contigo, porque pensaste que o dom de (nosso) Deus interior pode ser comprado com dinheiro"—é ou um mago negro ou um IMPOSTOR.

Tal é a primeira lição ensinada por Lúcifer a seus leitores em 1889.

–––––––––– Obras Completas VOLUME X Janeiro,

"O VASO VAZIO FAZ O MAIOR SOM" [Lucifer, Vol.

III, No. 17, janeiro de 1889, pp. 436-437]

A Srta. Susie C. Clark, de Cambridgeport, Mass., diz em substância: “Sou uma curadora mental... Ultimamente chegam a mim rumores de teosofistas proeminentes que são inválidos confirmados, de outros que usam quinino para enfermidades, não desdenhando apoiar-se no braço do servo—a matéria—quando os recursos infinitos do Mestre (Espírito) estão à sua disposição.


Até Lúcifer tolera o uso de remédios minerais e outros.

Se a ‘Verdade liberta’, por que não libertar de toda escravidão física? Por que nós, nos degraus mais baixos da escada, somos mais livres do que aqueles que subiram mais alto? Fui elevada do estado de invalidez à saúde imaculada.” Ela então prossegue pedindo nossas opiniões sobre o que ela chama de “pensamento metafísico” na América, e deseja que excluamos o que é conhecido ali como “Ciência Cristã”, sob o fundamento de que ela “ainda não cresceu para reconhecer ou manter concepções adequadas da Religião da Sabedoria.”

––––––––––

RESPOSTA.

Esta resposta não é exaustiva do assunto, mas cobrirá a indagação.

Não podemos dar as “opiniões” solicitadas, pois não está claro o que se deseja.

A correspondente fala de “pensamento metafísico”, evidentemente significando o uso forçado que se faz na América do termo.

Como não desejamos pronunciar-nos sobre isso sem experiência no local, o desejo da escritora não pode ser satisfeito.

Mas não podemos deixar de notar que ela reivindica para seu ramo dessa chamada “Ciência” uma preeminência sobre uma rival no campo, a saber, a “Ciência Cristã”, sendo esta última o mesmo que a outra, exceto que está mais ou menos estreitamente ligada ao Cristianismo.

Como nossa correspondente infere que, por ter sido curada, “os recursos infinitos do Mestre estão à sua disposição”, esses recursos e esse Mestre (ou Espírito) poderiam facilmente mostrar-lhe que a Ciência Cristã é tão boa quanto a sua própria.

Sabemos pouco de ambas, exceto, talvez, que ambas mostram uma arrogância em sua suposta superioridade sobre a Ciência, a Teosofia e tudo o mais na criação, com resultados que não nos parecem proporcionais às reivindicações estrondosas feitas.

Recebemos, no entanto, uma carta de uma proeminente Cientista Cristã, que é tão distinta metafísica quanto é valiosa e boa teosofista; e pretendemos tratá-la extensamente em nosso próximo número.

Enquanto isso, devemos responder algumas palavras às perguntas da Srta. S. Clark.

“O VASO VAZIO FAZ O MAIOR BARULHO”

A questão principal com ela é: por que teosofistas proeminentes, ou quaisquer teosofistas, usam medicina para a cura de doenças? Nós pensamos que todos os teosofistas têm o direito de fazê-lo ou não, pois a teosofia não é um sistema de dieta, ou algo que sirva simplesmente para ajudar nossos corpos, mas é um sistema metafísico e ético destinado a estabelecer entre os homens um pensamento correto a ser seguido pela ação.

Há questões profundas envolvidas no assunto: mais profundas do que nossa correspondente resolverá em uma vida.

Não temos objeções contra qualquer pessoa ser curada da maneira que julgar boa, mas temos objeções decididas contra "curadores mentais" ou "metafísicos" que repreendem os teosofistas por não adotarem seu sistema e descartarem imediatamente todos os remédios.

Eles argumentam que, porque foram assim curados, outros devem seguir o mesmo caminho.

Esta é a nossa atual diferença com os curadores mentais, e nossa correspondente deveria saber que os teosofistas concedem a todos o direito de usar ou dispensar a medicina e reivindicam para si mesmos privilégios semelhantes.

Eles não interferem na liberdade de pensamento de outras pessoas e exigem a mesma independência para si mesmos.

Evidentemente, a Srta. Clark não refletiu que "teosofistas proeminentes" usam medicina por causa de certas influências do Karma sobre suas vidas e devido às suas propriedades ocultas; nem ela aparentemente pensou no que se chama de "Karma adiado"; nem que, talvez, por dar demasiada atenção ao seu corpo, ela esteja colhendo agora um gozo temporário pelo qual, em vidas subsequentes, terá de pagar; nem que, novamente, ao usar sua mente de maneira tão estranha para curar seu corpo, ela possa ter transferido suas enfermidades do plano da matéria para o da mente; cujos primeiros efeitos podemos vislumbrar vagamente em suas críticas à "Ciência Cristã", pois ela adquiriu uma inclinação, por assim dizer, contra esta última e a favor da sua própria, e um tom de superioridade altiva em relação aos teosofistas.

A afirmação de que "os recursos infinitos do Mestre" estão ao nosso alcance atual não é defensável, e o uso do texto "A verdade vos libertará" para mostrar liberdade dos males não é permissível.

De qualquer forma, a verdade não

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

parece ter tornado todos os Cientistas Mentais livres de presunção e preconceito.

O homem que proferiu as palavras tinha, ele próprio, certa enfermidade, e pensamos que se refere apenas à liberdade da mente e da alma.

A aceitação da Verdade e a prática da virtude não podem evitar o Karma que aguarda de outras vidas, mas podem produzir bons efeitos nas vidas futuras, e o que a prática extrema da cura mental faz é adiar por um tempo uma quantidade de Karma que, mais tarde, nos alcançará. Preferimos deixá-lo trabalhar naturalmente através da parte material de nós e expulsá-lo rapidamente, se possível, até mesmo com remédios minerais.

Mas, apesar de tudo isso, não temos nenhuma rixa com a cura mental, e deixamos cada um ao seu próprio julgamento.

Finalmente, diríamos que sempre que nos for provado, a nós e ao mundo em geral, que entre todas as hostes de curadores mentais, curandeiros da mente, Cientistas Cristãos, et hoc genus omne, há mesmo uma grande maioria com perfeita saúde corporal, em vez de, como atualmente, apenas uma minoria, embora barulhenta e jactanciosa — então admitiremos a justiça das reivindicações arrogantes feitas por nosso correspondente.

Curas — curas reais e inegáveis — também foram efetuadas em Lourdes, mas é essa uma razão para que todos nos tornemos católicos romanos?

"Quando começais com tanta pompa e ostentação,                            Por que o fim é tão pequeno e tão baixo?"                           Escritos Reunidos VOLUME X                                               Janeiro,

LOJAS DE MAGIA

LOJAS DE MAGIA                                 [Lucifer, Vol.

III, Nº 17, Janeiro, 1889, pp. 437-438]

MADAME,

Tenho apenas duas observações sobre suas notas à minha carta publicada no número de dezembro de Lucifer.—(1) Eu não "espero" ver fantasmas com a ajuda da Sociedade Teosófica.

Minha parte mais baixa às vezes deseja manifestação, mas reconheço que tal desejo é impuro.

Confio sinceramente que nenhum Membro da Sociedade jamais se entregue à evocação de fenômenos, seja por curiosidade, seja para a gratificação do intelecto.

(2) Perguntei se a adoração do Deus Único em espírito e em verdade era o objetivo da Sociedade.

Você responde com o lema da Sociedade.

Mas sua resposta real parece estar no artigo de abertura da Revista sobre Denúncia.

Candidamente, penso que a formação da Sociedade foi um erro.

Não um erro de motivação, mas um erro de estratégia.

A velocidade do navio mais lento marca o ritmo de progresso de uma frota.

Os fracos da Sociedade marcam sua posição no mundo.

Mas se a Sociedade ajudou apenas um irmão a viver corretamente, então fez muito para justificar sua existência, e não tenho nada a dizer.

Minha verdadeira razão para dirigir-me novamente a você é chamar sua atenção para um Romance escrito por A. de Grasse Stevens. Na página 141 há uma referência a você como uma espiã russa que foi expulsa da Índia por Lord Dufferin.

Nunca antes vi esta calúnia curiosa impressa e, embora você possa considerá-la abaixo do desprezo, penso que seria uma pena permitir que ela passasse totalmente despercebida.

A conduta repreensível dos Editores em permitir que um Autor difame uma pessoa viva, e essa pessoa uma mulher, é tal que não me importo de expressar minha opinião no papel mais plenamente do que nesta carta.

Sou, seu mais fiel servo,                                                                                                     A. E.

––––––––––        [Intitulado: Miss Hildreth.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

RESPOSTA

A Sociedade Teosófica tem "ajudado" muitos e muitos de seus "irmãos" a uma "vida reta"—e este é seu mais orgulhoso mote.

Agradeço ao nosso Correspondente por suas gentis observações a meu respeito. Quanto aos editores em geral, sua "conduta repreensível" talvez encontre desculpa na grande lei da "luta pela vida"; esta espécie sempre tendo sido conhecida por alimentar-se e prosperar na carniça de reputações assassinadas.

Quanto à autora deste romance pretensamente político-social, uma americana mais verde do que jovem, diz-se, sua excepcional pretensão à distinção em relação a outros escritores transatlânticos de seu sexo pareceria ser um íntimo conhecimento do lobby e das escadas dos fundos da política.

À parte da meia dúzia de pessoas vivas cujas reputações ela massacra em uma única página, o que esta Amazona política inventa é que:—     ".... Mme.

Blavatsky, por muitos anos, manteve uma correspondência secreta com Monsieur Zinovief [?!], chefe do Departamento Asiático," e que "não fosse pela clarividência de Lord Dufferin, Madame poderia ainda estar realizando seu trabalho patriótico"—presumivelmente na Índia.

MENTIRAS da primeira à última palavra.

Nunca conheci um "Monsieur Zinovief," nem me correspondi com um em qualquer época.

Desafio qualquer governo do mundo a produzir a mais leve evidência, mesmo que inferencial, de que eu tenha sido alguma vez uma espiã, ou me correspondido secretamente com qualquer autoridade russa.

Quanto a Lord Dufferin, ele chegou à Índia somente depois que eu a deixei. Como já respondi plenamente à infame difamação no Pall Mall Gazette de 3 de janeiro, espero que o público deixe esta nova mentira compartilhar o destino das muitas que a precederam—na cesta de papéis da literatura.

H. P. BLAVATSKY.

Escritos Reunidos VOLUME X                                             Janeiro,

SÃO TODAS AS SENHORAS RUSSAS AGENTES RUSSAS?

SÃO TODAS AS SENHORAS RUSSAS AGENTES RUSSAS?

O QUE MADAME BLAVATSKY TEM A DIZER

[Pall Mall Gazette, Londres, Vol.

XLIX, 3 de janeiro de 1889, p. 7]

Uma certa jovem senhora, de nome A. de Grasse Stevens, tem despertado não pequena indignação no campo russo ao dar forma literária, em seu romance, Miss Hildreth, à ilusão popular sobre as maquinações políticas de todas as senhoras russas que porventura se encontrem fora da fronteira de seu próprio país.

Essa jovem senhora indiscreta, no primeiro volume de seu romance, faz o Conde Melikoff dirigir as seguintes observações ao Sr. Tremain:

Nossos agentes da primeira seção são geralmente bem conhecidos; como regra, eles não fazem segredo de sua ligação com a Chancelaria Imperial, e consistem de ambos os sexos e de todas as classes.

De fato, descobrimos que nosso trabalho mais engenhoso é frequentemente realizado por senhoras.

Basta mencionar Madame Novikoff, cuja influência e poder sobre um certo Primeiro-Ministro da Inglaterra é apenas matéria de boatos comuns, e que em certa época afetou seriamente a política externa da Grã-Bretanha.

Concluído esse trabalho, ela causou maiores danos ao Governo de Sua Majestade ao promover a deserção de Dhuleep Singh, alistando-o sob a bandeira da Rússia.

Não é fora de propósito, Senhor, se, no futuro, ele não se tornar uma fonte de problemas para as autoridades britânicas em Calcutá.

Isso, Senhor, é o trabalho de uma mulher.

No Continente, novamente, eu poderia apontar-lhe, em quase toda cidade importante, um emissário semelhante.

Em Paris havia a encantadora Princesa Lise Troubetskoi, seguida agora pelo Marquês de—— e sua fascinante esposa, cujo hotel é o ponto de encontro de toda a elite, e cuja identidade é tão estritamente desconhecida agora quanto quando primeiro surpreenderam todo Paris com a magnificência de suas recepções.

Em Bruxelas encontrará Madame de M—; em Dresden, a Condessa de B——; na Suíça, o Príncipe A. P.––––; e em Roma, a Marquesa di P—–. Até o Egito não é esquecido, e na Condessa J—— a Rússia encontra um hábil coadjutor, cuja posição como dama de companhia da Vice-Rainha nos granjeia muitos segredos comunicados pelo Governo Britânico ao Quediva.

E, até mesmo o Senhor,

––––––––––     [Este é o artigo referido por H. P. B. no parágrafo final de "Lojas de Magia", que imediatamente precede o presente.—Compilador.] –––––––––– deve-se lembrar do grande alvoroço em torno de Madame Blavatsky, que, como sacerdotisa da teosofia, por muitos anos manteve correspondência secreta com M. Zinovieff, então Chefe do Departamento Asiático do Ministério das Relações Exteriores, e com o Príncipe Doudaroff Korsakoff, Governador-Geral do Cáucaso.


Não fosse pela perspicácia de Lord Dufferin, Madame poderia ainda estar realizando seu trabalho patriótico.

O que ela diz sobre Madame Novikoff é absurdo demais para exigir sequer uma palavra de desmentido — pode ser ignorado em silêncio — mas Madame Blavatsky, que é a outra senhora russa nomeada por extenso, está muito indignada, como afirmamos no outro dia, e está assegurada por seus advogados de que foi claramente difamada na publicação, e que nenhum júri na terra, por mais preconceituoso que fosse contra ela por ser russa, e teosofista, e editora de *Lucifer*, poderia recusar-se a proferir um veredito contra o romancista.

Ao consultar, no entanto, Madame Blavatsky sobre sua opinião a respeito do assunto, ela nos respondeu o seguinte: "Há apenas três ou quatro linhas que se referem a mim. As outras doze pessoas sobre as quais se mentem nesta obra de ficção singular são convidadas a cuidar de si mesmas.

Quanto a mim, basta-me responder às quatro falsidades distintas e à difamação pelas quais o autor é responsável somente em relação a mim.

Essas falsidades não têm fundamento algum, exceto talvez na fofoca pública e nos esforços daquelas boas almas que pensam que a melhor maneira de 'entreter as pessoas' é servi-las com fatias de reputações recém-assassinadas.

Esta calúnia em particular é uma antiga difamação de três anos, colhida das sarjetas das estações de montanha anglo-indianas, e revivida para servir a um propósito especial por alguém que, desconhecido do mundo no dia anterior, desde então se tornou famoso nos anais dos vereditos iníquos do mundo ao fazer o papel de detetive em pistas falsas.

Mas se a originadora dessa invenção vil não é a autora de *Miss Hildreth*, ela ainda é a primeira que teve a insolência de registrá-la em um romance, acrescentando-lhe, além disso, um toque de seu próprio veneno.

É, portanto, a ela que dirijo as seguintes refutações.

SÃO TODAS AS SENHORAS RUSSAS AGENTES RUSSAS?

“1. Nunca me correspondi, seja secreta ou abertamente, com um ‘Monsieur Zinovief’; nem com o General deste nome; tampouco fui alguma vez acusada, que eu saiba, de tê-lo feito.

“2. Nunca escrevi em toda a minha vida sobre política, da qual nada sei.

Não me interesso por intrigas políticas, considerando-as o maior incômodo e um tédio, o mais falso de todos os sistemas no código de ética.

Sinto a mais sincera pena daqueles diplomatas que, sendo homens honrados, são no entanto obrigados a enganar durante toda a vida, e a encarnar uma MENTIRA viva e ambulante.

“3. Há dez anos, o Governo Anglo-Indiano, agindo com base em uma falsa e maliciosa insinuação, confundiu-me com uma espiã; mas depois que a Polícia me vigiou por mais de oito meses — sem desenterrar qualquer vestígio da acusação contra mim — descobriu, para seu grande pesar, que havia feito um papel de bobo.

No entanto, o Governo Anglo-Indiano agiu, depois disso, da maneira mais honrosa.

Em novembro de 1879, Lord Lytton emitiu uma ordem ao Departamento Político de que o Coronel Olcott e eu não mais estivéssemos sujeitos à insultuosa vigilância da Polícia Anglo-Indiana.

(Vide o Allahabad Pioneer, 11 de novembro de 1879.) Desde aquele dia não fomos mais incomodados.

“4. O Príncipe Doudaroff Korsakoff é provavelmente o anagrama astuto do Príncipe Dondoukoff-Korsakoff? Este cavalheiro tem sido amigo de minha família e meu desde 1846; contudo, além de duas ou três cartas trocadas, nunca me correspondi com ele.

Foi o Sr. Primrose, Secretário de Lord Lytton, quem primeiro lhe escreveu, a fim de investigar a fundo outro mistério.

A Sra. Grundy Anglo-Indiana aparentemente confundiu-me com meu ‘irmão gêmeo’, e as pessoas queriam saber qual de nós se afogou na bacia de lavar durante a infância — eu ou aquele ‘irmão gêmeo’, como na fantasia do imortal Mark Twain.

Daí a correspondência para fins de identificação.

“5. A ‘clarividência’ de Lord Dufferin é sem dúvida um fato histórico.

Mas por que dotar Sua Senhoria com o dom de adivinhação? Condenada por meus médicos a morte certa, a menos que eu deixasse a Índia (tenho seu atestado médico), eu estava partindo de Madras para a Europa quase no dia da chegada de Lord Dufferin a Calcutá.


Mas talvez Lord Dufferin figure no romance apenas cabalisticamente como Lord Ripon? Nesse caso, como os três Vice-reis — de 1879 a 1888 — estão agora na Europa, é fácil saber a verdade, especialmente do Marquês de Ripon, que permaneceu Vice-rei durante quase todo o período de minha estada na Índia.

Que a Imprensa investigue, por si mesma ou por seus Secretários, se alguma vez foi provado por qualquer de seus respectivos Governos que eu fui um agente político, seja qual for a maliciosa fofoca social de meus inimigos.

Nem me sinto ainda tão certo, a menos que esse rumor vergonhoso seja suficientemente refutado, de que não apelarei diretamente à justiça e à honra desses três nobres.

Noblesse oblige.

O menor dos mendigos tem o direito de buscar reparação na lei e de apelar ao testemunho dos mais altos da terra, se esse testemunho puder salvar sua honra e reputação, especialmente em um caso como este, quando a verdade pode ser revelada com uma simples palavra dessas altas testemunhas — um sim ou um não.

"Repito: a Srta. de Grasse Stevens e seus editores estão acusados de uma difamação injustificada.

Posso ou não ser dotado pela natureza com a potencialidade ou mesmo a comissão de todo pecado mortal.

Mas acontece que nunca me meti em política, sou inocente de qualquer conhecimento de intrigas políticas, nunca me preocupei com essa ciência especial em qualquer momento de minha longa vida, e que 'onde nada há, o próprio Rei perde todos os direitos.' A acusação de 'espião' foi, portanto, em todos os momentos, uma ilusão.

"Ao concluir, ofereceria um conselho à minha última caluniadora.

Já que a autora de Miss Hildreth parece cronicamente afligida pelo micróbio político, que ela tente algo que conheça melhor do que a Rússia subterrânea e seus agentes.

Seu livro não é apenas difamatório, é absurdo e ridículo.

Fazer o Conde Melikoff falar em um salão sobre nosso 'pequeno pai' (leia-se o Czar!!!) é tão correto quanto seria dirigir-se à Srta. Stevens a sério como 'a grande Mãe-Squaw' em

NOTAS DIVERSAS Londres.

Que ela se volte para as belezas realistas de seu lobby nativo, para o qual parece admiravelmente adequada; caso contrário, ela logo chegará à ruína."

––––––––––                            Escritos Reunidos VOLUME X                                                 Janeiro,

NOTAS DIVERSAS                               [Lucifer, Vol.

III, No. 17, Janeiro, 1889, pp. 359, 431, 435]

Dignando-se gentilmente a notar, e até a resenhar (!!) nosso número de dezembro de *Lucifer*, a *Saturday Review*, em sua edição de 22 de dezembro de 1888, escreve o seguinte a respeito de um conto chamado "Amaldiçoada", traduzido do russo:—". . . . sobreveio uma tempestade e a cruz foi derrubada por um raio.

. . . Esse mesmo raio derrubou todas as letras (do nome da mulher falecida), exceto as duas primeiras de Acsenia, as duas primeiras e a quarta de Cuprianovna, e as três primeiras de Sedminska, que soletram 'Amaldiçoada'. 'Essa coincidência', observa Vera Jelihovsky, a autora, 'foi mais estranha do que tudo!'" "Mas foi ainda mais estranho", observa o sagaz crítico da *Saturday Review*.

. . . "que o raio tivesse falado inglês quando a pecadora defunta era uma espécie de polonesa." E essa observação, podemos dizer, por nossa vez, é mais estranha ainda.

Se o conto tivesse sido originalmente escrito em inglês, poderia ter exigido alguma explicação quanto a essa capacidade linguística por parte do raio.

Como o conto, no entanto, apareceu primeiro em russo, no *Grajdanine* de São Petersburgo, de onde foi traduzido por nós com a permissão da autora, não é necessário um excesso de penetração muito comum para adivinhar que o nome teve de ser alterado a fim de se adaptar à palavra inglesa "accursed". Se tivéssemos escrito a palavra "proklyata", o termo russo para "amaldiçoada", a "coincidência" não teria sentido algum.

O conto é meio ficção, tanto no original quanto na tradução; mas baseia-se num fato verdadeiro e histórico, como se explica no seu final.

Mas, uma vez que os nomes reais tiveram de ser omitidos, quaisquer nomes serviriam para expor o estranho e até hoje inexplicável fato, que se tornou, desde sua ocorrência, uma das lendas proeminentes do país onde aconteceu.

[As seguintes notas são acrescentadas por H. P. B. à sua tradução de uma carta francesa recebida da Senhora Camille Lemaître sobre o assunto do que a Teosofia e a Sociedade Teosófica deveriam ser. A primeira nota refere-se à parábola bíblica de espalhar as sementes e sua queda em solo pedregoso ou fértil:]

Essa é exatamente a política da S. T. desde seu início.

Seus líderes visíveis são incapazes de distinguir sempre o bom do mau, de ver o mal ainda adormecido nos corações daqueles que se candidatam a ingressar em nossa Sociedade, e os verdadeiros Fundadores—aqueles por trás do pano—não denunciarão nem acusarão nenhum homem vivo.

Todos recebem uma oportunidade.

De bom grado nossa Sociedade aboliria até mesmo a pequena taxa de entrada, se tivesse fundos, por menores que fossem, para dar continuidade ao trabalho que aumenta diariamente, e muitos ramos já o fizeram. Durante vários anos, nenhuma taxa de iniciação foi paga; mas nossos escassos e até mesmo conjuntos meios mostraram-se insuficientes para manter a Sede, pagar o material de escritório e o franqueamento sempre crescente, e alimentar e alojar todos aqueles que se voluntariaram para trabalhar gratuitamente pela teosofia.

Assim, as taxas foram restabelecidas.

Outras Sociedades imploram por grandes somas de dinheiro e as recebem, mas a S. T. nunca o faz.

No entanto, a provocação de que os Fundadores vendem a Teosofia, criando Teosofistas por 1 ou vinte xelins a cabeça, é repetidamente atirada em nossos rostos! E, ainda assim, os pobres nunca são obrigados a pagar nada.

E se aqueles que têm meios se recusarem a ajudar a fazer o bem aos deserdados e aos que sofrem, o que farão aqueles que deram tudo o que tinham e agora nada têm para dar senão seus serviços?

[A nota final faz referência a vários perigos aos quais o estudante incauto está exposto, que deseja adquirir poderes mágicos:]

É para preservar os Teosofistas de tais perigos que a "Seção Esotérica" da S.T. foi fundada.

NOTAS DIVERSAS

Suas Regras Preliminares e Estatutos provam que o caminho para a aquisição de poderes ocultos e a conquista dos segredos da Natureza passa pelo Gólgota e pela Crucificação do eu pessoal.

Os egoístas e os fracos de coração não precisam se candidatar.

[A tradução da Carta da Madame Camille Lemaître, juntamente com os comentários de H. P. B., foi também publicada em Theosophical Siftings (T.P.S.), Vol. II, 1889-90. Londres: The Theosophical Publishing Society, 7, Duke Street, Adelphi, W.C.] Escritos Reunidos VOLUME X Janeiro, Fevereiro, Março,

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE OF THE THEOSOPHICAL SOCIETY [Aproximadamente em março de 1890, e novamente em janeiro de 1891, a Theosophical Publishing Society, localizada na época em 7, Duke Street, Adelphi, Londres, publicou dois volumes finos separados sob o título, Transactions of the Blavatsky Lodge of The Theosophical Society, Partes I e II. Eles também foram emitidos por William Quan Judge, 132 Nassau Street, Nova York.

Elas continham discussões sobre algumas das Estâncias do Primeiro Volume de A Doutrina Secreta, durante certas reuniões da Loja Blavatsky em Londres, quando H. P. B. respondeu a algumas questões bastante abstrusas sobre os ensinamentos da Filosofia Esotérica.

A Parte I trata das reuniões realizadas em 10, 17, 24 e 31 de janeiro de 1889, na Rua Lansdowne, 17, Londres, quando as Estâncias I e II foram discutidas.

Um Apêndice fornece, sob o título de “Sonhos”, um “Resumo dos ensinamentos durante várias reuniões que precederam as Transações. . .”, ou seja, aquelas de 20 e 27 de dezembro de 1888. Este material será encontrado mais adiante no presente volume, em sua ordem cronológica correta.

A Parte II trata das reuniões realizadas no mesmo endereço em 7, 14, 21 e 28 de fevereiro, e em março e 14 de 1889. Nessas reuniões, as Estâncias II, III e IV foram discutidas.

Uma Nota Prefacial afirma que “as respostas em todos os casos são baseadas nos relatórios taquigráficos, e são as da Filosofia Esotérica como dadas pela própria H.P.B.” Uma resenha da Parte I das Transações (Lucifer, Londres, Vol. VI, abril de 1890, pp. 173-74) afirma, entre outras coisas, que “material suficiente permanece para mais cinco números sobre o mesmo assunto”. Essa declaração pode ter se referido ao material contido na Parte II, e que, na época em que a resenha foi escrita, ainda não havia sido publicado.

Mas o que é muito mais difícil de entender é o fato de que a Nota Prefacial de ambos os volumes ou partes das Transações afirma que estas são compiladas “a partir de notas taquigráficas tomadas nas reuniões da Loja Blavatsky da Sociedade Teosófica, de 10 de janeiro a 20 de junho de 1889. . .” (itálicos nossos). Pareceria, portanto, que houve reuniões semelhantes realizadas depois de 14 de março de 1889, que é a data da última discussão impressa.

Até meados do verão de 1889, H.P.B. estava em Londres; em julho de 1889, ela fez uma viagem à França, escrevendo a maior parte de A Voz do Silêncio em Fontainebleau. Ela então foi para St. Heliers, Jersey, e não retornou a Londres até meados de agosto.

É bastante provável, portanto, que as reuniões da Loja Blavatsky continuaram até o momento de sua partida para a França, e que tais reuniões consistiram em discussões semelhantes àquelas incorporadas nas Transações impressas.

Em novembro de 1889, portanto antes da publicação da Parte I das Transactions, George R.S. Mead, em sua capacidade de Secretário do Blavatsky Lodge, publicou (Lucifer, Vol. V, p. 178) um “Aviso aos Interessados nas ‘Transactions of the Blavatsky Lodge’”. Ele diz o seguinte:

“As discussões sobre o primeiro volume de A Doutrina Secreta, que foram registradas por um estenógrafo, eram de natureza tão difícil que grande parte do conteúdo, como está, é totalmente inútil.

A revisão e reformulação desses relatos, que teve de ser empreendida por um dos mais ocupados membros da casa da 17 Lansdowne Road, está progredindo, mas precisa ser novamente revisada e preparada para a imprensa, e isso ninguém pode fazer exceto H.P.B.; no entanto, devido aos seus múltiplos deveres, o trabalho só pode progredir lentamente.

Espera-se que a ansiedade de nossos amigos seja aliviada pela explicação acima.”

É evidente, naturalmente, que uma certa porção do manuscrito mencionado por Mead consistia de material anotado durante as discussões nas reuniões de janeiro, fevereiro e início de março de 1889, posteriormente publicado como Transactions, Partes I e II. Mas como este Aviso apareceu bastante tempo depois das reuniões do final de março, abril, maio e junho de 1889, é muito provável que ele também tivesse diante de si material referente a esses encontros posteriores, especialmente quando lembramos o que é afirmado na Nota Prefacial a ambos os volumes.

Isso é fortemente apoiado pelo fato de que em Lucifer, Vol. VII, 15 de outubro de 1890, p. 165, ou seja, após o aparecimento da Parte I, e antes da publicação da Parte II, das Transactions, é afirmado que os relatos das Transactions “consistem em vinte e quatro grandes fólios manuscritos, dos quais quatro já foram impressos.” Se quatro desses fólios foram usados para compor a Parte I das Transactions (publicada em março de 1890), com ou sem o ensaio sobre “Sonhos”, e se a Parte II (publicada em janeiro de 1891) era menor que a Parte I, é óbvio, naturalmente, que uma porção considerável dos vinte e quatro fólios nunca foi emitida em forma impressa.

Como prova adicional desse fato, devemos lembrar a declaração direta da Sra. Alice Leighton Cleather, que, escrevendo sua Carta Periódica de Londres, sob a data de fevereiro de 1891, diz: “A segunda parte das ‘Transactions – Blavatsky Lodge’ está agora publicada, e a terceira logo seguirá” (The Theosophist, Vol.

XII, abril de 1891, p. 438). Quase dois anos após a partida de H.P.B., os Editores de *Lucifer* publicaram em suas páginas alguns materiais da pena de H.P.B., sob o título geral de "Notas sobre o Evangelho segundo João" (Vol. XI, No. 66, fevereiro de 1893, pp. 449-56, e Vol. XII, No. 67, março de 1893, pp. 20-30). Em uma breve Nota Introdutória a esta série em duas partes, George R. S. Mead declara que "as seguintes notas formaram a base de discussão nas reuniões da Blavatsky Lodge, em outubro de 1889. . ." Como estas "Notas" sobre o Evangelho de São João citam em um trecho a tradução de G.R.S. Mead da gnóstica *Pistis-Sophia*, a saber, da primeira parte dela, publicada em *Lucifer*, Vol. VI, abril de 1890, e de fato fazem referência a esta revista em uma nota de rodapé, parece que estas "Notas" foram trabalhadas e editadas ou após abril de 1890, ou possivelmente até mesmo após a partida de H.P.B. em maio de 1891. Parece, pela data mencionada por G.R.S. Mead, ou seja, outubro de 1889, que estas "Notas" formaram a base de discussões na Blavatsky Lodge após o retorno de H.P.B. de sua viagem à França.

Mesmo que o manuscrito deste material fosse considerado como parte dos "vinte e quatro fólios manuscritos em caligrafia longa" mencionados anteriormente, o que é muito improvável, considerando as várias datas referidas, ainda enfrentamos o fato de que parte do material das *Transactions* está faltando por uma razão ou outra, e certamente nunca apareceu impresso.

Quanto à autenticidade de todo este material, citamos abaixo uma passagem importante de uma carta escrita por William Kingsland, um dos associados mais próximos de H.P.B. em Londres, ao Dr. Henry T. Edge, um de seus alunos pessoais, mais tarde de Point Loma, Califórnia.

A carta é datada de Claremont, The Strand, Ryde, I.W., 7 de outubro de 1931, e a passagem é a seguinte:

". . .Até onde minha memória alcança, H.P.B. esteve presente em todas essas reuniões. As 'Transactions' foram parcialmente compiladas a partir de notas tomadas das respostas na ocasião; mas cada uma delas foi revisada por H.P.B. antes de serem impressas. Não são verbatim como foram dadas por ela na época. São autênticas em todos os sentidos como respostas dela. . ." — [Compilador.]

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE

I

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 10 de janeiro de 1889, às 20h30, com o Sr. T.B. Harbottle na presidência.

Assunto:

AS ESTÂNCIAS DA DOUTRINA SECRETA — VOL. I

ESTÂNCIA I.

Sloka (1). O ETERNO PAI-MÃE (Espaço), ENVOLTO EM SEUS SEMPRE INVISÍVEIS VESTES, HAVIA DORMIDO MAIS UMA VEZ POR SETE ETERNIDADES.

P. O Espaço abstrato é explicado no Proêmio (pp. 8-9) da seguinte forma:—

. . . . . . A Unidade Absoluta não pode passar à infinitude; pois a infinitude pressupõe a extensão ilimitada de algo, e a duração desse “algo”; e o Uno-Tudo é como o Espaço — que é sua única representação mental e física nesta Terra, ou em nosso plano de existência — nem um objeto de, nem um sujeito à percepção.

Se alguém pudesse supor que o Infinito Eterno Tudo, a Unidade Onipresente, em vez de estar na Eternidade, tornando-se através de manifestação periódica um Universo múltiplo ou uma personalidade múltipla, essa Unidade deixaria de ser una.

A ideia de Locke de que “o Espaço puro é incapaz tanto de resistência quanto de Movimento” — é incorreta.

O Espaço não é nem um “vazio ilimitado”, nem uma “plenitude condicionada”, mas ambos: sendo, no plano da abstração absoluta, a Divindade eternamente incognoscível, que é vazia apenas para mentes finitas, e no plano da percepção máyavica, o Pleno, o absoluto Contêiner de tudo o que é, manifestado ou não manifestado; é, portanto, esse TODO ABSOLUTO.

Não há diferença entre o “Nele vivemos, nos movemos e existimos” do Apóstolo cristão e o “O Universo vive em, procede de, e retornará a Brahma (Brahmâ)” do Rishi hindu: pois Brahma (neutro), o não manifestado, é esse Universo in abscondito, e Brahmâ, o manifestado, é o Logos, tornado macho-fêmea nos dogmas ortodoxos simbólicos.

O Deus do Apóstolo-Iniciado e do Rishi sendo ambos o ESPAÇO Invisível e Visível.

O Espaço é chamado, no simbolismo esotérico, de “O Eterno Pai-Mãe de Sete Peles”. É composto, de sua superfície indiferenciada à sua superfície diferenciada, de sete camadas.


“O que é aquilo que foi, é, e será, quer haja um Universo ou não; quer haja deuses ou não?” pergunta o Catecismo Senzar esotérico.

E a resposta dada é ESPAÇO.

Mas por que o Pai Eterno, o Espaço, é mencionado como feminino? R. Não em todos os casos, pois no trecho acima o Espaço é chamado de "Eterno Pai-Mãe"; mas quando assim é mencionado, a razão é que, embora seja impossível definir Parabrahm, uma vez que falamos daquela primeira coisa que pode ser concebida, ela tem de ser tratada como um princípio feminino.

Em todas as cosmogonias, a primeira diferenciação foi considerada feminina.

É Mulaprakriti que oculta ou vela Parabrahm; Sephira, a luz que emana primeiro de Ain-Soph; e em Hesíodo é Gaia que surge do Caos, precedendo Eros (Teogonia, 201-246). Isso se repete em todas as criações materiais subsequentes e menos abstratas, como testemunha Eva, criada da costela de Adão, etc.

São a deusa e as deusas que vêm primeiro.

A primeira emanação torna-se a Mãe Imaculada de quem procedem todos os deuses, ou as forças criativas antropomorfizadas.

Temos de adotar o gênero masculino ou o feminino, pois não podemos usar o neutro *isso*. De ISSO, estritamente falando, nada pode proceder, nem uma radiação nem uma emanação.

P. Essa primeira emanação é idêntica à Neith egípcia? R. Na realidade, está além de Neith, mas em um sentido ou em um aspecto inferior é Neith.

P. Então o próprio ISSO não é o "Eterno Pai-Mãe de Sete Peles"? R. Certamente não.

O ISSO é, na filosofia hindu, Parabrahm, aquilo que está além de Brahmâ, ou, como agora é chamado na Europa, o "incognoscível". O espaço do qual falamos é o aspecto feminino de Brahmâ, o masculino.

Ao primeiro bater de asas da diferenciação, o Subjetivo procede a emanar, ou cair, como uma sombra, no Objetivo, e torna-se o que foi chamado de Deusa-Mãe, de quem procede o Logos, o Deus Filho e Pai ao mesmo tempo, ambos não manifestados, um a Potencialidade, o outro

––––––––––     A Doutrina Secreta, Vol.

I, pp. 8-9. –––––––––– a Potência.


Mas o primeiro não deve ser confundido com o Logos manifestado, também chamado de "Filho" em todas as cosmogonias.

P. A primeira diferenciação do ISSO absoluto é sempre feminina? R. Apenas como figura de linguagem; em filosofia estrita, é assexuada; mas o aspecto feminino é o primeiro que ela assume nas concepções humanas, e sua materialização subsequente em qualquer filosofia depende do grau de espiritualidade da raça ou nação que produziu o sistema.

Por exemplo: na Cabala dos talmudistas, ELE é chamado AIN-SOPH, o sem-fim, o ilimitado, o infinito (o atributo sendo sempre negativo), Princípio absoluto que, no entanto, é referido como Ele!! Dele, esse Círculo negativo e sem limites de Luz Infinita, emana a primeira Sephira, a Coroa, que os talmudistas chamam de "Torá", a lei, explicando que ela é a esposa de Ain-Soph.

Isso é antropomorfizar o Espiritual com toda a força.

P. É o mesmo nas Filosofias Hindus? R. Exatamente o oposto.

Pois se nos voltarmos para as cosmogonias hindus, veremos que Parabrahm não é sequer mencionado nelas, mas apenas Mulaprakriti.

Esta última é, por assim dizer, o revestimento ou aspecto de Parabrahm no universo invisível.

Mulaprakriti significa a Raiz da Natureza ou da Matéria.

Mas Parabrahm não pode ser chamado de "Raiz", pois é a absoluta Raiz sem Raiz de tudo.

Portanto, devemos começar com Mulaprakriti, ou o Véu desse incognoscível.

Aqui novamente vemos que a primeira é a Deusa Mãe, o reflexo da raiz subjetiva, no primeiro plano da Substância.

Então segue, emanando, ou antes, residindo nessa Deusa Mãe, o Logos não manifestado, aquele que é ao mesmo tempo seu Filho e seu Esposo, chamado o "Pai oculto". Destes procede o Logos primeiramente manifestado, ou Espírito, e o Filho de cuja substância emanam os Sete Logos, cuja síntese, vista como uma Força coletiva, torna-se o Arquiteto do Universo Visível.

Eles são os Elohim dos judeus.

P. Que aspecto do Espaço, ou da divindade desconhecida, chamada nos Vedas "ISSO", que é mencionado mais adiante, é aqui chamado de "Pai Eterno"?


R. É a Mulaprakriti vedântica, e o Svabhavat dos budistas, ou seja, esse algo andrógino de que temos falado, que é tanto diferenciado quanto indiferenciado.

Em seu primeiro princípio, é uma abstração pura, que se torna diferenciada apenas quando é transformada, no processo do tempo, em Prakriti.

Se comparada com os princípios humanos, corresponde a Buddhi, enquanto Atma corresponderia a Parabrahm, Manas a Mahat, e assim por diante. P. O que são, então, as sete camadas do Espaço, pois no "Proêmio" lemos sobre o "Pai-Mãe de sete peles"? R. Platão e Hermes Trismegisto teriam considerado isso como o Pensamento Divino, e Aristóteles teria visto esse "Pai-Mãe" como a "privação" da matéria.

É aquilo que se tornará os sete planos do ser, começando pelo espiritual e passando pelo psíquico até o plano material.

Os sete planos do pensamento ou os sete estados de consciência correspondem a esses planos.

Todos esses setenários são simbolizados pelas sete Peles.

P. As ideias divinas na Mente Divina? Mas a Mente Divina ainda não é.

R. A Mente Divina é, e deve ser, antes que a diferenciação ocorra.

É chamada de Ideação divina, que é eterna em sua Potencialidade e periódica em sua Potência, quando se torna Mahat, Anima Mundi ou Alma Universal.

Mas lembre-se de que, como quer que a nomeie, cada uma dessas concepções tem seus aspectos mais metafísicos, mais materiais e também intermediários.

P. Qual é o significado do termo "Vestes invisíveis"? 
R. É, naturalmente, como toda alegoria nas filosofias orientais, uma expressão figurada.

Talvez seja o hipotético Prótilo que o Professor Crookes procura, mas que certamente nunca poderá ser encontrado nesta nossa terra ou plano.

É a substância não diferenciada ou matéria espiritual.

P. É o que se chama "Laya"? 
R. "Vestes" e tudo o mais estão na condição de Laya, o ponto do qual, ou no qual, a substância primordial começa a se diferenciar e assim dá origem ao universo e a tudo nele contido.

P. As "vestes invisíveis" são assim chamadas porque não são objetivas a nenhuma diferenciação de consciência? 
R. Diga antes, invisíveis à consciência finita, se tal consciência fosse possível nesse estágio de evolução.

Mesmo para o Logos, Mulaprakriti é um véu, as Vestes nas quais o Absoluto está envolto.

Mesmo o Logos não pode perceber o Absoluto, dizem os Vedantins. 
P. Mulaprakriti é o termo correto a se usar? 
R. A Mulaprakriti dos Vedantins é a Aditi dos Vedas.

A filosofia Vedanta significa literalmente "o fim ou Síntese de todo o conhecimento". Ora, há seis escolas de filosofia hindu que, no entanto, se descobrirá, sob análise rigorosa, concordarem perfeitamente em substância.

Fundamentalmente são idênticas, mas há tamanha riqueza de nomes, tamanha quantidade de questões secundárias, detalhes e ornamentações — algumas emanações sendo seus próprios pais, e pais nascidos de suas próprias filhas — que a pessoa se perde como numa selva.

Diga o que quiser do ponto de vista esotérico a um hindu, e, se ele assim o desejar, ele pode, a partir de seu próprio sistema particular, contradizê-lo ou refutá-lo.

Cada uma das seis escolas tem suas próprias visões e termos peculiares.

De modo que, a menos que a terminologia de uma escola seja adotada e usada ao longo da discussão, há grande perigo de mal-entendido.

P. Então o mesmo termo idêntico é usado em um sentido bastante diferente por diferentes filosofias? Por exemplo, Buddhi tem um significado no Esotérico e um sentido bastante diferente na filosofia Sankhya. Não é assim?

R. Precisamente, e um sentido bastante diferente no Vishnu-Purâna, que fala de sete Prakritis emanando de Mahat, e chama este último de Maha-Buddhi.

Fundamentalmente, porém, as ideias são as mesmas, embora os termos difiram em cada escola, e o sentido correto se perde nesse labirinto de personificações.

Seria, talvez,

––––––––––        Vide as quatro Conferências do Sr. Subba Row, Notas sobre o Bhagavad-Gita.

–––––––––– se possível, melhor inventar para nós mesmos uma nova nomenclatura.


Devido, porém, à pobreza das línguas europeias, especialmente o inglês, em termos filosóficos, a empreitada seria um tanto difícil.

P. Não poderia o termo “Protyle” ser empregado para representar a condição Laya?

R. Dificilmente; o Protyle do Professor Crookes é provavelmente usado para denotar matéria homogênea no plano mais material de todos, enquanto a substância simbolizada pelas “Vestes” do “Pai Eterno” está no sétimo plano da matéria, contando para cima, ou melhor, de fora para dentro.

Isso nunca pode ser descoberto no plano mais baixo, ou melhor, no plano mais externo e material.

P. Existe, então, em cada um dos sete planos, matéria relativamente homogênea para cada plano?

R. Assim é; mas tal matéria é homogênea apenas para aqueles que estão no mesmo plano de percepção; de modo que, se o Protyle da ciência moderna for algum dia descoberto, ele será homogêneo apenas para nós. A ilusão pode durar por algum tempo, talvez até a sexta raça, pois a humanidade está sempre mudando, física e mentalmente, e esperemos que também espiritualmente, aperfeiçoando-se cada vez mais a cada raça e sub-raça.

P. Não seria um grande erro usar qualquer termo que tenha sido usado por cientistas com outro significado? Protoplasma teve outrora quase o mesmo sentido que Protyle, mas seu significado agora se tornou restrito.

A. Certamente; contudo, a Hyle (à80) dos gregos, de modo algum se aplicava à matéria deste plano, pois eles a adotaram da cosmogonia caldaica, onde era usada em um sentido altamente metafísico.

P. Mas a palavra Hyle é agora usada pelos materialistas para expressar quase a mesma ideia à qual aplicamos o termo Mulaprakriti.

R. Pode ser; mas o Dr. Lewins e sua corajosa meia dúzia de Hilo-Idealistas dificilmente compartilham dessa opinião, pois em seu sistema o significado metafísico é inteiramente desconsiderado e perdido de vista.

P. Então, talvez, afinal, Laya seja o melhor termo a usar?


R. Não, pois Laya não significa algo particular, nem algum plano ou outro, mas denota um estado ou condição.

É um termo sânscrito que transmite a ideia de algo em um estado indiferenciado e imutável, um ponto zero no qual toda diferenciação cessa.

P. A primeira diferenciação representaria a matéria em seu sétimo plano: não devemos, portanto, supor que o Protyle do Professor Crookes também seja matéria em seu sétimo plano?

R. O Protyle ideal do Professor Crookes é matéria naquele estado que ele chama de "ponto zero".

P. Isto é, o ponto Laya deste plano?

R. Não está de todo claro se o Professor Crookes se ocupa de outros planos ou admite sua existência.

O objeto de sua busca é o átomo protílico, que, como ninguém jamais o viu, é simplesmente uma nova hipótese de trabalho da Ciência.

Pois o que é, na realidade, um átomo?

P. É uma definição conveniente do que se supõe ser, ou melhor, um termo conveniente para dividir uma molécula.

R. Mas certamente já devem ter chegado, a esta altura, à conclusão de que o átomo não é mais um termo conveniente do que os supostos setenta e tantos elementos.

Tem sido costume rir dos quatro e cinco elementos dos antigos; mas agora o Professor Crookes chegou à conclusão de que, estritamente falando, não existe tal coisa como um elemento químico.

Na verdade, longe de se descobrir o átomo, nem mesmo uma única molécula simples foi ainda alcançada.     P. Deve-se lembrar que Dalton, que primeiro falou sobre o assunto, chamou-a de "Teoria Atômica".     R. Exatamente; mas, como demonstrou Sir W. Hamilton, o termo é usado em um sentido errôneo pelas escolas modernas de ciência, que, enquanto zombam da metafísica, aplicam um termo puramente metafísico à física, de modo que hoje em dia a "teoria" começa a usurpar as prerrogativas do "axioma".     P. O que são as "Sete Eternidades", e como pode haver tal divisão no Pralaya, quando não há ninguém consciente do tempo?     R. O astrônomo moderno não conhece as "ordenanças do Céu" nem um pouco melhor do que seu antigo irmão conhecia.

Se lhe perguntassem se ele poderia "fazer surgir Mazzaroth em sua estação", ou se ele estava com "aquele" que "estendeu o céu", ele teria de responder tristemente, assim como Jó o fez, negativamente.


Contudo, isso de modo algum o impede de especular sobre a idade do Sol, da Lua e da Terra, e de "calcular" períodos geológicos a partir da época em que não havia um homem vivo, com ou sem consciência, sobre a terra.

Por que, portanto, o mesmo privilégio não deveria ser concedido aos antigos?     P. Mas por que o termo "Sete Eternidades" deveria ser empregado?     R. O termo "Sete Eternidades" é empregado devido à lei invariável da analogia.

Assim como o Manvantara é dividido em sete períodos, também o é o Pralaya; assim como o dia é composto de doze horas, também o é a noite.

Podemos dizer que, porque dormimos durante a noite e perdemos a consciência do tempo, portanto as horas não soam? O Pralaya é a "Noite" após o "Dia" manvântico. Não há ninguém presente, e a consciência está adormecida com o resto.

Mas, uma vez que ela existe e está em plena atividade durante o Manvantara; e uma vez que estamos plenamente cientes do fato de que a lei da analogia e da periodicidade é imutável e, sendo assim, deve agir igualmente em ambas as extremidades, por que a frase não poderia ser usada?     P. Mas como pode uma eternidade ser contada?     R. Talvez a indagação surja devido ao mal-entendido geral do termo "Eternidade". Nós, ocidentais, somos tolos o bastante para especular sobre aquilo que não tem começo nem fim, e imaginamos que os antigos devem ter feito o mesmo.

Eles, no entanto, não o fizeram: nenhum filósofo dos dias antigos jamais tomou "Eternidade" como significando duração sem começo e sem fim.

Nem os Aeons dos gregos nem os Neroses transmitem esse significado.

Na verdade, eles não tinham uma palavra para transmitir esse sentido preciso.

Parabrahm, Ain-Soph e o Zeruana-Akerne do Avesta, sozinhos, representam tal Eternidade; todos os outros períodos são finitos e astronômicos, baseados em anos tropicais e outros ciclos enormes.

A palavra Aeon, que na Bíblia é traduzida por Eternidade, significa não apenas um período finito, mas também um anjo e um ser.

P. Mas não é correto dizer que também no Pralaya existe o “Grande Sopro”?                          TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE

R. Certamente: pois o “Grande Sopro” é incessante e é, por assim dizer, o perpetuum mobile universal e eterno.

P. Se assim é, é impossível dividi-lo em períodos, pois isso elimina a ideia de nada absoluto e completo.

Parece um tanto incompatível que se fale em “número” de períodos, embora se possa falar de tantas expirações e inspirações do “Grande Sopro”.     R. Isso eliminaria a ideia de Repouso absoluto, se essa absolutividade do Repouso não fosse contrabalançada pela absolutividade do Movimento.

Portanto, uma expressão é tão boa quanto a outra.

Há um magnífico poema sobre Pralaya, escrito por um Rishi muito antigo, que compara o movimento do Grande Sopro durante o Pralaya aos movimentos rítmicos do Oceano Inconsciente.

P. A dificuldade é quando a palavra “eternidade” é usada em vez de “Aeon”.     R. Por que se deveria usar uma palavra grega quando há uma expressão mais familiar, especialmente quando está plenamente explicada em A Doutrina Secreta? Você pode chamá-la de eternidade relativa, ou manvântara e praláyica, se quiser.

P. A relação entre Pralaya e Manvantara é estritamente análoga às relações entre dormir e acordar? R. Apenas em certo sentido; durante a noite todos existimos pessoalmente e somos individualmente, embora durmamos e possamos estar inconscientes de assim viver.

Mas durante o Pralaya tudo o que é diferenciado, como cada unidade, desaparece do universo fenomenal e é fundido, ou antes transferido, para o Uno numênico.

Portanto, de fato, há uma grande diferença.

P. O sono tem sido chamado de “lado sombrio da vida”; pode o Pralaya ser chamado de lado sombrio da vida Cósmica?     R. Pode, de certa forma, ser chamado assim. Pralaya é a dissolução do visível no invisível, do heterogêneo no homogêneo — um tempo de descanso, portanto.

Mesmo a matéria cósmica, embora indestrutível em sua essência, deve ter um tempo de descanso e retornar ao seu estado de Laya.

A absoluta onipotência da Una essência que tudo contém tem de manifestar-se igualmente no repouso e na atividade.

Sloka (2). O TEMPO NÃO ERA, POIS JAZIA ADORMECIDO NO INFINITO SEIO DA DURAÇÃO.


P. Qual é a diferença entre Tempo e Duração?     R. A Duração é; não tem nem começo nem fim.

Como podeis chamar de Tempo aquilo que não tem nem começo nem fim? A Duração é sem começo e sem fim; o Tempo é finito.

P. Então, a Duração é a concepção infinita, e o Tempo a finita?     R. O Tempo pode ser dividido; a Duração — em nossa filosofia, pelo menos — não pode.

O Tempo é divisível na Duração — ou, como o colocais, um é algo dentro do Tempo e do Espaço, enquanto o outro está fora de ambos.

P. A única maneira de se definir o Tempo é pelo movimento da Terra.

R. Mas também podemos definir o Tempo em nossas concepções.

P. Antes, a Duração?     R. Não, o Tempo; pois quanto à Duração, é impossível dividi-la ou estabelecer marcos nela.

A Duração, para nós, é a única eternidade, não relativa, mas absoluta.

P. Pode-se dizer que a ideia essencial da Duração é a existência?     R. Não; a existência tem períodos limitados e definidos, enquanto a Duração, não tendo nem começo nem fim, é uma abstração perfeita que contém o Tempo.

A Duração é como o Espaço, que também é uma abstração, e é igualmente sem começo ou fim.

É somente em sua concretude e limitação que se torna uma representação e algo.

Naturalmente, a distância entre dois pontos é chamada de espaço; pode ser enorme ou infinitesimal, mas será sempre espaço.

Mas todas essas especificações são divisões na concepção humana.

Na realidade, o Espaço é o que os antigos chamavam de Uno invisível e desconhecido (agora incognoscível) Deus.

P. Então o Tempo é o mesmo que o Espaço, sendo um no abstrato?     R. Como duas abstrações, podem ser um; mas isso se aplicaria à Duração e ao Espaço Abstrato, antes que ao Tempo e ao Espaço.

P. O Espaço é o lado objetivo e o Tempo o lado subjetivo de toda manifestação.

Na realidade, são os únicos atributos do infinito; mas atributo é talvez um termo ruim de se usar, na medida em que são, por assim dizer, coextensivos com o infinito.

Pode, no entanto, objetar-se que eles nada mais são do que criações de nosso próprio intelecto; simplesmente as formas nas quais não podemos deixar de conceber as coisas.


R. Isso soa como um argumento de nossos amigos os Hilo-idealistas; mas aqui falamos do universo noumenal e não do fenomenal.

No catecismo oculto (Vide Doutrina Secreta) pergunta-se: “O que é aquilo que sempre É, que não podes imaginar como não sendo, faças o que fizeres?” A resposta é—ESPAÇO.

Pois pode não haver um único homem no universo para pensá-lo, nem um único olho para percebê-lo, nem um único cérebro para senti-lo, mas ainda assim o Espaço é, sempre foi e sempre será, e não podes eliminá-lo.      P. Porque não podemos deixar de pensar nele, talvez?      R. O nosso pensar nele nada tem a ver com a questão.

Tenta, antes, se podes pensar em qualquer coisa com o Espaço excluído, e logo descobrirás a impossibilidade de tal concepção.

O Espaço existe onde não há mais nada, e deve assim existir, quer o Universo seja um vácuo absoluto ou um Pleroma pleno.

P. Os filósofos modernos reduziram isso a que o espaço e o tempo nada mais são que atributos, nada mais que acidentes.

R. E eles estariam certos, se a sua redução fosse fruto da verdadeira ciência, em vez de ser o resultado de Avidya e Maya.

Encontramos também Buda dizendo que mesmo o Nirvâna, afinal, é apenas Maya, ou uma ilusão; mas o Senhor Buda baseou o que disse no conhecimento, não na especulação.

P. Mas são o Espaço e a Duração eternos os únicos atributos do Infinito?     R. O Espaço e a Duração, sendo eternos, não podem ser chamados de atributos, pois são apenas os aspectos desse Infinito.

Nem pode esse Infinito, se por ele queres dizer o Princípio Absoluto, ter quaisquer atributos, pois somente aquilo que é em si finito e condicionado pode ter alguma relação com outra coisa.

Tudo isso é filosoficamente errado.

P. Não podemos conceber matéria que não seja extensa, nem extensão que não seja extensão de algo.

É o mesmo nos planos superiores? E, se assim for, qual é a substância que preenche o espaço absoluto, e é ela idêntica a esse espaço?


R. Se o vosso “intelecto treinado” não pode conceber qualquer outro tipo de matéria, talvez um menos treinado, porém mais aberto às percepções espirituais, possa.

Não se segue, porque assim o dizes, que tal concepção do Espaço seja a única possível, mesmo na nossa Terra.

Pois mesmo neste nosso plano existem outros e variados intelectos, além do humano, em criaturas visíveis e invisíveis, desde mentes de Seres subjetivos superiores e inferiores até animais objetivos e os organismos mais baixos, em suma, "do Deva ao elefante, do elemental à formiga". Ora, em relação ao seu próprio plano de concepção e percepção, a formiga tem um intelecto tão bom quanto o nosso, e até melhor; pois, embora não possa expressá-lo em palavras, ainda assim, além do instinto, a formiga demonstra faculdades de raciocínio muito elevadas, como todos sabemos.

Assim, encontrando em nosso próprio plano — se dermos crédito aos ensinamentos do Ocultismo — tantos e tão variados estados de consciência e inteligência, não temos o direito de levar em consideração e considerar apenas a nossa própria consciência humana, como se nenhuma outra existisse fora dela. E se não podemos presumir decidir até onde vai a consciência dos insetos, como podemos limitar a consciência, da qual a Ciência nada sabe, a este plano?

P. Mas por que não? certamente a ciência natural pode descobrir tudo o que há para ser descoberto, mesmo na formiga?     R. Essa é a sua visão; para o ocultista, contudo, tal confiança é infundada, apesar dos trabalhos de Sir John Lubbock.

A ciência pode especular, mas, com seus métodos atuais, nunca será capaz de provar a certeza de tais especulações.

Se um cientista pudesse tornar-se uma formiga por um tempo, e pensar como uma formiga, e lembrar-se de sua experiência ao retornar à sua própria esfera de consciência, então somente ele saberia algo com certeza sobre esse interessante inseto.

Como está, ele só pode especular, fazendo inferências a partir do comportamento da formiga.

P. A concepção de tempo e espaço da formiga não é a nossa, então.

É isso que você quer dizer?     R. Precisamente; a formiga tem concepções de tempo e espaço que são suas, não nossas; concepções que estão inteiramente em outro plano; não temos, portanto, o direito de

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE negar a priori a existência de outros planos apenas porque não podemos formar ideia deles, mas que existem, não obstante — planos superiores e inferiores ao nosso por muitos graus, como testemunha a formiga.

P. A diferença entre o animal e o homem deste ponto de vista parece ser que o primeiro nasce mais ou menos com todas as suas faculdades e, de modo geral, não ganha apreciavelmente nesse aspecto, enquanto o último está gradualmente aprendendo e melhorando.

Não é realmente esse o ponto?     A. Exatamente; mas você precisa lembrar por quê: não porque o homem tem um “princípio” a mais do que o menor inseto, mas porque o homem é um animal aperfeiçoado, o veículo de uma mônada plenamente desenvolvida, autoconsciente e deliberadamente seguindo sua própria linha de progresso, enquanto no inseto, e até no animal superior, a tríade superior de princípios está absolutamente adormecida.

P. Existe alguma consciência, ou ser consciente, que cognize e faça uma divisão do tempo no primeiro bater de asas da manifestação? Em suas “Notas sobre o Bhagavad Gita”, o Sr. Subba Row, ao falar do Primeiro Logos, parece implicar tanto consciência quanto inteligência.

A. Mas ele não explicou a qual Logos se referia, e creio que falou em geral.

Na Filosofia Esotérica, o Primeiro é o não manifestado, e o Segundo é o Logos manifestado.

Iswara representa esse Segundo, e Nârâyana o Logos não manifestado.

Subba Row é um Advaita e um Vedantino erudito, e explicou de seu ponto de vista.

Nós fazemos o mesmo do nosso.

Em A Doutrina Secreta, aquilo do qual o Logos manifestado nasce é traduzido como o “Eterno Pai-Mãe”; enquanto no Vishnu-Purâna é descrito como o Ovo do Mundo, cercado por sete peles, camadas ou zonas.

É neste Ovo Dourado que Brahmâ, o macho, nasce, e que Brahmâ é na realidade o Segundo Logos ou até o Terceiro, de acordo com a enumeração adotada; com certeza ele não é o Primeiro ou o mais elevado, o ponto que está em toda parte e em lugar nenhum.

Mahat, nas interpretações esotéricas, é na realidade o Terceiro Logos ou a Síntese dos sete raios criativos, os Sete Logos.

Dos sete assim chamados Criações, Mahat é o terceiro, pois é o Alma Universal e Inteligente, Ideação Divina, combinando os planos ideais e protótipos de todas as coisas no mundo objetivo manifestado, bem como no subjetivo.


Nas doutrinas Sânkhya e Purânicas, Mahat é o primeiro produto de Pradhâna, informado por Kshetrajñâ, “Espírito-Substância”. Na filosofia esotérica, Kshetrajñâ é o nome dado aos nossos EGOS informantes.

P. É então a primeira manifestação em nosso universo objetivo?     A. É o primeiro Princípio nele, tornado sensível ou perceptível aos sentidos divinos, embora não aos humanos.

Mas se partirmos do Incognoscível, descobriremos que é o terceiro, e correspondente a Manas, ou melhor, a Buddhi-Manas.

P. Então o Primeiro Logos é o primeiro ponto dentro do círculo? R. O ponto dentro do círculo que não tem limite nem fronteiras, nem pode ter qualquer nome ou atributo.

Este primeiro Logos não manifestado é simultâneo à linha traçada através do diâmetro do Círculo.

A primeira linha ou diâmetro é o Pai-Mãe; dela procede o Segundo Logos, que contém em si o Terceiro Verbo Manifestado.

Nos Purânas, por exemplo, diz-se novamente que a primeira produção de Akâsa é o Som, e Som significa neste caso o "Verbo", a expressão do pensamento não proferido, o Logos manifestado, aquele dos gregos, dos platônicos e de São João.

O Dr. Wilson e outros orientalistas falam dessa concepção dos hindus como um absurdo, pois, segundo eles, Akâsa e Caos são idênticos.

Mas se eles soubessem que Akâsa e Pradhâna são apenas dois aspectos da mesma coisa, e lembrassem que Mahat, a ideação divina em nosso plano — é esse Som ou Logos manifestado, ririam de si mesmos e de sua própria ignorância.

P. Com referência à seguinte passagem, qual é a consciência que toma conhecimento do tempo? A consciência do tempo está limitada ao plano da consciência física desperta ou existe em planos superiores? Em "A Doutrina Secreta", I, 37, diz-se que: — "O tempo é apenas uma ilusão produzida pela sucessão de nossos estados de consciência enquanto viajamos através da duração eterna, e não existe onde nenhuma consciência existe. . . ." R. Aqui se refere apenas à consciência em nosso plano, não à eterna consciência divina que chamamos de Absoluto.


A consciência do tempo, no sentido atual da palavra, não existe nem mesmo no sono; muito menos, portanto, pode existir no essencialmente absoluto.

Pode-se dizer que o mar tem uma concepção de tempo em seu bater rítmico na praia, ou no movimento de suas ondas? Não se pode dizer que o Absoluto tenha uma consciência, ou, de qualquer forma, uma consciência como a que temos aqui.

Ele não tem nem consciência, nem desejo, nem anseio, nem pensamento, porque é pensamento absoluto, desejo absoluto, consciência absoluta, "tudo" absoluto. P. É o que nos referimos como SER-ÂNCIA, ou SAT? R. Nossos gentis críticos acharam a palavra "Ser-ância" muito divertida, mas não há outra maneira de traduzir o termo sânscrito, Sat.

Não é existência, pois existência só pode aplicar-se a fenômenos, nunca a númenos, a própria etimologia do termo latino contradizendo tal afirmação, já que *ex* significa "de" ou "fora de", e *sistere* "estar de pé"; portanto, algo que aparece sendo [então? ali?] onde não estava antes.

Existência, além disso, implica algo que tem um começo e um fim.

Como pode o termo, portanto, aplicar-se àquilo que sempre foi, e do qual não se pode predicar que jamais emanou de outra coisa?     P. O Jeová hebreu era "Eu sou".     R. E assim também era Ormuzd, o Ahura-Mazda dos antigos mazdeístas.

Nesse sentido, todo homem, tanto quanto todo Deus, pode vangloriar-se de sua existência, dizendo "Eu sou o que sou".     P. Mas certamente "Seridade" tem alguma conexão com a palavra "ser"?     R. Sim; mas "Seridade" não é ser, pois é igualmente não-ser.

Não podemos concebê-la, pois nossos intelectos são finitos e nossa linguagem é muito mais limitada e condicionada até do que nossas mentes.

Como, portanto, podemos expressar aquilo que só podemos conceber por uma série de negações?     P. Um alemão poderia expressá-lo mais facilmente pela palavra "sein"; "das sein" seria um equivalente muito bom de "Seridade"; este último termo pode soar absurdo aos ouvidos ingleses não acostumados, mas "das sein" é um termo e uma ideia perfeitamente familiares para um alemão.


Mas estávamos falando da consciência no Espaço e no Tempo.

R. Essa Consciência é finita, tendo começo e fim.

Mas onde está a palavra para tal Consciência finita que, ainda assim, devido a Mâya, acredita-se infinita? Nem mesmo o Devachanee tem consciência do tempo.

Tudo é presente no Devachan; não há passado, caso contrário o Ego o recordaria e lamentaria; não há futuro, ou o desejaria ter. Vendo, portanto, que o Devachan é um estado de bem-aventurança no qual tudo é presente, diz-se que o Devachanee não tem concepção ou ideia de tempo; tudo é para ele como em um sonho vívido, uma realidade.

P. Mas podemos sonhar uma vida inteira em meio segundo, estando conscientes de uma sucessão de estados de consciência, eventos ocorrendo um após o outro.

R. Somente após o sonho; nenhuma tal consciência existe enquanto se sonha.

P. Não poderíamos comparar a recordação de um sonho a uma pessoa que descreve uma pintura, tendo que mencionar todas as partes e detalhes porque não pode apresentar o todo diante do olho mental do ouvinte?     R. Essa é uma analogia muito boa.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME X                                 Janeiro, Fevereiro, Março,

II         Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em         17 de janeiro de 1889, Sr. T.B. Harbottle na Presidência.

ESTÂNCIA I (continuação)

Sloka (3). . . . . . A MENTE UNIVERSAL NÃO ERA, POIS NÃO HAVIA AH-HI (seres celestiais) PARA CONTÊ-LA (e, portanto, manifestá-la).     P. Este sloka parece implicar que a Mente Universal não tem existência aparte dos Ah-hi; mas no Comentário está declarado que:     Um noumenon pode tornar-se um fenômeno em qualquer plano de existência somente manifestando-se nesse plano através de uma base apropriada ou veículo; e durante a longa noite de repouso chamada Pralaya, quando todas as existências são dissolvidas, a "MENTE UNIVERSAL" permanece como uma possibilidade permanente de ação mental, ou como aquele pensamento absoluto abstrato, do qual a mente é a manifestação relativa concreta.


Os AH-HI (Dhyan-Chohans) são as hostes coletivas de seres espirituais que são os veículos para a manifestação do pensamento e da vontade divinos ou universais.

Eles são as Forças Inteligentes que conferem e promulgam na Natureza as suas "Leis", enquanto eles próprios agem de acordo com leis impostas sobre eles de maneira similar por Poderes ainda mais elevados; . . . . . . Esta hierarquia de seres espirituais, através da qual a Mente Universal entra em ação, é como um exército — uma "Hoste", verdadeiramente.

. . . . . .

O Comentário sugere que os Ah-hi não são eles próprios a Mente Universal, mas apenas o veículo para a sua manifestação.

R. O significado deste sloka é, creio eu, muito claro; significa que, como não há mentes finitas diferenciadas durante o Pralaya, é como se não houvesse mente alguma, porque não há nada para contê-la ou percebê-la. Não há nada para receber e refletir a ideação da Mente Absoluta; portanto, ela não é.

Tudo o que está fora do Sat (Be-ness) absoluto e imutável é necessariamente finito e condicionado, pois tem começo e fim.

Portanto, uma vez que os "Ah-hi não eram", não havia Mente Universal como manifestação.

Uma distinção teve de ser feita entre a Mente Absoluta, que está sempre presente, e o seu reflexo e manifestação nos Ah-hi, que, estando no plano mais elevado, refletem a mente universal coletivamente ao primeiro bater de asas do Manvantara.

Após o que eles começam o trabalho de evolução de todas as forças inferiores através dos sete planos, até o mais baixo — o nosso.

Os Ah-hi são os sete raios primordiais, ou Logos, emanados do primeiro Logos, tríplice, porém uno em sua essência.

P. Então os Ah-hi e a Mente Universal são complementos necessários um do outro?     R. De modo algum: a Mente Universal ou Absoluta sempre é durante o Pralaya bem como no Manvantara; ela é imutável.

Os Ah-hi são os Dhyanis mais elevados, os Logos como acabamos de dizer, aqueles que iniciam a evolução descendente, ou emanação.

Durante o Pralaya não há Ah-hi, porque eles vêm a existir apenas com a primeira radiação da Mente Universal, que, por si só, não pode ser diferenciada, e a radiação da qual é o primeiro alvorecer do Manvantara.

O Absoluto é mente adormecida, latente, e não pode ser de outra forma na verdadeira percepção metafísica; é apenas Sua sombra que se torna diferenciada na coletividade desses Dhyanis.

P. Isso significa que era consciência absoluta, mas não é mais?     R. É consciência absoluta eternamente, a qual consciência se torna consciência relativa periodicamente, a cada “alvorecer manvantárico”. Imaginemos esta consciência latente ou potencial como uma espécie de vácuo num vaso.

Quebre o vaso, e o que acontece com o vácuo; onde o procuraremos? Ele desapareceu; está em toda parte e em lugar nenhum.

É algo, porém nada: um vácuo, porém um pleno.

Mas o que é na realidade um vácuo, como entendido pela Ciência Moderna—um algo homogêneo, ou o quê? Não é o Vácuo absoluto uma invenção de nossa fantasia? Uma pura negação, um suposto Espaço onde nada existe? Sendo assim, destrua o vaso, e—para nossas percepções, pelo menos—nada existe.

Portanto, a Estância o coloca muito corretamente; “A Mente Universal não era,” porque não havia veículo para contê-la.     P. Quais são os poderes superiores que condicionam os Ah-hi?     R. Eles não podem ser chamados de poderes; poder ou talvez Potencialidade seria melhor.

Os Ah-hi são condicionados pelo despertar para a manifestação da LEI universal periódica, que se torna sucessivamente ativa e inativa.

É por essa lei que eles são condicionados ou formados, não criados.

“Criado” é um termo impossível de se usar em Filosofia.

P. Então o poder ou Potencialidade que precede e é superior aos Ah-hi, é a lei que necessita a manifestação?     R. Exatamente; manifestação periódica.

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol. I, p. 38. –––––––––– Quando a hora soa, a lei entra em ação, e os Ah-hi aparecem no primeiro degrau da escada da manifestação.



P. Mas certamente esta é A lei e não UMA lei?      R. Precisamente, pois é absoluta e "sem segundo" — portanto, não é um atributo, mas essa Absolutidade em si.

P. A grande dificuldade é explicar essa lei?      R. Isso seria tentar ir além da primeira manifestação e da causalidade suprema.

Será necessário todo o nosso intelecto limitado para compreender vagamente até mesmo esta última; por mais que tentemos, nunca poderemos, limitados como somos, aproximar-nos do Absoluto, que é para nós, em nosso atual estágio de desenvolvimento mental, meramente uma especulação lógica, embora remonte a milhares e milhares de anos.

P. Com referência ao sloka em discussão, "mente cósmica" não seria um termo melhor do que "mente universal"?      R. Não; a mente cósmica aparece no terceiro estágio, ou grau, e está confinada ou limitada ao universo manifestado.

Nos Purânas, Mahat (o "grande" Princípio da mente, ou Intelecto) aparece apenas na terceira das Sete "Criações" ou estágios de evolução.

A Mente Cósmica é Mahat, ou ideação divina em operação ativa (criativa), e, portanto, apenas a manifestação periódica no tempo e em ato da Mente Universal Eterna — em potência.

Em verdade estrita, a Mente Universal, sendo apenas outro Nome para o Absoluto, fora do tempo e do Espaço, essa Ideação Cósmica, ou Mente, não é de modo algum uma evolução (muito menos uma "criação"), mas simplesmente um dos aspectos daquela, que não conhece mudança, que sempre foi, que é e será. Assim, digo novamente, o sloka implica que a ideação universal não era, isto é, não existia para a percepção, porque não havia mentes para percebê-la, uma vez que a Mente Cósmica ainda estava latente, ou era mera potencialidade.

Como as estâncias falam de manifestação, somos compelidos a traduzi-las assim, e não de qualquer outro ponto de vista.

P. Usamos a palavra "cósmico" como aplicada ao universo manifestado em todas as suas formas.

O sloka aparentemente não se refere a isso, mas à primeira Consciência absoluta, ou Não-consciência, e parece implicar que a consciência absoluta não poderia ser essa mente universal porque não era, ou não podia ser, expressa: não havia, portanto, expressão para ela. Mas pode-se objetar que, embora não houvesse expressão para ela, ela ainda assim estava lá.


Podemos dizer que, como Sat, era e não era?     R. Isso não ajudará na interpretação.

P. Quando se diz que não era, a ideia transmitida então é que não era no Absoluto?     R. De modo algum; simplesmente "não era".     P. Parece haver uma distinção, certamente; pois se pudéssemos dizer "era", estaria-se adotando uma visão muito unilateral da ideia de Sat, e equivalente a dizer que Sat era SER.

Ainda assim, alguém pode dizer que a frase "Mente Universal não era", como está, sugere que é uma manifestação, mas a mente não é uma manifestação.

R. A mente, no ato de ideação, é uma manifestação; mas a Mente Universal não é a mesma coisa, pois nenhum ato condicionado e relativo pode ser predicado daquilo que é Absoluto.

A ideação universal existiu assim que os Ah-hi apareceram, e continua durante todo o Manvantara.

P. A que plano cósmico pertencem os Ah-hi, aqui mencionados?     R. Eles pertencem ao primeiro, segundo e terceiro planos — sendo o último plano realmente o ponto de partida da manifestação primordial — o reflexo objetivo do não-manifestado.

Como a Mônada pitagórica, o primeiro Logos, tendo emanado a tríade primordial, desaparece no silêncio e nas trevas.

P. Isso significa que os três Logos emanados da Radiação primordial no Macrocosmo correspondem a Atma, Buddhi e Manas, no Microcosmo?     R. Exatamente; eles correspondem, mas não devem ser confundidos com eles.

Estamos agora falando do Macrocosmo no primeiro bater de asas da aurora manvantárica, quando a evolução começa, e não do Microcosmo ou do Homem.

P. Os três planos aos quais pertencem os três Logos são emanações simultâneas, ou evoluem um do outro?     R. É muito enganoso aplicar leis mecânicas à metafísica superior da cosmogonia, ou ao espaço e ao tempo, como os conhecemos, pois nem um nem outro existiam então.

O reflexo da tríade no espaço e no tempo, ou o universo objetivo, vem mais tarde.

CORONEL HENRY STEEL OLCOTT                    Publicado originalmente em The Word, Vol.

XXII, outubro de 1915.

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE     P. Os Ah-hi foram homens em Manvantaras anteriores, ou se tornarão assim?     R. Todo ser vivo, de qualquer espécie, foi, é ou será um ser humano em um ou outro Manvantara.

P. Mas eles, neste Manvantara, permanecem permanentemente no mesmo plano exaltadíssimo durante todo o período do ciclo de vida?

R. Se por "ciclo de vida" você quer dizer uma duração de tempo que se estende por quinze figuras, então minha resposta é decididamente—não. Os "Ah-hi" passam por todos os planos, começando a se manifestar no terceiro.

Como todas as outras Hierarquias, no plano mais elevado eles são arupa, isto é, sem forma, sem corpo, sem qualquer substância, meros sopros.

No segundo plano, eles se aproximam primeiro de Rupa, ou forma.

No terceiro, tornam-se Manasaputras, aqueles que encarnaram nos homens.

A cada plano que alcançam, são chamados por nomes diferentes—há uma contínua diferenciação de sua substância homogênea original; chamamos-lhe substância, embora na realidade não seja substância alguma que possamos conceber. Mais tarde, tornam-se Rupa—formas etéreas.

P. Então os Ah-hi deste Manvantara.

. . . . . ?

R. Não existem mais; há muito se tornaram Egos planetários, solares, lunares e, por fim, encarnantes, pois, como foi dito, "são as hostes coletivas de seres espirituais."

P. Mas foi afirmado acima que os Ah-hi não se tornaram homens neste Manvantara.

R. Nem o fazem como os "Ah-hi" sem forma. Mas o fazem como suas próprias transformações.

Os Manvantaras não devem ser confundidos.

O ciclo manvantárico de quinze figuras aplica-se ao sistema solar; mas há um Manvantara que se relaciona com todo o universo objetivo, o Pai-Mãe, e muitos Manvantaras menores.

Os slokas relativos ao primeiro foram geralmente selecionados, e apenas dois ou três relativos ao último foram dados.

Muitos slokas, portanto, foram omitidos devido à sua natureza difícil.

P. Então, ao redespertar, os homens de um Manvantara terão que passar por um estado correspondente ao estágio Ah-hi no próximo Manvantara?


R. Em alguns dos Manvantaras, a cauda está na boca da serpente.

Pense sobre este Simbolismo.

P. Um homem pode escolher sobre o que pensar; a analogia pode ser aplicada aos Ah-hi?

R. Não; porque um homem tem livre arbítrio e os Ah-hi não têm nenhum.

Eles são obrigados a agir simultaneamente, pois a lei sob a qual devem agir lhes dá o impulso.

O livre arbítrio só pode existir em um Homem que tem tanto mente quanto consciência, que agem e o fazem perceber as coisas tanto dentro quanto fora de si mesmo.

Os "Ah-hi" são Forças, não Seres humanos.

**P.** Mas não são eles agentes conscientes na obra?

**R.** Conscientes na medida em que agem dentro da consciência universal.

Mas a consciência dos Manasa-putra no terceiro plano é bastante diferente.

É somente então que eles se tornam Pensadores.

Além disso, o Ocultismo, ao contrário da Ciência moderna, sustenta que todo átomo de matéria, uma vez diferenciado, torna-se dotado de sua própria espécie de Consciência.

Toda célula do corpo humano (como em todo animal) é dotada de seu próprio discernimento peculiar, instinto e, relativamente falando, de inteligência.

**P.** Pode-se dizer que os Ah-hi desfrutam de bem-aventurança?

**R.** Como poderiam eles estar sujeitos à bem-aventurança ou à não-bem-aventurança? A bem-aventurança só pode ser apreciada, e torna-se tal, quando o sofrimento é conhecido.

**P.** Mas há uma distinção entre felicidade e bem-aventurança.

**R.** Concedendo que possa haver, ainda assim não pode haver nem felicidade nem bem-aventurança sem uma experiência contrastante de sofrimento e dor.

**P.** Mas entendemos que se pretendia referir à bem-aventurança como o estado do Absoluto.

**R.** Isso é ainda mais ilógico.

Como se pode dizer que o ABSOLUTO sente? O Absoluto não pode ter condição nem atributo.

Somente aquilo que é finito e diferenciado é que pode ter qualquer sentimento ou atitude predicados a seu respeito.

**P.** Então não se pode dizer que os Ah-hi sejam inteligências conscientes, quando a inteligência é tão complexa?

**R.** Talvez o termo seja errôneo, mas devido à pobreza das línguas europeias parece não haver outra escolha.

TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

**P.** Mas talvez uma frase representasse a ideia mais corretamente? O termo parece significar uma força que é uma unidade, não uma ação e reação complexa de várias forças, o que estaria implícito na palavra "inteligência". O aspecto noumênico da força fenomênica talvez expressasse melhor a ideia.

**R.** Ou talvez possamos representar a nós mesmos a ideia como uma chama, uma unidade; os raios dessa chama serão complexos, cada um agindo em sua própria linha reta.

**P.** Mas eles só se tornam complexos quando encontram receptáculos nas formas inferiores.

**R.** Exatamente; ainda assim, os Ah-hi são a chama da qual os raios jorram, tornando-se cada vez mais diferenciados à medida que caem mais profundamente na matéria, até finalmente alcançarem este nosso mundo, com seus milhões de habitantes e seres sensuais, e então eles se tornam verdadeiramente complexos.

P. Os Ah-hi, então, considerados como uma essência primária, seriam a unidade? Podemos considerá-los como tal?

R. Podeis; mas a verdade estrita é que eles apenas procedem da unidade e são os primeiros de seus sete raios.

P. Então, podemos chamá-los de reflexo da unidade?

R. Não são os raios prismáticos fundamentalmente um único raio branco? Do um eles se tornam três; dos três, sete; dos quais sete primários eles caem na infinitude.

Referindo-nos à assim chamada "consciência" dos Ah-hi, essa consciência não pode ser julgada pelo padrão das percepções humanas.

Ela está em um plano bastante diferente.

P. "Durante o sono profundo, a mente não está no plano material"; deve-se inferir, portanto, que durante esse período a mente está ativa em outro plano? Existe alguma definição das características que distinguem a mente no estado de vigília da mente durante o sono do corpo?

R. Existe, é claro; mas não creio que uma discussão sobre isso seja pertinente ou útil agora; basta dizer que frequentemente a faculdade racional da mente superior pode estar adormecida, e a mente instintiva plenamente desperta.

É a distinção fisiológica entre o cérebro e o cerebelo; um dorme e o outro está desperto.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

P. O que se entende pelo termo mente instintiva?

R. A mente instintiva encontra expressão através do cerebelo e é também a dos animais.

No homem, durante o sono, as funções do cérebro cessam, e o cerebelo o conduz ao plano astral, um estado ainda mais irreal do que o próprio plano de ilusão da vigília; pois assim chamamos este estado que a maioria de vós considera tão real.

E o plano astral é ainda mais enganoso, porque reflete indiscriminadamente o bom e o mau, e é tão caótico.

P. As condições fundamentais da mente no estado de vigília são o espaço e o tempo: existem eles para a mente (Manas) durante o sono do corpo físico?

R. Não como os conhecemos.

Além disso, a resposta depende de qual Manas quereis dizer—o superior ou o inferior.

É apenas o último que é suscetível a alucinações sobre espaço e tempo; por exemplo, um homem no estado de sonho pode viver em poucos segundos os eventos de uma vida inteira.

Pois para as percepções e apreensões do Ego Superior não há nem espaço nem tempo.

P. Diz-se que Manas é o veículo de Buddhi, mas a mente universal foi mencionada como uma Maha-Buddhi.

Qual é então a distinção entre os termos Manas e Buddhi, empregados em um sentido universal, e Manas e Buddhi como manifestados no homem?     R. O Buddhi Cósmico, a emanação da Alma Espiritual Alaya, é o veículo de Mahat somente quando esse Buddhi corresponde a Prakriti.

Então é chamado Maha-Buddhi.

Esse Buddhi se diferencia através de sete planos, enquanto o Buddhi no homem é o veículo de Atman, cujo veículo é da essência do plano mais elevado de Akasha e, portanto, não se diferencia.

A diferença entre Manas e Buddhi no homem é a mesma que a diferença entre os Manasa-putra e os Ah-hi no Cosmos.

––––––––––      Veja a discussão sobre sonhos anexada ao primeiro número das Transactions.

[Isto será encontrado em sua ordem cronológica correta na parte anterior do presente Volume.—Compilador.] ––––––––––

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE      P. Manas é mente, e os Ah-hi, diz-se, não podem ter mais Mente individual, ou aquilo que chamamos mente, neste plano do que Buddhi pode.

Pode haver Consciência sem Mente?      R. Não neste plano de matéria.

Mas por que não em algum outro plano mais elevado? Uma vez que postulamos uma Mente Universal, tanto o cérebro, o veículo da mente, quanto a Consciência, sua faculdade, devem ser bastante diferentes em um plano mais elevado do que são aqui.

Eles estão mais próximos do TODO Absoluto e, portanto, devem ser representados por uma substância infinitamente mais homogênea; algo sui generis, e inteiramente além do alcance de nossas percepções intelectuais.

Vamos chamá-lo ou imaginá-lo como um estado incipiente e incognoscível de diferenciação primordial.

Nesse plano mais elevado, como me parece, Mahat—o grande Princípio Manvantárico de Inteligência—atua como um Cérebro, através do qual a Mente Universal e Eterna irradia os Ah-hi, representando a consciência ou ideação resultante.

À medida que a sombra desse triângulo primordial cai cada vez mais baixo através dos planos descendentes, torna-se a cada estágio mais material.

P. Torna-se o plano no qual a Consciência percebe manifestações objetivas.

É assim?      R. Sim.

Mas aqui nos deparamos com o grande problema da Consciência, e teremos que lutar contra o Materialismo.

Pois o que é Consciência? De acordo com a ciência moderna, é uma faculdade da Mente como a volição.

Nós também dizemos isso; mas acrescentamos que, enquanto a Consciência não é uma coisa em si, a Mente é distintamente—em suas funções manvantáricas pelo menos—uma Entidade.

Tal é a opinião de todos os Idealistas Orientais.

P. É, no entanto, moda nos dias de hoje falar com desdém da ideia de que a mente é uma entidade.

R. Não obstante, mente é um termo perfeitamente sinônimo de Alma.

Aqueles que negam a existência desta última naturalmente sustentarão que não existe algo como consciência apartada do cérebro, e que na morte a consciência cessa.

Os ocultistas, ao contrário, afirmam que a consciência existe após a morte, e que então apenas começa a verdadeira consciência e liberdade do Ego, quando este não é mais impedido pela matéria terrestre.


P. Talvez a primeira visão derive de limitar o significado do termo "consciência" à faculdade de percepção?     R. Se assim for, o ocultismo é totalmente oposto a tal visão.

Sloka (4) OS SETE CAMINHOS PARA A BÊNÇÃO (Moksha ou Nirvana) NÃO ERAM.

 AS GRANDES CAUSAS DE MISÉRIA (Nidana e Maya) NÃO ERAM, POIS NÃO HAVIA NINGUÉM PARA PRODUZI-LAS E POR ELAS SER ENREDADO.

P. Quais são os sete caminhos para a bênção?     R. São certas faculdades das quais o estudante saberá mais quando se aprofundar no ocultismo.

P. As Quatro Verdades da escola Hinayâna são as mesmas mencionadas por Sir Edwin Arnold em "A Luz da Ásia"; a primeira das quais é o Caminho da Dor; a segunda, a causa da Dor; a terceira, a cessação da Dor; e a quarta é o CAMINHO?      R. Tudo isso é teológico e exotérico, e se encontra em todas as escrituras budistas; e o acima parece ser tirado do Budismo cingalês ou do Sul.

O assunto, no entanto, é tratado de forma muito mais completa na escola Aryasangha.

Ainda assim, mesmo lá, as quatro verdades têm um significado para o sacerdote comum do Manto Amarelo, e outro bem diferente para os verdadeiros Místicos.

P. São Nidâna e Maya (as grandes causas de miséria) aspectos do Absoluto?      R. Nidâna significa a concatenação de causa e efeito; os doze Nidânas são a enumeração das principais causas que produzem a reação ou os efeitos mais severos sob a lei Kármica.

Embora não haja conexão entre os termos Nidâna e Maya em si mesmos, sendo Maya simplesmente ilusão, certamente se considerarmos o universo como Maya ou ilusão, então os Nidânas, como agentes morais no universo, estão incluídos em Maya.

É Maya, ilusão ou ignorância, que desperta os Nidânas; e tendo sido produzida a causa ou causas, os efeitos seguem de acordo com a lei Kármica.

Para tomar um exemplo: todos nós nos consideramos Unidades, embora essencialmente sejamos uma única Unidade indivisível, gotas no oceano do Ser, que não se distinguem das outras gotas.

Tendo então produzido

––––––––––     Vide The Voice of the Silence: Fragmento III, "Os Sete Portais." –––––––––– esta causa, toda a discórdia da vida segue imediatamente como efeito; na realidade, é o esforço da natureza para restaurar a harmonia e manter o equilíbrio.


É este senso de separatividade que é a raiz de todo o mal.

P. Talvez fosse, portanto, melhor separar os dois termos e declarar se Maya é um aspecto do Absoluto?     R. Isso dificilmente pode ser assim, uma vez que Maya é a Causa e, ao mesmo tempo, um aspecto da diferenciação, se é que é algo.

Além disso, o Absoluto nunca pode ser diferenciado.

Maya é uma manifestação; o Absoluto não pode ter manifestação, mas apenas um reflexo, uma sombra que é irradiada periodicamente dele — não por ele.     P. No entanto, diz-se que Maya é a Causa da manifestação ou diferenciação?     R. E daí? Certamente, se não houvesse Maya, não haveria diferenciação, ou, melhor dizendo, nenhum universo objetivo seria percebido.

Mas isso não faz dela um aspecto do Absoluto, mas simplesmente algo coevo e coexistente com o Universo manifestado ou com a diferenciação heterogênea da pura Homogeneidade.

P. Por uma paridade de razão, então, se não há diferenciação, não há Maya? Mas estamos falando de Maya agora como A CAUSA do Universo, de modo que, no momento em que ultrapassamos a diferenciação, podemos nos perguntar — Onde está Maya?     R. Maya está em toda parte e em tudo o que tem um começo e um fim; portanto, tudo é um aspecto daquilo que é eterno e, nesse sentido, é claro que a própria Maya é um aspecto de SAT, ou daquilo que está eternamente presente no universo, seja durante o Manvantara ou o Mahapralaya.

Apenas lembre-se de que foi dito até mesmo do Nirvâna que ele é apenas Maya quando comparado ao Absoluto.

P. É então Maya um termo coletivo para todas as manifestações?     R. Não creio que isso explicaria o termo.

Maya é a faculdade perceptiva de todo Ego que se considera uma Unidade separada e independente do Uno infinito e eterno SAT, ou "Ser". Maya é explicada na filosofia exotérica e nos Purânas como a Vontade ativa personificada do Deus Criador — sendo este último apenas uma Maya personificada — uma ilusão passageira do sentidos do homem, que começou a antropomorfizar a abstração pura desde o início de suas especulações.


Maya.

na concepção de um hindu ortodoxo, é bastante diferente da Maya de um idealista vedantino ou de um ocultista. O Vedanta afirma que Maya, ou a influência enganosa da ilusão apenas, constitui a crença na existência real da matéria ou de qualquer coisa diferenciada.

O Bhagavata Purana identifica Maya com Prakriti (natureza manifestada e matéria). Não afirmam o mesmo alguns metafísicos europeus avançados, como Kant, Schopenhauer e outros? É claro que eles obtiveram suas ideias sobre isso do Oriente — especialmente do Budismo; contudo, a doutrina da irrealidade deste universo foi trabalhada de forma bastante correta por nossos filósofos — em linhas gerais, pelo menos.

Agora, embora não haja duas pessoas que vejam as coisas e os objetos exatamente da mesma maneira, e que cada um de nós os veja à sua própria maneira, todos labutam mais ou menos sob ilusões, e principalmente sob a grande ilusão (Maya) de que são, como personalidades, seres distintos de outros seres, e que até mesmo seus Eus ou Egos prevalecerão na eternidade (ou sempiternidade, pelo menos) como tais; enquanto que não apenas nós mesmos, mas todo o universo visível e invisível, somos apenas uma parte temporária do único TODO sem começo e sem fim, ou daquilo que sempre foi, é e será.     P. O termo parece aplicar-se aos pontos complexos de diferenciação: a diferenciação aplicando-se à unidade e Maya à coleção de unidades.

Mas podemos agora fazer uma pergunta lateral.

Com relação à parte precedente da discussão, fez-se referência ao cérebro e ao cerebelo, sendo este último descrito como o órgão instintual.

Supõe-se que um animal tenha uma mente instintiva; mas diz-se que o cerebelo é simplesmente o órgão da vida vegetativa, e que controla sozinho as funções do corpo; enquanto a mente sensual é a mente na qual os sentidos se abrem, e não pode haver pensamento ou ideação, nada do que prediquemos intelecto ou instinto em qualquer lugar, exceto naquela parte do cérebro designada para tais funções, a saber, o cérebro.     R. Seja como for, este cerebelo é o órgão das funções animais instintuais, que se refletem em, ou produzem, sonhos que na maioria das vezes são caóticos e inconsequentes.

Sonhos, contudo, que são                   TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

lembrados, e apresentam uma sequência de eventos, devem-se à visão do Ego superior.

P. Não é o cerebelo o que poderíamos chamar de órgão do hábito? A. Sendo instintual, muito bem pode ser assim chamado, creio eu.

P. Exceto que o hábito pode ser referido ao que poderíamos chamar de estágio presente da existência, e o instinto a um estágio passado.

A. Seja qual for o nome, somente o cerebelo — como já vos foi dito (vide "Sobre os sonhos", Apêndice) — funciona durante o sono, não o cérebro; e os sonhos, ou emanações, ou sentimentos instintivos, que experimentamos ao despertar, são o resultado de tal atividade.

P. A sequencialidade é produzida inteiramente pela faculdade coordenadora.

Mas certamente o cérebro também age, prova disso é que quanto mais nos aproximamos do estado entre o sono e a vigília, mais vívidos se tornam os nossos sonhos.

A. Exatamente, quando estais despertos; mas não antes.

Podemos comparar esse estado do cerebelo a uma barra de metal, ou algo da mesma natureza, que foi aquecida durante o dia e emana ou irradia calor durante a noite; assim, a energia do cérebro irradia inconscientemente durante a noite.

P. Ainda assim, não podemos dizer que o cérebro é incapaz de registrar impressões durante o sono.

Um homem adormecido pode ser despertado por um ruído e, quando acordado, frequentemente conseguirá rastrear seu sonho até a impressão causada pelo ruído.

Esse fato parece provar conclusivamente a atividade do cérebro durante o sono.

A. Uma atividade mecânica, certamente; se sob tais circunstâncias há a menor percepção, ou o menor vislumbre do estado de sonho, a memória entra em jogo, e o sonho pode ser reconstruído.

Na discussão sobre os sonhos, o estado de sonho que passa ao estado de vigília foi comparado às brasas de um fogo moribundo; podemos muito bem continuar a simile e comparar o jogo da memória a uma corrente de ar que as reacende.

Isto é, que

–––––––––– [O ensaio sobre "Sonhos" será encontrado em sua ordem cronológica correta na parte anterior do presente Volume.—Compilador.] –––––––––– a consciência desperta recorda à atividade o cerebelo, que estava se desvanecendo abaixo do limiar da consciência.


P. Mas o cerebelo alguma vez cessa de funcionar? A. Não; porém se perde nas funções do cérebro.

P. Isso quer dizer que os estímulos que procedem do cerebelo durante a vida desperta caem abaixo do limiar da consciência desperta, o campo da consciência estando inteiramente ocupado pelo cérebro, e isso continua até que o sono sobrevenha, quando os estímulos do cerebelo começam, por sua vez, a formar o campo da consciência. Não é, portanto, correto dizer que o cérebro é o único assento da consciência.

R. Exatamente; a função do cérebro é polir, aperfeiçoar ou coordenar ideias, enquanto a do cerebelo produz desejos conscientes, e assim por diante.

P. Evidentemente, temos de ampliar nossa ideia de consciência. Por exemplo, não há razão para que uma planta sensível não tenha consciência. Du Prel, em sua “Philosophie der Mystik”, cita alguns experimentos muito curiosos que mostram uma espécie de consciência local, talvez uma espécie de conexão reflexa. Ele vai ainda mais longe, demonstrando, a partir de um grande número de casos bem autenticados, como os de clarividentes, que podem perceber pela boca do estômago, que o limiar da consciência é capaz de uma extensão muito ampla, muito mais ampla do que estamos acostumados a lhe atribuir, tanto para cima quanto para baixo.

R. Podemos nos congratular pelos experimentos de Du Prel como um antídoto para as teorias do Professor Huxley, que são absolutamente irreconciliáveis com os ensinamentos do ocultismo.

––––––––––                      Collected Writings VOLUME X                            Janeiro, Fevereiro, Março,

III

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 24 de janeiro de 1889; SR. T. B. HARBOTTLE na presidência.

ESTÂNCIA I (continuação).

Sloka (5).—AS TREVAS SOZINHAS PREENCHERAM O TODO SEM LIMITES, POIS PAI, MÃE E FILHO ERAM MAIS UMA VEZ UM, E O FILHO AINDA NÃO HAVIA DESPERTADO PARA A NOVA RODA E SUA PEREGRINAÇÃO NELA.

TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

P. As “Trevas” são as mesmas que o “Espaço Parental Eterno” mencionado no Sloka (1)?

R. De modo algum. Aqui, o “Todo sem Limites” é o “Espaço Parental”; e o Espaço Cósmico é algo que já possui atributos, pelo menos potencialmente. As “Trevas”, por outro lado, e neste caso, são aquilo do qual nenhum atributo pode ser postulado: é o Princípio Desconhecido que preenche o Espaço Cósmico.

P. As Trevas são então usadas no sentido de polo oposto à Luz?

R. Sim, no sentido do Não-Manifestado e do Desconhecido como polo oposto à manifestação, e daquilo que cai sob a possibilidade de especulação.

P. Então, as Trevas não se opõem à Luz, mas à diferenciação; ou melhor, não podem ser tomadas como o símbolo da Negatividade?
R. As “Trevas” aqui mencionadas não podem se opor nem à Luz nem à Diferenciação, pois ambas são efeitos legítimos da evolução manvantárica—o ciclo de Atividade.

São as “Trevas sobre a face do Abismo”, em Gênesis: sendo o Abismo aqui “o brilhante filho do Pai Sombrio”—o Espaço.

P. É que não há Luz, ou simplesmente nada para manifestar, e ninguém para percebê-la?
R. Ambos.

No sentido da objetividade, tanto a luz quanto as trevas são ilusões—maya; neste caso, não é a Treva como ausência de Luz, mas como um Princípio primordial incompreensível, que, sendo a Absolutividade em si, não tem para nossas percepções intelectuais nem forma, cor, substancialidade, nem nada que possa ser expresso por palavras.

P. Quando a Luz procede dessas Trevas?
R. Subsequentemente, quando a primeira hora da manifestação soa.

P. Então, a Luz é a primeira manifestação?
R. É, depois que a diferenciação começou e apenas no terceiro estágio da evolução.

Tenha em mente que, em filosofia, usamos a palavra “Luz” em um sentido duplo: um para significar luz eterna, absoluta, em potência, sempre presente no seio das Trevas desconhecidas, coexistente e coetânea com estas na Eternidade, ou em outras palavras, idêntica a elas; e o outro como uma Manifestação de heterogeneidade e um contraste a elas. Pois quem lê o Vishnu-Purâna, por exemplo, com compreensão, encontrará a diferença entre os dois termos bem expressa em Vishnu; um com Brahmâ, e ainda assim distinto dele.

Lá, Vishnu é o x eterno, e ao mesmo tempo cada termo da equação. Ele é Brahma (neutro) essencialmente matéria e Espírito, que são os dois aspectos primordiais de Brahma—sendo o Espírito a luz abstrata. Nos Vedas, porém, encontramos Vishnu em pouca estima, e nenhuma menção é feita a Brahmâ (o masculino).

P. Qual é o significado da frase: “Pai, Mãe e Filho eram novamente um”?
R. Significa que os três Logos—o “Pai” não manifestado, a “Mãe” semi-manifestada e o Universo, que é o terceiro Logos de nossa filosofia ou Brahmâ—eram durante a pralaya (periódica) novamente um; a essência diferenciada havia se tornado novamente indiferenciada.

A frase “Pai, Mãe e Filho” é o antítipo

–––––––––– No segundo capítulo do Vishnu-Purâna (tradução de Wilson) lemos: “Parâ âra disse: Glória ao imutável, santo, eterno, supremo Vishnu, de natureza universal una, o poderoso sobre todos: a ele que é HiraNyagarbha, Hari e Shankara, o criador, o preservador e o destruidor do mundo: a Vâsudeva, o libertador de seus adoradores: aquele cuja essência é tanto una quanto múltipla; que é tanto sutil quanto corpóreo, indistinto e distinto: a Vishnu, a causa da emancipação final.

Glória ao supremo Vishnu, a causa da criação, existência e fim deste mundo; que é a raiz do mundo, e que consiste no mundo.” E ainda: “Quem pode descrever aquele que não é apreendido pelos sentidos: que é o melhor de todas as coisas; a alma suprema, autoexistente; que é desprovido de todas as características distintivas de compleição, casta ou afins; e é isento de nascimento, vicissitude, morte ou decadência: que é sempre, e sozinho; que existe em toda parte, e em quem todas as coisas aqui existem; e que é, portanto, denominado Vâsudeva? Ele é Brahma [neutro], supremo, senhor, eterno, não nascido, imperecível, imutável; de uma só essência; sempre puro, como livre de defeitos.

Ele, esse Brahma, era [é] todas as coisas; compreendendo em sua própria natureza o indistinto e o distinto.” [Este assunto é tratado no Livro I, cap. ii, do Vishnu-Purâna, e pode ser encontrado nas pp. 13-15 e 17-18 da tradução de Wilson.—Compilador.] ––––––––––

TRANSACTIONS DA LOJA BLAVATSKY

do tipo cristão—Pai, Filho e Espírito Santo—o último dos quais era, no cristianismo primitivo e no gnosticismo, a “Sophia” feminina. Isso significa que todas as forças criativas e sensitivas e os efeitos de tais forças que constituem o universo haviam retornado ao seu estado primordial: tudo estava fundido em um só.

Durante os Mahapralayas, nada além do Absoluto existe. P. Quais são os diferentes significados de Pai, Mãe e Filho? No Comentário, eles são explicados como (a) Espírito, Substância e Universo, (b) Espírito, Alma e Corpo, (c) Universo, Cadeia Planetária e Homem.

R. Acabei de completá-lo com minha definição extra, que é clara, penso eu. Não há nada a acrescentar a esta explicação, a menos que comecemos a antropomorfizar concepções abstratas.

P. Tomando os últimos termos das três séries, as ideias Filho, Universo, Homem, Corpo correspondem entre si?     R. Naturalmente que sim.     P. E esses termos são produzidos a partir do par restante de termos de cada trindade; por exemplo, o Filho a partir do Pai e da Mãe, os homens a partir da Cadeia e do Universo, etc., etc., e finalmente no Pralaya o filho é fundido de volta em seus pais?     R. Antes que a pergunta seja respondida, deve-se lembrar que o período anterior à chamada Criação não é mencionado; mas apenas quando a matéria havia começado a se diferenciar, mas ainda não havia assumido forma.

Pai-Mãe é um termo composto que significa Substância primordial ou Espírito-matéria.

Quando, a partir da Homogeneidade, começa, por diferenciação, a cair na Heterogeneidade, torna-se positivo e negativo; assim, do "estado zero" (ou laya) torna-se ativo e passivo, em vez de apenas este último; e, em consequência dessa diferenciação (cujo resultado é a evolução e o subsequente Universo), — o "Filho" é produzido, sendo o Filho esse mesmo Universo, ou Cosmos manifestado, até um novo Mahapralaya.

P. Ou — o estado final em laya, ou no ponto zero, como no início antes do estágio do Pai, Mãe e Filho?     R. Há apenas uma ligeira referência àquilo que era antes do período Pai-Mãe em A Doutrina Secreta.

Se houver Pai-Mãe, não pode, naturalmente, haver tal condição como Laya.


P. Pai, Mãe são, portanto, posteriores à condição de Laya?     R. Exatamente; objetos individuais podem estar em Laya, mas o Universo não pode estar assim quando Pai-Mãe aparece.

P. Fohat é um dos três, Pai, Mãe e Filho?     R. Fohat é um termo genérico e usado em muitos sentidos.

Ele é a luz (Daiviprakriti) de todos os três logoi — os símbolos personificados dos três estágios espirituais da Evolução.

Fohat é o agregado de todas as ideações criativas espirituais acima, e de todas as forças eletrodinâmicas e criativas abaixo, no Céu e na Terra.

Parece haver grande confusão e mal-entendido concernentes ao Primeiro e ao Segundo Logos.

O primeiro é a potencialidade já presente, mas ainda não manifestada, no seio de Pai-Mãe; o segundo é a coletividade abstrata dos criadores chamados "Demiurgos" pelos gregos, ou os Construtores do Universo.

O terceiro Logos é a diferenciação última do Segundo e a individualização das Forças Cósmicas, das quais Fohat é o principal; pois Fohat é a síntese dos Sete Raios Criativos ou Dhyan Chohans que procedem do terceiro Logos.

P. Durante o Manvantara, quando o Filho está em existência ou desperto, o Pai-Mãe existe independentemente ou apenas como manifestado no Filho?     R. Ao usar os termos Pai, Mãe e Filho, devemos nos precaver contra a antropomorfização da concepção; os dois primeiros são simplesmente forças centrífugas e centrípetas, e seu produto é o "Filho"; além disso, é impossível excluir qualquer um desses fatores da concepção na Filosofia Esotérica.

P. Se assim é, então surge este outro ponto: é possível conceber forças centrípetas e centrífugas existindo independentemente dos efeitos que produzem.

Os efeitos são sempre considerados secundários em relação à causa ou às causas.

R. Mas é muito duvidoso que tal concepção possa ser mantida e aplicada à nossa Simbologia; se essas forças existem, devem estar produzindo efeitos, e se os efeitos cessam, as forças cessam com eles, pois quem pode conhecê-las?


P. Mas elas existem como entidades separadas para fins matemáticos, não é verdade?     R. Isso é uma coisa diferente; há uma grande diferença entre natureza e ciência, realidade e simbolismo filosófico.

Pela mesma razão dividimos o homem em sete princípios, mas isso não significa que ele tenha, por assim dizer, sete peles, ou entidades, ou almas.

Esses princípios são todos aspectos de um único princípio, e mesmo esse princípio é apenas um raio temporário e periódico da única Chama ou Fogo eterno e infinito.

Sloka (6). OS SETE SENHORES SUBLIMES E AS SETE VERDADES TINHAM DEIXADO DE SER, E O UNIVERSO, O FILHO DA NECESSIDADE, ESTAVA IMERSO EM PARANISHPANNA (perfeição absoluta, Paranirvana, que é Yong-Grub), PARA SER EXALADO POR AQUILO QUE É E AINDA NÃO É.

NADA ERA.

Sloka (7). AS CAUSAS DA EXISTÊNCIA TINHAM SIDO ELIMINADAS; O VISÍVEL QUE ERA, E O INVISÍVEL QUE É, REPOUSAVAM NO ETERNO NÃO-SER, O ÚNICO SER.

P. Se as "Causas da existência" tivessem sido eliminadas, como elas voltaram a existir? Está declarado no Comentário que a causa principal da existência é "o desejo de existir", mas no sloka, o universo é chamado de "filho da necessidade". R. "As causas da existência tinham sido eliminadas" refere-se ao último Manvantara, ou era de Brahmâ, mas a causa que faz a Roda do Tempo e do Espaço girar na Eternidade, que está fora do Espaço e do Tempo, nada tem a ver com causas finitas ou com o que chamamos de Nidânas.

Não me parece haver contradição nas afirmações.

P. Certamente há um contraste.

Se as causas da existência tivessem sido eliminadas, como elas voltaram a existir? Mas a resposta remove a dificuldade, pois está declarado que um Manvantara desaparecera no Pralaya, e que a causa que levou o Manvantara anterior a existir está agora além dos limites do Espaço e do Tempo, e portanto faz outro Manvantara vir à existência.

R. Exatamente. Esta causa única e eterna e, portanto, "causa sem causa" é imutável e nada tem a ver com as causas em quaisquer dos planos que dizem respeito ao ser finito e condicionado.

A causa não pode, portanto, de modo algum, ser uma consciência ou desejo finito.


É um absurdo postular desejo ou necessidade do Absoluto; o bater de um relógio não sugere o desejo do relógio de bater.

P. Mas o relógio é dado corda, e precisa de um Dador de Corda? R. O mesmo pode ser dito do universo e desta causa, o Absoluto contendo tanto o relógio quanto o Dador de Corda, uma vez que é o Absoluto; a única diferença é que o primeiro é dado corda no Espaço e no Tempo e o último fora do Espaço e do Tempo, isto é, na Eternidade.

P. A questão realmente pede uma explicação da causa, no Absoluto, da diferenciação.

R. Isso está fora do âmbito da especulação legítima.

Parabrahm não é uma causa, nem há qualquer causa que possa compelí-lo a emanar ou criar.

Estritamente falando, Parabrahm não é sequer o Absoluto, mas a Absolutividade.

Parabrahm não é a causa, mas a causalidade, ou o poder propulsor, porém não volitivo, em toda Causa manifestante.

Podemos ter alguma vaga ideia de que existe tal coisa como esta eterna Causa sem Causa ou Causalidade.

Mas defini-la é impossível.

Nas "Conferências sobre o Bhagavad Gita", do Sr. Subba Row, está declarado que logicamente nem mesmo o Primeiro Logos pode conhecer Parabrahm, mas apenas Mulaprakriti, seu véu.

Quando, portanto, ainda não temos uma ideia clara de Mulaprakriti, o primeiro aspecto básico de Parabrahm, o que podemos saber daquele Todo Supremo que é velado por Mulaprakriti (a raiz da natureza ou Prakriti) até mesmo para o Logos.

P. Qual é o significado da expressão no sloka (7), "o visível que foi, e o invisível que é"?  
R. "O visível que foi" significa o universo do Manvantara passado, que havia passado para a Eternidade e não existia mais.

"O invisível que é" significa a divindade eterna, sempre presente e sempre invisível, que chamamos por muitos nomes, como Espaço abstrato, Sat absoluto, etc., e da qual, na realidade, nada sabemos.  
Sloka (8). SOMENTE A ÚNICA FORMA DE EXISTÊNCIA SE ESTENDIA ILIMITADA, INFINITA, SEM CAUSA, EM SONO SEM SONHOS; E A VIDA PULSAVA INCONSCIENTE NO ESPAÇO UNIVERSAL, ATRAVÉS DAQUELA ONIPRESENÇA QUE É SENTIDA PELO "OLHO ABERTO" DO DANGMA.

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE  
P. O "Olho" se abre sobre o Absoluto: ou a "única forma de existência" e a "Onipresença" são outras que não o Absoluto, ou vários nomes para o mesmo Princípio?  
R. É tudo um, naturalmente; simplesmente expressões metafóricas.

Observe que o "Olho" não é dito "ver"; ele apenas "sente" a "Onipresença".  
P. É através deste "Olho", então, que recebemos tal sentido, ou sentimento, ou consciência?  
R. Através desse "Olho", decididamente; mas então é preciso ter tal "Olho" antes de poder ver, ou tornar-se um Dangma, ou um Vidente.

P. A mais alta faculdade espiritual, presumivelmente?  
R. Muito bem; mas onde, nesse estágio, estava o feliz possuidor dela? Não havia Dangma para sentir a "Onipresença", porque ainda não havia homens.

P. Com referência ao sloka (6), foi afirmado que a causa da Luz era a Escuridão?  
R. A Escuridão, aqui novamente, deve ser lida em um sentido metafórico.

É Escuridão, sem dúvida, para o nosso intelecto, na medida em que nada podemos saber dela. Já vos disse que nem Escuridão nem Luz devem ser usadas no sentido de opostos, como no mundo diferenciado.

Escuridão é o termo que dará origem a menos equívocos.

Por exemplo, se o termo "Caos" fosse usado, estaria sujeito a ser confundido com matéria caótica.

P. O termo luz, naturalmente, nunca foi usado para luz física?  
R. Naturalmente que não.

Aqui, a luz é a primeira potencialidade despertando de sua condição de laya para tornar-se uma potência; é o primeiro frêmito na matéria indiferenciada que a lança na objetividade e em um plano a partir do qual se iniciará a manifestação.

P. Mais adiante, em "A Doutrina Secreta", afirma-se que a luz é tornada visível pela escuridão, ou antes, que a escuridão existe originalmente, e que a luz é o resultado da presença de objetos para refleti-la, isto é, do mundo objetivo.

Ora, se tomarmos um globo de água e fizermos passar por ele um feixe elétrico, descobriremos que esse feixe é invisível, a menos que haja partículas opacas na água, caso em que se verão pontos de luz.

É esta uma boa analogia?     R. É uma ilustração bastante razoável, creio eu.


P. Não é a luz uma diferenciação de vibração?     R. Assim nos diz a Ciência; e o Som também o é.

E assim vemos que os sentidos são, até certo ponto, intercambiáveis.

Como explicaríeis, por exemplo, o fato de que, em transe, um clarividente pode ler uma carta, às vezes colocada na testa, nas plantas dos pés, ou na boca do estômago?     P. Isso é um sentido extra.

R. De modo algum; é simplesmente que o sentido da visão pode ser intercambiado com o sentido do tato.

P. Mas não é o sentido da percepção o começo do sexto sentido?     R. Isso vai além do caso presente, que é simplesmente a troca dos sentidos do tato e da visão.

Tais clarividentes, no entanto, não poderão dizer o conteúdo de uma carta que não tenham visto ou com a qual não tenham entrado em contato; isso requer o exercício do sexto sentido; o primeiro é um exercício de sentidos no plano físico, o último é o exercício de um sentido em um plano superior.

P. Parece muito provável, pela fisiologia, que todo sentido possa ser resolvido no sentido do tato, que pode ser chamado de sentido coordenador.

Essa dedução é feita a partir de pesquisas embriológicas, que mostram que o sentido do tato é o primeiro e primário sentido, e que todos os demais evoluem dele. Todos os sentidos, portanto, são formas mais altamente especializadas ou diferenciadas do tato.

R. Esta não é a visão da filosofia oriental; no Anugita, lemos uma conversa entre "Brahman" e sua esposa acerca dos sentidos, sendo mencionados sete, sendo "mente e entendimento" os outros dois, segundo a tradução do Sr. Trimbak Telang e do Professor Max Müller; esses termos, no entanto, não transmitem o significado correto dos termos sânscritos.

Agora, o primeiro sentido, segundo os hindus, está conectado ao som.

Isto dificilmente pode ser o sentido do tato.

P. Por tato, muito provavelmente, entende-se a sensibilidade, ou algum meio sensorial? R. Na filosofia oriental, contudo, o sentido do som é o primeiro a se manifestar, e em seguida o sentido da visão, passando os sons a cores.

Os clarividentes podem ver os sons e detectar cada nota e modulação com muito mais distinção do que fariam pelo sentido ordinário do som — vibração, ou audição.


P. Então, o som é percebido como uma espécie de movimento rítmico? R. Sim; e tais vibrações podem ser vistas a uma distância maior do que podem ser ouvidas.

P. Mas supondo que a audição física fosse interrompida, e uma pessoa percebesse sons clarividentemente, não poderia essa sensação ser traduzida também em clariaudiência? R. Um sentido deve certamente fundir-se, em algum ponto, no outro.

Assim também o som pode ser traduzido em paladar.

Há sons que têm um sabor excessivamente ácido na boca de alguns sensitivos, enquanto outros geram o sabor da doçura; de fato, toda a escala dos sentidos é suscetível de correlações.

P. Então deve haver a mesma extensão do sentido do olfato? R. Muito naturalmente, como já foi demonstrado anteriormente.

Os sentidos são intercambiáveis, uma vez que admitamos a correlação.

Além disso, todos podem ser intensificados ou modificados consideravelmente.

Agora compreenderão a referência nos Vedas e Upanishads, onde se diz que os sons são percebidos.

P. Havia uma história curiosa no último número da "Harper's Magazine" sobre uma tribo numa ilha dos Mares do Sul que praticamente perdeu a arte e o hábito de falar e conversar.

No entanto, pareciam entender-se uns aos outros e ver claramente o que cada um pensava.

R. Tal "Palácio da Verdade" dificilmente se adequaria à sociedade moderna.

Contudo, foi por exatamente tais meios que se diz que as raças primitivas se comunicavam entre si, tomando o pensamento uma forma objetiva, antes de a fala se desenvolver numa linguagem falada distinta.

Se assim é, então deve ter havido um período na evolução das raças humanas em que toda a Humanidade era composta de sensitivos e clarividentes.


IV

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 31 de janeiro de 1889; SR. T. B. HARBOTTLE na Presidência.

ESTÂNCIA I (continuação).

P. Com referência à sloka (6), onde se fala dos “Sete Senhores,” visto que pode surgir confusão quanto à aplicação correta dos termos, qual é a distinção entre Dhyan-Chohans, Espíritos Planetários, Construtores e Dhyani-Buddhas? R. Seriam necessários dois volumes adicionais de A Doutrina Secreta para explicar todas as Hierarquias; portanto, muito do que se relaciona a elas foi omitido das Estâncias e dos Comentários.

Uma breve definição pode, no entanto, ser tentada.

Dhyan-Chohan é um termo genérico para todos os Devas, ou seres celestiais.

Um Espírito Planetário é um Regente de um planeta, uma espécie de deus finito ou pessoal.

Há uma diferença marcante, no entanto, entre os Regentes dos Planetas Sagrados e os Regentes de uma pequena “cadeia” de mundos como a nossa.

Não é objeção séria dizer que a Terra tem, não obstante, seis companheiros invisíveis e quatro planos diferentes, como qualquer outro planeta, pois a diferença entre eles é vital em muitos pontos.

Diga-se o que se quiser, a nossa Terra nunca foi numerada entre os sete planetas sagrados dos antigos, embora na astrologia exotérica e popular ela figurasse como substituta de um planeta secreto, agora perdido para a astronomia, mas bem conhecido dos especialistas iniciados.

Tampouco o Sol ou a Lua estavam nesse número, embora aceitos em nossos dias pela astrologia moderna; pois o Sol é uma Estrela Central, e a Lua um planeta morto.

P. Nenhum dos seis globos da cadeia “terrena” foi numerado entre os planetas sagrados? R. Nenhum.

Estes últimos eram todos planetas em nosso plano, e alguns deles foram descobertos posteriormente.

P. Podeis nos dizer algo sobre os planetas pelos quais o Sol e a Lua eram substitutos? R. Não há segredo nisso, embora nossos astrólogos modernos ignorem esses planetas.

Um é um planeta intra-mercurial, que se supõe ter sido descoberto, e nomeado por antecipação Vulcano, e o outro é um

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE planeta com movimento retrógrado, às vezes visível a certa hora da noite e aparentemente próximo da lua.

A influência oculta desse planeta é transmitida pela lua.

P. O que é que tornava esses planetas sagrados ou secretos? R. Suas influências ocultas, até onde sei. P. Então os Espíritos Planetários dos Sete Planetas Sagrados pertencem a outra hierarquia que não a da Terra? R. Evidentemente; pois o espírito terrestre da Terra não é de grau muito elevado.

Deve-se lembrar que o espírito planetário nada tem a ver com o homem espiritual, mas com as coisas da matéria e com os seres cósmicos.

Os deuses e regentes da nossa Terra são Regentes Cósmicos; isto é, eles dão forma e moldam a matéria cósmica, razão pela qual foram chamados de Cosmocratores.

Eles nunca tiveram qualquer preocupação com o espírito; os Dhyani-Buddhas, pertencentes a uma hierarquia bastante diferente, estão especialmente relacionados com este último.

P. Esses sete Espíritos Planetários não têm, portanto, nada realmente a ver com a Terra, exceto incidentalmente? R. Pelo contrário, os "Planetários" — que não são os Dhyani-Buddhas — têm tudo a ver com a Terra, física e moralmente.

São eles que regem seus destinos e o destino dos homens.

São agências kármicas.

P. Têm eles algo a ver com o quinto princípio — o Manas superior? R. Não: eles não têm preocupação com os três princípios superiores; têm, no entanto, algo a ver com o quarto.

Para recapitular, portanto; o termo "Dhyan-Chohan" é um nome genérico para todos os seres celestiais.

Os "Dhyani-Buddhas" estão relacionados com a tríade superior humana de um modo misterioso que não precisa ser explicado aqui.

Os "Construtores" são uma classe chamada, como já expliquei, Cosmocratores, ou os Maçons invisíveis, porém inteligentes, que moldam a matéria de acordo com o plano ideal que lhes está pronto naquilo que chamamos de ideação divina e cósmica.

Foram chamados pelos primeiros maçons de "Grande Arquiteto do Universo" coletivamente: mas agora os maçons modernos fazem de seu G. A. O. T. U. uma Divindade pessoal e singular.

P. Não são eles também Espíritos Planetários?

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

R. Em certo sentido, são — pois a Terra também é um Planeta — mas de ordem inferior.

P. Agem eles sob a orientação do Espírito Planetário Terrestre? R. Acabei de dizer que eles eram coletivamente esse próprio Espírito.

Desejo que compreendais que eles não são uma Entidade, uma espécie de Deus pessoal, mas Forças da natureza que agem sob uma Lei imutável, sobre cuja natureza é certamente inútil para nós especular.

P. Mas não existem Construtores de Universos e Construtores de Sistemas, assim como há Construtores da nossa Terra? R. Certamente existem.

P. Então os Construtores terrestres são um "Espírito" Planetário como os demais, apenas inferiores em espécie? R. Certamente eu diria isso. P. São eles inferiores segundo o tamanho do planeta ou inferiores em qualidade? R. Nesta última, conforme nos é ensinado.

Vocês veem que os antigos não tinham a nossa presunção moderna, e especialmente teológica, que faz deste pequeno grão de lama nosso algo inefavelmente mais grandioso do que qualquer uma das estrelas e planetas que conhecemos. Se, por exemplo, a Filosofia Esotérica ensina que o "Espírito" (coletivamente, novamente) de Júpiter é muito superior ao Espírito Terrestre, não é porque Júpiter é tantas vezes maior que a nossa Terra, mas porque sua substância e textura são muito mais sutis e superiores às da Terra.

E é em proporção a essa qualidade que as Hierarquias dos respectivos "Construtores Planetários" refletem e agem sobre as ideações que encontram planejadas para si na Consciência Universal, o verdadeiro e grande Arquiteto do Universo.

P. A Alma do Mundo, ou "Anima Mundi"?     R. Chame-a assim, se quiser.

Ela é o Antítipo dessas Hierarquias, que são seus tipos diferenciados.

O único e impessoal Grande Arquiteto do Universo é MAHAT, a Mente Universal.

E Mahat é um símbolo, uma abstração, um aspecto que assumiu uma forma vaga e entitativa nas concepções tudo-materializadoras dos homens.

P. Qual é a real diferença entre os Dhyani-Buddhas nas concepções ortodoxa e esotérica?


R. Uma muito grande, filosoficamente.

Eles são — como Devas superiores — chamados pelos Budistas de Bodhisattvas.

Exotericamente, são cinco em número, enquanto nas escolas esotéricas são sete, e não Entidades únicas, mas Hierarquias.

Está declarado em A Doutrina Secreta que cinco Buddhas vieram e que dois virão nas sexta e sétima raças.

Exotericamente, seu presidente é Vajrasattva, a "Inteligência Suprema" ou "Buddha Supremo", mas ainda mais transcendente é Vajradhara, assim como Parabrahm transcende Brahmâ ou Mahat.

Assim, os significados exotérico e oculto dos Dhyani-Buddhas são inteiramente diferentes.

Exotericamente, cada um é uma trindade, três em um, todos os três manifestando-se simultaneamente em três mundos — como um Buddha humano na Terra, um Dhyani-Buddha no mundo das formas astrais, e um Buddha arupa, ou sem forma, no mais elevado reino nirvânico.

Assim, para um Buddha humano, uma encarnação de um desses Dhyanis, a permanência na Terra é limitada de sete a sete mil anos em vários corpos, pois, como homens, estão sujeitos a condições normais, acidentes e morte.

Na filosofia esotérica, por outro lado, isso significa que apenas cinco dos “Sete Dhyani-Buddhas” — ou, melhor, as Sete Hierarquias desses Dhyanis, que, no misticismo budista, são idênticas às Inteligências superiores encarnantes, ou aos Kumâras dos hindus — apenas cinco até agora apareceram na Terra em sucessão regular de encarnações, sendo que os dois últimos terão de vir durante a sexta e a sétima Raças-Raízes.

Isso é, novamente, semi-alegórico, se não inteiramente. Pois a sexta e a sétima Hierarquias já encarnaram nesta Terra juntamente com as demais.

Mas como alcançaram o chamado “estado de Buda” quase desde o início da quarta Raça-Raiz, diz-se que desde então repousam em bem-aventurança e liberdade conscientes até o início da Sétima Ronda, quando conduzirão a Humanidade como uma nova raça de Budas.

Esses Dhyanis estão conectados apenas com a Humanidade e, estritamente falando, apenas com os “princípios” mais elevados dos homens.

P. Os Dhyani-Buddhas e os Espíritos Planetários encarregados dos globos entram em pralaya quando seus planetas entram nesse estado?


R. Somente no final da sétima Ronda, e não entre cada ronda, pois eles têm de vigiar o funcionamento das leis durante esses pralayas menores.

Detalhes mais completos sobre esse assunto já foram escritos no terceiro volume da Doutrina Secreta. Mas todas essas diferenças são, na verdade, meramente funcionais, pois são todos aspectos de uma mesma e única Essência.

P. A hierarquia de Dhyanis, cuja província é vigiar uma Ronda, vigia durante seu período de atividade toda a série de globos, ou apenas um globo em particular?

R. Há Dhyanis encarnantes e há Dhyanis vigilantes.

Das funções dos primeiros acabais de ser informados; os últimos parecem fazer seu trabalho desta maneira.

Cada classe ou hierarquia corresponde a uma das Rondas, a primeira e mais baixa hierarquia à primeira e menos desenvolvida Ronda, a segunda à segunda, e assim por diante até se chegar à sétima Ronda, que está sob a supervisão da mais alta Hierarquia dos Sete Dhyanis.

Por fim, eles aparecerão na Terra, assim como também alguns dos Planetários, pois toda a humanidade terá se tornado Bodhisattvas, seus próprios “filhos”, i.e., os “Filhos” de seu próprio Espírito e Essência ou—eles mesmos.

Assim, há apenas uma diferença funcional entre os Dhyanis e os Planetários.

Uns são inteiramente divinos, os outros siderais.

Os primeiros são chamados de Anupadaka, sem pais, porque irradiaram diretamente daquilo que não é nem Pai nem Mãe, mas o Logos não manifestado.

Eles são, de fato, o aspecto espiritual

––––––––––        [Nenhum material sobre este assunto é atualmente conhecido por existir.

O volume publicado em 1897 e intitulado “A Doutrina Secreta, Volume III” não contém nada que trate, mesmo remotamente, deste tema geral.

A declaração de H. P. B. parece confirmar a crença de que certos outros manuscritos existiram em algum momento, embora seu destino final permaneça totalmente indeterminado.—Compilador.]        [Este termo sânscrito aparece em uma forma incorreta em muitos lugares ao longo dos escritos de H. P. B.

Sua forma correta é Anupapâdaka, de an—não, upa—de acordo com, e a forma causativa da raiz verbal pad—proceder.

Este termo significa, portanto, “aquele que não procede de acordo com a sucessão regular”, isto é, autogerado, ou sem pais.—Compilador.] ––––––––––

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE dos sete Logos; e os Espíritos Planetários são, em sua totalidade, como as sete Sephiroth (as três superiores sendo abstrações supercósmicas e véus na Cabala), e constituem o homem celestial, ou Adam Kadmon; Dhyani é um nome genérico no Budismo, uma abreviação para todos os deuses.

Contudo, deve-se sempre lembrar que, embora sejam “deuses”, ainda assim não devem ser adorados.

P. Por que não, se são deuses?     R. Porque a filosofia oriental rejeita a ideia de uma divindade pessoal e extracósmica.

E àqueles que chamam isso de ateísmo, eu diria o seguinte.

É ilógico adorar um deus assim, pois, como dito na Bíblia, “Há muitos senhores e muitos deuses”. Portanto, se a adoração é desejável, temos que escolher entre a adoração de muitos deuses, cada um não sendo melhor ou menos limitado que o outro, isto é, politeísmo e idolatria, ou escolher, como fizeram os israelitas, um deus tribal ou racial entre eles, e, enquanto acreditando na existência de muitos deuses, ignorar e demonstrar desprezo pelos outros, considerando o nosso como o mais elevado e o “Deus dos deuses”. Mas isso é logicamente injustificável, pois tal deus não pode ser nem infinito nem absoluto, mas deve ser finito, isto é, limitado e condicionado pelo espaço e pelo tempo.

Com o Pralaya, o deus tribal desaparece, e Brahmâ e todos os outros Devas, e os deuses são fundidos no Absoluto.

Portanto, os ocultistas não os adoram nem lhes oferecem preces, porque, se o fizéssemos, teríamos de adorar muitos deuses ou rezar ao Absoluto, que, não tendo atributos, não pode ter ouvidos para nos ouvir. O adorador, mesmo de muitos deuses, deve necessariamente ser injusto com todos os outros deuses; por mais longe que estenda sua adoração, é simplesmente impossível adorar a cada um separadamente; e, em sua ignorância, se escolher um em particular, pode de modo algum selecionar o mais perfeito.

Portanto, faria muito melhor em lembrar que todo homem tem um deus dentro de si, um raio direto do Absoluto, o raio celestial do Uno; que ele tem seu "deus" dentro, não fora, de si mesmo.

P. Existe algum nome que possa ser aplicado à Hierarquia ou espírito planetário, que vigia toda a evolução do nosso próprio globo, como Brahma, por exemplo?


R. Nenhum, exceto o nome genérico, pois é uma Hierarquia setenária; a menos que, de fato, a chamemos, como alguns cabalistas fazem—"o Espírito da Terra".

P. É muito difícil lembrar de todas essas infinitas Hierarquias de deuses.

R. Não mais difícil do que para um químico lembrar dos intermináveis símbolos da química, se ele for um especialista.

Somente na Índia, no entanto, há mais de 300 milhões de deuses e deusas.

Os Manus e Rishis são também deuses planetários, pois se diz que apareceram no início das raças humanas para vigiar sua evolução, e que subsequentemente encarnaram e desceram à Terra para ensinar a humanidade.

Então, há os Sapta Rishis, os "Sete Rishis", que, exotericamente, se diz residirem na constelação da Ursa Maior.

Há também deuses planetários.

P. Eles são superiores a Brahma?

R. Depende de sob que aspecto se vê Brahmâ.

Na filosofia esotérica, ele é a síntese dos sete logoi.

Na teologia exotérica, ele é um aspecto de Vishnu para os vaishnavas, para outros algo diferente, como na Trimurti, a Trindade hindu, onde ele é o criador principal, enquanto Vishnu é o Preservador, e Siva o Destruidor.

Na Cabala, ele é certamente Adão Kadmon—o homem "macho-fêmea" do primeiro capítulo do Gênesis.

Pois os Manus procedem de Brahmâ assim como as Sephiroth procedem de Adão Kadmon, e são também sete e dez, conforme as circunstâncias exigem.

Mas podemos muito bem passar para outra Sloka das Estâncias que você quer que sejam explicadas.

Sloka (9). — MAS ONDE ESTAVA O DANGMA QUANDO O ALAYA DO UNIVERSO (Alma como base de tudo, Anima Mundi) ESTAVA EM PARAMARTHA (Ser e Consciência Absolutos, que são Não-Ser e Inconsciência Absolutos) E A GRANDE RODA ERA ANUPADAKA?

P. “Alaya” significa aquilo que nunca é manifestado e dissolvido, e deriva-se de “a”, a partícula negativa, e “laya”?     R. Se for assim etimologicamente — e certamente não estou preparado para responder de uma forma ou de outra — significaria o inverso, pois laya em si é justamente aquilo que não é manifestado; portanto, significaria aquilo que não é não-manifestado, se é que significa algo.


Seja qual for a vivissecção etimológica da palavra, ela é simplesmente a “Alma do Mundo”, Anima Mundi.

Isso é demonstrado pela própria redação do Sloka, que fala de Alaya estando em Paramartha — isto é, em Não-Ser e Inconsciência Absolutos, sendo ao mesmo tempo a perfeição absoluta ou a Absolutividade em si.

Esta palavra, no entanto, é o pomo da discórdia entre as escolas Yogâchârya e Madhyamika do Budismo do Norte.

A escolástica desta última faz de Paramartha (Satya) algo dependente de outras coisas e, portanto, relativo a elas, viciando assim toda a filosofia metafísica da palavra Absolutividade.

A outra escola, muito corretamente, nega essa interpretação.

P. A Filosofia Esotérica não ensina as mesmas doutrinas que a escola Yogâchârya?     R. Não exatamente.

Mas prossigamos.                                           ––––––––––                                         ESTÂNCIA II.

Sloka (1) . . . . ONDE ESTAVAM OS CONSTRUTORES, OS FILHOS LUMINOSOS DA AURORA MANVANTÁRICA? . . . . NA ESCURIDÃO DESCONHECIDA, EM SEU AH-HI (Chohânico, Dhyani-Búdico) PARANISHPANNA, OS PRODUTORES DA FORMA (rupa) A PARTIR DA NÃO-FORMA (arupa), A RAIZ DO MUNDO — A DEVAMATRI E O SVABHAVAT, REPOUSAVAM NA BEM-AVENTURANÇA DO NÃO-SER.

P. Os “filhos luminosos da aurora manvantárica” são espíritos humanos aperfeiçoados do último Manvantara, ou estão a caminho da humanidade neste ou num Manvantara subsequente?     R. Neste caso, que é o de um Maha-manvantara após um Maha-pralaya, são estes últimos.

São os sete raios primordiais dos quais emanarão, por sua vez, todas as outras vidas luminosas e não-luminosas, sejam Arcanjos, Demônios, homens ou macacos.

Alguns já foram e alguns apenas agora se tornarão seres humanos.

É somente após a diferenciação dos sete raios e após as sete forças da natureza os terem assumido e trabalhado sobre eles, que eles se tornam pedras angulares, ou pedaços de argila rejeitados.


Tudo, portanto, está nesses sete raios, mas é impossível dizer nesta fase em qual, porque eles ainda não estão diferenciados e individualizados.

P. Na passagem seguinte:—      Os "Construtores", os "Filhos da Aurora Manvântara", são os verdadeiros criadores do Universo; e nesta doutrina, que trata apenas do nosso Sistema Planetário, eles, como arquitetos deste último, são também chamados os "Vigilantes" das Sete Esferas, que exotericamente são os sete planetas, e esotericamente as sete terras ou esferas (planetas) da nossa cadeia também.

Por sistema planetário entende-se o sistema solar ou a cadeia à qual a nossa terra pertence?     R. Os Construtores são aqueles que constroem e moldam as coisas em uma forma.

O termo é igualmente aplicado aos Construtores do Universo e aos pequenos globos como os da nossa cadeia.

Por sistema planetário entende-se apenas o nosso sistema solar.

Sloka (2) . . . . ONDE ESTAVA O SILÊNCIO? ONDE ESTAVAM OS OUVIDOS PARA SENTI-LO? NÃO! NÃO HAVIA NEM SILÊNCIO, NEM SOM . . . .

P. Com referência à seguinte passagem:— A ideia de que as coisas podem cessar de existir e ainda assim SER, é uma ideia fundamental na psicologia oriental.

Sob esta aparente contradição em termos, repousa um fato na Natureza; perceber isso na mente, em vez de argumentar sobre palavras, é o que importa.

Um exemplo familiar de um paradoxo semelhante é fornecido pela combinação química.

A questão de saber se o Hidrogênio e o Oxigênio cessam de existir quando se combinam para formar água ainda é controversa.

. . .

Seria correto dizer que o que percebemos é um "elemento" diferente da mesma substância? Por exemplo, quando uma substância está no estado gasoso, poderíamos dizer que é o elemento Ar que é percebido, e que quando combinados para formar água, o oxigênio e o hidrogênio aparecem sob a forma do Elemento Água, e quando no estado sólido, gelo, percebemos então o elemento Terra?

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 53.        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 54. ––––––––––                      TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

R. O ignorante julga todas as coisas pela sua aparência e não pelo que são na realidade.

Nesta terra, naturalmente, a água é um elemento bastante distinto de qualquer outro elemento, usando este último termo no sentido de diferentes manifestações do elemento uno.

Os elementos raiz, Terra, Água, Ar, Fogo, são estados de diferenciação muito mais abrangentes.

Sendo este o caso, no Ocultismo a Transubstanciação torna-se uma possibilidade, visto que nada do que existe é, na realidade, aquilo que se supõe ser.     P. Mas o oxigênio, que geralmente se encontra em seu estado gasoso, pode ser liquefeito e até solidificado.

Quando o oxigênio, então, é encontrado na condição gasosa, é o elemento oculto Ar que é percebido, e quando na condição líquida, o elemento Água, e no estado sólido, o elemento Terra?     R. Certamente: temos antes de tudo o Elemento Fogo, não o fogo comum, mas o Fogo dos Rosacruzes Medievais, a chama única, o fogo da Vida.

Em diferenciação, isto se torna fogo em diferentes aspectos.

O Ocultismo facilmente resolve o enigma sobre se o oxigênio e o hidrogênio deixam de existir quando combinados para formar água.

Nada que está no Universo pode desaparecer dele. Por enquanto, então, esses dois gases, quando combinados para formar água, estão *in abscondito*, mas não deixaram de ser. Pois, se tivessem sido aniquilados, a Ciência, ao decompor a água novamente em oxigênio e hidrogênio, teria criado algo a partir do nada e, portanto, não teria disputa com a Teologia.

Portanto, a água é um elemento, se escolhermos chamá-la assim, somente neste plano.

Da mesma forma, o oxigênio e o hidrogênio, por sua vez, podem ser divididos em outros elementos mais sutis, sendo todos diferenciações de um elemento ou essência universal.

P. Então, todas as substâncias no plano físico são realmente tantas correlações ou combinações desses elementos raiz e, em última análise, do elemento uno?     R. Certamente.

No ocultismo, é sempre melhor proceder dos universais aos particulares.

P. Aparentemente, então, toda a base do ocultismo reside nisto: que há latente dentro de cada homem um poder que pode lhe dar conhecimento verdadeiro, um poder de percepção da verdade, que o capacita a lidar em primeira mão com os universais, se ele for estritamente lógico e enfrentar os fatos.


Assim, podemos proceder dos universais aos particulares por essa força espiritual inata que está em todo homem.

R. Exatamente: esse poder é inerente a todos, mas paralisado por nossos métodos de educação, e especialmente pelos métodos aristotélico e baconiano.

A hipótese agora reina triunfante.

P. É curioso ler Schopenhauer e Hartmann e observar como, passo a passo, por estrita lógica e pura razão, eles chegaram às mesmas bases de pensamento que haviam sido adotadas há séculos na Índia, especialmente pelo Sistema Vedantino.

Pode-se, no entanto, objetar que eles chegaram a isso pelo método indutivo.

Mas no caso de Schopenhauer, de qualquer modo, não foi assim. Ele mesmo reconhece que a ideia lhe veio como um lampejo; tendo assim obtido sua ideia fundamental, pôs-se a organizar seus fatos, de modo que o leitor imagina que o que era, na realidade, uma ideia intuitiva, é uma dedução lógica extraída dos fatos.

R. Isso não é verdade apenas quanto à filosofia schopenhaueriana, mas também quanto a todas as grandes descobertas dos tempos modernos.

Como, por exemplo, Newton descobriu a lei da gravidade? Não foi pela simples queda de uma maçã, e não por uma elaborada série de experimentos?

Chegará o tempo em que o método platônico não será tão inteiramente ignorado, e os homens olharão com favor para métodos de educação que lhes permitam desenvolver essa faculdade tão espiritual.

––––––––––                     Obras Completas VOLUME X                            Janeiro, Fevereiro, Março,

V

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 7 de fevereiro de 1889; SR. W. KINGSLAND na Presidência.

ESTÂNCIA II (continuação).

Sloka (3). A HORA AINDA NÃO HAVIA SOADO; O RAIO AINDA NÃO HAVIA FLASHADO PARA DENTRO DO GERME; A MATRI-PADMA (lótus-mãe) AINDA NÃO HAVIA INCHADO.

“O raio da ‘Eterna Escuridão’ torna-se, ao ser emitido, um raio de luz ou vida resplandecente, e flasha para dentro do ‘Germe’—o ponto no Ovo do Mundo, representado pela matéria em seu sentido abstrato.”     P. O Ponto no Ovo do Mundo é o mesmo que o Ponto no Círculo, o Logos Não Manifestado?     R. Certamente que não: o Ponto no Círculo é o Logos Não Manifestado; o Logos Manifestado é o Triângulo.


Pitágoras fala da Mônada nunca manifestada, que vive em solidão e escuridão; quando a hora soa, ela irradia de si mesma o UM, o primeiro número.

Esse número, descendo, produz o Dois, o segundo número, e o Dois, por sua vez, produz o TRÊS, formando um triângulo, a primeira figura geométrica completa no mundo da forma.

É esse triângulo ideal ou abstrato que é o Ponto no Ovo do Mundo, que, após a gestação, e no terceiro afastamento, partirá do Ovo para formar o Triângulo.

Isto é Brahmâ-Vâch-Virâj na Filosofia Hindu e Kether-Chochmah-Binah no Zohar.

O Primeiro Logos Manifestado é a Potência, a Causa não revelada; o Segundo, o pensamento ainda latente; o Terceiro, o Demiurgo, a Vontade ativa que evolui de seu Self Universal o efeito ativo, que, por sua vez, torna-se a causa em um plano inferior.

P. O que é a Escuridão Eterna no sentido aqui empregado?     R. Escuridão Eterna significa, suponho, o mistério eternamente incognoscível, por trás do véu — na verdade, Parabrahm.

Mesmo o Logos pode ver apenas Mulaprakriti; não pode ver o que está além do véu.

É aquilo que é a "Escuridão Eternamente Incognoscível".     P. O que é o Raio nessa conexão?     R. Vou recapitular.

Temos o plano do círculo, a face sendo preta, o ponto no círculo sendo potencialmente branco, e esta é a primeira concepção possível em nossas mentes do Logos invisível.

A "Escuridão Eterna" é eterna; o Raio é periódico.

Tendo irrompido deste ponto central e vibrado através do Germe, o Raio é novamente retirado para dentro deste ponto, e o Germe se desenvolve no Segundo Logos, o triângulo dentro do Ovo Cósmico.

––––––––––        [A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 57.] –––––––––– P. Quais são, então, os estágios da manifestação?      R. O primeiro estágio é o aparecimento do ponto potencial no círculo — o Logos não manifestado.


O segundo estágio é a emissão do Raio a partir do ponto branco potencial, produzindo o primeiro ponto, que é chamado, no Zohar, de Kether ou Sephira.

O terceiro estágio é a produção, a partir de Kether, de Chochmah e Binah, constituindo assim o primeiro triângulo, que é o Terceiro ou Logos manifestado — em outras palavras, o Universo subjetivo e objetivo.

Além disso, deste Logos manifestado procederão os Sete Raios, que no Zohar são chamados de Sephiroth inferiores e, no ocultismo oriental, os sete raios primordiais.

Dali procederá a inumerável série de Hierarquias.

P. O triângulo aqui mencionado é aquele a que você se refere como o Germe no Ovo Cósmico?      R. Certamente é. Mas você deve lembrar que existem tanto o Ovo Universal quanto o Solar (assim como outros), e que é necessário qualificar qualquer afirmação feita a respeito deles.

O Ovo Cósmico é uma expressão da Forma Abstrata.

P. Pode a Forma Abstrata ser chamada a primeira manifestação do eterno princípio feminino? R. É a primeira manifestação não do princípio feminino, mas do Raio que procede do ponto central, que é perfeitamente assexuado.

Não existe princípio feminino eterno, pois esse Raio produz aquilo que é a potencialidade unida de ambos os sexos, mas não é de modo algum masculino ou feminino.

Esta última diferenciação só aparecerá quando ele cair na matéria, quando o Triângulo se tornar um Quadrado, a primeira Tétrade.

P. Então o Ovo Cósmico é tão assexuado quanto o Raio? R. O Ovo Cósmico é simplesmente o primeiro estágio da manifestação, matéria primordial indiferenciada, na qual o Germe criativo vital recebe seu primeiro impulso espiritual; a Potencialidade torna-se Potência.

A matéria, apenas por conveniência de metáfora, é considerada feminina, porque é receptiva aos raios do sol que a fecundam e assim produzem tudo o que cresce em sua superfície, isto é, neste, o plano mais baixo.

Por outro lado,                        TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

a matéria primordial deve ser considerada como substância, e de modo algum pode ser dita como tendo sexo.

Assim, o Ovo, em qualquer plano em que se fale, significa a matéria indiferenciada sempre existente que, estritamente, não é matéria alguma, mas, como a chamamos, os Átomos.

A matéria é destrutível em forma, enquanto os Átomos são absolutamente indestrutíveis, sendo a quintessência das Substâncias.

E aqui, por "átomos" quero dizer as Unidades divinas primordiais, não os "átomos" da ciência moderna.

Da mesma forma, o "Germe" é uma expressão figurada; o germe está em toda parte, como o círculo cuja circunferência não está em lugar nenhum e cujo centro está em toda parte.

Significa, portanto, todos os germes, isto é, a natureza não manifestada, ou todo o poder criativo que emanará, chamado pelos hindus de Brahmâ, embora em cada plano tenha um nome diferente.

P. É o Matri-Padma o Ovo eterno ou periódico? R. O Ovo eterno; tornar-se-á periódico somente quando o raio do primeiro Logos tiver fulgurado do Germe latente no Matri-Padma, que é o Ovo, o Útero do Universo que há de ser. Por analogia, o germe físico na célula feminina não poderia ser chamado eterno, embora o espírito latente do germe oculto na célula masculina na natureza possa assim ser chamado.

Sloka (4). SEU CORAÇÃO AINDA NÃO SE ABRIRA PARA O ÚNICO RAIO ENTRAR, DONDE CAIR COMO TRÊS EM QUATRO NO REGAÇO DE MAYA.

“Mas, quando a hora soa e ela se torna receptiva à impressão Foática do Pensamento Divino (o Logos, ou o aspecto masculino da Anima Mundi, Alaya)—seu coração se abre.”      P. A impressão Foática do Pensamento Divino não se aplica a um estágio posterior de diferenciação?     R. Fohat, como força ou entidade distinta, é um desenvolvimento posterior.

“Foático” é um adjetivo e pode ser usado em um sentido mais amplo; Fohat, como substantivo, ou Entidade,

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 58. –––––––––– origina-se de um atributo Foático do Logos.


A eletricidade não pode ser gerada a partir daquilo que não contém um princípio ou elemento elétrico.

O princípio divino é eterno, os deuses são periódicos.

Fohat é o Sakti ou força da mente divina; Brahmâ e Fohat são ambos aspectos da mente divina.

P. Não é a intenção nos Comentários a esta Estância transmitir alguma ideia do assunto falando de correspondências em um estágio muito posterior da evolução?      R. Exatamente; foi declarado várias vezes que os Comentários sobre o Primeiro Volume estão quase inteiramente concernidos com a evolução do sistema solar apenas.

A beleza e a sabedoria das Estâncias consistem nisto: que elas podem ser interpretadas em sete planos diferentes, o último refletindo, pela lei universal de correspondências e analogias, em seu aspecto mais diferenciado, grosseiro e físico, o processo que ocorre no primeiro plano, ou puramente espiritual.

Posso afirmar aqui de uma vez por todas que as primeiras Estâncias tratam do despertar do Pralaya e não estão concernidas apenas com o sistema solar, enquanto o Vol.

II trata somente da nossa Terra.

P. Podeis dizer qual é o verdadeiro significado da palavra Fohat?      R. A palavra é um composto turaniano e seus significados são vários.

Na China, Pho, ou Fo, é a palavra para “alma animal”, o Nephesh vital ou o sopro da vida.

Alguns dizem que é derivada do sânscrito “Bhu”, significando existência, ou melhor, a essência da existência.

Ora, Svâyambhû significa Brahmâ e o Homem ao mesmo tempo.

Significa auto-existência e auto-existente, aquilo que é perene, o sopro eterno.

Se Sat é a potencialidade do Ser, Pho é a potência do Ser.

O significado, no entanto, depende inteiramente da posição do acento.

Novamente, Fohat está relacionado a Mahat.

É o reflexo da Mente Universal, a síntese dos "Sete" e das inteligências dos sete Construtores criativos, ou, como os chamamos, Cosmocratores.

Portanto, como compreenderás, vida e eletricidade são uma só em nossa filosofia.

Dizem que a vida é eletricidade, e se assim for, então a Vida Una é a essência e a raiz de todos os fenômenos elétricos e magnéticos neste plano manifestado.


P. Como se explica que Hórus e os outros "Deuses-Sol" nasçam "através de uma Mãe Imaculada"?     R. No primeiro plano de diferenciação não há sexo — para usar o termo por conveniência — mas ambos os sexos existem potencialmente na matéria primordial.

Matéria é a raiz da palavra "Mãe" e, portanto, feminina; mas há dois tipos de matéria.

A matéria primordial indiferenciada não é fecundada por algum ato no espaço e no tempo, sendo a fertilidade e a produtividade inerentes a ela. Portanto, aquilo que emana ou nasce dessa virtude inerente não nasce dela, mas através dela. Em outras palavras, essa virtude ou qualidade é a causa única de que algo se manifeste através de seu veículo; enquanto no plano físico, a Matéria-mãe não é a causa ativa, mas o meio passivo e o instrumento de uma causa independente.

Na doutrina cristã da Imaculada Conceição — uma materialização da concepção metafísica e espiritual — a mãe é primeiro fecundada pelo Espírito Santo, e o Filho nasce dela, e não através dela.

"De" implica que há uma fonte limitada e condicionada da qual partir, devendo o ato ocorrer no Espaço e no Tempo.

"Através" é aplicável tanto à Eternidade e à Infinitude quanto ao Finito.

O Grande Sopro vibra através do Espaço, que é ilimitado, e está na eternidade, não a partir dela.

P. Como o Triângulo se torna o Quadrado, e o Quadrado o Cubo de seis faces?     R. Na geometria oculta e pitagórica, a Tétrade é considerada como combinando em si todos os materiais dos quais o Cosmos é produzido.

O Ponto ou Uno estende-se a uma Linha — o Dois; uma Linha a uma Superfície, Três; e a Superfície, Tríade ou Triângulo, é convertida em um Sólido, a Tétrade ou Quatro, pelo ponto sendo colocado sobre ela. Cabalisticamente, Kether, ou Sephira, o Ponto, emana Chochmah e Binah, que são o sinônimo de Mahat, nos Purânas hindus, e essa Tríade, descendo à matéria, produz o Tetragrammaton, a Tetraktys, como também a Tétrade inferior.

Esse número contém tanto os números produtivos quanto os produzidos.

A Díade dobrada forma uma Tétrade, e a Tétrade dobrada forma uma Hébdomada. De outro ponto de vista, é o Espírito, a Vontade e o Intelecto animando os quatro princípios inferiores.


P. Então, como o Quadrado se torna o Cubo de seis faces?
R. O Quadrado se torna o Cubo quando cada ponto do triângulo se torna dual, masculino ou feminino.

Os pitagóricos diziam: "Uma vez Um, Duas vezes Dois, e surge uma Tétrade, tendo no seu topo a mais alta Unidade; ela se torna uma Pirâmide cuja base é uma Tétrade plana — a luz divina repousando sobre ela faz o Cubo abstrato." A superfície do Cubo é composta de seis quadrados, e o Cubo desdobrado dá a Cruz, ou os Quatro verticais, barrados pelos Três horizontais; os seis assim perfazendo Sete, os sete princípios ou as sete propriedades pitagóricas no homem.

Vejam a excelente explicação dada sobre isso em *Source of Measures*, do Sr. J. R. Skinner.

Assim se repete na Terra o mistério encenado, segundo os Videntes, no plano divino.

O "Filho" da imaculada Virgem Celestial (ou o protyle cósmico indiferenciado, a Matéria em sua infinitude) nasce novamente na Terra como o Filho da Eva terrestre — nossa mãe Terra — e se torna a Humanidade como um todo — passado, presente e futuro — pois Jeová ou Jod-he-vau-he é andrógino, ou seja, tanto masculino quanto feminino.

Acima, o Filho é o KOSMOS inteiro; abaixo, ele é a HUMANIDADE.

A tríade ou triângulo se torna Tetraktys, o número sagrado pitagórico, o Quadrado perfeito e um cubo de seis faces na Terra.

O Macroprosopus (a Grande Face) é agora Microprosopus (a face menor); ou, como dizem os cabalistas, o "Ancião dos Dias", descendo sobre Adão Kadmon, a quem usa como veículo para se manifestar, transforma-se em Tetragrammaton.

Está agora no "Regaço de Maya", a Grande Ilusão, e entre si mesma e a Realidade tem a Luz Astral, a grande Enganadora dos sentidos limitados do homem, a menos que o Conhecimento através de Paramarthasatya venha em socorro.

Ou seja, o Logos se torna um Tetragrammaton; o Triângulo, ou os Três, se tornam os Quatro.

–––––––––– [Uma Tétrade dobrada seria oito ou uma Ogdoada, enquanto uma Hébdomada implicaria sete. Isso pode ser um erro tipográfico, a menos que algum outro significado esteja implícito. Deixamos inalterado. — Compilador.]
A Doutrina Secreta, Vol. I, p. 60.
––––––––––
TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE

P. A Luz Astral é usada aqui no sentido de Maya?
R. Certamente.

Explica-se mais adiante em A Doutrina Secreta que, praticamente, existem apenas quatro planos pertencentes às cadeias planetárias.

Os três planos superiores são absolutamente Arupa e estão fora da nossa compreensão.

P. Então a Tetraktys é totalmente diferente do Tetragrammaton?  
R. A Tetraktys pela qual os pitagóricos juravam não era o Tetragrammaton, mas, pelo contrário, a Tetraktys superior ou mais elevada.

Nos capítulos iniciais do Gênesis temos uma pista para a descoberta deste Tetragrammaton inferior.

Ali encontramos Adão, Eva e Jeová, que se torna Caim.

A extensão posterior da Humanidade é simbolizada em Abel, como a concepção humana do superior.

Abel é a filha, e não o filho, de Eva, e simboliza a separação dos sexos; enquanto o assassinato de Abel é simbólico do casamento.

A concepção ainda mais humana é encontrada no final do quarto capítulo, quando se fala de Set, a quem nasceu um filho, Enos, após o que os homens começaram — não, como está traduzido no Gênesis, a "invocar o Senhor" — mas a ser chamados Jod-He-Vau, significando machos e fêmeas.

O Tetragrammaton, portanto, é simplesmente Malkuth; quando o noivo vem à noiva na Terra, então se torna Humanidade.

Os sete Sephiroth inferiores devem ser todos atravessados, tornando-se o Tetragrammaton cada vez mais material.

O Plano Astral situa-se entre a Tetraktys e o Tetragrammaton.

P. A Tetraktys parece ser usada aqui em dois sentidos totalmente diferentes?  
R. A verdadeira Tetraktys pitagórica era a Tetraktys da Mônada invisível, que produz o primeiro Ponto, o segundo e o terceiro, e então se retira para a escuridão e o silêncio eterno; em outras palavras, a Tetraktys é o primeiro Logos.

Tomada do plano da matéria, ela é, entre outras coisas, o Quaternário inferior, o homem de carne ou matéria.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

VI

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 14 de fevereiro de 1889; SR. W. KINGSLAND na presidência.

ESTÂNCIA III.

Sloka (1). A ÚLTIMA VIBRAÇÃO DA SÉTIMA ETERNIDADE PERPASSA A INFINITUDE.

A MÃE SE EXPANDE, CRESCENDO DE DENTRO PARA FORA COMO O BOTÃO DO LÓTUS.

"O uso aparentemente paradoxal da frase 'Sétima Eternidade', dividindo assim o indivisível, é santificado na filosofia esotérica."

O último divide a duração sem limites em Tempo incondicionalmente eterno e universal e um condicionado (Khandakâla). Um é a abstração ou númeno do tempo infinito (Kâla); o outro, seu fenômeno que aparece periodicamente, como efeito de Mahat (a Inteligência Universal limitada pela duração manvantárica).” P. O começo do Tempo, distinto da Duração, corresponde ao aparecimento do Logos manifestado? R. Certamente, não pode ocorrer antes.

Mas a “sétima vibração” aplica-se tanto ao Primeiro quanto ao Logos manifestado—o primeiro fora do Espaço e do Tempo, o segundo, quando o Tempo começou.

É somente quando “a mãe se expande” que a diferenciação se inicia, pois quando o primeiro Logos irradia através da matéria primordial e indiferenciada, ainda não há ação no Caos.

“A última vibração da Sétima Eternidade” é a primeira que anuncia a Aurora, e é um sinônimo do Primeiro ou Logos não manifestado.

Não há Tempo nesse estágio.

Não há nem Espaço nem Tempo quando o começo é feito; mas tudo está em Espaço e Tempo, uma vez que a diferenciação se inicia. No momento da radiação primordial, ou quando o Segundo Logos emana, é Pai-Mãe potencialmente,

–––––––––– A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 62. ––––––––––

TRANSAÇÕES DO LODGE BLAVATSKY

mas quando o Terceiro ou Logos manifestado aparece, torna-se a Virgem-Mãe.

O “Pai e o Filho” são um em todas as Teogonias mundiais; portanto, a expressão corresponde ao aparecimento tanto do Logos não manifestado quanto do manifestado—um no começo, o outro no fim, da “Sétima Eternidade.” P. Pode-se, então, falar de Tempo como existente desde o aparecimento do Segundo ou Logos Não-Manifestado-Manifestado? R. Certamente não, mas desde o aparecimento do Terceiro.

É aqui que reside a grande diferença entre os dois, como acaba de ser mostrado.

A “última vibração” começa fora do Tempo e do Espaço, e termina com o terceiro Logos, quando Tempo e Espaço começam, i.e., o tempo periódico.

O Segundo Logos participa de ambas as essências ou naturezas do primeiro e do último.

Não há diferenciação com o Primeiro Logos; a diferenciação apenas começa no Pensamento-Mundo latente, com o Segundo Logos, e recebe sua plena expressão, i.e., torna-se o “Verbo” feito carne—com o Terceiro.

**P.** Como os termos “Radiação” e “Emanação” diferem na Doutrina Secreta?

**R.** Eles expressam, em minha opinião, duas ideias totalmente diferentes e são as melhores traduções para os termos originais que se pôde encontrar; mas, se os significados comuns forem atribuídos a eles, a ideia será perdida.

Radiação é, por assim dizer, o disparo inconsciente e espontâneo, a ação de algo do qual esse ato ocorre; mas emanação é algo do qual outra coisa emana em um fluxo constante, e emana conscientemente.

Um ocultista ortodoxo chega a dizer que o cheiro de uma flor emana dela “conscientemente” — por mais absurdo que possa parecer aos profanos.

A radiação pode vir do Absoluto; a emanação não pode.

Uma diferença existe na ideia de que a Radiação certamente, mais cedo ou mais tarde, será retirada novamente, enquanto a Emanação se funde em outras emanações e é completamente separada e diferenciada.

É claro que, no final do ciclo do tempo, a emanação também será retirada no Absoluto Uno; mas, enquanto isso, durante todo o ciclo de mudanças, a emanação persistirá.

Uma coisa emana da outra e, de fato, de um ponto de vista, a emanação é equivalente à Evolução; enquanto a “radiação” representa, em minha mente — no período pré-cósmico, é claro — uma ação instantânea como a de um pedaço de papel incendiado sob uma lente de aumento, da qual o Sol nada sabe.

Ambos os termos, é claro, são usados por falta de melhores.

**P.** O que se entende por protótipos existentes na Luz Astral?

**R.** Luz Astral é aqui usada como uma frase conveniente para um termo muito pouco compreendido, a saber: “o reino de Akâsa, ou Luz primordial manifestada através da Ideação divina”. Este último deve ser aceito, neste caso particular, como um termo genérico para a mente universal e divina refletida nas águas do Espaço ou Caos, que é a Luz Astral propriamente dita, e um espelho que reflete e inverte um plano superior.

No ABSOLUTO ou Pensamento Divino, tudo existe e não houve tempo em que não existisse assim; mas a Ideação Divina é limitada pelos Manvantaras Universais.

O reino de Akâsa é o Espaço noumenal e abstrato indiferenciado que será ocupado por Chidakasam, o campo da consciência primordial.

Ele tem vários graus, no entanto, na filosofia oculta; de fato, “sete campos”. O primeiro é o campo da consciência latente, que é contemporâneo da duração do primeiro e segundo Logos não manifestados.

É a “Luz que resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”, do Evangelho de São João.

Quando soa a hora de o Terceiro Logos aparecer, então, da potencialidade latente, irradia um campo inferior de consciência diferenciada, que é Mahat, ou a coletividade inteira daqueles Dhyan-Chohans de vida senciente, dos quais Fohat é o representante no plano objetivo e os Manasaputras no subjetivo.

A Luz Astral é aquilo que espelha os três planos superiores de consciência e está acima do plano inferior, ou terrestre; portanto, não se estende além do quarto plano, onde, pode-se dizer, começa o Akâsa.

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 63. ––––––––––

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE     Há uma grande diferença entre a Luz Astral e o Akâsa que deve ser lembrada.

Este é eterno; aquela é periódica.

A Luz Astral não muda apenas com os Maha manvantaras, mas também com cada subperíodo e ciclo planetário ou Ronda.

P. Então, os protótipos existem em um plano mais elevado do que o da Luz Astral?     R. Os protótipos ou ideias das coisas existem primeiro no plano da Consciência Divina eterna e, de lá, tornam-se refletidos e invertidos na Luz Astral, que também reflete, em seu plano individual inferior, a vida da nossa Terra, registrando-a em suas “tábuas”. Por isso, a Luz Astral é chamada de ilusão.

É dela que nós, por nossa vez, obtemos nossos protótipos.

Consequentemente, a menos que o Clarividente ou VIDENTE possa ir além desse plano de ilusão, ele nunca poderá ver a Verdade, mas será afogado em um oceano de autoengano e alucinações.

P. E o que é o Akâsa propriamente dito?     R. O Akâsa é a consciência divina eterna que não pode diferenciar-se, ter qualidades ou agir; a ação pertence àquilo que é refletido ou espelhado a partir dele. O incondicionado e infinito não pode ter relação com o finito e condicionado.

A Luz Astral é o Céu Médio dos Gnósticos, no qual está Sophia Achamoth, a mãe dos sete construtores ou Espíritos da Terra, que não são necessariamente bons, e entre os quais os Gnósticos colocaram Jeová, a quem chamavam Ildabaoth.

(Sophia Achamoth não deve ser confundida com a Sophia divina.) Podemos comparar o Akâsa e a Luz Astral, com relação a esses protótipos, ao germe na bolota.

O último, além de conter em si a forma astral do futuro carvalho, oculta o germe do qual cresce uma árvore que contém milhões de formas.

Essas formas estão contidas na bolota potencialmente, embora o desenvolvimento de cada bolota em particular dependa de circunstâncias externas, forças físicas, etc.

P. Mas como isso explica as infinitas variedades do Reino Vegetal?     R. As diferentes variações das plantas, etc., são os raios fragmentados de um único Raio.

À medida que o raio atravessa os sete planos, ele é fragmentado em cada plano em milhares e milhões de raios até o mundo das formas, cada raio fragmentando-se em uma inteligência em seu próprio plano.


De modo que vemos que toda planta tem uma inteligência, ou seu próprio propósito de vida, por assim dizer, e seu próprio livre-arbítrio, em certo grau.

É assim que, eu, de qualquer forma, compreendo. Uma planta pode ser receptiva ou não receptiva, embora toda planta, sem exceção, sinta e tenha uma consciência própria.

Mas além disso, toda planta — da árvore gigantesca à mais minúscula samambaia ou folha de grama — tem, ensina-nos o Ocultismo, uma entidade Elemental da qual é a vestimenta exterior neste plano.

Por isso, os Cabalistas e os Rosacruzes medievais são sempre encontrados falando de Elementais.

Segundo eles, tudo possuía um espírito Elemental.

P. Qual é a diferença entre um Elemental e um Dhyan-Chohan ou Dhyani-Buddha?     R. A diferença é muito grande.

Os Elementais estão ligados apenas aos quatro Elementos terrestres e somente aos dois reinos inferiores da natureza — o mineral e o vegetal — nos quais eles se metalizam e se herbalizam, por assim dizer.

O termo hindu Deva pode ser aplicado a eles, mas não o de Dhyan-Chohan.

Os primeiros têm uma espécie de inteligência Kósmica; mas os últimos são dotados de um intelecto supersensual, cada um de sua espécie.

Quanto aos Dhyani-Buddhas, eles pertencem às mais elevadas Inteligências Divinas (ou oniscientes), correspondendo melhor, talvez, aos Arcanjos da Igreja Católica Romana.

P. Há uma evolução de tipos através dos vários planos da Luz Astral?     R. Você deve seguir a analogia da evolução da bolota.

Da bolota crescerá um carvalho, e este carvalho, como árvore, pode ter mil formas, todas as quais variam umas das outras.

Todas essas formas estão contidas na bolota, e embora a forma que a árvore assumirá dependa de circunstâncias externas, aquilo que Aristóteles chamou de "privação da matéria" já existe previamente nas ondas astrais.

Mas o germe numênico do carvalho existe além do plano da Luz Astral; é apenas a imagem subjetiva dele que já existe na Luz Astral, e o desenvolvimento do carvalho é o resultado do protótipo desenvolvido na Luz Astral, cujo desenvolvimento procede dos planos superiores aos inferiores, até que no plano mais baixo tenha sua última consolidação e desenvolvimento de forma.


E aqui está a explicação do fato curioso, segundo a afirmação vedantina, de que cada planta tem seu Karma e que seu crescimento é o resultado do Karma.

Esse Karma procede dos Dhyan-Chohans inferiores, que traçam e planejam o crescimento da árvore.

P. Qual é o significado real de Manvantara, ou melhor, Manu-antara?     R. Significa realmente "Entre dois Manus", dos quais há catorze em cada "Dia de Brahmâ", sendo tal "Dia" composto de 1.000 agregados de quatro eras, ou 1.000 "Grandes Eras", Mahayugas.

Quando a palavra "Manu" é analisada, verifica-se que os orientalistas afirmam que ela vem da raiz "Man", pensar; daí, o homem pensante.

Mas, esotericamente, cada Manu, como patrono antropomorfizado de seu ciclo ou Ronda específicos, é apenas a ideia personificada do "Pensamento Divino" (como o Pymander hermético). Cada um dos Manus, portanto, é o deus especial, o criador e modelador de tudo o que aparece durante seu próprio respectivo ciclo de existência, ou Manvantara.

P. É Manu também uma unidade da consciência humana personificada, ou é a individualização do Pensamento Divino para fins manvantáricos?     R. De ambos, pois a "consciência humana" é apenas um Raio do divino.

Nosso Manas, ou Ego, procede de Mahat e é o Filho (figurativamente) dele.

Vaivasvata Manu (o Manu de nossa própria quinta raça e da Humanidade em geral) é o principal representante personificado da Humanidade pensante da quinta Raça-raiz; e, portanto, é representado como o Filho mais velho do Sol e um Antepassado Agnishwatta.

Como "Manu" é derivado de Man, pensar, a ideia é clara.

O pensamento, em sua ação sobre os cérebros humanos, é infinito.

Assim, Manu é e contém a potencialidade de todas as formas pensantes que serão desenvolvidas na Terra a partir dessa fonte particular.

Nas ensinamento exotérico ele é o começo desta terra, e dele e de sua filha Ila nasce a humanidade; ele é uma unidade que contém todas as pluralidades e suas modificações.


Cada Manvantara tem assim seu próprio Manu, e deste Manu procedem os vários Manus, ou antes, todos os Manasa dos Kalpas.

Como analogia, ele pode ser comparado à luz branca que contém todos os outros raios, dando-lhes nascimento ao passar pelo prisma da diferenciação e da evolução.

Mas isso pertence aos ensinamentos esotéricos e metafísicos.

P. É possível dizer que Manu está em relação a cada Manvantara como o Primeiro Logos está em relação ao Maha-manvantara?      R. É possível dizer isso, se você quiser.

P. É possível dizer que Manu é uma individualidade?      R. No sentido abstrato, certamente não, mas é possível aplicar uma analogia.

Manu é a síntese, talvez, dos Manasa, e ele é uma consciência única no mesmo sentido em que, enquanto todas as diferentes células das quais o corpo humano é composto são consciências diferentes e variadas, há ainda uma unidade de consciência que é o homem.

Mas essa unidade, por assim dizer, não é uma consciência única: é um reflexo de milhares e milhões de consciências que um homem absorveu.

Mas Manu não é realmente uma individualidade; é a totalidade da humanidade.

Você pode dizer que Manu é um nome genérico para os Pitris, os progenitores da humanidade.

Eles vêm, como mostrei, da Cadeia Lunar.

Eles dão nascimento à humanidade, pois, tendo se tornado os primeiros homens, eles dão nascimento a outros ao evoluir suas sombras, seus eus astrais.

Eles não apenas dão nascimento à humanidade, mas também aos animais e a todas as outras criaturas.

Nesse sentido, é dito nos Puranas sobre os grandes Yogis que eles deram nascimento, um a todas as serpentes, outro a todos os pássaros, etc.

Mas, assim como a lua recebe sua luz do Sol, assim os descendentes dos Pitris Lunares recebem sua luz mental superior do Sol ou do "Filho do Sol". Pelo que você sabe, Vaivasvata Manu pode ser um Avatar ou uma personificação de MAHAT, comissionado pela Mente Universal para conduzir e guiar a humanidade pensante adiante.


P. Aprendemos que a humanidade aperfeiçoada de uma Ronda torna-se os Dhyani-Buddhas e os governantes guias do próximo Manvantara.

Que relação tem então Manu com as hostes dos Dhyani-Buddhas?     R. Ele não tem relação alguma — nos ensinamentos exotéricos.

Mas posso dizer-lhes que os Dhyani-Buddhas nada têm a ver com o trabalho prático inferior do plano terrestre.

Para usar uma ilustração: o Dhyani-Buddha pode ser comparado a um grande governante de qualquer condição de vida.

Suponhamos que fosse apenas a de uma casa; o grande governante não tem nada diretamente a ver com o trabalho sujo de uma criada de cozinha.

Os Dhyanis superiores evoluem hierarquias cada vez mais baixas de Dhyanis, cada vez mais consolidados e mais materiais, até chegarmos a esta cadeia de Planetas, sendo alguns destes últimos os Manus, Pitris e Antepassados Lunares.

Como mostro no Segundo Volume de *A Doutrina Secreta*, esses Pitris têm a tarefa de dar à luz o homem.

Eles o fazem projetando suas sombras, e a primeira humanidade (se é que pode ser chamada de humanidade) são as Chhayas astrais dos Antepassados Lunares, sobre as quais a natureza física constrói o corpo físico, que a princípio é informe.

A Segunda Raça é cada vez mais formada e é assexuada.

Na Terceira Raça, eles se tornam bissexuais e hermafroditas e, então, finalmente se separando, a propagação da humanidade procede de diversas maneiras.

P. Então, o que você quer dizer com o termo Manvantara, ou como você o explicou, Manu-antara, ou "entre dois Manus"?  
R. Significa simplesmente um período de atividade e não é usado em nenhum sentido limitado e definido.

Você deve deduzir do contexto da obra que está estudando qual é o significado do Manvantara, lembrando também que o que é aplicável a um período menor se aplica também a um maior, e vice-versa.

P. A "Água", como usada aqui, é puramente simbólica ou tem uma correspondência na evolução dos elementos?  
R. É necessário ter muito cuidado para não confundir os elementos universais com os terrestres.

Nem tampouco

––––––––––        *A Doutrina Secreta*, Vol.

I, p. 64. –––––––––– os elementos terrestres significam o que é conhecido como elementos químicos.


Eu chamaria os elementos cósmicos, universais, de númenos dos elementos terrestres, e acrescentaria que o cósmico não está confinado ao nosso pequeno Sistema Solar.

A água é o primeiro elemento cósmico, e os termos "escuridão" e "caos" são usados para denotar o mesmo "elemento". Há sete estados da matéria, dos quais três são geralmente conhecidos, a saber: sólido, líquido e gasoso.

É necessário considerar tudo o que é cósmico e terrestre como existindo em variações desses sete estados.

Mas é impossível para mim falar em termos que vos são desconhecidos e, portanto, impossíveis de compreender.

Assim, “água”, o “princípio quente e úmido” dos filósofos, é usada para denotar aquilo que ainda não é matéria sólida, ou melhor, aquilo que ainda não possui a solidez da matéria, como a entendemos. Isso se torna um pouco mais difícil pelo uso do termo “água” como um “elemento” subsequente na série de éter, fogo e ar.

Mas o éter contém em si todos os outros e suas propriedades, e é este éter que é o agente hipotético da ciência física; além disso, é a forma mais baixa de Akâsa, o único agente e elemento universal.

Assim, água é usada aqui para denotar matéria em seu estado pré-cósmico.

P. Que relação têm os elementos com os Elementais? R. A mesma relação que a terra tem com o homem.

Assim como o homem físico é a quintessência da Terra, também o Ar, o Fogo ou a Água, um Elemental (chamado Sifide, Salamandra, Ondina, etc.) é a quintessência de seu elemento especial.

Cada diferenciação de substância e matéria evolui uma espécie de Força inteligente, e são estas que os Rosacruzes chamaram de Elementais ou espíritos da Natureza.

Cada um de nós pode acreditar em Elementais que podemos criar para nós mesmos.

Mas esta última classe de criação elemental não tem existência fora de nossa própria imaginação.

Será uma inteligência, uma Força, boa ou má, mas a forma dada a ela e seus atributos serão de nossa própria criação, enquanto, ao mesmo tempo, terá uma inteligência derivada também de nós. P. São o “Ovo Virgem” e o “Ovo Eterno” a mesma coisa, ou são estágios diferentes de diferenciação?

ATAS DA LOJA BLAVATSKY

R. O ovo eterno é uma pré-diferenciação em uma condição laya ou zero; assim, antes da diferenciação, não pode ter atributos nem qualidades.

O “ovo virgem” já é qualificado e, portanto, diferenciado, embora em sua essência seja o mesmo.

Nenhuma coisa pode ser separada de outra coisa, em sua natureza essencial abstrata.

Mas no mundo da ilusão, no mundo das formas, da diferenciação, tudo, incluindo nós mesmos, parece estar assim separado.

–––––––––– Escritos Reunidos VOLUME X Janeiro, Fevereiro, Março,

VII

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 21 de fevereiro de 1889; SR. W. KINGSLAND na presidência.

ESTÂNCIA III (continuação).

Sloka (2). A VIBRAÇÃO VARRE ADIANTE, TOCANDO COM SUA ASA RÁPIDA (simultaneamente) TODO O UNIVERSO, E O GERME QUE HABITA NA ESCURIDÃO: A ESCURIDÃO QUE RESPIRA (move-se) SOBRE AS ÁGUAS ADORMECIDAS DA VIDA.

P. Como devemos entender a expressão de que a vibração toca todo o universo e também o germe? R. Em primeiro lugar, os termos usados devem ser definidos tanto quanto possível, pois a linguagem empregada é puramente figurativa.

O Universo não significa o Kosmos ou mundo das formas, mas o espaço sem forma, o futuro veículo do Universo que será manifestado.

Esse espaço é sinônimo das "águas do espaço", da (para nós) escuridão eterna, na verdade de Parabrahm.

Em suma, todo o Sloka refere-se ao "período" anterior a qualquer manifestação que fosse.

Da mesma forma, o Germe — o Germe é eterno, os átomos indiferenciados da matéria futura — é uno com o espaço, tão infinito quanto indestrutível, e tão eterno quanto o próprio espaço.

Igualmente com a "vibração", que corresponde ao Ponto, o Logos não manifestado.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

É necessário acrescentar uma importante explicação.

Ao usar linguagem figurativa, como foi feito em A Doutrina Secreta, analogias e comparações são muito frequentes.

A escuridão, por exemplo, como regra, aplica-se apenas à totalidade desconhecida, ou Absolutidade.

Em contraste com a escuridão eterna, o primeiro Logos é certamente Luz; em contraste com o segundo ou terceiro, o Logos manifestado, o primeiro é Escuridão, e os outros são Luz.

Sloka (3). A "ESCURIDÃO" IRRADIA LUZ, E A LUZ DEIXA CAIR UM ÚNICO RAIO NAS ÁGUAS, NA PROFUNDEZA MATERNA.

O RAIO DISPARA ATRAVÉS DO OVO-VIRGEM; O RAIO FAZ O OVO ETERNO VIBRAR, E DEIXAR CAIR O GERME NÃO-ETENO (periódico), QUE SE CONDENSA NO OVO DO MUNDO.

P. Por que se diz que a Luz deixa cair um único raio nas águas, e como esse raio é representado em conexão com o Triângulo? R. Por mais que os Raios possam parecer numerosos neste plano, quando reconduzidos à sua fonte original, serão finalmente resolvidos em uma unidade, como as sete cores prismáticas que todas procedem do, e são resolvidas no, único raio branco.

Assim também, este único raio solitário expande-se nos sete raios (e suas inúmeras subdivisões) apenas no plano da ilusão.

Ele é representado em conexão com o Triângulo porque o Triângulo é a primeira figura geométrica perfeita.

Conforme afirmado por Pitágoras, e também na Estância, o Raio (a Mônada Pitagórica) descendo do "não-lugar" (Aloka), dispara como uma estrela cadente através dos planos do não-ser até o primeiro mundo do ser, e dá à luz o Número Um; então, ramificando-se para a direita, produz o Número Dois; voltando-se novamente para formar a linha de base, gera o Número Três, e daí ascendendo novamente ao Número Um, finalmente desaparece dele para os reinos do não-ser, como mostra Pitágoras.

P. Por que os ensinamentos pitagóricos deveriam ser encontrados nas antigas filosofias hindus? R. Pitágoras derivou esse ensinamento da Índia, e nos livros antigos encontramo-lo mencionado como o Yavanacharya ou Professor Grego.

Assim, vemos que o Triângulo é a primeira diferenciação, sendo, no entanto, todos os seus lados descritos pelo único Raio.


P. O que realmente se entende pelo termo "planos do não-ser"? R. Ao usar o termo "planos do não-ser", é necessário lembrar que esses planos são apenas para nós esferas do não-ser, mas de ser e matéria para inteligências superiores às nossas.

Os mais elevados Dhyan-Chohans do Sistema Solar não podem ter concepção daquilo que existe em sistemas superiores, isto é, no segundo plano Cósmico "septenário", que, para os Seres do Universo sempre invisível, é inteiramente subjetivo.

Sloka (4). (ENTÃO) OS TRÊS (triângulo) CAEM NOS QUATRO (quaternário). A ESSÊNCIA RADIANTE TORNA-SE SETE DENTRO, SETE FORA.

O OVO LUMINOSO (Hiranyagarbha), QUE EM SI MESMO É TRÊS (as três hipóstases de Brahmâ, ou Vishnu, os três "Avasthas"), COALHA-SE E SE ESPALHA EM COALHADAS BRANCAS COMO LEITE POR TODAS AS PROFUNDEZAS DA MÃE, A RAIZ QUE CRESCE NO OCEANO DA VIDA.

P. A Essência Radiante é a mesma que o Ovo Luminoso? O que é a Raiz que cresce no oceano da vida? R. A essência radiante, o ovo luminoso ou Ovo Dourado de Brahmâ, ou ainda, Hiranyagarbha, são idênticos.

A Raiz que cresce no oceano da vida é a potencialidade que transforma em matéria objetiva diferenciada o germe universal, subjetivo, onipresente, porém homogêneo, ou a essência eterna que contém a potência da natureza abstrata.

O Oceano da Vida é, segundo um termo da filosofia Vedanta — se não me engano — a “Vida Una”, Paramatma, quando se quer significar o Supremo Eu transcendental; e Jivatma, quando falamos do “sopro de vida” físico e animal ou, por assim dizer, da alma diferenciada, essa vida em suma, que dá ser ao átomo e ao universo, à molécula e ao homem, ao animal, à planta e ao mineral.

“A Essência Radiante coalhou e se espalhou através das profundezas do Espaço.” De um ponto de vista astronômico, isso é fácil de explicar: é a Via Láctea, a substância primordial, ou matéria primária em sua primeira forma.


P. A Essência Radiante, a Via Láctea, ou substância primordial, é resolúvel em átomos ou é não-atômica?      R. Em seu estado pré-cósmico, é certamente não-atômica, se por átomos você entende moléculas; pois o átomo hipotético, um mero ponto matemático, não é material nem aplicável à matéria, nem mesmo à substância.

O átomo real não existe no plano material.

A definição de um ponto como tendo posição não deve, no Ocultismo, ser tomada no sentido comum de localização; pois o átomo real está além do espaço e do tempo.

A palavra molecular é realmente aplicável apenas ao nosso globo e ao seu plano: uma vez dentro dele, mesmo nos outros globos da nossa cadeia planetária, a matéria está em uma condição bastante diferente, e não-molecular.

O átomo, em seu estado eterno, é invisível até mesmo ao olho de um Arcanjo; e torna-se visível a este último apenas periodicamente, durante o ciclo de vida.

A partícula, ou molécula, não é, mas existe periodicamente, e é portanto considerada uma ilusão.

A substância primordial informa a si mesma através de vários planos e não se pode dizer que seja resolvida em estrelas ou que se torne molecular até atingir o plano de ser do Universo visível ou objetivo.

P. Pode-se dizer que o éter é molecular no Ocultismo?      R. Depende inteiramente do que se entende pelo termo.

Em suas camadas mais baixas, onde se funde com a luz astral, pode ser chamada de molecular em seu próprio plano; mas não para nós. Contudo, o éter do qual a ciência tem suspeita é a manifestação mais grosseira de Akâsa, embora em nosso plano, para nós mortais, seja o sétimo princípio da luz astral, e três graus acima da "matéria radiante". Quando penetra ou informa algo, pode ser molecular porque assume a forma deste último, e seus átomos informam as partículas desse "algo". Podemos talvez chamar a matéria de "éter cristalizado".      P. Mas o que é, de fato, um átomo?      R. Um átomo pode ser comparado (e é, para o Ocultista) ao sétimo princípio de um corpo ou, antes, de

––––––––––        [aplicável?—Comp.] ––––––––––

TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE uma molécula.

A molécula física ou química é composta de uma infinidade de moléculas mais finas, e estas, por sua vez, de inúmeras e ainda mais finas moléculas.

Tome, por exemplo, uma molécula de ferro e resolva-a de modo que se torne não-molecular; ela é então, de imediato, transformada em um de seus sete princípios, a saber, seu corpo astral; o sétimo destes é o átomo.

A analogia entre uma molécula de ferro, antes de ser decomposta, e essa mesma molécula após a resolução é a mesma que existe entre um corpo físico antes e depois da morte.

Os princípios permanecem, menos o corpo.

Naturalmente, isso é alquimia oculta, não química moderna.

P. Qual é o significado da alegórica "agitação do oceano" e da "vaca da abundância" dos hindus, e que correspondência há entre elas e a "guerra no céu"?      R. Um processo que começa no estado de "não-ser" e termina com o encerramento do Maha-Pralaya dificilmente pode ser dado em poucas palavras ou mesmo em volumes.

É simplesmente uma representação alegórica das inteligências primevas invisíveis e desconhecidas, os átomos da ciência oculta, sendo o próprio Brahmâ chamado de Anu ou o Átomo, moldando e diferenciando o oceano sem limites da essência radiante primordial.

A relação e a correspondência entre a "agitação do oceano" e a "guerra no céu" é um assunto muito longo e abstruso de tratar.

Para apresentá-lo em seu aspecto simbólico mais baixo, essa "guerra no céu" ocorre eternamente.

Diferenciação é contraste, o equilíbrio dos contrários; e enquanto isso existir, haverá "guerra" ou luta.

Há, naturalmente, diferentes estágios e aspectos dessa guerra: tais como, por exemplo, o astronômico e o físico.

Para tudo e todos que nascem em um Manvantara, há “guerra no céu” e também na terra: pois os quatorze Manus Raízes e Sementes que presidem nosso ciclo manvantárico, e as inúmeras Forças, humanas ou não, que deles procedem.

Há uma luta perpétua de ajustamento, pois tudo tende a harmonizar-se e equilibrar-se; de fato, deve fazê-lo antes de poder assumir qualquer forma.

Os elementos dos quais somos formados, as partículas de nossos corpos, estão em guerra contínua, um expulsando o outro e mudando a cada momento.


No “Bateimento do Oceano” pelos deuses, os Nagas vieram e alguns roubaram do Amrita — a água da Imortalidade — e daí surgiu a guerra entre os deuses e os Asuras, os não-deuses, e os deuses foram derrotados.

Isso se refere à formação do Universo e à diferenciação da matéria primordial primeva.

Mas deveis lembrar que este é apenas o aspecto cosmogônico — um dos sete significados.

A guerra no céu também tinha referência imediata à evolução do princípio intelectual na humanidade.

Esta é a chave metafísica.

P. Por que os números são tão usados nas Estâncias; e qual é realmente o segredo de serem tão livremente usados nas Escrituras Mundiais — na Bíblia e nos Purânas, por Pitágoras e pelos Sábios Arianos?

R. Balzac, o ocultista inconsciente da literatura francesa, diz em algum lugar: “o Número é para a Mente o mesmo que é para a matéria, um agente incompreensível.” Mas eu responderia — talvez assim para os profanos, nunca para a mente iniciada.

O Número é, como pensou o grande escritor, uma Entidade e, ao mesmo tempo, um Sopro emanando daquilo que ele chamou de Deus e que nós chamamos de TUDO; o sopro que sozinho poderia organizar o Kosmos físico, “onde nada obtém sua forma senão através da Divindade, que é um efeito do Número.” “Deus geometriza”, diz Platão.

P. Em que sentido os números podem ser chamados de Entidades?

R. Quando se querem significar Entidades inteligentes; quando são considerados simplesmente como dígitos, eles não são, é claro, Entidades, mas sinais simbólicos.

P. Por que se diz que a essência radiante se torna sete internamente e sete externamente?

R. Porque tem sete princípios no plano do manifestado e sete no do não-manifestado.

Argumentai sempre por analogia e aplicai o velho axioma oculto “como acima, assim abaixo”.

P. Mas os planos do “não-ser” também são septenários?

–––––––––– A Doutrina Secreta, Vol. I, p. 66. –––––––––– TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE


A. Muito certamente.

Aquilo que na Doutrina Secreta é referido como planos não-manifestados são não-manifestados, ou planos de não-ser, apenas do ponto de vista do intelecto finito; para inteligências superiores seriam planos manifestados, e assim por diante, ao infinito, sendo a analogia sempre válida.

––––––––––

VIII

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 28 de fevereiro de 1889; SR. W. KINGSLAND na presidência.

ESTÂNCIA III (continuação).

Sloka (5). A RAIZ PERMANECE, A LUZ PERMANECE, A COALHADA PERMANECE, E AINDA OEAOHOO É UM.

P. O que se quer dizer ao afirmar que estas permanecem? 
R. Significa simplesmente que, qualquer que seja a pluralidade da manifestação, ainda assim é tudo um.

Em outras palavras, estes são todos aspectos diferentes do único elemento; não significa que permaneçam sem diferenciação.

A coalhada é a primeira diferenciação e provavelmente se refere também àquela matéria cósmica que se supõe ser a origem da "Via Láctea" — a matéria que conhecemos.

Esta "matéria", que, segundo a revelação recebida dos primevos Dhyani-Buddhas, é, durante o sono periódico do Universo, da tenuidade última concebível ao olho do perfeito Bodhisattva — esta matéria, radical e fria, torna-se, no primeiro re-despertar do movimento cósmico, dispersa através do Espaço; aparecendo, quando vista da Terra, em aglomerados e massas, como coalhada em leite ralo.

Estas são as sementes dos mundos futuros, a "matéria estelar". 
P. Deve-se supor que a Via Láctea é composta de matéria em um estado de diferenciação diferente daquele com o qual estamos familiarizados?

–––––––––– [radiante?—Comp.] A Doutrina Secreta, Vol. I, p. 69. –––––––––– R. Acredito plenamente que sim. É o depósito dos materiais a partir dos quais as estrelas, planetas e outros corpos celestes são produzidos.


A matéria neste estado não existe na Terra; mas aquilo que já é diferenciado e encontrado na Terra também é encontrado em outros planetas, e vice-versa.

Mas, conforme entendo, antes de alcançar os planetas a partir de sua condição na Via Láctea, a matéria tem primeiro que passar por muitos estágios de diferenciação.

A matéria, por exemplo, dentro do sistema solar está em um estado inteiramente diferente daquela que está fora ou além do sistema.

P. Há diferença entre as Nebulosas e a Via Láctea? 
R. A mesma, eu diria, que há entre uma estrada principal e as pedras e lama sobre essa estrada.

Deve haver, naturalmente, uma diferença entre a matéria da Via Láctea e a das várias Nebulosas, e estas, por sua vez, devem diferir entre si.

Mas em todos os vossos cálculos e medições científicas é necessário considerar que a luz pela qual os objetos são vistos é uma luz refletida, e a ilusão de ótica causada pela atmosfera da Terra torna impossível que os cálculos de distâncias, etc., sejam absolutamente corretos, além do fato de que altera inteiramente as observações da matéria da qual os corpos celestes são compostos, pois é passível de nos impor uma constituição semelhante à da Terra.

Isto é, de qualquer modo, o que os MESTRES nos ensinam.

Sloka (6). A RAIZ DA VIDA ESTAVA EM CADA GOTA DO OCEANO DA IMORTALIDADE (Amrita) E O OCEANO ERA LUZ RADIANTE, QUE ERA FOGO E CALOR E MOVIMENTO.

A ESCURIDÃO DESAPARECEU E NÃO EXISTE MAIS.

ELA SE DISSOLVEU EM SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA, O CORPO DE FOGO E ÁGUA, DE PAI E MÃE.

P. Quais são os vários significados do termo "fogo" nos diferentes planos do Kosmos?     R. O fogo é o mais místico de todos os cinco elementos, como também o mais divino.

Portanto, dar uma explicação de seus vários significados apenas em nosso plano, deixando todas as                     TRANSAÇÕES DA LOJA BLAVATSKY

outras dimensões inteiramente de lado, seria demasiado árduo, além de ser completamente incompreensível para a grande maioria.

O fogo é o pai da luz, a luz é a progenitora do calor e do ar (ar vital). Se a divindade absoluta pode ser referida como Escuridão ou Fogo Escuro, a luz, sua primeira prole, é verdadeiramente o primeiro deus autoconsciente.

Pois o que é a luz em sua raiz primordial senão a divindade que ilumina o mundo e dá vida? A luz é aquilo que, de uma abstração, tornou-se uma realidade.

Ninguém jamais viu a luz real ou primordial; o que vemos são apenas seus raios quebrados ou reflexos, que se tornam mais densos e menos luminosos à medida que descem para a forma e a matéria.

Fogo, portanto, é um termo que abrange TUDO.

O fogo é a divindade invisível, "o Pai", e a luz manifestante é Deus "o Filho", e também o Sol.

Fogo—no sentido oculto—é éter, e o éter nasce do movimento, e o movimento é o eterno fogo escuro e invisível.

A luz põe em movimento e controla tudo na natureza, desde o mais elevado éter primordial até a mais minúscula molécula no Espaço.

O MOVIMENTO é eterno por si mesmo, e no Cosmos manifestado é o Alfa e o Ômega daquilo que se chama eletricidade, galvanismo, magnetismo, sensação — moral e física — pensamento, e até mesmo vida, neste plano.

Assim, o fogo, em nosso plano, é simplesmente a manifestação do movimento, ou da Vida.

Todos os fenômenos cósmicos eram referidos pelos Rosacruzes como "geometria animada". Toda função polar é apenas uma repetição da polaridade primordial, diziam os Filósofos do Fogo.

Pois o movimento gera calor, e o éter em movimento é calor.

Quando ele afrouxa seu movimento, então o frio é gerado, pois "o frio é o éter, em condição latente". Assim, os estados principais da natureza são três positivos e três negativos, sintetizados pela luz primordial.

Os três estados negativos são [1] Escuridão; [2] Frio; [3] Vácuo ou Vacuidade.

Os três positivos são [1] Luz (em nosso plano); [2] Calor; [3] Toda a natureza.

Assim, o Fogo pode ser chamado de unidade do Universo.

O fogo cósmico puro (sem, por assim dizer,

combustível) é a Divindade em sua universalidade; pois o fogo cósmico, ou o calor que ele evoca, é cada átomo de matéria na natureza manifestada.

Não há coisa ou partícula no Universo que não contenha em si fogo latente.


P. O Fogo, então, pode ser considerado o primeiro Elemento?     R. Quando dizemos que o fogo é o primeiro dos Elementos, ele é o primeiro apenas no universo visível, o fogo que comumente conhecemos.

Mesmo no plano mais elevado do nosso universo, o plano do Globo A ou G, o fogo é, em um aspecto, apenas o quarto.

Pois o Ocultista, o Rosacruz da Idade Média, e até mesmo os Cabalistas medievais, diziam que à nossa percepção humana e até mesmo à dos mais elevados "anjos", a Divindade universal é escuridão, e dessa Escuridão emana o Logos nos seguintes aspectos: [1] Peso [Caos que se torna éter em seu estado primordial]; [2] Luz; [3] Calor; [4] Fogo.

P. Em que relação o Sol, a forma mais elevada de Fogo que podemos reconhecer, está com o Fogo como você o explicou?     R. O Sol, como em nosso plano, não é nem mesmo fogo "solar".

O Sol que vemos nada dá de si mesmo, porque é um reflexo; um feixe de forças eletromagnéticas, um dos inúmeros bilhões de "Nós de Fohat". Fohat é chamado o "Fio da Luz primordial", o "Novelo de linha" de Ariadne, de fato, neste labirinto de matéria caótica.

Esse fio percorre os sete planos, atando-se em nós.

Todo plano sendo septenário, há assim quarenta e nove forças místicas e físicas, [os] nós maiores formando estrelas, sóis e sistemas, os menores, planetas, e assim por diante.     P. Em que respeito o Sol é uma ilusão?     R. O nó eletromagnético do nosso Sol não é tangível nem dimensional, nem mesmo tão molecular quanto a eletricidade que conhecemos.

O Sol absorve, "psiquiza" e vampiriza seus súditos dentro de seu sistema.

Além disso, ele não emite nada de si mesmo.

É um absurdo, portanto, dizer que os fogos solares estão sendo consumidos e gradualmente extintos.

O Sol tem apenas uma função distinta; ele dá o impulso de vida a tudo o que respira e vive sob sua luz.

O sol é o coração pulsante do sistema; cada pulsação sendo um impulso.

Mas esse coração é invisível: nenhum astrônomo jamais o verá. Aquilo que está oculto nesse coração e aquilo que sentimos e vemos, sua chama e fogos aparentes, para usar uma símile, são os nervos que governam os músculos do sistema solar, e nervos, além disso, fora do corpo.


Esse impulso não é mecânico, mas um impulso puramente espiritual, nervoso.

P. Que conexão tem "peso", como você o usa, com a gravidade?     R. Por peso, entende-se gravidade no sentido oculto de atração e repulsão.

É um dos atributos da diferenciação e é uma propriedade universal.

Pela atração e repulsão entre a matéria em vários estados é possível, na maioria dos casos, explicar (enquanto a "lei da gravitação" é insuficiente para fazê-lo) a relação que as caudas dos cometas assumem ao se aproximarem do sol; visto que manifestamente agem contrárias a essa hipótese.

P. Qual é o significado da água nessa conexão?     R. Como a Água, de acordo com seu peso atômico, é composta de um nono de Hidrogênio (um gás muito inflamável, como você sabe, e sem o qual nenhum corpo orgânico é encontrado), e de oito nonos de Oxigênio (que produz combustão quando combinado rapidamente demais com qualquer corpo), o que pode ser senão uma das formas da força primordial ou fogo em uma forma fria ou latente e fluídica? O Fogo mantém a mesma relação com a Água que o Espírito com a Matéria.

Sloka (7). CONTEMPLA, Ó LANOO! O RADIANTE FILHO DOS DOIS, A INIGUALÁVEL GLÓRIA REVERBERANTE, O ESPAÇO BRILHANTE, FILHO DO ESPAÇO ESCURO, QUE EMERGE DAS PROFUNDEZAS DAS GRANDES ÁGUAS ESCURAS.

É OEAOHOO, O MAIS JOVEM, O    (a quem agora conheces como Swan-Shai-Yin.—Comentário). ELE BRILHA COMO O SOL.

ELE É O DRAGÃO DIVINO FLAMEJANTE DA SABEDORIA.

O EKA É O CHATUR (quatro), E O CHATUR TOMA PARA SI TRÊS, E A UNIÃO PRODUZ O SAPTA (sete) NO QUAL ESTÃO OS SETE QUE SE TORNAM O TRIDASA (o triplo dez), AS HOSTES E AS MULTIDÕES.

CONTEMPLAI-O ERGUENDO O VÉU E DESENROLANDO-O DE LESTE A OESTE.

ELE EXCLUI O ACIMA E DEIXA O ABAIXO SER VISTO COMO A GRANDE ILUSÃO.

ELE MARCA OS LUGARES PARA OS RESPLANDECENTES (estrelas) E TRANSFORMA O ESPAÇO SUPERIOR EM UM MAR DE FOGO SEM COSTAS, E O ÚNICO MANIFESTADO (elemento) NAS GRANDES ÁGUAS.


Kwan-Shai-Yin e Kwan-Yin são sinônimos de fogo e água.

As duas divindades em sua manifestação primordial são o deus diádico ou dual, de natureza bissexual, Purusha e Prakriti.

P. Quais são os termos correspondentes aos três Logoi entre as palavras Oeaohoo, o mais jovem, Kwan-Shai-Yin, Kwan-Yin, Pai-Mãe, Fogo e Água, Espaço Brilhante e Espaço Sombrio?     R. Cada um deve resolver isso por si mesmo. "Kwan-Shai-Yin marca os lugares para os resplandecentes, as estrelas, e transforma o espaço superior em um mar de fogo sem costas, e o único manifestado nas grandes Águas." Pensai bem sobre isso.

O Fogo aqui representa o Espírito oculto; a Água é sua progênie, ou umidade, ou os elementos criativos aqui na terra, a crosta externa, e os princípios em evolução ou criativos internos, ou os princípios mais íntimos.

Ilusionistas provavelmente diriam "acima".     P. Qual é o véu que Oeaohoo, o mais jovem, ergue de Leste a Oeste?     R. O véu da realidade.

É a cortina que desaparece para mostrar ao espectador as ilusões no palco do Ser, o cenário e os atores, em suma, o universo de MAYA.

P. O que é o "espaço superior" e o "mar de fogo sem costas"?     R. O "espaço superior" é o espaço "interior", por mais paradoxal que pareça, pois não há acima nem abaixo na infinitude; mas os planos sucedem-se uns aos outros e solidificam-se de dentro para fora.

É, de fato, o universo tal como aparece primeiramente a partir de seu estado laya ou "zero", uma extensão sem costas de espírito, ou "mar de fogo".     P. As "Grandes Águas" são as mesmas sobre as quais a Escuridão se moveu?     R. É incorreto, neste caso, falar da Escuridão "movendo-se". A Escuridão Absoluta, ou o Eterno Desconhecido, não pode ser ativa, e mover é ação.

Mesmo no Gênesis está declarado que a Escuridão estava sobre a face do abismo, mas aquilo que se movia sobre a face das águas era o “Espírito de Deus”. Isso significa esotericamente que no início, quando a Infinitude era sem forma, e o Caos, ou o Espaço exterior, ainda era vazio, a escuridão (isto é, Kâlahamsa Parabrahm) sozinha existia.


Então, na primeira radiação do amanhecer, o “Espírito de Deus” (após o Primeiro e o Segundo Logos terem sido radiados), o Terceiro Logos, ou Narayan, começou a se mover sobre a face das Grandes Águas do “Abismo”. Portanto, a pergunta, para ser correta, se não clara, deveria ser: “As Grandes Águas são as mesmas que a Escuridão mencionada?” A resposta seria então afirmativa.

Kalahansa tem um significado duplo.

Exotericamente, é Brahmâ quem é o Cisne, a “Grande Ave”, o veículo no qual a Escuridão se manifesta à compreensão humana como luz, e este Universo.

Mas esotericamente, é a própria Escuridão, o Absoluto incognoscível que é a Fonte, primeiramente da radiação chamada Primeiro Logos, depois de seu reflexo, o Amanhecer, ou o Segundo Logos, e finalmente de Brahmâ, a Luz manifestada, ou o Terceiro Logos.

Lembremo-nos de que, sob esta ilusão de manifestação, que vemos e sentimos, e que, como imaginamos, cai sob nossas percepções sensoriais, está simplesmente e em sóbria realidade aquilo que nem ouvimos, vemos, sentimos, provamos nem tocamos de modo algum.

É uma ilusão grosseira e nada mais.

P. Para voltar a uma pergunta anterior, em que sentido a eletricidade pode ser chamada de “entidade”?      R. Somente quando nos referimos a ela como Fohat, sua Força primordial.

Na realidade, há apenas uma força, que no plano manifestado nos aparece em milhões e milhões de formas.

Como foi dito, tudo procede do único fogo primordial universal, e a eletricidade é, em nosso plano, um dos aspectos mais abrangentes desse fogo.

Tudo contém, e é, eletricidade, desde a urtiga que pica até o relâmpago que mata, desde a faísca na pedra até o sangue no corpo.

Mas a eletricidade que é vista, por exemplo, numa lâmpada elétrica, é algo bem diferente de Fohat.

A eletricidade é a causa do movimento molecular no universo físico e, portanto, também aqui, na Terra.

Ela é um dos “princípios” da matéria; pois, sendo gerada em toda perturbação do equilíbrio, torna-se, por assim dizer, o elemento kâmico do objeto no qual essa perturbação ocorre.


Assim, Fohat, a causa primordial dessa força em seus milhões de aspectos, e como a soma total da eletricidade cósmica universal, é uma “entidade”. P. Mas o que quereis dizer com esse termo? Não é a eletricidade também uma entidade? R. Eu não a chamaria assim. A palavra Entidade vem da raiz latina *ens*, “ser”, de *esse*, “existir”; portanto, tudo o que é independente de qualquer outra coisa é uma entidade, de um grão de areia até Deus.

Mas, em nosso caso, Fohat é a única entidade; a eletricidade tem apenas um significado relativo, se tomada no sentido científico usual.

P. Não é a eletricidade cósmica um filho de Fohat, e não são os seus “Sete Filhos” entidades? R. Receio que não.

Falando do Sol, podemos chamá-lo de entidade, mas dificilmente chamaríamos um raio de sol que ofusca nossos olhos também de entidade.

Os “Filhos de Fohat” são as várias Forças que têm vida fohatica, ou elétrica cósmica, em sua essência ou ser, e em seus vários efeitos.

Um exemplo: esfregai âmbar — uma Entidade fohatica — e ele dará à luz um “Filho” que atrairá palhas: um objeto aparentemente inanimado e inorgânico manifestando assim vida! Mas esfregai uma urtiga entre o polegar e o indicador, e também gerareis um Filho de Fohat, na forma de uma bolha.

Nesses casos, a bolha é uma entidade, mas a atração que atrai a palha dificilmente o é.

P. Então Fohat é a eletricidade cósmica e o “Filho” é também eletricidade? R. A eletricidade é a obra de Fohat, mas, como acabei de dizer, Fohat não é a eletricidade.

De um ponto de vista oculto, os fenômenos elétricos são muitas vezes produzidos pelo estado anormal das moléculas de um objeto ou de corpos no espaço: a eletricidade é vida e é morte: a primeira sendo produzida pela harmonia, a segunda pela desarmonia.

A eletricidade vital está sob as mesmas leis que a eletricidade cósmica.

A combinação de moléculas em novas formas, e a produção de novas correlações e perturbações do equilíbrio molecular é, em geral, a obra de Fohat, e a gera.


O princípio sintetizado, ou a emanação dos sete Logos cósmicos, é benéfico somente onde a harmonia prevalece.

Sloka (8). ONDE ESTAVA O GERME, E ONDE ESTAVA AGORA A ESCURIDÃO? ONDE ESTÁ O ESPÍRITO DA CHAMA QUE ARDE EM TUA LÂMPADA, Ó LANOO? O GERME É ISSO, E ISSO É LUZ; O BRILHANTE FILHO BRANCO DO ESCURO PAI OCULTO.

**P.** O espírito da chama que arde na lâmpada de cada um de nós é o nosso Pai Celestial, ou o Eu Superior?

**R.** Nem um nem outro; a frase citada é meramente uma analogia e se refere a uma lâmpada real que se pode supor que o discípulo esteja usando.

**P.** São os elementos os corpos dos Dhyan-Chohans, e são o Hidrogênio, o Oxigênio, o Ozônio e o Nitrogênio os elementos primordiais neste plano de matéria?

**R.** A resposta à primeira parte desta pergunta será encontrada estudando-se o simbolismo de *A Doutrina Secreta*.

Com relação aos quatro elementos nomeados, é o caso; mas lembre-se de que em um plano superior, mesmo o éter volátil pareceria tão grosseiro quanto lama.

Cada plano tem sua própria densidade de substância ou matéria, suas próprias cores, sons, dimensões de espaço, etc., que nos são completamente desconhecidos neste plano; e assim como temos na Terra seres intermediários, a formiga, por exemplo, uma espécie de entidade transitória entre dois planos, assim também no plano acima de nós existem criaturas dotadas de sentidos e faculdades desconhecidos dos habitantes daquele plano.

Há uma notável ilustração de Elihu Vedder para as *Quadras* de Omar Khayyam, que sugere a ideia dos Nós de Fohat.

É a representação japonesa comum de nuvens, linhas únicas que se entrelaçam em nós, tanto em desenhos quanto em entalhes.

É Fohat, o "anudador", e de um ponto de vista é a "substância-mundo".

**P.** Se a Via Láctea é uma manifestação dessa "substância-mundo", como é que ela não é vista em todo o céu?

**R.** Por que não seria ela a parte mais contraída e, portanto, a sua parte condensada, que é a única vista? Isso forma "nós" e passa pelo estágio solar, pelos estágios cometário e planetário, até que finalmente se torna um corpo morto, ou uma lua.

Há também vários tipos de sóis.

O sol do sistema solar é um reflexo. No final do manvantara solar, ele começará a se tornar cada vez menos radiante, emitindo cada vez menos calor, devido a uma mudança no sol real, do qual o sol visível é o reflexo.

Após o Pralaya solar, o sol atual se tornará, em um futuro Manvantara, um corpo cometário, mas certamente não durante a vida de nossa pequena cadeia planetária.

O argumento extraído da análise espectral das estrelas não é sólido, porque não se leva em conta a passagem da luz através da poeira cósmica.

Isso não significa dizer que não haja diferença real nos espectros das estrelas, mas que a alegada presença de ferro ou sódio em qualquer estrela em particular pode ser devida à modificação dos raios de tal estrela pela poeira cósmica que envolve a Terra.

P. Não depende o poder perceptivo da formiga — por exemplo, a maneira como suas faculdades perceptivas diferem de nossos poderes perceptivos de cor — simplesmente de condições fisiológicas?

R. A formiga certamente pode apreciar os sons que nós apreciamos, e também pode apreciar sons que nunca podemos ouvir; portanto, evidentemente, a fisiologia não tem nada a ver com o assunto.

A formiga e nós possuímos diferentes graus de percepção.

Estamos numa escala de evolução mais elevada que a formiga, mas, comparativamente falando, somos as formigas para o plano acima.

P. Quando a eletricidade é excitada friccionando âmbar, há algo correspondente a uma emanação do âmbar?

R. Há: a eletricidade que está latente no âmbar existe em tudo o mais, e será encontrada ali se forem dadas as condições apropriadas necessárias para sua liberação.

Há um erro que é comumente cometido, e não pode haver erro maior nas visões de um ocultista.

Faz-se uma divisão entre o que chamais de objetos animados e inanimados, como se pudesse existir algo como um objeto perfeitamente inanimado na Terra!


Na realidade, até mesmo aquilo que chamais de homem morto está mais vivo do que nunca.

De um ponto de vista, a marca distintiva entre o que é chamado de orgânico e o inorgânico é a função da nutrição, mas se não houvesse nutrição, como poderiam aqueles corpos chamados inorgânicos sofrer mudança? Até os cristais passam por um processo de acreção, que para eles cumpre a função de nutrição.

Na realidade, como a filosofia oculta nos ensina, tudo o que muda é orgânico; tem o princípio da vida em si e tem toda a potencialidade das vidas superiores.

Se, como dizemos, tudo na natureza é um aspecto do único elemento, e a vida é universal, como pode existir algo como um átomo inorgânico!

––––––––––                            Collected Writings VOLUME X                                  Janeiro, Fevereiro, Março,

IX

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 7 de março de 1889; SR. W. KINGSLAND na presidência.

Sloka (10). PAI-MÃE TECEM UMA TEIA CUJA EXTREMIDADE SUPERIOR ESTÁ PRESA AO ESPÍRITO (Purusha), A LUZ DA ÚNICA TREVA, E A INFERIOR À MATÉRIA (Prakriti), SUA (do Espírito) EXTREMIDADE SOMBRIA; E ESTA TEIA É O UNIVERSO FIADO DAS DUAS SUBSTÂNCIAS FEITAS EM UMA, QUE É SVABHAVAT.

P. Espírito e matéria são as extremidades opostas da mesma teia; luz e treva, calor e frio, vácuo ou espaço e plenitude de tudo o que existe são também opostos.

Em que sentido esses três pares de opostos estão associados ao Espírito e à Matéria?     R. No sentido em que tudo no universo está associado ao Espírito ou à Matéria, um destes sendo tomado como o elemento permanente ou ambos.

Matéria pura é Espírito puro e não pode ser compreendida mesmo se admitida por nossos intelectos finitos.

Nem a luz nem a

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

1, p. 83. –––––––––– treva, como efeitos ópticos, são matéria, nem são espírito, mas são qualidades da primeira (matéria).     P. Em que relação o Éter se encontra com o Espírito e a Matéria?     R. Faça uma distinção entre Éter e Éter, sendo o primeiro divino, o segundo físico e infernal.


O Éter é o mais baixo da divisão septenária de Akâsa-Pradhâna, a Substância-Fogo primordial.

Éter-Akâsa é o quinto e sexto princípios do corpo do Cosmos—correspondendo assim a Buddhi-Manas, no Homem; o Éter é seu sedimento cósmico mesclando-se com a camada mais elevada da Luz Astral.

Começando com a quinta raça-raiz, desenvolver-se-á plenamente apenas no início da quinta ronda.

Éter é Akâsa em seu aspecto superior, e Éter, Akâsa, em seu aspecto mais baixo.

Em um sentido, equivale ao Pai-Criador, Zeus, Pater Æther; em outro, à Serpente-Tentadora infernal, a Luz Astral dos Cabalistas.

Neste último caso, é matéria plenamente diferenciada; no primeiro, apenas rudimentarmente diferenciada.

Em outras palavras, o Espírito torna-se matéria objetiva; e a matéria objetiva torna-se novamente Espírito subjetivo, quando escapa aos nossos sentidos metafísicos.

O Éter tem a mesma relação com o Cosmos e nossa pequena Terra, que Manas tem com a Mônada e o corpo.

Portanto, o Éter nada tem a ver com o Espírito, mas muito com a matéria subjetiva e nossa Terra.

P. "Brahma, como o 'germe da Treva desconhecida', é o material do qual tudo evolui e se desenvolve." É um dos axiomas da lógica que é impossível para a mente acreditar em algo do qual ela nada compreende.

Agora, se este "material" que é Brahma for sem forma, então nenhuma ideia sobre ele pode entrar na mente, pois a mente não pode conceber nada onde não há forma.

É a vestimenta ou manifestação na forma de "Deus" que podemos perceber, e é por esta e somente por esta que podemos conhecer algo dele.

Qual é, portanto, a primeira forma deste material que a consciência humana pode reconhecer?     A. Vossos axiomas de lógica podem ser aplicados apenas ao Manas inferior, e é somente a partir das percepções do Kama-Manas que vós argumentais.

Mas o Ocultismo ensina apenas aquilo que deriva do conhecimento do Ego

CONDESSA CONSTANCE WACHTMEISTER                                           1838- Superior, ou do Buddhi-Manas.


Mas eu tentarei responder-vos segundo vossas próprias linhas familiares.

A primeira e única forma da prima materia que nossa consciência cerebral pode conhecer é um círculo.

Treinai vosso pensamento, antes de tudo, para um conhecimento profundo de um círculo limitado, e expandi-o gradualmente.

Logo chegareis a um ponto em que, sem deixar de ser um círculo no pensamento, ele se torna infinito e ilimitado até mesmo para as percepções internas.

É este círculo que chamamos Brahmâ, o germe, átomo ou anu: um átomo latente que abrange a infinitude e a Eternidade sem limites durante o Pralaya, um átomo ativo durante os ciclos de vida; mas um que não tem nem circunferência nem plano, apenas expansão ilimitada.

Portanto, o Círculo é a primeira figura geométrica e símbolo no mundo subjetivo, e torna-se um Triângulo no objetivo.

O Triângulo é a figura seguinte após o Círculo.

A primeira figura, o Círculo com o Ponto, não é realmente uma figura; é simplesmente um germe primevo, a primeira coisa que podeis imaginar no início da diferenciação; o Triângulo deve ser concebido uma vez que a matéria tenha passado do ponto zero, ou Laya.

Brahmâ é chamado de átomo, porque temos de imaginá-lo como um ponto matemático, que, no entanto, pode ser estendido até a absoluta.

Nota bene, é o germe divino e não o átomo dos químicos.

Mas cuidado com a ilusão da forma.

Uma vez que arrasteis vossa Divindade para a forma humana, vós a limitais e condicionais, e eis que criastes um deus antropomórfico.

Sloka (11). ELA (a Teia) EXPANDE-SE QUANDO O SOPRO DO FOGO (o Pai) ESTÁ SOBRE ELA; ELA SE CONTRAI QUANDO O SOPRO DA MÃE (a raiz da Matéria) A TOCA. ENTÃO OS FILHOS (os Elementos com seus respectivos Poderes, ou Inteligências) SE DISSOCIAM E SE ESPALHAM, PARA RETORNAR AO SEIO DA MÃE NO FIM DO “GRANDE DIA” E SE TORNAREM NOVAMENTE UM COM ELA.

QUANDO ELA (a Teia) ESTÁ ESFRIANDO, TORNA-SE RADIANTE, SEUS FILHOS EXPANDEM-SE E CONTRAEM-SE ATRAVÉS DE SEUS PRÓPRIOS EUS E CORAÇÕES; ELES ABRAÇAM A INFINITUDE.

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 83. –––––––––– P. A palavra “expandir” é usada aqui no sentido de diferenciar ou evoluir, e “contrair” no de involução, ou esses termos se referem a Manvantara e Pralaya; ou ainda a um movimento vibratório constante da substância-mundo ou dos átomos? Essa expansão e contração é simultânea ou sucessiva?      R. A Teia é a substância primordial sempre-existente — espírito puro para nossa concepção — o material do qual o universo ou universos objetivos são evolvidos.


Quando o sopro do fogo ou Pai está sobre ela, ela se expande; isto é, como material subjetivo ela é ilimitada, eterna, indestrutível.

Quando o sopro da Mãe a toca, isto é, quando o tempo da manifestação chega e ela tem de vir para a objetividade da forma; ela se contrai, pois não existe algo como uma forma material objetiva que seja ilimitada.

Embora a proposição de Newton de que toda partícula de matéria tem a propriedade de atração por toda outra partícula seja, no geral, correta, e embora a proposição de Leibnitz de que todo átomo é um universo em si mesmo, e age através de sua própria força inerente, seja também verdadeira; ambas são, contudo, incompletas.

Pois o homem também é um átomo, possuindo atração e repulsão, e é o Microcosmo do Macrocosmo.

Mas seria também verdadeiro dizer que, por causa da força e inteligência nele, ele se move independentemente de toda outra unidade humana, ou poderia agir e mover-se, a menos que houvesse uma força e inteligência maiores do que as suas para permitir-lhe viver e mover-se nesse elemento superior de Força e Inteligência?     Um dos objetivos de A Doutrina Secreta é provar que os movimentos planetários não podem ser satisfatoriamente explicados apenas pela teoria da gravitação.

Além da força agindo na matéria, há também uma força agindo sobre a matéria.

Quando falamos das condições modificadas de Espírito-Matéria (que é, na realidade, Força), e as denominamos por vários nomes, tais como calor, frio, luz e escuridão, atração e repulsão, eletricidade e magnetismo, etc., etc., para o ocultista são simples nomes, expressões de diferença nas manifestações de uma única e mesma Força (sempre dual em diferenciação), mas não qualquer diferença específica de forças.

Pois todas essas diferenças no mundo objetivo resultam apenas das peculiaridades de diferenciação da matéria sobre a qual a única força livre atua, auxiliada nisso por aquela porção de sua essência que chamamos de força aprisionada, ou moléculas materiais.


O trabalhador interno, a força inerente, tende sempre a unir-se à sua essência parental externa; e assim, a Mãe atuando internamente, faz a Teia contrair-se; e o Pai atuando externamente, fazê-la expandir-se.

A ciência chama isso de gravitação; os ocultistas, o trabalho da Força de Vida universal, que irradia daquela FORÇA Absoluta e Incognoscível que está fora de todo Espaço e Tempo.

Este é o trabalho da evolução e involução eternas, ou expansão e contração.

P. Qual é o significado da frase "o esfriamento da Teia", e quando isso ocorre?      R. Evidentemente, é ela mesma que está esfriando, e não algo externo a ela.

Quando? Somos informados de que começa quando a força aprisionada e a inteligência inerentes a cada átomo da matéria diferenciada, bem como da matéria homogênea, chegam a um ponto em que ambas se tornam escravas de uma Força inteligente superior, cuja missão é guiá-la e moldá-la. É a Força que chamamos de Livre-Arbítrio divino, representada pelos Dhyani-Buddhas.

Quando as forças centrípetas e centrífugas da vida e do ser são submetidas pela única Força inominada que traz ordem ao caos e estabelece harmonia no Caos — então começa o esfriamento.

É impossível dar o tempo exato em um processo cuja duração é desconhecida.

P. A forma é o resultado da interação das forças centrífuga e centrípeta na matéria e na natureza?      R. Toda forma, somos informados, é construída de acordo com o modelo traçado para ela na Eternidade e refletido na MENTE DIVINA.

Há hierarquias de "Construtores de forma" e séries de formas e graus, do mais elevado ao mais baixo.

Enquanto as primeiras são moldadas sob a orientação dos "Construtores", os deuses "Cosmocratores", as últimas são modeladas pelos Elementais ou Espíritos da Natureza.

Como exemplo disso, observe os insetos estranhos e alguns répteis e criaturas não vertebradas, que imitam tão de perto, não apenas em sua cor, mas em sua 388                        BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

forma externa, folhas, flores, ramos cobertos de musgo e outras coisas chamadas "inanimadas".

Tomaremos a "seleção natural" e as explicações dos darwinistas como solução? Creio que não.

A teoria da seleção natural não é apenas totalmente inadequada para explicar essa misteriosa faculdade de imitação no reino do ser, mas também dá uma concepção inteiramente falsa da importância de tal faculdade imitativa, como uma "arma potente na luta pela vida". E se essa faculdade imitativa for uma vez provada—como pode facilmente ser—um absoluto desajuste para o quadro darwiniano; isto é, se seu suposto uso, em conexão com a chamada "sobrevivência do mais apto", for demonstrado como uma especulação que não resiste a uma análise rigorosa, a que então pode ser atribuído o fato dessa faculdade? Todos vocês já viram insetos que copiam com fidelidade quase espelhada a cor e até a forma externa de plantas, folhas, flores, pedaços de galhos secos, etc.

Nem isso é uma lei, mas antes uma exceção frequente.

O que então, senão uma inteligência invisível fora do inseto, pode copiar com tanta precisão de originais maiores?      P. Mas não mostra o Sr. Wallace que tal imitação tem seu objeto na natureza? Que é justamente isso que prova a teoria da "seleção natural", e o instinto inato nas criaturas mais fracas de buscar segurança atrás da aparência emprestada de certos objetos? Os insetívoros que não se alimentam de plantas e folhas deixarão assim um inseto semelhante a folha ou musgo a salvo de ataque.

Isso parece muito plausível.

R. Muito plausível, de fato, se, além de fatos negativos, não houvesse evidência muito positiva para mostrar a inadequação da teoria da seleção natural para explicar os fenômenos da imitação.

Um fato para ser válido deve ser mostrado como aplicável, se não universalmente, então, pelo menos, sempre sob as mesmas condições, por exemplo, a correspondência e identidade de cor entre os animais de uma mesma localidade e o solo dessa região seria uma manifestação geral.

Mas que dizer do camelo do deserto com sua pelagem da mesma cor "protetora" das planícies em que vive, e da zebra cujas listras escuras e intensas não podem protegê-la nas planícies abertas da África do Sul, como o próprio Sr. Darwin admitiu.


A Ciência nos assegura que essa imitação da cor do solo se encontra invariavelmente nos animais mais fracos, e, no entanto, encontramos o leão — que não precisa temer inimigos mais fortes do que ele no deserto — com uma pelagem que dificilmente se distingue das rochas e planícies arenosas que habita! Pedem-nos que acreditemos que essa "imitação de cores protetoras é causada pelo uso e benefício que oferece ao imitador", como uma "arma poderosa na luta pela vida"; e, contudo, a experiência diária nos mostra exatamente o contrário.

Assim, aponta-se para uma série de animais nos quais as formas mais pronunciadas da faculdade imitativa são inteiramente inúteis ou, pior que isso, perniciosas e frequentemente autodestrutivas.

Que bem, pergunto eu, a imitação da fala humana traz à pega e ao papagaio — exceto levá-los a serem enjaulados? De que serve ao macaco sua faculdade mimética, que tantas vezes os leva à desgraça e ocasionalmente a grandes danos corporais e à autodestruição; ou a um rebanho de ovelhas idiotas, que seguem cegamente seu líder, mesmo que ele venha a cair por um precipício? Esse desejo irreprimível (também de imitar seus líderes) já levou mais de um darwinista azarado, ao procurar provar seu passatempo favorito, às declarações mais absurdamente incongruentes.

Assim, nosso amigo haeckeliano, Sr. Grant Allen, em sua obra sobre o assunto em discussão, fala de certo lagarto indiano abençoado com três grandes parasitas de diferentes espécies.

Cada um desses três imita à perfeição a cor das escamas da parte do corpo em que habita: o parasita no estômago da criatura é amarelo como seu estômago; o segundo parasita, tendo escolhido sua morada no dorso, é tão variegado em cor quanto as escamas dorsais; enquanto o terceiro, tendo selecionado sua ermida na cabeça marrom do lagarto, é quase indistinguível dela em cor.

Essa cópia cuidadosa das respectivas cores, somos informados pelo Sr. G. Allen, tem o propósito de preservar os parasitas do próprio lagarto.

Mas certamente esse destemido campeão da seleção natural não quer dizer ao seu público que o lagarto pode ver o parasita em sua própria cabeça! Finalmente, de que serve sua brilhante cor vermelha ao peixe que vive em meio aos recifes de corais, ou às pequeninas Aves do Paraíso, colibris, cujos matizes de arco-íris da plumagem imitam todas as cores radiantes da fauna e flora tropicais — senão para torná-los mais visíveis?


P. A que causas atribuiria o ocultismo essa faculdade imitativa?

R. A várias coisas.

No caso de tais aves tropicais raras e insetos que se assemelham a folhas, a elos intermediários primitivos, no primeiro caso entre o lagarto e o colibri, e no último entre certas vegetações e a espécie dos insetos.

Houve um tempo, há milhões de anos, em que tais “elos perdidos” eram numerosos, e em todos os pontos do globo onde havia vida.

Mas agora eles se tornam, a cada ciclo e geração, mais raros; são encontrados atualmente apenas em um número limitado de localidades, pois todos esses elos são relíquias do Passado.

P. Poderá dar-nos alguma explicação, do ponto de vista oculto, do que se chama a “Lei da Gravitação”?

R. A ciência insiste em que, entre os corpos, a atração é diretamente proporcional à massa e inversamente proporcional ao quadrado da distância.

Os ocultistas, no entanto, duvidam que essa lei se aplique integralmente à rotação planetária.

Tomemos a primeira e a segunda leis de Kepler, incluídas na lei newtoniana, conforme apresentadas por Herschel:

. . . . . sob a influência de tal força atrativa, impelindo mutuamente dois corpos esféricos gravitantes um em direção ao outro, cada um deles, ao se mover na vizinhança do outro, será desviado para uma órbita côncava em relação ao outro, e descreverá, um ao redor do outro considerado como fixo, ou ambos ao redor do seu centro comum de gravidade, curvas cujas formas se limitam àquelas figuras conhecidas em geometria pelo nome geral de seções cônicas.

Dependerá das circunstâncias particulares de velocidade, distância e direção qual dessas curvas será descrita — se uma elipse, um círculo, uma parábola ou uma hipérbole; mas uma ou outra deverá ser . . .

A ciência diz que os fenômenos do movimento planetário resultam da ação de duas forças, uma centrípeta,

––––––––––      [Sir John F.W. Herschel, Tratado de Astronomia. Nova ed., Londres, 1851; cap. VII, pp. –––237-38.—Compilador.] ––––––––––

ATAS DA LOJA BLAVATSKY

a outra centrífuga, e que um corpo caindo ao solo em uma linha perpendicular à água parada o faz devido à lei da gravidade ou da força centrípeta.

Entre outras, podem ser apresentadas as seguintes objeções levantadas por um erudito ocultista.

[1] Que o caminho de um círculo é impossível no movimento planetário.

[2] Que o argumento da terceira lei de Kepler, a saber, que "os quadrados dos tempos periódicos de quaisquer dois planetas estão entre si na mesma proporção que os cubos de suas distâncias médias do Sol", dá origem ao curioso resultado de uma libração permitida nas excentricidades dos planetas.

Ora, permanecendo as ditas forças inalteradas em sua natureza, isso só pode surgir, como ele diz, "da interferência de uma causa extrínseca." [3] Que o fenômeno da gravitação ou "queda" não existe, exceto como resultado de um conflito de forças.

Só pode ser considerado como uma força isolada por meio de análise ou separação mental.

Ele afirma, além disso, que os planetas, átomos ou partículas de matéria não são atraídos uns pelos outros na direção de linhas retas que conectam seus centros, mas são forçados uns em direção aos outros nas curvas de espirais que se fecham sobre o centro uns dos outros.

Também que a onda de maré não é o resultado da atração.

Tudo isso, como ele mostra, resulta do conflito entre força aprisionada e força livre; antagonismo aparente, mas na realidade afinidade e harmonia.

". . . Fohat, reunindo alguns dos aglomerados de matéria cósmica (nebulosas), dar-lhes-á um impulso, colocá-los-á em movimento novamente, desenvolverá o calor necessário e então os deixará seguir seu próprio novo crescimento." P. Deve-se entender Fohat como sinônimo de força, ou daquilo que causa a manifestação mutável da matéria? Se assim for, como se pode dizer que Fohat "os deixa seguir seu próprio novo crescimento", quando todo crescimento depende da força imanente? R. Todo crescimento depende da força imanente, porque neste nosso plano é somente essa força que –––––––––– A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 84. ––––––––––

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS age conscientemente.

A força universal não pode ser considerada uma força consciente, tal como entendemos a palavra consciência, porque imediatamente se tornaria um deus pessoal.

É somente aquilo que está encerrado em forma, uma limitação da matéria, que é consciente de si mesmo neste plano.

Essa Força ou Vontade Livre, que é ilimitada e absoluta, não se pode dizer que age com entendimento, mas é a única e exclusiva Lei imutável da Vida e do Ser.

Fohat, portanto, é mencionado como o poder motor sintético de todas as forças vitais aprisionadas e o meio entre a Força absoluta e a Força condicionada.

É um elo, assim como Manas é o elo de ligação entre a matéria grosseira do corpo físico e a Mônada divina que o anima, mas que é impotente para atuar diretamente sobre a primeira.

P. Se a Força é uma unidade ou Um, manifestando-se numa variedade ilimitada de modos, é difícil compreender a afirmação do Comentário de que: "Há calor interno e calor externo em cada átomo"; isto é, calor latente e ativo, ou calor dinâmico e cinético.

O calor é o fenômeno de uma percepção da matéria atuada pela força de maneira peculiar.

O calor, portanto, no plano físico, é simplesmente matéria em movimento.

Se há calor num sentido mais interior e oculto do que o calor físico, ele deve ser percebido por alguns sentidos mais elevados e mais interiores, em virtude de suas atividades em qualquer plano em que se manifeste.

Para essa percepção, três condições são necessárias: uma força atuante, uma forma que é atuada e aquilo que percebe a forma em movimento.

Os termos "calor latente", "potencial" ou "dinâmico" são impróprios, porque o calor, seja no primeiro ou no sétimo plano de consciência, é a percepção da matéria ou substância em movimento.

A discrepância entre a afirmação acima e o ensinamento da "Doutrina Secreta" é aparente ou real?      R. Por que o calor, em qualquer outro plano que não o nosso, seria a percepção da matéria ou substância em movimento? Por que um ocultista aceitaria as condições de [1] a força atuante; [2] a forma que é atuada; [3] aquilo que percebe a forma em movimento, como sendo as do calor?      Assim como, em cada plano ascendente, a heterogeneidade tende cada vez mais à homogeneidade, também no sétimo plano a forma desaparecerá, não havendo nada a ser atuado; a Força atuante permanecerá em solitária grandeza, para perceber apenas a si mesma; ou, na fraseologia de Spencer, ter-se-á tornado tanto "sujeito como objeto, o percebedor e o percebido". Os termos usados não são contraditórios, mas símbolos emprestados da ciência física, a fim de tornar a ação e os processos ocultos mais claros para as mentes daqueles que são treinados nessa ciência.


De fato, cada uma dessas especificações de calor e força corresponde a um dos princípios no homem.

Os "centros de calor", do ponto de vista físico, seriam o ponto zero, porque são espirituais.

A palavra “percebida” é um tanto errônea; deveria antes ser “sentida”. Fohat é o agente da lei, seu representante, o representante dos Manasaputras, cuja coletividade é—a mente eterna.

P. Na passagem de um globo para o Pralaya, ele permanece in situ, ou seja, ainda fazendo parte de uma cadeia planetária e mantendo sua posição própria em relação aos outros globos? A dissociação por meio do calor desempenha algum papel na passagem de um globo para o Pralaya?  
R. Isso está explicado no Budismo Esotérico.

Quando um globo de uma cadeia planetária entra em “obscuração”, toda qualidade, incluindo o calor, retira-se dele, e ele permanece in statu quo, como a “Bela Adormecida”, até que Fohat, o “Príncipe Encantado”, o desperte com um beijo.

P. Os filhos são descritos como dissociando-se e dispersando-se.

Isso parece opor-se à ação de retornar ao “seio materno” no final do “Grande Dia”. A dissociação e dispersão referem-se à formação do globo a partir da matéria-mundo universalmente difundida, em outras palavras, emergindo do Pralaya?  
R. A dissociação e dispersão referem-se ao Nitya Pralaya.

Este é um Pralaya eterno e perpétuo que ocorre desde que houve globos e matéria diferenciada.

É simplesmente mudança atômica.

P. O que se entende pela expressão expandindo e contraindo através de seus próprios “eus e corações” e como isso se relaciona com a última linha do sloka, “Eles abraçam a Infinitude”?  
R. Isso já foi explicado.

Através de sua força inerente e aprisionada, eles se esforçam coletivamente para se unirem à força una universal ou livre, isto é, abraçar a infinitude, sendo essa força livre infinita.


P. Qual é a relação entre eletricidade e magnetismo físico ou animal e hipnotismo?  
R. Se por eletricidade você se refere à ciência que se desdobra neste plano, e sob uma dúzia de várias qualificações os fenômenos e leis do fluido elétrico—então respondo: nenhuma.

Mas se você se refere à eletricidade que chamamos de Fohatica, ou intracósmica, então direi que todas essas formas de fenômenos baseiam-se nela.

––––––––––                     Obras Completas VOLUME X                            Janeiro, Fevereiro, Março,

X.

Reunião realizada em 17, Lansdowne Road, Londres, W., em 14 de março de 1889; SR. W. KINGSLAND na presidência.

ESTÂNCIA IV.

Sloka (1). OUVI, Ó FILHOS DA TERRA, VOSSOS INSTRUTORES—OS FILHOS DO FOGO.

APRENDA QUE NÃO HÁ PRIMEIRO NEM ÚLTIMO; POIS TUDO É UM NÚMERO ÚNICO, EMANADO DE NENHUM NÚMERO.

P. Os filhos do Fogo são os Raios do Terceiro Logos? R. Os "Raios" são os "Filhos da Névoa de Fogo", produzidos pela Terceira Criação, ou Logos.

Os verdadeiros "Filhos do Fogo" da Quinta Raça e Sub-raças são assim chamados simplesmente porque, por sua sabedoria, pertencem ou estão mais próximos da hierarquia dos divinos "Filhos da Névoa de Fogo", os mais elevados dos Chohans ou Anjos planetários.

Mas os Filhos do Fogo aqui mencionados como se dirigindo aos Filhos da Terra são, neste caso, os Reis-Instrutores que encarnaram nesta terra para ensinar a Humanidade nascente.

Como "Reis", pertencem às dinastias divinas das quais toda nação — Índia, Caldeia, Egito, Grécia Homérica, etc. — preservou uma tradição ou registro de alguma forma.

O nome "Filhos da Névoa de Fogo" também foi dado aos Hierofantes de outrora.


Eles são certamente subdivisões do Terceiro Logos.

Eles são os Chohans ou Anjos do Fogo, os Anjos do Éter, os Anjos do Ar e da Água, e os Anjos da Terra.

As sete Sephiroth inferiores são os anjos terrenos e correspondem às sete hierarquias dos sete elementos, cinco dos quais são conhecidos e dois desconhecidos.

P. Correspondem eles, então, às Raças? R. Correspondem. Caso contrário, onde estariam as Raças intelectuais com cérebros e pensamento, se não fosse por essas hierarquias que nelas encarnaram? P. Qual é a distinção entre essas várias Hierarquias? R. Na realidade, esses fogos não são separados, assim como não o são as almas ou mônadas para aquele que vê além do véu da matéria ou da ilusão.

Aquele que deseja ser um ocultista não deve separar a si mesmo nem qualquer outra coisa do restante da criação ou não-criação.

Pois, no momento em que ele se distingue até mesmo de um vaso de desonra, não será capaz de se unir a qualquer vaso de honra.

Ele deve pensar em si mesmo como algo infinitesimal, não sequer como um átomo individual, mas como parte dos átomos do mundo em sua totalidade, ou tornar-se uma ilusão, um ninguém, e desvanecer-se como um sopro, sem deixar vestígio algum.

Como ilusões, somos corpos separados e distintos, vivendo em máscaras fornecidas por Maya.

Podemos reivindicar um único átomo em nosso corpo como exclusivamente nosso? Tudo, do espírito à mais ínfima partícula, é parte do todo, no máximo um elo.

Quebre um único elo e tudo passa à aniquilação; mas isso é impossível.

Há uma série de veículos que se tornam cada vez mais grosseiros, do espírito à matéria mais densa, de modo que, a cada passo para baixo e para fora, desenvolvemos em nós cada vez mais o senso de separatividade. Contudo, isso é ilusório, pois, se houvesse uma separação real e completa entre dois seres humanos, eles não poderiam comunicar-se ou compreender-se mutuamente de forma alguma.

Assim ocorre com essas hierarquias.

Por que deveríamos separar suas classes em nossa mente, exceto para fins de distinção no Ocultismo prático, que é apenas a forma mais inferior de Metafísica aplicada?


Mas, se procurais separá-las neste plano de ilusão, então tudo o que posso dizer é que existe entre essas Hierarquias os mesmos abismos de distinção que existem entre os "princípios" do Universo ou os do homem, se preferirdes, e os mesmos "princípios" num bacilo.

"Há uma passagem no Bhagavad-Gitâ (cap. viii) em que Krishna, falando simbolicamente e esotericamente, diz: 'Eu declararei os tempos (condições) . . . . nos quais os devotos que partem (desta vida) o fazem para nunca mais retornar (renascer), ou para retornar (a encarnar novamente). O Fogo, a Chama, o dia, a quinzena brilhante (afortunada), os seis meses do solstício do Norte, partindo (morrendo) nestes, aqueles que conhecem o Brahman (iogues) vão ao Brahman.

Fumaça, noite, a quinzena escura (desafortunada), os seis meses do solstício do Sul, (morrendo) nestes, o devoto vai à luz lunar (ou mansão, também a luz astral) e retorna (renasce)."

P. Qual é a explicação dessa passagem?

R. Significa que os devotos são divididos em duas classes: aqueles que alcançam o Nirvana na Terra e o aceitam ou recusam (embora nunca mais nasçam neste Mahakalpa, ou era de Brahmâ); e aqueles que não alcançam esse estado de bem-aventurança como Buda e outros o fizeram.

"O Fogo, a Chama, o dia, a quinzena brilhante da lua" são todos símbolos da mais elevada divindade absoluta.

Aqueles que morrem em tal estado de pureza absoluta vão ao Brahman, isto é, têm direito a Moksha ou Nirvana.

Por outro lado, "Fumaça, noite, a quinzena escura, etc." são todos simbólicos da matéria, a escuridão da ignorância.

Aqueles que morrem em tal estado de purificação incompleta devem, naturalmente, renascer.

Somente o espírito homogêneo, absolutamente purificado, sem liga, pode ser re-unido à Divindade ou ir ao Brahman.

Sloka (2). APRENDEI O QUE NÓS, QUE DESCEMOS DOS SETE PRIMORDIAIS, NÓS, QUE NASCEMOS DA CHAMA PRIMORDIAL, APRENDEMOS DE NOSSOS PAIS.

––––––––––        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 86. –––––––––– “Os primeiros ‘Primordiais’ são os Seres mais elevados na Escala da Existência.


. . . Os ‘Primordiais’ procedem do ‘Pai-Mãe’.”      P. É aqui “Pai-Mãe” sinônimo do Terceiro Logos?     R. Os primeiros sete primordiais nascem do Terceiro Logos.

Isto ocorre antes de ele ser diferenciado na Mãe, quando se torna matéria primordial pura em sua primeira essência primitiva, Pai-Mãe potencialmente.

A Mãe torna-se a mãe imaculada somente quando a diferenciação de espírito e matéria está completa.

Caso contrário, não existiria tal qualificação.

Ninguém falaria de espírito puro como imaculado, pois ele não pode ser de outra forma.

A mãe é, portanto, a matéria imaculada antes de ser diferenciada sob o sopro do Fohat pré-cósmico, quando se torna a “mãe imaculada” do “Filho” ou do Universo manifestado, em forma.

É esta última que inicia a hierarquia que terminará com a Humanidade ou o homem.

Sloka (3). DA EFULGÊNCIA DA LUZ—O RAIO DA ETERNA ESCURIDÃO—SURGIRAM NO ESPAÇO AS ENERGIAS RE-DESPERTADAS (Dhyan-Chohans): O UM DO OVO, OS SEIS E OS CINCO; ENTÃO OS TRÊS, O UM, OS QUATRO, O UM, OS CINCO—O DOBRO DE SETE, A SOMA TOTAL.

E ESTES SÃO: AS ESSÊNCIAS, AS CHAMAS, OS ELEMENTOS, OS CONSTRUTORES, OS NÚMEROS, OS ARUPA (sem forma), OS RUPA (com corpos), E A FORÇA DO HOMEM DIVINO—A SOMA TOTAL.

E DO HOMEM DIVINO EMANARAM AS FORMAS, AS FAÍSCAS, OS ANIMAIS SAGRADOS, E OS MENSAGEIROS DOS PAIS SAGRADOS (os Pitris) DENTRO DO QUATERNÁRIO SAGRADO.

P. Podeis explicar esses números e dar seu significado? R. Como dito no Comentário, não estamos presentemente preocupados com o processo, isto é, ele não pode

––––––––––     A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 88. ––––––––––

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS ser tornado público no presente.

Algumas poucas indicações, contudo, podem ser dadas.

Os Rabinos chamam o Círculo (ou como alguns dizem, o primeiro ponto nele) Echod, o UM, ou Ain-Soph.

Em um plano inferior, o quarto, ele se torna Adão Kadmon, o sete manifestado e o dez não manifestado, ou a Árvore Sephirothal completa.

Os Sephiroth, portanto, são os mesmos que os Elohim.

Agora, o nome deste último, escrito em hebraico, Alhim, é composto de cinco letras; e essas letras, em seus valores numéricos, sendo colocadas ao redor de um círculo, podem ser transmutadas à vontade, como não poderiam ser se fossem aplicadas a qualquer outra figura geométrica.

O círculo é infinito, isto é, não tem começo nem fim.

Ora, a Cabala literal é dividida em três partes ou métodos, a terceira das quais é chamada Temura ou permutação.

De acordo com certas regras, uma letra ou numeral é substituído por outro.

O alfabeto cabalístico é dividido em duas partes iguais, cada letra ou numeral de uma parte correspondendo a um número ou letra semelhante na outra parte.

Ao mudar as letras alternadamente, produzem-se vinte e duas permutações ou combinações, processo este chamado Tziruph.

A nota de rodapé nas páginas 90 e 91 (Vol. I, Doutrina Secreta) torna meu significado bastante claro.

Sloka (4). ESTE ERA O EXÉRCITO DA VOZ—A SEPTENÁRIA DIVINA.

AS FAÍSCAS DOS SETE ESTÃO SUJEITAS A, E SÃO SERVAS DO, PRIMEIRO, SEGUNDO, TERCEIRO, QUARTO, QUINTO, SEXTO E SÉTIMO DOS SETE.

ESTAS (“faíscas”) SÃO CHAMADAS ESFERAS, TRIÂNGULOS, CUBOS, LINHAS E MODELADORES: POIS ASSIM SE ERGUE O NIDANA ETERNO—O OI-HA-HOU (a permutação de Oeaohoo).     P. O que são os “Ventos da Vida” no comentário [p. 96]?     R. Os Ventos da Vida são os vários modos de expiração e inspiração, mudando com isso a polaridade do corpo e os Estados de Consciência.

É prática de Yoga, mas cuidado ao tomar as obras exotéricas sobre Yoga literalmente.

Todas requerem uma chave.

P. Qual é o significado da frase que começa com “As faíscas, etc.” (vide supra)?


R. As faíscas significam os Raios, tanto para a inteligência inferior quanto para as faíscas humanas ou Mônadas.

Isso se relaciona ao círculo e aos dígitos, e equivale a dizer que as figuras 31415, como dadas nas páginas 90 e 91, estão todas sujeitas à circunferência e ao diâmetro do círculo.

P. Por que Sarasvati (a deusa da fala) também é chamada de deusa da sabedoria esotérica? Se a explicação reside no significado da palavra Logos, por que há uma distinção entre a mente imóvel e a fala móvel? A mente equivale a Mahat, ou ao Manas Superior e Inferior?     R. A questão é bastante complicada.

Sarasvati, a deusa hindu, é o mesmo que Vâch, cujo nome significa Fala e que é o Logos feminino, esotericamente.

A segunda questão parece bastante intrincada.

Creio que é porque o Logos ou Verbo é chamado de sabedoria encarnada, “Luz brilhando nas trevas.” A distinção reside entre o TODO imóvel ou eternamente imutável, e a Fala ou Logos móvel, i.e., o periódico e o manifestado.

Pode relacionar-se à mente Universal e à individual, a Mahat, ou ao Manas Superior, ou mesmo ao inferior, o Kama-Manas ou Mente-Cérebro.

Porque aquilo que é desejo, impulso instintivo no inferior, torna-se pensamento no Superior.

O primeiro encontra expressão em atos, o último em palavras.

Esotericamente, o pensamento é mais responsável e punível do que o ato.

Mas exotericamente é o contrário.

Portanto, na lei humana comum, uma agressão é punida mais severamente do que o pensamento ou intenção, i.e., a ameaça, enquanto cármicamente é o contrário.

P. “Deus geometriza”, diz Platão, mas visto que não há Deus pessoal, como é que o processo de formação se dá por Pontos, Linhas, Triângulos, Cubos, Círculos e finalmente Esferas? E como, quando a esfera deixa o estado estático, a força inerente do Sopro a põe em rotação?

R. O termo “Deus” — a menos que se refira à Divindade Desconhecida ou Absolutividade, que dificilmente se pode supor agindo de qualquer maneira — sempre significou nas filosofias antigas a coletividade das Forças ativas e inteligentes na natureza.

A palavra “Floresta” é singular, contudo é o termo para expressar a ideia de milhares ou mesmo milhões de árvores de diferentes tipos.


Os materialistas têm a opção de dizer “Natureza”, ou ainda melhor — “Lei geometriza” se assim preferirem.

Mas nos dias de Platão, o leitor comum dificilmente teria compreendido a distinção metafísica e o significado real.

A verdade, porém, de a Natureza sempre “geometrizar” é facilmente constatada.

Aqui está um exemplo: O calor é a modificação dos movimentos ou partículas da matéria.

Ora, é uma lei física e mecânica que partículas ou corpos em movimento sobre si mesmos assumem uma forma esferoidal — isso, desde um planeta globular até uma gota de chuva.

Observe os flocos de neve, que juntamente com os cristais exibem a você todas as formas geométricas existentes na natureza.

Assim que o movimento cessa, a forma esferoidal se altera; ou, como Tyndall nos diz, torna-se uma gota achatada, então a gota forma um triângulo equilátero, um hexágono e assim por diante. Ao observar a decomposição de partículas de gelo em uma grande massa, através da qual fez passar raios de calor, ele observou que a primeira forma que as partículas assumiam era triangular ou piramidal, depois cúbica e finalmente hexagonal, etc.

Assim, até mesmo a ciência física moderna corrobora Platão e justifica sua proposição.

P. Quando Tyndall pegou um grande bloco de gelo e lançou sobre ele um raio poderoso e daí para uma tela, puderam ser vistas nele formas de samambaias e plantas. Qual é a razão disso? R. Esta pergunta deveria realmente ser dirigida primeiro ao Professor Tyndall, que daria uma explicação científica disso — e talvez ele já o tenha feito. Mas o Ocultismo explicaria isso dizendo que ou o raio ajudou a mostrar as formas astrais que se preparavam para formar futuras samambaias e plantas, ou que o gelo havia preservado a reflexão de samambaias e plantas reais que nele se haviam refletido. O gelo é um grande mago, cujas propriedades ocultas são tão pouco conhecidas quanto as do Éter.

Ele está ocultamente conectado com a luz astral, e pode, sob certas condições, refletir certas imagens da região astral invisível, assim como a luz e uma placa sensibilizada podem ser usadas para refletir estrelas que nem mesmo o telescópio pode perceber.

Isto é bem conhecido dos iogues eruditos que habitam o gelo eterno de Badrinath e do Himalaia.


De qualquer forma, o gelo certamente tem a propriedade de reter imagens de coisas impressas em sua superfície sob certas condições de luz, imagens que ele preserva invisivelmente até ser derretido.

O aço fino tem a mesma propriedade, embora seja de natureza menos oculta.

Se você observasse o gelo pela superfície, essas formas não seriam vistas.

Mas uma vez que, ao decompor o gelo com calor, você lida com as forças e as coisas que nele foram impressas, então descobre que ele expele essas imagens e as formas aparecem.

É apenas um elo que conduz a outro elo.

Tudo isso não é ciência moderna, é claro, mas é fato e verdade.

P. Os números e as figuras geométricas representam para a consciência humana as leis de ação na Mente Divina? R. Representam, certamente.

Não há evolução ou formação por acaso, nem qualquer aparência anormal ou fenômeno cósmico chamado assim se deve a circunstâncias fortuitas.

Sloka (5). “TREVAS,” O ILIMITADO OU O NÃO-NÚMERO, ADI-NIDANA SVABHAVAT: O (para x, quantidade desconhecida):     I. O ADI-SANAT, O NÚMERO, POIS ELE É UM.

II. A VOZ DO VERBO, SVABHAVAT, OS NÚMEROS, POIS ELE É UM E NOVE.

III.

O “QUADRADO SEM FORMA.” (Arupa.)     E ESTES TRÊS ENCERRADOS DENTRO DO O (círculo ilimitado), SÃO OS QUATRO SAGRADOS, E OS DEZ SÃO O UNIVERSO ARUPA (subjetivo, sem forma); ENTÃO VÊM OS “FILHOS,” OS SETE COMBATENTES, O UM, O OITAVO EXCLUÍDO, E SEU SOPRO QUE É O CRIADOR DA LUZ (Bhâskara).     P. O “Um Rejeitado” é o sol do nosso sistema.

Astronomicamente, existe alguma explicação para a rejeição de Mârttanda?     R. O sol é mais velho do que qualquer um de seus planetas—embora mais jovem do que a lua.

Sua “rejeição” significa que quando os corpos ou planetas começaram a se formar, ajudados por seus raios, radiação magnética ou calor, e especialmente por sua atração magnética, ele teve que ser detido, caso contrário teria engolido todos os corpos mais jovens, como se diz que Saturno tratou sua prole.


Isso não significa que todos os planetas foram lançados para fora do sol, como ensina a Ciência moderna, mas simplesmente que sob os Raios do sol eles adquirem seu crescimento.

Aditi é a mãe-natureza eternamente equilibradora no plano puramente espiritual e subjetivo.

Ela é a ®akti, o poder ou potência feminina do espírito fecundante; e cabe a ela regular o comportamento dos filhos nascidos em seu seio.

A alegoria védica é muito sugestiva.

P. Todos os planetas do nosso sistema solar foram primeiro cometas e depois sóis?      R. Eles não foram sóis em nossos, ou em seus atuais sistemas solares, mas cometas no espaço.

Todos começaram a vida como errantes sobre a face do infinito Kosmos.

Eles se destacaram do depósito comum de material já preparado, a Via Láctea (que nada mais é do que o stuff-mundano já bastante desenvolvido, sendo todo o resto no espaço o material bruto, ainda invisível para nós); então, iniciando sua longa jornada, eles primeiro se estabeleceram na vida onde as condições foram preparadas para eles por Fohat, e gradualmente se tornaram sóis.

Então cada sol, quando seu Pralaya chegava, era resolvido em milhões e milhões de fragmentos.

Cada um desses fragmentos movia-se de um lado para outro no espaço, coletando materiais frescos, enquanto rolava, como uma avalanche, até parar pelas leis de atração e repulsão, e tornar-se um planeta em nosso próprio sistema, como em outros sistemas, além de nossos telescópios.

Os fragmentos do Sol tornar-se-ão exatamente tais planetas após o pralaya solar.

Foi um cometa, outrora, no início da Era de Brahmâ.

Então veio à sua posição atual, de onde irá despedaçar-se, e seus átomos serão lançados no espaço por éons e éons, como todos os outros cometas e meteoros, até que cada um, guiado pelo Karma, seja capturado no vórtice das duas forças e fixado em algum sistema superior e melhor.

Assim, o Sol viverá em seus filhos, como uma porção dos pais vive em sua prole.

Quando esse dia chegar, a semelhança ou reflexo do Sol que vemos cairá primeiro, como um véu, da face do verdadeiro Sol.


Nenhum mortal o verá, pois nenhum olho mortal poderia suportar seu esplendor.

Se esse véu fosse removido por um só segundo, todos os planetas de seu sistema seriam instantaneamente reduzidos a cinzas, assim como os sessenta mil filhos do Rei Sagara foram destruídos por um olhar do olho de Kapila.

Sloka (6). . . . . . ENTÃO OS SEGUNDOS SETE, QUE SÃO OS LIPIKA, PRODUZIDOS PELOS TRÊS (Verbo, Voz e Espírito). O FILHO REJEITADO É UM, OS "FILHOS-SÓIS" SÃO INCONTÁVEIS.

P. Qual é a relação dos Lipika, os "Segundos Sete", com os "Sete Primordiais" e com os primeiros "Quatro Sagrados"?     R. Se você acredita que alguém, exceto os mais elevados Iniciados, possa explicar isso a sua satisfação, então está muito enganado.

A relação pode ser melhor compreendida, ou melhor, mostrada como estando acima de toda compreensão, estudando-se primeiro os sistemas gnósticos dos primeiros séculos do Cristianismo, desde o de Simão Mago até o mais elevado e nobre deles, a chamada PISTIS-SOPHIA.

Todos esses sistemas são derivados do Oriente.

Aquilo que chamamos de "Sete Primordiais" e "Segundos Sete" é chamado por Simão Mago de eões, as séries primeva, segunda e terceira de Sizígias.

São as emanações graduadas, descendo sempre cada vez mais baixo na matéria, daquele princípio primordial que ele chama de Fogo, e nós, Svabhavat.

Por trás desse Fogo, a Deidade manifestada, porém silenciosa, permanece com ele, como conosco, aquilo "que é, era e sempre será". Comparemos seu sistema com o nosso.

Em uma passagem citada de suas obras pelo autor do *Philosophumena*, lemos:—"Dessa Estabilidade permanente e dessa Imortalidade do primeiro princípio manifestado, o 'Fogo' (o terceiro Logos), cuja imutabilidade não exclui a atividade, pois o segundo, a partir dele, é dotado de inteligência e razão (Mahat), esse (Fogo) passou da potencialidade de ação à ação em si mesma.

Dessa série de evoluções formaram-se seis seres, ou a emanação da potência infinita; eles foram formados em Sizígias, i.e., irradiaram-se da chama dois a dois, um sendo o princípio ativo, o outro o passivo." A esses, Simão denominou *Nous* e *Epinoia*, ou Espírito e Pensamento, *Phôn* e *Onoma*, Voz e Nome, e *Logismos* e *Enthumsis*, Raciocínio e Reflexão.

E ainda:—"Em cada um desses seis seres primitivos a Potência Infinita estava em sua totalidade; mas ali estava em potencialidade e não em ato.

Ela tinha de ser estabelecida neles por meio de uma imagem (a do paradigma), a fim de que aparecesse em toda a sua essência, virtude, grandeza e efeitos; pois somente então poderia tornar-se semelhante à Potência Parental infinita e eterna.

Se, ao contrário, não fosse conformada pela ou através da Imagem, essa Potencialidade jamais poderia tornar-se Potência ou passar à ação, mas se perderia por falta de uso, como acontece a um homem que, tendo aptidão para a gramática ou a geometria, não a exercita; ela se perde para ele como se nunca a tivesse possuído" (*Philosophumena*, p. 250).

––––––––––      [Estas passagens são do Livro VI, 12, do *Philosophumena* ou *Refutação de Todas as Heresias*, atribuído atualmente a Santo Hipólito, mas anteriormente incluído nas obras de Orígenes.

H. P. B. aparentemente traduziu para o inglês o texto grego ou latino, conforme publicado, um sob o outro, em uma edição preparada a partir do Códice de Paris por Patricius Cruice (Paris: Imprimerie Royale, 1860). O texto latino, reproduzido abaixo, ocorre nas páginas 249-51 desse volume:

"Omnes enim partes, ut ait, invisibiles ignis existimavit intelligentiae et mentis esse consortes.

Natus est igitur mundus aeternus ab aeterno igne.

Coepit autem fieri, ut ait, sex radices primas principii generationis assumens aeternus ille mundus ex illius ignis principio."

Ele afirma que essas raízes foram geradas pelo fogo através de conjugações, raízes essas que ele chama de Mente [@Øl] e Cogitação [|B@4"], Voz [NTZ] e Nome [Ð@:"], Razão [8@84F:`l] e Concepção [|2b:0F4l]; e que em essas seis raízes reside toda a infinita potestade simultaneamente, porém apenas em virtude, não em ato; e que essa infinita potestade em ato é aquele que esteve, está e estará; o qual, se for representado por imagem, aparecia naquelas seis potestades em essência, virtude, magnitude, efeito, sendo também uma única (potestade) e semelhante àquela eterna e infinita potestade, e de nenhum modo inferior àquela eterna, imutável e infinita potestade.

Mas se permanecer apenas em virtude nas seis potestades e não ––––––––––                   TRANSACTIONS DA LOJA BLAVATSKY

Ele mostra que, quer esses entes pertençam ao mundo superior, médio ou inferior, todos são um, exceto na densidade material, que determina suas manifestações externas e o resultado produzido, não sua essência real, que é una, nem suas relações mútuas que, como ele diz, são estabelecidas desde a eternidade por leis imutáveis.

Agora, o primeiro, o segundo, o terceiro ou os sete primordiais, ou Lipika, são todos um.

Quando emanam de um plano para outro, é uma repetição de—"como acima, assim abaixo." Todos são diferenciados na matéria ou densidade, não nas qualidades; as mesmas qualidades descem até o último plano, o nosso, onde o homem é dotado da mesma potencialidade, se soubesse como desenvolvê-la, que os mais elevados Dhyan-Chohans.

Nas hierarquias dos entes, Simão dá três pares de dois cada, sendo o sétimo o quarto que desce de um plano para outro.

Os Lipika procedem de Mahat e são chamados na Cabala os quatro Anjos Registradores; na Índia, os quatro Maharajas, aqueles que registram cada pensamento e ação do homem; são chamados por São João no Apocalipse, o Livro da Vida.

Eles estão diretamente conectados com o Carma e com o que os cristãos chamam o Dia do Juízo; no Oriente era chamado o Dia após o Mahamanvantara, ou o "Dia-Esteja-Conosco." Então tudo se torna um, todas as individualidades são fundidas em uma, porém cada uma conhecendo a si mesma, um ensinamento verdadeiramente misterioso.

Mas então, aquilo que para nós agora é não-consciência ou o inconsciente, será então consciência absoluta.

P. Que relação têm os Lipika com Mahat?     R. Eles são uma divisão, quatro tomados de um dos Septenatos que emanam de Mahat.

Mahat corresponde ao Fogo de Simão Mago, o segredo e

–––––––––– imagine effingatur, evanescit, ait, et perit sicut facultas grammaticae vel geometricae in hominis animo.

Facultas enim adjuta arte fit lumen omnium rerum; non adjutavero, imperita et tenebrosa et, velut quum non erat, cum homine moriente perit.”                                                                                                    —Compilador.] –––––––––– a Ideação Divina manifestada, feita para testemunhar a si mesma neste Universo objetivo através das formas inteligentes que vemos ao nosso redor, no que se chama criação.


Como todas as outras emanações, são "Rodas dentro de Rodas". Os Lipika estão no plano correspondente ao plano mais elevado de nossa cadeia de globos.

P. Qual é a diferença entre Espírito, Voz e Verbo?      R. A mesma que entre Atma, Budhi e Manas, em um sentido.

O Espírito emana da Escuridão desconhecida, o mistério no qual nenhum de nós pode penetrar.

Esse Espírito — chame-o de "Espírito de Deus" ou Substância Primordial — espelha-se nas Águas do Espaço — ou na matéria ainda indiferenciada do Universo futuro — e produz assim o primeiro frêmito de diferenciação na homogeneidade da matéria primordial.

Esta é a Voz, pioneira do "Verbo" ou a primeira manifestação; e dessa Voz emana o Verbo ou Logos, isto é, a expressão definida e objetiva daquilo que até então permaneceu nas profundezas do Pensamento Oculto.

Aquilo que se espelha no Espaço é o Terceiro Logos.

Podemos expressar essa Trindade também pelos termos Cor, Som e Números.

FIM DO VOLUME X                         Obras Completas VOLUME X xxiv                                    BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

SURVEY CRONOLÓGICO

DOS PRINCIPAIS EVENTOS NA VIDA DE H. P. BLAVATSKY E DO CORONEL

HENRY S. OLCOTT, DE JULHO DE 1888 A JANEIRO DE 1889, INCLUSIVE.

(O período ao qual pertence o material do presente volume)

Julho — O Conselho Executivo da S. T. solicita a H. S. Olcott que vá à Europa e organize uma Seção Europeia do Conselho Geral (Theos., IX, Supl.

a agosto de 1888, p. xcix).

Julho — Forte Editorial em Le Lotus (Paris) da pena de F. K. Gaboriau, sobre problemas no Ramo Ísis da S. T. em Paris (Le Lotus).

Julho 13 — O Ramo Ísis reúne-se na Salle Richefeu, Paris; endossa a ação de H. P. B. nos assuntos problemáticos que haviam surgido.

Coronel.

Olcott confirma por carta a nomeação de Gaboriau como Presidente do Ramo, e aprova em nome do Conselho de Adyar a ação de H. P. B. (Le Lotus, III, ago., 1888, p. 318).

Julho—Fred C. Judge, irmão de Wm. Q. Judge, morre em Calcutá de cirrose hepática, aos 32 anos (Theos., IX, Supl. de julho de 1888, p. xlvi).

Julho—Mohini M. Chatterji retorna à Índia e se estabelece em Calcutá após cinco anos de ausência (Theos., IX, Supl. de julho de 1888, p. xlvii).

Outono—Os Sinnett viajam pela Suíça e vão a Elberfeld para ver os Gebhard; retornam a Londres por volta do final de setembro (Autobiografia).

4 de agosto—H. S. Olcott navega para a Europa; vai primeiro a Bombaim, partindo de lá no dia 7 no vapor de correio P. & O. SS Shannon; ele deve desembarcar em Brindisi, Itália (Theos., IX, Supl. de set., 1888, p. ciii; Ransom, 248).

22 de agosto—Importante carta de K. H. ao Cel. Olcott, recebida a bordo do SS Shannon, no dia anterior à chegada a Brindisi. (De acordo com os registros da Lloyd's de Londres, o vapor chegou lá em 23 de agosto, às 7h30 da manhã, partindo para Londres uma hora depois.) (LMW I, No. 19, para o texto da Carta; Ransom, 248, onde é dada a data errada).

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO xxv

Parece que antes do recebimento desta importante Carta do Mestre, H. P. B. havia manifestado a H. S. O. que ela poderia formar uma S. T. totalmente independente na Europa, se ele insistisse em suas objeções contra a formação da Seção Esotérica (Ransom, 251). 23 de agosto—H. S. Olcott segue por terra da Itália para Londres, chegando lá no dia 26; ele para por algumas horas em Bolonha, para tratar dos medicamentos do Conde Mattei; não conseguindo contatar o Conde, faz arranjos para visitar o local novamente em sua viagem de volta.

Encontra H. P. B. bastante doente, mas trabalhando muito arduamente (Theos., X, Supl. de out., 1888, pp. xvii-xviii; Ransom, 248).

Quando H. S. Olcott chegou a Londres, cerca de 330 páginas de cada um dos dois volumes de A Doutrina Secreta já estavam impressas (Theos., X, Supl. de out., 1888, p. xviii).

Agosto—Vera Vladimirovna de Zhelihovsky, filha de Madame Vera Petrovna de Zhelihovsky, irmã de H. P. B., casa-se com Charles Johnston, na casa de H. P. B., 17, Lansdowne Road, Londres. H.S.O. representa sua mãe e o restante da família no casamento civil no cartório (ODL, IV, 68).

16 de setembro — H. S. Olcott e Richard Harte chegam a Paris, para tentar resolver os problemas no Ramo Ísis (Theos., X, Supl. ao dez. de 1888, p. xxvi).

17 de setembro — Decisão formal proferida pelo Cel. Olcott a respeito dos problemas acima mencionados. Nova Carta Constitutiva concedida ao Ramo "Hermes"; Arthur Arnould eleito Presidente; Encausse (pseud.: Papus), Sec. Corresp. Gaboriau aparentemente excluído, o que gera certa fricção entre Olcott e H. P. B. A antiga Carta Constitutiva do Ramo Ísis é revogada. Gaboriau torna-se bastante abusivo nas páginas de *Le Lotus* (ODL, IV, 57; Theos., X, Supl. ao dez. de 1888, p. xxvi; Ransom, 249-50; Blech, 171 et seq.).

24 de setembro — H. S. Olcott deixa Paris (Ransom, 248). Submete-se a uma pequena cirurgia em Londres; permanece em casa por dez dias (Theos., X, Supl. ao dez. de 1888, p. xxvi).

27 de setembro — Convocada Convenção Geral para reunir-se em Londres, com o propósito de confederar os Ramos europeus em um único Conselho. Richard Harte, que estivera em Londres por algum tempo, representa a S. T. americana, mas sem poder de voto (Path, III, out. de 1888, p. 236).

Setembro — Nova sede da Sociedade Teosófica inaugurada na Sala 45, Rua Nassau, Cidade de Nova York (Path, III, set. de 1888, p. 203).

xxvi BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Setembro–Outubro — H. S. Olcott visita Glasgow; Liverpool; Oxford, onde tem uma longa conversa com o Prof. F. Max Müller. Forma um Ramo da S. T. em Cambridge (6 de out.). (Theos., X, Supl. ao dez. de 1888, p. xxvi; ODL, IV, 57-60; Lucifer, III, out. de 1888, p. 105).

Outubro — Aviso de H. P. B. anunciando que, devido à grave doença de Mabel Collins, ela assumirá a direção exclusiva de *Lucifer* (Vol. III, out. de 1888, p. 136).

8 de outubro — Reunião dos Fellows da S. T. na Inglaterra convocada por H. S. O., para considerar propostas para a formação de uma Seção Britânica da S. T., realizada no nº 9, Rua Conduit, Londres; adiada para o dia 19 (Lucifer, III, nov. de 1888, p. 260).

9 de outubro — O Cel. H. S. O. emite uma "Ordem em Conselho" formando a Seção Esotérica; atestada por H. P. Blavatsky. A. P. Sinnett recusa-se a participar deste trabalho; as relações entre ele e H. P. B. ficam bastante tensas (ODL, IV, 60; Ransom, 251-52).

19 de outubro — Organização da Seção Britânica da S. T.; a Constituição preparada pelo Cel. Olcott é aprovada, com apenas Sinnett votando contra. As Lojas que formam a Seção são: Blavatsky, S. T. Escocesa, Dublin, Cambridge, Glasgow.

A London Lodge, dirigida por Sinnett, permanece fora da estrutura organizacional da Seção Britânica.

O Dr. Archibald Keightley é Presidente pro tempore

da Seção (Ransom, 251; Hist.

Retr., 15; Lucifer, III, Nov., 1888, pp. 260-63).

20 de outubro — Data em que o Primeiro Volume de A Doutrina Secreta saiu da imprensa.

A primeira impressão de exemplares esgotou-se antes da data de publicação (Ransom, 254). O Segundo Volume saiu perto do fim do ano.

No mesmo dia, o Cel.

Olcott e Richard Harte partem para a Índia.

Segundo uma anotação a lápis no próprio exemplar de R. Harte do Vol.

I da D.S., "Este é o primeiro exemplar já emitido.

Recebi-o do Impressor por Mensageiro Especial na manhã de 20 de outubro de '88, ao sair da casa 17 Lansdowne Road, com o Cel.

Olcott para a Índia (o Cel.

foi pessoalmente via Nápoles). O Segundo Vol.

seguiu-me para a Índia. — R.H."

Charles Johnston e sua esposa Vera partem para a Índia no mesmo vapor (Path, III, p. 236).

H. S. O. segue no Trem do Serviço de Maré a caminho de Paris (Theos., X, Supl.

a Nov., 1888, p. xxi, e Dez., 1888, p. xxvii).

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO                                                  xxxvii

28 de outubro — O Cel.

Olcott parte de Nápoles a bordo do SS Arcadia, onde profere palestras a bordo durante a viagem.

Em seu trajeto de Paris, ele havia parado em Bolonha para ver o Conde Mattei em seu castelo "Rochetta", perto de Rioli; também em Roma, onde visitou a Basílica de São Pedro (ODL, IV, 63-65; 66-68; Ransom, 252; Theos., X, Supl.

a Dez., 1888, p. xxvii).

Outubro — Antes da partida do Coronel, H. P. B. e H. S. O. emitem um Aviso Conjunto no sentido de que não há divisão entre eles; isso é feito para neutralizar todos os tipos de rumores correntes sobre uma iminente cisão (ODL, IV, 62-63).

Outubro — Época aproximada em que Papus (pseudônimo

de Gerard A. V. Encausse) inicia seu jornal L'Initiation em

Paris (Le Lotus, III, Out.-Nov., 1888, p. 509). Torna-se o órgão oficial de seu novo Ramo Hermes, formado com os membros dissidentes do Ramo Ísis.

10 de novembro — H. S. O. desembarca em Bombaim.

A comitiva inclui a Baronesa Kroummess, Charles e Vera V. Johnston, e Richard Harte (ODL, IV, 68; Theos., X, Supl.

a Dez., 1888, p. xxvii; Ransom, 252).

13 de novembro — H. S. O. e a comitiva partem para Madras; chegam a Adyar no dia 15 (ODL, IV, 70; Theos., X, Supl.

a Dez., 1888, p. xxvii).

27 de novembro—W. Q. Judge e Archibald Keightley visitam a Loja de Dublin, estando Judge na Europa por assuntos da S. E.; grande impulso dado à Loja de Dublin (Irish Theosophist, III, fev., 1895, pp. 79-81).

30 de novembro—O Ramo de Bombaim envia a H. S. O. uma resolução recomendando que T. Subba Row seja convidado a voltar. H. S. O. recusa (ODL, IV, 71; Ransom, 252-53).

Dezembro—Época aproximada em que Richard Harte se torna intimamente associado ao trabalho editorial de The Theosophist (H. S. O. em Theos., X, Supl. a dez., 1888, pp. xxvii-xxviii).

Dezembro—Le Lotus afirma que o Volume II de A Doutrina Secreta será publicado nos primeiros dias de dezembro (Vol. III, out.-nov., 1888, p. 512).

Dezembro—William Q. Judge está em Dublin, durante sua viagem à Inglaterra para conferenciar com H. P. B. sobre a Seção Esotérica; ajuda-a a redigir as Regras desse corpo. O Dr. Archibald Keightley também está em Dublin (Path, III, mar., 1889, p. 393).

3 de dezembro—Zensiro Noguchi, representante do Comitê de japoneses patriotas, chega a Adyar, com convite a H. S. O. para visitar o Japão a serviço do Budismo (ODL, IV, 71).

xxviii                         BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

Dezembro—Reunião do Conselho em Adyar na qual uma resolução é aprovada por unanimidade para se converter em um corpo consultivo e restaurar a H. S. O. os plenos poderes executivos que, em 1885, ele havia consentido em ter reduzidos, para satisfazer algumas mentes críticas (ODL, IV, 72).

27, 28, 29 de dezembro—Convenção na Sede de Adyar. O Congresso Político realizado em Allâhâbâd, bem como o “descontentamento” por parte do Ramo de Bombaim, afetam a presença (ODL, IV, 74; Ransom, 252). A Convenção abole a taxa de inscrição e as anuidades; isso é fortemente contestado por H. P. B. e W. Q. Judge logo depois. A Convenção adota a política de reorganizar o trabalho da S. T. na linha de seções autônomas (ODL, IV, 74-83). William Quan Judge é eleito Vice-Presidente da S. T. (Path, III, fev., 1889, p. 362; Ransom, 253). A Convenção decide que o Presidente da S. T. será o guardião de todos os Arquivos e Registros da S. T., e ocupará o cargo por um período de sete anos (Ransom, 254).

Dezembro—O Cel. H. S. O., antes de partir para o Japão, nomeia as seguintes pessoas para exercer todas as funções executivas em seu nome durante sua ausência: Dewan Bahadur R. Raghunath Row, Dewan Bahadur P. Sreenavasa Row, Richard Harte (bibliotecário). (Ransom, 254.)

6 de janeiro—O Conselho em Adyar decide criar duas Seções na Índia, no que diz respeito à administração da Sociedade; Tookaram Tatya e o Juiz D. N. Gadgil serão Secretários-Gerais (Ransom, 258).

10 de janeiro—H. S. O. parte para o Japão, indo primeiro ao Ceilão; é acompanhado por Zensiro Noguchi; Dharmapâla partiu no dia 1º (ODL, IV, 89; Ransom, 258 e seguintes; Theos., X, fev., 1889, pp. 262-66, e Supl. a fev., 1889, p. xxxvii).

17 de janeiro—H. S. O. embarca no SS Djimnah, navegando para o Japão; o Sr. Noguchi e Dharmapâla vão com ele; o Capitão morre antes de chegar a Singapura; H. S. O. organiza uma Filial em Singapura, em 23 de janeiro; chega a Saigon, em 27; navega no dia 28 para Hong Kong (ODL, IV, 92-93; Theos., X, Supl. a fev., 1889, p. xxxvii, e Supl. a março, 1889, p. 1).

Janeiro—A Sociedade Teosófica Ariana em Nova York reelege Wm. Q. Judge como Presidente, durante sua ausência na Europa (Path, III, jan., 1889, p. 331).

Janeiro—William Kingsland eleito Presidente da Loja Blavatsky em Londres (Lucifer, IV, abril, 1889, p. 169).                                         LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO                                             xxix

CHAVE DE ABREVIAÇÕES

Autobiografia—Esboço autobiográfico inédito, manuscrito, escrito por A. P. Sinnett, datado de 3 de junho de 1912, com alguns acréscimos posteriores; original nos Arquivos do Mahatma Letters Trust em Londres, Inglaterra.

Blech—Contribution à L'histoire de la Société Théosophique en France, Charles Blech. Paris: Éditions Adyar, 1933.

Hist. Retr.—A Historical Retrospect-1875-1896-of The Theosophical Society. Extracto do Discurso do Vigésimo Primeiro Aniversário do Presidente-Fundador da Sociedade [H. S. Olcott]. Publicado pela Sociedade, 1896.

Le Lotus—Revue de Hautes Études Théosophiques. F. Krishna Gaboriau, Editor. Paris, Vols. I-III, março, 1887-março, 1889.

LMW—Letters from the Masters of the Wisdom. Transcritas e Anotadas por C. Jinarâjadâsa. Com um Prefácio de Annie Besant. 1ª Série, Adyar, Madras: Theos. Publ. House, 1919. 124 pp.; 4ª ed., com novas e adicionais Cartas (1870-1900), 1948. viii, 220 pp.-2ª Série, ibid., 1925; e Chicago: Theosophical Press, 1926.

Lucifer—Jornal iniciado por H. P. B. em Londres, 1887.

ODL—Old Diary Leaves, Henry Steel Olcott, Quarta Série, 1887-1892. Londres: Theos. Publ. Society; Adyar: Escritório do The Theosophist, 1910.

Path—The Path. Publicado e Editado em Nova York por William Quan Judge.

Volumes I-X, abril de 1886 a março de 1896, inclusive.

Substituído por Teosofia.

Ransom — Uma Breve História da Sociedade Teosófica.

Compilado por Josephine Ransom.

Com um Prefácio de G. S. Arundale.

Adyar, Madras: Casa Publicadora Teosófica, 1938. xii, 591 pp.

Teos. — O Teosofista, publicado primeiramente em Bombaim e depois em Madras, Índia, começando em outubro de 1879. Em andamento.

Escritos Reunidos VOLUME X

HELENA PETROVNA BLAVATSKY Fotografia tirada por Enrico Resta em Londres, 8 de janeiro de 1889. Originalmente publicada em The Path, Nova York, Vol. IV, fevereiro de 1890. Reproduzida aqui a partir da chapa de vidro original nos Arquivos da Sociedade Teosófica na Inglaterra.

Escritos Reunidos VOLUME X

WILLIAM QUAN JUDGE Originalmente publicado em Teosofia, Nova York, Vol. XI, junho de ...

Escritos Reunidos VOLUME X

H.P. BLAVATSKY E CORONEL H.S. OLCOTT EM LONDRES Última fotografia tirada deles juntos. A cesta de tabaco de H.P.B. está agora na posse de Geoffrey Watkins, Londres.

Escritos Reunidos VOLUME X

FACSÍMILE DO DOCUMENTO QUE NOMEIA WILLIAM QUAN JUDGE REPRESENTANTE ÚNICO DA SEÇÃO ESOTÉRICA NA AMÉRICA

Escritos Reunidos VOLUME X

ANNIE BESANT Fotografia tirada em Londres em ...

Escritos Reunidos VOLUME X

CORONEL HENRY STEEL OLCOTT Originalmente publicado em The Word, Vol. XXII, outubro de 1915.

Escritos Reunidos VOLUME X

CONDESSA CONSTANCE WACHTMEISTER 1838- ...

Escritos Reunidos VOLUME X

WILLIAM KINGSLAND 1855- Presidente, Loja Blavatsky, Londres, Inglaterra

Escritos Reunidos VOLUME X

Fac-símile de uma página do manuscrito de A Doutrina Secreta, contendo uma versão inicial do texto.